RELATRIO FINAL - al.rs.gov.br ? So pescadores eventuais que agem ... tem duas correntes de pensamento

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1ESTADO DO RIO GRANDE DO SULASSEMBLIA LEGISLATIVACOMISSO DE AGRICULTURA PECURIA ECOOPERATIVISMOSUBCOMISSO MISTA DA PESCA E AQUICULTURARELATRIO FINALMaio de 2004.2SUBCOMISSO MISTADA PESCA E AQICULTURAPalcio Farroupilha, Praa Marechal Deodoro, 101, 8 andar CEP 90001-300 Porto Alegre, RSRelator:Deputado Dionilso Marcon Marcon (PT)Membros:Deputado Ciro Simoni (PDT)Deputado Janir Banco (PMDB)Deputado Luiz Fernando Schmidt (PT)Deputado Paulo Azeredo (PDT)Deputado Ronaldo Zulke (PT)Presidente da Comisso de Agricultura, Pecuria e Cooperativismo:Presidente: Jernimo Goergen - PPVice-Presidente: Marco Peixoto - PPTitulares:Deputado Heitor Schuch - PSBDeputado Berfran Rosado - PPSDeputado Edemar Vargas - PTBDeputado Giovani Cherini - PDTDeputado Paulo Azeredo - PDTDeputado Alexandre Postal - PMDBDeputado Mrcio Biolchi - PMDBDeputado Dionilso Marcon - PTDeputado Elvino Bohn Gass - PTDeputado Frei Srgio - PTPresidente da Comisso de Economia e Desenvolvimento:Presidente: Adroaldo Loureiro - PDTVice-Presidente: Paulo Azeredo - PDTTitulares:Deputado Marlon Santos - PFLDeputado Czar Busatto - PPSDeputado Manoel Maria - PTBDeputado Fernando Zachia - PMDBDeputado Nlson Hrter - PMDBDeputado Joo Fischer - PPDeputada Leila Fetter - PPDeputado Ado Villaverde - PTDeputado Luis Fernando Schmidt - PTDeputado Ronaldo Zlke - PT3COLABORADORES:Secretaria Especial de Aqicultura e Pesca, da Presidncia da Repblica.Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renovveis.Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento do Rio Grande do Sul.Prefeituras Municipais de Imb, Ira, Jaguaro, Pelotas, So Jos do Norte, Tavares, Terrade Areia, Tramanda e Torres.Cmaras de Vereadores de Imb, Ira, Jaguaro, Pelotas, So Jos do Norte, Tavares, Terrade Areia, Tramanda e Torres.Associaes de Pescadores.Emater-RS.Assessoria do Relatrio Final:Avelange Bueno,Cludio Somacal,Dilamar Machado,Edgar Pretto,Lino de David.Maio de 2004.4NDICEApresentao .................................................................................................. 5Imagens das audincias .................................................................................. 7Problemas e Encaminhamentos ..................................................................... 14ANEXOSAnexo I: Sntese de Audincia ocorrida em Imb/RS .................................... 25Anexo II: Pesca Artesanal no municpio de Tavares, RS, - apresentaoem Power Point produzida pelo extensionista rural e chefe doEscritrio Municipal da Emater em Tavares, Carlos Roberto Vieira. ............ 88Anexo III: Estudo de viabilidade de recuperao e otimizao do potencialpesqueiro da Lagoa Pequena, Pelotas, RS, elaborado pelo Ncleo deEstudos e Pesquisas Ambientais/ Estao de Psicultura, da UniversidadeCatlica de Pelotas, sob a coordenao do professor e oceangrafoSrgio Noguez Piedras. ................................................................................. 91Anexo IV: Trabalho elaborado pelo pesquisador Dario Futuro com acolaborao do professor Guaraci Ferrari, elaborado em 1985, publicadonos jornais Agora, de Rio Grande e Jornal do Comrcio de Porto Alegre..... 104Anexo V: Diagnstico do Setor Pesqueiro, apresentao em Lminas devinil, em retroprojetor, Feita pelo agrnomo Flvio Elter, do escritrioregional da Emater, em Torres, RS. ............................................................... 113Anexo VI: Carta da populao tradicional do Parque Nacional da Lagoado Peixe, distribuda durante a audincia da Comisso realizada emRio Grande em 14 de novembro de 2003. ...................................................... 120Anexo VII: Decreto nmero 93.546, de 06 de novembro de 1986,criando o Parque Nacional da Lagoa do Peixe. ............................................... 123Anexo VIII: Ofcios emitidos pelo relator, solicitando providnciasdecorrentes de encaminhamentos relativos Subcomisso Mista daPesca e Aquicultura. ........................................................................................ 126Anexo IX: Ofcios recebidos pela relatoria, com providncias relativas aencaminhamentos feitos no mbito da Comisso Mista da Pesca eAquicultura ....................................................................................................... 156Anexo XI: Perfil da Fundao de Estudos e Pesquisas Aquticas Fundespa,que realiza estudos que orientam as obras a serem desenvolvidas na foz dosrios Mampituba e Tramanda. ........................................................................... 1705APRESENTAO A necessidade de recuperar informaes atualizadassobre a realidade da aquicultura e da pesca no mbito do Estadodo Rio Grande do Sul, partiu de requerimento deste deputado naComisso de Agricultura, Pecuria e Cooperativismo daAssemblia Legislativa do Rio Grande do Sul e do deputado LuizFernando Schmidt, membro da Comisso de Economia eDesenvolvimento. Os requerimentos encaminhados e aprovadosnas respectivas comisses permanentes em meados de 2003,atendem demanda por dados referentes realidade da pesca eaqicultura no mbito estadual. A fuso dos requerimentosresultou na constituio de uma subcomisso mista. Ela vemcorroborar com a Secretaria de Aquicultura e Pesca, vinculada Presidncia da Repblica que, no atual governo, passa, acoordenar as polticas desta importante atividade econmicasetorial.O presente relatrio sintetiza as demandas apresentadasem sete audincias pblicas da Subcomisso Mista da Pesca e daAquicultura, realizadas nos municpios de Torres, dia 24 deoutubro de 2003, Tramanda/Imb, dia 27 de outubro de 2003,Tavares em 3 de novembro de 2003, Pelotas e Jaguaro no dia13 de novembro de 2003, Rio Grande 14 de novembro de 2003 eIra no dia 05 de dezembro de 2003.Das audincias, destacamos a participao dos membrosda subcomisso, bem como dos demais parlamentares integrantesda comisso permanente, de representantes de entidades declasse dos pescadores, rgos governamentais, prefeituras,ambientalistas e especialistas que participaram dos debates econtriburam com sugestes que levam a encaminhamentos sobreas questes setoriais da aqicultura e da pesca em nosso Estado.Alm de realizar um diagnstico dos principais problemasapontados em cada uma das regies em que houve as audincias,juntamos a este relatrio os encaminhamentos feitos pelasubcomisso aos rgos governamentais visando a anlise depleitos e concretizao de aes pblicas que atendam asdemandas.6Cumpre registrar que, acatando pedido do governadorpara que haja conteno de gastos no mbito dos rgospblicos estaduais, esta Assemblia foi impossibilitada dedocumentar vrias audincias com o registro taquigrfico,impossibilitando esta subcomisso de registrar maisprecisamente as valiosas contribuies prestadas pelosexpositores. Mesmo assim, julgamos que o presente relatriosistematiza o resultado do trabalho parlamentar proposto pelasubcomisso.Gostaramos de destacar as valiosas contribuiesrecebidas por agrnomos e tcnicos da Emater, bem como derepresentantes de universidades que auxiliaram com suaspesquisas, levantamentos e diagnsticos sobre o tema proposto.Por fim, agradecemos as instituies que abriram seusespaos para a realizao das audincias, colaborando assimpara que o debate fosse realizado. Dionilso Marcon, deputado estadual7Fotos: por questo de tamanho do arquivo eletrnico,As fotos s esto presentes no relatrio em papel.PROBLEMAS E ENCAMINHAMENTOSRelatamos, a seguir, a sntese dos principaisproblemas citados nas sete audincias com osrespectivos encaminhamentos.8Durante as sete audincia pblicas foi possvel levantar osseguintes temas e efetuados os respectivos encaminhamentos.1. Carteiras Amarelas.Nas audincias apareceu o problema da autorizao parapesca por parte dos pescadores que portam a careira amarela,amparada pela lei estadual de nmero 10.164/94. A referida leipermite que os pescadores artesanais, aqueles que no vivemdesta atividade econmica, atuem livremente nas guaslitorneas, lacustre e fluvial. So pescadores eventuais que agemcom maior infra-estrutura que os pescadores profissionaisartesanais, ameaando a sua sobrevivncia e das famlia quedependem exclusivamente da pesca. Os pescadores eventuaisfazem uma verdadeira pesca predatria prejudicando a atividadedo pescador artesanal. O tema foi especialmente abordado nasaudincias pblicas de Jaguaro e Ira.Encaminhamento: rever a Lei estadual 10.164/94,redefinindo o conceito de pescador artesanal e definindoclaramente os limites, para este tipo de pesca.2 - Aposentadoria da Mulher Pescadora.Reclamaes generalizadas de que as mulheres pescadorasno conseguem se aposentar. Muitas dvidas se as mulherespodem ou no se aposentar, frente ao fato de que durantedeterminado perodo do ano praticam algum tipo de atividadeagrcola, especialmente durante o defeso.Encaminhamento: solicitar ao INSS informaes sobrequais so as condies para que a mulher pescadora possa seaposentar; quais os procedimentos que devem ser adotados e quala documentao que exigida no momento de encaminhar aaposentadoria. Resposta a esta demanda foi dada pelaSuperintendncia do INSS em 10 de maio passado (veja respostano Anexo IX).3 - Emendas Oramento Estadual e Federal.Os pescadores e de suas organizaes ponderaram aosdeputados, em vrias audincias, solicitando a incluso deemendas ao Oramento Pblico Estadual que contemple projetosde desenvolvimento em favor dos pescadores.9Encaminhamento: o deputado Dionilso Marcon apresentouemenda para o oramento 2004, vinculando a aplicaocarimbada de R$ 5 milhes dentro do RS Rural parainvestimentos no setor da pesca artesanal.A discusso da subcomisso permitiu sensibilizar osrepresentantes do Governo Federal que atravs da SecretariaEspecial de Aquicultura e Pesca, desmembraram projeto quetramitava no Ministrio da Integrao Nacional passandocompetncias para a SEAP. Nesta atividade surgiu o Projeto deIncentivo Psicultura que abrange 160 municpios da RegioNoroeste do RS em aes que orientam pescadores na rea daproduo e industrializao.Populaes ribeirinhas demandam estudos sobre assoreamento de rios.4 - Assoreamento da Barra do rio Mampituba eTramanda.Foram vrios depoimentos indicando problemas decrescente assoreamento das barras, os quais trazem dificuldadesde navegao para os barcos dos pescadores, inclusive commortes, geradas por naufrgios. A falta de navegabilidade nasbarras impede a explorao potencial do turismo nutico.Em Torres, tem duas correntes de pensamento de comoresolver o problema do assoreamento. Uns defendem a ampliaodos moles da barra e outros defendem a dragagem do canal do rioMampituba. Nas duas linhas de pensamento, faltam estudostcnicos mais detalhados e anlise de viabilidade econmica.10Encaminhamentos: como resultado das audincias, foiacionada a Secretaria Especial de Aquicultura e Pesca para quecontratasse empresa que pudesse melhor avaliar os impactosambientais decorrentes de providncias como a extenso dosmolhes do Rio Mampituba, em Torres, e de desassoreamento dorio Tramanda.A SEAP contratou os servios da Fundao de Pesquisa eEstudos Aquticos Fundespa, que passou a estudar o projetoque orientar as aes sobre as obras a serem desenvolvidas nafoz dos dois rios. A entidade est na fase de divulgao dosrelatrios preliminares referentes a Batimetrias e dados coletadosnos locais. Os levantamentos esto sendo acordados e serviropara a elaborao do plano referente aos servios a seremexecutados com apoio da fundao.5 Fiscalizao das Barras.Foi exigida maior fiscalizao por parte do Ibama,Patram/BM e Marinha, sobre os grandes barcos que fazemarrastes prximos das barras, fora dos limites permitidos. Nasaudincias do Litoral, foram diversos os depoimentos sugerindoque se intensifique a fiscalizao nos pontos de desembarque,compra e venda de pescado.Nas audincias pblicas de Pelotas e Rio Grande, um dostemas mais debatidos, foi a necessidade de aumentar afiscalizao na entrada da barra de Rio Grande, para evitar apesca predatria pelos grandes barcos, pois prejudica os estoques,a entrada e o desenvolvimento do pescado na Lagoa dos Patos.Os pescadores sugerem uma maior integrao entre osrgos de fiscalizao das atividades pesqueiras. Ponderaram anecessidade de mais equipamentos e instrumentos possibilitandouma maior agilidade e eficincia dos rgos de fiscalizao.O Ibama, acatando solicitao do frum da Lagoa dosPatos, est preparando uma portaria criando uma zona chamadatampo (zona de preservao) a qual probe a pesca namodalidade de cerco na regio ocenica de acesso ao Esturio daLagoa dos Patos.Na audincia pblica de Irai, houve uma forte crtica atuao da Patram/BM, que tolerante com os empresrios querealizam a pesca artesanal e altamente punitiva aos pescadoresprofissionais, os que vivem exclusivamente da pesca. Um11problema constatado na regio da divisa com Santa Catarina,especialmente no entorno do Rio Uruguai, refere que os rgos defiscalizao ambiental de Santa Catarina no reconhecem ascarteiras amarelas produzidas no Rio Grande do Sul.Encaminhamentos: foi remetido ofcio aos rgoscompetentes solicitando uma fiscalizao mais justa e eficiente,bem como a reviso de portarias que estabelecem o tamanho dospescados para captura por espcies. Atravs do Ibama, editou-seInstruo Normativa estabelecendo que no desaguadouro daLagoa dos Patos com o Oceano Atlntico, fixando aimpossibilidade de pesca de arrasto numa rea de 20 quilmetros esquerda e direita da foz com um raio de 8 quilmetros,mantendo os barcos tainheiros afastados da pesca neste local. Estadeterminao possibilita que as espcies de peixes possam serpreservadas, transitar e procriar nas guas da Lagoa.6 - Questes Ambientais.Em vrias audincias foi denunciado que esto sendo feitosgrandes investimentos imobilirios, os quais, para se implantaracabam drenando/secando banhados, que so consideradosberrios/criatrios de vrias espcies de peixes.Encaminhamentos: recomendar Fepam maior fiscalizaoe controle das liberao de RIMA relativas a investimentos emreas que ameaam os esturios.7. Agrotxicos.Outro problema constatado pelos pescadores e que auxiliana mortandade de peixes o uso indiscriminado de agrotxicosnas lavouras e que acaba por chegar aos rios. Esta poluioqumica contribui para a extino da biovida fluvial gerando amorte de muitas espcies de peixes, tema tambm encaminhadopara providncias junto a Fundao Estadual de Proteo aoAmbiente Natural Fepam.8. Recalque de guas para o arroz. Em culturas como a do arroz, o recalque de gua pelasbombas de suco, na irrigao do arroz, principalmente duranteo perodo de defeso, tem determinado a morte dos peixes jovense, por conseqncia, a reduo dos estoque de pescado. Este12tema, foi objeto de debate na audincia pblica realizada emJaguaro.Encaminhamento: apontou-se a necessidade de exigir daFepam estudos de impacto ambiental, licenciamento ambiental emaior fiscalizao dos locais de suco de gua dos rios,banhados e lagoas. Ponderou-se a necessidade de exigir que emtoda a puxada de gua motorizada seja exigida a colocao detelas de proteo junto as bombas, impedindo que peixes sejammortos pelas peas de propulso dgua, conforme a legislao.Mata ciliar preservada e com acesso da populao s guas.9. Mata ciliar.Na audincia pblica de Irai, as questes ambientais foramfortemente debatidas, com particular interesse na preservao damata ciliar. Sobre este tema, foram feitas vrias ponderaes.Uma preocupao aponta a necessidade de os agricultores quepossuem reas consideradas de preservao ambiental em funoda existncia de mananciais hdricos, receberem compensaopela impossibilidade do uso das terras para outros fins que nosejam o de preservao das reas intactas. Como a manuteno damata ciliar acaba beneficiando o conjunto da sociedade e estratgica para manter ativo o abastecimento de gua e a biovidafluvial, entende-se que os proprietrios mereceriam umacompensao financeira por manterem e preservarem suas terras13intactas. Este assunto foi apresentado pela Via Campesina noCongresso Nacional e merece um debate mais aprofundado portoda a sociedade. Neste sentido, tramitou no parlamento gacho oprojeto de lei 179/2003 prevendo indenizao aos proprietrios dereas de preservao permanente.10. Perodo de Defeso.Foi ponderada a necessidade de ser respeitado o perodo dedefeso. Realizar a pesca dentro da lei e de continuar avanando naformao da conscincia ambiental dos pescadores. Ponderou-sea necessidade de respeitar o perodo de defeso no rio Uruguai,que passou, por lei federal, de 03 para 04 meses. Em vriasaudincias ressaltou-se a necessidade de o Ibama definirobjetivamente qual o calendrio dos perodos de pesca autorizadae conseqente perodo de defeso. Com a definio do perodo dedefeso os trabalhadores passam a ter direito ao seguro-desemprego e isto precisa ser agilizado o mais depressa possvel.Sada do rio Mampituba motiva preocupao dos pescadores.12 - Arecifes Artificiais.Em algumas audincias abordou-se a necessidade deestudar a criao de arecifes artificiais que teriam a funo dedificultar os arrastes dos grandes barcos e serviriam de criatriospara os peixes. Estes arrecifes colocados na entrada da barra deRio Grande, Manpituba e Tramanda, dificultariam a atuao degrandes barcos.Encaminhamento: O tema objeto de providncias departe do Ibama, rgos de pesquisa e universidades.14Gachos querem universidades orientando economia pesqueira.12 Pesquisa sobre pesca.Nas audincias ficou visvel a necessidade de recomendarao Ministrio da Aquicultura e Pesca e s Universidades maisinvestimentos em pesquisas voltadas para a aquicultura e pesca.Entendendo que o setor responde pelo envolvimento de milharesde famlias, representando uma atividade de grande alcancesocial, urge que a academia passe a pautar a questo da pesca, notocante a pesquisas que venham a preservar e incentivar a criaode peixes, apoio a formas de comercializao e industrializao,bem como avaliao dos mtodos e tcnicas de captura.Programas Educativos para os pescadores, sobre asquestes ambientais, legislao, direitos e deveres, direitos sociaise organizao da cadeia produtiva da pesca tambm foramapontados como necessidades.Na cultura do camaro, necessita-se desenvolver pesquisaspara que a cada ano se possa definir com mais clareza o perodode incio e fim da pesca do camaro.13 RS/Pesca.A secretaria executiva do RS/Rural, orientou que osprojetos que pleiteiam recursos pblicos para desenvolver a pescaem 2003, fossem elaborados de forma coletiva, atravs de15associaes. O fato desagradou alguns pescadores como os deJaguaro que reivindicam o direito de utilizar os financiamentospara aquisio de material suas redes de forma individual e feitonos moldes dos anos anteriores. Argumentam tambm, que aaquisio de barcos, pelo processo coletivo, gera dificuldades nomomento de registrar a embarcao junto a Marinha, que exigeidentificao individual de propriedade do barco.No municpio de Pelotas e Rio Grande, at a data daaudincia pblica, em 11 de novembro de 2003, o RS/Pesca 2002,ainda no tinha sido liberado. J em Irai, os pescadores nuncativeram acesso ao RS/Pesca, informaram os pescadores.14 - Lagoa Mirim.Os pescadores de Pelotas pleiteando a necessidade deliberao da pesca na Lagoa Mirim para todos os pescadores eno s para os pescadores do entorno da Lagoa. Na mesmaaudincia, manifestaes de pescadores solicitaram ao IBAMAque no libere a malha 40, para a pesca na Lagoa.16 Pronaf/Pesca. Os pescadores reivindicam a desburocratizao doPrograma Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar Pronaf/Pesca, que faz os pescadores no terem acesso em face dadocumentao exigida pelas agncias bancrias. Na audincia deIrai, pescadores informaram que os recursos do Pronaf/Pesca noesto sendo utilizados pelos pescadores.15. Dragagem e Extenso Pesqueira.Os pescadores de Rio Grande solicitaram a ampliao equalificao dos trabalhos de extenso pesqueira junto acomunidade de pescadores, por parte do Ibama, Emater eUniversidades.Encaminhamento: todas as medidas mitigatrias doimpacto de dragagem relativas rea do Porto organizado de RioGrande consideraram as demandas dos pescadores artesanaisprofissionais da regio. Questes como o perodo de dragagemrelativo ao perodo de entrada de larva ao esturio, bem comogarantias de manuteno da qualidade da gua durante a operaode dragagem esto sendo acompanhadas pelo Ibama que realizapermanente monitoramento ambiental do processo de dragagem.1616 Educao.Repicante em vrias audincias, o tema da educao, natica da alfabetizao foi bastante ressaltado. Os pescadoresreivindicam programas de alfabetizao de pescadores e suasfamlias. Inclui, tambm, o desenvolvimento de aes devalorizao dos pescadores.Encaminhamento: um convnio entre a Secretaria Especialde Aquicultura e Pesca com a Companhia de Gerao Trmica deEnergia Eltrica CGTEE, prevendo a alfabetizao de 300pescadores artesanais que residem nos municpios de SantaVitria do Palmar, Rio Grande, So Jos do Norte e Pelotas.17 guas de barragens.Uma polmica foi levantada nas audincias sobre o limitede uso das guas de barragens e reservatrios construdosespecialmente para gerar energia eltrica. As empresasexploradoras da gerao de energia, reivindicam uso exclusivo eprivado das guas e impedem a presena de pessoas nocredenciadas pelas empresas para efetuar a pesca nestes locais. Ospescadores, por sua parte, entendem que as guas das grandesusinas hidroeltricas devem ter uso social e possibilitar o acesso atodos. Argumentam que o direito de uso das guas para gerarenergia se limita s dependncias da usina propriamente dita eno em todo o esturio que deve permanecer para uso mltiplo.Como existe a responsabilidade compartilhada dos proprietriosque perderam as terras pelas guas, responsveis pela preservaoda mata ciliar e da biovida que circunda a barragem, deve aempresa exploradora da gerao de energia possibilitar o uso doesturio para navegao, pesca, prticas de turismo sem pagarnada por isso. Outro argumento apontado pelos pescadores o deque o rio, mesmo que seja interrompido por uma barragem,continua de propriedade da Unio, atravs da administrao daMarinha do Brasil.18. Ameaas de morte em Irai.A audincia realizada em Irai, alguns pontos foramressaltados pelos participantes. Uma liderana dos pescadoresdenunciou que foi ameaada de morte, por telefone, porempresrio local por estar efetuando pesca em rea de barragem.17Diante do relato, foi sugerido que a mesma realizasse suadenncia nos rgos policiais locais para a devida apurao.Na mesma audincia, alguns pescadores reclamaram daausncia de orientao tcnica qualificada, da falta deorganizao dos pescadores e da falta de industrializao dopescado, que poderia agregar valor e emprego na regio. Sobre aCooperativa de Comercializao de Peixe Coopeixe, houve areclamao generalizada de que a cooperativa est colocando osagricultores nos cadastros de servios de proteo ao crdito, sobo argumento de que alguns associados no subscreveram asquotas-partes devidas.Houveram manifestaes pedindo a criao do Comit deGerenciamento da Bacia do Rio da Vrzea na bacia desmembradado rio Passo Fundo e da criao do frum do rio Uruguai.Concluses. inestimvel o resultado da mobilizao produzida pelotrabalho da presente subcomisso. Entre as aes pontuais,podemos destacar: compreenso da atividade, limites epossibilidades, por parte dos trabalhadores envolvidos; estudos eencaminhamentos que culminaram com aes de infra-estruturacomo dragagens em rios e esturios; orientaes eesclarecimentos relativos a direitos e benefcios sociais categoria; aproximao dos rgos pblicos de nvel municipal,estadual e federal e privados que se relacionam com a pesca;compreenso da importncia da atividade pesqueira e seusbenefcios sociais no processo de gerao de emprego e renda;fortalecimento das organizaes dos pescadores; ampliao donmero de carteiras profissionais; ampliao do perodo de defesode trs para quatro meses.18Anexos19ANEXO IRelatrio completo da audincia daSubcomisso Mista de Pesca e Aquicultura,realizada em Imb, RS, em 24 de outubro de 2003. SR. MESTRE-DE-CERIMNIAS Boa-tarde! Em nomeda Subcomisso Mista de Pesca e Aqicultura, damos as boas-vindas a todos.Damos incio audincia pblica da Subcomisso Mista daPesca e Aqicultura, constituda pela Comisso de Agricultura,Pecuria e Cooperativismo em parceria com a Comisso deEconomia e Desenvolvimento da Assemblia Legislativa, que tempor objetivo oportunizar comunidade pesqueira informaes eesclarecimentos, bem como propor solues s instituiesfederais, estaduais e municipais que tm vnculo com a cadeiaprodutiva da pesca.Convidamos para compor a Mesa dos trabalhos: o DeputadoDionilso Marcon, proponente e Relator desta Subcomisso; oVice-Prefeito de Torres, Sr. Cludio Dorneles Marinho; oDelegado do Ministrio da Pesca no Rio Grande do Sul, Sr. JooDias; o Deputado Janir Branco, membro desta Subcomisso; orepresentante da Secretaria de Estado da Agricultura eAbastecimento, Sr. Marcos Palombini; o Presidente da CmaraMunicipal de Torres, Sr. Joo Alberto Machado Cardoso; aVereadora Nivia Pinto Pereira, de Torres, tambm proponente eparceira desta audincia pblica; o Presidente do Sindicato dosPescadores, Sr. Miguel Batista da Silva, tambm anfitrio desteencontro; o Presidente da Z-18, colnia de pescadores de Passo deTorres, Santa Catarina, Sr. Adriano Delfino; o Presidente doCorede do Litoral Norte, Sr. Heraclides Magin; o representante daUnivar, Faculdade de Itaja, Santa Catarina, Sr. WilliamGuimares.20Convido a Vereadora Nivia Pinto Pereira para me auxiliar noprotocolo, fazendo depois a citao das demais autoridadespresentes em nossa audincia pblica. medida que chegarem as demais autoridades, ns asconvidaremos para compor a Mesa.Esta audincia pblica apresenta a seguinte programaopara o dia de hoje: uma breve saudao dos Deputados integrantesda Subcomisso e das autoridades municipais; apresentao dediagnstico da situao do setor pesqueiro da Regio, feita peloescritrio da Emater aqui de Torres; abertura da palavra aoplenrio, pescadores e demais envolvidos na cadeia da pesca;manifestao dos rgos pblicos municipais, estaduais e federais;encaminhamentos; encerramento.Convido a todos os presentes para, de p, ouvirmos o HinoRio-Grandense.(Ouve-se o Hino Rio-Grandense.)O SR. JOO EDGAR PRETTO Convido para fazer parteda Mesa o Supervisor da Emater do Rio Grande do Sul, Sr. FbioMartins Costa; o Deputado Federal Ado Pretto, que, nestaaudincia, representa a Comisso de Agricultura da CmaraFederal; o Deputado Estadual Ciro Simoni, colaborador da nossaSubcomisso.Vou pedir para a Vereadora Nivia para fazer a citao dasdemais autoridades presentes.A SRA. NIVIA PINTO PEREIRA Boa tarde a todos. uma tarde muito especial para a comunidade de Torres,pois nos reunimos para discutir algumas questes relacionadas aosetor pesqueiro da nossa Cidade e tambm do Estado do RioGrande do Sul.21Primeiramente gostaramos de agradecer a todos. No porque nominamos uns ou outros que uns so menos importantesque os outros, mas por uma questo de protocolo.Cabe-nos anunciar as demais autoridades aqui presentes.Michele Rosa da Rosa, representante do Secretrio da Agricultura,Sr. Ernando Elias, da Prefeitura Municipal de Torres; Sr. RemuJohn, da Onda Verde; Lus Antnio de Farias, suplente deDeputado do Estado de Santa Catarina; Pedro Loureno CostaLunga, Presidente da Sociedade dos Amigos da Praia Real, aqui deTorres; Jos Vargas Peres, que o gerente da Apsate; Sr. GibraltarPedro Vidal, que Inspetor-Chefe do Crea/Torres; Major AntnioEusebi Emerim, Comandante da Brigada Militar aqui de Torres;Atauau Calumerts, que o Presidente do Sindiloja de Torres; JosValdeli Scheffer, Secretrio da Agricultura da Prefeitura Municipalde Terra de Areia; Juarez dos Santos Martins, que o Diretor-Financeiro do CDL/Torres; Jairo Luiz dos Santos Matos, que tambm um representante da Apsate; Sr. Renato Corte Real, daOnda Verde e atual Administrador do Parque Estadual da Itapeva,recm criada, Vereador de Torres, Volnei Rodrigues da Silva;Osmari Daits Bauer, representante da Secretaria Municipal deEducao de Torres; Vereador Dirceu Gonalves Selau, doMunicpio de Mampituba; o nosso Secretrio Municipal de Obras,Sr. Manuel de Mattos Monteiro; Valmira de Medeiros, Presidenteda Associao do Bairro So Jorge; Vicente Paulo Cardoso deOliveira, representante do escritrio do Irga, da nossa cidade;Flvio Kaur Souto, oceangrafo do Grupo de Estudos Pesqueirosda Univale; Dirceu Pedro Barbosa, dirigente do MPPA de Imb;Srgio Pacheco, Presidente do PSB de Torres; Joaquim RochaMello, membro da executiva do Partido dos Trabalhadores de DomPedro de Alcantara; Sr. Nabor Guazzeli, representando a OndaVerde; Vladimir Rosa Porto, membro da Associao dosPescadores do Bairro Salinas; muito especialmente o Sr. LuizKremer, atual Secretrio Municipal do Planejamento do Municpiode Torres; Vereador Guilhereme Jueto Raups, da CmaraMunicipal de Vereadores de Torres; Sr. Rubem Kras Borges,tambm do Conselho Fiscal do Sindiloja.O SR. JOO EDGAR PRETTO Queremos fazer umasaudao especial Rdio Comunitria Ondas do Mar, atravs do22seu coordenador, Sr. Nilson Lo, que est aqui, transmitindo aovivo.Saudamos os ouvintes da Rdio Ondas do Mar.Passamos, neste momento, a palavra ao Deputado DionilsoMarcon, que vai coordenar os trabalhos na tarde de hoje.O SR. RELATOR DIONILSO MARCON (PT) Queremossaudar todos os participantes, Senhores e Senhoras presentes.Quero dizer que a Subcomisso da Pesca tem o objetivo dediscutir a questo pesqueira no Estado do Rio Grande do Sul.No dia de hoje, 24 de outubro, sexta-feira, a primeiraaudincia pblica que temos.Fazem parte desta Comisso so os seguintes Deputados:Luis Fernando Schmidt, Paulo Azeredo, Ronaldo Zlke, JanirBranco e Ciro Simoni. Abrindo os trabalhos, sado a todos quefazem parte da Mesa.O objetivo desta Comisso, no final dos trabalhos, fazerum relatrio para ser discutido junto Assemblia Legislativa,com os Deputados e os Poderes Estadual e Federal para fazer osencaminhamentos necessrios.Sabemos que no poderemos resolver os problemas na suatotalidade, talvez se consiga resolver uns 10 a 20%, mas temos quecomear a trabalhar algumas questes que, hoje, penalizam o nossopescador profissional aqui no Rio Grande do Sul. Esse um dosobjetivos.Quando fizemos o pedido dessa Subcomisso, o nossointuito era apresentar ao Governo Federal, que criou umaSecretaria Especial da Pesca, e ao Governo do Estado, que tem umdepartamento dentro da Secretaria da Agricultura, para discutir aquesto pesqueira em nosso Estado.Alm de discutirmos poltica e os problemas do dia a dia,queremos ir resolvendo o que possvel. E tambm, em nome do23Movimento dos Pequenos Pescadores do Rio Grande do Sul,discutir a questo da valorizao da mulher pescadora que no reconhecida at hoje.Agora, iniciando os trabalhos, os componentes da Mesa sepronunciaro de 2 a 3 minutos, no mximo, a Emater far umaexplanao de 10 minutos da situao pesqueira no Municpio daregio.Vocs devem estar percebendo que aqui na Mesa, alm doPresidente do Sindicato de Torres, est presente o Presidente doSindicato dos Pescadores do Passo de Torres, que pertence a SantaCatarina.Esta uma Audincia Pblica mesclada entre os gachos eos catarinenses, pois os mesmos problemas que ns sofremos, aquino Rio Grande do Sul, atingem a eles tambm, em Santa Catarina.Nesta programao, o Presidente do Sindicato far aabertura, as entidades se manifestaro, a Emater far uma breveexplanao e o pblico poder falar. Aps, o Estado e a Unio,presentes com o representante do Ministrio da Pesca, Sr. JooDias, e do Secretrio Adjunto da Secretaria da Agricultura, oCoordenador Marcos Palombini, tambm se manifestaro.Tambm foram convidados, mas ainda no se encontrempresentes, o Ministrio do Meio Ambiente, Ceclia Hiplito, e aPatran.Ouviremos a palavra do Presidente do Sindicato, o Sr.Miguel Batista da Silva.O SR. MIGUEL BATISTA DA SILVA Boa-tarde a todos.Fui Relator junto com o Deputado Ciro Simoni na Subcomisso dePesca da Assemblia Legislativa representando o Litoral Norte.Tenho orgulho, Sr. Deputado, de representar o Sindicato dosPescadores de Torres, o Litoral Norte e o Passo de Torres.A pedido dos pescadores entregarei a V. Exa. um documentocontendo leis, para que seja entregue Dra. Ceclia Hypolito, quej integrou esta Subcomisso, porque no est sendo observado o24abono desemprego. No sei porque no saiu a Portaria n 48 estaqui documentado, foi pedido.Portanto, como V. Exa. amigo da Dra. Cecilia Hypolito,assim como eu, vou entregar-lhe esse documento a fim de que essaquesto seja resolvida com urgncia. A pesquisa tem de ser feita,mas no vieram desde 11 de junho de 2003. Neste documentoesto as leis aprovadas pela Assemblia Legislativa, que, creio, sodo conhecimento de V. Exa., e as portarias do Estado do RioGrande do Sul, no qual esto includos o rio Mampituba e aslagoas.Sobre a pesca predatria algum depois falar a respeito ,tenho a dizer que esto roubando o nosso peixe. Os barcos piratasvm de Laguna, de Itaja, de Rio Grande para pescar o nosso peixe,na nossa costa, largando os alevinos na praia.Depois o presidente da colnia de pescadores mostrar umvdeo, que peo aos Senhores da Comisso seja levado para oSecretrio Jos Fritsch. Os molhes de Torres esto matando gente!Quarenta e duas pessoas j morreram! Queremos um adiantamentodos molhes norte e sul, porque o nosso pescador fica olhando osbarcos piratas fazerem arrasto e no pode sair naqueles molhes. Eno custa muito dinheiro, no. Faz seis anos que entreguei opedido, na ULBRA, ao ento Ministro dos Transportes EliseuPadilha. Estive em Braslia, junto com o prefeito, onde ouvi que opeixe maior come o menor.O pescador est passando fome. Se no sarem esses molhes,continuaremos nessa situao. Ento, peo aos Senhores, ao Joo,que meu amigo, que levem esses dados ao Secretrio Jos Fritschcom urgncia, porque j estou cansado de mandar documentos.Este aqui novo, vamos ver. No conheo o Secretrio, mas aSubcomisso da Pesca tem poderes para levar diretamente a ele e Ministra do Meio Ambiente, em Braslia. Muito obrigado.O SR. RELATOR DIONILSO MARCON (PT) AVereadora Nivia Pinto Pereira pleiteou uma audincia pblica emnome da Cmara de Vereadores de Torres. Fizemos esta parceria edesejamos boas-vindas aos Senhores e as Senhoras.25Concedo a palavra Vereadora Nivia Pinto Pereira.A SRA. NIVIA PINTO PEREIRA Obrigado, Deputado.Inicialmente, registro a presena do Sr. Nlson Adams Filho,dos jornal Gazeta e rdio Atlntico Sul-FM, e da Sra.Representante da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, SlviaZimermann.Como disse o Sr. Miguel, Presidente do Sindicato dosPescadores de Torres, muitos pescadores esto realmente passandofome. Exatamente por essa razo que ns, representando aCmara Municipal de Vereadores, passamos a pleitear a partir demaio deste ano, junto Secretaria Especial da Aqicultura e Pesca,uma audincia pblica na cidade de Torres para discutirmos aquesto de passar fome do nosso pequeno pescador, muitoespecialmente do pescador artesanal que recentemente adquiriu umgrande barco. No que o grande barqueiro no tenha o seu valorporque tambm gera renda e tambm gera emprego. claro queele tambm tem o seu valor, mas queremos trazer essa discusso nossa cidade.Depois do nosso encaminhamento junto SecretariaEspecial de Aqicultura no Ministrio Federal, recebemos a notciade que teramos a parceria da Assemblia Legislativa do Estado doRio Grande do Sul, onde tambm havia sido criada a Subcomissopara discutir a questo da pesca no Estado do Rio Grande do Sul.Chamamos juntamente conosco, alm da Assemblia Legislativa, oMinistrio da Pesca e toda a Cmara Municipal de Vereadores paraque possamos, a partir de hoje, construir uma parceria slida.Organizamos grupos de trabalho para que possamos dar incio aosencaminhamentos que venham solucionar muitos problemas queacreditamos que so possveis de resolver, iniciando pelaorganizao dos nossos pescadores e pela maior eficcia dessesetor.S para os Senhores terem idia, no Brasil, hoje produzimosapenas 985 mil toneladas de peixe/ano. E essa discusso ocorre apartir da infra-estrutura criada no Ministrio Federal, bem como a26partir debates como estes com que hoje estamos sendoprivilegiados. Esta a primeira audincia que est sendoalavancada a partir da cidade de Torres.Assim conseguiremos dobrar a produo de pescado nestePas, o que vai gerar em torno de 150 mil novos empregos. Paraque isso acontea, precisamos que todos nos organizemos eabramos uma parceria to necessria. Por essa razo, o dia de hoje muito especial para ns. Agradecemos muito mais os pescadoresque nos vieram prestigiar e, se vieram, porque acreditam queexiste alguma possibilidade para resolvermos ou comearmos aresolver alguns dos problemas do setor.Agradecemos o Sr. Miguel pela cedncia do espao, a toda aassessoria que a Cmara Municipal de Vereadores, na pessoa doVereador Joo Alberto, tem dado para a realizao desta audincia.No fosse por isso no teramos toda a estrutura que temos hoje,mas peo desculpas pelo calor. Infelizmente, est meio quente,mas, com certeza, o nosso objetivo vai superar o calor desta tarde.Muito obrigada.O SR. RELATOR DIONILSO MARCON (PT) Agradeoa presena do Sargento Justo que est representando a Patran.Concedo a palavra ao Presidente da Cmara de Vereadores deTorres, Sr. Joo Alberto Machado. Aproveito para agradecer aparceria da Cmara de Vereadores, que ps sua estrutura nossadisposio.O SR. JOO ALBERTO MACHADO Sado asautoridades j nominadas que constituem a Mesa, bem como asociedade civil e os pescadores.Destaco a importncia deste evento quando temos a presenade representantes dos Governos Federal, Estadual e Municipal, quesentam em torno de uma mesa para discutirmos os problemas. OSr. Miguel Batista da Silva apontou, de imediato, algunsproblemas, Srs. Deputados.Temos o problema de prolongamento do molhe e doassoreamento da barra. Quando o mar engrossa um pouquinho, ospescadores no podem sair. Com a qualidade das autoridades desta27Mesa, da sociedade civil que aqui est e principalmente ouvindo ospescadores presentes, tenho certeza de que teremosencaminhamentos muito importantes. Principalmente no fiquemosapenas em encaminhamentos e passemos para a ao porque ointuito da Cmara de Vereadores e dos Governos Estadual eFederal que defendamos o pequeno pescador. As barcas do maresde fora do grande barqueiro tm a fiscalizao do meu amigoJusto. Enfim, todo o setor merece ser discutido e principalmenteque eles interajam para dizer o que pensam. A Cmara deVereadores do Municpio de Torres est inteira disposio daSubcomisso e tambm dos pescadores. Muito obrigado.O SR. RELATOR DIONILSO MARCON (PT) Passo apalavra ao representante do Prefeito Municipal, o Vice-Prefeito deTorres, Sr. Cludio Marinho.O SR. CLUDIO MARINHO Sado todos os presentes,principalmente as autoridades. Dou boas-vindas a todos osrepresentantes de entidades que esto compartilhando conosconesta audincia pblica. Em Torres, j vimos reuniessemelhantes, mas tenho certeza, talvez por ser um otimista, de quereunies como esta daro frutos no s pela representatividade mastambm pela boa vontade daqueles que compartilham conosco paraque haja realmente uma identificao para melhoramento dasatividades pesqueiras de nosso Municpio e de Municpioscircunvizinhos. Torres pratica uma pesca predatria, como j disseo Presidente Miguel, mas simplesmente pouco se tem feito.O que devemos fazer hoje? Creio que preciso que saiadaqui um documento de lealdade e de princpios para que osnossos pescadores sejam assistidos. Na verdade, j esto sendoatendidos pela Emater, mas que saiam daqui com mais algumacoisa na parte social e cultural, quer sejam programas dealfabetizao, quer sejam programas de conhecimento, mas noestamos pedindo simplesmente que nos dem alguma coisa, masestamos pedindo, em nome dos pescadores, que nos demcondies para trabalhar. Foram feitas reivindicaes pelo Sr.Miguel e pelo Presidente da Cmara. Esta a sada para o mar.Assim, ns pescadores, poderemos sair para buscar trabalho esustentar nossas famlias.28Agradecemos, dizendo que Torres est espera de ummovimento que nos possibilite, amanh, colher os frutos.Obrigado.O SR. RELATOR DIONILSO MARCON (PT) ObrigadoVice-Prefeito Municipal, Sr. Cludio Marinho. A palavra est disposio do Deputado Estadual Ciro Simoni, conhecedor dasituao desta regio.O SR. CIRO SIMONI (PDT) Boa tarde Mesa, na pessoado Deputado Coordenador, demais autoridades e, especialmente,pescadores presentes.O objetivo desta Comisso, obviamente, ouvi-los, levantarseus problemas e necessidades, e ver o que pode ser feito.H muitos anos participamos de encontros como estes esempre ouvimos falar no alongamento dos molhes da Barra deTorres. Infelizmente, esta que talvez seja a questo fundamentalpara o trabalho dos nossos pescadores at hoje no foi resolvida.Precisamos, de fato, sentir o que aqui est acontecendo.Andaremos por todo o litoral do Rio Grande do Sul. Podem tercerteza de que levaremos em conta essa queixa fundamentalporque a inviabilidade de poder chegar ao mar que causadificuldades aos pescadores. O Dr. Palombini hoje orepresentante da Secretaria da Agricultura nesta rea.Talvez esta no seja uma obra estadual mas sabemos da suaimportncia e do envolvimento da Assemblia Legislativa, doGoverno do Estado, das lideranas aqui de Torres, do ConselhoRegional de Desenvolvimento e de todos ns para que possamosfazer algo objetivo e concreto.O Sr. Miguel, h 6 ou 7 anos j colocava essa questo. Ouvia colocao que fez, especialmente ao Ministro, em outraoportunidade. Infelizmente, ns no conseguimos resolver estaque, talvez, seja a principal questo.29Muitas outras precisam ser resolvidas, como a necessidadede melhores condies de equipamento e financiamento, mas semesta primeira delas continuaremos discutindo sem chegar anada.Devemos iniciar um movimento forte, quem sabe,envolvendo o Governador do Estado, a prpria Secretaria daAgricultura, cujo Secretrio uma pessoa aberta discusso pararesolver estas questes.Est aqui um Deputado Federal, da Comisso deAgricultura, que vem lutando h anos na Cmara Federal e sabecomo so as questes oramentrias. Se no tivermos condies deinserir no Oramento Federal recursos para isto, continuaremosfalando e brigando porque uma obra que, mesmo no sendomuito cara, tem um custo que precisa ser orado.Penso que podemos iniciar este trabalho, com a certeza dacontribuio dos Deputados Federais e Senadores no sentido deuma mobilizao mais efetiva, forte e objetiva.Aqui viemos principalmente para ouvir esta e outrasquestes. uma satisfao para ns, Deputados da AssembliaLegislativa, estarmos aqui, oportunizando este encontro e podendoouvi-los, quem sabe poder ajud-los na soluo dos seusproblemas. Obrigado.O SR. RELATOR DIONILSO MARCON (PT) Obrigado,Deputado Ciro Simoni.Passamos a palavra ao Deputado Janir Branco, integrantedesta Subcomisso, tambm conhecedor dessa questo pesqueirano Rio Grande do Sul.O SR. JANIR BRANCO (PMDB) Boa tarde a todos,cumprimento o Deputado Dionilso Marcon, demais integrantes damesa, em especial o Sr. Miguel que nos acolhe, aqui, para quepossamos debater sobre a pesca.30 uma satisfao debater com os pescadores, ns que viemosde Rio Grande, temos uma distncia aparentemente longa, mas osproblemas so muito parecidos, tendo em vista que a luta dospescadores de longa data. importante que a Assemblia Legislativa esteja ouvindo eesse acredito que seja o seu principal objetivo, por isso constituiu aSubcomisso da Pesca, no sentido de ouvirmos os pescadores, assuas principais lideranas, ouvirmos tambm o Governo do Estado,tenho acompanhado o Dr. Paulo Olmpio por diversos municpios,procuramos debater e conversar com as nossas lideranas, com osnossos pescadores, estamos conversando muito com o Tenente-Coronel Alves, do Patrulhamento Ambiental, hoje, aqui,representado pelo Sargento Justo.Entendemos que temos os nossos direitos e os nossosdeveres e nesse aspecto conversamos com o Ibama, a Patran, aBrigada Militar bem como com o Ministrio do Trabalho, com oprprio INSS, com a Secretaria Especial da Pesca e Agricultura,por ns elogiada quando da sua criao, sendo tambm criada aSecretaria Nacional da Pesca por parte do Presidente Lula,possibilitando-nos levar aos nossos pescadores mais alternativas eoportunidades, principalmente no que tange s questes das linhasde crditos com juros subsidiados, questo do leo diesel, questo fundamental da definio de uma poltica pesqueira comdefinio de datas para a captura do pescado e do camaro. importante que a Unio, o Governo do Estado, asentidades e as Assemblias Legislativas dos Estados tambmpossam entrar nessa discusso, que j vem sendo feita h um bomtempo, bem como a prpria Cmara Federal, aqui representadapelo Deputado Ado Pretto, acho que importante estarmos emTorres, hoje, e ouvirmos vocs a fim de unirmos os dados naSubcomisso da Pesca da Assemblia Legislativa e tambm,juntos, possamos buscar novos horizontes, novas linhas positivaspara os nossos pescadores.Nesse sentido faz-se necessria a nossa participao,acredito que quem sai vitorioso com essa discusso, com aampliao dos debates so os nossos pescadores.31O SR. RELATOR DIONILSO MARCON (PT) Obrigado,Deputado Janir Branco.Passo a palavra ao representante da Comisso de Agriculturada Cmara dos Deputados, Deputado Federal Ado Pretto.O SR. ADO PRETTO Boa tarde a todos oscompanheiros e companheiras, cumprimento a mesa na pessoa doDeputado Dionilso Marcon.Acho que temos que conceder mais espao para oscompanheiros falarem, se somente a mesa se manifestar, acabavirando um comcio e no viemos aqui para isso, mas paratrabalhar.Quero dizer que estamos recordando os velhos tempos,revendo velhos amigos do Mampituba, o Joo Pedro Alcntara, oPaulo Ambile, ele era Secretrio de Agricultura e eu, DeputadoEstadual do Governo Pedro Simon, naquele tempo o Paulo tinhacabelos pretos e eu era bem mais magro, enfim todos vocs queesto aqui ns j nos conhecemos h muito tempo.Assim como o senhor presidente do Sindicato dosPescadores, eu fui presidente do Sindicato dos TrabalhadoresRurais e no entendamos muito a respeito de pesca.No ano 2001 eu fui relator do projeto que regulamenta apesca no Brasil, proporcionei grandes debates em todo o pas, nacosta brasileira, porque eu queria fazer um projeto que no fossedo Ado Pretto, mas dos pescadores e para os pescadores,principalmente da pesca artesanal, a que comeamos a conhecer adificuldade do pescador, como essa gente sofre e o quanto eramignorados pelas autoridades.Ningum lembrava dos pescadores que, naquela poca, jreclamavam para mim que tinham pescado peixinhos de tamanhomenor do que o permitido, por isso estavam sem financiamentos,sendo multados. Mostraram-nos, em Rio Grande, um navio32pesqueiro que vinha da China, fazendo arrasto e levando delambari para cima.O Ibama e o Governo faziam de conta que no viam, mas, onosso pescador, se pegasse um peixinho fora do limite, eramultado. E a mulher pescadora que uma batalhadora e quetrabalha ao lado do marido, nem sequer tem direito Previdncia.Trata-se de pessoa que para a Previdncia no existe. Vejam que onosso pescador no est num mar de rosas.Como j foi dito, tem pescador passando fome, mesmo comque algumas coisas j tenham sido feitas. O Governo Olvio Dutra,por exemplo, liberou o RS Pesca para o pescador poder comprarrede, freezer ou reformar o barco. Agora o Presidente Lula criou oMinistrio da Pesca, tal a preocupao com essa categoria.Entre os dias trs e nove de novembro vai haver um encontronacional de pescadores. Em Braslia, temos a Frente Parlamentarem Defesa da Pesca, e estamos pleiteando para que o projeto que oPresidente Lula mandou para a Cmara, regulamentando a questodo seguro desemprego, seja colocado em pauta e votado durante operodo em que os Senhores vo estar em Braslia. Queremos que oGoverno sancione ainda neste ano para que volte a vigorardefinitivamente o seguro desemprego para o pescador a partir doprximo ano.Trago uma notcia boa de Braslia: neste ms foi aprovadoum projeto de minha autoria na Comisso de Agricultura. Aindavai a plenrio, mas a expectativa que temos de que seja aprovadoporque na comisso foi aprovado por unanimidade, todos ospartidos votaram a favor. Trata-se de um projeto para beneficiar osagricultores e os pescadores.Os Senhores sabem que um taxista quando compra um carropaga s a metade do seu valor porque, na verdade, metade do preo composto de impostos. O Governo retira todo o imposto do txiporque o taxista no compra para passeio, compra para trabalhar.O nosso projeto prope que o agricultor e as pessoas queprecisam realmente de uma camioneta ou de um caminhozinho33com at cinco toneladas para trabalhar possam adquiri-los nessascondies, pagando a metade do preo.Meu ilustre Deputado, o Oramento da Unio est sendorepartido assim como um casal pobre que tem bastante filhosarruma a mesa e divide a pouca comida de maneira que ningumsaia logrado.Desse minguado oramento, o Presidente Lula j anunciou,no ms de julho sair a fatia dos pescadores. Ser o RS Pesca paraque o pescador possa obter o seu financiamento.Ainda assim so poucos os recursos. Temos que ampliar anossa mesada, e isso s tem um jeito, vamos ter que mexer nocofre do FMI porque nenhum governo at hoje disse que a favordo pagamento da dvida externa, mas ningum teve coragem demexer nisso.Ns, do Partido dos Trabalhadores no conseguimos colocarno nosso plano de Governo, o que queramos: o rompimento com oFMI e a suspenso do pagamento da dvida externa. A prpriadireo do nosso partido disse que seria loucura mexer nisso.Ento, meus companheiros, quem vai mudar isso? Vamos terque ser ns mesmos. Este Governo, claro, que no vai fazer orompimento, mas vai dar amparo para que nos mobilizemos.Vamos ter que fazer uma mobilizao, assim como foi feito pelaseleies diretas, na poca da ditadura militar, que o povo saiu paraa rua e se abriu a possibilidade do povo escolher seus governantespor meio do voto. Assim ter que ser a campanha para o nopagamento da dvida externa. No vamos negar a conta, masvamos, de incio, limitar o valor a ser pago, porque tudo aquilo queo governo tem de oramento no chega a ser a metade da nossariqueza arrecadada, mais da metade vai para pagar a despesa dadvida.Imaginem se diminuirmos 10% desse valor vamos terrecursos para realizar todos as questes sociais que o nosso povoprecisa, mas para isso necessrio uma campanha muito corajosade cada um de ns. Muito obrigado.34O SR. RELATOR DIONILSO MARCON (PT) Concedo apalavra ao Sr. Flvio Elter, do escritrio da Emater de Torres.O SR. FLVIO ELTER Inicialmente, sado todas asautoridades.Vou apresentar o que foi iniciado no ano 2000 com o RSRural/Pesca. O Programa j existia com agricultores familiares eno ano 2000 iniciou no Municpio de Torres com a pesca artesanal.A partir da, fizemos um levantamento do que existe hoje aqui: onmero de pescadores que vivem praticamente da atividadepesqueira, no Municpio de Torres, em torno de 500 a 600.Praticamente h trs tipos de pescadores: de lagoas e rios,pescadores de praias e os pescadores embarcados. No caso dospescadores de rios e lagoas o principal pescado so a tainha, vriospeixes de gua doce e o camaro na lagoa de Sombrio. Utilizamcarretilha, linha de mo, rede, tarrafa, coca, na pesca do siri. Nocaso dos pescadores de praia, os principais produtos pescados:papa terra, viola, pampo, cao, arraia, miraguaia, peixe rei etambm existe grande nmero de pescadores que vivemcomercializando iscas, no caso minhocas, tatura e marisco. Osequipamentos utilizados so carretilha, espinhel, rede de caceia, erede de calo.No caso dos pescadores embarcados, que, em termospescadores embarcados, que, em termos de volume de pescados, o que ns mais temos, 100% desse pessoal trabalha comissionado.H os donos de barcos e h a populao que divide o pescado. Asprincipais safras so a da corvina, anchova, cao, abrtea epescada. Os equipamentos so redes de 6 milhas ou maiores.Entre Torres e Passo de Torres, temos mais de 30embarcaes. No foi possvel conseguir esse nmero exatoporque existem grandes divergncias. Seguramente, maior de trintao nmero de grandes barcos, que esto aportados na nossa Regio.Esses barcos tm uma capacidade de 10 a 30 toneladas de pescado.35A comercializao, no caso, do produto dos pescadores dosrios e das lagoas, praticamente feito na praia. No vero, essespescadores praticamente no tm problema com a comercializaodo produto deles. Porque geralmente, no caso, da praia, quandoesto tirando as redes, j existem os consumidores que estocomprando o produto deles. Tambm eles abastecem muitos evrios hotis e restaurantes. No vero, esses pescadores conseguemum valor bem mais elevado.O grande problema no inverno, porque eles tm poucacapacidade para armazenar os produtos, eles praticamente nopescam. O volume de pescado grande no inverno, eles nopescam porque no tem onde colocar esse produto. J tivemos umaconversa com vrios deles.Os pescadores tm os freezer de pequena capacidade, e estesfreezer esto lotados. Ento, eles no pescam, porque no tem ondearmazenar este produto.No caso, do pescador embarcado normalmente o acerto de50% para o dono do barco e de 50% para a tripulao. Isso tambm dividido entre receita e despesa. S que o preoconseguido pelo pescado bem menor, porque geralmente o donodo barco compra toda a produo e esse peixe o pescador entregaconforme a safra de 0,70 centavos a 1 real e 20 centavos o quilo,so peixes nobres, peixes que realmente so para fazer fil. Ento,o grande problema, s vezes, no o volume de pescada, mas, sim,o preo conseguido.No caso, como j havamos dito, comeamos o trabalho noMunicpio de Torres com pescadores no ano de 2000. No ano de2001, foi feito o primeiro Projeto RS Rural, que por definiodos pescadores optaram por uma construo de um centrocomunitrio que est em fase final de construo, e depois aaquisio de equipamentos para a pesca como: bia, redes echumbo, todo o material. Alm de alguns motores, de canoas devibra e botes.36No ano de 2002, tambm continuamos com o Projeto RSRural, inclusive est sendo entregue esta semana os botes e osmotores, tambm com motores, equipamentos e botes inflveis.Ento, nesses dois anos foi trabalhado para aumentar onmero de pescado. S que a situao dos pescadores no estomelhorando muito. O pescado est aumentando, mas os pescadores como todos sabem e o pessoal est vendo pelos depoimentos a a situao deles at agora no houve uma melhora significativa noseu poder aquisitivo.Ento, no ano de 2003 j foram realizadas vrias reuniesno interior e na comunidade com lideranas e comunidades aidia formarmos um entreposto. Porque entendemos que noadianta ampliarmos os moles, darmos mais condies de pescar, eeste pescador continuar vendendo esse produto a preo vil. Ento uma coisa para questionarmos.No adianta pensarmos somente na ampliao acho muitoimportante. Inclusive um diagnstico que foi feito que importante. Agora, esse pessoal vai ter de aumentar o volume e opreo do pescado. Por isso, que est sendo trabalhado em cima doentreposto e uma formao de cooperativa.Por que cooperativa? Porque cooperativa os pescadores noperdero a seguridade especial.Ento, tero uma empresa administrada por eles, ecertamente o valor do produto ser bem maior. Essa diviso doslucros ir diretamente para eles. Ento, sabe-se que existe omercado consumidor muito bom. Sabemos que a produo est emdeclnio, verdade, mas ainda existe muita produo, s que ovalor agregado muito baixo.No adianta fazer uma atividade isolada, temos de ter vriasatividades em conjunto. Porque se aumentarmos vamos dizerassim se duplicarmos a capacidade de pesca, esta duplicao novir para o bolso do pescador. Vir somente uma parte, realmente,um percentual, mas no como poderia ser.37Ento, no adianta somente exportarmos peixe inteiro emuitas at impostos no ficam aqui a situao no se resolve.Acho que temos de ter um contexto, um conjunto de medidas, eno medidas isoladas. uma constatao que j foi feita em trsanos e uma grande preocupao nossa. J foram dados doisprogramas, existem os recursos.No ano de 2003, h recursos inclusive para ter barcosmaiores. S que estamos vendo que isso no est resolvendo. Oque se v como gargalo a comercializao, o preo pago aopescador. O consumidor paga um preo bem elevado e, nessecaminho entre a entrega do pescado e o ponto de venda doconsumidor, o peixe, s vezes, viaja, comprado aqui no litoralpor um preo muito maior e o pescador no usufrui disso.Estamos fazendo esse diagnstico j h trs anos e estamosvendo que o grande gargalo preo, sistema de comercializao, produto de qualidade. Tambm no adianta o nosso consumidor ou veranistas e freqentadores de bares comprarem um peixesem procedncia. Hoje no existe Cispoa para pescado noMunicpio.O consumidor tambm deve ser beneficiado porque paga umbom preo pelo pescado e o pescador, por sua vez, no estusufruindo desses lucros. Obrigado.O SR. RELATOR DIONILSO MARCON (PT) Agradecemos ao representante do escritrio da Emater aqui doMunicpio. H quatro inscritos, que devero dizer seu nome eentidade que representam porque a reunio est sendo gravada paraposterior transcrio.A palavra est disposio do Sr. Adriano Delfino,presidente da colnia de pescadores do Passo das Torres, de SantaCatarina.O SR. ADRIANO DELFINO Boa-tarde a todos. Agradeoao convite da Vereadora e do Presidente do Sindicato, Sr. Miguel.38Trouxe algumas filmagens feitas durante o ano que mostramas dificuldades enfrentadas pelos pescadores em relao nossaBarra.Primeiro, gostaria de fazer uma colocao em relao aosdados da Emater sobre o preo do pescado. Temos experincia deque em outras Barras Itaja, Laguna onde h condies para asembarcaes maiores e firmas grandes trabalharem, esse preoaumenta.O alongamento dos molhes da barra influi at no preo dopescado. No momento que tivermos o alongamento dos molhes,com certeza, firmas maiores viro e ento ser eliminado essemonoplio que hoje existe em Passo de Torres e Torres.Complementando o que falava, esclareo que no sou contracooperativa. Acho que uma excelente idia, que num contextogeral, ajudar muito o pescador.Iniciarei mostrando o vdeo. Esta imagem mostra um barco,em maio de 2003, quando virou aqui na nossa Barra, ocasionandoa morte de um pescador. Inclusive na outra fita aparece o corposendo retirado da gua.Esse um trabalho que iniciamos em 2003. obvio que se otivssemos feito anteriormente, mostraramos outros acidentesocasionados em nossa Barra.Tambm temos algumas reportagens, que depoisdisponibilizaremos aos senhores, sobre acidentes ocorridos aqui naBarra do Passo de Torres e Torres.(Houve falha na gravao.) ...eu quero fazer um comentrioem relao a nossa barra. Ela no s vai alavancar o setorpesqueiro, mas tambm o turismo nutico.Hoje, todos estamos vendo que est havendo uma queda noturismo e esse seria um ponto bastante positivo. Com certeza vaiaumentar bastante.39Vocs olhem a dificuldade que entrar na nossa barra. Estoufalando isso, porque fui pescador desde os 13 anos. Faz dois anos emeio que estou fora, mas essa foi uma realidade que eu vivi no diaa dia.Esse vdeo que estamos vendo, j foi mandado para aCapitania dos Portos de Florianpolis no Congresso que houve emrelao segurana e local de trabalho. Esse debate realizado,tambm uma preocupao do setor pesqueiro: Segurana e localde trabalho.Olha a preocupao com o pessoal em cima dos molhes. Issofoi um dia depois do acidente daquele barco que estava virado.Vou adiantar um pouco mais. Tm uns quatro ou cincobarcos prximo da ilha que ficam de dois a trs dias, l fora, emalto mar, sem condies de entrar na barra. Esse que entrou, fezuma arriscada. Alguns arriscam ao entrar, mas a grande parte no,ento eles ficam prximo da Ilha dos Lobos em torno de dois a trsdias aguardando a calmaria para entrar na barra. muito interessante. Olhem a embarcao que est na praia.Ento, alm da perda humana, h tambm a perda material.Vou adiantar porque o pessoal tem um pouco de pressa.Esses so dois barcos, um estragou e o outro est fazendo oreboque para entrar na barra.Essas ondas que aparecem ao lado do barco um banco deareia. Ali os barcos no podem ir. Tem que ficar longe dessesbancos de areia e ficar prximo ao Molhe do Sul.Na posio que a embarcao est, muito fcil de virar,mesmo que esteja no reboque. A que vem do mar muito fcil devirar.Aqui uma embarcao encalhada. Quem no conhecemuito bem a nossa barra no imagina que no meio dela d paracaminhar tranqilamente.40Na nossa produo pesqueira, perdemos mais de 50%. Almdo trabalho e de todas as dificuldades do risco, h perda daproduo pesqueira. Hoje temos uma perda de mais de 50% dapesca.Aqui o pessoal tentado de todas as formas a tirar asembarcaes para isso inclusive foi usado o farol para amarrar,tentando retirar a embarcao. Segundo informaes que tive doComandante da Capitania dos Portos de Florianpolis, a Marinha,vendo essas imagens, poderia simplesmente trancar a sada eentrada da nossa barra, argumentando que no h condies desegurana para o trabalho. Disse a ele que uma das solues seria,quem sabe, que se fechasse por completo. Talvez algum tomassealguma providncia. At agora est sendo s conversado, sfalado. muito bonitinho, muito bom, mas providncias reais atagora no foram tomadas ainda. Muitas vezes, a imagem fala maisdo que a palavra.A Vereadora Nivia Pereira perguntou se h algumapossibilidade de se conseguir uma draga junto ao Estado. Sabemosque h encaminhamentos. O tipo de draga este aqui. Essa adraga que temos aqui no Passo. Infelizmente, j est l h cinco,seis anos e no surtiu efeito nenhum at o presente momento.Sr. Presidente, se quiser conceder a palavra a outro inscrito,volto em outro momento para mostrar mais a fita que muitointeressante. No quero tomar muito espao.O SR. RELATOR DIONILSO MARCON (PT) Deixei oPresidente da Colnia de Pescadores do Passo de Torres falar umpouco mais. Agora j h cinco inscritos que vo falar de quatro a,no mximo, cinco minutos cada um.A primeira inscrio pertence ao Sr. Nabor Guazelli,representante da ONG Ambiental Onda Verde.O SR. NABOR GUAZELLI Boa tarde, Senhores. Agrande maioria aqui presente j me conhece. Sou Nabor Guazelli,Secretrio da Onda Verde e engenheiro agrnomo. Fui convidadojustamente para abordar o problema da barra. Achei que tudo que41h no flder seria esquecido, porque o problema da barra umpouco chocante. O Sr. Adriano mostrou muito bem, porque trouxeum filme de horror, mostrando os problemas da barra.Devo confessar aos Senhores que sobre barra, sobre molhes,temos muito pouco conhecimento. Perguntaram-me no princpio,quando cheguei, sobre o problema de barra, de molhes. Paratermos uma idia do que acontece quando se lida com o mar, possolembrar o que foi feito em Copacabana, no Rio de Janeiro, por umaempresa portuguesa.Quando Carlos Lacerda era Governador do Rio de Janeiro,alis, naquele tempo, era Guanabara, aterraram a Praia deCopacabana. Ento, a empresa portuguesa que fez esse trabalho fezo que se chama um modelo matemtico. um modelo emminiatura para que se possa saber o que acontecer com a obra queest se pretendendo. Ningum sabe como era antes no tempo emque a barra era chamada Barra Velha. Uma vez andei caminhandopor ali e no existia abertura. Era l em cima, muito ao norte.Podia-se caminhar ali naquele areal. Ento, no temos grande coisapara informar. Temos mais que perguntar. Pergunto o seguinte:por quantos metros sero estendidos os molhes? Quinhentosmetros? Ser que vai desaparecer o assoreamento da barra notrecho que Adriano Delfino mostrou, onde h um banco no qual osbarcos terminam presos? Ser que, num momento de ressaca, aentrada da barra ser mais fcil do que hoje? Todos pensam queser assim, mas no sei e creio que ningum sabe, porque notemos aqui engenheiros especialistas no assunto. Ser que, quandoos molhes estiverem alongados, o problema ser resolvido daentrada e da sada da barra? H a perspectiva de que melhore, mash uma interrogao, pois no sabemos se realmente isso iracontecer.Idias como a da Marinha de que ser completamentebloqueada a sada dos barcos so interrogaes. No temosresposta para isso. Temos muitas perguntas a respeito da barra.Vejam bem que estamos focalizando a barra. No estamosfocalizando os outros problemas que Flvio Elter, da Emater,abordou muito bem. No adianta alongar os molhes em um42quilmetro. Em Rio Grande, eles tm seis quilmetros, mas umaentrada importantssima, a entrada do Rio Grande do Sul. No seise pretendem aumentar os molhes em 500 metros ou em umquilmetro. Mas e depois, vamos pescar bem, vamos trazer o peixee vamos entreg-lo por 50 centavos o quilo? Isso resolve, ou no muito mais importante organizarmos o pescador para que eletenha, depois da pesca, uma boa soluo de comercializao? No mais importante que tenhamos aqui um entreposto comfrigorificao adequada e, mais do que isso, um trabalho com opescador?Eu estava me lembrando de que, h cinco anos, convidadopela Epagri, de Santa Catarina, participei de um curso, emArarangu, de preparao de pescado. Estive l durante umasemana, com os tcnicos que ensinaram os pescadores de guadoce, dos audes, a preparar o pescado, a afiletar, a fazerhamburguer de peixe, etc., um trabalho para agregar valor aopescado.No devemos deixar de discutir sobre os molhes, porque, narealidade, esse trabalho dos milhes dever ser entregue a umaequipe de engenheiros hidrulicos que podem examinarexatamente o que acontecer com o prolongamento, ou, nomomento em que a realizao da obra for decidida, qual ocumprimento, quantas centenas de metros devero ser construdos.Penso que, paralelamente discusso dos molhes, temos quecomear a discutir o problema da organizao do pescador. Semisso, podem abrir uma barra de cinco quilmetros que eletrabalhar, gastar leo e, depois, vender o pescado por 50centavos.Era o que tinha a dizer.O SR. RELATOR DIONILSO MARCON (PT) Concedo apalavra ao Sr. Gibraltrar Pedro.O SR. GIBRALTRAR PEDRO Sou representante doConselho Regional de Engenharia e Arquitetura.43Em primeiro lugar, gostaria de parabenizar a Comissoformada por ilustres Deputados, a Cmara de Vereadores,representada pelo seu Presidente. Estou muito satisfeito com apresena do Deputado Ado Pretto, porque tudo que se falou aproveitvel.O Sr. Nabor Guazzelli falou que importante a organizaodos trabalhadores. fundamental. Todos sabem que necessriauma central de cmaras de frigorficas para que o nosso pescadorpossa chegar com as tonelagens e regular o preo do mercado,podendo acondicionar o produto.Todos sabem que necessitamos de escolasprofissionalizantes para que a tecnologia de procura do peixe sejamelhorada.Todos sabemos que a barra importante. O Brasil, emtermos de tecnologia, est muito avanado. Tenho certeza de que,em menos de dois meses, teremos a medida necessria para fazer aextenso da barra.Mas, entendo que tnhamos que elaborar um documentopedindo que a Assemblia Legislativa fizesse uma estimativa decusto e, por meio dos Deputados, colocasse uma propostaoramentria estabelecendo uma quantidade em dinheiro para queisso possa ser realizado.Estamos reunidos aqui, e cada um vai trazer milhares deprojetos bem fundamentados, e a no final pode terminar como jaconteceu, em tantos anos, de nada poder ser feito porque no hdinheiro.H pouco fiquei triste, Deputado, quando V. Exa. disse queestamos dividindo o restinho da proposta oramentria entre ns.Entendo que esta deve ser a fundamental proposta, ou seja, ospescadores daqui sabem que se no houver dinheiro para fazer tudoisso que esto falando, vamos sair daqui como chegamos: cheiosde sonhos, cheios de esperanas e sem realizar nada.44A grande proposta colocarem alguns milhes de reais oude dlares para que no ano que vem os projetos possam serdesenvolvidos e possamos dizer que vamos realizar obras.Sem grana, sem bufunfa todo o trabalhador vai sair daquipara o seu barco de pesca, preocupado com a sua famlia e sabendoque no prximo ano continuaremos sem nada. Muito obrigado.O SR. RELATOR DIONILSO MARCON (PT) Concedo apalavra representante da Secretaria do Meio Ambiente de Torres,a Sra. Lvia Zimmermann.A SRA. LVIA ZIMMERMANN Boa tarde, represento aSecretaria do Meio Ambiente de Torres e tambm concordo comtudo que j foi falado. Trago uma proposta, ao menos, de umprojeto para viabilizar a indstria pesqueira a fim de melhorar arenda do pescador e da familiar do pescador. Antes de mais nada,foi colocado que a Patran estando no caso inviabilizando,muitas vezes, as aes dos pescadores.Quero lembrar que moro na Praia da Cal Rua Cruzeiro doSul. Quando descamos nas pedras, junto as pedras buscvamosnormalmente um pouquinho de marisco e levvamos para a casa.Pensamos em chamar a polcia e o Instituto Brasileiro do MeioAmbiente e dos Recursos Naturais Renovveis Ibama.Quando as carroas com centenas de quilos de mariscoseram arrancados dali durante o vero. Os mariscos eram pequenosque inviabilizaram durante muitos anos a alimentao dospescadores e das famlias dos pescadores, porque j tiravam todo omarisco de tamanho pequeno e agora no h mais. Ento, muitasvezes, a ao da Patran pode parecer negativa, mas para queviabilize, para o futuro, a pesca e rentabilidade.A minha proposta tenho o projeto, mas estamos sem ocomputador, s pude trazer o esboo seria uma unio, umaespcie de uma grande cooperativa formada entre a cooperativados pescadores; a associao de hotis, restaurantes, bares esimilares; a Prefeitura ou o Poder Pblico tambm Estadual e asociedade.45A associao de hotis, bares e restaurantes compraria umacota mensal por um preo um pouco melhor daquele que seencontra no mercado, no caso, comprando por meio de peixarias.Comprariam, da Associao dos Pescadores, peixes a preos maisatrativos, viabilizando para a sociedade nos seus restaurantes e noshotis pratos de culinria pesqueira com melhores preos. Aspessoas dizem no d para comer um prato de peixe porque muito caro.Ento, h em Torres uma peixaria, mas temos de atravessaro Estado para comprar peixe, siri e camaro por melhor preo.A Prefeitura ou o Poder Pblico em geral viabilizaria oespao fsico para a cooperativa e junto a essa cooperativa, a esselocal seria um entreposto teria uma peixaria que por meio decursos de culinria pesqueira o excedente do peixe, as famlias dospescadores poderiam fornecer siri na casca congelado, camaro palito congelado e bolinhos de peixe que a sociedade comprariapara consumir em casa. Ao mesmo tambm por meio do artesanatoas senhoras, as donas, no caso, as esposas poderiam fazer redes no somente redes , mas fil por meio da mesma tcnica que sefaz a rede, faz-se artesanatos, colchas e rendas de fil quepoderiam ser comercializadas.Bom, era somente uma proposta que tenho. Depois poderiatrazer uma outra melhor, se houver interesse. Ns viabilizaramosno somente a pesca, mas tambm o turismo nutico, levando ospague-te, pague e pesque. Era isso.O SR. RELATOR DIONILSO MARCON (PT) Obrigado,a Sra. Livia Zimmermann, representante da Secretaria do MeioAmbiente do Estado do Rio Grande do Sul. Com a palavra o Sr.Vicente.O SR. VICENTE Boa tarde a todos, praticamente japertei a mo de todos, aqueles que no apertei, apertarei agora.Adriano.46Bem, tenho acompanhado, Senhores, todas as Comisses dePesca e Aqicultura do Estado da Assemblia Legislativa hmuitos anos. Acompanhei as de Santa Catarina tambm. Vejo oesforo dos Deputados em atender necessidade do pescador. importante que essa Subcomisso composta hoje, que leverealmente para a frente as propostas que saram hoje e em outrosdias dos pescadores.O pescador aquele que sofre na carne a sua profisso.Ento, este pescador realmente tem todas as condies de falar esugerir. No o Deputado que vai sugerir para o pescador, mas, opescador que tem de sugerir para os Deputados legislam.Observei aqui o futuro da pesca que diz: discutir afiscalizao para coibir a pesca predatria por barcos na barra e porpescadores amadores dos rios e arroios.A fiscalizao importante para o prprio pescador. Ondeest a fiscalizao dos barcos chamados piratas?Est presente a Patran, o Ibama no est presente. Eu queriasaber porque ficou fora o principal predador, que o barco dearrasto.Se o Secretrio da Pesca estivesse presente, sinceramente,sugeriria a ele que no financiasse nenhum barco de arrasto. Nemconcordasse mais que a marinha fornecesse licena para este tipode barco.Os barcos que esto velhos permanecero velhos iguais ans, e ns viveremos. Agora, novos barcos de arrasto peoencarecidamente no permitam mais a construo desses barcos. o desastre da pesca e o futuro da nossa pesca que o nosso maiorreservatrio inesgotvel, ele acaba tambm com o peixe e estetipo de pesca.Com referncia aos moles que falaram anteriormente aqui os moles do Rio Mampituba que foram inaugurados no dia 06 de47julho de 1973. Antes da inaugurao pereceram oito pescadores.No Adriano? Antes da inaugurao.O projeto dos moles saia da onde estaria o cantinho dopescador, ele pegava a piscina da SAPT. O projeto dele erasudeste. Esse desenho estava na parede da Prefeitura.Prolongamento desse projeto seria 700 metros. (incompreensvel) aconstruo dele.S que a empresa, naquela poca, enrolou o MinistroAndreaza. A Empresa Sultepa colocou pedra desde a balsa, umaspedrinhas na beira do rio para fixar a margem, a fim de no haveruma corroso, uma eroso ali. Isto foi considerado como moles doRio Mampituba.Olhem s! Devido a SAPT desviaram os moles para o norte.O caso (incompreensvel) o grande problema que h aqui. Oalongamento moles deveria ter sido mais de 280 metros que senecessitava para completar os 700 metros. No Adriano? Tu tenso projeto. Isso com certeza, a Subcomisso pedir.Bem! Acho que o prolongamento dos moles muitocomplicado, porque h aqui a nossa Praia Grande, a Praia da Cal, aPraia de Itapeva e a Praia do Passo de Torres.Se vocs quiserem me observar bem direitinho. A alteraodo ecossistema nessa Regio. Subam at o Morro do Farol, eobservem em linha reta para o norte. Vocs vero a nossa praiacom 120 metros de areia, zona praial, na frente da de SantaCatarina.Ser que o prolongamento dos moles, iria resolver? Ou iriasoriar muito mais a nossa praia transformando-a em um depsitode areia, como j um depsito. Ser que ficaramos com essabeleza natural que h ali que so os morros, as furnas, aquelesmoluscos e aquelas algas que existem nas pedras?Se prolongarmos os moles, com toda certeza, em cinco anospassaremos de carro por trs daquelas pedras. Sinto muito em dizerisso. No sou contra para resolver os problemas do pescador, mas a48soluo na minha opinio como observador e pescador est noestreitamento dos moles.H um rio, (incompreensvel) de 120 metros ali e comprofundidade de seis metros. O volume de gua que corre ali ser omesmo volume de gua que ter que passar obrigatoriamente em80 metros de largura. Se estreitarmos ele, faremos com isso umacorreo, este rio todo torto devido o defeito naquela poca.Todo torto.Ento, com o estreitamento, vir uma correo dos moles e ofluxo de gua ser bem maior. Com isso a gua que passa hoje em120 metros obrigatoriamente ter de passar em 80 metros. Ircombinar com qu? Com a profundidade. Com que passou,Adriano aqui, aquele banco de areia. Terminar aquilo. No termais aquela largura, o fluxo ser maior. Bem, na minha opiniocomo pescador essa. Mas teremos de ouvir o Seu(incompreensvel). Queria mais um tempinho.Falou-se aqui, a nossa Vereadora Nivia Pinto Pereira, que opescador est passando fome. Sinceramente, no posso concordarcom que ela disse.O nosso pescador tem uma pesca abundante no oceano, norio e nas lagoas. Claro, que a ganncia pelo dinheiro me perdoeos produtores de arroz, de banana, de tomate e de pimento estcausando um impacto muito grande nas nossas lagoas e nos nossosrios. Por isso, que a Vereadora Nivia Pinto Pereira disse, o nossopescador est passando fome, no. Ele precisa de umaregulamentao e um amparo melhor das autoridades, que faamleis para coibir esse abuso.Sra. Vereadora grave isso. O pescador no est precisandode dinheiro para sobreviver. Ele precisa de uma legislaoadequada. Somente isso. A, ele ter o po na mo.Bem! O Senhor falou em um problema srio, Deputado, queera um barco para fiscalizar em alto mar. H uma soluo muitosimples, simples, simples, simples, simples.49Pegar o Ibama toda a licena amadora, toda a licenaamadora que for retirada pelos Srs. Iraclides e Renato, ela ficar nofundo dentro da Subcomisso.Ser aberta uma conta no banco. Todo o dinheiro da licenair para esta conta. No final do ano, eu lhe provo. O senhor compraos barcos para fiscalizarem sendo que um para o Municpio deTorres, e o outro para o Municpio de Rio Grande. A arrecadao enorme.Concluindo, a Emater gosto muito da idia deles, porqueeles so valentes para ns aqui quer desenvolver a pesca dequalquer maneira. S que eu no concordo muito com aqueletermo cooperativa.Concordo, sim, que os Deputados e as autoridades presentespensem em um terminal pesqueiro. O terminal pesqueiro aqueleque quando o pescador vem com o barco e com o seu produto. Eleestacionou, descarregou o peixe e lavado, selecionado, resfriado, congelado, filetiado e comercializado diretamente.Ali, j h o combustvel para o prprio barco. Isso seria o idealpara o pescador. H mais algumas coisas, mas h outras pessoasque querem falar tambm. Est bom. Agradeo e muito obrigado.O SR. RELATOR DIONILSO MARCON (PT) Obrigado.Com a palavra o Sr. Perseu Barbosa, que Coordenador doMovimento dos Pequenos Pescadores do Rio Grande do Sul.O SR. PERSEU PEDRO BARBOSA Boa tarde a todos!Sou natural da cidade de Tramanda, atualmente resido noMunicpio de Imb o qual sou Presidente da Associao dosPescadores de l. Sou dirigente do MPPA.O MPPA um movimento que criamos no dia 10 defevereiro prximo passado. Esse movimento mais uma fora paraajudar o pescador nessa luta. Infelizmente, ns, pescadores, temosque largar nossos afazeres, nossos barcos, nossas lagoas e, atmesmo, nossas redes. Muitas vezes, deixamos de concertar umaembarcao ou uma rede para virmos aqui a fim de debatermos50esses problemas, j que aqueles que deveriam fazer por ns no ofazem.Hoje, somos quase 1 milho de pescadores no Brasil e, atagora, no d nem para qualificarmos esses parcos recursos quenos destinaram que vieram para c , caro Deputado. Tenho atvergonha de dizer o quanto de dinheiro que veio para ospescadores daqui nesses ltimos 20 anos.Assim, temos vrios problemas. Temos problemas na reasocial, j que nossas prprias companheiras no so reconhecidascomo tal conforme j foi falado aqui pela Previdncia Social. difcil de conseguirmos a aposentadoria de alguma de nossascompanheiras. Tento isso quase diariamente, portanto essa umaluta quase diria nossa.Tambm notei alguns outros problemas: de barra, de pesca ede assoreamento. Todos sabem que, em Tramanda, temos umproblema grave l. H 50 anos, quando era ainda um pi, ajudei adesviar o canal da barra para construirmos aquele molhe que seencontra l, muito bonito, diga-se de passagem. Uma obrafantstica, seria a menina-dos-olhos de todo o Litoral Norte, bemantes at de Torres. Isso aconteceu entre os anos de 1953 e 1955,mais ou menos, antes que a Petrobras ali se estabelecesse.Portanto, era uma babilnia que iria surgir, um portograndssimo, presumo que mais de 800 metros de molhes, e eu meabanquei em costurar sacos para o meu pai e mais para uma turmade pescadores. E dele saco, e dele saco, at desviarmos o canal econstrumos aquela obra-prima que ali se encontra. Trata-se deuma verdadeira roleta russa, muito pior do que a de vocs. Muitascolegas ceifaram suas vidas l, pagando com sua morte, como aquitambm. Companheiros que saram de l, como o meu patro,Alexandre, maior mestre que conheci em Tramanda, compadre demeu pai, padrinho de meu irmo, que veio perecer aqui nessabarra. H alguns mais antigos aqui, como companheiro Miguel,que deve t-lo conhecido.Em Rio Grande, temos tambm esse problema deassoreamento. Esses problemas de barra no so to difceis de51resolvermos. O que no podemos aceitar so essas soluessimplistas que nos oferecem, como a da Marinha, por exemplo:fecha o canal, e est resolvida a situao. Quando, na verdade,temos ali um simples canal que necessita de manuteno. Secomprarmos uma bicicleta, por exemplo, tambm necessitar deuma manuteno. Se comprarmos um carro, idem, ou abrirmos umvalo em nossas casas, temos de ter uma manuteno da mesmaforma, para evitarmos que ele feche.Com uma barra, no diferente. Todos Pases desse Mundoafora, Estados, Municpios que construram portos sedesenvolveram nesses anos todos da existncia humana. Podemosnotar isso no caso do Porto de Santos, no Brasil; de Nova Iorque,de So Francisco, nos Estados Unidos, bem como os grandesportos que existem na Austrlia.Hoje, na Arbia Saudita, com dinheiro, esto sendoconstrudos novos portos em todos os lugares, e ns, aqui, aindaestamos encalhando nossas embarcaes, quebrando-as a torto edireito, arriscando nossas vidas numa barra, como essa que temosaqui, porque no existe uma vontade poltica para solucionarmosesses problemas. S no existe a vontade, porque dinheiro existe,j que saem, a toda hora, de nosso Pas avies e avies de dinheiropara outros Pases, fazendo com que deixemos de investir emnosso trabalho, em nosso suor. Ficam os pescadores trabalhando,ceifando as suas vidas nas barras e no mar, enquanto que osgrandes ficam tomando usque l na Sua, no Deputado? E nsficamos aqui assobiando misria o ano todo. Portanto, espero queeste Governo que est a d uma boa melhorada nesses problemas,para que, nos prximos, consigamos san-los.Gostaria de citar rapidamente o problema da fiscalizao,que se constitui num outro drama nosso. Temos uma Portaria quefoi editada em 20 de maro de 2003, na qual sepultadopraticamente o bagre e o peixe-rei. Antes, a legislao permitia acaptura do bagre de at 40 centmetros; agora, baixaram para 20.timo!!! O peixe-rei de 20 para 10 centmetros, e assim por diante,como no caso de outras espcies de peixe. Isso significa que oprprio Instituto Brasileiro de Meio Ambiente est sepultando as52nossas espcies. Isso fantstico, no !!! O que a gente podefazer!Quanto fiscalizao ento, nem se fala. A Patran umagrande companhia de guarnio, muito interessada na fiscalizao,mas sem condies de faz-la. Deram Patran uma Amazonas,com dois ou trs policiais, muitas vezes sem gasolina e sem barco.Como eles vo fiscalizar o mar, a nossa plataforma continental?Como o Ibama vai conseguir fazer fiscalizao se no temum barco rpido? Dispe de apenas alguns botezinhos inflveisque, ao receberem um tiro de 22, o casco furado, e vo ao fundo.Essa mesma Portaria diz: o disposto no caput... do artigo nosei o qu... as espcies capturadas... e libera a pesca de arrasto, deportas e de parelhas. Quer dizer, para matar o peixe juvenil, asparelhas arrastando pelas costas. noite proibido arrastar dentrodas trs ilhas, mas nesse turno que eles vm arrastar as ncorasdo pescador artesanal de beira de praia.Na semana passada, aqui em Mariluz, andavam oito barcosque levaram duas redes dos companheiros, dentro da arrebentao ncora que eles colocam a 300 ou 400 metros. claro que nem a Patran, nem o Ibama e nem a Marinhatm condies de fiscalizar toda a costa. Na Capitania h um boteinflvel. Como vo fiscalizar?Enquanto houver essa demagogia em relao pesca e fiscalizao no haver soluo, continuaremos com os mesmosproblemas. Obrigado.O SR. RELATOR DIONILSO MARCON (PT) Agradecemos a presena do Sr. Luis Antnio Farias, suplente deDeputado Estadual do Estado de Santa Catarina. A palavra est disposio do Sr. Baldemir Porto.O SR. BALDEMIR PORTO Boa-tarde a todos. Agradeo Emater, que est fazendo um grande trabalho conosco h trs53anos e agora est mexendo com os pescadores. Penso que foramestas as nicas entidades que fizeram isso.Bateremos na velha tecla: a Barra, um problema que nuncaser solucionado, pelo que estamos vendo. J assisti a plenrias,participei de convenes, e todos j estamos cansados de ouvirsobre esse assunto.H 250 mil destinados aos pescadores. Por que no usamosessa quantia e fizemos um projeto, com a Emater, para aliviar umpouco a Barra?Podemos contratar uma draga melhor para facilitar essetrabalho naquele rio, o que dever durar uns seis meses.Por que no destinam pelo menos uma parte desse dinheiro aisso? Solucionaria parcialmente o problema. Eu j sofri acidenteali, sei o que . Tenho um amigo que est aleijado de uma perna,sem assistncia nenhuma.Sobre os barcos de arrasto, acredito que a Patran estdespreparada porque no tem equipamento, como tatura, paracorrer atrs desses barcos. No sabem o que fazer at hoje, nemsequer quem o pescador. Chegar a hora em que isso se tornaruma guerra entre a Patran e os pescadores.Outro detalhe: penso que os senhores deveriam analisar bemo seguro desemprego esse seguro da pesca pois h quem estrecebendo e nunca pescou.E mais: Os senhores esto mexendo com uma classedesconhecida, com a qual at agora ningum mexeu. Deve haverum fundamento, um controle sobre quem o pescador e quem no, dando carteira a Deus dar para todo mundo. Ns estivemos emEsteio, e havia um pescador com duas carteiras profissionais. Elepode receber dois seguros. Sabem o que isso vai ocasionar? Umbando de pescadores querendo receber o seguro, e vocs no voter dinheiro para pagar. o que vai acontecer.54 a primeira reunio em que ouvi representantes da Emater,do pessoal interessado sobre a pesca. Em nenhuma das reuniesem que havia estado tinha ouvido nenhum representante da Fepam,da Patram ou um Governador. Agora estamos assistindo a isso aquiem Torres. Agradeo a presena de todos aqui para escutar opescador e no para sentar na cadeira e mandar projetos que nuncasero realizados. Isso o pescador est cansado de saber.Quero que prestem bem a ateno no que esto fazendo,porque, seno, os pescadores vo se tornar mais um bando de semterras, querendo receber dinheiro do Governo, sem que esse tenhadinheiro para dar.Agradeo a oportunidade de fazer uso da palavra.O SR. RELATOR DIONILSO MARCON (PT) Concedo apalavra a Srgio Pacheco.O SR. SRGIO PACHECO Sou Presidente do PSB deTorres.Meus cumprimentos a todos os presentes. uma satisfaoque a comunidade torrense e a Regio, mais uma vez, possadebater um assunto que envolve, praticamente, todas as fontesalternativas de vida na nossa Regio. Acreditamos que asustentabilidade do turismo, da pesca, da agricultura e da indstriatem que estar em harmonia e de acordo com as normas ambientais.Tenho alguns anos de estudo, com idias propositivas narea da pesca e na rea ambiental, com as quais possvelperfeitamente conviver.A respeito do que se falou, nos dados da Emater, foi dito quea pesca est diminuindo a cada ano. Eu gostaria de dizer que aeutrofizao dos mares, ou seja, a quantidade de alimentos para oplncton ou para a cadeia bsica dos mares est aumentando nomundo inteiro.55Esse um processo natural que se processa por meio daeroso das montanhas e dos rios, alm da prpria ao do homempela urbanizao.A eutrofilizao faz com que haja mais comida para a basee, conseqentemente, mais peixes. Ento, a indagao por que notemos peixes? A explicao, mais detalhada, que o homeminterfere na pesca de arrasto.Para minha surpresa, os Governos apiam, mas ela interferediretamente na base. E, no caso, na nossa costa que lisa, destroema camada planctnica, que a base que vai envolver desde asminsculas espcies at as baleias.Nas outras questes, no podemos esquecer que h umainterferncia muito grande para as espcies que tm atividadelagoas/rios. Essas tambm tm aes em todo o mundo, inclusiveem nossa regio.A piracema no se d de maneira harmnica porinterferncia, muitas vezes, de outras atividades que tambm passvel de controle. Aqui temos dificuldades com o uso das terraspara o arroz. Neste momento, se vocs quiserem ver, temos um riocom cor de chocolate, mas no choveu na serra.Ns temos batido muito nesta tecla e tem uma conotaotcnica fantstica. O pessoal da Emater sabe, precisamossimplesmente de bacias de decantao ou segurar um pouco a guapara larg-la aps a semeadura.A nossa idia dar propostas, mas para isso necessrio quehaja conscincia dos produtores. Eles aprenderam muito nessetempo todo, so muito bons, ns somos campees emprodutividade e esto caminhando nesse sentido.Uma outra questo que o produtor est chegando l, no quediz respeito ao caramujo, que j esteve em desequilbrio. Nstivemos um treinador e agora, por influncia do IRGA, no dolocal, sugeriu fosse colocado sulfato de cobre nas beiras de sangapara controle inicial do caramujo.56Para quem no sabe, o cobre um elemento essencial para avida do ser humano e para o ecossistema em pequenasquantidades. Sabemos de bacias fantsticas com lagoas de pequenacapacidade de fluxo quem tm uma concentrao de cobre, masque em pouco tempo far um acmulo to grande que, inclusive, aslavouras de arroz ficaro comprometidas por intoxicao.Ento, a pesquisa tem que evoluir no sentido de monitorarlagoas. Eu no estou dizendo bobagem, porque isso o queatestam as cabeas mais pensantes de tcnicos do Rio Grande. Oprodutor no pode se matar sozinho, pelo contrrio, estamosprevendo algo que possvel acontecer.O que o cobre tambm faz com o peixe que na poca dapiracema mata todos os alevinos e isso no aparece na Zero Horaporque ela s vem aqui quando morre peixe grado. Os alevinosno deixam rastro no rio porque simplesmente desaparecem, masso de toda ordem, desde sapos e rs e interferem na cadeia.O produtor tambm no sabe disso porque no enxerga, quase microscpico. Ento, o cobre concentrado altamentedanoso, ele j matou, no mar, o peixe de amanh do pescador, amaior fonte de renda da humanidade.Ainda temos a questo do uso indevido de herbicidas. O 24Dest sendo usado, embora tenha suas restries e o uso de produtospara o bicudo que nada mais do que um sugador, e usado halgum tempo. Temos tambm o uso dos foforados que soaltamente no seletivos e matam tudo, inclusive peixes que aPatran no consegue enxergar.Registro o nome das substncias: Lunacron e Paratiometil e24D, que interferem na cadeia do mar. s cumprir as leis. Anossa proposta uma proposta cara, mas na medida em que o meioambiente consiga, de repente, emprstimos internacionais a jurosbaixos, afinal, o meio ambiente o que ainda sensibiliza acomunidade internacional, a comunidade financeira rica, e aplicarresduos artificiais nas nossas costas. Parece-me que o Ado Preto57falou que tinha alguma coisa nesse sentido. Que se bata nessatecla, Vicente j bateu nisso tambm.Na prtica j se sabe que onde tm resduos, naturais ou no,a vida ali exuberante, Abrolhos e tal.Desculpem-me por me alongar um pouco, podem contatarcom o telefone 6264981 e 99831564, se quiserem se aprofundar notema, ou sobre projetos, aprimoraremos a discusso e detalharemosmais as propostas. Muito obrigado.O SR. RELATOR DIONILSO MARCON (PT) Muitoobrigado, companheiro Srgio, o ltimo orador inscrito coordenador dos Coredes, Sr. Eraclides Maggi.O SR. ERACLIDES MAGGI Temos percebido queexistem inmeros problemas e muitas solues, mas o grandeproblema a falta de dinheiro para tudo o que precisa ser feito.Muitas vezes, ouvimos discusses enormes nas Casas Legislativasem instncias que muitas vezes fazem proposies e vou melembrar daquilo que o, que falou h pouco tempo, o Chico, quereclamou da situao dos que recebem seguro desemprego e nemso pescadores.O Corede tem proposto Comisses Setoriais em que todospodem participar desde que tenham interesse e vontade de sugerire, de fato, dar ouvidos. Por exemplo, temos a Comisso Setorial daPesca que est sendo criada no litoral, j existe, e estamos criandoa Comisso Setorial da Pesca, aqui em Torres. Aos Coredes, jpedimos ao Miguel que articulasse frente da Comisso e depois,quem sabe, haver um coordenador, escolhido pelos pescadores,mas que se d a condio de fato para que os pescadores possamcolocar suas angstias, seus problemas e as suas sugestes. svezes, as sugestes e solues partem l das salas, das mesas ondesequer os pescadores foram ouvidos. uma inverso do jogo e precisamos criar programas apartir das necessidades. No sou eu, Presidente do Corede, que vaisaber o que os pescadores precisam. So eles que iro dizer o que58precisam. Dinheiro para tudo nunca haver, mas temos de chegarao que prioritrio, o que necessrio e trabalhar em cima dosrecursos disponveis.Dentro dessa linha, talvez, consigamos avanar um poucomais. Tem-se discutido tanto, h tantas reunies, debates, mas defato o avano muito pequeno, e de fato uma classe que tosofrida e que sabidamente hoje numa Regio que nos encontramosnum manancial de lagoas fantsticas, e que no existe em outrolugar no Pas com mar e rios e temos um aproveitamento eproduo da pesca extremamente pequeno que poderia servir deincremento, de renda e de emprego para essa regio que tantonecessita.Esta minha proposta, que j est sendo encaminhada a estcom o menino, tivemos um encontro h dias, s quero entregar aosDeputados e pedir desculpas ao Deputado Janir Branco, no sei seele est, mandarei depois o livro do Coredes que contm aComisso Setorial de Agricultura Pecuria e Pesca que afinalacabam tendo de interagir e tero de interagir tambm com o meioambiente, porque sempre h questes conflitantes e precisam estarsendo propostos para solues dos diversos problemas. Muitoobrigado.O SR. RELATOR DIONILSO MARCON (PT) Concedo apalavra a um Senhor que quer se manifestar por um minuto.O SR. LUS ANTNIO FARIAS Apenas um comunicadorpido, sou suplente de Deputado Estadual de Santa Catarina.Quando o Secretrio Nacional da Pesca esteve aqui no Passo deTorres, fizemos algumas reivindicaes. Solicitamos que aampliassem os molhes e foi por unanimidade. Ento, pedimos nomil metros, nem 500 metros, solicitamos que fossem ampliados em70 a 100 metros, mas queremos que seja visto por tcnicos, porpessoas competentes para fazer isso. Recebi um ofcio de Braslia,acusando o recebimento dessa solicitao.Pedimos tambm a implantao de camaro em sistema decativeiro como h em Laguna, e o Adriano, pela Colnia de Pesca,fez tambm alguma solicitao, mas parece que at hoje no59recebeu comunicado. A Prefeitura tambm pediu os molhes e norecebeu resposta. A ns eles responderam talvez por sermossuplente de Deputado aqui no ofcio, eles se equivocaram quandonos chamam de Deputado , mas nos solicitam projeto eoramento para tentar incluir a ampliao dos molhes nooramento da Unio em 2004. No entanto no so somos ns quevamos fazer isso, porque no temos nem condies financeiras. Oque se v que tudo precisa de projeto.Com o debate aqui nesta reunio, quem sabe, possamosorganizar as entidades e encaminhar um projeto a Braslia. Quemnos comunicou foi Secretrio Adjunto Francisco Chagas MachadoFilho, que o Subsecretrio. Ento, temos de partir para umprojeto, mas nada faranico at para no prejudicar Torres. Enfim,acredito que uns 70, 100 metros seja um paliativo bem interessantepara o problema dos nossos barcos e dos nossos pescadores. Nodeve ser nada faranico, mas uma coisa simples que no custe umababilnia de dinheiro para uma insignificante ampliao dosmolhes. Era isso e muito obrigado. Boa tarde.O SR. RELATOR DIONILSO MARCON (PT) A nossaassessoria rabiscou algumas observaes dos que aqui fizeram usoda palavra. Vamos ler algumas intervenes porque esto presentesrepresentantes dos Governos Estadual e Federal que vo falar emseguida. Alm dos programas que os Governos tm, vamos vercomo que podemos resolver algumas questes que foramlevantadas aqui, hoje tarde, como a alfabetizao dos pescadores,o programa de educao ambiental, o alargamento ouestreitamento dos molhes, a dragagem da barra, a manuteno dorecurso do RS-Pesca.A proposta que se use esse recurso do Governo do Estado.H a proposta de emenda do oramento do Estado e da Unio.Outro assunto a questo da aposentadoria da mulher pescadora.Aqui entra o problema da farra das carteiras. Foi dito aqui que umpescador tem duas carteiras, ento deve ter quatro mos. Deve serum superpescador. H a questo da fiscalizao dos grandesbarcos. Ainda deve ser revista a portaria do Ibama, que autoriza apesca juvenil, que a pesca dos pequenos peixes; terminam-se ospequenos, amanh ou depois, no haver os grandes. Foi muito60bem abordada pelo Srgio, se no me falha a memria, a questodos agrotxicos, cuja legislao preciso rever.Ento, isso foi um pouco daquilo que a nossa assessoriaanotou, mas temos certeza de que ningum aqui mgico paraquerer resolver. Depois vamos encaminhar algumas questespolmicas, mas trata-se da vida dos pescadores. Temos de encerraresta audincia pblica at s 5h 30min devido ao RegimentoInterno e porque alguns companheiros aqui da Mesa tm outroscompromissos.Por essa razo, vamos conceder 10 min para cada inscrito. OSecretrio Adjunto Marcos Palombini pediu para falar em primeirolugar. Logo em seguida, falar o representante do Ministrio daPesca, Sr. Joo Dias.Concedo a palavra ao Sr. Marcos Palombini.O SR. MARCOS PALOMBINI Inicialmente,cumprimentamos o Deputado Dionilso Marcon e, na sua pessoa,todas as autoridades, todos os pescadores e a comunidade doLitoral Norte aqui presentes.Sou ex-Prefeito e ex-Secretrio da Agricultura. FuiSecretrio da Agricultura no ltimos dois anos do Governo Simon.Hoje estou na Secretaria da Agricultura na condio de SecretrioAdjunto, o Programa Estadual de Plos de Produo.Confesso aos Senhores que entendo muito pouco de pesca,porque sempre fui um produtor rural da Serra e lidei mais comfruticultura e outras atividades. Mas, nesses 10 meses em queestamos nesta funo no atual Governo, j aprendi alguma coisa depesca e hoje, aqui, estou aprendendo mais ainda. Toda minhaatividade at agora tem sido mais em programas de piscicultura emaquacultura de gua doce e no de gua salgada.Levarei ao Governo do Estado, principalmente para aSecretaria da Agricultura tudo aquilo que ouvi no dia de hoje ecoloco a Secretaria da Agricultura disposio do setor da pescapara encontrarmos solues.61Estamos tentando criar a Cmara Setorial da Pesca, queacredito que seria um canal muito importante em nvel de Governodo Estado para se debaterem todos os problemas desse setor.Temos de admitir que nenhum governo estadual, nem este,nem os anteriores, se preocuparam com esse setor no Rio Grandedo Sul. Nunca houve, dentro do Governo do Estado, um setor dapesca assim como no Governo Federal, e agora, temos deaplaudir o Presidente Lula porque, muito sabiamente, criou aSecretaria Especial de Pesca e Aquacultura. Considero isso muitoimportante e temos de faz-lo, tambm, em nvel de Estado.Infelizmente, ns, gachos, nunca olhamos para apiscicultura como fator de grande potencial econmico para onosso Estado. O Rio Grande do Sul tem mais de 7% do seuterritrio de gua doce, mas nossa piscicultura se dedica a produziralguns peixes, principalmente carpa, para vender na vspera daSemana Santa e para os pesque-e-pague de So Paulo, que estodeixando os produtores com algumas montanhas de cheques semfundo.Para a pesca martima, estamos fazendo, at agora, muitopouco, mas me proponho a ser tambm um dos porta-vozes dessesetor dentro do Governo do Estado.Em termos de pesca marinha, avanamos bastante naquesto do camaro. Atravs da assessoria e do apoio da FURG Fundao Universidade Federal do Rio Grande, iniciamos umincentivo produo de camaro em viveiros e j estamos com umprojeto de funcionamento e h outro projeto em implantao.Ainda temos mais seis projetos tramitando para instalarmos aproduo de camaro na gua salgada, mas em viveiros. Esse umprojeto que gostaria de apresentar ao setor do litoral norte para verse h interesse.Nesse projeto de aquacultura que estamos tentandoimplementar, temos tido uma resistncia muito grande dos prpriosrgos do Governo do Estado. Tenho denunciado a Fepam Fundao Estadual de Proteo Ambiental, em todas as reunies a62que compareo. At tenho dito que ela o maior gargalo daeconomia primria do Rio Grande do Sul. No sei se aqui emTorres os Senhores tm tido problemas com ela, mas temos tidouma dificuldade enorme.Hoje, a Secretaria do Meio Ambiente tem a ticaambientalista de proteo ao meio ambiente que considero umtrabalho meritrio, pois todos temos de nos preocupar com isso ,mas temos de dar condies para que a espcie humana sobrevivasobre esse meio ambiente. Na realidade, a maior poluio queexiste em nosso Pas a misria do nosso povo, a qual sacabaremos produzindo. Mas toda produo no deixa de ser umapequena agresso ao meio ambiente, por isso temos de encontrarmaneiras de conviver, de conciliar para que haja produo, pois,sem ela, nunca poderemos distribuir riqueza para nosso povo.Falando em termos do Rio Grande do Sul, porque fuiPrefeito por trs vezes e fao poltica h muitos anos, talvez sejao mais velho daqui , nunca vi um governo estadual com umprograma voltado especificamente para transformar o potencial dasguas salgada e doce que temos em fator de economia.S para os Senhores terem uma idia, nos Municpios deUruguaiana, que arrozeiro, e de Barra do Quara, que foidesmembrado de Uruguaiana, h mais de 520 audes comsuperfcie superior a 55 hectares cada um. Aquilo no possui valornenhum. Fiz um levantamento de Torres at o Municpio deMostardas sem entrar no Municpio de Tavares, porque ali estoaquelas lagoas ecolgicas e, pegando somente as grandes lagoas,temos 58 com mais de 1 mil quilmetros quadrados de gua doceque no estamos aproveitando como poderamos aproveitar.Por isso estamos, hoje, elaborando um programa no Governo e compete a mim este trabalho procurando introduzir osprogramas de aquacultura, isto , a criao de tanque de peixescultivados para aproveitar todo esse potencial.Conseguimos a primeira vitria na luta com a Fepam: foiliberada a criao de duas espcies de peixes exticos, a tilpia e oCatfish, porque, como os Senhores sabem, o mercado consumidor63de peixe em nosso Estado baixssimo: quatro quilos percapta/ano. Inclusive, no Brasil, ele tambm baixo: 6,8 quilos percapta/ano.O SR. PRESIDENTE DIONILSO MARCON (PT) Quemtiver perguntas, as anotem para, posteriormente, o Secretrio asresponder.O SR. MARCOS PALOMBINI Temos de pensar nomercado consumidor externo, internacional, cujos dois peixes maisconsumidos a tilpia e o Catfish, que so de gua doce.Atravs de dados da FAO, no ano de 2.010, o mundo terum dficit de carne de peixe na ordem de 15 a 20 milhes detoneladas.Existe um mercado enorme. Trouxe dados de uma empresana Ilha da Pintada que est exportando para os Estados Unidos filde Catfish que importamos de Santa Catarina. Eles vm vivos de le so abatidos aqui.Em Blumenau, h uma empresa, a Bluefish, que a maiorprodutora de Catfish no Brasil, que fechou uma exportao para oEstados Unidos de 160 toneladas/ms. Para produzir 160toneladas, precisam de 400 toneladas de peixe vivo. O mercadoamericano o est colocando numa base de cinco dlares o quilo, etm interesse em que haja produtores de peixe de gua doce no RioGrande do Sul, porque l em Santa Catarina no tm um potencialto grande quanto aqui.Perguntei-lhes: mas, na hiptese de incentivarmos essaproduo e vocs serem eventuais compradores desse peixe,quanto o produtor receberia? Responderam que seria em torno de90 centavos de dlar o quilo do peixe vivo.No sei at que ponto os Senhores consideram isso um bompreo, ou um preo baixo, comparando, hoje, com valor do dlar,seria em torno de dois e sessenta, dois e setenta ou talvez dois eoitenta o quilo.64Estamos com esse trabalho em nvel de Governo do Estadopara a liberao de duas espcies de peixe: o catfish e a tilpia. Nodia 10 de outubro, o Governo do Estado, principalmente pelaatuao do Vice-Governador Antnio Hohlfeldt, editou umaPortaria que liberou a criao dessas duas espcies em toda a baciado rio Uruguai. Agora, estamos lutando para conseguir que aSecretaria do Meio Ambiente e a Fepam liberem a criao na baciado Guaba e do Litoral, de tal maneira que possamos cri-los emtodo o Rio Grande do Sul. Mas essa uma luta terrvel, porqueinfelizmente o rgo ambiental no Rio Grande do Sul tem umaviso apenas do meio ambiente.Deputado, esta a primeira reunio da qual participo naAssemblia Legislativa, e acho importantssima. Ns temos demobilizar todas as foras vivas, todos os setores governamentaispara criarmos uma viso de defesa do meio ambiente, mas tambmde produo, porque sem produo no distribuiremos riqueza paraningum e no melhoraremos de vida.Tenho mantido contato com a colnia de pescadores Z 5, daIlha da Pintada. Tenho aqui um documento que gostaria deentregar a V. Exa., Deputado, que me foi entregue por essacolnia, no qual apresentada uma proposta para repovoar o deltado Jacu com alevinos de jundi e grumat, dois peixes nativosdali. A Fepam simplesmente proibiu est includo o documentoda Fepam proibindo. Os pescadores esto na luta, mas a Fepamnem sequer respondeu acerca dos ltimos documentos quemandaram.Outro aspecto so as licenas exigidas pela Fepam para acriao de camaro em viveiros em So Jos do Norte e RioGrande. So elas a licena prvia, a licena de instalao e alicena de operao. Recebi uma carta de um produtor de lprotestando contra os valores cobrados. Para uma lmina dgua deoito hectares de viveiro, a Fepam est cobrando de licena prvia 1mil, 400 e 40 reais; de licena de instalao, 7 mil e 677 reais; delicena de operao, 16 mil e 469 reais. Isso d mais de 25 milreais.65Tive o cuidado de pesquisar quanto o Estado de SantaCatarina cobra pelo mesmo projeto, e os valores so os seguintes:licena prvia: 100,91 Ufirs; licena para instalao: 302,75 Ufirs;e licena de operao: 201,83 Ufirs. Como o valor da Ufir 1 reale 64 centavos, em Santa Catarina o mesmo projeto custa 642 reais.Portanto, um absurdo o que acontece no Rio Grande doSul. Mas h ainda uma srie de outras questes. A Fepam nopermite a criao do catfish alegando que esse peixe no existe noRio Grande do Sul. Fizemos um levantamento junto aos escritriosda Emater, em 150 Municpios, e constatamos a criaoclandestina desse peixe. Portanto, j existe a criao, s queclandestina.H uma fotografia que me foi fornecida pela Z 5 aqui esto Sr. Nlson Arajo, Presidente dessa colnia , que mostra que foipescado o catfish, que o peixe-gato, o nosso jundi americano, norio Guaba. Portanto, j existe esse peixe aqui. A grande vantagemdesse catfish que ele o jundi americano, sendo que este fezuma melhoria atravs de uma seleo gentica, ele maior porquesofreu uma melhoria gentica, o peixe que d maior converso derao no fil, precisa de um quilo e meio de rao para produzirum quilo de peixe at 700 gramas, tem a tilpia, cuja aceitao muito grande.Estamos trabalhando mais nesse projeto da aquacultura.Acertamos com o Joo Dias uma entrevista com o MinistroJos Fritsch, l em Braslia, que dever ser marcada dentro dosprximos dias.Queremos nos colocar disposio da Subcomisso e dossenhores, se desejarem ns podemos fazer uma comitiva para ir aBraslia, aproveitando essa oportunidade.Vamos levar a proposta de incentivo aquacultura no RioGrande do Sul e podemos tambm, daqui por diante, sermos,juntos, porta-voz do Governo do Estado acerca dos problemas dapesca de mar e dos que vocs esto enfrentando aqui.66Acho que as audincias pblicas realizadas pela suaSubcomisso so importantssimas, mas gostaramos de levar paraos senhores todos esses problemas que existem em nvel estadual, uma luta interna que estamos enfrentado.Eu estou em meio a uma verdadeira guerra com a Fepam,tendo em vista que ela quer acabar com a espcie humana, restandoapenas bichos. Essa a tese da Fepam.Para mim, a maior punio que existe a misria do nossopovo, para sairmos dela temos que produzir. Obrigado.O SR. RELATOR DIONILSO MARCON (PT) Obrigado,Marcos Palombini.Passo a palavra ao Sr. Joo Dias, representante do Ministrioda Pesca, depois abriremos espao para os questionamentos.O SR. JOO DIAS Boa tarde a todos. Primeiramente voume apresentar, depois apresentarei a SEAP.O meu nome Joo Dias, quero dizer que o Ministro daPesca est presente atravs da minha pessoa, fui incumbido derepresent-lo nesta audincia pblica e tudo o que for dito aqui,com certeza, chegar ao Ministro.Cumprimento o Deputado Dionilso Marcon e os Deputadosque compem esta Subcomisso pela importante iniciativa.Ns, do Governo Federal, entendemos que desta forma,ouvindo os pescadores, que conseguiremos executar as aes eatender s demandas desse setor.Tudo que se ouviu aqui, estamos ouvindo h muitos anos,quero dizer tambm que sou um pescador e larguei a pesca hcinco anos.67Durante quatro anos trabalhei representando os pescadoresdo governo passado, Olvio Dutra, eu trabalhava na Secretaria deAgricultura, na rea da pesca.Tambm quero dizer que, graas a Deus, conseguimos levaraos pescadores um programa que se chama: RS-Pesca, sendo queh quatro anos, infelizmente, esse programa no atendia aospescadores, aos quilombolas, nem aos ndios.H quatro anos os pescadores conseguiram ser atendidos,talvez no como ns gostaramos que fosse, mas com certeza haviarecursos para os pescadores.Agora, estamos na coordenao do escritrio no Estado doRio Grande do Sul, representando o Ministro Joo Fritsch.H cinco anos eu deixei de pescar, portanto essa realidade agente conhece.O que est acontecendo com a pesca? Estamos sofrendo umaconseqncia de muitos anos, desde a metade do sculo, cujainexistncia de poltica para o setor foi um fato marcante, havia,sim, demagogia.A pesca, como muitos de vocs sabem, passou peloMinistrio da Agricultura, de l veio para a Sudepe, para o Ibama,voltou para o Ministrio da Agricultura e agora est na mo daSEAP O grande problema que tivemos foi quando, na dcada de70, o Governo Federal disse que era necessrio investir em barcosgrandes, em indstrias para fazer a pesca indiscriminadamenteporque no se tinha o cuidado com a preservao. A meta erapescar o que fosse possvel e depois ver como fica.Se vocs forem em Rio Grande vo ver grandes indstriasque tiveram investimentos muito grandes na dcada de 70 e hojeesto sucateadas, no tem mais peixe. Ns temos que dar incentivosim, mas com qualidade, investir onde necessrio.68Essas conseqncias de decrscimo de produo, comcerteza, vem h mais de 50 anos. Ocorrem por no haverpreocupao com a preservao.O comprometimento do Governo Federal foi um dosprimeiros atos do nosso Presidente, quando assumiu a Presidnciacriou a Secretaria Especial de Aqicultura e Pesca SEAP. No um departamento, no uma unidade dentro de um Ministrio, uma Secretaria que tem sede em Braslia e cinco regionais,representantes e escritrios em toda a Federao. Isso prova que oGoverno reconhece que o dilogo tem que ser prximo e constantecom o setor pesqueiro artesanal, profissional artesanal, com o setorindustrial e o setor aqcola.A pesca realmente est com problemas, vem caindo. NoEstado do Rio Grande do Sul a cada ano perdemos 1.000 toneladasde peixe. Seno tivermos uma alternativa para isso os nossos filhosvo ter problemas na questo da pesca.O cultivo importante, mas tambm temos que darcondies para quem est na pesca poder cultivar. Hoje sabemosque o pescador profissional artesanal no tem condies de terterra para fazer seu aude, no tem condies de preparar o aude eno pode sair da pesca porque essa a vivncia dele. Temos queter uma alternativa, o cultivo uma alternativa.Um dos primeiros atos do nosso Secretrio Jos Fritsch foisuspender os arrendamentos de barco estrangeiro que era a maiorvergonha que existia no Departamento de Aqicultura e Pesca doMinistrio da Agricultura que criava escritrios para trazer barcosde fora, barcos fbricas para pescar em 300 metros deprofundidade e muitas vezes o rio no chegava a 300 metros deprofundidade, industrializavam o peixe dentro do barco e noficvamos nem com o imposto.Suspendemos isso para ver o que vamos fazer com essesbarcos arrendados, claro que os contratos tem que ser cumpridos.Se dizia que esses barcos tinham que vir para c porque notnhamos tecnologia, no tnhamos barcos suficientes para irmosnessa profundidade. Houve a suspenso do arrendamento e a69criao de critrios, hoje, para um proprietrio de barco vir daCoria, do Japo ou da Espanha pescar nos nossos mares precisano mnimo residir trs anos no Brasil. Elimina quem vem um msantes e pede arrendamento. Tem que morar h trs anos no Brasil,ter uma indstria e ainda passar por um edital. Terminou oarrendamento na base da amizade.Isso mostra o comprometimento deste Governo com o setorpesqueiro. Queremos que a pesca seja para o pescador profissionalartesanal, para o setor industrial e tambm para o setor aqicola.Suspendemos os arrendamentos e liberamos 1 milho e 500 milpara fazer barcos e para novas tecnologias. Isso no suficiente,mas o incio. Liberamos 55 milhes de reais para os pescadoresprofissionais artesanais, para o pequeno produtor de peixe ir aoBanco do Brasil pegar recursos para custeio e para investimentos.Infelizmente, ao longo desses anos, o Pronaf estava adisposio dos pescadores e os pescadores no sabiam. Quemacessava o Pronaf eram os pescadores do litoral Sul, do extremoSul do Estado porque o litoral Norte no pegava, ao longo do RioUruguai e no centro do Estado tambm no. Estamos percorrendotodos os Municpios com pescadores e produtores de peixe paraconhecer essa realidade. Ontem estvamos em Cachoeira do Sul eningum sabia do Pronaf.O Pronafinho se enquadra mais com os pequenospescadores, 4% ao ano, o pessoal da Emater sabe bem comofunciona, hoje o C de 500 reais a 2.500 reais para custeio, mastem A, B, C. O investimento vai at em torno de 5.000 reais, maspode acessar at 48.000 mil reais individual, se for trabalhar emconjunto pode fazer um grupo de pescadores comprar um barco etrabalhar em cooperativa porque seno nos unirmos e trabalharmosem conjunto no vamos longe.Apesar da Secretaria ter herdado um oramento mnimoestamos conseguindo subsidiar o leo, que era outro programa quej funcionava, e ns pescadores temos direito, temos que ir juntosna nossa entidade de classe fazer com que ela entenda que vocstem direito ao subsdio de leo que no muito mas vocs podemter um abatimento no consumo de leo diesel de 24%, isso bem70significativo em uma mdia no ano e quem est acessando osubsdio do leo, digo isso porque somos ns que assinamos emPorto Alegre, so s as grandes indstrias e o recurso no pouco.No quero mentir para vocs, mas parece que no Rio Grande doSul mais de 1 milho de reais e que graas a Deus o setorindustrial pega porque este dinheiro est disponvel, e nspescadores pequenos no pegamos por falta de informao.Ento quer dizer que na criao da SEAP temos esse papelde fazer com que todos os rgos do Governo Federal ligados aesse setor trabalhem em conjunto e as aes no sejamindividualizadas, sejam integradas e vamos trabalhar para essestrs setores.Quero dizer que muito bom o Governo continuar com oRS-Rural. Saiu uma proposta de pegar parte desse recurso que vempara o litoral Norte, 250 mil reais, qualificarmos esse recurso ebotar no desassoreamento da barra, no s de Torres, mas tambma de Tramanda tem problemas.Para finalizar, quero dizer que ns do Governo Federal, emrelao ao resumo feito, estamos atuando em cada ponto desses.Na questo da barra de Torres e de Tramanda, j estamos fazendocontato com o Ministrio dos Transportes e com o Diretor doDepartamento de Portos enviando a possibilidade de fazer umprojeto para o Instituto Nacional de Pesquisas Hidrogrficas doRio de Janeiro para atuarmos nessas questes.Pergunto, por que no podemos fazer parceria com osGovernos Federal, Estadual e Municipal para desassorear esse rio?No filme que o companheiro passou, o aumento dos molhes podeser uma soluo, mas o grande problema o assoreamento do rioporque a mareta bate e levanta.Se o arroio tiver profundidade, a mareta vai ser menor e comisso ameniza. Acho que podemos comear a tratar as questes deTorres e Tramanda e tentar resolver o problema. Quem sabe se fazuma Subcomisso e com uma parceria se resolva o problema?71O SR. RELATOR DIONILSO MARCON (PT) Muitoobrigado, companheiro Joo Dias. Agora, abriremos para asperguntas e para esclarecer as questes que no ficaram claras parao Secretrio-Adjunto, Sr. Marcos Palombini e para o representantedo Ministrio da Pesca. Eu vou fazer algumas observaes sobre aquesto da barra.A questo da barra foi muito bem esclarecida pelo Sr. JooDias, como pelo Ministrio dos Transportes, o Ministrio da Pesca,das Minas e Energias, com a Petrobrs e o Governo do Estado.Os Deputados da Comisso, assim como o Deputado CiroSimoni, podem ajudar a intermediar, mas temos que ver a questodos 250 mil reais, possvel investir? Sobre isso eu quero saber doMarcos Palombini se possvel ou no resolver essa questo.Sobre o Ibama e a Patran, em nome da Comisso, podemosfazer um contato com Ministrio do Meio Ambiente, por meio desua Coordenadora, a Sra. Ceclia, e com a Patran para ver asquestes aqui levantadas. Ressalto que sero feitas perguntas e nocomentrios.O SR. FLVIO ELTER Eu quero fazer um esclarecimentosobre o RS-Rural. Neste ano, ns temos 250 mil reais disponveis,mas j esto acertados com a Cooperativa, Esse um trabalho dereunies e depois de acerto com o nosso Comit.Esse ano ns no podemos mudar, mas temos promessa demais 250 mil reais, para o ano que vem. Ento, no ano que vempode ser cobrado em cima do desassoreamento dos molhes, desdeque tecnicamente seja eficiente.Essa uma idia que est correndo h pouco tempo, temosque nos assegurar que realmente resolva o problema. Se oproblema for resolvido, poder ser trabalhado no ano que vem.Para o ano que vem j temos recursos.O SR. RELATOR DIONILSO MARCON (PT) Muitoobrigado pelos esclarecimentos. Com a palavra o Sr. Perseu.72O SR. PERSEU BARBOSA Gostaria de perguntar ao Sr.Palombini a respeito do problema da criao da tilpia, do catfish edas variedades de carpas do blackbass, esses peixes exticos,americanos.Eu penso que os americanos esto largando esses catifcios o mesmo que largar corda para o Brasil se enforcar, principalmentenas bacias, esturios e nas lagunas, na Bacia do Rio Tramanda queacompanha as lagoas e tambm na Bacia do Mampituba.No sabemos o impacto dessas espcies nessas guasestuarinas, por isso, preciso ter muito cuidado. Em audes muitofechados tudo bem, mas essas espcies no so para o pescadorprofissional/artesanal.O SR. RELATOR DIONILSO MARCON (PT) Muitoobrigado. Com a palavra o Sr. Renato Corte Real.O SR. RENATO CORTE REAL Sou da Secretaria doMeio Ambiente do Estado e sou responsvel pelo Parque Estadualde Itapeva. Lastimo que entre os presente no h nenhumrepresentante da Fepam, j que a Fepam foi citada umas dez vezespelo Deputado. A polcia, a fora policial, a Patram, todos osagentes de fiscalizao e a prpria Fepam aplicam as leis.Quando a polcia no funciona, como est acontecendo noRio de Janeiro, contra a bandidagem e tudo mais, o pessoalreclama. Quando a polcia comea a funcionar, ser atuante, temgente que reclama. Agora, quem faz as leis so os Deputados, nosomos ns da fiscalizao , so exatamente os polticos e osDeputados. Acho que no um bom caminho bater-se numainstituio da forma que o Senhor bateu.O SR. RELATOR DIONILSO MARCON (PT) Concedo apalavra ao ltimo inscrito.O SR. VICENTE Farei apenas um comentrio e duasperguntas aos que falaram por ltimo.73O Brasil um Pas que exporta o seu produto pesqueiro. Porque a economia brasileira no deu importncia devida de que apesca tambm faz parte da economia brasileira e no criaram oMinistrio da Pesca e criaram apenas uma Secretaria Issoconsidero um absurdo. Mas isso o Presidente Lula, com certeza, iralterar. uma sugesto que dou para levar ao Presidente Lula.Secretrio, o Senhor diz que no h nenhum rgo no Estadoque representa a pesca. E o que foi feito com o Departamento dePesca do Estado? Fui funcionrio do Estado, casualmente desseDepartamento, s quem colocaram para dirigir esse Departamentode Pesca uma pessoa que mora no Campo Bonito e entendia sde passarinho. Assim no funciona mesmo.A minha sugesto ns representarmos o Ministrio, tentaro Ministrio da Pesca e o Senhor, um Departamento de Pesca doEstado, para fugir da sua rea, a agricultura. Eu estou aposentado eestou disposio para ajudar no que for necessrio. Muitoobrigado.O SR. RELATOR DIONILSO MARCON (PT) Muitoobrigado. Concedo a palavra Vereadora Nivia Pinto Pereira.A SRA. NIVIA PINTO PEREIRA Apenas quero dizer quede acordo com o Flvio, que explicou muito bem a disponibilidadede 250 mil para o ano que vem e tambm, j 250 para esse ano e250 para o ano que vem. Esses recursos so muito bem vindos.Certamente os nossos pescadores precisam desses recursos.Gostaramos de saber do Senhor, Deputado, do Joo e Palombinise h possibilidade ambiental de mexer na dragagem do RioMampituba. Qual a viabilidade ambiental de fazer isso? Temos orecurso, mas vivel ambientalmente fazermos isso? Se a mesano tiver resposta agora, ento que a procure e retorneposteriormente. Muito obrigada.O SR. RELATOR DIONILSO MARCON (PT) Concedocinco minutos para cada representante.O SR. MARCOS PALOMBINI Tentarei responder a suapergunta. O catfish foi introduzido no Brasil em 1972. Hoje, j me74considero um especialista em catfish de tanto que tenho sidoassessorado pelos professores da Universidade Catlica Federal dePelotas e da FURG. um peixe que no agride o meio ambiente,no carnvoro onvoro.Nossa proposta a criao de peixes cultivados em ambientefechado, ou aude, ou tanques cavados, ou gaiolas rede.Fatalmente, algum peixe poder fugir, mas no se tem prova atagora de que tenha agredido o meio ambiente.O americano no tem tido produo suficiente desse peixepara abastecimento interno. A Europa consome mais a tilpia, e osEstados Unidos, mais o catfish, que tambm chamado de bagreamericano e de bagre de canal. No se pode confundir com o bagreafricano, que outra espcie.A outra pergunta que o Senhor falou de eu bater. O Senhorsabe que estou numa funo do Governo do Estado, mas soupoltico. Ns, polticos, recebemos e damos paulada. Porm temosde nos preocupar sempre com a defesa dos interesses do nossopovo, da nossa populao. Sou produtor, defendo o nosso produtor.Quando um rgo est prejudicando o setor da produo batereisempre e bato de pblico, de frente.O SR. PARTICIPANTE (manifestao longe domicrofone)O SR. MARCOS PALOMBINI Hein? meu companheiropoltico, mas infelizmente no est a servio do interesse doprodutor gacho. Isso j disse para ele na frente dele. Eu, comopoltico, no bati pelas costas.Gostaria que a Fundao Estadual de Proteo Ambiental Fepam estivesse presente hoje. Este rgo iria ouvir as mesmascoisas que isso, e certamente este rgo teria espao para sedefender.Ns como produtores no podemos sermos refm de meiadzia ecologistas dentro da Fepam. Isso no podemos. Todos nsque proteger o meio ambiente. Agora, em defesa do meio ambiente75no podemos acabar com o produtor. O produtor tem sidosacrificado e vtima da Fepam. Eu no sei, mas estou vendo ossenhores muito quietos.Tenho percorrido 1.500 quilmetros por semana, visitandovrios Municpios.Quando falo na Fepam, e bato nela recebo aplausos.Apoiado? Bato no bom sentido. Quero que a Fepam defenda omeio ambiente, mas deixe o povo viver. E ns produzirmos.A outra pergunta que o senhor me fez sobre a questo dergos no Governo do Estado da pesca. Desconheo a existnciadesse departamento de pesca. A Secretaria da Agricultura foiesvaziada.Hoje, todo o setor de pesquisa passou para a Secretaria deCincia e Tecnologia, que a Federao dos Trabalhadores naAgricultura do Estado do Rio Grande do Sul Fetag. Hoje, naSecretaria da Agricultura h o Instituto Rio-Grandense do Arroz IRGA , o Departamento de Comandos Mecanizados,Departamento de Produo Animal e o Departamento de ProduoVegetal.H esse departamento que no bem departamento, umacoordenadoria, o qual coordeno, que de incentivar a produo, detransformar em produo todas as potencialidades do Rio Grandedo Sul.H quatorze itens os quais estamos trabalhando. Desde deflorestas, citricultura, cana-de-acar.Somente para vocs terem uma idia, o Estado do RioGrande do Sul tem um potencial enorme para produzir cana-de-acar. Aqui, no litoral norte, os senhores tm uma vocao paraisso, no ?O Rio Grande do Sul consome 40 milhes de litros decachaa por ano. Estamos importando 30 milhes de litros decachaa. isso que temos de acabar no Rio Grande do Sul. Temos76de fazer com que este potencial produtivo se transforme em fatorde produo, de progresso, de desenvolvimento e de riqueza paratodos ns.O SR. RELATOR DIONILSO MARCON (PT) Obrigado,Secretrio Marcos Palombini. Quero dizer aqui que essas brigas do(incompreensvel) se resolvem entre eles. importante que a Secretaria do Meio Ambiente sedefendeu. Mas engraado que os grandes projetos que vm aoencontro dos trabalhadores sempre resolvido na ltima hora. Ospequenos projetos sempre so vistos maiores do que deveriam servistos.Ento, temos de avanar na produo e na tecnologia. Mastemos de preservar tambm o meio ambiente. Esta uma questopolmica.O SR. MARCOS PALOMBINI Permita-me, Deputado?Somente para terem uma idia. Sabem quantos dficits deprojetos h na Fepam? Mais de 20 mil projetos. So projetos commais de quatro anos que no so apreciados.O que adianta a Fepam? Se entra um projeto e parece quedesestimula o produtor. H projetos que tm quatro anos deexistncia que esto pendente da aprovao.O SR. RELATOR DIONILSO MARCON (PT) Sr. JooDias para encerrar.O SR. JOO DIAS Dentro da Ceap temos feitos umgrande esforo. a orientao do Governo de que ns integramos falei. Acho que esse esforo vale a pena. Agora, h umaorientao do Presidente Lula de que os rgos tm de trabalharintegrado. Vamos sentar mesa, a fim de trabalharmos em umprojeto.Queria responder ao companheiro que falou, em vez deSecretaria ou Ministrio, quero dizer que nome para ns no77interessa. O que interessa para ns, que faa o trabalho. Isso que interessa.O pescador e o agricultor precisam de prtica. Vamos fazerisso. Seja Ministrio, e uma Secretaria. Com certeza, a Secretariacumprir esse papel. No ano que vem, teremos o nosso oramentoem 10 vezes mais.A questo da viabilidade ambiental, Vereadora, quandotivermos com o projeto, poderemos passar estava em dvida comLino, se Ibama, se Fepam mas temos ter um projeto parapassarmos para a entidade responsvel avaliar, se possvel ouno.O SR. MARCOS PALOMBINI Nessa questo aresponsabilidade do Governo Federal, so as guas federais.Todas as guas que desembocam no mar ou que dividem osestados so as guas federais.O SR. RELATOR DIONILSO MARCON (PT) Obrigado,Joo Dias. Passo a palavra para o nosso Deputado Ciro Simoni,que dessa terra, que tem feito um bom trabalho. Depois oencerramento.O SR. CIRO SIMONI (PDT) Muito obrigado, DeputadoMarcon.Fiz uma breve manifestao inicialmente procurando trazeraquela que entendo ser a maior preocupao dos nossos pescadoresdaqui, tanto daqueles que trabalham com seus barcos e quantotrabalham em outros barcos. Essa a grande preocupao.Deputado Marcon, importante que possamos levar a frente estareivindicao.A questo do trabalho da Emater que qualificado e vemconscientizando os nossos pescadores. A importncia de se reunir, um trabalho que obviamente tem de ser dado uma continuidade aele. O trabalho que vocs fazem importantssimo. Claro que issose associa ao processo. Mas um no inviabiliza o outro. A Ematervem fazendo o seu trabalho nesse sentido.78Precisamos de ter as aes concretas em relao questodas duas barras. No falei da barra do Municpio de Tramandaporque estamos aqui. Mas conheo muito bem l. Pesco mais emTramanda do que aqui em Torres. Ento, segunda-feira l. Essasduas barras foram projetadas, para serem diferentes do que so. Foifeita apenas uma parte delas. isso que temos de fazer.Hoje, temos muito mais dificuldades por questesambientais de faz-las do que naquela poca quando foram feitas.Mas no podemos esmorecer. Temos de trabalhar no sentido deconstruir projetos, para isso precisamos de dinheiro.Se o Deputado Ado Villaverde estivesse presente, eu iapedir para ele, assim como pediria para o nosso representante deSanta Catarina. Daqui a pouco teremos duas emendas. Umdeputado de Santa Catarina e um deputado do Rio Grande do Sul,a fim de ter...Um deputado estadual, o Deputado Marcon sabem muitobem que no temos como fazer esse tipo de emenda. Ou sai doExecutivo e se aprova, ou no se consegue emenda nesse sentido.Ento, um deputado de Santa Catarina e outro do RioGrande do Sul que colocam os recursos, a fim de fazerem osprojetos.Se h projetos, se voc tem condies de aprovarmentalmente ele (incompreensvel) para depois se conseguir fazer. objetivar a questo. J ouvi esta questo. Faz menos de um anoque sou Deputado. J ouvi esta questo e volta essa questo e nose resolveu at hoje.O que temos de fazer, Deputado Marcon, justamente nesserelatrio objetivar essa questo, objetivar para que o Estado e quepossamos quem sabe um trabalho do Sr. Joo, que um bomtrabalho e uma pessoa experiente, um ex-pescador que faz cincoque est na pesca, mas que conhece. Ns possamos levar em nvelfederal essa preocupao ao Ministrio dos Transportes e emoutros rgos associados levar essa importncia que h aqui.79Tanto para o Municpio de Torres quanto ao Municpio deTramanda h a importncia turstica que foi levantada. Existe aimportncia turstica. Os barcos no entram aqui, muitas vezes,porque no tm condies de entrar barra. Se houver condies deentrar na barra, vo usar muito mais os hotis, os nossosrestaurantes e a estrutura que j est montada nesses doisMunicpios. Por isso, a importncia ... (houve falha na gravao)No entram. Por que no entram? Porque no h condies.Como que em outros lugares h condies? importante quetenha esse projeto, que se faa e que se persiga isso comobjetividade. Muito obrigado.O SR. RELATOR DIONILSO MARCON (PT) Obrigadoao Deputado Ciro Simoni.Agradecemos aqui o Sindicato dos Pescadores por terseguido esse espao, em nome do Presidente Sr. Miguel. Tambmagradecemos a Emater, escritrio e local municipal, em nome doFlvio. Saudamos todos funcionrios da Emater que contriburamessa audincia pblica.Agradecemos e saudamos a Cmara de Vereadores, emnome do Presidente Joo Alberto Cardoso. Saudamos a Cmarados Vereadores por ter colocado disposio para ns umaestrutura como: a gua e caf, a fim de podermos realizar estaaudincia pblica e funcionrio.Tambm a Vereadora Nivia Pinto Pereira, que fizemos umaparceria j que ela tinha solicitado uma audincia pblica paracontribuir nesse processo. A Prefeitura Municipal de Torres, emnome do Vice-Prefeito Cludio Marino; os Deputados Janir Brancoe o Ciro Simoni, o Deputado Federal Ado Preto; Joo Dias,representando o Ministrio da Pesca; Marcos Palombini, SecretrioAdjunto do Estado do Rio Grande do Sul.Saudamos e agradecer as trabalhadoras e os trabalhadores,enfim as entidades presentes, ao Adriano representante da colniavizinha de Santa Catarina Passo das Torres.80Queremos convidar se algum quer parece que feriado segunda-feira, s 14 horas no Municpio de Imb no Ciclomar,uma audincia pblica, onde discutiremos tambm com ospescadores. Fazendo esse debate com as entidades e com ospescadores.Com certeza, essa questo da barra a mesma questo doMunicpio de Tramanda. Aps tentarmos articular conjuntamenteum grupo de trabalho com essa situao aqui. Com certeza l, sera mesma questo, a fim de discutirmos junto com o Governo doEstado e com o Governo Federal.Queremos ver que preservando o meio ambiente no serobstculo para resolvermos essa situao. Ser que menos oumais de fazer a dragagem para que os pescadores e os barcosconsigam entrar nas barras. Com certeza, articularemos estaquesto do Municpio de Tramanda e do Municpio de Torres.Agradecemos.No sei se est aqui disposio a fita do Hino do RioGrande. No h condies. Ento, muito obrigado. Vamos nosencontrar nas vitrias.Est encerrada a Sesso.81ANEXO IIPesca Artesanal no municpio de Tavares,RS, - apresentao em Power Point produzidapelo extensionista rural e chefe do EscritrioMunicipal da Emater em Tavares, CarlosRoberto Vieira.828384ANEXO IIIEstudo de viabilidade de recuperao eotimizao do potencial pesqueiro da LagoaPequena Pelotas, RS, elaborado pelo Ncleo deEstudos e Pesquisas Ambientais, Estao dePsicultura, da Universidade Catlica de Pelotas,sob a coordenao do professor e oceangrafoSrgio Noguez Piedras, elaborado em julho de2003.85868788899091929394959697ANEXO IVTrabalho elaborado pelo pesquisador DarioFuturo com a colaborao do professor GuaraciFerrari, elaborado em 1985, publicado nos jornaisAgora, de Rio Grande e Jornal do Comrcio dePorto Alegre.9899100101102103104105106ANEXO VDiagnstico do Setor Pesqueiro, apresentaoem Lminas de vinil, em retroprojetor, feita peloagrnomo Flvio Elter, do escritrio regional daEmater, em Torres, RS107108109110111112113ANEXO VICarta da populao tradicional do ParqueNacional da Lagoa do Peixe, distribuda durante aaudincia da Comisso realizada em Rio Grande em14 de novembro de 2003.114115116ANEXO VIIDecreto nmero 93.546, de 06 denovembro de 1986, criando o Parque Nacionalda Lagoa do Peixe.117118119ANEXO VIIIOfcios emitidos pelo relator, solicitandoprovidncias decorrentes de encaminhamentosrelativos Subcomisso Mista da Pesca eAquicultura.120121122123124125126127128129130131132133134135136137138139140141142143144145146147148149ANEXO IXOfcios recebidos pela relatoria, com providnciasrelativas a encaminhamentos feitos no mbito daComisso Mista de Aquicultura e Pesca.150151152153154155156157158159160161162163ANEXO XPerfil da Fundao de Estudos e PesquisasAquticas Fundespa, que realiza estudos queorientam as obras a serem desenvolvidas na foz dosrios Mampituba e Tramanda.164A Fundao de Estudos e Pesquisas Aquticas - Fundespa,constituda em 1989 pelos docentes, tcnicos e alunos do InstitutoOceanogrfico da Universidade de So Paulo - Iousp, umainstituio de carter educacional e cientfico, de direito privado esem fins lucrativos, voltada ao estudo, pesquisa edesenvolvimento de estudos ambientais. A Fundespa foideclarada entidade de utilidade pblica estadual atravs doDecreto n 45.175 de 08 de Setembro de 2000, e declarada deutilidade pblica federal, atravs da Portaria n 1.521 de 08 deNovembro de 2002 do Ministrio da Justia.A Fundespa presta servios nas suas vrias especialidades,celebra convnios, acordos ou contratos com pessoas fsicas oujurdicas, de direito pblico ou privado, dispondo, atravs de umcorpo de tcnicos e consultores do mais alto nvel nacional einternacional.A entidade dispe de sede prpria localizada em So Paulo,estrutura operacional, logstica e administrativa, laboratrios,viaturas e equipamentos de ltima gerao para coleta e anlisede dados fsicos, qumicos, geolgicos, meteorolgicos ebiolgicos, e uma equipe de profissionais qualificadosresponsvel pela elaborao, execuo e gerenciamento dosprojetos.A Fundespa atua nos seguintes servios: elaborao,implementao e execuo de caracterizaes, diagnsticos eplanos de monitoramento ambiental em reas porturias,emissrios submarinos, terminais petroqumicos, marinas, rios elagos; identificao de fontes de poluio hdrica; exames eanlises fsicas, qumicas e biolgicas de ecossistemas hdricos;meteorologia e climatologia; aplicao e/ou desenvolvimento demodelos numricos em estudos de dinmica dos fluidos emsistemas costeiros, ocenicos e atmosfricos; levantamentosgeolgicos em regies costeiras e na plataforma continental;coletas, inventrios e classificaes de espcimes da flora e faunahdrica e terrestre; aplicao de tcnicas de sensoriamento remotoa estudos ambientais; avaliao de impactos ambientais;beritagens sobre episdios de degradao ambiental; estudos etestes em laboratrio, da toxicidade (bioensaios) presente emcorpos hdricos, sedimentos de fundo, efluentes municipais,industriais, bem como de substncias qumicas diversas. Testes deecotoxicidade in situ em corpos hdricos; assessoria a projetos de165legislao ambiental; treinamento e capacitao de pessoal emtcnicas laboratoriais, oceanogrficas e limnolgicas; apoiologstico cursos de aperfeioamento e extenso universitria.

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