registo 254

Download Registo 254

Post on 03-Apr-2016

222 views

Category:

Documents

2 download

Embed Size (px)

DESCRIPTION

Edição 254 do Semanário Registo

TRANSCRIPT

  • www.registo.com.pt

    SEMANRIO Director Nuno Pitti Ferreira | 01 de Setembro de 2014| ed. 254 | 0.50O Melhor Petisco | Rua Catarina Eufmia , 14Horta das Figueiras | 7005-320 vora266771284

    03Cidade das Tradies promove Cante AlentejanoCidade das Tradies promove Cante Alentejano 03

    Cenas ao Sul com milhares de espetadores Pg.05 O A programao cultural que est a animar a cidade de vora desde Julho estende--se at ao fim de setembro com a designao de Cenas ao Sul. A diversidade das expresses ar-tsticas, dos espaos onde vai acontecendo, das pessoas e instituies envolvidas, apontada como a sua principal caracterstica. entrada do terceiro e ltimo ms do programa Cenas ao Sul, os primeiros balanos falam do xito do projecto, de muito pblico na rua, do regresso da anima-o cultural Cidade Patrimnio Munidal.

    vora, Portalegre e Algarve com CostaPg.04 Os novos protagonistas das distritais socialistas vo ser esco-lhidos este fim de semana e, par-tida, Antnio Costa parte para este combate com alguma vantagem nos apoios dos candidatos s federaes. Se o presidente da Cmara de Lisboa vencer as eleies federativas, os seus apoiantes vo reclamar a con-vocao de um congresso para finais de Outubro.

    PERIFERIAS Festival de Cinema de MarvoPg.10 Conversas com a presena de 5 Realizadores: O cinema de autor produzido em Portugal e na Amrica Latina vai estar em destaque na segunda edio do Festi-val Periferias. O Periferias, que teve no ano passado a sua primeira edio, dedica-da a Africa, um festival de cinema atravs do qual se pretende divulgar filmografias de diversas latitudes que tenham por ob-jecto as vivncias comunitrias em regies de periferia e do mundo rural.

    Passoselogia sector agrcola Pg.07 O primeiro-ministro, Pedro Pas-sos Coelho, elojiou na passada semana, em Penafiel, o sector agrcola portugus considerando ter sido dos que mais aju-dou a vencer a crise que afectou o pas nos ltimos anos. Espero que a minha visita, depois desta crise grave por que passmos, mostre que este sector foi muito importan-te para nos ajudar a vencer a crise, decla-rou Pedro Passos Coelho, quando visitava a Feira Agrcola do Vale do Sousa (Agrival).

    D.R

    .

    PUB

  • 2 01 Setembro 14

    Director Nuno Pitti Ferreira (nuno.pitti@registo.com.pt)

    Propriedade

    PUBLICREATIVE - Associao para a Promoo e Desenvolvimento Cultural; Contribuinte 509759815 Sede Rua Werner Von Siemens, n.16 -7000.639 vora - Tel: 266 750 140 Direco Silvino Alhinho; Joaquim Simes; Nuno Pitti Ferreira; Departamento

    Comercial comercial@registo.com.pt Redaco Pedro Galego Fotografia Lus Pardal (editor) Paginao Arte&Design Publicreative Cartoonista Pedro Henriques (pedro.henriques@registo.com.pt); Colaboradores Antnio Serrano; Miguel Sampaio;

    Lus Pedro Dargent: Carlos Sezes; Antnio Costa da Silva; Marcelo Nuno Pereira; Eduardo Luciano; Jos Filipe Rodrigues; Jos Rodrigues dos Santos; Jos Russo; Figueira Cid Impresso Funchalense Empresa Grfica S.A. | www.funchalense.pt |

    Rua da Capela da Nossa Senhora da Conceio, n 50 - Morelena | 2715-029 Pro Pinheiro Portugal | Telfs. +351 219 677 450 | Fax +351 219 677 459 Tiragem 10.000 ex Distribuio Nacional Periodicidade Semanal/Quinta-Feira N.Depsito Legal

    291523/09 Distribuio PUBLICREATIVE

    Ficha TcnicaSEMANRIO

    A Abrir

    Cenas so, na l inguagem dos adoles-centes, coisas mais ou menos inde-terminadas ou indef inidas ou, num exerccio de preguia juvenil , uma ca-tegor izao onde cabe tudo o que te-mos mo.

    assim que os meus f i lhos classi-f icam um prato que costumo confe-cionar misturando massa, cogumelos, atum, bacon e mais o que encont ro disponvel, cober to com natas ou com qualquer out ro ingrediente. Dizer isto tudo ou dizer massa com cenas faz toda a diferena em tempo de di-logo.

    Este vero a cidade viveu (ainda vive) um conjunto de cenas que foram mudando a viso habitual do pat r im-nio imvel e mudo, acrescentando-lhe vida contempornea vida nele im-pressa pelos tempos.

    Cenas que envolveram mult ides ou pequenos gr upos, mais eruditas ou mais populares, com mais ou menos luz, na praa grande ou na acrpole, na praa do Ser tr io ou nos largos das aldeias, em espao fechado ou aber to.

    Sent imos a cidade a respi rar em cada sor r iso, em cada olhar atento ou espantado, em cada cr t ica azeda dos que no entendem como foi possvel fazer acontecer, nas ci rcunstncias em que deixaram o concelho.

    Foram cenas essencialmente produ-zidas por t rabalhadores locais da cul-tura , ar t istas e produtores, cr iadores e tambm de gente que demonst ra que quem t rabalha com nmeros, projectos e f inanciamentos no tem de ser ne-cessar iamente um burocrata f r io, que ut i l iza o lxico das janelas de opor-tunidade, das alavancagens e out ras cenas t r istes.

    Foram cenas que envolveram inst i-tuies, menos preocupadas com pro-tagonismos do que com a vida no ter-r itr io que de uma forma ou de out ra tambm tutelam.

    Talvez se perceba assim o ambiente vivido no dia 29 de Agosto, durante um espectculo que envolvia mais de oitenta par t icipantes, com um cenr io que demorou milnios a ser const ru-do.

    A cidade a respirarEduardo Luciano

    De tempos a tempos (e, nos ltimos anos, com grande regularidade) somos bom-bardeados com notcias sobre os nossos problemticos Oramentos de Estado. Seja na fase de concepo, de aprovao, de implementao, de rectif icao ou correco ao longo do ano, sempre um tema polmico, dado a muita demagogia e populismos. Os governos alegam a fal-ta de folga e o carcter rgido de mui-tos dos encargos previstos, as oposies clamam, tipicamente, por mais dinhei-ro para gastar isto, na componente da despesa. Como o dinheiro, infelizmente, ainda no cai do cu, temos de contar tambm com a componente das receitas. E, aqui, inevitvel no falar dos (mui-tos) impostos que cidados e empresas tm de pagar para fazer face s sadas de dinheiro previstas. Por muitas voltas que se possam dar, a matemtica uma cincia exacta, pelo que no existem fr-mulas mgicas para garantir o equilbrio dos oramentos e o respeito pelos com-promissos que assumimos no mbito da Unio Europeia isto , temos que gerir, com rigor, as despesas para que elas no f iquem muito alm das receitas.

    Este colete-de-foras bvio e ra-cional. S podemos investir aquilo que temos, s podemos gerar resultados em

    funo de um determinado conjunto de recursos. Contudo, a forma como ge-rado, baseado nos muitos compromis-sos e encargos f ixos (salrios, custos de estrutura, entre outros) vem retirar toda a margem de manobra a uma gesto pblica saudvel, orientada para o cum-primento das misses do Estado sejam elas de regulador, garante, prestador de servios ouincentivador de estratgias de carcter nacional.

    Explicito: qualquer decisor e gestor pblico est hoje de ps e mos atadas em termos do desenvolvimento de uma estratgia. Os oramentos de Estado, que deviam estar ao servio da estratgia de desenvolvimento do Pas, esto ape-nas desenhados, essencialmente, para sustentar as estruturas j existentes. A maior parte delas so, aparentemente, in-tocveis e irreformveis. Sustentam-se a si prprias, desligadas da sociedade que deviam servir.

    No teria, obrigatoriamente, de ser as-sim. Um exerccio mais eficaz seria gerir com base em Estratgias. Estratgias, preferencialmente, trans-sectorais (que no estivessem compartimentadas nas fronteiras estanques dos ministrios), balizadas por objectivos intercalares e f inais e com impactos sociais bem ex-

    GerirCom base num Oramento ou numa Estratgia?

    carLoS SEZESGestor

    plcitos. Uma estratgia para fomentar a economia do mar, uma estratgia para a inovao e internacionalizao das nos-sas empresas ou uma estratgia para a investigao cientf ica no devia estar dependente do f inanciamento pulveri-zado de estruturas como agncias, ins-titutos ou direces-gerais devia, pelo contrrio, ser f inanciada pelos recursos necessrios para os ditos objectivos.

    Deve partir de uma anlise inteligen-te, com base em cenrios prospectivos e alinhada de modo a que todos os interve-nientes estejam focalizados em esforos conjuntos e metas comuns. E conter um conjunto de mtricas para uma avalia-o objectiva e eficaz do desempenho de cada clula (leia-se instituio) e res-pectivas iniciativas. Convm, igualmen-te, que apresente com clareza as relaes causa-efeito dos investimentos efectua-dos. Em sntese, que consiga alinhar a Estratgia com a Execuo atravs de um sistema integrado de monitorizao, por todos assumido e utilizado.

    Cenrio utpico? No , certamente. uma filosofia de gesto que, no sendo exequvel a curto prazo, devamos pro-jectar a 5 10 anos. um modelo que se pode interligar com o conceito de ora-mento base zero que, ignorando o his-trico de despesas e receitas, nos leva a gerir os recursos em funo das estrat-gias de desenvolvimento e no pela tra-dio na afectao de dinheiro. tempo de os gestores pblicos assumirem o seu importante papel de decisores e no se-rem meros contabilistas e certif icadores da despesa tradicional. tempo de ge-rirmos com base em Estratgias e Objec-tivos.

    Noite de emoes, largo cheio, fu-so de cante, msica popular, msica

    erudita e out ras cenas. Quase a termi-nar, uma avar ia fez com que a energia elct r ica sasse de cena deixando tudo s escuras e os inst rumentos musicais calados.

    Ningum ar redou p, no se ouviu um assobio ou uma imprecao. Ape-nas palmas sincopadas que exigiam a cont inuao. Foi nesse momento que os Cantares de vora, a Ronda dos Quat ro Caminhos, a Mara, o Eborae Musica, o Coral vora e a Sinfonieta de Lisboa cantaram, com o pblico a fazer o coro e a respeitar em silncio os momentos do solista e do alto. E to-dos t ivemos a nossa got inha de gua de emoo indizvel.

    Que nome dar a momentos como aquele? Como se def ine uma lgr ima que teima em cor rer pelo rosto, ou um sor r iso de fel icidade em tempos to negros?

    Se Dinis est i