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Transformação dos hábitos de consumo pode contribuir para desacelerar aquecimento global

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  • Jornal-laboratrio do curso de Comunicao Social da Universidade de UberabaAno VIII n. 337 Uberaba/MG Setembro de 2007 Educao e responsabilidade social

  • Revelao - Jornal-laboratrio do curso de Comunicao Social da Universidade de Uberaba

    Uniube Reitor: Marcelo Palmrio Pr-reitora de Ensino Superior: Inara Barbosa Coordenador do curso de Comunicao Social: Raul Osrio Vargas Assessor deImprensa: Ricardo Aidar Revelao Professor orientador: Andr Azevedo da Fonseca (MTB MG-09912JP) Produo e edio: Alunos do 3 perodo de Jornalismo Estagiria (diagramao e edio): Graziella Tavares Reviso: Mrcia Beatriz da Silva e Celi Camargo Impresso: Grfica Jornal da Manh Redao Universidadede Uberaba - Curso de Comunicao Social - Sala 2L18 - Av. Nene Sabino, 1801 - Uberaba - MG - 38055-500 Telefone: (34) 3319 8953 E-mail: revela@uniube.br

    Tobias Ferraz4 perodo de Jornalismo

    A reflexo sobre a violncia tem como cone apensadora Hannah Arendt, que aponta para abestialidade dos regimes totalitrios, tendo comodestaque absoluto o iderio nazista de Adolf Hitler e asincomparveis atitudes para com o povo judeu. Mas seo holocausto e o genocdio praticados pelos nazistas hmais de 60 anos nos causam repulsa, talvez as geraesfuturas enxerguem neste comeo desculo XXI prticas to cruis quantoas cometidas pelos ditadores dopassado. No entanto, percebero queas atrocidades no novo sculo socometidas por grupos que seescondem no anonimato das corporaes.

    Em profunda e abrangente reportagem publicadana edio nmero dois da revista Piau, George Packernos apresenta Lagos, na Nigria um aglomerado de15 milhes de pessoas. Segundo o reprter, Lagos uma imensa favela que faz do lixo seu principalproduto e onde os moradores so institucionalmentelanados prpria sorte. Ou seja, sem polticaspblicas, sem programas sociais, cada um se vira comopode. Packer fecha a reportagem com a frase: Elesso suprfluos, na linguagem spera da globalizao.

    a partir do pensamento ou melhor, das aesproduzidas pelo pensamento neoliberal que o

    capitalismo encontra oportunidade para expressar oseu lado mais perverso: a total indiferena para como ser humano. Nesse sentido, africanos pobres, ndiosque mantm vivas as suas tradies, sertanejos queno esto inseridos no mundo do agribusiness; todoseles so suprfluos para a sociedade do consumo epara os lderes que ditam o pensamento do homemhipermoderno.

    Talvez as mesmas deformaes produzidas por ummundo tecnolgico, que criou o idiota virtual,

    estejam aguando a indiferena,produzindo nichos de alta tecnologiacom equipamentos operados por umhomem que tem dentro da cabea,conceitos sociais to perversosquando os que tivemos no passado.

    nesse contexto que a sociedade brasileira segue emfrente, com uma elite financeira arrogante que sevangloria da globalizao, enquanto que o termmetrosocial indica o crescimento das desigualdades.

    Mas preciso ter em mente que a indiferena mata.E que a corrupo, a falta de prioridades polticas e aomisso matam tanto quanto os piores genocdios dosculo passado. preciso lembrar que, segundorelatrio das Naes Unidas, cerca de 40 milhes debrasileiros vivem abaixo da linha da pobreza. E restasaber como que o homem hipermoderno desejafigurar na histria. Como genocida, heri libertadorou agente transformador?

    Os genocidas do sculo 21Indiferena o lado mais perverso da sociedade de consumo

    Impresses pessoais

    Memorial do Holocausto, na Flrida (EUA)

    Reproduo

    A omisso mata tantoquanto os genocdiosdo sculo passado

    2 Revelao -Setembro de 2007

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  • Revelao - Setembro de 2007

    Sua sociedade

    Participao poltica exerccio da liberdadeCidadania direito fundamental dos homens e das mulheres na sociedade

    Mafalda VeronezEliane Moratelli3 perodo de Jornalismo

    A palavra cidadania tem origem no termo latinocivitas que quer dizer cidade. Foi muito usada naRoma antiga para expressar a situao poltica, osdireitos e deveres de uma pessoa. Segundo DalmoDallari, um dos principais pensadores na rea deDireitos Humanos no Brasil, a cidadania expressa umconjunto de garantias que confere aos homens emulheres a possibilidade de participar plenamente davida poltica de seu povo. Quem no tem cidadaniaest marginalizado ou excludo da vida social e datomada de decises, ficando numa posio deinferioridade dentro do grupo social, escreveu Dallari.

    Para Jaime Pinsky, um dos organizadores do livro

    Histria da Cidadania (Contexto, 2003), devemospensar neste conceito em termos histricos ou seja,o sentido de cidadania varia no tempo e no espao. diferente ser cidado na ndia ou no Brasil, porexemplo, devido aos direitos edeveres que caracterizam o cidadoem cada pas. Alm disso, astransformaes no tempo histricoe a rapidez das mudanas fazemcom que uma coisa que hoje proibida, amanh seja aceita. Umexemplo a garantia do votofeminino: a participao poltica das mulheres j foiconsiderada absurda, h pouco tempo atrs, at empases desenvolvidos, como em muitas naes daEuropa. Esse mesmo direito ao voto j esteve ligado propriedade de bens, titularidade de cargos ou

    funes, ao fato de pertencer ou no a uma etnia, etc.Segundo muitos historiadores, a Independncia

    dos Estados Unidos e a Revoluo Francesa derampartida ao reconhecimento oficial dos direitos

    universais dos seres humanos. Aidia que todas as pessoasdevam contar com um conjuntode garantias sociais que devemser respeitadas acima dequalquer outra circunstnciapoltica ou econmica tal comoo direito vida, moradia, ao

    trabalho, liberdade e igualdade perante as leis.Mas assumir a condio de cidado no consistesomente em saber que esses direitos existem: acidadania deve ser conquistada atravs dareivindicao de direitos bsicos para todos.

    ter seus direitos e seus deveres.E ter eles reconhecidos. voc terdireito educao, sade, saneamento estas coisas bsicas. E tambm saber dassuas obrigaes de cidado. Saber ajudaruma pessoa quando ela precisa.Liliane Pereira,3 perodo de Gesto emAgronegcios

    O que cidadania para voc?

    A cidadania deve serconquistada atravs dareivindicao de direitosbsicos para todos.

    a pessoa andar certo com osseus direitos. Tanto na reasocial, poltica e religiosa. andar em dia nesse sentido,cumprindo corretamente suasobrigaes, seus direitos e deveres.Alexandre Eurpedes,2 perodo de Odontologia

    voc ter conscincia doque voc faz para a cidade.Ser cidado ser umapessoa consciente e ativana sociedade.Loren Santos,1 perodo dePublicidade

    Para mim, cidadania no svotar. participar efetivamentede uma poltica. Observar aspropostas dos polticos, participar.Pegar uma constituio e saber dosseus direitos. A voc vai poderparticipar efetivamentee ser um cidado.. Luziana Vilaa, 3 Perodo de Direito

    Paulo Fernando Borges2 perodo de Jornalismo

    Fotos: Renato Csar Lopes Matos2 perodo de Publicidade

    Fala a!

    3

    Pra mim, cidadania observar tanto as questespessoais, quanto dacomunidade, como aquelasleis bsicas que regem onosso planeta.Silvnio Mrcio, Prof.de Eng. de Produo

    Foto

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    sar

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    es M

    atos

  • 4 Revelao - Setembro de 2007

    Graziella Tavares4 perodo de Jornalismo

    Cidadania. Mais uma dessas palavras queestudamos nos bancos escolares, l na quinta, sextaou stima srie do ensino fundamental. Mas ser queentendemos realmente o seu significado? H anos ossocilogos, os cientistas polticos, os juristas e oshistoriadores procuram debater o tema atravs devrias perspectivas. Mas em um pas comdeficincias graves no sistema de educao, como oBrasil, se a maioria das pessoas no conhece nemmesmo seus direitos bsicos, fica ainda mais difcilincorporar aquele termo ao seu dia-a-dia. Paradebater melhor o assunto, conversamos com oprofessor do curso de Direito da Universidade deUberaba, Andr Del Negri, que recentementeproferiu a palestra Direitos Fundamentais, noPlano de Ateno ao Estudante (PAE).

    Revelao: Para comear, vamos direto aoponto: o que cidadania?

    Del Negri: Para responder essa pergunta vocprecisa ter uma srie de implicaes. Eu no possofalar de cidadania se eu no falar de democracia,

    porque o exerccio da cidadania vai ser tambm umaimplementao da democracia. Talvez o maiorequvoco que andam cometendo enxergar acidadania como se fosse o direito de voto: se vocvotou, voc j cidado. E no isso! A democraciano se define s no voto. Este, alis, uma fraomnima do exerccio democrtico. Ningum pode dizerque, s porque tem certido de nasci-mento e ttulo de eleitor, j umcidado como tm anunciado oscomerciais do governo federal. Essesso apenas alguns documentos etalvez no os mais importantes, pois,se for analisar, o voto no Brasil, pelo mbito da demo-cracia, nem poderia ser obrigatrio. Se as pessoasenxergam a cidadania como ser portador de uma sriede direitos fundamentais, no s o eleitoral, elascomeam a compreender o seu significado.

    Revelao: E como ser realmente um cidado?Del Negri: Voc s vai se ver como cidado ou cidad

    quando participar da construo e reconstruo do seu

    ordenamento jurdico, que lhe assegura alguns direitosindispensveis. Se voc tiver condies, num pas, departicipar, reconstruir, reivindicar aquilo que j estassegurado na Constituio Federal e outras legislaes,voc est exercitando a cidadania e, logo, estimplementando a democracia. Assim que podemoscomear, rompendo com essa mtica de que a cidadania

    s exercida pelo voto. E quem vota oudeixa de votar tambm no pode sercondenado como sendo ou no, cidado.

    Revelao: Voc se referequela propaganda que defende

    a idia de que as pessoas que optam por votarnulo deixam de exercer a cidadania?

    Del Negri: Exatamente. A cidadania muito maisdo que isso. Ser cidado ter acesso educao, sade,emprego, uma sr