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Rendimento escolar nas escolas secundrias e nas escolas profissionais

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RENDIMENTO ESCOLAR NAS ESCOLAS SECUNDRIAS E NAS ESCOLAS

PROFISSIONAIS: RESULTADOS DE UMA AMOSTRAGEM

Introduo

Este documento visa apresentar e debater os resultados de uma pesquisa realizada em

Portugal sobre o rendimento escolar dos alunos dos cursos gerais e tecnolgicos, das

escolas secundrias, e dos cursos profissionais, das escolas profissionais. Dado que se

trata, em todos os casos, de cursos de trs anos de durao, com uma estrutura

semelhante de componentes de formao, destinados a todos eles a jovens que concluem

a sua escolaridade bsica de nove anos, entendemos que seria til estabelecer uma

comparao sobre o rendimento de cada um dos trs tipos de cursos, embora conscientes

de que estamos diante de dois tipos de instituies educativas bastante diferentes (o que

esclareceremos adiante).

So muito raros, entre ns, os estudos sobre o rendimento escolar. Alis, as pesquisas

sobre educao, que incidem sobre a compreenso do que se passa nas escolas, so

tambm escassas. As fontes oficiais de informao, mormente estatstica, no coligem

elementos deste tipo, fornecendo habitualmente informao pouco actualizada, primria

e dispersa.

No entanto, no plano internacional, muitos so os estudos que se empreendem sobre o

rendimento escolar. Temos plena conscincia de que as problemticas da eficcia e da

eficincia das organizaes escolares no se encontram frente, isoladas, na investigao

e no debate social sobre educao. Temticas como a equidade, a liberdade, a excelncia

e as finalidades (para qu a educao escolar a este nvel, no mundo de hoje?)

encontram-se tambm na primeira linha de anlise e de discusso pblica. Mas, h um

tempo para tudo. E o tempo para sondar aspectos especficos relativos eficcia das

escolas de nvel secundrio, ou seja, para perceber como realizam os objectivos concretos

que lhes esto assinalados, tambm chegou.

Como se explicitar melhor adiante, o que aqui e agora propomos apenas mais um

olhar sobre a realidade escolar portuguesa, um entre muitos outros. Um olhar sobre uma

Rendimento escolar nas escolas secundrias e nas escolas profissionais

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realidade que, como todos os olhares humanos fundados na procura do bem comum,

simultaneamente um olhar sobre as possibilidades.

este o clima que favorece a emergncia deste estudo, que se entrelaa com muitos

outros que temos empreendido.

Esta pesquisa foi realizada, no mbito da Fundao Manuel Leo, pelo LABEDULIB -

Laboratrio Educao e Liberdade, e contou com a colaborao de uma equipa, onde se

destacam Jorge Pinto, na recolha de dados, e Antnio Fonseca, Jos Maria Azevedo e

Jos Matias Alves, na primeira anlise crtica do texto.

Definio do nvel secundrio

O nvel secundrio de ensino e de formao, ou seja, a oferta educativa que se apresenta a

um jovem que termina a sua escolaridade bsica e obrigatria de nove anos de durao,

compreende, em Portugal, as escolas secundrias, as escolas profissionais e os centros de

formao profissional. Assim desde 1989, altura em que se criaram as escolas

profissionais e se instituiu uma reforma educativa que introduziu um novo plano de

estudos para o ensino secundrio.

Anteriormente no havia escolas profissionais, o ensino secundrio era composto por

uma via de estudos, predominante, e uma via tcnico-profissional, minoritria, que

tinha sido criada em 1983, na sequncia de uma medida de poltica que visou criar

alternativas de estudos dentro do nvel secundrio, pois a nica via que um jovem podia

prosseguir aps o 9 ano, desde 1977/78, era a chamada via de ensino.

As escolas secundrias, na sequncia da publicao da nova Lei de Bases do Sistema

Educativo (Lei n 46/86) e dos trabalhos da Comisso de Reforma do Sistema Educativo

(1986-1988), passaram a ser ordenadas segundo um novo perfil, estabelecido no

Decreto-Lei n 286/89. Aps um perodo experimental, entraram em vigor os novos

cursos e programas, ano a ano, durante trs anos, com incio no ano lectivo de 1993/94,

em todas as escolas secundrias j existentes no pas. Esta rede de escolas inclua tanto

os ex-liceus, como as ex-escolas tcnicas e ainda as recentes escolas secundrias,

designao que passou a ser comum para todas elas. As escolas secundrias ofereciam

Rendimento escolar nas escolas secundrias e nas escolas profissionais

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agora dois tipos de cursos, os gerais ou predominantemente orientados para o

prosseguimento de estudos, e os tecnolgicos, ou predominantemente orientados para o

mercado de trabalho, sendo predominante a oferta e a procura dos cursos gerais. Em

1993/94, no novo 10 ano, a frequncia dos cursos gerais e dos cursos tecnolgicos era de

75% e 25%, respectivamente.

Em 1985 foi introduzida em Portugal uma modalidade de formao em alternncia,

conhecida como sistema de aprendizagem, coordenada pelo Ministrio do Trabalho,

que imitava o modelo alemo de formao profissional, que rapidamente se instituiu

como formao de segunda oportunidade para os jovens que no completavam a sua

escolaridade obrigatria pela via escolar. Mais tarde, a partir de 1989, os centros de

formao profissional passaram tambm a oferecer cursos de formao em alternncia

para jovens com o 9 ano, apresentando-se como uma nova alternativa de formao aps

a escolaridade bsica e obrigatria. Estes cursos concediam uma certificao profissional

de nvel III e uma equivalncia ao 12 ano.

As escolas profissionais foram criadas em Janeiro de 1989, pelo Decreto-lei n 26/89,

como alternativa de formao s escolas secundrias. Inicialmente a medida poltica

pertenceu aos Ministrios da Educao e do Trabalho, tendo passado para a tutela

exclusiva do Ministrio da Educao em 1992. Estas escolas, de iniciativa local de

promotores de diversos tipos, como Cmaras Municipais, empresas, associaes

empresariais e culturais, fundaes, sindicatos e instituies de solidariedade social,

nasceram com a sua gesto prpria, de tipo privado, celebrando contratos-programa com

o Estado para o desenvolvimento dos seus cursos, uma vez aprovados pelo Ministrio da

Educao.

Segundo o novo modelo criado em 1989, tanto as escolas secundrias, que passaram a

oferecer cursos gerais, orientados para o prosseguimento de estudos, e cursos

tecnolgicos, orientados para o ingresso no mercado de trabalho, como as escolas

profissionais e os seus cursos profissionais, bem como os cursos de formao em

alternncia, oferecidos nos centros de formao profissional estatais e em empresas,

todas as modalidades educativas ps-9 ano passaram a contar com uma estrutura

curricular de trs componentes, com diferentes predominncias, conforme se pode ver

no quadro n 1.

Rendimento escolar nas escolas secundrias e nas escolas profissionais

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Quadro n1 Matriz comum aos percursos de formao sistemtica ps-obrigatria em Portugal

(1989 - 1992)

Caractersticas

Percursos

Escolaridade/ acesso

Durao Anos/Horas

COMPONENTES DA FORMAO

(% da carga horria total) Geral ou scio-cultural

Especfica ou cientfica

Tcnica ou Tecnl. (te- rica e prt.)

ENSINO SECUNDRIO

A. Cursos gerais (4)

B. CursosTecnolgicos(11)

ESCOLAS PROFISSIONAIS

FORMAO EM ALTERNNCIA

(Nvel III - UE)

9 ano

9 ano

9 ano

9 ano

3 a 4 anos (4.800h em mdia)

3 anos (3.600h)

3 anos (3.270h)

3 anos (3.270h)

34

34

25

45

30

25

21

36

50

19 19

62 (com prti- ca no posto de trabalho)

Notas:

1. O nvel III de que se fala um nvel de qualificao profissional, definido no mbito da U.E. (deciso 85/368/EEC) e que corresponde ao que se chama habitualmente tcnicos intermdios.

2. No regime de Aprendizagem, o peso da componente tcnica inclui a "prtica simulada no posto de trabalho" pois esta constitui um elemento caracterstico intrnseco deste modelo de formao.

Em termos de enquadramento, importa dizer tambm que a frequncia das diferentes

modalidades evoluiu muito ao longo destes anos, ao mesmo tempo que evolua a taxa de

escolarizao no nvel secundrio. Assim, sendo Portugal um pas de tardia escolarizao

de massas, comparativamente com o resto da Europa, o nmero de jovens neste nvel

duplicou entre 1985 e 1995. Apesar das assimetrias sociais e regionais existentes

(Azevedo, 2002), perto de 81% do grupo etrio 15-17 anos encontrava-se a estudar, no

ano 20011.

A frequncia dos cursos da via de ensino e dos cursos gerais sempre foi maioritria.

Em 1980/81 correspondia a 100% da frequncia (ensino apenas diurno), em 1985/86

correspondia ainda a 92%, em 1990/91 este valor tinha descido para 86%, em 1995/96

1 Uma parte considervel da populao dos 15-17 anos encontrava-se a estudar, nesta data, no ensino bsico e no no nvel secundrio. A taxa real de escolarizao no nvel secundrio, em 2001, bastante inferior ou seja 65,4%.

Rendimento escolar nas escolas secundrias e nas escolas profissionais

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