relatÓrio internacional de tendÊncias do cafÉ .já em seu quinto ano de atividade, o programa

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  • BUREAU DE INTELIGNCIA COMPETITIVA DO CAF

    RELATRIO INTERNACIONAL DE TENDNCIAS DO CAF

    VOL. 4 | N. 10 | 11 DEZEMBRO 2015

    www.icafebr.com

  • SOBRE NS

    O Bureau de Inteligncia Competitiva do Caf um programa que busca oferecer informaes e anlises relevantes para o setor cafeeiro nacional. A informao se tornou crucial para a competitividade de qualquer atividade econmica e com a cafeicultura no diferente. Por isso, buscamos reunir, analisar e divulgar dados e informaes que permitam aos agentes da cadeia agroindustrial do caf planejar e tomar decises melhores. Nosso trabalho se iniciou em 2010, com apoio financeiro da FAPEMIG. O mentor do projeto o prof. Luiz Gonzaga de Castro Junior, doutor em Economia Aplicada e pesquisador do mercado de caf desde 2002. As atividades so realizadas no Centro de Inte-ligncia em Mercado (CIM), sediado na Universidade Federal de Lavras (UFLA). O CIM tem se consolidado como uma organizao especializada em pesquisas e prestao de servios para agentes do agroneg-cio. O convnio com a FAPEMIG terminou em 2012, o que poderia ter paralisado as atividades do programa. No entanto, com o apoio do Plo de Ex-celncia do Caf, da UFLA e dos pesquisadores en-volvidos, as atividades continuaram. Ainda em 2012, o Bureau publicou relatrios sobre a Terceira Onda do consumo de caf a sobre a indstria de cpsulas. Estes trabalhos foram muito bem recebidos pelo setor e consolidaram o Bureau como fonte de informaes e anlises relevantes. Em outubro daquele ano foi elaborado o primeiro Relatrio Internacional de Ten-dncias do Caf, publicao que j referncia para os agentes da cadeia agroindustrial do caf. Os lti-mos relatrios alcanaram cerca de 10 mil downloads mensais no site do Bureau (icafebr.com.br). Atualmente o Bureau integra a Agncia de Ino-vao do Caf (InovaCaf), uma organizao geren-ciada pela UFLA, que busca integrar os conhecimen-tos das diferentes reas relacionadas ao caf e criar solues e inovaes para o setor. J em seu quinto ano de atividade, o programa conta atualmente com o apoio da Embrapa e da Bayer, e busca novos parcei-ros e apoiadores.

    Equipe do Bureau de Inteligncia Competitiva do Caf

  • NDICE

    1. PRODUO

    2. INDSTRIA

    3. CAFETERIAS

    4. INSIGHTS

    2

    4

    7

    11

    1

  • PRODUO

    Os pases produtores de caf da frica seguem em busca de caminhos que proporcionem o aumento das exportaes e o crescimento da renda dos ca-feicultores. Os problemas econmicos, sociais e polticos que essas naes enfrentam so uma barreira significati-va, mas o apoio internacional, proveniente de ONGs e da iniciativa privada, pode ajudar a alterar esse quadro. Enquanto a cafeicultura africana enfrenta seus de-safios, a cafeicultura asitica, liderada pelo Vietn, cres-ceu o dobro da mdia mundial em 10 anos. O crescimento tambm foi superior ao obtido pelo Brasil no perodo. Alm do Vietn, a China comea a se destacar na produo do gro. No Brasil, o cenrio favorvel para o mercado de conilon. Os preos no mercado interno apresentaram boa elevao ao longo do ano e a desvalorizao do Real em relao ao dlar tornou o produto brasileiro mais atrativo para os pases importadores. Com isso, as exportaes do conilon tambm esto em alta.

    AMRICA CENTRAL

    Uma conferncia realizada pela Organizao das Naes Unidas para Alimentao e Agricultura, na costa Rica, discutiu solues verdes para o problema da ferru-gem (Hemileiavastatrix). O fungo comumente combatido com produtos a base de cobre, mas existe o risco de con-taminao de fontes de gua. Entre as medidas adotadas at o momento, esto o cultivo consorciado de caf com outras plantas e o manejo do solo. Para alguns pesqui-sadores, as mudanas climticas so responsveis pela proliferao da ferrugem na Amrica Central.

    AMRICA DO SUL

    Brasil Apesar dos problemas climticos que afetaram a produo brasileiras nas ltimas duas safras, fato que as exportaes nacionais continuam elevadas. Em 2014 o pas exportou um volume recorde de 36,7 milhes de sacas e de janeiro a outubro de 2015 as exportaes so-maram 30,5 milhes. O bom desempenho atribudo desvalorizao do Real frente ao Dlar, o que aumenta os ganhos dos exportadores e torna o caf brasileiro mais competitivo no mercado externo. Os concorrentes brasileiros atribuem a queda nas cotaes internacionais ao grande volume de caf brasileiro no mercado, como o caso da Colmbia (ver Relatrio v.4 n.9). O Wall Street Journal noticiou que a desvalorizao cambial tambm aumentou a competitivi-dade do conilon brasileiro diante do robusta do Vietn. O preo dos gros brasileiros est mais atrativo e, alm disso, os produtores vietnamitas esto segurando seus estoques a espera de melhores preos. Com isso, houve um significativo crescimento das exportaes de conilon para pases como EUA, Rei-no Unido e Alemanha. Segundo dados do Conselho dos Exportadores de Caf (CECAFE), as exportaes de co-nilon para os EUA entre janeiro e outubro somaram 1,5 milho de sacas, um crescimento de 65% sobre o mesmo perodo de 2014. Ao longo de 2014, foram exportadas, no total, 3,45 milhes de sacas de conilon. At outubro de 2015 esse volume j havia sido superado, com 3,77 milhes de sacas enviadas ao exterior. Apesar da queda na cotao internacional do caf robusta, no mercado interno brasileiro os preos nunca estiveram to elevados, em valores nominais.

  • FRICA

    Uganda

    Um dos maiores exportadores de caf de Uganda, Kawacom, firmou um acordo com a Starbucks. Por meio dele, a companhia norte americana ir comercializar uma edio especial de origem nica com gros ugandenses nos EUA. Com isso, cerca de 6 mil cafeicultores sero be-neficiados. Esses cafeicultores possuem certificaes Rainfo-rest Alliance e UTZ, que so obtidas com apoio da Kawa-com. Autoridades locais esto satisfeitas com o acordo, que evidencia o interesse pelo caf do pas, mas chamam a ateno para o fato de que seria melhor para os cafeicul-tores se a vendas fossem feitas diretamente para a Starbu-cks, sem a intermediao de uma empresa.

    Ruanda

    A United States Agency for International Develop-ment (Agncia Estadunidense para o Desenvolvimento In-ternaciona, USAID) firmou uma parceria de US$ 1,8 milho com a Universidade do Estado de Michigan para apoiar os cafeicultores de Ruanda. Ruanda um pequeno pas africano localizado na Regio dos Grandes Lagos e que faz fronteira, entre outros pases, com dois tradicionais produtores de caf, Uganda e Tanznia. A populao de cerca de 11 milhes de habitantes, a grande maioria vive da agricultura de subsistncia. O caf a principal de fonte de renda para centenas de milhares de ruandeses, embora a produo do pas seja pequena comparada aos grandes produtores mundiais. Segundo dados do USDA, so colhidas em tor-no de 250 mil sacas de caf por ano. Em 1994, durante a guerra civil, entre 800 mil e 1 milho de ruandeses foram mortos pelas tropas do gover-no, no que ficou conhecido como Genocdio de Ruanda. O conflito terminou naquele mesmo ano e desde ento o pas se recupera. Atualmente a cafeicultura ruandesa enfrenta di-ficuldades, como a queda na produtividade e problemas com pragas e doenas. A expectativa da USAID mudar esta realidade com o apoio do setor privado e governo.

    Angola

    O diretor do Instituto Nacional do Caf de Angola, Joo Ferreira Neto, defendeu que o crescimento da pro-duo do pas depende da mecanizao. Atualmente a produo de Angola est em 200 mil sacas por ano, mas o Instituto acredita que com os investimentos adequados, em 4 ou 5 anos o volume poderia chegar a 800 mil sacas.

    SIA

    O Bureau de Inteligncia Competitiva do Caf analisou dados da cafeicultura asitica para o projeto Campo Futuro, desenvolvido em parceria entre a Con-federao da Agricultura e Pecuria do Brasil (CNA) e o Centro de Inteligncia em Mercados (CIM). Os dados mostram que houve aumento na participao dos cafs asiticos no mercado global. No perodo de dez anos compreendido entre as safras 2004/2005 e 2013/2014 a produo total de caf no continente apresentou cres-cimento de 56,1%, segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Como compara-o, no mesmo perodo a produo mundial teve um au-mento de 25,4%. De acordo com os dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), entre 2005 e 2014 a produo brasileira teve elevao de 37,6%. No perodo, a produo de caf arbica na sia cresceu 46,7%, mas seu volume total baixo em compa-rao com a oferta total desse tipo de gro. Em 2014/2013 foram colhidas apenas 4,5 milhes de sacas de arbica em todo o continente, volume semelhante ao colhido por Honduras na mesma safra. A produo de robusta cres-ceu 57,3% e chegou a 43,1 milhes de sacas. Os trs maiores produtores asiticos de caf so Vietn, Indonsia e ndia. No entanto, a anlise do desem-penho individual mostra que ndia e Indonsia cresceram pouco no perodo, 10,4% e 12,4% respectivamente, en-quanto o Vietn foi o principal responsvel pela amplia-o da oferta de cafs da sia ao dobrar sua produo (105,7%). Em 2014/2013 o Vietn colheu 1,2 milhes de sacas de caf arbica e 28,6 milhes de robusta. De acordo com o Bureau, alm dos trs pases ci-tados, a China possui potencial para se tornar um grande produtor de caf no cenrio mundial. No pas, a cafeicul-tura est concentrada na provncia de Yunnan. Os dados disponveis indicam que a rea cultivada teria chegado a 125 mil hectares e as autoridades estimam que chegue a 167 mil em 2020. Dados da FAO, referentes 2013, mos-tram uma produo de 1,95 milho de sacas. As autori-dades esperam que em 2020 sejam colhidas 4,1 milhes de sacas, o que j faria da China um dos maiores produ-tores de caf do mundo. Ao contrrio dos outros pases do continente, em que predomina o cultivo de robusta, a cafeicultura chinesa cresce apoiada no caf arbica.

    3

  • O mercado de single cups continua em crescimento no Brasil. A presena de mquinas de doses nicas se expande alm dos lares brasileiros, visto que, restaurantes e hotis se torna