responsabilidade civil extracontratual

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RESPONSABILIDADE CIVIL QUANTO A SUA ORIGEM a) RESPONSABILIDADE CIVIL EXTRACONTRATUAL, LEGAL OU AQUILIANA aquela em que inexiste vnculo jurdico anterior entre o autor do dano e a vtima, e que decorre da violao de um dever jurdico preexistente na lei. Est relacionado ao dever de cautela que genrico, ou seja, todas as pessoas tm o dever de agir na vida civil com prudncia, de molde a no causar prejuzo a ningum. Esse tipo de responsabilidade decorre da lei aquilia lei que introduziu o delito civil em Roma: - furto; - roubo; - injria. Essa lex aquilia, que no se sabe precisar o ano de seu surgimento (alguns dizem que do ano 400 Ac), foi aquela que trouxe uma sistematizao dos delitos civis extracontratuais no direito romano. Ento, quando voc falar em responsabilidade civil que no decorre de inadimplemento contratual, em que o autor do dano e a vtima no tinham relao jurdica anterior entre si, voc est falando em responsabilidade civil extracontratual, legal ou aquiliana. H um detalhe, quando houver violao de um dever jurdico preexistente na lei, voc estar diante: a) violao de dever jurdico b) culpa dolo culpa em sentido estrito DELITO CIVIL (ATO ILCITO) c) dano moral dano material Exemplo: quando voc sai de casa e ultrapassa 30 sinais vermelhos. Violou um dever jurdico previsto no CTB, um dever jurdico genrico previsto no ordenamento como um todo. Agiu com culpa, ou seja, ou teve inteno de avanar os sinais ou foi imprudente. Se causou prejuzo a algum, est presente o ato ilcito. A responsabilidade civil que vai derivar da, uma responsabilidade extracontratual, legal ou aquiliana, no havia relao jurdica anterior entre o autor do dano e a vtima. Quanto ao fundamento uma responsabilidade civil subjetiva. Os autores tem a mania de dar a entender que s h responsabilidade aquiliana, quando ela for subjetiva. ISTO NO VERDADE. Existe responsabilidade civil aquiliana que quanto ao fundamento uma responsabilidade objetiva. Existem vrios exemplos deste tipo de responsabilidade no CC. O fundamento um RISCO SANCIONADO PELO LEGISLADOR. Vai existir o dever de reparar, independentemente de culpa do responsvel. A responsabilidade aquiliana subjetiva encontra seu fundamento legal no art. 159, CC ATUAL. Voc tem neste artigo, implicitamente, os elementos do ato ilcito (violao de dever jurdico, culpa e dano). No NOVO CC, ele se encontra no art. 186. Obs.: A responsabilidade civil extracontratual de natureza subjetiva pressupe a inexistncia de vnculo relativo anterior entre o autor do dano e a vtima, pressupe a violao de direitos subjetivos absolutos dessa mesma vtima, ou seja, os direitos da personalidade, como a vida, a integridade fsica, a imagem, a honra, etc, ou ento, direitos subjetivos absolutos reais, quando os bens patrimoniais da vtima forem atingidos como automvel, outros bens mveis e imveis, pressupe principalmente a ocorrncia de ato ilcito, onde h violao de dever jurdico preexistente, in caso na lei, culpa e dano moral e/ou material. O art. 159, CC ATUAL define ou determina o que seria ato ilcito e ao contrrio do direito romano, onde os delitos civis eram especficos, ou seja, numerus clausus, esse art. segue o princpio da generalidade do delitos civis, ou seja, inmeros situaes de diversas naturezas podem ser enquadradas como delitos civis, com base nesse artigo, que no CC NOVO passa a ser art. 186.

***DELITO E QUASE DELITO Esta distino havia em Roma. Delito ato ilcito praticado com dolo; Quase delito ato ilcito praticado sem inteno, isto , com culpa em sentido estrito. ATENO: ESSA DISTINO NO EXISTE MAIS NO NOSSO DIREITO. Por vezes, o legislador civil determina que algum indenize o prejuzo havido por outrem sem que ocorra vinculao jurdica contratual anterior entre ambos, e sem que o apontado responsvel tenha praticado ato ilcito, tratando-se, portanto, de responsabilidade civil extracontratual de natureza objetiva. Exemplos: Os arts. 160, I, II e p do CC ATUAL e 188, I, II e p do CC NOVO dizem que no constituem atos ilcitos aqueles atos praticados em legtima defesa, em exerccio regular de um direito reconhecido ou em estado de necessidade quando algum destri ou deteriora coisa alheia a fim de remover perigo iminente, alertando o legislador que esse ato s ser legtimo quando as circunstncias o tornarem absolutamente necessrio, no podendo exceder os limites do indispensvel para remoo do perigo. Porm, mesmo nos casos de legtima defesa e estado de necessidade, poder haver o dever de indenizar, independentemente da prtica de ato ilcito. Quando algum em legtima defesa, se defendendo da injusta agresso perpetrada por outrem, mesmo usando de meios moderados vem a atingir um 3o , ter que indenizar esse 3o , independentemente de culpa nos termos do art. 1520, p c/c art. 160, I c/c art. 1540, do CC ATUAL. O art. 1520, p d a entender que s h responsabilidade civil se for atingida uma COISA e NO um SER HUMANO. ISSO EST ABSOLUTAMENTE ERRADO. Voc tem que indenizar se atingir um ser humano. Aquele que se defende de agresso injusta, indeniza a vtima e prope ao de regresso em face do seu agressor, para obter de volta o valor da indenizao. Havendo estado de necessidade, art. 160, II, p aquele que danificou a coisa alheia ou a pessoa alheia, para se livrar de um perigo iminente, no pratica ato ilcito, porm, ter que indenizar a vtima (art. 1519), desde que a prpria vtima no tenha sido o culpado pela situao de perigo, responsabilidade civil extracontratual de natureza objetiva por ato lcito de conduta. O art. 1519 s fala em DONO DA COISA, no fala em ser humano. a mesma coisa do art. 1520. Mas, a orientao que deve ser indenizado a pessoa que sofrer o prejuzo. Nos termos do art. 1520, se aquele que paga a indenizao, em estado de necessidade, identifica o culpado por esta situao em que foi envolvido, ter ao de regresso para obter de volta o valor pago da reparao civil. Obs.: Aquele que invoca o estado de necessidade, ele prprio for o responsvel pela situao extrema em que se encontrava, se ele para sair dela causar prejuzo a outrem, responder subjetivamente pelo dano causado. O CPP de 1941, vem a lume e diz que faz coisa julgada no cvel a alegao e a sentena que acolhe, no juzo criminal, o argumento de que o ru agiu em estado de necessidade ou legtima defesa, e alguns autores, a partir da, comearam a afirmar que o CPP, art. 65 teria revogado os arts. 1519 e 1520, do CC e que, portanto, comprovada tais situaes no crime, no haveria dever de indenizar no juzo cvel. O STF, no entanto, pacificou o entendimento de que a situao jurdica de estado de necessidade, legtima defesa, estrito cumprimento do dever legal ou exerccio regular de direito essas sim faziam coisa julgada no cvel, o que no impediria, no entanto, do autor do dano, independentemente de culpa, tivesse que indenizar a vtima, nos termos dos arts. 1519 e 1520, do CC. POSSVEL HAVER RESPONSABILIDADE CIVIL QUANDO AGIR NO EXERCCIO REGULAR DE UM DIREITO OU ESTRITO CUMPRIMENTO DE DEVER LEGAL E CAUSAR PREJUZO A OUTREM ?

O art. 160 fala tambm de estrito cumprimento do dever legal e exerccio regular de direito. possvel. Mas, em termos de responsabilidade objetiva da pessoa jurdica de direito pblico ou pessoa jurdica de direito privado prestadora de servio pblico. Isso estrito cumprimento do dever legal. Exemplo: bombeiros para apagar um incndio, quebram o muro do vizinho, responsabilidade objetiva, art. 37, 6o , CF. Exerccio regular de direito tambm. Atividade administrativa regular causa prejuzo ao jurisdicionado, haver dever de indenizar objetivamente, art. 37, 6o, CF. Obs.: No caso da legtima defesa, se ela for putativa que est sendo agredido por outrem e atinge o pretenso agressor, a doutrina e a jurisprudncia tem entendido que ele tem que indenizar o pretenso agressor ou at mesmo um 3o atingido, com base na responsabilidade civil extracontratual subjetiva, tendo em vista que no caso houve culpa, mesmo que pelas circunstncias seja de natureza leve ou levssima. Inobservou dever jurdico de cautela na vida civil. Na legtima defesa real, ou seja, o agente est sendo agredido, se defende moderadamente e atinge o prprio agressor, que ferido ou morto, ele no ter que indenizar este agressor, nem no caso de falecimento famlia do agressor. Ter que indenizar, porm, objetivamente o 3o , eventualmente atingido como j vimos. Se houver excesso de legtima defesa, atingindo o prprio agressor, haver responsabilidade subjetiva, j que o excesso na legtima defesa sai do campo da licitude para o campo da antijuridicidade, considerado ato ilcito, a contrario sensu do art. 160, I, do CC ATUAL e o agredido ter que indenizar o agressor e, no caso de morte, a famlia do agressor. 8a AULA DIA 23.05.02 RESPONSABILIDADE CIVIL EXTRACONTRATUAL, LEGAL OU AQUILIANA A responsabilidade civil extracontratual pode ser: SUBJETIVA pressupe a prtica de ato ilcito; OBJETIVA independe de prtica de ato ilcito pelo apontado responsvel. Normalmente, se reserva o termo responsabilidade civil aquiliana quando uma responsabilidade extracontratual, porm, de carter subjetivo. Isso tem um motivo, a chamada lex aquilia do sculo III a.C., quando essa lei entrou em vigor os delitos civis eram numerus clausus, os delitos civis eram o furto, roubo e a injria, esta era atingir fisicamente algum. A lex aquilia traz um novo delito, o damnum iniura datum que era a ofensa a coisa alheia, inclusive o escravo. O legislador romano dizia que para existir o damnum iniura datum, era preciso uma conduta ilegtima, onde houvesse culpa do responsvel. Ento, se a conduta fosse legtima, por exemplo, algum atingisse escravo alheio em legtima defesa no haveria conduta ilegtima e, portanto, no haveria esse delito civil. Mas, se a conduta fosse ilegtima e houvesse culpa do apontado responsvel haveria de se pagar uma indenizao e, nessa poca, as indenizaes civis, que se resolviam por aes penais, eram penas pecunirias. Na aula anterior, ns vimos que o CC de 1916 consagrava inmeras hipteses de responsabilidade civil extracontratual de natureza

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