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Edio 212 do Semanrio Registo

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  • www.registo.com.pt

    SEMANRIO Director Nuno Pitti Ferreira | 21 de Junho de 2012 | ed. 212 | 0.50

    O Melhor Petisco | Rua Catarina Eufmia , 14Horta das Figueiras | 7005-320 vora

    266771284

    PUB

    Luiz Fuchs O investimento em curso no denominado Centro de Excelncia da Embraer em vora ascende a 177 milhes de euros. o maior da empresa fora do Brasil. Uma unidade destina-se produo de peas em materiais compsitos e montagens de conjuntos, ser equipada com a tecnologia mais avanada disponvel no mercado e envolver o emprego de mo-de-obra altamente qualificada na construo de asas.

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    .EMBRAER comea a exportar neste vero

    Segurodesafia PCP e BlocoPg.04 O secretrio-geral do PS desafiou ontem o PCP e Bloco de Es-querda a apoiarem as suas propostas em matria europeia e disse que o primeiro-ministro ainda no o convi-dou para uma reunio antes do prxi-mo Conselho Europeu.

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    EAPN quer investimento na rea socialPg.07 A Portugal vai presidir Rede Europeia Anti-Pobreza nos prximos trs anos, atravs do socilogo Srgio Aires, anunciou a instituio, em comu-nicado enviado Agncia ECCLESIA. Queremos uma Europa que promova a unio e cujo acordo fiscal no esteja des-fasado do acordo social que defendemos. Queremos uma Europa norteada pelos valores que a fundaram e no uma Eu-ropa dividida, refere Srgio Aires.

    FEA sensibiliza jovens para o voluntariadoO Banco de Voluntariado da Fundao Eugnio de Almeida promoveu, entre maio e incio de junho, diversas aes de sensibilizao sobre o tema do volun-tariado, numa iniciativa que envolveu mais de mil crianas e jovens da cidade de vora.

    A primeira ao, realizada em parceria com a Escola EB 2/3 Conde de Vilalva, constou de pequenas sesses ministradas s crian-as do 7, 8 e 9 ano, no mbito da discipli-na de Formao Cvica. Com coordenao de Maria Joo Tom, Conselheira do Ncleo de Voluntariado de Proximidade, a inicia-

    tiva deu a conhecer os 4 Ncleos de Volun-tariado de Proximidade de vora, promo-vidos pela Fundao Eugnio de Almeida em parceria com 38 entidades parceiras, e alertou para a importncia do voluntaria-do enquanto agente de transformao pes-soal e social.

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  • 2 21 Junho 12

    A Abrir

    Director Nuno Pitti Ferreira (nuno.pitti@registo.com.pt)

    Propriedade

    PUBLICREATIVE - Associao para a Promoo e Desenvolvimento Cultural; Contribuinte 509759815 Sede Rua Werner Von Siemens, n.16 -7000.639 vora - Tel: 266 751 179 fax 266 751 179 Direco Silvino Alhinho; Joaquim Simes; Nuno Pitti Ferreira;

    Departamento Comercial comercial@registo.com.pt Redaco Lus Godinho; Pedro Galego Fotografia Lus Pardal (editor) Paginao Arte&Design Luis Franjoso Cartoonista Pedro Henriques (pedro.henriques@registo.com.pt); Colaboradores Antnio

    Serrano; Miguel Sampaio; Lus Pedro Dargent: Carlos Sezes; Antnio Costa da Silva; Marcelo Nuno Pereira; Eduardo Luciano; Jos Filipe Rodrigues; Jos Rodrigues dos Santos; Jos Russo; Figueira Cid Impresso Funchalense Empresa Grfica S.A.

    | www.funchalense.pt | Rua da Capela da Nossa Senhora da Conceio, n 50 - Morelena | 2715-029 Pro Pinheiro Portugal | Telfs. +351 219 677 450 | Fax +351 219 677 459 ERC.ICS 125430 Tiragem 10.000 ex Distribuio Nacional Periodicidade

    Semanal/Quinta-Feira N.Depsito Legal 291523/09 Distribuio PUBLICREATIVE

    Ficha TcnicaSEMANRIO

    ww

    w.egoisthedonism

    .wordpress.com

    Pedro H

    enriques | Cartoonista

    Competio de ordenado

    H poucos dias estive num estabelecimento de ensino superior, como conferencista convi-dado, a abordar algumas perspetivas de an-lise organizacional. Entre as vrias perguntas da assistncia, houve uma que apesar de algum desvio ao tema da conferncia, creio no ter respondido com a clareza que gosto de incutir neste tipo de eventos. Por esta razo, partilho esta minha reflexo em torno de uma pergun-ta difcil, cuja resposta apresenta um grau de complexidade sem limites.

    Perguntava-me um participante, funcionrio de uma organizao pblica: porque ser que tenho que pagar uma crise que no fiz, sempre paguei os meus impostos, no devo nada ao Estado, e sempre exerci a minha atividade de forma zelosa?

    Por muitas explicaes que procure encon-trar para uma resposta que se aproxime de critrios de justia social, muito difcil res-ponder a tal paradoxo. Explicar a quem no teve nada a ver com isto, v os seus direitos violados, faz imensos sacrifcios e, no limite, passa fome, uma tarefa revoltante e que nos colca perante um exerccio repugnante.

    Seriam muitos os exemplos que nos trouxe-ram at ao estado em que nos encontramos. Erros de sucessivos governos, obras pblicas megalmanas, estdios de futebol para folclore meditico, autoestradas de trfego fantasma e um sem nmero de exemplos que ultrapassa-riam as modestas pginas deste jornal. No esse o exerccio que pretendo fazer.

    Quando falamos em justia social, falamos fundamentalmente em justia distributiva e justia corretiva. Enquanto a primeira tem

    subjacente a lgica da distribuio da riqueza entre os membros de um determinado Esta-do, a segunda tem uma funo corretiva nas relaes entre os indivduos, procurando um determinado equilbrio. A aceitao das con-cesses ou a introduo de ajustes oscila con-soante o sentido populista, ou o oportunismo poltico de quem gere os destinos do Estado. Perante esta dicotomia, bem evidente que estamos numa fase de ajustamentos a erros co-metidos no passado. Seja quem for, no goza de estado de graa, no e populista, corajoso.

    Custa a todos. Uns mais do que outros. Que o digam os mais de 550 mil trabalhadores da administrao central, autarquias e empresas pblicas que esta semana ficam sem parte ou a totalidade do seu subsidio de frias. A dose repete-se em novembro.

    A grande questo deste paradoxo est as-sociada lgica de equidade subjetiva que se encontra em alguns setores da sociedade, um protecionismo descarado, erros que se per-petuam e grupos com privilgios intocveis. Estas so as causas das desconfianas, moti-vos do descontentamento e laivos da injustia social. Este ter que ser o caminho. O mais a preceito so os salrios de quem no tem como escapar. Seria fcil encontrar a essncia da jus-tia social se os lucros dos mais ricos fossem alvo de tributao acrescida, se os sacrifcios tivessem uma luz ao fundo do tnel e, funda-mentalmente, se todos pagassem o sacrifcio com proporcionalidade. No creio que tal es-teja a acontecer. Esta a dificuldade em res-ponder a uma pergunta simples, cuja resposta elevadamente complexa.

    Pergunta difcil. Resposta periclitante!

    Joaquim FialhoProfessor universitrio

    Isso queriam eles! Os agiotas e os bastardi-nhos at podem ser personagens no teatro, mas nunca sero patrimnio da humanidade como dipo, Hamlet, D. Quixote, Woyzeck ou as almas d A gaivota.

    Isto vai escuro. Algum ter, uma vez mais, de iluminar e restaurar as paisagens a humana e as outras, que outros andam a desgraar e refazer a caminhada. E para isso tambm c estamos ns, os das artes do espectculo, os teatreiros, apesar de tudo convencidos de que numa ou noutra hora mais expedita seremos capazes de esclare-cer os imbrglios e dar alento possibilida-de de um qualquer milagre que sabemos poder acontecer no teatro que d nimo ideia de uma comunidade mais disponvel para os dilogos em volta das ticas e das belezas que h por a, mas que alguns tei-mam em querer obscurecer.

    Os agiotas tm poder. Gostam de es-conder-se nas suas cavernas de troglodi-ta vendo por controle remoto a evoluo das suas usuras e at que as suas cabeas rolem, tero poder. Eles e os bastardi-nhos. lindo de se ver: os agiotas atiram as bolinhas e os bastardinhos correm a busc-las.

    Os bastardinhos so uma espcie de qua-drmanos que praticam a sabujice nuns degraus abaixo do patamar onde os agiotas acumulam os seus metais brilhantes. So os organizadores da desdita mais recente que nos coube em sorte e sempre cumprindo ze-losamente as ordens dos crpulas do luxo. Agiotas e bastardinhos convivem neste mundo como ns, e do teatro querem saber muito pouco, ou melhor, querem l saber do teatro! Ou melhor ainda: o teatro que s afunde! O teatro e o resto.

    Que falta fazem os outros, os artistas e a cultura? Houve tempo em que se pensava, e defendia, que as aces humanas concor-riam para a cultura, mesmo em plena guer-ra. Era simultaneamente um meio e um fim. Hoje, na teia de neurnios ressequidos dos agiotas ainda existir uma ideia de cultura, mas dominada por um aparato arbreo: a r-vore das patacas.

    Os camaradas usurrios, tambm quad-rmanos, tm evoludo atrs do cheiro do dinheiro, com ele que estrumam a vida e certamente esperam que um dia, na fal-ta das couves e batatas, possam trincar e mastigar notas e moedinhas. Bom alimento ser.

    Socorro-me, ainda e sempre, de um fragmento de Heraclito, o antigo filsofo pr-socrtico: o burro prefere a palha ao ouro.

    Dantes, as crises eram crises, pronto, e mostravam-se no teatro como lugar de eter-no retorno. As obras teatrais anunciavam a consumao de honras e vergonhas, escla-recendo e aliviando a humanidade sedenta de deuses e heris.

    A novidade da crise actual que se trata de terrorismo financeiro. Tem um perfume acentuado a extermnio, procurando disci-

    plinar e domesticar a vida das pessoas e, se possvel, exterminar os indesejveis.

    Ora, ns, no teatro, at gostamos de afirmar a austeridade, mas auto-imposta, igualzinha autoridade, e que a poesia afirma como liberdade. Assim, podemos compreender porque gostam os agiotas-dos-neurnios-mirrados de ver o teatro como um retiro para entreter a banalidade ou uma runa extica para estimular al-gum turismo.

    Como que ns no teatro podemos lidar com essa gente que executa o terror finan-ceiro? simples: j que no temos, no te-remos nem queremos o poder que eles tm -com todas as letras- mand-los merda. Nenhuma palav