resumão português jurídico 1

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Resumão

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  • Resumio Juridico-g~

    Escrever e uma tarefa nem sempre prazerosa, quando se trata de lidarcom textos juridicos. Autoridades exigem uma escrita clara, pois seutempo nao e suficiente para ler petic;5es e outras pec;as que dificultem acompreensao do que se peticiona ou se explica. A escrita frequentedessa lingua gem especifica exige, pois, algumas considerac;5es para seubom uso. Nesse sentido, a coerencia e a coesao textuais surgem comopredicados que valorizam 0 texto.

    Escrever demanda cuidados, como 0 uso de expressoes contextuali-zadas, 0 que revela 0 conhecimento do vocabulario sobre 0 tema e,sobretudo, 0 bom dominio da lingua portuguesa, e a clareza, reveladapela capacidade de elaborar um texto escrito com coesao e coerencia.

    COEsAo E COERENCIA NO TEXTOo texto e revelador de sua organizac;ao mental e, se ele indicar que

    seu pensamento esta confuso ...A organizac;ao textual depende de ideias conexas - a coerencia - e de

    palavras intimamente conectadas - a coesao. Coerencia e a relac;aoestabelecida entre as partes do texto, de modo a criar unidade de senti-do. Coesao e a relac;ao e a conexao entre palavras, express5es ou frasesno texto.

    CoesaoConsidera-se coeso 0 texto que apresenta:

    a) um termo anteriormente citado na frase, nao repetido, mas apenasindicado por meio de palavra gramatical (apoio de frase, palavrasem sentido proprio), como pronomes (possessivo, demonstrativo,relativo ou pessoal), adverbios (ou locuc;5es, como nesse momenta,la, naquele dia) e/ou numerais. A vitima foi levada ao pronto-socorro e, la, foi atendida pelo plan-tonista, que, nesse momento, verificou a extensao do danGprovo-cado pela perfitrar;ao da bala.

    Nesse exemplo, lei e a forma de retomar 0 local onde se passa 0 fato;nesse momenta e a retomada do tempo em que ocorre a ac;ao.

    b) retomada de uma ideia anterior por meio de palavra lexical (aquelaque tem sentido proprio), como substantivos, adjetivos e verbos.Nesse caso, recorre-se ao usa de sinonimos, hiperonimos (termosmais generic os de uma especie), hiponimos (termos mais restritos deuma especie) ou antonomasias (formas de referencia a alguem pormeio do destaque de uma de suas qualidades ou defeitos), para evi-tar a repetic;ao da mesma palavra. A mesa central era de marmore, um movelpes ado e valioso.

    A ministra (I) desembarcou em Londres, pri-meira etapa de sua viagem, onde a representan-te do governo alemfio (1) devera fazer um pro-nunciamento (2) aos membros do Parlamentoe, nessa ocasifio (2), sera homenageada pelarainha da lnglaterra.

    Jorge Amado recebeu homenagem postuma naAcademia Brasileira de Letras. 0 mais conhe-cido de nossos escritores teve seus livros tradu-zidos para mais de 40 idiomas no mundo.

    c) usa de conectores (palavras de ligac;ao entre ora-c;5es ou entre segmentos de uma mesma orac;ao).Nesse caso, as relac;5es estabelecidas podem ser

    de causa, condi~ao, consequencia, grada~ao, finalidade, contra-di~ao, conclusao, dentre outras. Esses elementos aparecem na ora-c;ao para estabelecer uma relac;ao adequada ao sentido. 0 juiz indeferiu 0 pedido, pOl'que 0 considerou inadequado e malformulado. (causa)

    A policia prendeu os assaltantes, porhn nao recuperou ainda 0produto do roubo. (oposic;ao) 0 juiz considera os elementos da petir;ao suficientes e, pOl'tanto,acatou-a. (conclusao)

    A ar;aosera executada ainda que restem elementos contraditorios.(concessao)

    Um caso intrincado, isto e, com tantos elementos a serem cons ide-rados... (explicac;ao)

    Os reus sao acusados de dois crimes: latrocinio e estupro. (exem-plificac;ao)

    A equipe, ou melhor, a quadrilha e acobertada por um menor deidade. (retificac;ao)

    A familia pleiteava a reintegrar;ao de posse, quando teve inicio anova invasao. (tempo)

    0 divorcio fora requerido na mesma vara em que corria 0 proces-so de ador;ao. (lugar)

    Em seguida, foram iniciadas as sessoes de conciliar;ao entre aspartes. (ordenac;ao)

    A menos que 0 empregado receba as horas trabalhadas, a ar;aoprosseguira. (condic;ao)

    Todos os esforr;os serao destinados a (= para) repor as perdassalariais. (finalidade)

    CoerenciaA coerencia de um texto depende de contextualizac;ao e de conheci-

    mento de mundo, elementos indispensaveis para 0 entendimento dosentido daquilo que 0 emissor quer comunicar ao receptor da mensa-gem. Observe nesta frase, passivel de duas interpretac;5es, 0 sentidoatribuido, con forme 0 contexto em que seja proferida:

    Hoje, eu, 0 rei, convido todos a comparecer em massa, para assis-tir ao massacre de Israel.

    Se essa frase tivesse sido assinada pelo imperador Tito, referindo-seao ataque a Israel ocorrido no ana 70 d.C., sua interpretac;ao conduziriaa um momenta historico totalmente diverso daquele que se poderia con-siderar se a mesma frase tivesse sido dita pelo "Rei" Pele, referindo-sea um jogo de futebol entre Brasil e Israel realizado em uma data qual-quer de nos sa epoca.

    A coerencia deve ser interna (em relac;ao ao texto)e extern a (em relac;ao ao mundo). Diz-se que ha coe-rencia interna quando as referencias textuais sao ade-quadas ao que se quer dizer.

    Este Resumao destina-se tam-bem as pessoas que sentem difi-culdades em redigir um textoformal. Embora 0 titulo sejaPortugues Juridico, sao apresen-tados aqui outros textos formais,alem dos juridicos, como mode-los de correspondencia - oficiale comercial -, para situac;5es emque seja igualmente necessaj'ioescrever COITI adequac;ao e pro-priedade. Seu usa e util, ainda,para pessoas que se preparampara prestar concursos publicos.

    Sao exemplos de incoerencia interna: A crianr;a, que era orffi, abrar;ou carinhosamenteseus pais.

    No quarto, jazia no leito de morte a linda criatu-ra, que exalava vida pelos poros.

    Sao exemplos de incoerencia externa: () Brasil nao fechou 0 acordo comercial com seuvizinho Japfio.

    Em suas negociar;oes com Angola, 0 primeiro--ministro alemfio aceitou as condir;oes de seu com-panheiro de Mercado Comum Europeu.

  • a) SaIto narrativo - Defeito na narrayao que "foge" ou "pula" infor-mayao que atenderia a verossimilhanya que 0 texto deve apresentar. Joao, que e cego de nascem;a, viu e reconheceu seu agressor. A empresa em regime pre-falimentar acabou de adquirir umanova frota de caminhoes de transporte pela bagatela de 2 mi/hoesde dolares.

    b)Argumental;ao falaciosa - Defeito contido em urn argumento quedesconsidera as relayoes logicas do raciocinio. 0 craque do valei rebateu a bola com as duas miios,ja que e anfibio. Dinheiro nao e tudo, e apenas 1DO%. Todo ser humano e mortal. A formiga e mortal e, portanto, ela etambem um ser humano.

    c) Incoerencia temporal - Perda de vista do elemento que daria aotexto a informayao relativa a temporalidade dos fatos narrados. Tiio logo 0 juiz proferiu a sentenr;afinal, a denuncia foi acolhida. Diante de provas inquestionaveis produzidas durante 0 processo,a vitima joi assassinada.

    d) Incoerencia espacial - Falta de relayao com a localizayao a que serefere. 0piloto do aviao anunciou a aterrissagem sobre as aguas calidasdo Oceano Atlantico.

    A mesa estava posta para 0 cafe-da-manha: sobre a toalha bran-ca, pi/has de tijolos e um saco de cimento, atem de duas barras degelo e de um casaco de inverno.

    e) Incoerencia linguistica - Perda de referencia quanta ao destinatarioda mensagem, seja pelo emprego inadequado de tratamento a eledirigido, seja pelo vocabulario em uso. VossaMajestade tem sido muito magnanima com seus suditos, masnao se manca com seus filhos.

    Meu filho, agora que voce completou 5 aninhos, mamae vai lheexplicar como funciona a isonomia entre os poderes pitblicosconstituidos.

    ARGUMENTA~AoOuvi dizer que, para quem deseja tornar-se um orador consumado, nao se

    torna necessario um conhecimento perfeito do que e realmente justo, mas,sim, do que parece justo aos olhos da maio ria, que e quem decide, em ,"ti-ma instdncia. Tampouco precisa saber realmente 0 que e bom ou belo, bas-tando-Ihe saber 0 que parece se-Io, pois a persuasao se consegue nao com averdade. mas com 0 que aparenta ser verdade. (Fedro)

    Quem produz urn texto procura persuadir seu leitor (ouvinte) sobresuas ideias, de modo a faze-Io crer naquilo que quer que seja aceitocomo verdade. A persuasao e urn genero e implica a tria officia, comoa denominava Cicero, pois comporta tres modos distintos de se realizar:

    a) pelo convencimento (cum + vincere) - convencer 0 opositor pormeio de provas logicas, que podem ser: I) indutivas (os exemplos);2) dedutivas (argumentos);

    b) pela comoyao (cum + movere) - persuadir pela forya do corayao,pois, exercitando a afetividade, a vontade arrasta 0 intelecto a aderirao ponto de vista do emissor;

    c) pela seduyao (delectare = deleitar, causar prazer, seduzir) - seduzirpela palavra. :E a arte da retorica.Segundo Aristoteles, retorica e a arte de persuadir, mas Quintiliano

    (sec. I) contesta essa definiyao, ao explicar que nem todo discurso persuade e que muitas outras "coisas" alem do discurso retorico persua-dem, como 0 dinheiro, 0 poder e a virtude.Falar bem ou convencer? Eis a duvida de quem busca formas que lhe

    permitam preparar-se bem para uma exposiyao argumentativa, seja essarealizada por meio da escrita ou oralmente. Nao ha como negar a sedu-yao que exerce urn born escritorlorador.

    Toda argumentayao se expoe pc r meio de elemcntos que devem serorganizados em tome de urn obje ivo especifico, (U seja, dependendodo modo como se organiza 0 discurso e tendo em vista uma finalidade,consegue-se persuadir 0 interlocutor/lei tor. Desse modo, argumentar epreciso, mas ha diferentes tipos de argumento:

    a) Argumento ad auctoritatem -:E 0 apelo ao respeito de uma autori-dade de certo dominio do saber para corroborar uma tese, como nocaso do advogado que se apoia em juristas famosos e em jurispru-dencia a fim de ratificar s