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    III Congresso Nacional de Pesquisa em Cincias Sociais Aplicadas III CONAPE

    Francisco Beltro/PR, 01, 02 e 03 de outubro de 2014.

    1

    REVISO TERICA DA ESQUIZOFRENIA E IMPLICAES CAUSADAS PELA DOENA NA VIDA DO PORTADOR E DOS

    FAMILIARES

    Andr Luiz Souza Domingues de Matos

    1

    Karin Lisiany de Pontes 2

    laba Cristina Pereira 3

    rea de conhecimento: Medicina. Eixo Temtico: Sade e sociedade.

    RESUMO Objetivou-se neste trabalho realizar uma reviso bibliogrfica da esquizofrenia, procurando entender a partir do histrico da doena, os sintomas, as causas, os tratamentos, e principalmente, as dificuldades impostas aos pacientes e aos seus familiares aps o diagnstico. Com base em entrevista com paciente e com uma pessoa que convive com um portador da doena, foi possvel entender um pouco sobre o grande dilema que essas pessoas vivem, o preconceito que sofrem e o estigma que recebem, alm de poder sentir um pouco as mudanas drsticas que ocorrem na vida de indivduos que possuem ou presenciam algum com transtorno mental. Palavras-chave: Esquizofrenia. Causas. Sintomas. Estigma. Preconceito.

    1. INTRODUO

    Atualmente a esquizofrenia vista como um transtorno psicolgico grave. Porm,

    at atingir o conceito que hoje conhecemos, a doena foi avaliada por muito tempo

    e, de certa forma, definida por estudiosos como Kraepelin, Bleuler e Schneider.

    O indivduo vtima da doena geralmente apresenta dois principais tipos de

    sintomas: I - Positivos (principais sintomas: alucinaes e delrios). E II - Negativos

    (principais sintomas: embotamento afetivo e a pobreza do discurso).

    Tais sintomas afetam sua vida afetiva, social, familiar, financeira, etc., alm de

    mudar permanentemente seu estilo de vida e dos que esto mais prximos, visto ser

    uma doena crnica e ainda sem cura.

    1 Graduando em Medicina no CCSA da UNIOESTE no campus de Francisco Beltro PR.

    andreluiz.sdm@gmail.com 2 Graduando em Medicina no CCSA da UNIOESTE no campus de Francisco Beltro PR.

    karinpontes@gmail.com 3 Professora do curso de Medicina no CCSA da UNIOESTE no campus de Francisco Beltro

    PR. alabacps@hotmail.com

    mailto:andreluiz.sdm@gmail.commailto:karinpontes@gmail.commailto:alabacps@hotmail.com

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    As causas da doena ainda no so bem caracterizadas, podendo-se

    destacar algumas teorias: Teoria gentica, Teorias Neuroqumicas, Teoria

    Dopaminrgica, Modificaes estruturais ou no desenvolvimento, etc.

    O tratamento predominantemente feito da forma medicamentosa, porm

    possui complementos, tais como: psicoterapia, terapia de famlia, terapia

    ocupacional, etc.

    Atravs da pesquisa bibliogrfica e de entrevista com esquizofrnico

    procurou-se entender a doena e principalmente as dificuldades enfrentadas por um

    portador da doena e pela famlia desde o processo de adoecimento at a fase de

    tratamento.

    2. REVISO TERICA SOBRE A ESQUIZOFRENIA

    2.1 UM BREVE HISTRICO

    Segundo Elkis (2000), o termo esquizofrenia, tal como conhecemos hoje

    advm de definies que sofreram modificaes ao longo do tempo. Reconhece-se

    que alguns acontecimentos tenham sido responsveis pelo conceito mais aceito

    atualmente. Pode-se encaix-los num perodo de 100 anos, em trs pontos

    principais:

    Incio (Kraepelin, Bleuler e Scheiner)

    Abrangncia do conceito

    Limitao do conceito

    O primeiro a tentar desvendar a doena foi Kraepelin, que props o conceito

    de demncia precoce. Aps uma srie de estudos e abordagens, os quais foram

    temas publicados em seus Tratados (que comeam em 1893), na 8 e ltima edio

    (1913), Kraepelin relata com exatido os sintomas que hoje esto associados

    Esquizofrenia. Vale lembrar que ele no considerou nenhum destes sintomas como

    principal, mas procurou estabelecer um conjunto de manifestaes que permitiro

    um diagnstico. Props, assim, que demncia precoce caracterizada por duas

    grandes sndromes: (1) O enfraquecimento das atividades emocionais que formam

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    as molas propulsoras da volio; e (2) A perda da unidade interna das atividades

    do intelecto, emoo e volio (ELKIS, 2000; p. 23).

    Em seguida, temos a definio do termo esquizofrenia dada por Bleuler

    (1908-1911), que na verdade procurou defini-la como esquizofrenias, devido aos

    vrios subtipos. importante ressaltar que Bleuler no representava um conceito

    que exclua o de demncia precoce, mas sim um complemento. Ele incluiu o

    aumento da idade no incio do quadro, uma vez que o transtorno poderia aparecer

    tardiamente e um enfoque em alguns sintomas que seriam fundamentais para o

    diagnstico. Esses representam os conhecidos 6 A (e no 4, como comumente

    divulgado): distrbios das associaes do pensamento, autismo, ambivalncia,

    embotamento afetivo, distrbios da ateno e avolio. Delrios, alucinaes,

    distrbios do humor, ou catatonia eram definidos como no essenciais ao

    diagnstico e, consequentemente, acessrios (ELKIS, 2000; p. 24).

    Os sintomas fundamentais so considerados como consequncia de um

    distrbio cerebral, enquanto os acessrios so vistos como uma resposta da

    personalidade. Devido a essa desconexo entre os sintomas fundamentais e

    acessrios, tambm chamada ciso originou-se o termo esquizofrenia.

    Posteriormente, surgiu a necessidade clnica de se identificar com preciso os

    sintomas da esquizofrenia. Assim, Schneider em 1948 divulgou os Sintomas de

    primeira ordem (SPO), sendo eles: ouvir os prprios pensamentos soando alto

    (sonorizao do pensamento); escutar vozes sob a forma de argumento e contra-

    argumento; escutar, com comentrios, vozes que acompanham as prprias

    atividades; ter vivncias de influncia corporal, ter roubo do pensamento e outras

    formas de influncia do pensamento; sentir tudo como sendo feito ou influenciado

    pelos outros no campo dos sentimentos, pulses e vontade; e ter percepo

    delirante (ELKIS, 2000; p. 24).

    Os SPO de Schneider exerceram grande influncia sobre a psiquiatria britnica, sobretudo na elaborao do diagnstico da esquizofrenia pelo Present State Examination (PSE). O PSE foi a base para o exame de pacientes com esquizofrenia em 9 pases, o que deu origem ao Estudo Piloto Internacional da Esquizofrenia (Internacional Pilot Study of Schizophrenia, IPSS), um trabalho transcultural patrocinado pela Organizao Mundial da Sade (OMS), cujo objetivo era verificar invariantes da esquizofrenia (ELKIS, H.; 2000; p. 24).

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    Assim, os estudos feitos por Kraepelin, Bleuler e Schneider constituem o

    alicerce para a compreenso da esquizofrenia e esto presentes nos critrios

    diagnsticos que operacionalizam o conceito da doena (ELKIS, 2000; p. 25).

    A abrangncia do conceito de esquizofrenia aconteceu principalmente nos

    Estados Unidos, onde alguns conceitos bleulerianos foram interpretados com base

    na psicanlise. Alguns autores ainda aproximaram a esquizofrenia aos transtornos

    de personalidade, de forma que muitos pacientes, que atualmente seriam titulados

    como bipolares, por exemplo, foram diagnosticados esquizofrnicos. Em resposta a

    isso, pesquisadores da Universidade de Washington, na dcada de 70, publicaram

    os primeiros critrios diagnsticos estruturados, de forma a restringir alguns

    sintomas e incluir alguns, como os bleurelianos e schneiderianos. Alm disso,

    acrescentaram um perodo mnimo da doena de seis meses (retomada do conceito

    evolutivo klaepeliniano) (ELKIS, 2000; p.25).

    Em 1974, pesquisadores que haviam participado do IPSS procuraram uma simplificao dos tipos de sintomas da esquizofrenia e, parcialmente inspirados no modelo de doena mental de Hughlings Jackson, que prope que a mesma poderia ser melhor definida a partir de dois processos, subdividiram os sintomas da esquizofrenia em dois grandes grupos: positivos ou psicticos (por exemplo, delrios e alucinaes) e negativos ou deficitrios (por exemplo, embotamento afetivo, avolio) (ELKIS, H.; 2000; p. 25).

    Por fim, temos a dicotomizao da esquizofrenia em subtipos I (principais

    sintomas: alucinaes e delrios) e II (principais sintomas: embotamento afetivo e a

    pobreza do discurso) ou positivo/negativo proposta por Crow (1980). Vale ressaltar

    que ambos podem refletir dois processos patolgicos etiolgica e prognosticamente

    distintos (SILVA; 2006; p.274).

    2.2 EPIDEMIOLOGIA, INCIDNCIA E PREVALNCIA:

    2.2.1 Epidemiologia:

    A epidemiologia descreve a ocorrncia e o desenvolvimento de uma doena

    durante a