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Edição 181 do Semanário Registo

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  • www.registo.com.pt

    SEMANRIO Director Nuno Pitti Ferreira | 17 de Novembro de 2011 | ed. 181 | 0.50

    O Melhor Petisco | Rua Catarina Eufmia , 14Horta das Figueiras | 7005-320 vora

    266771284

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    Teatro Caf Mrio, a nova pea do Centro Dramtico de vora, uma homenagem da companhia a um dos seus fundadores, Mrio Barradas, falecido em 2009. Mrio Barradas trocou a advocacia pelo teatro, rumou de Moambique a Estrasburgo e depois do 25 de Abril lanou-se na aventura da descentralizao cultural. Foi assim que em 1975 surgiu o Centro Cultural de vora (actual Cendrev).

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    1500 em defesa das freguesiasManifestao juntou trabalhadores das autarquias na Praa do Giraldo, em vora.No protesto, a que se juntaram reformados e utentes dos servios de sade, foi aprova-da a Declarao de vora, documento que mostra o descontentamento dos manifes-tantes contra a reforma do chamado Docu-

    mento Verde das Freguesias. Os promoto-res da manifestao dizem que a extino de freguesias no contribui para poupar a no ser que se privem as populaes dos servios essenciais prestados pelo poder lo-

    cal. As freguesias so o ltimo servio p-blico que l existe, depois de terem fechado escolas, postos mdicos, transportes e ou-tros servios, diz o presidente da Cmara Municipal de Arraiolos, Jernimo Lios.

    Cendrev recorda Mrio Barradas

    Unescovora festeja classificaoPg.03 Dia 25 de Novembro passam 25 anos sobre a classificao do centro histrico de vora como Patrimnio da Humanidade. A data ser assina-lada com diversas iniciativas, entre as quais o lanamento de uma medalha evocativa da autoria do escultor Joo Cutileiro e a publicao de folhetos sobre o patrimnio histrico.

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    ModaAposta na reciclagemPg.04 Em tempo de crise econ-mica, a designer de moda Ana Baleia trocou Lisboa pelo Alentejo e pela aposta na reciclagem de roupa pois as pessoas pensam duas vezes antes de deitar uma pea para o lixo.

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  • 2 17 Novembro 11

    A Abrir

    Director Nuno Pitti Ferreira (nuno.pitti@registo.com.pt) Editor Lus Godinho

    Propriedade

    PUBLICREATIVE - Associao para a Promoo e Desenvolvimento Cultural; Contribuinte 509759815 Sede Rua Werner Von Siemens, n.16 -7000.639 vora - Tel: 266 751 179 fax 266 751 179 Direco Silvino Alhinho; Joaquim Simes; Nuno Pitti

    Ferreira; Departamento Comercial Teresa Mira (teresa.registo@gmail.com) Paginao Arte&Design Luis Franjoso Cartoonista Pedro Henriques (pedro.henriques@registo.com.pt); Fotografia Lus Pardal (editor) Colaboradores Pedro Galego; Carlos

    Moura; Capoulas Santos; Snia Ramos Ferro; Carlos Sezes; Margarida Pedrosa; Antnio Costa da Silva; Marcelo Nuno Pereira; Eduardo Luciano; Jos Filipe Rodrigues; Lus Martins Impresso Funchalense Empresa Grfica S.A. | www.funchalense.pt

    | Rua da Capela da Nossa Senhora da Conceio, n 50 - Morelena | 2715-029 Pro Pinheiro Portugal | Telfs. +351 219 677 450 | Fax +351 219 677 459 ERC.ICS 125430 Tiragem 10.000 ex Distribuio Nacional Periodicidade Semanal/Quinta-Feira

    N.Depsito Legal 291523/09 Distribuio Miranda Faustino, Lda

    Ficha TcnicaSEMANRIO

    ww

    w.egoisthedonism

    .wordpress.com

    Pedro H

    enriques | Cartoonista

    A politica na Europa sucumbiu aos mercados. Estes arrastam os Governos democrticos, substituem-se aos cidados, apoderam-se da nossa liberdade. Sem viso, sem liderana na Europa, estamos condenados, sem foras para lutar contra esta nova realidade que se afirmou de forma persistente no ps crise de 2008.

    O mito do ps guerra de que os Estados no faliam se trabalhassem de forma colaborativa eclipsou-se nesta crise profunda de um modelo econmico e social que esgotou as respostas que a sociedade anseia. Estamos numa encru-zilhada, paralisados, sem saber que estrada tomar.

    Na ltima reunio do G20, a Europa ficou isolada na sua crise. um problema que a Eu-ropa ter que resolver. neste contexto que o Oramento de Estado para 2012 tem que ser visto. de facto um pssimo oramento, in-justo, que promove desigualdades sociais, que ultrapassa o limite dos sacrifcios que podem ser pedidos aos cidados.

    O OE 2012 assenta num cenrio de recesso econmica, bem mais negativo (-2,8%) do que o revelado em Agosto no Documento de Estratgia Oramental (DEO) ou em Setembro, pelo FMI, onde

    era anunciada uma queda do PIB de 1,8% face a 2011. Ainda assim o OE revela-se pou-co prudente: por um lado, os cortes aplicados no rendimento dos trabalhadores, somados ao aumento dos impostos, so de dimenso sem precedentes.

    Por outro, h, ainda, os riscos da econo-mia mundial. Se o cenrio for mais nega-tivo, as receitas arrecadadas sero menores. Projecta-se uma forte reduo do consu-mo privado (-4,8%), do consumo pblico (-6,2%) e do investimento (-9,5%). O nico motor do crescimento econmico so as exportaes onde o cenrio tambm piora.

    Apresentam uma desacelerao face a 2011, passando de 6,7% para 4,8%. As importaes vo baixar 4,3%, valor mais pessimista do que o projectado em Agosto que apontava para um decrscimo de 1,3%.

    A Inflao atinge 3,1% em desacelerao face a 2011, mas muito acima do projectado pelo Governo no DEO em Agosto (2,3%) ou do FMI (2,1%). A confirmarem-se estas projeces, a inflao atingir valores acima do 3%, pelo 2 ano consecutivo o que j no se observava desde 2007. O Governo rev em alta o valor da taxa de desemprego que

    dever atingir 13,4% em 2012, superior esperada este ano de 12,5%.

    Vale a pena sublinhar que esta projeco se revela pouco realista com a desacelera-o da economia apontado pelo Governo: Ora se no DEO, apresentado em Agosto, o Governo previa uma taxa de desemprego de 13,2% para uma recesso econmica de 1,8% como que a taxa de desemprego cresce agora apenas 0,2 pontos percentuais con-tra um cenrio de recesso econmica mais intenso, que decresce 1,0 pontos percentuais? No domnio das prestaes sociais este Ora-mento fortemente penalizador, ultrapassando tudo o que estava consagrado no Programa de Assistncia Econmico e Financeiro (PAEF):

    Enquanto o PAEF estabelecia um corte de 1.073M com as prestaes sociais, o equiva-lente 0,6% do PIB, o OE2012 impe uma reduo de 2.066M (1,2% do PIB). Ou seja, o corte que o OE apresenta nas prestaes sociais quase que duplica em valor (+993M) e quadruplica em percenta-gem do PIB.

    Este corte brutal com as prestaes soci-ais justificado na sua grande maioria pelo corte dos subsdios de frias e de natal nas

    penses face a 2011, medida no prevista no PAEF, valendo 1.260,2M.

    Verifica-se, assim, que o Governo op-tou por no aplicar algumas das medidas previstas no PAEF (contribuio especial aplicvel a todas as penses acima dos 1.500) prevendo, em contrapartida, outras medi-das no inscritas naquele documento (como o corte nos subsdios de frias e de natal das penses superiores a 485 - SMN.

    Ora, ainda assim, em nome do interesse Na-cional e reconhecendo a fragilidade econmica e politica de Portugal no contexto internacio-nal, para evitar a degradao das condies de financiamento da nossa economia, o Partido Socialista declarou a sua absteno na gener-alidade e na votao final do prximo dia 30. uma atitude de responsabilidade, que o PSD, o CDS, o PCP e o BE, no revelaram quando decidiram deitar um Governo abaixo, no meio de uma crise profunda internacional.

    No meio das dificuldades, todos se juntaram numa lgica de quanto pior melhor e o que im-portava era garantir a tomada do poder pela Direita. No concordamos com o Oramento, merecia o nosso voto contra, mas Portugal est acima do interesse partidrio.

    OE 2012. Um mau Oramento em ambiente complexoAntnio SerrAnoDeputado

    Todos aprendemos nos livros de histria (ou atravs dos nossos gostos literrios) que a tra-gdia nasceu na Grcia clssica, umas centenas de anos antes do nascimento de Cristo. Esta forma de drama, que se caracteriza pela sua seriedade e dramatismo, envolvia frequent-emente um conflito entre uma personagem e algum poder de dimenso superior, como a lei, os deuses ou um destino cruel e imutvel. Inclua personagens procura da sua glria, como heris, reis, deuses e era contada em linguagem grandiosa, conduzindo o enredo a um final triste, com a destruio ou loucura de um ou vrios personagens sacrificados por seu orgulho ou obsesso, ao tentarem remar contra as foras do destino.

    Sinceramente, no sei se os grandes autores deste gnero como Sfocles e Eurpides teriam a imaginao para escrever uma histria to complexa, excntrica e evidentemente trgica como a que sucede na Grcia e contagia a Eu-ropa e o Mundo.

    Um povo de 11 milhes de pessoas, de-scrente, desorientado e revoltado. Um primeiro-ministro vido por conquistar o seu lugar na histria, inventa um referendo popular, legtimo e meritrio na teoria, assustador na prtica. Um lder da oposio, ambicioso pelo poder, que aprova ou rejeita planos de aco medida das convenincias. As grandes potncias europe-ias, autnticos deuses desta tragdia, impem

    o ritmo dos acontecimentos, ora com aparente benevolncia de quem corta metade de uma dvida, ora com o rigor de quem impe os seus ultimatos. Um novo chefe de governo imposto pelas circunstncias, aparece entronizado como salvador. E um mundo inteiro em suspenso, uma vez que um leve desenvolvimento neste drama traz impactos universais.

    Nesta histria, algo poderia marcar a diferen-a e evitar os destinos das tragdias do perodo clssico: a boa f e o compromisso das vrias partes e a certeza de que cada uma cumprir o que dela se espera. Que no sacrificaro mais interesses globais a inter