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Relatrio de Estgio

Mestrado Integrado em Medicina

RELATRIO DE ESTGIO EM URGNCIA PEDITRICA

ABORDAGEM DOS MOTIVOS MAIS FREQUENTES DE RECURSO AO

S.U., O SEU DIAGNSTICO E ORIENTAO. AVALIAO DAS

FALSAS URGNCIAS.

April Julie Cabral Machado

Orientadora:

Dra. Susana Paula da Silva Ferreira Pinto

Porto 2009/2010

RESUMO

Os servios de urgncia (SU) tm como objectivo proporcionar assistncia mdica

descontinuada e concreta em situaes agudas. Dado o aumento crescente do recurso a estes

servios em todas as reas, incluindo a Pediatria, especialmente devido s patologias ditas

no-urgentes, a sensibilizao para os seus motivos e a educao da populao importante,

na medida em que, assim, pode-se prevenir os custos acrescidos que advm do recurso

inadequado ao SU.

O objectivo do estgio foi compreender algumas particularidades da criana doente,

acompanhando profissionais de sade na Urgncia Peditrica Integrada do Porto (UPIP),

permitindo a avaliao dos motivos mais frequentes de recurso ao SU, bem como a

determinao do nmero de casos que no necessitaria de um atendimento urgente e avaliar

as suas principais causas.

Tive contacto com diversas patologias, desde as mais comuns como infeces das vias

areas superiores (IVAS) e gastroenterite aguda (GEA), at algumas menos comuns como

parotidite, impetigo e miringite bolhosa. Salienta-se que, tendo em conta os critrios da

Organizao Mundial de Sade (OMS), 91,7% das crianas que observei no apresentava uma

situao urgente, ou seja, essa percentagem representa, na minha anlise, a fraco de falsas

urgncias.

Este estgio foi importante na minha formao, quer pela riqueza das patologias observadas

e pela percepo do modo de funcionamento e de actuao, quer por me ter permitido

melhorar as capacidades de comunicao e relacionamento com a criana e a famlia, com

todas as suas particularidades.

i

AGRADECIMENTOS

minha orientadora, Dra. Susana Pinto, e a todos os profissionais de sade que me

acompanharam e ensinaram durante este estgio.

ii

NDICE GERAL

Resumo i

Agradecimentos . ii

ndice geral . iii

Lista de abreviaturas iv

Introduo ... 1

Discusso ... 3

I - Consideraes gerais ... 3

II - Anlise dos dados . .. 5

III - Casos clnicos e reviso terica 8

Coriza .. 8

Amigdalite . 10

Otite Mdia Aguda ... 13

Gastroenterite Aguda vrica ... 16

Intoxicao medicamentosa .. 19

Concluses .... 24

Bibliografia . 25

Anexos ... 28

1 - Nveis de triagem (PaedCTAS) ........ 29

2 - Etiologias da Gastroenterite Aguda e clnica respectiva ... 35

iii

LISTA DE ABREVIATURAS

ECG - Electrocardiograma

GABHS - Streptococcus beta-hemoltico do grupo A

GEA Gastroenterite aguda

IVAS Infeco das vias areas superiores

OMA Otite mdia aguda

OMS Organizao Mundial de Sade

PaedCTAS Canadian Paediatric Triage and Acuity Scale

SU Servio de Urgncia

UPIP Urgncia Peditrica Integrada do Porto

iv

INTRODUO

Os servios de urgncia tm como objectivo proporcionar assistncia mdica descontinuada

e concreta em situaes agudas, ao contrrio dos mdicos assistentes a quem compete a

vigilncia regular de sade, bem como a resoluo, encaminhamento e orientao das

situaes no urgentes (Benito, 1996). Tem-se verificado, ao longo do tempo, um aumento

crescente do recurso aos servios de urgncia por patologias que podiam ser resolvidas a nvel

dos centros de sade, pelo mdico de famlia ou nos atendimentos complementares,

constituindo as chamadas falsas urgncias. Isto deve-se, em parte, escassa educao para

a sade da populao, resposta inadequada e insuficiente por parte dos Cuidados de Sade

Primrios (Sansa et al, 1996; Antn et al, 1992), bem como facilidade de acesso ao servio

de urgncia e de realizao de exames auxiliares de diagnstico e atitude cada vez mais

exigente e consumista do utente face sade (Lopez et al, 1996). Tal constitui um importante

problema de Sade Pblica por poder condicionar atrasos na observao de situaes

realmente urgentes, alm de gastos desnecessrios para a sade (Caldeira et al, 2006).

Segundo a Organizao Mundial de Sade (OMS), uma urgncia hospitalar definida

como uma situao ameaadora de vida ou a necessidade de utilizar meios de diagnstico ou

teraputicos no disponveis nos Cuidados de Sade Primrios. Uma urgncia no hospitalar

consiste na necessidade de assistncia mdica imediata, sem que exista perigo de vida para o

doente. Uma situao no urgente aquela que pode aguardar para ser vista pelo mdico

assistente ou pediatra no horrio de consulta habitual (OMS, 1981).

A Urgncia Peditrica Integrada do Porto (UPIP) presta cuidados de sade a todos os

utentes de idade inferior a 18 anos, preferencialmente aqueles que esto inscritos nos Centros

de Sade dos Concelhos do Porto, Gondomar, Maia, Matosinhos e Valongo (Administrao

Regional de Sade do Norte, 2008). Pretende-se uma articulao de informao entre o SU e

os centros de sade, a fim de conseguir uma referenciao mais rpida, evitar a duplicao de

meios auxiliares de diagnstico e a perda de informao. Cada equipa mdica-tipo

constituda, na actualidade, por 4 pediatras e 6 internos de especialidade. Ocasionalmente,

participam, ainda, internos de Medicina Geral e Familiar e internos do ano comum (Almeida et

al, 2005).

Este estgio consistiu no acompanhamento de profissionais de sade na UPIP, permitindo a

avaliao dos motivos mais frequentes de recurso ao servio de urgncia, diagnstico e

orientao das situaes mais frequentes, bem como a determinao do nmero de casos que

no necessitaria de um atendimento urgente, as ditas falsas urgncias.

A criana no um adulto pequeno. Ela tem caractersticas e necessidades especficas e,

por isso, a deteco rpida e precoce dos sinais de alarme numa criana doente exige uma

1

prtica, ateno e sensibilidade especiais. O facto de as queixas serem reportadas por um

familiar, e no pelo prprio doente, confere, ainda, uma dificuldade acrescida devido maior

subjectividade.

2

DISCUSSO

I - CONSIDERAES GERAIS

O estgio foi realizado no Servio de Urgncia (SU) Peditrica do Porto, nas instalaes do

Hospital de So Joo, no perodo compreendido entre 9 de Setembro e 13 de Dezembro de

2009, num total de 84 horas, sob a orientao da Dra. Susana Pinto (Assistente Hospitalar de

Pediatria do Hospital de Santo Antnio) e dos mdicos responsveis por cada turno.

O SU constitudo por 7 gabinetes mdicos, 1 sala de observaes com 10 camas (uma

das quais de isolamento), 1 sala polivalente, 1 sala de trabalho de enfermagem e 2 salas de

pequena cirurgia.

admisso, as crianas so triadas pela equipa de enfermagem por um esquema adaptado

do Canadian Paediatric Triage and Acuity Scale (PaedCTAS). Os objectivos dos mtodos de

triagem consistem em:

- Proporcionar a cada criana um atendimento mais clere em funo da patologia

apresentada;

- Identificar rapidamente os doentes com situaes urgentes ou que representam uma

ameaa vida;

- Determinar a rea apropriada de tratamento;

- Informar o doente e a famlia sobre o tipo de tratamento esperado e o tempo provvel de

espera.

As crianas so includas em diferentes nveis de gravidade aps a avaliao de:

- Medidas fisiolgicas dependentes da idade;

- Queixa principal;

- Comportamento da criana.

Quadro 1. Nveis de gravidade (PaedCTAS).

Nvel I Situao ameaadora vida que requer interveno imediata

Nvel II Situao potencialmente ameaadora vida que requer interveno rpida

Nvel III Situao que pode progredir para um problema grave, podendo necessitar de interveno emergente

Nvel IV Situao com potencial de agravamento ou complicao que beneficia de interveno mdica

Nvel V Situao aguda mas no urgente que pode esperar ou ser referenciada aos servios de cuidados primrios

3

Estes nveis so traduzidos em 4 cores de acordo com a prioridade de atendimento: nvel I

laranja; nveis II e III amarelo; Nvel IV verde; Nvel V - azul.

O anexo 1 (pgina 29) mostra alguns exemplos de sinais ou sintomas para cada um dos

nveis de gravidade.

A triagem um processo dinmico. Um doente pode melhorar ou piorar enquanto espera

para ser atendido e, nas crianas, isto tem uma importncia ainda maior uma vez que a

deteriorao do quadro pode ocorrer rapidamente. Por isso, est prevista a reavaliao dos

doentes durante o tempo de espera.

O principal objectivo da escala de triagem diminuir o tempo de espera das situaes mais

graves. Contudo, existem vrios factores que influenciam a capacidade dos centros atingirem

os objectivos do tempo de espera, dos quais a grande afluncia dos doentes o principal

determinante (Canadian Paediatric Triage and Acuity Scale, 2001).

4

II - ANLISE DOS DADOS

Das crianas que observei no SU durante o meu estgio, 55% eram do sexo feminino. A

maioria tinha idades compreendidas entre os

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