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Edição 94 do semanário Registo

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  • 1

    PUB

    Director Nuno Pitti | 22 de Fevereiro de 2010 | ed. 094 | 0.50 euros

    www.registo.com.pt

    SEMANRIO

    Jernimo de Sousa assinala 35 anos do incio da Reforma AgrriaPG.09 Jernimo de Sousa assinala os 35 anos do incio da Reforma Agrria, em Montemor-o-Novo. O lder comunista des-tacou no seu discurso o que considerou ter sido a ofensiva criminosa que levou li-quidao da Reforma Agrria

    ReportagemReis das ruas

    PG.12 A idade no lhes traz menos m-rito. Cada um com o seu skate e com mano-bras sempre preparadas para entusiasmar os mais distrados. A gerao actual est cada vez mais ligada aos anos em que se praticou bom skate, por todo o mundo.

    Municpio de Castro Verde apoia lutados trabalhadores da mina de Neves-Corvo

    PG.3 A Cmara Municipal de Castro Verde mostrou o seu apoio aos trabalha-dores da mina de Neves-Corvo, que desde a passada tera-feira esto em greve

    Tragdia na Madeira faz dezenas de mortosO ltimo sabado mostrou-se fatal para a populao da ilha da Madeira. Chuvas torrenciais, ventos fortes, deixaram todo o arquipelago num caos e desordem. Jos Socrates deslocou-se ao fi m da tarde de sbado para avaliar a situao.

    GOVERNADORA CIVIL DE VORA FALA SOBRE OS TEMAS QUE MARCAM A REGIOeMBRAeR, o desemprego e as novas apostas ao nvel do apoio social.

    06

    Fernanda Ramos em ENTREVISTA

    Vila Viosapode vir a perder o ncleo do Museu dos Coches

    Cmara de Vila Viosa pretende opor-se possibilidade da transfe-rncia das carruagens para o Mu-seu Nacional dos Coches, em Lisboa

    AlEntEjo pErdE CulturA0502

    Registo associa-se ao luto nacional decretado pelo Governo pelo que o nosso logotipo hoje sa a preto

    Jovem mantida em cativeiro foi entregue s autoridades espanholas

    10

  • 2 22 Fev 10

    Voz A opinio que cria opinies

    Muitas vezes nos interrogamos sobre a real dimenso desta crise econmica e social. certo que somos diariamente confronta-dos com a falncia de inmeras empresas e com o consequente aumento do nmero de desem-pregados. No h ningum que no tenha pessoas na famlia ou amigos afectadas por esta grave situao econmica e financeira. Ningum ficou de fora. Na reali-dade, o rumo e a dimenso que vai ser seguida por esta crise so uma das grandes incgnitas e preocupaes actuais.Todos ns sabamos que esta de-gradante situao haveria de acontecer algum dia, s no se sabia quando e com que dimen-so. No era necessrio ser um especialista na matria para veri-ficar que este modelo baseado no consumo e de forte endividamento no poderia ter bom fim. ele-mentar os recursos no duram ad aeternum.Tambm verdade que as causas j esto todas mais do que iden-tificadas e analisadas, mas o que importa agora ultrapassar esta situao que foi criada, apren-der com os erros e promover um novo modelo de desenvolvimento econmico e social, que seja mo-ralmente justo e adequado s re-ais necessidades das populaes, mas tambm, que no ponha em causa a sustentabilidade do pla-neta.Esta vai ser a maior batalha com que nos vamos confrontar. Alte-rar este modelo significa abdicar de privilgios que temos vindo a obter ao longo dos ltimos anos parece-me inevitvel. Como bvio ningum vai querer perder direitos que consideram como adquiridos e inalienveis. Nin-gum vai querer perder as faci-lidades ao crdito. Vai ser difcil voltar a fazer poupana e reduzir consumos. Ningum vai querer perder salrios, nem as regalias laborais e sociais. Na prtica, estas novas mudanas implicam muito sacrifcio que ningum est disposto a fazer.Por isso mesmo, vamos entrar numa fase em que os sindicatos vo ganhar mais fora, os parti-dos dependentes da fragilidade econmica e social vo querer ti-rar os seus dividendos polticos. Vamos, inevitavelmente, entrar numa fase de agitao social

    A urgncia de um verdadeiro PEC

    tambm me parece evidente.Nesta crise, que claramente es-trutural e no conjuntural como muitos a querem intitular, s exis-tem duas opes: ou temos uma mudana do modelo vigente, com perdas claras das regalias e privi-lgios obtidos ao longo de vrios anos, ou ento, vamos ter inevi-tavelmente fome e uma misria galopante. verdade que vo ser os mais fra-cos os primeiros a pagar pelos er-ros criados ao longo destes anos. verdade que as sociedades mais desestruturadas so mais suscep-tveis aos abusos, corrupo e criminalidade. verdade que se deve exigir mais justia social. Mas tambm verdade que, no fazer nada no curto prazo, ir de encontro ao abismo colectivo.Mais do que nunca os Estados-Nao tm um papel determinan-te nesta fase histrica. espect-vel que cada um faa a sua parte, contribuindo para a mudana deste modelo econmico e social com que nos confrontamos. Os Estados tm um campo de ma-nobra cada vez mais reduzido, mas ainda assim, o seu papel in-terventivo e fiscalizador deve ser determinante para a recuperao da confiana nas diferentes socie-dades.Os Estados devem dar o exem-plo. Os Estados no podem ser os principais gastadores e geradores de dvidas que no podem pagar. Os Estados devem resolver, o mais urgentemente possvel, as suas situaes internas. Apesar de vivermos numa sociedade glo-bal, obrigatrio, em primeiro lugar, os pases arrumarem as suas casas. Foi assim que fez para a adeso ao Euro. Agora inevi-tavelmente mais urgente.Desta forma, devemos pedir ao Estado portugus que tambm faa a sua parte desta difcil ta-refa. D por onde der (reconhe-cendo que existe pouca vida para alm do dfice), urgente tomar medidas de fundo, isto porque impossvel esperar mais. S de-pois de sarar esta ferida econ-mica e financeira que possvel criar riqueza. Como bvio, nin-gum investe em pases falidos. Alis, no resolver o problema das contas pblicas, significa que se est a promover o mau inves-timento e nunca o investimento criador de riqueza e gerador de emprego.Est claro que o Governo, isola-damente, no vai tomar medidas de fundo. Est claro para todos que no desejvel a instabilida-de poltica. Significa ento que, no havendo eleies a curto pra-zo (porque ningum as quer), o melhor haver um entendimento srio entre os principais parti-dos polticos portugueses. Este entendimento no deve significar alianas polticas, mas sim enten-

    Antnio CostA dA silVAEconomista

    VoZ

    dimentos especficos em reas de-terminantes para o nosso futuro.Nesta fase em que estamos a pre-parar o PEC Programa de Esta-bilidade e Crescimento, devemos aproveitar esta ltima oportu-nidade para tomar medidas es-truturais que nos faam sair da grave situao em que nos encon-tramos. Como j referi, muitas dessas medidas sero certamente dolorosas, mas inevitveis. No haver entendimento significa que vamos arrastar os problemas at que terceiros os resolvam por ns.Tanto o Governo como a Oposi-o devem querer que o pas saia do pntano onde h muito tempo imergiu. Ningum deve querer governar (a seguir) um pas onde j no h nada a fazer, a no ser obter o poder. Isso s vai atrair maus governantes. nesta pers-pectiva que, na minha opinio, se deve apostar num entendimento ao nvel da tomada de medidas econmicas (e no s) nalgumas reas muito importantes, como so exemplo:1) Reduo e correco do dfice pblico;2) Reduo da dvida externa;3) Estabilizao do sistema finan-ceiro;4) Definio das principais obras pblicas a desenvolver;5) Criao de um verdadeiro ins-trumento de incentivo ao investi-mento e s PMEs;6) Renovao do modelo produ-tivo;7) Desenvolvimento de um pro-grama de criao de emprego;8) Promover um programa de aposta na competitividade.9) Reforma profunda da adminis-trao pblicaPromover um entendimento nes-tas reas significa dar um sinal de que se quer mudar. Mudar realmente. Desta forma, seria possvel concentrar esforos de combate s nossas principais fragilidades, evitando tambm, a interferncia negativa das cor-poraes e lobbies. No procurar este caminho, significa que vamos continuar a gastar alegremente e a empobrecer tristemente.

    Ningum vai querer perder salrios,nem as regalias labo-rais e sociais.

    CAVACo silVA ExprEssou CondolnCiAs s VitimAs do tEmporAl nA mAdEirA

    s famlias que foram atingidas pela morte eu que-ro expressar as mais sentidas condolncias, a todos aqueles que perderam os seus bens e os seus haveres eu quero deixar uma palavra de esperana, afirmou Anbal Cavaco Silva.

    Numa comunicao no Palcio de Belm, o chefe de Estado adiantou ter recebido um telefonema do rei Juan Carlos de Espanha, que disse que o pas vizinho estava disponvel para ajudar em tudo o que fosse ne-cessrio.

    O rei de Espanha lembrou-me que tinha estado na ilha no h muito tempo numa visita e disse ter fica-do absolutamente chocado com as imagens, revelou Cavaco, referindo-se visita que fez com os reis de Es-panha em setembro de 2009. Questionado sobre uma eventual deslocao zona afetada pelo temporal, Cavaco Silva respondeu que ir faz-lo no momento apropriado.

    preciso ajudar todos os atingidos pelos temporais a construir o mundo que foi destrudo, disse, em jeito de apelo.

    Fotografia de Arquivo

    A Fechar

    CurrAl dAs FrEirAs j no Est isolAdA

    Curral das Freiras uma freguesia situada no centro da ilha, num vale encravado entre as montanhas onde nascem algumas das ribeiras que ontem arra-saram a capital do arquiplago, o Funchal, e Ribeira Brava.

    Em contacto exclusivo para o Registo, ao incio da tarde de ontem, o jornalista da SIC, Pedro Coelho, re-feriu que a situao no Funchal e arredores catica e preocupante, pois o grau de destruio, enxurradas, desabamentos e toneladas de lamas e detritos so mui-to significativos.

    Ainda segundo Pedro Coelho, a localidade de Santo Antnio, nos arredores do Funchal aquela que mais sofreu com a tragdia pois l que se registaram, at ao momento, o maior nmero de vtimas mortais.

    Ontem, ao final da tarde, o Registo contactou, de novo, com o jornalista que j se encontrava no Curral da Freiras onde as equipas de resgate e da SiC conse-guiram chegar, a muito custo.

    Apesar dos receios e dos avultados estragos, o