radiação e espectro

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  • Te l e f o n i a c e l u l a rC O N H E A B E M E S S A T E C N O L O G I AI

  • e

  • O Brasil tem hoje duas vezes mais telefones celulares do que fixos. Essa preferncia do consumidor pela

    telefonia mvel tem boas razes: o preo dos aparelhos, cada vez mais baixos graas ao avano da tecno-

    logia, e a variedade dos planos de pagamento dos servios oferecidos pelas operadoras.

    pouco provvel que algum, entre os mais de 80 milhes de brasileiros que possuem um telefone celu-

    lar, esteja disposto a abrir mo da comodidade que a telefonia mvel proporciona. No entanto, algumas

    dvidas so levantadas sobre a possibilidade de que a tecnologia empregada nos celulares seja, de algum

    modo, nociva sade.

    O temor aumenta com o nmero crescente de torres instaladas nas cidades. Limitar a quantidade de

    torres, porm, prejudicaria a qualidade do servio. E, na verdade, quanto maior o nmero de torres, mais

    baixos so os nveis de radiao em torno de cada antena .

    Algumas prefeituras e governos estaduais aprovaram medidas bem-intencionadas, mas sem qualquer

    base cientfica, que estabelecem distncias mnimas entre as torres de transmisso e os imveis ao redor.

    Essa norma desconhece o fato de que a distncia da base da antena no o nico critrio a ser considerado

    numa deciso como essa. preciso levar em conta a altura de instalao da antena; a altura, em relao

    ao solo, do ponto em que se deseja medir a intensidade da radiao; o ngulo de inclinao e a potncia

    efetivamente irradiada pela antena.

    Algumas pessoas temem que o uso do celular ou a proximidade com as torres de transmisso possa pro-

    vocar cncer. A Organizao Mundial de Sade (OMS), um rgo das Naes Unidas, coordena, desde 1996,

    um projeto de acompanhamento dos riscos associados exposio radiao emitida pelos telefones

    celulares. Esse projeto revisa toda a literatura cientfica, trs a quatro vezes ao ano, e a concluso que,

    at agora, no h indcios suficientes de que o uso de celulares represente perigo para a sade, desde que

    observadas as normas de precauo.

    H quem questione se no seria necessrio adotar normas mais rigorosas. No Brasil essas normas so esta-

    belecidas pela Agncia Nacional de Telecomunicaes (Anatel) e seguem o padro do Comit Internacional de

    Proteo da Radiao No Ionizante (ICNIRP), uma Organizao No-Governamental reconhecida pela OMS.

    A Associao Nacional das Operadoras Celulares (Acel) compreende as dvidas da sociedade e dos usurios

    da telefonia celular, e considera que a melhor maneira de resolv-las difundir o conhecimento sobre o

    assunto, como recomenda a OMS. esse o objetivo desta cartilha, produzida a partir do estudo Sistemas

    de Telefonia Celular: Atendendo ao Chamado da Razo, realizado pelo Departamento de Engenharia Eltrica

    da Universidade de Braslia, sob a coordenao do Prof. Dr. Marco Antonio Brasil Terada.

    Te l e f o n i a c e l u l a rC O N H E A B E M E S S A T E C N O L O G I A

    3I

    Apresentao

  • Te l e f o n i a c e l u l a rC O N H E A B E M E S S A T E C N O L O G I A

    4I

    Campos eletromagnticosO princpio que nos permite falar ao celular o mesmo que deu origem inveno

    do rdio. So tecnologias com as quais convivemos h dcadas. O walkie-talkie, o

    telefone sem fio, o sistema de comunicao utilizado em frotas e txis, so todos

    provenientes da tecnologia do rdio.

    Os sinais de rdio so ondas de energia eltrica e magntica que se propagam

    pelo ar. As ondas (ou campos) eletromagnticas encontram-se na natureza ou so

    produzidas por tecnologias desenvolvidas pelo homem. A fonte mais comum de

    ondas eletromagnticas o sol, que produz a radiao infravermelha, a luz vis-

    vel e a luz ultravioleta. Todo objeto fsico com temperatura acima do zero grau

    absoluto emite radiao. Isso inclui pessoas, animais, plantas, minerais. Mas radia-

    o e radioatividade no so a mesma coisa.

    As ondas eletromagnticas so classificadas de acordo com sua freqncia

    (nmero de oscilaes por segundo). Essa classificao o que chamamos de

    espectro eletromagntico, uma escala que vai das freqncias mais baixas at as

    mais altas. A unidade de medida de freqncia o Hertz. Um Hertz corresponde a

    um ciclo (ou oscilao) de onda por segundo.

    Os campos eletromagnticos estticos ou de baixa freqncia so usados na

    gerao, distribuio e utilizao de energia eltrica. Os campos de radiofreqncia

    so empregados na telefonia celular, nas transmisses de rdio e TV, nas redes de

    comunicao sem fio, nos sistemas de radiocomunicao da polcia e dos bombeiros

    e nos fornos de microondas. Por exemplo, quando voc procura sintonizar a rdio

    FM 96.3, voc est em busca de uma estao que transmite um sinal de rdio FM

    na freqncia de 96.3 MegaHertz (1 MegaHertz = 106 Hertz = 1 milho de Hertz).

    Na ilustrao da pgina seguinte, esto exemplificadas as faixas de freqncia em

    que operam diversos equipamentos comuns em nosso cotidiano.

    A radioatividade

    natural est presente

    em todos os seres vivos.

    Mas radiao e

    radioatividade no

    so a mesma coisa

  • Te l e f o n i a c e l u l a rC O N H E A B E M E S S A T E C N O L O G I A

    5I

  • Radiao ionizante e radiao no ionizanteQuando as pessoas pensam em radiao, associam o termo emisso radioativa

    nuclear. Esse tipo de radiao tem efeitos muito diferentes da radiao de ondas

    de rdio, e de modo nenhum est envolvida nos processos fsicos relacionados com

    as telecomunicaes.

    A radiao pode ser de dois tipos: ionizante e no ionizante. A radiao ioni-

    zante de altssima freqncia libera grandes quantidades de energia que podem

    danificar tecidos do corpo humano. No caso da radiao no ionizante a energia

    no suficiente para isso.

    As ondas de rdio, utilizadas na telefonia celular, assim como a luz visvel e as

    microondas, so radiaes no ionizantes. O efeito que a radiao no ionizante

    provoca o aumento de temperatura.

    O efeito trmicoEssa propriedade, conhecida como efeito trmico, utilizada no aquecimento dos

    alimentos em fornos de microondas, sentida tambm quando se fala ao celular

    por muito tempo. Mas o aumento de temperatura, nesse caso, de menos de meio

    grau centgrado. O corpo humano capaz de lidar com variaes maiores que essa.

    No caso de radiao emitida pelas antenas instaladas em torres ou mastros,

    esse valor insignificante, mesmo considerando uma exposio contnua. Na rea-

    lidade, o nvel de radiao a que estamos expostos devido emisso de ondas de

    rdio pelas antenas de 50 a 1.000 vezes menor que o patamar de segurana

    estabelecido pela regulamentao da Anatel.

    Efeitos no-trmicosH tambm o temor de que efeitos no-trmicos da exposio aos campos ele-

    tromagnticos da telefonia celular prejudiquem a sade, interferindo no sistema

    imunolgico ou provocando mudanas na atividade cerebral, ou mesmo cau-

    sando cncer.

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  • Te l e f o n i a c e l u l a rC O N H E A B E M E S S A T E C N O L O G I A

    7I

    Considerando tambm os efeitos no- trmicos, a cincia no encontrou um

    conjunto de evidncias suficientemente testadas, revisadas e validadas para justi-

    ficar alteraes nos limites de exposio recomendados internacionalmente pelo

    Comit Internacional de Proteo da Radiao No Ionizante (ICNIRP). As normas

    do ICNIRP so referendadas pela Organizao Mundial de Sade e adotadas no

    Brasil pela Anatel.

    Apesar disso, pesquisas cientficas continuam sendo realizadas em todo o

    mundo, sob ateno permanente do Projeto Sobre Campos Eletromagnticos (EMF

    Project) da OMS.

    Normas de SeguranaAs condies de exposio do corpo humano so determinadas pela taxa de

    absoro especfica SAR (Specific Absorption Rate). A SAR indica a taxa mdia

    por quilograma (Watts por kg) pela qual a energia absorvida.

    As normas internacionais para o limiar de absoro de ondas de rdio so esta-

    belecidas pelo ICNIRP. Os valores correspondem menor taxa de absoro que

    causa efeitos biolgicos potencialmente negativos (4W/kg), por precauo dividi-

    da por 10, para a exposio de trabalhadores, e novamente dividida por 5, para o

    pblico em geral.

  • Isso significa uma SAR de 0,4W/kg para os trabalhadores expostos a ondas de

    radiofreqncia e de 0,08W/kg para os usurios da telefonia celular, valor 50 vezes

    menor que o mnimo.

    Algum poderia perguntar: No seria melhor utilizar um patamar mais baixo?

    E por que no utilizar zero? Zero no um valor realista. Afinal, ns mesmos

    emitimos radiao. Alm disso, j estamos expostos a ondas eletromagnticas pro-

    duzidas por rdio, televiso e outros sinais. Portanto, um patamar razovel o mes-

    mo a que estamos acostumados para os transmissores de televiso e rdio. Alm

    disso, todos os celulares disponveis no mercado passam por um teste de SAR antes

    de serem vendidos e apresentam nveis bem abaixo dos limites estabelecidos.

    O sistema celularSistemas mveis de comunicao desenvolveram-se pela necessidade de atender

    s foras de segurana pblica, como departamentos de polcia, corporaes de

    bombeiros, grupos de defesa civil, e tambm s redes de txis nas grandes cidades

    americanas, nos anos 30 do sculo passado.

    Te l e f o n i a c e l u l a rC O N H E A B E M E S S A T E C N O L O G I A

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  • At a dcada de 70, esses sistemas eram basicamente do tipo broadcasting.

    Neles, a quantidade de canais determina a quantidade de usurios que podem

    utilizar simultaneamente os

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