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  • Rgua de Manejo de Pastagens

    ISSN 1983-9731Campo Grande, MSJunho, 2013Tcnico

    Comunicado

    Jos Alexandre Agiova da Costa1

    Haroldo Pires de Queiroz2

    1 Engenheiro Agrnomo, Dr., Pesquisador do Ncleo Regional Centro-Oeste para Caprinos e Ovinos, Campo Grande/MS. E-mail: alexandre.agiova@embrapa.br2 Zootecnista, B.Sc., Analista da Embrapa Gado de Corte. E-mail: haroldo.queiroz@embrapa.br

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    Introduo

    O manejo de pastagens sempre se constituiu numa dificuldade para os produtores e tcnicos que traba-lham com a produo animal em pasto. A principal dificuldade reside em ofertar uma quantidade ade-quada de forragem para satisfazer as exigncias do animal em pastejo, e garantir a sobrevivncia da es-pcie forrageira pastejada garantindo a manuteno de quantidade de folhas remanescentes suficientes para realizar a fotossntese (principal mecanismo na nutrio dos vegetais) e no comprometer excessi-vamente as substncias de reserva (carboidratos), utilizados na rebrota aps a desfolha.

    As avaliaes diretas da quantidade de forragem disponvel em uma pastagem envolvem a medio da altura e da massa do pasto. A altura pode ser estimada pelo uso de instrumentos criados por cien-tistas dedicados ao estudo da alimentao a pasto. Exemplos so o sward stick basto desenvolvi-do para medir pastagem de porte mdio a baixo; os discos de medio rising e falling plate meter, em que se obtm a altura da massa de forragem comprimida pela fora/peso de um disco com rea

    Fotos: Jaqueline Verzignassi

    conhecida, pouco teis com capins que possuem muitos colmos ou encontram-se acamados; a sonda eltrica tipo pasture probe (baseada na capacitn-cia), que mede a diferena na quantidade de energia acumulada entre o pasto, que alta, e o ar, que baixa, etc.

    altura da pastagem corresponde uma massa de forragem obtida por cortes e expressa em matria seca. Os mtodos para avaliao dessa massa de forragem so trabalhosos e seu resultado muitas vezes depende das condies locais de calibrao temperatura, umidade, fertilidade do solo, e seve-ridade da desfolha. Tambm sofre influncia das estaes do ano, necessitando de curvas de ajuste para cada estao. Alm dessas fontes de varia-o, as pastagens formadas com espcies tropi-cais, apresentam alta quantidade de tecido morto, que interfere na maior parte dos mtodos indiretos de medio. Nesse caso maior acuidade se obtm quando a massa colhida separada em folha, colmo e material morto.

    Como so complexas as formas de medir a quan-tidade de forragem ofertada (disponibilidade de

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    forragem para o animal pastar) e a altura de folhas restantes no resduo, foram desenvolvidos os mto-dos citados acima que simplificam o manejo, permi-tindo a persistncia e produtividade da pastagem, bem como a alta produtividade animal, na produo de carne, leite, pele e fora de trabalho.

    Como h inmeros estudos que associam a altura da pastagem com o desempenho animal, possvel simplificar ainda mais o manejo, apenas controlando a altura de entrada e sada dos animais, em pastejo rotacionado ou a altura do pasto no pastejo cont-nuo. Desta forma, a altura da pastagem, desde que haja densidade de plantas na pastagem e massa de folhas, especialmente em pastagens tropicais em monocultivo (formadas por uma s espcie forragei-ra), constitui-se em uma medida indireta adequada da forragem disponvel, facilitando o manejo. Este o intuito da rgua de manejo.

    A rgua de manejo

    A rgua de manejo um instrumento simples baseado na altura (cm) como orientao de manejo. Foi desenvolvida para uso com as forrageiras tropicais lanadas pela Embrapa Gado de Corte, exceo da Brachiaria decumbens, presentes em larga escala nos sistemas pecurios de produo brasileiros. Em uma das faces constam as alturas de entrada e sada (resduo) das braquirias e na outra dos panicuns (colonies). Na face usada para braquirias esto marcadas as faixas de uso da Brachiaria brizantha cultivares Marandu, Xaras e Piat, Brachiaria decumbens cv. Basiliski (braquiarinha) e Brachiaria humidicola cv. Tupi e a comum. Na face utilizada para manejo de panicuns esto marcadas o Panicum maximum cvs. Mombaa e Tanznia e P. maximum x P. infestus cv. Massai.

    As faixas de uso foram estabelecidas a partir de resultados experimentais obtidos por pesquisas conduzidas na ESALQ-USP, UFV, Embrapa Gado de Corte, e outros centros de pesquisa que trabalham com produo animal a pasto. Elas consideram alturas de entrada e sada (resduo) mais conserva-doras, que favorecem a longevidade produtiva da pastagem.

    A faixa verde indica a condio adequada de uso, aquela em que se d o melhor desempenho animal e a manuteno da produtividade da pastagem. A faixa vermelha indica as situaes em que o mane-

    jo est inadequado: na superior, do subpastejo, o pasto passou do ponto perdendo o valor nutricional; na inferior, do superpastejo, o manejo compromete a persistncia da pastagem, situao que repetida frequentemente leva degradao.

    O instrumento de indicao de manejo das pas-tagens foi inicialmente construdo nas formas de haste rgida retangular (Figura 1) e haste articulada retangular (Figura 2).

    Figura 1. Rgua de manejo de pastagens em forma de haste rgida com seo transversal retangular.

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    Figura 2. Rgua de manejo pastagens em forma de haste articula-da com seo transversal retangular.

    As alturas de manejo indicadas no objeto se ba-seiam na fisiologia das plantas forrageiras, apon-tando como momento de entrada aquele de maior acmulo lquido de forragem, quando mxima a formao de novas folhas e ainda baixa a perda de folhas por senescncia. O momento de sada determinado de forma que o resduo do pastejo contenha tecido fotossinteticamente ativo suficien-te para sobrevivncia da planta e rpida rebrota, proporcionando acmulo de forragem para um novo ciclo de pastejo.

    Nos piquetes sob pastejo contnuo a rgua de ma-nejo indica o momento de aumentar ou reduzir a lotao do pasto. Quando o capim atinge a altura MXIMA (Figura 3) hora de aumentar o nmero de animais no piquete. Quando chega na altura MNIMA deve-se reduzir o nmero de animais no pasto, ou deix-lo em descanso. A taxa de lotao mais ade-quada ser aquela que mantiver a pastagem numa altura intermediria entre a mxima e a mnima.

    Tabela 1 - Biomassa seca de raiz nos diferentes gentipos em funo das condies hdricas impostas.

    PastagemAltura

    mxima mnima

    capim-xaras XR 45 cm 20 cm

    capim-marandu MR 35 cm 20 cm

    capim-piat PI 35 cm 20 cm

    braquiria decumbens DC 30 cm 15 cm

    braquiria humidcola HM 20 cm 10 cm

    Figura 3. Capim-piat prximo da altura mxima de manejo da pastagem

    Nos piquetes sob pastejo rotacionado a rgua de ma-nejo indica o momento da entrada dos animais na pas-tagem (Figura 4) e o momento de troca de piquete.

    A taxa de lotao mais adequada ser aquela que permitir o consumo de toda a forragem entre a ALTURA DE ENTRADA e a ALTURA DE SADA num perodo de 1 a 7 dias.

    A identificao de cada espcie ou cultivar regis-trada nas prprias faixas longitudinais e transver-sais, ou prximo destas.

    O instrumento possui sua extremidade inferior de-senhada em forma de ponta (4), para facilitar o seu contato com o solo.

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    Tabela 2 - Biomassa seca de raiz nos diferentes gentipos em funo das condies hdricas impostas.

    PastagemAltura

    mxima mnima

    capim-mombaa MO 90 cm 40 cm

    capim-tanznia TA 70 cm 35 cm

    capim-massai MS 55 cm 25 cm

    Figura 4. Capim-mombaa na altura de entrada dos animais na pastagem.

    Na extremidade superior do instrumento h uma manopla (5) para facilitar a sua manipulao. Este suporte, opcionalmente, apresenta-se com reen-trncias apropriadas para a acomodao da mo do operador ao instrumento (Figuras 1, 2 e 4), de modo a melhorar o seu aspecto anatmico.

    No caso do instrumento em forma de haste teles-cpica, retrtil, (Figura 3), o objeto deve ser cons-trudo em diversas partes interligadas por meio do uso de dispositivo de juno (6), de modo que seja possvel estender o instrumento por ocasio de seu uso, bem como contra-lo quando no utiliza-do. Da mesma forma, o instrumento em forma de haste articulada (Figura 4) deve ser construdo em diversas partes interligadas por meio do uso de dis-positivo articulador (7), de modo que seja possvel dobrar e desdobrar.

    Para se realizar a avaliao da pastagem basta segu-rar o instrumento na posio vertical com a extre-midade inferior apoiada no solo e verificar se as plantas da encontram-se com altura no intervalo re-comendado para pastejo. Esta verificao da altura deve ser repetida em diversos pontos, abrangendo toda a pastagem, pois o capim apresenta-se com a altura distribuda irregularmente pelo piquete.

    A rgua de manejo dentre outras, apresenta vanta-gens ergonmicas. Por exemplo, quando compara-do trena e fita mtrica, a rgua, por ser rgida e de fcil leitura, no exige que o usurio se curve para medir. O fato de ser rgida tambm aumenta a acurcia na leitura da altura de manejo. Uma dife-rena tcnica crtica tambm, o fato da presente inveno apresentar uma base para fixao ade-quada no solo (perpassando, inclusive, a camada superficial de material orgnico), bem como j dimensionada, a partir desta citada fixao, de modo que o instrumento fique em posio padro para a correta mensurao da altura da planta. Outra vantagem deriva de que a presente inveno prov o monitoramento da forrageira, por meio da indicao direta da recomendao de manejo relativa pastagem (no h necessidade de leitura da altura em centmetros, por exemplo, anotao, e a posterior interpretao tcnica e consequente recomendao de manejo). Alm disso, a presente tecnologia no est sujeita a falhas mecnicas ou eletrni

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