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Jornal laboratorial do curso de Comunicação Social da Uniube

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  • 04

    13Arte em biscuitPersonalidades surgem das mos

    Ano XII N 360 Uberaba/MG Julho de 2010

    10

    Zeca CamargoO apresentador fala da vivncia em Uberaba

    SustentabilidadeEspecialista defende viso inovadora

    Foto

    : Thi

    ago

    Ferr

    eira

    Refeio escolar completa 60 anos e ainda contribuipara controle da fome

    Pg. 08

  • Caridade X ostentao

    Expediente. Revelao: Jornal-laboratrio do curso de Comunicao Social da Universidade de Uberaba (Uniube) Reitor: Marcelo Palmrio Pr-reitora de Ensino Superior: Inara Barbosa Coordenador do curso de Comunicao Social: Andr Azevedo da Fonseca (MG 9912 JP) Professora orientadora: Indiara Ferreira (MG 6308 JP) Projeto grfico: Diogo Lapaiva (7 perodo/Jornalismo), Jr. Rodran (4 perodo/Publicidade e Propaganda), Bruno Nakamura (7 Perodo/Pu-blicidade e Propaganda) Estagirio: Thiago Borges (5 perodo/Jornalismo) Colaborao: Thiago Ferreira (5 perodo/Jornalismo) Equipe: Jlia Magalhes (3 perodo/Jornalismo) Reviso: Mrcia Beatriz da Silva Impresso: Grfica Jornal da Manh Redao: Universidade de Uberaba Curso de Comunicao Social Sala L 18 Av. Nen Sabino, 1801 Uberaba/MG Telefone: (34) 3319 8953 E-mail: revela@uniube.br

    Revelao Jornal-laboratrio do curso de Comunicao Social da Universidade de Uberaba

    Cludio Guimares6 perodo de Jornalismo

    Pensemos no que Chi-co Xavier nos deixou de exemplo. Foi uma vida inteira baseada na prti-ca fiel da CARIDADE, as-sim como Jesus ensinou e exemplificou h mais de 2.000 anos. Nada de osten-tao ou soberba.

    No ms de abril, foi co-memorado o aniversrio de 100 anos do nascimento de Chico. Na verdade, cele-brado com festividade de monu mental pompa, lu-xuosidade e exibicionismo.

    Em Uberaba, alm dos

    monumentos, dos bustos, dos museus, houve con-gressos, festivais, inau-guraes, lanamento do filme, presena de polticos e artistas famosos, enfim, muita festa e muito di-nheiro.

    Em Braslia, os polticos realizaram um congresso onde foi cobrado cerca de R$150,00 por pessoa para participar. Em Pedro Leopoldo, cidade onde o mdium nasceu, inicia-ram a construo de um complexo com grandes

    pavilhes, contando com museus, fontes luminosas e passarelas de acrlico. Tudo com a mais alta tec-nologia.

    Em Belo Horizonte, es-to construindo a Casa do Chico. uma moder-na edificao e, pelo que pde-se ver do projeto, um verdadeiro palcio, onde sero gastos alguns milhes de reais.

    Chico nunca foi simpa-tizante dessas manifes-taes. Dos mais de 400 livros que psicografou, revertia toda a renda em doaes para instituies e fundaes que cuidavam de pessoas carentes.

    Em vez de comemorar gastando toda essa fortu-na com tamanha soberba, que tal aplicar em hos-pitais, asilos, orfanatos e creches? H tantos luga-res necessitando de mais recursos e h inmeras formas de se exercer a to falada CARIDADE pregada pelo prprio mdium.

    Mateus BarrosRassa Nascimento

    Alex Gonalves

    Thiago Paio

    CHARGES

  • Ingredientes do desperdcio

    No jogue fora, reaproveite

    Com 10% de desnutridos no Brasil, restaurantes jogam no lixo montanha de alimentos

    Dados recen-tes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica (IBGE) mostram que, nas dez maiores capitais do Brasil, o cidado consome 35 quilos de alimentos ao ano dois a menos do que o total jogado no lixo. Embora no haja estudos conclusivos, estima-se que a perda no setor de refei-es coletivas, como res-taurantes, chegue a 15%.

    O cliente acha que, se est pagando, pode fazer o que quiser, at jogar comi-da fora, relata o empres-rio Antnio Leandro Kapoli, dono de uma tradicional churrascaria em Uberaba. Muito mais que uma ques-to de arrogncia por parte dos consumidores, o aspecto cultural que cola-bora, em grande parte, para o desperdcio. Imagina-se erroneamente, assim, que alimentar-se bem sinnimo de comer em

    quan tidade. Nes-se sentido, no

    difcil encon-trar, seja em restaurantes requintados ou nos popu-

    lares self ser-vices, pessoas

    que colocam mui-to mais alimento no

    prato do que so capazes de comer. Kapoli afirma que, a fim de tentar di-minuir as perdas, procura fazer sempre a quantida-de de comida com base na estimativa do nmero de clientes. Nos fins de semana, o movimento au-menta consideravelmente e cozinhamos mais. S que, s vezes, atpico e muita coisa jogada fora.

    Outro fato que se deve destacar em relao ao Brasil o de que existe uma lei que no permite que restaurantes distribu-am as sobras de alimentos. No aqueles que sobraram nos pratos, mas os no consumidos. A secretaria de Sade diz que as nor-mas e maneiras de guar-dar os alimentos podem influenciar na qualidade do produto e, por isso, no se pode doar, conta Kapoli.

    Para o empresrio, a regulamentao poderia fazer com que algumas toneladas de alimentos de boa qualidade e j prepa-rados pudessem ser distri-budas entre as camadas mais pobres da sociedade.

    No mercado h mais de 19 anos frente de um dos self services mais popu-lares da cidade, Tasa Fer-nandes jura no enfrentar pro blemas quando se fala em desperdcio.

    Em mdia, so prepara-dos 200 quilos de comida por dia para sustentar cer-ca de 400 pessoas.

    Somos 25 funcion-rios, e comemos por lti-mo. Assim, muito difcil sobrar alguma coisa, diz Tasa.

    Mariaurea Machado5 perodo de Jornalismo

    Segundo estimativas da Organizao das Na-es Unidas para a Agri-cultura e a Alimentao, a FAO, 10% dos brasileiros so desnutridos.

    Por outro lado, o Brasil joga na lata do lixo o equi-valente a R$ 12 bilhes em alimentos por ano. Essa montanha de comida daria para alimentar cerca de 30 milhes de pessoas ou 8 milhes de famlias durante um ano inteiro.

    A nutricionista Vanessa Silva Souza apresenta ao Jornal Revelao medidas simples que podem evitar o desperdcio: . Comprar apenas o essencial para a semana. . Educar as crianas. corriqueiro v-las em res-taurantes pedindo uma variedade de coisas que acabam no comendo. Ensine-as a consumir de

    forma consciente. Isso vale para os adultos tam-bm, que devem dar o exemplo.. Sobras de alimen-tos podem render recei-tas agradveis sade, ao bolso e ao paladar. O arroz, por exemplo, depois de pronto, pode ser guardado na gela-deira por dois dias, em recipiente vedado. Com sobras de arroz pode-se preparar deliciosos bolinhos. Variando in-gredientes como fran-go, legumes e temperos de sua preferncia, voc pode fazer o tradicional arroz de forno.Utilize as sobras de arroz para pre-parar bolinhos. Variando ingredientes como fran-go, legumes e temperos de sua preferncia, voc pode fazer o tradicional arroz de forno.

    O cliente acha que, se esta pa-gando, pode fazer o que quiser, at jogar comida fora

  • O desafio do campo:Faa uma busca na

    Internet com a palavra sustentabilidade. Alguns cliques e voc tem na tela vrios conceitos, defini-es, textos acadmicos, reportagens etc. Mas o que de fato ela significa? Para responder a essa pergunta, a reportagem do Jornal Revelao foi at a fazenda Monte Verde, da famlia Picciani, s margens da BR 262, no municpio de Uberaba. Por l, a pecu-ria sustentvel se garante por meio do sistema de manejo de pastagem, sem desmate de reas de mata nativa.

    Em 1984, Jorge e Mrcia Picciani investiam em leite e caf, na regio de Rio das Flores, sul do Rio de Janei-ro. O sucesso dos negcios com o gado os fez investir definitivamente no me-lhoramento gentico dos rebanhos de corte e leite. A deciso ditaria o rumo do empreendimento que at hoje se mantm familiar.

    O professor da Universi-dade do Rio Grande do Sul, Humberto Srio, foi con-vidado pelos Picciani para desenvolver programas de

    manejo de pastagens nas propriedades utilizando um sistema criado na Fran-a, denominado Sistema de Pastoreio Voisin. A tc-nica consiste na diviso do pasto em piquetes limita-dos por cercas eletrificadas por energia solar. O tempo de permanncia do animal nesses piquetes de 24 horas. O gado se alimenta de pastagem natural, sal mineral e gua. O resul-tado o aumento na pro-dutividade e a preservao ambiental, afirma Srio.

    O professor Humberto explica que na pecuria extensiva, modelo mais comum no pas, os ani-mais passam longos pe-r odos numa mesma rea. A prtica degrada o pasto, obrigando o pecuarista a promover a reforma da pastagem. Para a recu-perao, so necessrias mquinas movidas a leo diesel para aragem do terreno, sem falar do uso dos fertilizantes e herbici-das que impactam o meio ambiente. Devido ao alto custo, muitos proprietrios abrem novas reas de pas-tagem, destruindo reas

    de florestas. Essa ao inadmissvel no mundo moderno e condenada pelo mercado, salienta o professor.

    Felipe Picciani quem dirige o Grupo Monte Ver-de, no Tringulo Mineiro. Com viso de mercado, o pecuarista assegura que a responsabilidade am-biental uma exigncia de toda a sociedade e frisa que o consumidor final se preocupa com toda a ca-deia produtiva. Para ele, o grande diferencial do gado brasileiro em relao a

    outros pases, no mercado externo, justamente a criao a pasto. possvel ser pecuarista, mas com responsabilidade ambien-tal, explica Felipe Picciani que, este ano, tornou-se presidente da Associao de Criadores de Nelore do Brasil (ACNB).

    Apesar dessas afirma-es, o engenheiro agr-nomo Vinicius Rodrigues, especialista em manejo de pastagem, solos e meio ambiente, questiona os argumentos. Ele afirma que o carter sustentvel

    da pecuria brasileira se esbarra no pilar econmi-co, que limita o lucro e, por sua vez, o investimento em tecnologias dispon-veis. O destaque dado por correntes ambientalistas o prejuzo promovido pela atividade ao meio ambiente. So afirmaes tendenciosas, sofismticas e carentes de amparo cien-tfico, frisa Vinicius.

    O presidente da Asso-ciao Brasil