Retribuição Mínima Mensal Garantida - ?· consideradas as despesas com a higiene pessoal, os produtos…

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<p>Retribuio Mnima Mensal Garantida </p> <p>dezembro </p> <p>2016 Acompanhamento do Acordo sobre </p> <p>a Retribuio Mnima Mensal Garan-tida </p> <p>3. Relatrio </p> <p>P g i n a | 2 </p> <p> Relatrio de Acompanhamento do Acordo sobre RMMG dezembro 2016 </p> <p>ndice geral Introduo ................................................................................................................................................................................. 5 </p> <p>1. Enquadramento .................................................................................................................................................................. 5 </p> <p>1.1. RMMG de 1974 a 2016 ..................................................................................................................... 5 </p> <p>1.2. Definio da RMMG .......................................................................................................................... 10 </p> <p>1.3. Os princpios genricos de atualizao da RMMG ............................................................................ 11 </p> <p>1.4. Acordo relativo aplicao da Retribuio Mnima Mensal Garantida para o ano de 2016 ........... 12 </p> <p>2. Enquadramento macroeconmico e mercado de trabalho: evoluo recente e perspetivas futuras ...............................................................................................................................................................................................14 </p> <p>2.1. Conjuntura internacional .................................................................................................................. 14 </p> <p>2.2. Conjuntura nacional .......................................................................................................................... 15 </p> <p>2.2.1. Enquadramento macroeconmico ................................................................................................ 15 </p> <p>2.2.2. Mercado de trabalho ..................................................................................................................... 17 </p> <p>2.2.3. Produtividade e competitividade ................................................................................................... 20 </p> <p>3. Evoluo da Retribuio Mnima Mensal Garantida ..........................................................................................22 </p> <p>3.1.RMMG ................................................................................................................................................ 22 </p> <p>3.2. Salrios e remuneraes ................................................................................................................... 25 </p> <p>3.3. RMMG, Pobreza e Desemprego ........................................................................................................ 29 </p> <p>4. Comparao do salrio mnimo em Portugal e na Unio Europeia .............................................................31 </p> <p>5. Anlise da evoluo dos trabalhadores a auferir a RMMG com base nas remuneraes declaradas Segurana Social .........................................................................................................................................41 </p> <p>Anexo Estatstico ...................................................................................................................................................................45 </p> <p>P g i n a | 3 </p> <p> Relatrio de Acompanhamento do Acordo sobre RMMG dezembro 2016 </p> <p>ndice de tabelas Tabela 1 - Crescimento econmico mundial (crescimento anual em %) ................................................... 14 Tabela 2 Portugal, rea Euro e UE .......................................................................................................... 15 Tabela 3 - Indicadores econmicos............................................................................................................ 16 Tabela 4 - Cenrio macroeconmico: Oramento de Estado e Comisso Europeia ................................. 17 Tabela 5 - Populao ativa, emprego e desemprego (taxa de variao homloga, %) ............................. 18 Tabela 6 - Evoluo da populao empregada por situao na profisso (em milhares) ......................... 18 Tabela 7 - Proporo das componentes do custo mdio por trabalhador (3. trimestre de 2016) .......... 20 Tabela 8 - Retribuio mnima mensal garantida (entrada em vigor a 1 Janeiro) ..................................... 23 Tabela 9 - Trabalhadores abrangidos pela retribuio mnima mensal garantida .................................... 25 Tabela 10 - Remunerao, RMMG, Produtividade e IPC (var. anual em %) .............................................. 25 Tabela 11 - Remunerao de Base e Ganho (Euros) .................................................................................. 27 Tabela 12 - Dinmica da atualizao das tabelas publicadas por setores de atividade ............................ 28 Tabela 13 - Salrio mnimo mensal em euros e PPC, em alguns pases da Unio Europeia (1) .................. 32 Tabela 14 - ndice de Kaitz: Proporo do Salrio Mnimo no Ganho Mdio e Mediano ......................... 33 Tabela 15 - Incidncia de indivduos, por escales de remunerao (Continente) ................................... 42 Tabela 16 - Peso da remunerao total dos trabalhadores com remunerao inferior ou igual RMMG, no total da remunerao (Continente) ...................................................................................................... 43 </p> <p>P g i n a | 4 </p> <p> Relatrio de Acompanhamento do Acordo sobre RMMG dezembro 2016 </p> <p>ndice de figuras Figura 1 - Componentes do ndice do custo de trabalho no setor empresarial ........................................ 19 Figura 2 - Evoluo dos Custos Unitrios por unidade produzida (CTUP), Remuneraes e Produtividade (taxas de variao homlogas, %).............................................................................................................. 21 Figura 3 - ndice da taxa de cmbio efetiva real de Portugal versus rea do Euro (EURO18), versus Unio Europeia (UE28) e versus os 37 pases mais industrializados (IC37) ......................................................... 22 Figura 4 - Trabalhadores a tempo completo abrangidos pela RMMG ...................................................... 24 Figura 5 - Diferencial entre evoluo real dos Salrios convencionais, da RMMG e do Ganho e a evoluo da Produtividade (em pontos percentuais) ................................................................................ 26 Figura 6 - RMMG Real e Produtividade (2010=100) .................................................................................. 27 Figura 7 - Evoluo do wage drift (em pontos percentuais) ...................................................................... 29 Figura 8 - RMMG e Trabalhadores em risco de pobreza ........................................................................... 30 Figura 9 - Trabalhadores a tempo completo abrangidos pela RMMG (em % dos trabalhadores a tempo completo) e Desemprego subsidiado (em milhares) ................................................................................. 30 Figura 10 - Evoluo da RMMG, da Taxa de Desemprego e da Taxa de Desemprego .............................. 31 Figura 11 - Disperso Salarial (rcios entre decis) - 2014 .......................................................................... 34 Figura 12 - Distribuio dos trabalhadores a tempo completo por escales salariais (remunerao base + prestaes regulares) em 2015 .................................................................................................................. 34 Figura 13 - Distribuio salarial (remunerao base + prestaes regulares) por cada vintil da populao em 2015 ..................................................................................................................................................... 35 Figura 14 Papel do Governo e de outros atores no processo de deciso ............................................... 35 Figura 15 Critrios considerados no processo de fixao do salrio mnimo ......................................... 38 Figura 16 Frequncia dos ajustamentos do salrio mnimo ................................................................... 38 Figura 17 Sntese das principais dimenses institucionais de fixao do SMN ...................................... 39 Figura 18 - Evoluo da percentagem de indivduos com remuneraes declaradas com ....................... 41 Figura 19 - Evoluo da RMMG e do nmero de trabalhadores com remunerao igual RMMG (Continente) ............................................................................................................................................... 42 Figura 20 Contratos iniciados, cessados e contratos iniciados com remunerao de base mensal igual RMMG (Continente)................................................................................................................................... 43 Figura 21 Percentagem de contratos iniciados com remunerao de base igual RMMG no total de contratos iniciados (Continente) ............................................................................................................... 44 Figura 22 Nmero de contratos iniciados ao longo de cada um dos anos (Continente) ........................ 44 </p> <p>P g i n a | 5 </p> <p> Relatrio de Acompanhamento do Acordo sobre RMMG dezembro 2016 </p> <p>Introduo </p> <p>A Retribuio Mnima Mensal Garantida (RMMG) constitui um referencial do mercado de trabalho, tanto </p> <p>na perspetiva do trabalho digno e da coeso social, como da competitividade e sustentabilidade das empre-</p> <p>sas. </p> <p>O Programa do Governo refere que O reforo da concertao social deve permitir definir uma poltica de </p> <p>rendimentos numa perspetiva de trabalho digno e, em particular, garantir a revalorizao do salrio mnimo </p> <p>nacional () O Governo propor em sede de concertao social uma trajetria de aumento do SMN que per-</p> <p>mita atingir os 600 em 2019: 530 em 2016, 557 em 2017, 580 em 2018 e 600 em 2019. </p> <p>O Decreto-Lei n. 254-A/2015, de 31 de dezembro, fixou em 530 euros o valor da RMMG, com efeitos a </p> <p>partir de 1 de janeiro de 2016, sem prejuzo da continuao do debate em sede de Comisso Permanente de </p> <p>Concertao Social (CPCS) quanto atualizao de mdio prazo da RMMG, observando, como critrios refe-</p> <p>renciais, a evoluo da produtividade, a competitividade, a inflao e a situao do emprego, com o objetivo </p> <p>de celebrar um acordo de concertao para o horizonte da legislatura. </p> <p>Na sequncia dos debates em sede de concertao social foi estabelecido o Acordo relativo aplicao </p> <p>da RMMG1, assinado a 22 de janeiro de 2016, entre o Governo e Parceiros Sociais com assento na CPCS. </p> <p>O referido Acordo estabelecia no seu ponto 1. que o Governo e os Parceiros Sociais acordam em proce-</p> <p>der a um acompanhamento regular do impacto do aumento da RMMG aprovado pelo Decreto-Lei n. 254-</p> <p>A/2015, de 31 de dezembro, no mbito de um grupo tripartido no quadro da CPCS e com base num relatrio </p> <p>trimestral a elaborar pelo Governo, j a partir de maro de 2016, [que] reavaliar cada uma das clusulas que </p> <p>fazem parte deste acordo. Desde, ento, foram j elaborados dois relatrios. </p> <p>O documento agora apresentado constituiu mais um relatrio elaborado no mbito deste Acordo e inclui </p> <p>informao disponvel at ao incio de dezembro. </p> <p>O primeiro captulo visa enquadrar a questo da RMMG. Por sua vez, o segundo captulo apresenta um </p> <p>conjunto de indicadores de natureza macroeconmica e o terceiro procura sistematizar um conjunto de in-</p> <p>formao recente sobre salrios. O quarto captulo inclui alguns elementos de comparao com outros Esta-</p> <p>dos-Membros da Unio Europeia. No captulo quinto analisa-se a evoluo dos trabalhadores a auferir a </p> <p>RMMG com base nas remuneraes declaradas Segurana Social e a informao do Fundo de Compensao </p> <p>do Trabalho. </p> <p>1. Enquadramento </p> <p>Esta seco procura contextualizar a RMMG, do ponto de vista dos principais marcos histricos, do con-</p> <p>ceito e dos critrios de atualizao. Assim, comea-se por uma sntese histrica da evoluo do salrio mnimo, </p> <p>em Portugal, desde a sua gnese at ao momento atual. Apresenta-se, ainda, o conceito subjacente, bem </p> <p>como uma enumerao dos critrios que tm estado subjacentes sua atualizao. Por fim, inclui-se a infor-</p> <p>mao constante do ltimo Acordo, assinado em sede de Comisso Permanente de Concertao Social. </p> <p>1.1. RMMG de 1974 a 2016 </p> <p>De acordo com Jos Antnio Pereirinha e Francisco Branco2, o primeiro estudo tendente definio do </p> <p>salrio mnimo nacional interprofissional, em Portugal, foi desenvolvido, em 1965, pelo Ministrio das Cor-</p> <p>poraes e Previdncia Social, seguindo a metodologia at ento consagrada para estabelecer as necessida-</p> <p>des mnimas de um trabalhador tpico. Nesse mbito, foi admitido como tipo um trabalhador celibatrio </p> <p>indiferenciado da indstria e servios com 70 kg de peso, 1,70 m de altura e 35 anos de idade, para o qual </p> <p> 1 http://www.ces.pt/download/1924/Acordo_RMMG2016.pdf 2 Jos Antnio Pereirinha e Francisco Branco, Uma abordagem histrica dos padres de rendimento mnimo em Portugal , Ler Histria [Online], </p> <p>64 | 2013, URL : http://lerhistoria.revues.org/671 ; DOI : 10.4000/lerhistoria.671 </p> <p>http://www.ces.pt/download/1924/Acordo_RMMG2016.pdf</p> <p>P g i n a | 6 </p> <p> Relatrio de Acompanhamento do Acordo sobre RMMG dezembro 2016 </p> <p>foi estabelecida a quantidade necessria de calorias e a dieta adequada, e calculado o custo dirio dessa dieta </p> <p>alimentar. Tendo por base um valor para a proporo dos encargos alimentares no valor da despesa total </p> <p>(denominado coeficiente de Engel), foi ento calculado o salrio base dirio. No estudo foi considerado o </p> <p>valor do coeficiente de Engel de 40%, com base nos valores obtidos num outro estudo realizado para as </p> <p>Companhias Reunidas do Gs e Eletricidade (CRGE)3. Obtendo-se o custo da dieta alimentar mnima de 12,85 </p> <p>escudos dirios para 1965, com base no coeficiente atrs referido, chegou-se a uma despesa mdia diria de </p> <p>32,1 escudos, ou seja, 963 escudos por ms. Considerando a dimenso mdia das famlias portuguesas de 3,5 </p> <p>pessoas, chegar-se-ia ao valor de 3 370 escudos/ ms por famlia para esse ano. </p> <p>Posteriormente, j em 1969, foi realizado um novo estudo, cujo relatrio final considerava as concluses </p> <p>do trabalho de 1965 insatisfatrias. Esta nova aproximao foi desenvolvida na base de uma lista exaustiva </p> <p>de todos os bens e servios que se consideram indispensveis a um trabalhador no qualificado e sua famlia </p> <p>(...) e no s as relativas manuteno da vida e da capacidade de trabalho (...) mas tambm as ligadas </p> <p>obteno de um mnimo social compatvel com a dignidade humana4. De acordo com este novo trabalho, a </p> <p>famlia tipo teria quatro elementos: um pai operrio no qualificado, com idade mdia de 35 anos, frequen-</p> <p>tando um curso noturno; a me trabalhadora como mulher-a-dias e os filhos estudantes com cerca de 11 e...</p>