resumão de direito empresarial unidade 1 | introdução ...· resumão de direito empresarial...

Download Resumão de Direito Empresarial Unidade 1 | Introdução ...· Resumão de Direito Empresarial Unidade

Post on 07-Nov-2018

216 views

Category:

Documents

0 download

Embed Size (px)

TRANSCRIPT

  • Resumo de Direito Empresarial

    Unidade 1 | Introduo ao direito empresarial Seo 1.1 - Direito empresarial e sua histria No Brasil, o direito comercial est presente desde a colonizao portuguesa. Assim, com a chegada da famlia imperial, houve a abertura ao comrcio dos povos com a Lei de Abertura dos Portos, a criao da Real Junta do Comrcio, Agricultura, Fbricas e Navegao e a criao do Banco do Brasil, por meio de alvar de 12 de outubro de 1808. Nessa poca, o direito ainda se baseava em costumes, pois eram vigentes no Brasil as Ordenaes Filipinas. Com a sua independncia, o Brasil via a necessidade de normatizar as relaes comerciais por normas prprias. Desse modo, em 1850, Dom Pedro II aprova o Cdigo Comercial Brasileiro, que se fundamentava na teoria dos atos do comrcio. Por essa teoria, era considerado comerciante aquele que preenchesse os requisitos do dispositivo 4 do Cdigo Comercial, isto , s poderia ser comerciante quem estivesse inscrito em um dos Tribunais do Comrcio e incorresse na prtica de atos de mercancia. Havia cinco categorias de comrcio: a compra e venda ou troca de mveis e semoventes, as operaes de cmbio, de banco e corretagem, e as empresas de fbrica, de comisses, de depsitos, de expedio, consignao, transporte de mercadorias e seguros. Em 2002, com a adoo do novo Cdigo Civil, a teoria dos atos do comrcio foi substituda pela teoria da empresa, fruto do Cdigo Civil italiano de 1942. Essa teoria, da empresa, est contida no Cdigo Civil em seus artigos 966 a 1.195. Assim, pode-se compreender como empresrio, de forma subjetiva, aquele que exerce de forma profissional atividade econmica organizada para a produo e circulao de bens ou servios. Enquadrando-se nessa definio, ser considerado como empresrio e estar sujeito s diretrizes do direito comercial, o qual, por sua vez, passa a ser chamado de direito empresarial ou tambm, como conhecido, direito da empresa. Direito empresarial o ramo do direito que tem por objetivo a regulamentao da atividade econmica, que atua na circulao ou produo de bens, bem como na prestao de servios. Quanto s atividades econmicas, podem ser classificadas em: Atividades no empresariais: as quais, mesmo sendo econmicas, no podem ser classificadas como empresariais. Pertencentes a essa categoria, temos os profissionais liberais, que prestam servios de forma direta, e os profissionais intelectuais previstos no artigo 966, pargrafo nico do Cdigo Civil de 2002, as cooperativas previstas nos artigos 982, pargrafo nico, 1.093 a 1.096 do mesmo cdigo; Atividades profissionais: abrangem os empresrios individuais ou a sociedade empresarial (FERNANDES, 2007). As pessoas que so impedidas de exercer a atividade empresarial so: Os falidos, durante suas obrigaes com a massa falida (artigo 158 da Lei n 11.101/2005); Leiloeiros e corretores; Servidores pblicos no exerccio da atividade pblica; Deputados e senadores no podem ser proprietrios, controladores ou diretores de empresa ou exercer em empresa funo remunerada; Estrangeiros e sociedade sem sede no Brasil, no caso de algumas atividades (como, por exemplo: empresa jornalstica e de radiodifuso ou explorao e aproveitamento de jazidas e outros recursos minerais, entre outras); Mdico, no exerccio simultneo de farmcia. Quanto abertura da empresa e sua legalizao, temos os seguintes passos: 1. Junta comercial, que realiza o registro da microempresa (ME) e empresa de pequeno porte (EPP), assunto de que trataremos em nosso prximo encontro. 2. Receita Federal, que emitir o nmero de CNPJ Cadastro Nacional de Pessoas Jurdica. 3. Secretaria de Fazenda e Estado, se a empresa exercer atividade industrial ou comercial, momento em que teremos a incidncia do ICMS Imposto sobre Circulao de Mercadorias. 4. Prefeitura Municipal, responsvel pela emisso do Alvar de Funcionamento e fiscalizao quanto ao cumprimento da legislao local, zoneamento, higiene sanitria, meio ambiente, etc.

  • Seo 1.2 - Fontes do direto empresarial Fontes de direito: so todos os modos pelos quais se estabelecem as regras jurdicas, podendo, assim, serem divididas em fontes materiais, as quais os elementos concorrem para a criao de leis, e formais, que compreendem as fontes externas que se manifestam em direito. No caso do direito comercial, as fontes externas esto presentes de forma mais expressiva, j que se procura uma norma para a aplicao ao caso especfico. Podemos dividir as fontes de direito em: - Primrias (diretas): so as leis comerciais, que podem ser modificadas, revogadas ou at mesmo podem ampliar as normas existentes no Cdigo Comercial. - Secundrias (indiretas): so as leis que o influenciam e que so necessrias para a sua manuteno; so elas: a lei civil (utilizada quanto assuntos de responsabilidade e maioridade), os usos e costumes, a jurisprudncia, a analogia e os princpios gerais do direito. No apenas os costumes e os atos praticados de forma cotidiana influenciam a criao de leis, mas h outras fontes do direito. Entre tais fontes, podemos considerar regulamentos, leis e tratados internacionais. Quanto s leis e regulamentos, so frutos da influncia do Poder Pblico em sua tarefa de legislar. J em relao aos tratados internacionais, temos como exemplo as Leis Uniforme de Genebra, que tratam de forma universal sobre os ttulos de cmbio. Jurisprudncia: consiste nas decises continuadas dos tribunais sobre determinado assunto. Assim, uma jurisprudncia possibilita que as decises sejam mais uniformes, j que o assunto tratado est tendo a mesma deciso final. Analogia: consiste no emprego de outros cdigos e leis a assuntos nos quais no haja sua contemplao na lei comercial ou civil, ou at mesmo jurisprudncia que verse sobre o assunto. Os princpios gerais do direito, em um julgamento, consistem na igualdade entre as partes ou a isonomia das partes de acordo com o artigo 125, inciso I do Cdigo de Processo Civil, possibilitando, assim, as partes serem tratadas de forma idntica, e com ampla possibilidade de fazer valer em juzo as suas alegaes. Outro fator consiste no contraditrio, isto , todos os envolvidos em um processo devem conhecer e ter cincia do que ocorre para que possam se defender e apresentar prova. Por fim, a ampla defesa: ningum pode ser acusado sem um julgamento e um defensor, sendo que, em sua ausncia, o Estado fornecer um (Lei 1.060/1950, a conhecida Lei de Assistncia Judiciria). Quantos aos princpios jurdicos do direito comercial, temos: Livre iniciativa: consiste na busca por vantagem e na obteno de lucro, o qual pode ser compreendido como a remunerao do capital aplicado na atividade empresarial, sendo que se tem autonomia individual para a realizao de um trabalho e dos valores sociais do trabalho. Subdivide-se em: - Livre movimentao interna de capitais: o empresrio tem a garantia de que os investimentos lcitos podem ocorrer sem a necessidade de uma autorizao estatal. - Livre empreendimento: possibilita ao empresrio a liberdade de ao econmica, desde que por meio de atos lcitos, e que os objetivos sociais da empresa sejam cumpridos. Liberdade de contratar: consiste em que ningum est obrigado a fazer ou deixar de fazer seno em virtude de lei, devendo o empresrio buscar constantemente novas estratgias para atender s demandas do mercado; Regime Jurdico Privado: o Estado deve respeitar o interesse e o regime da empresa, sendo o reconhecimento de sua condio de patrimnio jurdico especfico, bem jurdico passvel de titularidade e de transferncia (cesso, onerosa ou gratuita, total ou parcial, ou sucesso causa mortis); Livre concorrncia: consiste no estmulo do estabelecimento de um ambiente de concorrncia dos agentes privados a bem do mercado e da ordem econmica; Constitui infrao ordem econmica e a livre concorrncia: - Limitar, falsear ou de qualquer forma vir a prejudicar a livre concorrncia ou iniciativa; - Dominar o mercado de bens ou servios; - Aumentar os lucros de forma arbitrria;

  • - Exercer de forma abusiva posio dominante, controlando, assim, grande parte do mercado em forma monoplio. Funo social da empresa: consiste no elemento de compreenso e adequao aos fins sociais e econmicos da empresa, a sua razo de ser na sociedade, preservando, de acordo com a lei especfica, a flora, a fauna, as belezas naturais, o equilbrio ecolgico e o patrimnio histrico e artstico, bem como evitando a poluio do ar e das guas; Preservao da empresa: visa-se o fomento da atividade empresria, para que possa cumprir o seu papel social. Assim, temos interesse na continuidade das atividades de produo de riqueza e na circulao de bens ou na prestao de servios da empresa sociedade, e no apenas na obteno de lucro. Caractersticas dos princpios do direito comercial: Simplicidade: diferente de outros segmentos do direito, o direito comercial busca solues para as diversas relaes jurdicas de forma simples, visando atender de forma pronta as necessidades econmicas do comrcio; Internacionalidade: voltado para a internacionalizao o Direito Comercial constitui um lao com outros pases e naes, o que traz tona a necessidade de regras aplicveis a todos os povos; Rapidez: dinmico, busca simplificar as relaes a fim de atender, de forma gil, s necessidades das questes empresariais; Elasticidade: renova-se de forma constante ao aceitar e absorver regras e usos trazidos pelas relaes comerciais ocorridas no cotidiano do mbito empresarial; Onerosidade: o direito comercial oneroso, visto que as relaes comerciais visam ao lucro.

  • Seo 1.3 - Atividade empresarial Empresrio: quem exerce profissionalmente atividade econmica organizada para a produo ou circulao de bens ou servios, de acordo com o Cdigo Civil em seu artigo 966. Assim, deve a pessoa fsica cumprir as seguintes exigncias de acordo com a definio: a) ser profissional, b) desenvolver atividade econmica, c) forma organizada e d) produo ou circulao de bens ou servios. Alienao consiste no ato de transferncia de propriedade a outro interessado, que pode ocorrer de forma volun