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  • BUREAU DE INTELIGNCIA COMPETITIVA DO CAF

    RELATRIO INTERNACIONAL DE TENDNCIAS DO CAF

    VOL. 5 | N. 01 | 29 FEVEREIRO 2016

    www.icafebr.com

  • SOBRE NS

    O Bureau de Inteligncia Competitiva do Caf um programa que busca oferecer informaes e anlises relevantes para o setor cafeeiro nacional. A informao se tornou crucial para a competitividade de qualquer atividade econmica e com a cafeicultura no diferente. Por isso, buscamos reunir, analisar e divulgar dados e informaes que permitam aos agentes da cadeia agroindustrial do caf planejar e tomar decises melhores. Nosso trabalho se iniciou em 2010, com apoio financeiro da FAPEMIG. O mentor do projeto o prof. Luiz Gonzaga de Castro Junior, doutor em Economia Aplicada e pesquisador do mercado de caf desde 2002. As atividades so realizadas no Centro de Inte-ligncia em Mercado (CIM), sediado na Universidade Federal de Lavras (UFLA). O CIM tem se consolidado como uma organizao especializada em pesquisas e prestao de servios para agentes do agroneg-cio. O convnio com a FAPEMIG terminou em 2012, o que poderia ter paralisado as atividades do programa. No entanto, com o apoio do Plo de Ex-celncia do Caf, da UFLA e dos pesquisadores en-volvidos, as atividades continuaram. Ainda em 2012, o Bureau publicou relatrios sobre a Terceira Onda do consumo de caf a sobre a indstria de cpsulas. Estes trabalhos foram muito bem recebidos pelo setor e consolidaram o Bureau como fonte de informaes e anlises relevantes. Em outubro daquele ano foi elaborado o primeiro Relatrio Internacional de Ten-dncias do Caf, publicao que j referncia para os agentes da cadeia agroindustrial do caf. Os lti-mos relatrios alcanaram cerca de 10 mil downloads mensais no site do Bureau (icafebr.com.br). Atualmente o Bureau integra a Agncia de Ino-vao do Caf (InovaCaf), uma organizao geren-ciada pela UFLA, que busca integrar os conhecimen-tos das diferentes reas relacionadas ao caf e criar solues e inovaes para o setor. J em seu quinto ano de atividade, o programa conta atualmente com o apoio da Embrapa e da Bayer, e busca novos parcei-ros e apoiadores.

    Equipe do Bureau de Inteligncia Competitiva do Caf

  • NDICE

    1. PRODUO

    2. INDSTRIA

    3. CAFETERIAS

    4. INSIGHTS

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  • PRODUO

    Para produzir caf, os cafeicultores precisam lidar com uma srie de riscos que podem impactar sobre a quantidade produzida ou sobre o valor recebido pelo produtor. Os principais riscos so o clima (calor ex-cessivo, seca, excesso de chuvas), incidncia de pragas e doenas, elevao dos custos de produo e a volatilidade das cotaes internacionais. Safra aps safra, o cafeicul-tor enfrenta uma combinao desses fatores em diferentes propores. Lidar com eles exige conhecimentos agron-micos e financeiros que muitos produtores no possuem. Em muitas regies, o acesso ao crdito difcil, o que tambm compromete a capacidade do cafeicultor investir e planejar sua comercializao e, sem uma remunerao adequada, no h como investir em tecnologia. Nos ltimos anos, vrios pases produtores en-frentaram graves problemas decorrentes do clima adverso e do ataque de pragas e doenas. A situao agrava-da pela tendncia de queda na cotao internacional do gro. Como resultado desse cenrio, muitos cafeicultores buscam outras alternativas econmicas. Na Amrica Cen-tral, o cultivo de cacau comeou a atrair a ateno como substituto para o caf em regies de altitude mais baixa. Na ndia, a produo de caf arbica est estagnada, mas o cultivo de robusta cresceu nos ltimos anos. Os dados sobre a cafeicultura mundial mostram que a produo de caf robusta cresce mais rpido que a de arbica, o que pode ser interpretado como um sinal da maior viabilidade econmica desse tipo de gro.

    AMRICA CENTRAL

    Segundo matria publicada pela Reuters, produ-tores da Amrica Central esto substituindo as lavouras de caf por cacau nas regies de menor altitude. As mu-danas climticas, em especial a elevao da temperatu-ra, so apontadas com fatores responsveis, uma vez que inviabilizam o cultivo de caf arbica, mas tornam a regio

    adequada para a produo de cacau. O cafeicultor Roger Brimming, da Nicargua, substituiu 84 ha de caf cultivados a 700 metros de alti-tude por cacau, h dois anos. Na parte mais alta de sua propriedade, com altitude de 1200 metros, ele ainda cul-tiva caf. De acordo com Brimming, o custo para plantar cacau foi apenas um tero do que ele gastaria para reno-var a lavoura de caf. A Amrica Central ainda se recupera de uma gra-ve incidncia de ferrugem que afetou a produo de caf na regio. Por outro lado, a produo de cacau cresceu nos ltimos anos. Dados da Food and Agriculture Orga-nization (FAO) mostram que a produo de cacau na re-gio cresceu de 52,8 mil toneladas em 2001 para quase 100 mil toneladas em 2013, uma taxa de crescimento de 6,36% ao ano. Dados citados pela Reuters mostram que as exportaes de cacau da Nicargua tiveram elevao de 80% entre 2014 e 2015. Em Honduras, o governo esti-mula a substituio, pelos cafeicultores, de 8% das lavou-ras de caf por cacau. A incidncia de ferrugem causou grandes perdas na produo e afetou a renda de milhares de cafeiculto-res e trabalhadores. Esse evento, somado queda na cotao internacional do caf ao longo de 2015, contri-buiu para que muitos cafeicultores optassem pela cacaui-cultura. Enquanto os preos do caf caem na bolsa, os do cacau esto em tendncia de alta h 4 anos, devido ao aumento no consumo mundial de chocolate.

    AMRICA DO SUL

    Colmbia

    O ano de 2015 foi muito positivo para a recupe-rao da produo colombiana de caf, com um total de 14,2 milhes de sacas colhidas. o maior volume dos ltimos 23 anos.

  • De acordo com Roberto Vellez Vellejo, diretor da Federao Nacional dos Cafeicultores da Colmbia, isso resultado dos esforos conjuntos dos cafeicultores e do governo, que foram capazes de renovar as lavouras e re-posicionar o pas como um dos principais players do mer-cado internacional. O diretor tambm incentivou os cafei-cultores a continuarem com o bom trabalho para enfrentar os efeitos do El Nio em 2016. As informaes so da Fe-derao dos Cafeicultores da Colmbia. A produo de 2015 foi 17% maior que a de 2014, quando foram colhidas 12,1 milhes de sacas. Com isso, tambm houve um incremento nas exportaes que tota-lizaram 12,7 milhes de sacas em 2015, um aumento de 16% em relao ao ano anterior.

    SIA

    Vietn

    O Vietn especializado na produo de caf ro-busta, sendo o maior produtor e exportador desse tipo de gro. No entanto, h interessados no pas em aumentar a produo de caf arbica e, posteriormente, tornar o Viet-n uma origem conhecida por produzir cafs de qualidade, em vez de apenas quantidade. Segundo uma matria do jornal Southeat Asia Glo-be, o governo vietnamita apoiou a expanso da cafeicultu-ra de robusta na dcada de 1990, o que envolveu a aber-

    tura de novas reas agrcolas nas florestas que ocupam a regio das central highlands. O objetivo foi alcanado, mas nas cafeterias espalhadas pelo mundo muito difcil encontrar caf vietnamita. A produo de cafs especiais uma alternativa para agregao de valor ao produto que conta com de-manda crescente. O consumo de cafs de alta qualidade cresce no mundo graas consumidores mais exigentes e empresas que apostam nesse mercado. Cafs vence-dores de concursos de qualidade costumam ser adquiri-dos por valores muito acima daqueles praticados no mer-cado de gros commodity. No entanto, a produo desses cafs exige uma srie de cuidados no cultivo, colheita, secagem e bene-ficiamento dos gros que no fazem parte da rotina dos cafeicultores vietnamitas. O Coffea canephora uma planta mais rstica e produtiva que o Coffea arabica, e no exige tantos cuidados. De acordo com um dos gran-des exportadores do pas, muito mais fcil e lucrativo exportar caf robusta do que arbica, embora o preo deste seja superior. Ainda que timidamente, alguns passos j foram dados para inserir o Vietn no mercado de caf especiais. Em 2015, a Starbucks lanou uma edio limitada feita com gros da variedade catimor (um hbrido entre arbica e robusta) produzidos por 150 produtores da cidade de Dat Lat. As avaliaes do produto no site da Starbucks foram positivas. Para Will Frith, um especialista em caf,

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  • a edio limitada mostrou que existe mercado para o caf arbica da regio e pode ajudar a aumentar a quantidade e qualidade da produo local.

    ndia

    Na ndia, terceiro maior produtor de caf da sia, a cafeicultura de arbica enfrenta dificuldades para crescer, mas a produo de robusta avana. A lavouras de caf ar-bica da ndia so gravemente afetadas pela broca branca do tronco, causada por um pequeno besouro (Xylotrechus quadripes), praga presente em todas as regies produto-ras da ndia e que pode causar perdas de at 40% na pro-duo. Alm disso, os preos pagos aos produtores atual-mente no cobrem os custos de produo. Em Karnataka, houve uma reduo de 25% no preo pago aos cafeiculto-res entre janeiro de 2015 e janeiro de 2016. Dados do USDA mostram que a safra de arbica da ndia em 2014/2015 foi de 1,63 milho de sacas, a menor dos ltimos quatro anos. Desde 2004/2005 a produo de arbica nunca passou de 1,7 milho de sacas, mas a de robusta apresentou consi-dervel crescimento. Entre 2004/2005 e 2014/2015 safra de robusta aumentou de 2,87 milhes para 3,81 milhes de sacas.

    CAF ROBUSTA

    Ao longo da histria da produo comercial de caf, a espcie Coffea arabica sempre foi a mais cultivada. A bebida obtida a partir dos gros dessa espcie , de ma-

    neira geral, de qualidade superior quela obtida a partir dos gros de Coffea canephora. No entanto, dados com-pilados e analisados pelo Bureau de Inteligncia Compe-titiva do Caf para o projeto Campo Futuro mostram uma tendncia de participao cada vez maior dos gros de C. canephora no total mundial. Segundo dados do United States Department of Agriculture (USDA), entre as safras de 1960/61 e 2014/15, a p