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    RESPONSABILIDADE CIVIL EXTRACONTRATUALDO ESTADO E DEMAIS PESSOAS COLECTIVAS PBLICAS

    NO DOMNIO DOS ACTOS DE GESTO PBLICA

    Decreto-Lein. 48 051de 21 de Novembro de 1967

    Usando da faculdade conferida pela 1 parte do n 2 do artigo 109 da Constituio, o Governo decreta e eupromulgo, para valer como lei, o seguinte:

    Artigo 1.

    A responsabilidade civil extracontratual do Estado e demais pessoas colectivas pblicas no domnio dos actos de gestopblica rege-se pelo disposto no presente diploma, em tudo que no esteja previsto em leis especiais.

    Anotao: (*) Ver nota XIII O diploma regula a responsabilidade civil extracontratual do Estado e demais pessoas colectivas pblicas no domniodos actos de gesto pblica.Portanto, no se reporta responsabilidade contratual, nem responsabilidade extracontratual decorrente dos actos degesto privada, das referidas entidades.A expresso o Estado e as demais entidades pblicas utilizada no art. 22 da C.R.P. significa que os sujeitos deimputao so todas as administraes (estadual, local, autnoma e institucional). (N. II do Sumrio do Ac. do S.T.A. 1 Sec., 2 Sub. de 12.01.99, Proc. n 40 935, em INTERNET Centro de Estudos Jurdicos do Minho (http://www.cejur.pt)II No que respeita responsabilidade por actos de gesto pblica, o nosso sistema jurdico, alm da responsabilidadecivil extracontratual por actos integrados no mbito da funo administrativa, acolhe a responsabilizao por actospraticados no exerccio de outras funes estaduais poltica; legislativa; regulamentar; jurisdicional (cfr. art.s 22, 27,n. 5, 29, n. 6, 52, n. 3, 62, n. 2 e 117, n. 1, da C.R.P. e art. 4. do ETAF, transcrito na nota XII. Na doutrina, entreoutros, Gomes Canotilho e Vital Moreira, Constituio da Repblica Portuguesa, anotada, Vol. I, Coimbra 1984, pg. 87,nota II e pgs. 185 186; Jorge Miranda, O Regime dos Direitos, Liberdades e Garantias, em Estudos sobre aConstituio, Vol. III, Lisboa, 1979, pg. 65; Direito Constitucional Direitos Fundamentais, Lisboa, 1984, pg. 232;Dimas de Lacerda, Revista do Ministrio Pblico, Ano 6., Vol. 21, pg. 74; Fausto Quadros, Omisses Legislativassobre Direitos Fundamentais, em Nos 10 anos da Constituio, Lisboa, 1987, pg. 61; Responsabilidade CivilExtracontratual da Administrao Pblica, Almedina, 1995 e Rui Medeiros, A responsabilidade pelo ilcito legislativono quadro da reforma do Decreto-Lei n. 48.051, CJA n. 27, pgs.20/33).III No mbito da responsabilidade civil extracontratual por actos de gesto pblica, o diploma versa sobre a que decorrede factos ilcitos culposos (art. s 2 a 6), facto casuais (art. 8) e factos lcitos (art. 9).Incide tanto sobre a responsabilidade do Estado e demais entes pblicos, como sobre a dos titulares dos respectivosrgos e dos agentes.Tem natureza de responsabilidade extracontratual, por actos de gesto pblica, a responsabilidadde do Estado decorrentede actos mdicos praticados nos hospitais militares. (N II do Sumrio do Ac. do STA, 1 Sec., 1 Subs. , de 22.4.99, Procn44 467. Fonte: vd. nota I).IV A responsabilidade funcional e pessoal das autarquias locais por factos ilcitos encontra-se consagrada na Lei n.169/99, de 18 de Setembro, alterada pela Lei n. 5-A/2002, de 11 de Janeiro art.s. 96. e 97. , cuja entrada em vigor ocorreua 18/10/99 e, antes desta data, no Decreto-Lei n. 100/84, de 29 de Maro art.s 90. e 91. diplomas que consagram umregime com alteraes apenas de pormenor ao acolhido no Decreto-Lei em anotao.Ainda no domnio da vigncia da Lei n. 100/84, de 29.03, o STA, 1 Sec., 1 Subs., em Ac. de 25.01 2001, Proc n. 45 854,decidiu que:

    I - A responsabilidade das autarquias locais por actos ilcitos de gesto pblica encontra-se regulada nos art.s. 90 e91 do DL n. 100/84, de 29/3 LAL. Esta responsabilidade corresponde, no essencial, ao conceito civilstico deresponsabilidade civil extracontratual por factos ilcitos, consagrado nos arts. 483. a 498., 499. a 510. e 562. a

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    572., do Cdigo Civil, e pressupe a existncia de um acto ilcito, a sua imputao subjectiva a um rgo ou agenteadministrativo, a verificao de danos e a existncia de nexo de causalidade entre o facto ilcito e os danos.II - O nexo de causalidade entre a conduta ilcita da r e os invocados danos suportados pelo autor, deve ser apuradosegundo a teoria da causalidade adequada (A obrigao de indemnizao s existe em relao aos danos que o lesadoprovavelmente no teria sofrido se no fosse a leso), luz da qual deve arquitectar-se a reconstituio da situaohipottica do lesado, erigida pelo art. 562 do Cdigo Civil como objectivo nuclear da obrigao de indemnizao.(Fonte: Internet, vd. Supra).

    A responsabilidade civil extracontratual das autarquias locais, fundada no risco e em factos lcitos, est subordinada aoregime constante dos artigos 8 e 9 do presente diploma, pois no foi prevista nem no Cdigo Administrativo nem nosdiplomas atrs referidos.Face ao preceituado nos art.os 22 e 271, da C.R.P. h quem considere inconstitucional aquele regime (ver ResponsabilidadeCivil Extracontratual da Administrao Pblica, op. cit pgs. 163/167 e jurisprudncia a referida).V Os actos de gesto pblica, so actos praticados pelos rgos e agentes no exerccio, e por causa do exerccio, de umafuno pblica, sob domnio de normas de direito pblico, independentemente de tais regras serem de natureza tcnica ououtra ou que no envolvam o exerccio de meios de coaco (cfr. os Acs. de 5.11.81 e 10.12.87, do Tribunal de Conflitos).No sumrio do primeiro daqueles acrdos (ver CJA n. 25, Jan/Fev 2001, pg. 50) afirma-se que:

    Para definio do regime de responsabilidade extracontratual do Estado e das restantes pessoas colectivas de direitopblico, consideram-se:

    a) Actos de gesto privada os que se compreendem numa actividade em que a pessoa colectiva, despida do poderpblico, se encontra e actua numa posio de paridade com os particulares a que os actos respeitam, e, portanto,nas mesmas condies e no mesmo regime em que poderia proceder um particular, com submisso s normas dedireito privado;b) Actos de gesto pblica, os que se compreendem no exerccio de um poder pblico, integrando eles mesmos, arealizao de uma funo pblica da pessoa colectiva, independentemente de envolverem ou no o exerccio demeios de coero e independentemente das regras tcnicas ou de outra natureza que na prtica dos actos devam serobservadas.

    Sobre o tema ver, entre outros, os Acs. do Tribunal de Conflitos de 10.2.83, BMJ n 324, pg. 403, 10.12.87, 07.07.88,12.01.89, 01.06.89, 12.05.94 e de 05/12/2000, Proc 360, publicados, respectivamente, nos Acrdos Doutrinais, ns 317,pg. 671, 327, pg. 387, 330, pg. 849 e 346, pg. 1269, e o penltimo no AP. ao DR de 30/4/96, pg.17.VI A distino entre actos de gesto pblica e actos de gesto privada nem sempre fcil de estabelecer, particularmentequando no se traduzam em actos jurdicos ou factos integrados em actividade de natureza jurdica, mas sim em actosmateriais ou integrados em actividades no jurdicas (cfr. art. 6).A influncia, o peso, da prossecuo do interesse colectivo na prtica do acto, ser o critrio a usar para os classificar comode gesto pblica (caso haja influncia) ou privada (caso seja omissa).Sobre a matria ver, na doutrina, F. Amaral, Direito Administrativo, Vol. III, Lisboa 1989, pgs. 486 495 e obras referidasna NOTA FINAL ao presente diploma.A parte final do preceito ressalva a existncia de legislao especial, entre a qual se incluem os Decretos Leis n.os 215/78,de 2 de Agosto, 513-A1/79, de 27 de Dezembro, 519-J/79, de 28 de Dezembro, 380/82, de 15 de Setembro, 401/83, de 9de Novembro e 49/84, de 6 de Fevereiro.VII Alm do diploma e da legislao para que remete (ver art.s 4 e 5), devem ser tidos em conta os art.os 22 e 271, 1e 2 da C.R.P.As normas de natureza deontolgica, quando as haja, no tm aplicabilidade directa na matria, mas podero servir deinstrumento de apoio determinao do sentido e alcance das que integram o regime jurdico.Ser, por exemplo, o Cdigo Deontolgico dos Mdicos, no que respeita determinao da existncia ou inexistncia deculpa elemento a apreciar nos termos do art. 487 do C. Civil (vd. art. 4, n1) em que as regras deontolgicas queincidem sobre a legis artis, contribuem para a delimitao do que seja comportamento culposo.VIII Cabe aos tribunais administrativos de crculo, julgar as aces sobre a responsabilidade civil extracontratual dosentes pblicos, titulares dos seus rgos e agentes por actos de gesto pblica (cfr. al. h) do n. 1 do art. 51 do DL n. 129/84, de 27 de Abril).Sobre o problema da repartio de competncia entre os tribunais administrativos e os tribunais judiciais para conhecerde aces de responsabilidade civil extracontratual do Estado por factos verificados no mbito da actividade dos tribunais,o critrio adoptado pela jurisprudncia do STA (ver os Ac. do Pleno da 1 Sec., de 30/5/96, Proc 32.950, em AP. ao DR

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    de 30/1/98, pg. 512, ou em A.D. n 422, pg.213, e de 29/06/2000 Proc 40 222, sumariado a pgs. 73/74 de CJA n. 23e infra o de 12/10/2000) para decidir as questes suscitadas, traduz-se em saber se em causa est a responsabilidadeemergente do exerccio da funo de julgar ou a decorrente de actos de gesto pblica administrativa. Ocorrendo a 1 dashipteses, a competncia pertence aos tribunais judiciais, enquanto na 2 dos tribunais administrativos. O critrioassenta, portanto, na natureza das aces ou omisses que servem de fundamento ao pedido de reparao dos danos.

    Os tribunais administrativos so incompetentes, em razo da matria, para conhecer dos pedidos de indemnizaodirigidos contra o Estado fundados em danos emergentes de actos de natureza jurisdicional ( N IV do Sumrio do Ac.do STA, 1 Sec., 2 Subs., de 23.3.99, Proc 43 784). da competncia dos tribunais administrativos de crculo o julgamento das aces com pedido de indemnizao contrao Estado, fundado em responsabilidade civil extracontratual por danos emergentes do dever de administrar justia emtempo razovel (Sum

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