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  • Relatrio de Estgio Mestrado Integrado em Medicina

    ESTGIO EM HEMATOLOGIA CLNICA - DESAFIOS Joana Silva Reis

    Orientadora: Dra. Cludia Almeida Casais

    Porto 2012

  • II

    Resumo

    A aluna Joana Reis realizou um estgio no Servio de Hematologia Clnica do

    Centro Hospitalar do Porto tutorada pela Dra. Cludia Casais, assistente hospitalar neste

    servio, completando um total de 95 horas distribudas maioritariamente pelo

    Internamento e Hospital de Dia, mas tambm com visita aos departamentos de

    Hemoterapia, Citogentica, e Hematologia Laboratorial.

    Foi possvel aluna vivenciar o dia-a-dia da prtica clnica neste servio, tanto no

    mbito da abordagem ao doente como no mbito da interao entre todos os

    profissionais que integram a equipa de trabalho. No internamento foi possvel a

    integrao na dinmica de trabalho e assim a compreenso da complexa articulao de

    funes que permitem o trabalho em equipa. Tambm aqui vivenciou as reais exigncias

    da manuteno de uma boa relao mdico-doente, num cenrio particular, com

    patologias e intervenes teraputicas que exigem abordagem especializada.

    A integrao nesta dinmica permitiu o acompanhamento da maioria dos doentes

    internados no perodo de estgio, e mesmo da continuidade dos seus cuidados no

    Hospital de Dia, desta forma, do diagnstico, inteno teraputica e prognstico foi

    possvel consolidar conhecimentos tericos de uma forma continua e estimulante.

    No decurso da atividade a aluna teve oportunidade de observar inmeros

    procedimentos especficos deste ramo da medicina, de que so exemplo aspirado

    medular, bipsia medular e puno lombar. Pode tambm pr em prtica alguns

    procedimentos mais simples como gasimetria arterial, colocao de cateter perifrico e

    toracocentese.

    Com a integrao na rotina de servio, contacto com os doentes e aquisio, no

    s de competncias mdicas, mas principalmente de uma viso do cuidado mdico

    centrado no doente e capacidades psico-comportamentais que o levem a cabo, a aluna

    pde tornar mais completa a sua formao e profissionalizao.

    Consideram-se assim atingidos os objetivos propostos inicialmente para este

    estgio em Hematologia, e vividos em pleno os Desafios que esta coloca.

  • III

    Abstract

    The student Joana Reis held an internship at the Department of Clinical

    Haematology of St. Antonio Hospital, tutored by Dr. Claudia Casais, clinician in this

    service, completing a total of 95 hours, spread mainly by the Ward and Day Hospital, but

    also with visits to departments Hemotherapy, Cytogenetics, and Laboratory Haematology.

    The student was able to experience the day-to-day clinical practice in this

    service, both in the approach to the patient and in the context of the interaction between

    all the professionals within the team. At the ward was possible to integrate the works

    dynamic and thus understand the complex articulation of functions that teamwork

    demands. Here, was experienced the real demands of maintaining a good doctor-patient

    relationship in this particular scenario, with diseases and therapeutic interventions that

    require a specialized approach.

    The students integration on this dynamic allowed the monitoring of most

    patients admitted through the internship period, and even the continuity of their care at

    the Day Hospital, from the diagnosis to the prognosis and therapeutic intent was possible

    to consolidate the theoretical knowledge in a continue and stimulating way

    During this activity the student had the opportunity to observe innumerous

    procedures specific to this branch of medicine, for instance bone marrow aspirate, bone

    marrow biopsy and lumbar puncture. She could also practice some simple procedures

    such as arterial blood gas, peripheral catheter placement and thoracentesis.

    With the integration into routine service, contact with patients and acquisition of

    skills not only medical, but mostly, a vision of patient-centered medical care and psycho-

    behavioral skills that make it possible, the student was able to become her training and

    professionalization more complete.

    It is considered to be fully achieved the goals originally proposed for this

    internship in Hematology.

  • IV

    ndice Geral

    Resumo ..................................................................................................... II

    Abstract .................................................................................................... III

    ndice Geral .............................................................................................. IV

    Introduo - A escolha ................................................................................ 1

    Desafios ................................................................................ 2

    A medicina do sangue ........................................................... 2

    Hematologia no Hospital Geral Santo Antnio (HGSA)

    Uma teia de equipas ............................................................... 3

    Cuidados mdicos centrados no doente ................................. 6

    Discusso - Prtica Clnica em Hematologia .............................................. 8

    Onco-hematologia ................................................................... 9

    Indicaes de Internamento .................................................. 10

    Falta de sangue .................................................................... 11

    Classificao da Organizao Mundial de Sade (OMS) das

    Neoplasias dos tecidos linfoides e hematopoiticos.............. 11

    Escala de Performance ECOG ............................................. 13

    A Experiencia .................................................................................. 14

    Leucemia aguda .............................................................................. 14

    Linfoma esplnico da zona marginal ................................................ 20

    Linfoma gastrointestinal ................................................................... 22

    Concluso ....................................................................................... 27

    Bibliografia ....................................................................................... 29

    Agradecimentos ............................................................................... Anexo 1

  • 1

    Introduo

    A escolha.

    Todo o estudante de medicina saber avaliar-se enquanto futuro prestador de

    servios mdicos. Alguns considerar-se-o mais objetivos, apaixonados pela escalada de

    raciocnio para chegar a um diagnstico. Outros pensaro que o tratar e o cuidar so a

    dinmica indissocivel que trar fascnio pela prestao de cuidados. Todos eles

    conseguiro antever-se no dia-a-dia a desempenhar um papel para o qual tanto se

    prepararam.

    A primeira noo de desafio, conceito base deste trabalho, comeou precisamente

    nesta reflexo. O pensamento que se impe ao se constatar que em breve um novo e

    exigente papel estar nas mos de um, at agora, estudante Estou preparado?

    Tomarei a liberdade de redigir este relatrio na primeira pessoa. A experincia

    que vivi durante este perodo foi muito alm do eu estudante. Foi uma mais-valia no

    mbito profissional, mas foi grandemente uma experincia pessoal, em que o meu eu

    pessoa foi desafiado, e ele que escreve agora.

    No estou preparada. A resposta foi fcil na minha anlise. O meu curso

    preparou-me bem para a compreenso da bioqumica, da fisiopatologia, para a prtica

    pragmtica da semiologia, para o raciocnio mdico, para o alcance de uma boa relao

    mdico-doente. Mas muito falta a um aluno do 6 ano para se sentir preparado. Talvez os

    anos de prtica? Sim, essa sem dvida completar a maioria dos lapsos inevitveis da

    formao acadmica. A mim, admito, faltava-me, alm de outras coisas, conviver com

    doenas de mau prognstico, ser tocada na ferida que todos evitam abrir, alunos e

    professores, durante longos 6 anos. Faltava-me falar em morte.

    Como dar ms notcias? Quais as fases de resposta adaptativa de um doente face

    a uma doena fatal? Como abordar a famlia? Quais os cuidados ao doente terminal?

    Tudo isto -nos ensinado, para tudo isto fizemos respostas curtas com palavras-chave

    como mandava o Professor. Mas no falamos de morte, no falamos de morrer como

    uma parte do processo de prestao de cuidados. No falamos da morte que nos

    assusta, da morte que surpreende, da morte que est espera paciente, da morte que

    ganha a guerra a que inocentemente nos alistamos.

    No quarto ano de curso, na Disciplina de Medicina I, tive 10 aulas prticas de

    Hematologia. Tinha aulas na biblioteca do servio, os alunos sentavam-se em torno da

    mesa e a Professora Cludia Casais tentava simplificar a to complexa rede de

  • 2

    patologias, nomeadamente no ramo da onco-hematologia. Para a maioria dos alunos

    eram dificlimos de compreender. Na parede havia um quadro com o nome dos doentes

    que se encontravam internados e o respetivo diagnstico em siglas na frente. A turma fez

    algumas visitas ao internamento, colheram-se algumas histrias, assistiu-se a

    procedimentos e espreitou-se para os quartos de isolamento. Patologias to complexas,

    tratamentos to agressivos e intricados torn

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