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  • Data de SubmissoDate of SubmissionJan. 2012

    Data de AceitaoDate of ApprovalApr. 2012

    Arbitragem CientficaPeer ReviewJorge FigueiraCentro de Estudos Sociais, Universidade de Coimbra

    Maria Helena MaiaCentro de Estudos Arnaldo Arajo Escola Superior Artstica do Porto

    Resumo

    Este ensaio procura reflectir sobre algumas questes que se colocam ao investigador, especialmente aquele que se dedica ao mbito estrito da Teoria e Histria da Arquitectura e da Cidade, e ao estudo do passado ou da preexistncia. Estas questes, normalmente apontadas por quem projecta e constri, gravitam sistematicamente em torno da efectiva operacionalidade desses estudos, na produo da arquitectura presente. Supomos que esta esfera problemtica possa tocar igualmente a actividade artstica, mas no caso da disciplina arquitectnica, enreda-se numa especificidade muito prpria. Talvez por isso, reflectir sobre as relaes entre objecto de investigao e Teoria no m-bito da Histria (da Arquitectura), inseparvel da ponderao sobre a prpria relao entre teoria e praxis profissional, dimenso fundamental no estabelecimento de um posi-cionamento adequado em investigao. Acreditamos que esta discusso, de alguma ma-neira lateralizada relativamente disciplina artstica, possa de algum modo lanar pistas para as suas prprias prticas de investigao terica.Neste sentido, o presente texto est dividido em dois pontos: no primeiro, expe-se uma postura que se pretende crtica, lanando a problemtica; num segundo momento, procurar-se- o seu enquadramento e caracterizao.

    Abstract

    This essay seeks to reflect about some issues that researchers face, especially those strictly dedicated to Architecture and Urban Theory and History, and the study of the past or some sort of pre-existence. These questions, usually mentioned by those who design and build, systematically gravitate around the practical application of these studies in the design of nowadays architecture. We assume that this problem can concern also the general artistic activity, but under the scope of the Architecture it is entangled in a specificity of its own.That is why that to reflect on the relationship between the researchs subject and Theory, in Historys (of Architecture) scope, is inseparable from reflecting on the relationship in-volving theory and professional praxis, a fundamental dimension when establishing a cor-rect point of view in research. It is therefore believed that this somehow parallel discussion regarding the artistic discipline can in some way provide clues to their own theoretical research practices.In this sense, this text is divided into two segments: the first, exposing a critical posture that raises questions; the second, searching for its setting and characterization.

    palavras -chave

    arquitecturaculturaesquemas mentaisprincpios/regrasprocessos interpretativos

    key -words

    architectureculturemental structuresprinciples/rulesprocesses of interpretation

  • r e v i s ta d e h i s t r i a d a a r t e n.o 1 0 2 0 1 2 9 5

    * Este trabalho financiado por Fundos FEDER

    atravs do Programa Operacional Factores de

    Competitividade COMPETE e por Fundos Na-

    cionais atravs da FCT Fundao para a Cin-

    cia e a Tecnologia no mbito do projecto PEst-

    -C/EAT/UI0145/2011

    Desenvolvido no mbito de investigao de

    Doutoramento orientada pelo Professor Doutor

    Francisco Barata Fernandes.

    a investigao disciplinada. propostas pragmticas de (re)aproximao entre teorias e prticas arquitectnicas *gisela lameiraGrupo de Investigao Atlas da CasaCentro de Estudos de Arquitectura e Urbanismo Faculdade de Arquitectura, Universidade do PortoBolseira da Fundao para a Cincia e a Tecnologia

    Probablemente la singular belleza de la arquitectura consiste en el hecho de ser un conjunto de objeto y efigie de las reglas que la gobiernan.

    (Grassi, 2003, 35)

    1 Questionar. Reflectir. Fazer. A investigao enquanto mediao cultural

    Para que serve? Como se aplica? Qual a finalidade? As perguntas sucedem-se frequentemente como se a investigao, pelo menos a que ancora no patrimnio herdado, s seja vlida se puder ser rapidamente instrumentalizada em inventrios, levantamentos, descries, bases objectivas e concretas, que o arquitecto/projec-tista/construtor possa aplicar pragmaticamente nas suas actividades quotidianas. partida, para qualquer historiador ou investigador em arquitectura, estas inda-gaes parecem um tanto ou quanto extemporneas, mas a realidade que na esfera profissional, na urgncia da resoluo de problemas muito concretos, o que o arquitecto quer ter em cima do estirador so ferramentas operativas: levanta-mentos, inventrios, esplios fotogrficos e iconogrficos; quanto muito, modelos, cronogramas, esquemas, tabelas analticas, documentao que amplie de forma clere o conhecimento acerca do objecto a intervencionar.

  • a i n v e s t i g a o d i s c i p l i n a d a

    r e v i s ta d e h i s t r i a d a a r t e n.o 1 0 2 0 1 29 6

    1 ANALOGIE. Similitude de fonction entre des

    choses pouvant tre situes sur des plans de

    ralit diffrents. Dans ce sens, le terme le plus

    proche, sans tre cependant synonyme, est celui

    de correspondance. Cest lanalogie qui est la

    base du symbolisme; do son importance dans

    la production esthtique. (Souriau, 2004, 111)

    2 ANAMNESE: acto de trazer voluntariamente

    memria ideias ou factos passados. (Dicionrio

    da Lngua Portuguesa Contempornea, 2001)

    3 Sobre a Memria: Ravaisson foi lido por Berg-

    son, que por sua vez foi lido por Gilles Deleuze, que

    anotou que a Memria (ou o termo grego Mne-

    mosyne) a sntese activa do tempo como puro

    passado, organizando a repetio de acordo com

    um ciclo de rememoraes e esquecimentos, en-

    quanto Habitus a sntese passiva do tempo como

    presente vivido, e por isso a memria de prticas

    no espao. Para Deleuze o verdadeiro significa-

    do de repetio ope-se tanto antiga categoria

    da memria (ou reminiscncia) como moder-

    na categoria do habitus. (Teyssot, 2011, 22-23)

    4 El anlisis del pasado detiene, por eso, las

    oportunas virtualidades para llegar a identificar

    una prolfica cultura de la posibilidad: el cono-

    cimiento de lo acaecido no servir, en esta pers-

    pectiva, para descubrir las mecnicas generativas

    del presente (...). Se trata, al contrario, de inves-

    tigar una civilizacin y sus formas, que pertene-

    cen a otro tiempo, asumiendo de manera progra-

    mtica que ellas difieren completamente de las

    nuestras (...). (Pizza, 2000, 9-10)

    5 (...) se trata, en resumidas cuentas, de generar

    y transmitir un conocimiento transmutado en me-

    moria, cuyo principal requisito ser el de configurar

    sus resultados no como soluciones, salvaciones o

    catarsis, sino fundamentalmente como proble-

    mas. La consideracin del pasado en sus aspectos

    problemticos ir demostrando su productividad

    respecto al ejercicio de una actitud crtica fren-

    te a nuestra contemporaneidad; por tanto, slo si

    somos capaces de construir un pasado, podremos

    estar en condicin de proyectar nuestro futuro, a

    partir de la ineludible valorizacin de la libertad cre-

    ativa de nuestro pensamiento. (Pizza, 2000, 11)

    Quem trabalha em atelier, experiencia com frequncia a ausncia de disponibilidade para a discusso acerca da finalidade ou significado deste ou daquele projecto de arquitectura, ou das possibilidades de antecipao da transformao dos edifcios. Ou mesmo acerca do seu papel na consolidao do tecido urbano ou na imagem da cidade. Estes so muitas vezes encarados como problemas tericos de interesse questionvel, pelo menos para quem desenha, espacializa e constri como profis-so. A epistemologia da disciplina e a teorizao so, e sempre foram, territrio de poucos profissionais, e de muitos acadmicos. O que perfeitamente aceitvel, caso se salvaguarde e promova a mediao de conhecimento entre as duas esferas.A qualidade de um projecto, de um objecto arquitectnico, acreditamos construir--se no no estirador, mas naquilo que chamamos de contentor cultural de quem concebe/idealiza, e na sua capacidade intelectual de estabelecer relaes mentais, de construir analogias1, de lidar com a anamnese2 e a memria, num processo de repetio enquanto sntese activa do tempo3. Os arquitectos (e supomos tambm os artistas) trabalham com esquemas mentais, processos que permitem um acesso ordem formal dos objectos (enquanto conjunto de regras), no estando vinculados a modelos ou imagens concretas, e que so consolidados permanentemente pela sua cultura arquitectnica e artstica. Parece-nos ocorrer assim o nascer da ideia, gnese primeira da trama complexa de relaes e de snteses, que concorrero na definio da boa arquitectura, e que a distinguiro de uma edificao bem construda.Afirma-se portanto, que ao arquitecto projectista, o que intervm construindo, o instrumento mais valioso que um investigador em Teoria ou Histria da Arquitectura lhe pode fornecer no so nem o inventrio/levantamento (na verso mais pragm-tica), nem a conceptualizao crtica dos fenmenos da realidade e das particularida-des da disciplina (numa vertente mais epistemolgica). A nosso ver, as ferramentas de maior utilidade, so aquelas que incidem directamente sobre o seu enriquecimen-to cultural: metodologias (de anlise) que permitam a aquisio de conhecimento de forma disciplinada (e sistemtica) sobre as lgicas e metamorfoses do preexistente.Referimo-nos a questes bastante concretas. A investigao til e operativa, a que assenta em metodologias que, por exemplo, revelam especificidades e identidades menos claras, sobre os locais e os edifcios em que o arquitecto intervm; a que in-terpreta a complexidade do enorme