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  • Miguel Michereff FilhoEng. Agr., DSc., Embrapa

    Hortaliasmiguel@cnph.embrapa.br

    Alexandre Pinho de MouraEng. Agr., DSc., Embrapa

    Hortaliasapmoura@cnph.embrapa.br

    Jorge Anderson GuimaresBiol., DSc., Embrapa Hortalias

    janderson@cnph.embrapa.br

    Caroline Pinheiro ReyesEng. Agr., M.Sc., Embrapa

    Hortaliascaroline@cnph.embrapa.br

    Agnaldo D. F. de CarvalhoEng. Agr., DSc., Embrapa

    Hortaliasagnaldo@cnph.embrapa.br

    Geovani Bernardo AmaroEng. Agr., DSc., Embrapa

    Hortaliasgeovani@cnph.embrapa.br

    Jos Flvio LopesEng. Agr., DSc., Embrapa

    Hortaliasjlopes@cnph.embrapa.br

    Ronaldo Setti de LizEng. Agr., M.Sc., Embrapa

    Hortalias,setti@cnph.embrapa.br

    ISSN 1415-3033

    Recomendaes tcnicas para o controle de pragas do pepino

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    Braslia, DFOutubro, 2012

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    O pepineiro, Cucumis sativus L. (Cucurbitaceae), uma hortalia fruto de hbito indeterminado e anual, sendo muito apreciada em todas as regies brasileiras. Seu fruto consumido na forma in natura em saladas, sanduches e sopas ou na forma de conserva, curtido em salmoura e utilizado como picles. O fruto tambm fonte de matria-prima para cosmticos e medicamentos em razo de suas propriedades nutracuticas.

    A cultura do pepino pode ser manejada de forma rasteira ou tutorada, em ambiente aberto ou em cultivo protegido, abrangendo tanto o modelo de produo convencional como orgnico. Esta grande versatilidade oferecida pela cultura permite sua explorao em diferentes condies edafoclimticas, estruturas fundirias e nveis tecnolgicos, assim garantindo sua importncia econmica e social dentro do agronegcio de hortalias no Brasil.

    Vrios insetos e caros tm o pepineiro como planta hospedeira, entretanto, poucas espcies tm causado prejuzo cultura. A maior ou menor importncia de cada uma dessas espcies varia de acordo com a regio, a poca de cultivo e a modalidade de produo.

    Nesta publicao sero apresentadas as pragas mais comumente encontradas em cultivos de pepino, dando-se nfase a sua descrio, injrias e mtodos de controle.

    Para facilitar a identificao das pragas e a adoo das medidas de controle, de forma integrada, os insetos e caros fitfagos so reunidos em dois grupos

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    distintos, sendo: pragas-chave e pragas secundrias ou ocasionais. Como praga chave considera-se aquela que, com frequncia, provoca perdas econmicas, exigindo medidas de controle. Praga secundria aquela que, embora cause injrias cultura, raramente provoca prejuzos e, quando isso ocorre, verifica-se em reas localizadas e em determinados perodos do ano.

    O ciclo da cultura do pepino completado em 95 a 100 dias, dependendo da cultivar e das condies climticas. A ocorrncia das pragas conforme a fenologia da planta pode ser observada na Figura 1 e deve ser levada em considerao quando for realizado o monitoramento a campo. As vistorias no cultivo devem ser realizadas pelo menos uma vez por semana, em 10 pontos escolhidos ao acaso, na bordadura e dentro da lavoura, para se verificar a ocorrncia de pragas, a deteco dos focos de infestao e se h necessidade de adotar medidas de controle.

    Pragas-chave

    Pulges

    Aphis gossypii Glover e Myzus persicae (Sulzer) (Hemiptera: Aphididae)

    So insetos de 1 a 3 mm de comprimento, com corpo periforme e delicado, antenas bem desenvolvidas e aparelho bucal tipo sugador (Figura 2). No final do abdome possuem dois

    apndices tubulares laterais, chamados sifnculos, e um central, denominado codcula, por onde so expelidas grandes quantidades de lquido adocicado (honeydew).

    As formas jovens (ninfas) e os adultos pteros de A. gossypii apresentam colorao do amarelo-claro ao verde-escuro, com sifnculos e pores terminais das tbias escuros; os adultos alados de M. persicae possuem colorao verde, com cabea, antenas e trax pretos, j as ninfas e adultos pteros apresentam colorao verde-clara, rosada ou avermelhada. Estes pulges podem atacar o pepineiro durante todo o seu ciclo e ocorrem em grandes colnias na face inferior das folhas, brotaes e flores. Sua reproduo por partenognese, ou seja, sem acasalamento. Com clima quente e seco sua reproduo mais rpida, podendo completar o seu ciclo biolgico em uma semana.

    A suco contnua de seiva de tecidos tenros da planta e a injeo de toxinas, tanto por adultos como por ninfas, provocam definhamento de mudas e plantas jovens e encarquilhamento das folhas, brotos e ramos. Altas infestaes podem afetar drasticamente a produo e causar a morte das plantas. O lquido aucarado expelido pelos insetos tambm favorece o desenvolvimento do fungo Capnodium, causador da fumagina, sobre as folhas e estruturas reprodutivas da planta, afetando, consequentemente, a fotossntese, a produo e a qualidade dos frutos. Essas pragas tambm podem

    Figura 1. Fenologia do pepineiro e ocorrncia de pragas.

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    transmitir viroses como o mosaico do mamoeiro estirpe melancia (PRSV-W), o mosaico amarelo da abobrinha-de-moita (ZYMV), o mosaico-2 da melancia (WMV-2) e o mosaico do pepino (CMV).

    Estes vrus so adquiridos e transmitidos durante as picadas de prova dos pulges, que normalmente tm a durao de poucos segundos. O mosaico amarelo da abobrinha-de-moita (ZYMV) tambm pode ser transmitido por sementes, o que torna a ocorrncia de pulges e desta virose indesejvel em campos de produo de sementes de pepino.

    Os pulges so favorecidos pelo clima seco e quente, podendo ocasionar infestao severa em pepineiro sob cultivo protegido. A reinfestao de cultivos pulverizados com inseticidas pode ser promovida por formigas que transportam os pulges oriundos de reas vizinhas.

    Para monitoramento dos pulges recomenda-se inspecionar os brotos e a face inferior de folhas novas (a partir do ponteiro do ramo) em busca de ninfas e adultos da praga. Alternativamente, pode-se realizar o monitoramento de pulges adultos alados com placas adesivas amarelas ou com armadilha do tipo Moericke (bandeja pintada de amarelo, com gua e detergente). As placas amarelas adesivas (Figura 3A) devero ser instaladas em estacas de bambu na altura do dossel das plantas ou no prprio sistema de conduo. As bandejas com gua podem ser dispostas nas entre linhas de cultivo.

    Figura 3.Armadilhas para monitoramento de insetos sugadores. A placa adesiva de cor amarela para monitoramento de pulges e mosca-branca; e B placa adesiva de cor azul para monitoramento de tripes.

    Tripes

    Thrips tabaci Lindeman, Thrips palmi Karny e Frankliniella schultzei (Trybom) (Thysanoptera: Thripidae)

    So insetos diminutos, com 1 a 2 mm de comprimento, colorao amarelo-caro a marrom, cabea quadrangular, aparelho bucal do tipo raspador-sugador. Os adultos possuem asas estreitas e franjadas (Figura 4), enquanto as formas jovens so pteras. So encontrados na face inferior das folhas, nas flores, hastes e gemas apicais e ficam abrigados entre dobras e reentrncias das plantas. Estas espcies inserem seus ovos em tecidos tenros, preferencialmente nas regies mdiana e basal das folhas. Dos ovos eclodem ninfas, que se transformam em pupas (fase relativamente inativa), de onde emergiro os adultos. Os tripes atacam o pepineiro durante todo o seu ciclo. Perfuram e sugam o contedo das clulas vegetais, momento em que esses insetos liberam substncias que ajudam a pr-digerir os tecidos da planta.

    As folhas atacadas ficam com aspecto queimado ou prateado e pontuaes escuras. Em alta

    Figura 2. Infestao do pulgo Aphis gossypii em folha de pepineiro.

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    infestao, a planta apresenta folhas totalmente necrosadas, enrugadas, coriceas/quebradias e com dobramento de suas bordas. Isto resulta em reduo da capacidade fotossinttica, acentuada queda de folhas e morte das plantas. Os tripes podem ocasionar a queda dos frutos recm-formados ou causar manchas e cicatrizes nos frutos em desenvolvimento. Em plantas severamente atacadas, o fruto amadurece mais rpido e o seu tamanho reduzido. Os tripes tambm podem ser transmissores do vrus do amarelo letal da abobrinha (ZLCV), que infecta o pepineiro. So favorecidos pelo clima seco e quente, podendo ocasionar infestao severa em culturas sob cultivo protegido.

    Para monitoramento dos tripes deve-se agitar vigorosamente as folhas das plantas sobre uma placa ou bandeja plstica branca e avaliar a quantidade de insetos cados na superfcie, ao longo de um metro de fileira de cultivo. Alternativamente, pode-se realizar o monitoramento de tripes adultos com placas adesivas de colorao azul. Estas placas adesivas (Figura 3B) devero ser instaladas em

    estacas de bambu na altura do dossel das plantas ou no prprio sistema de conduo.

    Mosca-branca

    Bemisia tabaci (Gennadius) bitipo B (Hemiptera: Aleyrodidae)

    um inseto sugador muito pequeno. O adulto possui dorso de colorao amarelo-palha, quatro asas membranosas recobertas com pulverulncia branca e, quando em repouso, as asas permanecem levemente separadas (Figura 5). Os ovos apresentam colorao amarelada, com formato de pra e so depositados isoladamente na face inferior da folha e presos por um pedicelo. As ninfas (forma jovem) so translcidas, de colorao amarelo a amarelo-plido. Ovos, ninfas e adultos localizam-se na face inferior das folhas; ovos e adultos so encontrados principalmente nas folhas e brotaes mais novas, enquanto ninfas ocorrem nas folhas mais desenvolvidas. Este inseto causa danos diretos ao pepineiro pela suco contnua da seiva e ao toxicognica, provocando alteraes no desenvolvimento vegetativo (menor vigor) e reprodutivo das plantas e pelo favorecimento da ocorrncia da fumagina (semelhante aos pulges), sobre as folhas e estruturas reprodutivas da planta, que pode tambm prejudicar a aparncia dos frutos. Maiores infestaes ocorrem durante a estao seca e quente.

    Para monitoramento da mosca-branca deve-se inspecionar a face inferior de folhas novas (a partir do ponteiro do ramo) em busca de insetos adultos. Quando as plantas forem jovens, antes da emisso dos ramos, deve-se amostrar a folha mais jovem completamente expandida. Alternativamente,

    Figura 4. Tripes adulto da espcie Thrips palmi.

    Figura 5. Mosca-branca, Bemisia tabaci bitipo B. A adulto; e B ninfas.

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    pode-se realizar o monitoramento de adultos com placas adesivas amarelas (Figura 3A), a exemplo do proposto para os pulges.

    Brocas-das-cucurbitceas

    Diaphania nitidalis (Cramer) e Diaphania hyalinata (L.) (Lepidoptera: Pyralidae)

    Estas pragas ocorrem frequentemente nos cultivos de pepino e podem ocasionar perdas significativas na produo. O adulto da espcie D. nitidalis uma mariposa de 20 mm de envergadura, colorao marrom-violcea, com as asas apresentando rea central amarelada semitransparente e os bordos marrom-violceos (Figura 6A). A lagarta mede at 30 mm de comprimento, apresentando cabea de colorao escura, corpo de colorao creme com pontuaes pretas at o terceiro instar e totalmente verde aps esse estdio; passa seus trs instares iniciais na folha e ataca, preferencialmente, flores e frutos de qualquer idade. No caso de D. hyalinata, o adulto branco, com exceo do trax, dos ltimos segmentos abdominais e dos tufos de plos. Possui asas com rea semitransparente branca e com faixa escura e retilnea nas bordas (Figura 6B). A lagarta de colorao verde, apresenta duas listras brancas at o quarto instar ou verdes a partir desse estdio; se alimenta de folhas, brotos novos, talos, hastes e frutos (Figura 7A-B). Os ovos de ambas as espcies so de colorao branca a creme, sendo depositados nas folhas, ramos, flores e frutos. A pupa de colorao amarronzada e fica sob as folhas secas ou no solo.

    Os ramos infestados apresentam folhas novas e brotos novos murchos, os quais, posteriormente, secam. A incidncia dessas pragas danifica os botes florais, afeta a polinizao e pode causar

    o abortamento de flores, tendo impacto negativo na quantidade e qualidade das sementes. O dano principal resulta da injria nos frutos (Figura 7B), onde as lagartas abrem galerias e destroem a polpa (broqueamento), levando ao seu apodrecimento e perda do fruto. Frutos atacados apresentam, no exterior, massas de excremento esverdeadas parecidas com cera. O ataque das brocas-das-cucurbitceas reduz o vigor das plantas, podendo tambm lhes ocasionar a morte e, consequentemente, perdas na produo. Clima quente favorece a infestao dessas pragas e surtos populacionais ocorrem com freqncia nas transies entre as estaes secas e chuvosas. Embora a entrada das mariposas seja dificultada em estufas teladas, grandes perdas na produo podem ser esperadas quando a praga se estabelece no cultivo protegido.

    Pragas secundrias

    Vaquinhas

    Diabrotica speciosa (Germar) (Coleoptera: Chrysomelidae), Acalymma bivittula (Kirsch), Cerotoma arcuata (Olivier), Cerotoma unicornis (Germar) eEpilachna cacica (Gurin) (Coleoptera: Coccinellidae)

    As vaquinhas so besouros, cujos adultos so pequenos e apresentam o primeiro par de asas rgidas como um escudo, de cores variadas, com manchas amarelas, pretas ou acinzentadas.

    Diabrotica speciosa colorao esverdeada e cabea marrom, com seis manchas amareladas nas asas (Figura 8).

    Acalymma bivittula colorao amarelada, com listras longitudinais de colorao escura.

    Figura 6. Adultos das brocas-das cucurbitceas. A - Diaphania nitidalis; e B - Diaphania hyalinata.

    Figura 7. Danos causados pelas brocas-das-cucurbitceas. A desfolha; e B - ataque ao fruto.

    A B

    A B

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    Cerotoma arcuata colorao amarelada, com manchas pretas nos litros; possui duas manchas no final dos litros.

    Cerotoma unicornis colorao amarelada intensa, sem manchas no final dos litros.

    Epilachna cacica besouro de formato arredondado, de at 10 mm de comprimento, colorao marrom-avermelhada, com faixa de cor preta contornando os litros.

    As larvas dos besouros da famlia Chrysomelidae apresentam colorao branca, com cabea e placa dorsal do ltimo segmento abdominal de colorao marrom-escura. As larvas de E. cacica (Coccinellidae) chegam a 10 mm de comprimento, so de colorao amarelada e tm o corpo coberto por espinhos pretos e longos. As larvas de Chrysomelidade permanecem no solo e se alimentam de razes da planta, enquanto os adultos se alimentam das folhas e flores. Adultos e larvas de E. cacica atacam somente as folhas.

    Quando o ataque das larvas ocorre durante a germinao das sementes, as folhas cotiledonares, ao se abrirem, apresentaro perfuraes semelhantes quelas ocasionadas pelos insetos adultos; e, quando as larvas atacam as razes e o hipoctilo de plantas j emergidas, as folhas basais ficam amarelas e murcham. Nas duas situaes as plantas atrofiam e atrasam seu desenvolvimento. O ataque s folhas pelos besouros adultos resulta em grande nmero de pequenas perfuraes, que

    reduz a rea fotossinttica da planta; o ataque s flores pode ocasionar o seu aborto. Em elevadas infestaes, pode-se comprometer a produo de frutos. As vaquinhas D. speciosa, A. bivittula e E. cacica tambm so transmissoras do vrus do mosaico da abbora (SqMV), que pode infectar o pepineiro e ser transmitido via sementes. O monitoramento das vaquinhas baseia-se na presena de desfolha.

    Lagarta-rosca

    Agrotis ipsilon (Hfnagel) (Lepidoptera: Noctuidae)

    O adulto uma mariposa com asas anteriores marrons, com manchas triangulares escuras e asas posteriores semitransparentes. A lagarta possui colorao marrom-acinzentada e cabea lisa e escura, podendo medir at 4,5 cm de comprimento e se enrola quando tocada (Figura 9).

    As lagartas cortam as plantas novas, com at 30 dias, rente ao solo. Sob infestao severa, em perodos quentes e secos, torna-se necessria a realizao de nova semeadura ou replantio de mudas. O monitoramento dessa praga baseia-se na

    Figura 8. Adulto da vaquinha Diabrotica speciosa.

    Figura 9. Lagarta-rosca, Agrotis ipsilon.

    presena de plantas mortas cortadas altura do solo, ao longo da fileira de cultivo.

    OuTrAS prAgAS

    O pepineiro, alm das pragas j mencionadas, est sujeito ao de outros artrpodes que, eventualmente, podem ocasionar perdas considerveis produo. Estes organismos-praga esto caracterizados na Tabela 1.

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    Tabela 1. Outras pragas associadas ao pepineiro.

    Praga Caractersticas Injrias / Sintomas

    caro rajadoTetranychus urticae Koch (Acari: Tetranychidae)

    O adulto um pequeno caro, possui colorao amarelada ou esverdeada, com duas manchas verde-escuras ou avermelhadas no dorso (uma de cada lado). Os ovos so esfricos e de colorao amarelada; a postura feita entre os fios de teia que o caro tece na face inferior das folhas. As injrias causadas so consequncia da alimentao do caro, que rompe as clulas da epiderme inferior das folhas.

    Ataca a face inferior das folhas e tece teias que o recobrem. Seu ataque provoca amarelecimento das folhas e, em alta intensidade, as folhas mais velhas ficam ressecadas e ocorre severa desfolha da planta. Pode apresentar surtos populacionais severos em cultivo protegido.

    Mosca-minadoraLiriomyza spp.(Diptera: Agromyzidae)

    O adulto uma pequena mosca, de colorao preta, com a parte inferior do abdome amarela. A larva muito pequena, no possui pernas (poda) e tem colorao branco-amarelada ou esverdeada.

    As larvas abrem galerias, ou minas, de formato serpenteado no mesfilo foliar, medida que crescem. As minas causam reduo da rea fotossinttica, afetando a produo. Em altas infestaes, as folhas ficam ressecadas e quebradias, havendo maior exposio dos frutos ao sol, os quais podem ter sua qualidade externa depreciada. Na regio Nordeste brasileira, onde h produo intensiva de melo, a mosca-minadora tambm tem ocasionado severas injrias ao pepineiro, assumindo condio de praga-chave da cultura.

    Mosca-das-frutasAnastrepha grandis (Macquart) (Diptera: Tephritidae)

    Adultos so moscas de colorao amarela, 10 mm de comprimento e que apresentam uma mancha em forma de V invertido na asa. A fmea possui ovipositor bem desenvolvido, com o qual perfura a casca do fruto para a oviposio. A larva vermiforme, de colorao branca, cabea afilada e com at 1 cm de comprimento.

    As larvas desenvolvem-se no interior da polpa e o fruto apodrece. A espcie A. grandis praga quarentenria em diversos pases; sua ocorrncia em determinadas regies brasileiras pode inviabilizar a exportao de frutas em razo das restries quarentenrias adotadas pelos pases consumidores.

    Percevejo escuroLeptoglossus gonagra (Fabricius) (Hemiptera: Coreidae)

    Inseto sugador de colorao marrom-escura, com listras alaranjadas na cabea e linha transversal amarela no pronoto; mede 20 mm de comprimento. Suas pernas posteriores so alargadas e as tbias possuem expanses laterais em forma de folha.

    Ataca ramos e frutos novos, sugando-lhes a seiva; em conseqncia, as plantas ficam depauperadas e sua produo pode ser prejudicada.

    Broca-do-frutoHelicoverpa zea (Boddie) (Lepidoptera: Noctuidae)

    Os adultos so mariposas de 30 a 40 mm de envergadura, asas anteriores de colorao cinza-esverdeada a amarelo-palha, com faixas transversais escuras e manchas dispersas sobre as asas; as asas posteriores so mais claras e apresentam uma faixa escura nas bordas externas e outra no centro da asa. Os ovos possuem forma hemisfrica e salincias laterais, com 1 mm de dimetro, colorao inicial branca a amarelada e marrom prximo da ecloso.

    As lagartas broqueiam o fruto, de fora para dentro, destruindo parcial ou totalmente a sua polpa, tornando-o imprestvel para o consumo.

    caro brancopolyphagotarsonemus latus (Banks) (Acari: Tarsonemidae)

    Os adultos possuem colorao branco-esverdeada ou branco-amarelada brilhante; so invisveis a olho nu (0,17 mm de comprimento), sendo os machos menores e hialinos, os quais tm o quarto par de pernas avantajado. Os ovos so de colorao branca ou prola, apresentam formato achatado e salincias superficiais; so depositados isoladamente na face inferior das folhas novas. As larvas possuem seis pernas e colorao branca, sendo bastante mveis.

    Este caro no produz teia e aloja-se na face inferior das folhas, as quais se tornam curvadas para baixo (enrolamento dos bordos), ressecadas, bronzeadas e com rasgaduras, podendo cair prematuramente.

    Formiga cortadeiraAtta spp.Acromyrmex spp.(Hymenoptera: Formicidae)

    Estas formigas tambm so conhecidas como savas e esto entre as mais importantes pragas da agricultura brasileira. So insetos com organizao social, que vivem em ninhos subterrneos (formigueiros). Cortam folhas, hastes e flores e transportam estas estruturas vegetais para o interior da colnia, onde so utilizadas como substrato para cultivo de um fungo, do qual as formigas se alimentam. So de colorao pardo-avermelhada e facilmente identificadas pela presena de trs ou quatro pares de espinhos no dorso, na regio logo aps a cabea. So mais ativas noite e nas horas de temperatura mais amena do dia.

    As injrias causadas pelas savas so facilmente reconhecidas pelo corte que fazem nas folhas, em formato de meia-lua ou arco, com desfolha completa da planta atacada. Essas formigas, ao desfolhar as plantas de pepino, reduzem a rea fotossinttica das folhas, acarretando redues do crescimento, produo e, dependendo do nvel de desfolha, tambm a morte das plantas.

  • Recomendaes tcnicas para o controle de pragas do pepino8

    Mtodos de controle

    Diversos mtodos de controle so usados para o manejo integrado de pragas do pepineiro, dentre eles: o manejo do ambiente de cultivo (incluindo prticas culturais, mtodos fsicos e mecnicos), o controle legislativo, o controle comportamental, o controle biolgico e o controle qumico.

    Insetos sugadores e vetores de virose

    a) Manejo do ambiente de cultivo

    Recomenda-se a adoo planejada e preventiva das seguintes medidas:

    Uso de sementes sadias e isentas de viroses;

    Quando for adotado o transplantio do pepineiro, a produo de mudas deve ser realizada em locais protegidos por tela ou tecido prova de insetos sugadores, que sejam distantes de campos infestados por estas pragas ou abandonados e longe do local definitivo de plantio;

    Uso de cultivares de ciclo curto e adequao da poca de plantio para a regio, visando o escape de picos populacionais dos insetos vetores de virose;

    Seleo de mudas sadias, vigorosas e isentas de viroses para plantio;

    Isolamento dos talhes por data e rea, evitando escalonamento de plantio, inclusive dentro da estufa;

    Plantio dos talhes no sentido contrrio direo predominante do vento, do mais velho para o mais novo, para desfavorecer o deslocamento das pragas dos talhes velhos para os novos;

    Implantao prvia de barreiras vivas ou faixas de cultivos (sorgo, capim elefante, milheto ou cana-de-acar) ao redor da lavoura ou estufa, de tal forma que tenham pelo menos 1,0 m de altura no momento do plantio do pepino. O objetivo retardar as infestaes das brocas-das-cucurbitceas, pulges, tripes e mosca-branca, bem como reduzir a incidncia de viroses transmitidas por picadas de prova;

    No fazer plantios prximos a cultivos de soja, feijoeiro e algodoeiro, que so hospedeiros de insetos sugadores e, em cujas culturas, o controle

    dessas pragas no realizado de forma sistemtica durante todo o ciclo de cultivo;

    Cultivo protegido em estufas com telado e antecmara que dificultem a entrada de insetos sugadores, vaquinhas e mariposas;

    Manejo da nutrio (adubao qumica e orgnica) conforme anlise de solo ou foliar e requerimentos da cultura, evitando-se a deficincia e/ou excesso de nutrientes (principalmente nitrognio) nas plantas;

    Manejo adequado da irrigao para evitar o estresse hdrico, favorecendo o estabelecimento rpido das plantas;

    Cobertura do solo com superfcie refletora de raios ultravioletas (casca de arroz, palha ou mulching plstico de colorao branca ou prata), para dificultar a colonizao dos pulges, tripes e da mosca-branca;

    Uso de painis ou faixas adesivas de colorao amarela, preferencialmente nas bordaduras da cultura, para retardar a entrada de pulges alados e adultos da mosca-branca;

    Uso de armadilhas adesivas e bandejas com gua, de colorao amarela, para captura dos pulges alados e de mosca-branca dentro da rea cultivada;

    Uso de armadilhas adesivas e bandejas com gua, de colorao azul, para captura de tripes, dentro da rea cultivada;

    Uso de irrigao por asperso, para controle mecnico de pulges, tripes, e mosca-branca presentes nas folhas;

    Eliminao de plantas com viroses;

    Eliminao de plantas daninhas e plantas silvestres que sejam hospedeiras de pulges, tripes e mosca-branca, nas proximidades da rea, antes da implantao da cultura e daquelas presentes no interior e nas bordaduras do cultivo de pepino e

    Sucesso e rotao de culturas com plantas no hospedeiras de insetos sugadores e vetores de viroses, evitando-se plantios sucessivos de pepineiro, de outras cucurbitceas, bem como de tomateiro, pimento, alho, cebola e batata na mesma rea de cultivo ou estufa.

  • Recomendaes tcnicas para o controle de pragas do pepino 9

    b) Controle comportamental

    Podem ser utilizadas plantas repelentes, mediante seu cultivo nas bordaduras ou dentro da lavoura, em fileiras ou em covas alternadas. As mais promissoras so: coentro (Coriandrum ativum), tagetes ou cravo-de-defunto (Tagetes sp.), hortel (Mentha spp.), calndula (Calendula officinalis), mastruz (Chenopodium ambrosioides), artemisia (Artemisia sp.) e arruda (ruta graveolens). Estas plantas liberam substncias volteis que repelem os insetos sugadores adultos.

    c) Controle Biolgico

    Na cultura do pepino ocorrem diversos predadores, como as joaninhas e os bichos lixeiros, que se alimentam de pulges e mosca-branca. Os parasitides pertencem a outra categoria de inimigos naturais e, em sua maioria, so vespas diminutas que se desenvolvem no interior ou sobre o corpo da praga. Alm destes agentes existem microrganismos como fungos, bactrias e vrus, que ocasionam doenas e matam as pragas quando estas alcanam grandes populaes no cultivo.

    Em regies e ambientes com alta umidade relativa do ar (>70%) podem ser utilizados produtos comerciais a base de fungos entomopatognicos (Lecanicillium spp., Beauveria bassiana, Metarhizium anisopliae e Isaria spp.) para controle de pulges, moscas-brancas e tripes. Entretanto, estes inseticidas microbianos somente podem ser utilizados em condio de baixa incidncia de viroses na regio.

    Controle Qumico

    O controle eficaz dos insetos sugadores transmissores de viroses representa o principal desafio para o manejo integrado de pragas do pepineiro, tendo em vista que, nas reas com histrico de alta incidncia de viroses, torna-se necessrio o emprego de inseticidas de forma preventiva. Contudo, a concepo que a simples aplicao de agrotxicos para eliminar o inseto vetor (pulges e tripes) suficiente para controle das viroses equivocada.

    A pulverizao com leo mineral ou vegetal emulsionvel tambm no oferece a proteo desejada contra as viroses, podendo causar fitointoxicao ao pepineiro, em razo da

    concentrao utilizada. Portanto, o manejo dos insetos sugadores transmissores de viroses deve preconizar vrios mtodos de controle adotados simultaneamente, sendo todos igualmente importantes.

    Especial ateno deve ser dada quando se adota o transplantio de mudas. Na fase de produo de mudas e logo aps o estabelecimento das plantas no campo, devem-se adotar todas as medidas necessrias (acima mencionadas) para se evitar a infeco precoce das viroses. A produo de mudas deve ser feita em locais protegidos contra insetos sugadores, juntamente com a aplicao de inseticidas de ao sistmica, aplicados em pulverizao ou na forma de esguicho (drench). Em reas sem histrico de incidncia de viroses, quando necessrio, o controle de pulges e tripes deve ser iniciado aps a constatao dos primeiros sintomas de ataque ou capturas nas armadilhas adesivas. Deve-se manter baixas as populaes dos insetos vetores durante todo o ciclo da cultura.

    Brocas-das-cucurbitceas

    a) Manejo do ambiente de cultivo

    Implantao prvia de barreiras vivas ou faixas de cultivos (sorgo, capim elefante, milheto ou cana-de-acar) ao redor da lavoura ou estufa;

    Uso de cultivares de ciclo curto e adequao da poca de plantio para a regio, visando o escape de picos populacionais das brocas;

    Cultivo protegido em estufas com telado e antecmara que dificultem a entrada de mariposas;

    Isolamento dos talhes, evitando-se o escalonamento de plantio;

    Uso de cultivos intercalares (policultivos) com culturas no hospedeiras das brocas-das-cucurbitceas e que tenham porte ereto;

    Sucesso e rotao de culturas com plantas no hospedeiras das brocas-das-cucurbitceas, evitando-se plantios sucessivos de pepineiro e de outras cucurbitceas;

    Remoo de flores e frutos atacados pelas brocas;

    Catao de flores e frutos cados no cho;

  • Recomendaes tcnicas para o controle de pragas do pepino10

    Destruio e incorporao dos restos culturais e de cultivos abandonados e

    - Eliminao de plantas voluntrias de pepino oriundas de safras passadas, antes do novo plantio de pepino no mesmo local.

    b) Controle comportamental

    Consiste no uso de abobrinha italiana (cv. Caserta), nas bordaduras da rea ou em cultivo intercalar com o pepineiro, que funciona como planta-isca para as brocas-das-cucurbitceas, sobre a qual se aplica inseticidas qumicos e biolgicos (B. thuringiensis).

    c) Controle Biolgico

    A bactria entomopatognica Bacillus thuringiensis Berliner (subespcies kurstaki e aizawai) o agente de controle biolgico mais utilizado nos cultivos de pepino, cujos produtos comerciais so registrados para o controle de lagartas das brocas-das-cucurbitceas (Tabela 2). Estes inseticidas biolgicos devem ser utilizados, principalmente, no momento em que as lagartas so pequenas e durante o perodo de florao-frutificao, quando h intensa atividade de polinizadores no cultivo. As pulverizaes devem ser dirigidas s folhas, flores e frutos novos e realizadas sempre com vento fraco e no final da tarde, quando as temperaturas esto mais amenas e o sol fraco.

    d) Controle Qumico

    Para o controle das brocas-das-cucurbitceas recomenda-se a utilizao de inseticidas de contato e, dentro do possvel, os produtos devem ser aplicados de forma seletiva, ou seja, nas bordaduras do cultivo (onde se inicia a infestao) e nos focos de infestao, geralmente em reboleiras. Ao aplicar inseticidas certificar-se de que as folhas, flores e frutos tenham boa cobertura de aplicao, lembrando sempre que as lagartas das brocas-das-cucurbitceas permanecem na regio inferior da folha e em locais sombreados.

    Outras pragas

    a) Manejo do ambiente de cultivo

    - No fazer plantios ou instalar estufas prximas s estradas, uma vez que estas so fontes de poeira, que se acumular sobre as folhas do pepineiro e poder favorecer a infestao de caros-praga;

    Isolamento dos talhes, evitando-se o escalonamento de plantio;

    Utilizar densidade de plantio adequada conforme o hbito de crescimento da cultivar e a modalidade de cultivo. Densidades muito altas devem ser evitadas, visto que dificultam a aplicao dos agrotxicos e a sua distribuio nas folhas, flores e frutos localizados no interior do dossel das plantas;

    Aumento na densidade de semeadura/transplantio quando houver histrico de reduo no estande inicial de plantas pelo ataque de lagarta-rosca, formigas cortadeiras e larvas de vaquinha;

    Cultivo protegido em estufas com telado e antecmara que dificultem a entrada de vaquinhas e mariposas;

    Uso de cobertura do solo com casca de arroz, palha ou mulching plstico visando propiciar menor acmulo de poeira sobre as folhas do pepineiro, reduzindo a disponibilidade de abrigo para oviposio de caros-praga;

    Uso de irrigao por asperso, para controle mecnico de caros-praga, lagartas e mariposas, presentes nas folhas;

    Coleta manual de lagartas presentes na superfcie do solo (lagarta-rosca);

    Sucesso e rotao de culturas com plantas no hospedeiras de pragas do pepineiro;

    Evitar a entrada de pessoas, carros e caixas nas reas de cultivo;

    Evitar a comercializao nas estradas, prximo s reas de cultivo;

    Adoo de vazio fitossanitrio, de modo que a rea de cultivo ou estufa e todas as outras reas que lhe so prximas fiquem, simultaneamente, livres da cultura (pousio) por, pelo menos, quatro semanas;

    Destruio e incorporao dos restos culturais e de cultivos abandonados e

    Eliminao de plantas voluntrias de pepino oriundas de safras passadas, antes do novo plantio de pepino no mesmo local.

  • Recomendaes tcnicas para o controle de pragas do pepino 11

    Praga Produto comercial Ingrediente ativo

    Grupo qumico Modo de ao Intervalo de segurana

    (dias)

    Classe toxicolgica3

    Classe ambiental4

    Aphis gossypii

    Actara 250 WG Tiametoxam Neonicotinide Sistmico, contato e ingesto; ao translaminar

    45 III III

    Decis 25 EC Deltametrina Piretride Contato e ingesto 2 III I

    Eforia (SC) Lambda-cialotrina +tiametoxam

    Piretride +neonicotinide

    Sistmico, contato e ingesto; ao translaminar

    1 III I

    Engeo Pleno Lambda-cialotrina +tiametoxam

    Piretride +neonicotinide

    Sistmico, contato e ingesto; ao translaminar

    1 III I

    Evidence 700 WG Imidacloprido Neonicotinide Sistmico, contato e ingesto; ao translaminar

    40 IV III

    Kohinor 200 SC1 Imidacloprido Neonicotinide Sistmico, contato e ingesto; ao translaminar

    40 III III

    Lebaycid 500 Fentiona Organofosforado Contato e ingesto 21 II II

    Malathion Prentiss (EC)

    Malationa Organofosforado Contato e ingesto 3 III III

    Platinum Neo (SC) Lambda-cialotrina +tiametoxam

    Piretride +neonicotinide

    Sistmico, contato e ingesto; ao translaminar

    1 III I

    Warrant (WG)1 Imidacloprido Neonicotinide Sistmico, contato e ingesto; ao translaminar

    40 IV III

    Myzus persicae

    Actara 250 WG Tiametoxam Neonicotinide Sistmico, contato e ingesto; ao translaminar

    14 III III

    Provado 200 SC Imidacloprido Neonicotinide Sistmico, contato e ingesto; ao translaminar

    7 III III

    Bemisia tabaci bitipo B

    Actara 250 WG Tiametoxam Neonicotinide 45 III III

    Alanto (SC) Tiacloprido Neonicotinide Sistmico, contato e ingesto; ao translaminar

    7 II III

    Applaud 250 (WP) Buprofezina Tiadiazina Contato e ingesto 7 III III

    Calypso (SC) Tiacloprido Neonicotinide Sistmico, contato e ingesto; ao translaminar

    7 III III

    Cordial 100 (EC) Piriproxifem ter piridiloxiproplico

    Contato e ao translaminar

    1 I II

    Evidence 700 WG Imidacloprido Neonicotinide Sistmico, contato e ingesto; ao translaminar

    40 IV III

    Warrant (WG)1 Imidacloprido Neonicotinide Sistmico, contato e ingesto; ao translaminar

    40 IV III

    Balvria Beauveria bassiana

    Biolgico - fungo entomopatognico

    Contato e ingesto 15 IV IV

    Thrips tabaci

    Cartap BR500 (SP) Cloridrato de cartape

    Bis(tiocarbamato) Contato e ingesto 3 III II

    Thiobel 500 (SP) Cloridrato de cartape

    Bis(tiocarbamato) Contato e ingesto 3 III II

    Thrips palmi

    Cordial 100 (EC) Piriproxifem ter piridiloxiproplico

    Contato e ao translaminar

    1 I II

    Epingle 100 (EC) Piriproxifem ter piridiloxiproplico

    Contato e ao translaminar

    1 I II

    Evidence 700 WG Imidacloprido Neonicotinide Sistmico, contato e ingesto; ao translaminar

    40 IV III

    Tabela 2. Produtos registrados para o controle das principais pragas da cultura do pepino.

  • Recomendaes tcnicas para o controle de pragas do pepino12

    Praga Produto comercial Ingrediente ativo Grupo qumico Modo de ao Intervalo de segurana (dias)

    Classe toxicolgica3

    Classe ambiental4

    Thrips palmi Focus WG Clotianidina Neonicotinide Sistmico, contato e ingesto; ao translaminar

    1 III III

    Kohinor 200 SC1 Imidacloprido Neonicotinide Sistmico, contato e ingesto; ao translaminar

    40 III III

    Tiger 100 EC Piriproxifem ter piridiloxiproplico

    Contato e ao translaminar

    1 I II

    Warrant (WG)1 Imidacloprido Neonicotinide Sistmico, contato e ingesto; ao translaminar

    40 IV III

    Diaphania nitidalis

    Agree (WP) Bacillus thuringiensis

    Biolgico Ingesto - IV IV

    Bac-Control WP Bacillus thuringiensis

    Biolgico Ingesto - IV IV

    Brigade 25 EC Bifentrina Piretride Contato e ingesto 4 II II

    Cartap BR500 (SP) Cloridrato de cartape

    Bis(tiocarbamato) Contato e ingesto 3 III II

    Decis 25 EC Deltametrina Piretride Contato e ingesto 2 III I

    Dipel WP Bacillus thuringiensis

    Biolgico Ingesto - IV IV

    Dominador (SC) Deltametrina Piretride Contato e ingesto 2 IV I

    Eforia (SC) Lambda-cialotrina +tiametoxam

    Piretride +neonicotinide

    Sistmico, contato e ingesto; ao translaminar

    1 III I

    Engeo Pleno Lambda-cialotrina +tiametoxam

    Piretride +neonicotinide

    Sistmico, contato e ingesto; ao translaminar

    1 III I

    Gallaxy 100 EC Novularom Benzoiluria Iingesto 3 IV II

    Lebaycid 500 (EC) Fentiona Organofosforado Contato e ingesto 21 II II

    Malathion Prentiss (EC) Malationa Organofosforado Contato e ingesto 3 III III

    Match EC Lufenurom Benzoiluria Ingesto 7 IV II

    Platinum Neo (SC) Lambda-cialotrina +tiametoxam

    Piretride +neonicotinide

    Sistmico, contato e ingesto; ao translaminar

    1 III I

    Polytrin (EC) Cipermetrina +profenofs

    Piretride +organofosforado

    Contato e ingesto 3 III I

    Polytrin 400/40 EC Cipermetrina +profenofs

    Piretride +organofosforado

    Contato e ingesto 3 III I

    Premio (SC) Chlorantraniliprole Antranilamida Contato e ingesto 1 III II

    Rimon 100 EC Novularom Benzoiluria Ingesto 3 IV II

    Rumo WG Indoxacarbe Oxadiazina Contato e ingesto 1 I III

    Thiobel 500 (SP) Cloridrato de cartape

    Bis(tiocarbamato) Contato e ingesto 3 III II

    Diaphania hyalinata

    Bac-Control WP Bacillus thuringiensis

    Biolgico Ingesto - IV IV

    Dipel WP Bacillus thuringiensis

    Biolgico Ingesto - IV IV

    Diabrotica speciosa

    Decis 25 EC Deltametrina Piretride Contato e ingesto 2 III I

    Lebaycid 500 (EC) Fentiona Organofosforado 21 II II

    Malathion Prentiss (EC) Malationa Organofosforado Contato e ingesto 3 III III

    Anastrepha grandis

    Lebaycid 500 (EC) Fentiona Organofosforado Contato e ingesto 21 II II

    Malathion Prentiss (EC) Malationa Organofosforado Contato e ingesto 3 III III

    Liriomyza huidobrensis

    Abamectin Nortox (EC) Abamectina Avermectina Contato e ingesto 3 III III

    Abamectin Prentiss (EC) Abamectina Avermectina Contato e ingesto 3 I III

    Abamex (EC) Abamectina Avermectina Contato e ingesto 3 I III

    Cartap BR500 (SP) Cloridrato de cartape

    Bis(tiocarbamato) Contato e ingesto 3 III II

    Potenza (EC) Abamectina Avermectina Contato e ingesto 3 I III

    Thiobel 500 (SP) Cloridrato de cartape

    Bis(tiocarbamato) Contato e ingesto 3 III II

    Trigard 750 WP Ciromazina Triazinamina Sistmico e ingesto 3 IV III

    Vertimec 18 EC Abamectina Avermectina Contato e ingesto 3 III II

    Tetranychus urticae

    Vertimec 18 EC Abamectina Avermectina Contato e ingesto 3 III II

    Tabela 2. Produtos registrados para o controle das principais pragas da cultura do pepino (continuao).

    1Produto aplicado na forma de drench (esquio) sobre mudas e plantas jovens.2Produto aplicado em jato dirigido para o coleto da planta.3Classe toxicolgica: I- Extremamente txico (faixa vermelha); II - Altamente txico (faixa amarela); III - Moderadamente txico (faixa azul); IV - Pouco txico (faixa verde).4Classe ambiental: I - Produto altamente perigoso ao meio ambiente; II - Produto muito perigoso ao meio ambiente; III - Produto perigoso ao meio ambiente; IV - Produto pouco perigoso ao meio ambiente.Formulao: EC Concentrado emulsionvel; SC Suspenso concentrada; SP P solvel; WG Granulado dispersvel em gua; WP - P molhvel.Fonte: MAPA (BRASIL, 2003).

  • Recomendaes tcnicas para o controle de pragas do pepino 13

    b) Controle comportamental

    Uso de pedaos de razes de tajuj (Cayaponia tayuya; Ceratosanthes hilariana; Cayaponia martiana) ou de cabaa verde (Lagenaria vulgaris) como isca, nos quais so aplicados inseticidas qumicos para controle de vaquinhas.

    c) Controle Biolgico

    Para favorecer o controle biolgico de pragas secundrias pela ao dos inimigos naturais j existentes no agroecossistema (controle biolgico conservativo), recomendam-se prticas como: 1) catao manual das pragas; 2) manuteno de plantas que produzem flores na bordadura do cultivo, em ambiente aberto ou da estufa, visto que estas fornecem alimento complementar, refgio e local de reproduo para predadores e parasitides das pragas; 3) manuteno do solo recoberto por vegetao, por cobertura morta (palhada) ou por mulching plstico; 4) policultivos (consrcios, faixas de cultivo) tanto em ambiente aberto como dentro da estufa; 5) preservao das matas nativas prximas cultura ou estufa, as quais atuam como ilhas de reposio de inimigos naturais; 6) uso de inseticidas qumicos seletivos em favor dos inimigos naturais; e 7) aplicao seletiva de inseticidas qumicos (pulverizao apenas nos focos de infestao; produtos de ao sistmica aplicados na cova, na poca da semeadura ou transplantio).

    d) Controle legislativo

    Consiste em medidas de controle, preventivo ou no, porm, sempre embasadas em dispositivos legais (decretos, instrues normativas, portarias e resolues). Estes dispositivos procuram normatizar datas de plantio, impedir o escalonamento inadequado de plantios, propiciar a eliminao de restos culturais e perodos livres de cultivo, bem como implementar medidas de mitigao de risco de pragas quarentenrias para comodities de exportao. Um exemplo em que a cultura do pepino est envolvida refere-se ao Sistema de Mitigao de Risco para a mosca-das-frutas, A. grandis, em cultivos de cucurbitceas (Instruo Normativa n 16, de 05/03/2006, Ministrio da Agricultura, Pecuria e Abastecimento MAPA) nos Estados de Gois (Instruo Normativa n 41, de 07/08/2006, MAPA) e de Minas Gerais (Instruo Normativa n 29, de 08/08/2007 e Resoluo n

    3, de 15/10/2009, MAPA), visando a identificao e a manuteno de reas de produo aptas para exportao de cucurbitceas (melancia, melo e abbora) a pases da Amrica do Sul.

    e) Controle Qumico

    Somente deve ser utilizado quando forem detectadas infestaes de pragas secundrias que possam acarretar perdas econmicas. Na cultura do pepino existem produtos registrados para vaquinhas, mosca-minadora, caro rajado e mosca-das-frutas (Tabela 2). Entretanto, no existem produtos registrados que controlem a lagarta-rosca (A. ipsilon), a broca-do-fruto (H. zea), o percevejo escuro (L. gonagra), as formigas cortadeiras (Atta spp. e Acromyrmex spp.) e o caro branco. Tambm no h registro de produtos em formulaes para tratamento de sementes e para aplicao no solo/cova de plantio, visando o controle de pragas que atacam a cultura aps a semeadura e logo aps o estabelecimento das mudas (lagarta-rosca e larvas de vaquinhas). Portanto, estas prticas no so recomendveis, devendo-se investir no manejo do ambiente de cultivo para o controle das pragas em questo.

    Recomendaes para o uso do controle qumico

    O uso de inseticidas qumicos tem sido a principal ttica de controle das pragas do pepineiro. Entretanto, o uso indiscriminado de agrotxicos tem elevado substancialmente o custo de produo do pepino e pode acarretar srios problemas, como surgimento de populaes das pragas resistentes aos produtos utilizados, ressurgncia da praga, erupo de pragas secundrias, eliminao de organismos benficos (polinizadores, inimigos naturais e microbiota decompositora), poluio do meio ambiente, intoxicao dos usurios e presena de resduos txicos nos frutos acima do tolervel, colocando em risco a sade dos consumidores.

    No uso de inseticidas qumicos, algumas precaues, a seguir descritas, devem ser tomadas para que se alcance a eficincia de controle desejada, causando o mnimo de desequilbrio biolgico e evitando o surgimento de populaes de pragas resistentes aos produtos.

  • Recomendaes tcnicas para o controle de pragas do pepino14

    Utilizar apenas os produtos registrados, no MAPA, para a cultura do pepino (Tabela 2);

    Dar preferncia para produtos que sejam seletivos em favor dos inimigos naturais e polinizadores e pouco txicos ao homem (classes toxicolgicas III e IV);

    Evitar o uso de produtos de amplo espectro de ao, como inseticidas piretrides e organofosforados, no inicio do ciclo da cultura e durante a poca de florescimento das plantas, pois causam grande distrbio no agroecossistema, inclusive alta mortalidade dos polinizadores. A atividade de insetos polinizadores na lavoura determinante para a produo de cultivares monoicas, ou seja, daquelas em que flores masculinas e femininas ocorrem na mesma planta e h necessidade de polinizao cruzada para a formao dos frutos. Isto j no um problema nas cultivares ginico-partenocrpicas (prprias para cultivo protegido ou mesmo em reas abertas pobres em populao de abelhas), em que no h necessidade de polinizao por insetos;

    Evitar o uso indiscriminado de fungicidas, j que muitos destes produtos apresentam efeito nocivo aos fungos entomopatognicos;

    Utilizar a dosagem recomendada pelo fabricante e a quantidade de gua conforme o estdio de desenvolvimento da cultura, observando, ao mesmo tempo, o perodo de carncia;

    Evitar a aplicao de mistura de inseticidas ou acaricidas;

    Utilizar espalhante adesivo;

    Ter cuidado com fitotoxicidez de inseticidas e acaricidas ao pepineiro, visto que a espcie muito sensvel a vrios deles;

    Utilizar, de forma alternada, inseticidas de diferentes grupos qumicos, levando-se em considerao, tambm, o modo de ao do produto, o estdio de desenvolvimento da praga e a fase fenolgica do pepineiro, para evitar a ocorrncia de resistncia dos insetos sugadores aos pesticidas. Cada produto deve ser utilizado por um perodo de trs semanas, sendo substitudo por outro, caso seja necessria a continuidade das pulverizaes;

    Evitar pulverizao nos perodos quentes do dia, bem como nos momentos de ventos fortes. As pulverizaes devem ser realizadas a partir das 16:00 h, devido maior atividade dos insetos polinizadores pela manh;

    Ao aplicar os pesticidas certificar-se de que as folhas, flores e frutos tenham boa cobertura de aplicao, principalmente na regio inferior da folha e em locais sombreados.

    Consideraes finais

    importante lembrar que o desenvolvimento e a implementao de um programa de manejo integrado de pragas na cultura do pepino mostra-se de essencial importncia para o agronegcio desta hortalia, pois, somente assim, ser possvel suprir a crescente demanda pela produo de pepino de elevada qualidade e livre de contaminantes e, ao mesmo tempo, respeitar o ambiente e a sade do consumidor e do trabalhador rural. Tal avano tecnolgico tambm contribuir para a melhoria na eficincia produtiva e na sustentabilidade do segmento no Brasil, resultando em maiores ganhos econmicos e no desenvolvimento rural.

    Referncias

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  • Recomendaes tcnicas para o controle de pragas do pepino 15

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    Ministrio da Agricultura, Pecuria

    e Abastecimento

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    Circular Tcnica 109

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    Expediente

    Presidente: Warley Marcos NascimentoEditor Tcnico: Fbio Akyioshi SuinagaSupervisor Editorial: George JamesSecretria: Gislaine Costa NevesMembros: Agnaldo Donizete Ferreira de Carvalho, talo Morais Rocha Guedes, Jadir Borges Pinheiro, Jos Lindorico de Mendona, Mariane Carvalho Vidal, Neide Botrel, Rita de Ftima Alves Luengo

    Normalizao bibliogrfica: Antonia VerasEditorao eletrnica: Andr L. Garcia

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