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Edição 221 do Semanário Registo

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  • www.registo.com.pt

    SEMANRIO Director Nuno Pitti Ferreira | 06 de Setembro de 2012 | ed. 221 | 0.50

    O Melhor Petisco | Rua Catarina Eufmia , 14Horta das Figueiras | 7005-320 vora

    266771284

    PUB

    Portalegre Fazer acontecer a regenerao urbana 03

    Seguro no quer mais austeridadePg.08 Pensada como palco para a rentre socialista, a Universidade de Vero cumpriu os objetivos. Numa sala apinhada para ouvir o lder, Antnio Jos Seguro chegou rodeado de reprteres de imagem, msica tpica das campanhas eleitorais e militantes em p a aplaudi-rem e a agitarem bandeiras.

    Alteraes do clima afectam biodiversidadePg.04 As alteraes climticas po-dem vir a beneficiar a agricultura di-namarquesa atravs do aumento no n-mero de espcies que fornecem servios de controlo de pragas. Enquanto isso, os pases do Sul da Europa enfrentam re-dues substanciais nas espcies ben-ficas.

    Vera Mantero no Garcia de ResendePg.12 A coregrafa pegou em dezenas de cabeas cortadas e encheu-as de coisas l dentro. Carrinhos de brincar. Colares de prolas. Cartes de crdito. Avies milita-res. Crucifixos. Moedas. Notas. Cadeados. Rebuados. E tambm sacos de plstico e at uma boneca insuflvel. H de tudo no novo espectculo de Vera Mantero.

    FronteiraPalco de HistriaPg.11 Os vestgios de ocupao huma-na na rea correspondente ao atual mu-nicpio de Fronteira remontam a mais de 10 mil anos de histria, com diversos mo-numentos megalticos, entre eles cerca de 30 antas e os dlmenes da Necrpole Me-galtica da Herdade Grande ou as rochas gravadas da Herdade dos Pintos.

    D.R

    .

  • 2 06 Setembro 12

    Director Nuno Pitti Ferreira (nuno.pitti@registo.com.pt)

    Propriedade

    PUBLICREATIVE - Associao para a Promoo e Desenvolvimento Cultural; Contribuinte 509759815 Sede Rua Werner Von Siemens, n.16 -7000.639 vora - Tel: 266 751 179 fax 266 751 179 Direco Silvino Alhinho; Joaquim Simes; Nuno Pitti Ferreira;

    Departamento Comercial comercial@registo.com.pt Redaco Lus Godinho; Pedro Galego Fotografia Lus Pardal (editor) Paginao Arte&Design Luis Franjoso Cartoonista Pedro Henriques (pedro.henriques@registo.com.pt); Colaboradores Antnio

    Serrano; Miguel Sampaio; Lus Pedro Dargent: Carlos Sezes; Antnio Costa da Silva; Marcelo Nuno Pereira; Eduardo Luciano; Jos Filipe Rodrigues; Jos Rodrigues dos Santos; Jos Russo; Figueira Cid Impresso Funchalense Empresa Grfica S.A.

    | www.funchalense.pt | Rua da Capela da Nossa Senhora da Conceio, n 50 - Morelena | 2715-029 Pro Pinheiro Portugal | Telfs. +351 219 677 450 | Fax +351 219 677 459 ERC.ICS 125430 Tiragem 10.000 ex Distribuio Nacional Periodicidade

    Semanal/Quinta-Feira N.Depsito Legal 291523/09 Distribuio PUBLICREATIVE

    Ficha TcnicaSEMANRIO

    ww

    w.egoisthedonism

    .wordpress.com

    Pedro H

    enriques | Cartoonista

    Lapso religioso

    A Abrir

    As conversas em torno do bom aluno multi-plicam-se com intensidade nos vrios qua-drantes. Este discurso metafrico, sobre os desafios da nao face aos compromissos assumidos com a troika, recorre a uma mi-tologia acadmica que procura construir um modelo de estudante que sirva de referncia para os seus colegas. O bom aluno pode ser algum que gosta muito de estudar, ou gosta muito de aprender, tem bom aproveitamento, evita conflitos, entre uma imensido de tipifi-caes de discutibilidade sem consenso sobre o que ser bom!

    Este primeiro ano da terceira interveno externa em Portugal dos ltimos 30 anos tem tido um impacto extremamente violento no pas. Esta condio de bom aluno tem levado

    Portugal viver a recesso mais profunda da sua democracia (queda do PIB de 4,8% entre 2011 e 2012) com o consumo, investimento e confiana das famlias e empresas a regista-rem quedas e mnimos histricos.

    A quinta avaliao que agora decorre, in-dependentemente dos seus resultados, vem servir para reforar a tese do aluno aplicado (que bem diferente de ser bom aluno) em oposio ao mau aluno, que faz batota e no mostra aplicao na prossecuo dos seus in-tentemos: a Grcia.

    Ser o bom aluno uma realidade que te-nho muita dificuldade em descrever. Um aluno pode ter bom aproveitamento e no dominar as matrias. Um pas pode reduzir o deficit e no resolver os problemas estru-

    turais. Um aluno pode ser aplicado, ter boas notas, mas no dominar a regras elementa-res de interao com os seus colegas. Um pas pode ficar bem face ao exterior, mas as suas gentes podem viver dias de amargura. Um aluno pode fazer grandes sacrifcios no seu estudo, no ter aproveitamento, e ser aplicado. Um pas pode fazer uma reduo brutal nos salrios, nas penses e ter um efeito perverso com efeitos no crescimento e na receita. Enfim, h possibilidades para todos os gostos.

    So estas perplexidades que tornam dif-cil classificar esta realidade do bom aluno. No havendo opo face herana assumida do populismo dos antecessores, este Gover-no no tem alternativa de no ser um aluno

    aplicado medida do professor, seguindo as regras negociadas em turma e honrar um compromisso assumido, fundamental para a consolidao da sua imagem exterior de apli-cado e responsvel.

    Portugal vai conseguir ultrapassar mais esta etapa. Alguns efeitos j so visveis. Registo aqui um de conscincia. Em 2011 houve um desaparecimento de 135 mil fi-lhos das declaraes de IRS e a reduo da despesa com medicamentos. No se pode dizer que os portugueses no tm imagina-o. E no foi a troika, nem o Governo, que criou tamanho exerccio de criatividade para sacar alguns milhares de euros, nes-te caso, ao Estado. Afinal, somos todos to bons alunos!

    O bom aluno ou o aluno aplicado?Joaquim FialhoProfessor universitrio

    A maioria dos portugueses atravessa um deser-to repleto de desesperos, presses e angstias. Famlias inteiras em situao de desemprego, milhares de pessoas em risco de perderem a possibilidade de habitar em condies condig-nas, reformados com os seus rendimentos pe-nhorados porque de, forma altrusta, aceitaram ser fiadores de filhos e netos que no conse-guem hoje cumprir os seus compromissos.

    Os cortes nos rendimentos do trabalho, os aumentos dos bens essenciais, a angstia de quem no sabe se consegue dar aos filhos a formao escolar ambicionada, a rede fami-liar sem margem para mais solidariedade.

    Cruzo-me diariamente com pessoas a vive-rem nestas circunstncias e pergunto-me por-que no reagem, porque no resistem, porque no se juntam aos que se manifestam, aos que lutam organizadamente, aos que acreditam que existe uma alternativa.

    Confesso que com alguma perplexidade que vejo raiva e desespero transformadas em isolamento e em conformismo, numa espcie de praga que ameaa afectar a sade mental colectiva.

    Os arautos das troikas confundem esta atitude com apoio s suas polticas e compre-enso para com os sacrifcios pedidos, como se algum que ficou sem emprego e sem casa pudesse ser suporte social dos que provoca-ram a situao.

    Acreditam que tal atitude se pode manter at que entendam que todos os ajustamen-tos esto feitos e que empobrecemos todos o suficiente, que trabalhamos por metade do preo o dobro das horas, que pagamos a sa-de e a educao, que aceitamos a explorao como uma inevitabilidade.

    Acreditam que nestas condies de correla-o de foras no tm sequer necessidade de fingir que aliviam a presso para garantir que

    a panela no explode. Alguns pensadores vo aparecendo aqui

    e ali alertando para este abastecer silencioso de combustvel composto de desesperos di-versos. No que pretendam inverter a situa-o, nada disso, apenas pretendem garantir que a corda no parte e que o essencial no muda.

    Mas at perante estes alertas a surdez de direita no poder total e assenta no cumpri-mento da sua agenda ideolgica, custe o que custar.

    Um melhor conhecimento da histria seria suficiente para baixar os nveis de arrogncia desta gente. Mas eles tm a crena de que a histria chegou ao fim.

    Este silncio dos inocentes, esta conteno (por vezes incompreensvel) de quem sofre violenta e diariamente com estas polticas, no pode durar sempre.

    No pode ser sempre eficaz a estratgia de culpabilizao das vtimas, assente em ar-gumentao primria e numa comunicao agressiva.

    No ir durar sempre a aceitao de argu-mentos do gnero: ests desempregado por-que no antecipaste a mudana, a culpa da falta de empreendedorismo dos portugueses, ests a pagar agora o excesso de direitos que tiveste, tens a reforma penhorada porque no acautelaste tudo quando foste fiador na compra da casa do teu filho.

    Haver um momento em que todos os de-sesperos se juntaro e a a violncia da res-posta ser equivalente violncia do ataque perpetrado.

    Os tais pensadores avisados vo dizen-do que nessa altura ser a classe poltica o alvo da indignao generalizada. Se os olhos estiverem abertos ser esta poltica de classe o alvo da reposta.

    O silncio dos inocentes

    Eduardo lucianoadvogado

  • 3

    Actual

    Portalegre desenvolve projecto inovador para a modernizao e preservao do centro histrico.

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    A Cmara Municipal de Portalegre lan-ou um desafio aos muncipes no mbito do projeto Fazer Acontecer a Regenera-o Urbana, inserido no Programa JESSI-CA (Joint European Support for Sustaina-ble Investment in City Areas).

    Este desafio consiste na participao ativa dos cidados atravs da apresen-tao de ideias que promovam e pre-servem o patrimnio e a identidade cultural do Centro Histrico e Zona Comercial da cidade, tornando a zona regenerada ideal para fins empresariais e de animao turstica e cultural, sem deixar de ter em conta temas contem-porneos, inovadores, capazes de criar novas dinmicas sociais e econmicas para esta zona.

    Pretende-se desta forma, reunir uma serie de sugestes que ajudem a definir um plano de Regenerao Urbana para a Zona Histrica da cidade abrangendo o Eixo definido pelo Largo Jos Lourinho, nas Ruas 5 de Outubro, do Comrcio e de Elvas, os