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Edio 184 do Semanrio Registo

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  • www.registo.com.pt

    SEMANRIO Director Nuno Pitti Ferreira | 08 de Dezembro de 2011 | ed. 184 | 0.50

    O Melhor Petisco | Rua Catarina Eufmia , 14Horta das Figueiras | 7005-320 vora

    266771284

    PUB

    D.R

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    Alentejo com 818 casos de SidaTotal acumulado desde 1983 representa menos de 3% dos casos a nvel nacional.A incidncia de novos casos de SIDA tem vindo a diminuir no Alentejo, tendo pas-sado de 47 novos casos diagnosticados em 2003 para apenas 9 no ano passado, indi-cam dados da Administrao Regional

    de Sade do Alentejo a que o Registo teve acesso. Em toda a rea de interveno da ARS Alentejo (distritos de vora, Portalegre, Beja e rea geogrfica do Alentejo Litoral) registam-se taxas de incidncia inferiores

    mdia nacional. Nos ltimos anos, o pico foi atingido em 2006 com 58 novos casos, nmero que baixou para 37 em 2007 e para 18 nos dois anos seguintes. O total acumu-lado de 818 casos diagnosticados.

    EconomiaAs 10 maiores do AlentejoPg.08 Repsol Polmeros, Somincor e grupo Delta encabeam a lista das 10 maiores empresas do Alentejo. To-das juntas, facturaram o ano passado cerca de 1,9 mil milhes de euros, ten-do igualmente apostado nas expor-taes. Para Neves Corvo anuncia-se um novo investimento por parte do grupo canadiano Lundin Mining.

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    .MoraInvestimentos de 4,5 milhesPg.07 Duas empresas, uma no sec-tor da iluminao, outra no da sade, anunciaram investimentos de 4,5 mi-lhes nas respectivas unidades em-presariais em Mora. Sero criados 22 postos de trabalho.

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    Unesco Candidatura do cante alentejano a Patrimnio Imaterial da Humanidade vai ser entregue Unesco no prximo dia 30 de Maro. Cavaco Silva preside comisso de honra da candidatura, cuja comisso cientfica liderada pelo musiclogo Rui Vieira Nery, um dos responsveis pela classificao do fado. Joaquim Soares, do Grupo de Cantares de vora, est confiante no sucesso da iniciativa mas reconhece dificuldades.

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    Cante candidato a Patrimnio Mundial

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  • 2 08 Dezembro 11

    A Abrir

    Director Nuno Pitti Ferreira (nuno.pitti@registo.com.pt) Editor Lus Godinho

    Propriedade

    PUBLICREATIVE - Associao para a Promoo e Desenvolvimento Cultural; Contribuinte 509759815 Sede Rua Werner Von Siemens, n.16 -7000.639 vora - Tel: 266 751 179 fax 266 751 179 Direco Silvino Alhinho; Joaquim Simes; Nuno Pitti

    Ferreira; Departamento Comercial Teresa Mira (teresa.registo@gmail.com) Paginao Arte&Design Luis Franjoso Cartoonista Pedro Henriques (pedro.henriques@registo.com.pt); Fotografia Lus Pardal (editor) Colaboradores Pedro Galego; Carlos

    Moura; Capoulas Santos; Snia Ramos Ferro; Carlos Sezes; Margarida Pedrosa; Antnio Costa da Silva; Marcelo Nuno Pereira; Eduardo Luciano; Jos Filipe Rodrigues; Lus Martins Impresso Funchalense Empresa Grfica S.A. | www.funchalense.pt

    | Rua da Capela da Nossa Senhora da Conceio, n 50 - Morelena | 2715-029 Pro Pinheiro Portugal | Telfs. +351 219 677 450 | Fax +351 219 677 459 ERC.ICS 125430 Tiragem 10.000 ex Distribuio Nacional Periodicidade Semanal/Quinta-Feira

    N.Depsito Legal 291523/09 Distribuio Miranda Faustino, Lda

    Ficha TcnicaSEMANRIO

    ww

    w.egoisthedonism

    .wordpress.com

    Pedro H

    enriques | Cartoonista

    Beber para esquecer

    A 12 de Dezembro de 1976 os portugueses foram pela primeira vez chamados a eleger os rgos autrquicos.

    Foram eleitos em todo o pas homens e mulheres, escolhidos pelos seus concidados, para comporem cmaras e assembleias mu-nicipais, juntas e assembleias de freguesias.

    Apesar das caricaturas fceis, de al-guns maus exemplos de caciquismo e de poder unipessoal, o poder local nascido da revoluo e inscrito na Constituio da Repblica mudou a face do pas.

    Os que hoje de forma pedante e superficial fazem ironia com o excesso de rotundas, ou com o empolamento dado construo de parques infantis e pavilhes gimnodesporti-vos, raramente se questionam que pas tera-mos sem a interveno do poder local.

    Os que fazem contas ao dinheiro gasto pelas autarquias, no conseguem parar para contabilizar a diferena entre o que foi feito pelo poder local e o que foi feito pelo poder central em prol do bem-estar e da melhoria das condies de vida das populaes.

    Apesar de todos os esforos dos governos de tentar condicionar a autonomia do poder local, no poucas vezes pela via do estrangu-lamento financeiro atravs do incumprimen-to das diversas verses da lei das finanas locais, o poder local democrtico tem resis-tido e continuado a mostrar as suas mltiplas potencialidades ao servio do desenvolvim-ento de freguesias e concelhos.

    Desde h 35 anos que so eleitas cmaras municipais onde esto representadas propor-cionalmente as candidaturas apresentadas ao eleitorado e onde a legitimidade democrti-

    ca de interveno igual para todos.As maiorias so decididas pelo voto pop-

    ular e a composio plural dos rgos tem sido um garante de controlo democrtico e de equilbrio das decises.

    O sistema pode no ser perfeito, mas a experincia tem demonstrado que as suas virtualidades ultrapassam em muito as defi-cincias que lhe possam ser apontadas.

    Ao comemorar a passagem de 35 anos sobre as primeiras eleies autrquicas no podemos ignorar as propostas contidas no famigerado livro verde que pretendem subverter uma das mais bem sucedidas con-quista de Abril.

    Ao pretenderem impor como regra o poder unipessoal, a constituio artificial de ex-ecutivos mono partidrios, a diminuio do nmero de eleitos e a extino de freguesias, o PSD-CDS e PS parecem estar de facto a ajustar contas com a herana de Abril.

    A participao popular, a vida poltica local participada e debatida parece ser um incmodo para os autores da contra reforma contida no livro verde.

    As comemoraes dos 35 anos de eleies autrquicas devem ser tambm um momento para reflectir que poder local teramos se o governo e PS levassem a cabo as suas pro-postas. Menos democracia, menos represen-tatividade, menos participao, pior servio prestado s populaes, menos controlo democrtico, menos autonomia.

    Aceitaro as populaes o regresso ao tempo dos regedores e dos presidentes de cmara controlados pelo governo, apesar de eleitos?

    EscolhasEduardo Lucianoadvogado

    Esse era o objectivo da direita neo- liber-al. Criar a crise, impor dvida, esvaziar de poder as instituies polticas, p-las nas mos do poder econmico.

    Conseguiram. Quem est no poder no so polticos, so tecnocratas que nas horas vagas se entretm a fazer jogos polticos. Quando nos queixamos dos polticos no poder, lamentamo-nos por algo que j no existe. Quem aparentemente o detm ap-enas serventurio de interesses econmicos sem rosto identificvel. O poder de deciso h muito saiu da esfera dos governos, ou dos parlamentos. Os pases so provncias do capital financeiro, liderados por stra-pas escolhidos a dedo nos gabinetes de Wall Street.

    No existe aqui nenhuma humanidade, apenas uma sociedade cujo modelo no poderia deixar de ser uma imensa linha de

    montagem, constituda por robs que vo sendo substitudos medida que se vo ava-riando ou tornando obsoletos.

    O medo a sua fonte de energia, medo de perder o emprego, medo da doena, medo do conflito, medo de se mostrar o medo que se tem. Foi por medo que aqui chegamos, por medo que aqui nos mantemos.

    Durante vrios sculos existiu na Europa uma figura jurdica denominada contrato de escravatura, consistia na cedncia da autodeterminao em favor de algum que se obrigava a sustentar em vida quem o fizesse. As pessoas transformavam-se em mercadoria por sua vontade. A liberdade em troca do sustento. Este para mim o mais desconcertante exemplo da necessi-dade transmutada em medo.

    Acreditamos que os tempos so outros, que hoje em dia tal no seria possvel,

    A democracia foi posta de ladoMiguEL SaMpaioLivreiro

    mas se atentarmos no que nos rodeia e quisermos definir com propriedade o que vemos, que nome poderemos dar s situa-es de trabalho precrio?

    Onde est a rede securitria dos trabal-hadores precrios? Ser que so justamente pagos pelo seu trabalho? Tero direito, na prtica, a recusar horrios excessivos que lhes so impostos? Ou a recusar fun-

    es para as quais no foram contratados? Podero protestar, fazer greve, sem que o inevitvel despedimento seja a consequn-cia desse protesto?

    O que mudou de ento para c foi apenas o modo como a explorao se expressa, no mudou a essncia das coisas, no deixaram de existir exploradores, no cessou a hered-itariedade da condio de explorado.

    Nada do que foi conseguido em termos de direitos de cidadania, nada do que foi con-seguido no sentido de melhores condies de vida, foi acordado. Tudo se conquistou. Tudo se vai perdendo at que nada reste do que foi o Estado Social, do que foi a igual-dade de direitos perante a lei, do que foi a prpria lei, tudo se esfuma no medo.

    Mas medo de qu? De perder o que se no tem?De perder o que nunca se teve?

    Quem est no poder no so polticos, so tecnocratas que nas horas vagas se en-tretm a fazer jogos polticos.

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    Actual

    incidncia de novos casos diminui de forma substancial. Em 2010 registou-se menos 50% de novos casos.

    Alentejo soma 818 casos de infeco com Sida

    A incidncia de novos casos de SIDA tem vindo a diminuir no Alentejo, tendo pas-sado de 47 novos casos diagnosticados em 2003 para apenas 9 no ano passado, indi-cam dados da Administrao Regional de Sade do Alentejo a que o Registo teve acesso.

    Em toda a rea de interveno da ARS Alentejo (distritos de vora, Portalegre, Beja e rea geogrfica do Alentejo Litoral) registam-se taxas de incidncia inferio-res mdia nacional. Nos ltimos anos, o pico foi atingido em 2006 com 58 no-vos casos, nmero que baixou para 37 em 2007 e para 18 nos dois anos seguintes.

    Desde o ano de 1983 (data do primeiro caso VIH diag