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Resumo do livro Curso de Processo Penal 6 edio. Autor: Eugnio Pacelli de Oliveira. Realizado pelo Grupo MPF Concurso, em junho de 2005, e atualizado em junho de 2006 pelo Grupo Resumos MPF, sob a coordenao de Alessandra de Abreu Minadakis Barbosa.

CURSO DE PROCESSO PENALEugnio Pacelli de Oliveira. Pginas ___ a ___. Elaborado por: Alessandra de Abreu Minadakis Barbosa. Atualizado e ampliado: Adriana Borba 6 edio. Captulo 1 O Processo Penal Brasileiro. 1.1 O Cdigo de Processo Penal. Nossa primeira legislao processual penal codificada foi o Cdigo de Processo Criminal de Primeira Instncia, de 1832. Em 1941 entrou em vigor o atual Cdigo de Processo Penal, que teve por inspirao a legislao italiana da dcada de 30, pleno regime fascista. At a Constituio de 1988, apesar de ter sofrido grandes alteraes, especialmente na dcada de 70, o princpio fundamental que norteava o CPP era o da presuno de culpabilidade. Da se retiram suas mais relevantes caractersticas, como uma preocupao quase que exclusiva com a tutela da segurana pblica em detrimento da liberdade individual, a legitimao de prticas autoritrias e abusivas pelo Poder Pblico na busca da vontade real (a ampliao ilimitada da liberdade de iniciativa probatria do juiz descaracterizou o perfil acusatrio da atividade jurisdicional), e a valorao do interrogatrio do ru como meio de prova, realizado em ritmo inquisitivo, sem interveno das partes. 1.2 A Constituio Federal de 1988 e o processo constitucional. A Constituio de 1988 instituiu um sistema de amplas garantias individuais, transformando o processo em um instrumento de garantias do indivduo em face do Estado, atento para a desigualdade material entre as partes. Um processo justo, construdo sob os rigores da lei, da tica e do Direito, a ser realizado sob instruo contraditria, perante o juiz natural da causa, com participao efetiva da defesa tcnica, como nica forma de construo vlida do convencimento judicial, sempre motivado. O MP passou a ser instituio independente, estruturado em carreira, com ingresso mediante concurso pblico, incumbindo-lhe a defesa da ordem jurdica, e no dos interesses exclusivos da funo acusatria, devendo atuar com imparcialidade.Curso de Processo Penal, de Eugnio Pacelli de Oliveira

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1.3 O sistema acusatrio brasileiro. Algumas dificuldades tm sido observadas na estruturao de um modelo efetivamente acusatrio. Em primeiro lugar h a questo da mutatio libelli do art. 384 do CPP, admitida pelos tribunais, que permite uma alterao substancial da pea acusatria, a partir de fatos e/ou circunstncias que o juiz julgue provados na instruo criminal. Assim, uma nova acusao formulada pelo prprio juiz, que antecipa a valorao que estar fazendo do material probatrio. Acertadamente o STF decidiu pela impossibilidade do juiz requisitar de ofcio novas diligncias probatrias, quando o MP se manifestar pelo arquivamento do inqurito. No campo da distribuio do nus da prova tem-se admitido ampla liberdade de iniciativa probatria ao juiz, justificada pelo princpio da verdade real, como se houvesse verdade judicial que no fosse uma verdade processual. Referido princpio tem sido manipulado para justificar a substituio do MP pelo juiz no que se refere ao nus probatrio. Apenas uma leitura constitucional do processo penal, coma afirmao do princpio do juiz natural e de sua indispensvel imparcialidade, pode afastar tais inconvenientes. A igualdade das partes s ser alcanada quando no se permitir mais ao juiz uma atuao substitutiva da funo ministerial no que se refere ao nus processual probatrio. O interrogatrio do ru constitui meio de defesa, e no de prova, no podendo, por fora do art. 5, LXIII, da CF, seu silncio ou no-comparecimento gerar prejuzos. Inclusive, o no-comparecimento do ru sesso de julgamento do Tribunal do Jri deve ser admitido como estratgia de defesa. O interrogatrio foi tambm redimensionado pela Lei 10792/2003. 1.4 Sistemas processuais incidentes: O modelo brasileiro. A doutrina brasileira entende que o modelo brasileiro de sistema processual de natureza mista, isto , com feies acusatrias e inquisitoriais, no que se refere definio da atuao do Juiz Criminal. Parte destes autores defende a natureza mista do sistema brasileiro, baseados na existncia do inqurito policial; outros justificam a natureza mista, apontando determinados poderes atribudos ao juiz pelo CPP. O autor discorda da natureza mista no sistema processual brasileiro, adotando apenas a natureza acusatria. Quanto alegao da existncia do inqurito tornaria o sistema misto, refuta o autor tal fundamentao, sob o argumento que, a definio de um sistema processual deve limitar-se apenas a fase processual, ou seja, da atuao do juiz no processo, e inqurito policial no processo. Quanto aos poderes atribudos aos juzes pelo CPP, esclarece o autor que a atuao judicial na fase de inqurito h de ser para fins exclusivos de tutela das liberdades pblicas e que a iniciativa probatria do juiz brasileiro, na fase processual, deve limitar-se ao esclarecimento de dvidas, salvo no caso da inocncia do acusado onde poderiam ser produzidas provas ex officio.Curso de Processo Penal, de Eugnio Pacelli de Oliveira

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Captulo 2 Leis e processo penal no tempo e no espao As alteraes trazidas pela EC 45/2004, que esclareceu os critrios adotados em relao ao grau de positividade de normas previstas em tratados e convenes internacionais sobre direitos humanos e a imposio a nvel constitucional, a submisso do Brasil a jurisdies internacionais, levaram o autor a acrescentar este captulo nesta nova edio. 2.1 Tratados e convenes internacionais A primeira questo se faz presente no pargrafo 3, do art. 5, da Constituio Federal, com redao dada pela EC 45, a dispor: os tratados e convenes internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por trs quintos dos votos dos respectivos membros, sero equivalentes s emendas constitucionais. Entende o autor que a referida norma impe certas condies para que tratados e convenes internacionais tenham status de emendas constitucionais, a saber, tratar sobre direitos humanos e que sejam aprovadas em dois turnos, por 3/5 dos membros em cada Casa do Congresso Nacional, condies essas que se no forem atendidas em conjunto, no produz efeito de transformarem tratados e convenes internacionais em emendas constitucionais. Prevalecendo, nestes casos, de no preenchimento das condies, a jurisprudncia do STF, que confere s normas de direito internacional o status de lei federal. 2.2 A jurisdio dos tribunais penais internacionais A segunda e relevante questo tambm trazida pela EC 45/2004, est disposta no pargrafo 4, do art. 5, da Constituio Federal: o Brasil se submete jurisdio de Tribunal Penal Internacional a cuja criao tenha manifestado adeso. Embora expressa admisso da jurisdio do Tribunal Penal Internacional de Roma, impende observar que a aludida sujeio subsidiria, tanto no que se refere aos processos j julgados no pas, quanto a processos em andamento. E mesmo que o TPI tenha instaurado um procedimento, o Brasil no est impedido de adotar as mesmas providncias. No prprio prembulo do Estatuto est estabelecido que o TPI dever ser complementar as jurisdies penais nacionais. O Estatuto tambm estabelece momentos de sua no atuao, em seu art. 17, ou seja, quando o referido caso no ser admitido no TPI, sero hipteses da no atuao do TPI: quando o Estado j estiver processando ou investigando o mesmo caso, quando a investigao j estiver terminado e o Estado tenha decidido no promover a ao penal, e ainda quando o indivduo j tenha sido condenado ou absolvido pelo mesmo fato. Nos casos acima citado a jurisdio do TPI prevalecer diante do colapso total do sistema judicirio local, incapacidade objetiva de punio, quando o processamento ou investigao dos acusados tiver sendo realizado com delongas inaceitveis e ainda, quando o julgamento local estiver sendo realizado com o objetivo deCurso de Processo Penal, de Eugnio Pacelli de Oliveira

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assegurar a impunidade dos autores. Entende o autor que as hipteses de aplicao do TPI so vagas e de difcil constatao, por exemplo, como se constatar que o Estadoparte tem por objetivo assegurar a impunidade dos autores? E, por fim, os crimes que se encontram sob a jurisdio do TPI esto relacionados no art. 5 do Estatuto de Roma, abrangendo os crimes de genocdio, dos crimes contra a humanidade, os crimes de guerra e os crimes de agresso, especificados nos art. 6, 7, 8 e seguintes. Para que se possa pensar na aplicao da jurisdio do TPI deve existir tipificao expressa e taxativa no ordenamento jurdico do pas de origem e que, conforme art. 11 do Estatuto, os fatos tenham sido praticados aps a vigncia do mesmo. 2.3 Leis processuais no espao e no tempo. No final do governo FHC foi editada a Lei n 10.628, de 24.12.2002, que tem por objetivo estender o foro privativo para ex-ocupante das funes pblicas para as quais so previstas as aludidas prerrogativas, alterando o art. 84 do CPP. Referida lei obviamente inconstitucional, contudo o STF no reconheceu ainda a inconstitucionalidade desta lei. Caso essa interpretao prevalea, por se tratar de norma de contedo processual, relativa competncia, sua aplicao imediata.1 Aps a Constituio da Repblica, o CPP adotou, tambm, as normas previstas em tratados e convenes internacionais, e agora, aps a EC 45/2004, como vimos anteriormente de forma mais enftica. Nosso Cdigo de Processo Penal no se aplica, seno subsidiariamente, s infraes polticas (crimes de responsabilidade) e ao Direito Penal Militar. Para essas matrias h legislao especfica, em ateno especificidade da jurisdio (poltica e militar). Quanto aplicao da lei processual penal no espao, aplica-se o princpio da territorialidade, incluindo na definio de territrio o territrio por extenso (art. 5, 1, CP). J no que se refere s leis processuais no tempo, aplicam-se de imediato, desde a sua vigncia, respeitando a validade dos atos praticados sob o

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