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Edição 238 do Semanário Registo

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  • www.registo.com.pt

    SEMANRIO Director Nuno Pitti Ferreira | 03 de Janeiro de 2013 | ed. 238 | 0.50

    O Melhor Petisco | Rua Catarina Eufmia , 14Horta das Figueiras | 7005-320 vora

    266771284

    PUB

    Seguro apresentaOs meus compromissosPg.03 O secretrio-geral do PS come-a por descrever a realidade com que o pas se deparou durante o ltimo ano: O desemprego o maior de sempre, a eco-nomia continuou a afundar, a divida p-blica ultrapassou os 120% do PIB, o dfice real fica acima dos 6%, o investimento pblico cai para metade do realizado em 2011 e a emigrao forada a maior dos ltimos 40 anos.

    Viana assinala 115 aniversrio da restauraoPg.11 Viana do Alentejo assinala no prximo dia 13 de janeiro, mais um aniversrio sobre a restaurao do Concelho, passados que esto 115 anos. Para assinalar a data, a Cmara Mu-nicipal de Viana do Alentejo vai pro-ceder entrega de medalhas de honra do Municpio aos grupos corais femi-ninos do concelho.

    A UE, o Ensino Distncia e o Centro de TecnologiasPg.14 A Universidade de vora est pre-sente no mundo atravs do seu Ensino Dis-tncia (elearning), empenhando-se na cons-truo de uma sociedade do conhecimento, promovendo desenvolvimento profissional, pessoal e ambiental. A formao avanada, a formao contnua, a formao ao longo da vida e a divulgao representam os eixos principais de desenvolvimento do plano es-tratgico para o Ensino a Distncia.

    Eborae Mvsica Concerto de Ano NovoPg.10 O Conservatrio Regional de vora Eborae Mvsica e a Associao Eborae Mvsica promovem o Concerto de Ano Novo, pela Orquestra do Conserva-trio Regional de vora Eborae Mvsica, sob a direo de Lus Rufo, no dia 6 de Ja-neiro, domingo, s 18h00, no Teatro Gar-cia de Resende. Sero interpretadas obras de G. F. Haendel, A. Salieri, J. Sibelius e F. Schubert.

    D.R

    .

    Ambiente em Portugal Revista 2012 06

  • 2 03 Janeiro 13

    Director Nuno Pitti Ferreira (nuno.pitti@registo.com.pt)

    Propriedade

    PUBLICREATIVE - Associao para a Promoo e Desenvolvimento Cultural; Contribuinte 509759815 Sede Rua Werner Von Siemens, n.16 -7000.639 vora - Tel: 266 751 179 fax 266 751 179 Direco Silvino Alhinho; Joaquim Simes; Nuno Pitti

    Ferreira; Departamento Comercial comercial@registo.com.pt Redaco Pedro Galego Fotografia Lus Pardal (editor) Paginao Arte&Design Lus Franjoso Cartoonista Pedro Henriques (pedro.henriques@registo.com.pt); Colaboradores Antnio

    Serrano; Miguel Sampaio; Lus Pedro Dargent: Carlos Sezes; Antnio Costa da Silva; Marcelo Nuno Pereira; Eduardo Luciano; Jos Filipe Rodrigues; Jos Rodrigues dos Santos; Jos Russo; Figueira Cid Impresso Funchalense Empresa Grfica S.A.

    | www.funchalense.pt | Rua da Capela da Nossa Senhora da Conceio, n 50 - Morelena | 2715-029 Pro Pinheiro Portugal | Telfs. +351 219 677 450 | Fax +351 219 677 459 ERC.ICS 125430 Tiragem 10.000 ex Distribuio Nacional Periodicidade

    Semanal/Quinta-Feira N.Depsito Legal 291523/09 Distribuio PUBLICREATIVE

    Ficha TcnicaSEMANRIO

    ww

    w.egoisthedonism

    .wordpress.com

    Pedro H

    enriques | Cartoonista

    Um (Pai) Natal rasca

    A Abrir

    Gostava, tal como cerca de dez milhes de portugueses tambm gostariam, de expressar que o ano que agora chegou ao fim foi bastante proveitoso em todos os sentidos e que o prxi-mo ano ainda ser melhor. Infelizmente, no passar de uma utopia, e o ano que agora ence-tamos ser igual ou bem pior.

    Por muito que se procure introduzir nos dis-cursos palavras de esperana e de que os sacri-fcios tero um resultado positivo, no se sabe quando; faz com que os portugueses come-cem o ano descrentes em quem os dirige, com dificuldades que passam a barreira de mais um ano novo e uma esperana que no se vislum-bra. Muda-se o ano, renovam-se os impostos. IRS, IMI, cortes nos subsdios, aumentos nos transportes, taxas moderadoras, eletricidade, combustveis, so factos que no permitem ambicionar um 2013 melhor que o ano anterior. Nem os Jogos da Santa Casa da Misericrdia escapam! Queria, obviamente, ter um discurso otimista, ao invs desta reflexo que alguns tendero a chamar de pessimista. Nem uma coisa, nem outra. So palavras de realismo, de quem pensa desprovido de condicionamentos de poltica partidria, de quem contacta com as pessoas no seu quotidiano. Vai ser assim em Portugal 2013.

    Esta tragdia social que est a varrer as fa-mlias portuguesas no mnimo inquietante e desmobilizadora de uma nao. As famlias, ao contrrio do apregoado por uma certa eli-te politica, no podem demonstrar orgulho nos sacrifcios, sorrir face adversidade da

    austeridade e esperar que as contingncias econmico-financeiras se transformem em prosperidade.

    Soubemos ao cair de 2012, atravs de uma investigao jornalstica, que o buraco herda-do do BPN pode chegar a cerca de sete mil mi-lhes de euros. O dobro do que o governo pre-tende cortar na sade, reformas e na educao. Num pas minimamente srio, os responsveis por estes negcios j teriam conhecido um fim justo. Assim tambm se constri a esperana, pelo menos em quem nos dirige. Perguntam-me: qual a relao do BPN com o novo ano? Nada e tudo. Nada porque um escndalo que transita de anos anteriores e que no lhe adi-vinhamos o fim. Tudo, porque tal como este novo ano, no vislumbramos um fim que no nos pese na carteira.

    Se 2013 passasse depressa poderia ser que a dor de tamanha austeridade fosse atenuada. Ser que nos vamos ver gregos? Vamos ficar mais pobres? Com menos esperana? Este ide-ologicamente do custe o que custar vai dei-xar-nos pior. Parece que o experimentalismo que reinou no ano transato vai continuar. Este misto de indignao e de ausncia de esperan-a que nos acompanha no quotidiano est para ficar. O pas continua dividido. Uma minoria (mesmo muito pequena) de bons alunos que querem a austeridade e uma maioria (mesmo muito grande) que a sente. Estamos piores que em 2011. Vivemos muito pior em 2012. Que ser que nos vai acontecer em 2013? Se for para pior, que passe depressa.

    Que 2013 passe depressa! E 2014 como ser?

    Joaquim FialhoProfessor universitrio

    Vivemos tempos conturbados, em que a Ad-ministrao Pblica (AP) muitas vezes apre-sentada, na refrega poltica, como um corpo ineficiente e fonte de muitos dos males da so-ciedade portuguesa. Sem querer discutir, aqui, a bondade de tais acusaes, limito-me a afirmar, com a autoridade de quem j exerceu cargos dirigentes nos dois lados da barrica-da (em empresas privadas e na AP), que no concordo inteiramente com quem assim pensa.

    Em termos conceptuais as diferenas entre a Gesto Pblica e a Gesto Privada (a que feita nas empresas privadas) tm vindo a es-bater-se desde o incio dos anos 80 do sculo passado, num movimento que ficou conheci-do, atravs dos trabalhos de Christopher Hood, por New Public Management. Na sequncia de tal movimento, instrumentos caractersticos da gesto privada foram progressivamente adotados pela gesto pblica, como o caso da gesto por objetivos, da avaliao de desem-penho das organizaes e dos indivduos, da contabilidade patrimonial e da contabilidade

    analtica, de modelos de planeamento estrat-gico, entre outros.

    Por outro lado, em consequncia da crise do welfare state provocada por aumentos nas despe-sas que no eram suportados pelas receitas pbli-cas, as preocupaes com a economia, a eficcia e a eficincia na utilizao de recursos pblicos acentuaram-se, no se situando, em muitas ins-tituies, em patamares inferiores ao que se po-dem observar em qualquer instituio privada.

    Subsistem, contudo, alguns fatores que pro-movem a diferenciao entre Gesto Pblica e Gesto Privada. Sem pretender ser exaustivo, mas limitando-me queles que considero de-terminantes, identifico quatro tipos de condi-es que tornam a gesto pblica diferente:

    a permeabilidade a orientaes e presses polticas que originam, por um lado constan-tes inflexes estratgicas e, por outro lado, a irracionalidade de algumas decises, do ponto de vista econmico;

    a natureza da atividade prosseguida que nem sempre pode ser pautada por critrios

    economicistas, dada a sua relevncia do ponto de vista social;

    a forte sujeio a leis e regulamentos que tornam muitas vezes mais importante que as decises estejam conformes com a lei do que sejam economicamente racionais;

    a opacidade de critrios na escolha dos dirigentes que conduzem, muitas vezes, a escolhas de dirigentes cujo mrito pessoal e profissional duvidoso e que, por isso, no conseguem motivar quem deles depende a dar o melhor em prol da causa pblica.

    Retendo o ltimo daqueles fatores, importa salientar que, em alguns dos maus exemplos da AP que pululam nos media, e que formatam a imagem de toda a administrao, resultam de os dirigentes no exercerem a sua autoridade, dei-xando muitos servios num ambiente de laxismo que, muitas vezes, s no mais grave porque o sentido de dever dos trabalhadores o impede.

    H maus trabalhadores na AP? H, tal como h nas organizaes privadas; a situao se-melhante. H maus dirigentes na AP? H, tal

    como h nas empresas privadas. Porm, nas ltimas, os maus dirigentes no perduram muito tempo nos cargos enquanto na AP, em alguns casos, eternizam-se nos mesmos, sem qualquer responsabilizao e sem conse-quncias pessoais. Esta situao resulta, em grande medida, do primeiro dos trs fatores identificados.

    minha convico que, se o Pas quiser uma AP mais eficiente e eficaz, deve comear por profissionalizar, a srio, os seus dirigentes, libertando-os dos condicionamentos de na-tureza poltica que definem atualmente a sua ao, dando-lhes formao adequada (nomea-damente na rea da gesto) e responsabilizan-do-os pelos resultados obtidos.

    Paralelamente o quadro legal em que de-senvolvida a gesto pblica deve ser simplifi-cado, encetando uma tendncia que privilegie mais a avaliao do mrito das decises e da atuao do gestor pblico do que a sua con-formidade com inmeras e intrincadas norma