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  • Pereira Filho, M., Fonseca, F.A.L., Silva, J.A.M. e Brando, L.V. Nutrio e boas prticas de manejo em aqicultura1. PUBVET, V.2, N.18, Mai1, 2008.

    PUBVET, Publicaes em Medicina Veterinria e Zootecnia. Disponvel em: .

    Nutrio e boas prticas de manejo em aqicultura1

    Manoel Pereira Filho2*, Flvio Augusto Leo da Fonseca3, Jorge Antonio Moreira

    da Silva4 e Lian Valente Brando3

    1Palestra proferida no II Workshop Internacional sobre Qualidade de gua e

    Boas Prticas de Manejo para Aqicultura em Maio/2007. 2Pesquisador Coordenao de Pesquisas em Aqicultura do Instituto Nacional

    de Pesquisas da Amaznia CPAQ-INPA. 3Doutorando em Biologia de gua Doce e Pesca Interior (BADPI/INPA) 4Professor Instituto de Biologia da Universidade Federal da Bahia IB-UFBA

    * Manoel Pereira Filho (pmanoel@inpa.gov.br) Zootecnista (UNESP/ Jaboticabal), bolsista de

    produtividade em pesquisa do CNPq, tem doutorado em Produo Animal (UNESP/Jaboticabal),

    pesquisador do INPA - Instituto Nacional de Pesquisas da Amaznia e professor em cursos de

    ps-graduao do INPA e da Universidade Federal do Amazonas. Atua na rea de nutrio e

    alimentao de peixes, atualmente dando nfase a pesquisas com alimentos alternativos e

    aproveitamento de resduos. Currculo Lattes encontrado em

    .

  • Pereira Filho, M., Fonseca, F.A.L., Silva, J.A.M. e Brando, L.V. Nutrio e boas prticas de manejo em aqicultura1. PUBVET, V.2, N.18, Mai1, 2008.

    Resumo

    A maioria das espcies aquticas sob cultivo vive e respira na gua.

    Desta forma, a qualidade da gua determinante para o conforto das espcies

    sob cultivo, com reflexo direto sobre o desempenho zootcnico. Das trs

    espcies mais importantes para a piscicultura amaznica, uma delas, o

    pirarucu, Arapaima gigas, respira fora da gua, enquanto as outras duas, o

    tambaqui, Colossoma macropomum e o matrinx, Brycon amazonicus, tm

    respirao aqutica. A principal fonte de oxignio nos tanques de cultivo

    oriunda da fotossntese realizada pelas algas, cuja biomassa deve ser mantida

    em nveis adequados. Deficincia de nutrientes diminui a biomassa de algas,

    diminuindo a fotossntese e o suprimento de oxignio. Excesso de nutrientes

    leva a superproduo de algas, acarretando vrios riscos potenciais aos

    cultivos. Dentre os nutrientes mais importantes no ambiente aqutico esto o

    carbono, o nitrognio e o fsforo, elementos encontrados em diferentes

    concentraes nas raes dos peixes. Esta palestra teve como objetivo discutir

    o efeito das raes sobre a qualidade das guas de criatrios de peixes, e as

    alternativas que existem para minimizar este impacto.

  • Pereira Filho, M., Fonseca, F.A.L., Silva, J.A.M. e Brando, L.V. Nutrio e boas prticas de manejo em aqicultura1. PUBVET, V.2, N.18, Mai1, 2008.

    Tambaqui, Colossoma macropomum, a principal espcie de peixe criada em

    cativeiro no estado do Amazonas.

    Qualidade da gua

    O controle da qualidade da gua essencial para o sucesso na criao

    comercial de peixes. Nutrientes em nveis inadequados podem comprometer a

    qualidade da gua afetando os parmetros fisiolgicos dos animais, resultando

    em comprometimento da sade, baixos consumo de alimento e converso

    alimentar, reduo nos ndices de sobrevivncia e levando a piora no

    desempenho zootcnico, com prejuzo para o produtor. A qualidade de gua

    medida por parmetros qumicos, fsicos e biolgicos, dentre os quais temos a

    temperatura, o pH, o oxignio dissolvido, a salinidade e a transparncia da

    gua. O monitoramento destes parmetros tem por objetivo garantir que as

    condies ambientais dos sistemas de cultivo se mantenham adequadas ao

    bem estar dos peixes, sem variaes inesperadas que venham a provocar

    estresse nos animais.

    O oxignio dissolvido na gua fundamental para a manuteno da vida

    e de um crescimento adequado. A origem do oxignio dissolvido na gua pode

  • Pereira Filho, M., Fonseca, F.A.L., Silva, J.A.M. e Brando, L.V. Nutrio e boas prticas de manejo em aqicultura1. PUBVET, V.2, N.18, Mai1, 2008.

    ser o ar atmosfrico, em funo de ao do vento, ou de aerao artificial,

    mas nas grandes criaes, a principal fonte deve ser a fotossntese realizada

    pelo fitoplncton.

    Processos relacionados entrada e sada do oxignio da gua

    dos viveiros de criao de peixes (Adaptado de Kubitza, 2003)

    Teor ideal de oxignio dissolvido Preferencialmente

    acima de 4 mg/L

    Processos de entrada de oxignio (mg O2/L)

    Fotossntese (fitoplncton) 5 a 20

    Difuso atmosfrica para a gua 1 a 5

    Processos de sada do oxignio

    Respirao do plncton 5 a 15

    Respirao dos peixes 2 a 6

    Respirao dos organismos no lodo 1 a 3

    Difuso da gua para a atmosfera 1 a 5

    Alm dos fatores fsicos (radiao solar, temperatura), o crescimento do

    fitoplncton depende da presena de diversos nutrientes, particularmente o

    nitrognio, o fsforo e o carbono. Estes e outros nutrientes entram na gua a

    partir de diversas fontes, tais como carreados de solos vizinhos por guas de

    enxurradas, por adubao orgnica ou qumica, respirao do plncton, dos

    peixes e decomposio microbiana de resduos orgnicos, no caso do carbono,

    e atravs dos alimentos fornecidos aos peixes. O excesso destes nutrientes

    resulta em excesso de algas as quais, durante as horas de insolao,

    produzem importantes alteraes no ambiente aqutico, tais como

    supersaturao de oxignio da gua, consumo do CO2, alterao no pH que

  • Pereira Filho, M., Fonseca, F.A.L., Silva, J.A.M. e Brando, L.V. Nutrio e boas prticas de manejo em aqicultura1. PUBVET, V.2, N.18, Mai1, 2008.

    tende a se tornar alcalino e que, segundo Kubitza (2003) quando acima de 8,

    prejudicial aos peixes, entre outras razes por aumentar a concentrao da

    forma no ionizada da amnia (resduo metablico da frao protica do

    alimento dos peixes), a frao da amnia que txica para os peixes.

    Desta forma, nutricionistas de peixes tm realizado muitas pesquisas,

    utilizando diferentes estratgias para diminuir a introduo, particularmente

    do nitrognio e do fsforo oriundos de raes, nos ambientes de criao de

    peixes. Estas estratgias seguem diferentes caminhos, tais como restrio na

    quantidade do alimento fornecido durante o cultivo, o estudo da melhor

    freqncia e horrio de alimentao dos peixes, a busca das melhores

    frmulas e dos ingredientes melhor aproveitados, alguns meios de diminuir o

    teor de protena nas raes sem prejudicar a performance dos animais,

    incluso de enzimas digestivas exgenas nas raes, tcnicas de

    processamento das raes, etc., visando minimizar os efeitos das raes sobre

    a qualidade da gua de viveiros e efluentes.

    Estratgias pesquisadas

    a) Nvel de arraoamento

    Inmeras publicaes sobre nutrio de peixes disponveis na literatura

    cientfica informam que os animais, durante o experimento, receberam rao

    ad libitun, ou seja, at a saciedade plena do apetite. Em termos quantitativos

    isto pouco significa, no dando ao leitor uma idia de quanta rao foi

    introduzida no tanque.

    Na prtica, a maioria dos criadores prefere arraoar os peixes com base

    na porcentagem da biomassa, sendo que 3% a quantidade mais sugerida no

    Brasil, para peixes. No entanto, outro importante fator considerado o estgio

    de cultivo da espcie, sendo que h uma diminuio do fornecimento de rao

    em porcentagem da biomassa presente no viveiro, medida que os animais

    crescem.

  • Pereira Filho, M., Fonseca, F.A.L., Silva, J.A.M. e Brando, L.V. Nutrio e boas prticas de manejo em aqicultura1. PUBVET, V.2, N.18, Mai1, 2008.

    Desta forma, Izel e Melo (2004) relatam quatro fases distintas de

    arraoamento para tambaquis criados em viveiros escavados em terra firme

    no Amazonas: a primeira, chamada de recria, da recepo dos juvenis at 100

    gramas, quando os peixes foram alimentados obedecendo ao consumo

    espontneo, quatro vezes ao dia. As fases seguintes foram dos 100 a 800

    gramas (3% da biomassa, 2 vezes/dia); dos 800 a 1000 gramas (2% da

    biomassa, 2 vezes/dia), e acima de 1000 gramas (1,5% da biomassa, 1

    vez/dia), enquanto Melo et al. (2001), para a mesma espcie e regio,

    quando criadas em viveiros de argila/barragens de igaraps, na fase de recria

    os juvenis receberam 4 refeies/dia, com o consumo dirio variando de 5 a

    10% da biomassa. Na fase de engorda, os animais foram alimentados 2 vezes

    ao dia, com o consumo variando de 1 a 5% da biomassa.

    Izel e Melo (2004), trabalhando com matrinx, tambm sugerem quatro

    fases de arraoamento, sendo de 1 a 30 dias de criao (5% da biomassa, 2

    vezes/dia), dos 31 aos 60 dias (3% da biomassa, 2 vezes/dia), dos 61 aos 150

    dias (2% da biomassa, 2 vezes/dia) e dos 151 aos 305 dias (1% da

    biomassa,1vez ao dia).

    Outras espcies tm diferentes nveis de ingesto de alimento. Meurer et

    al. (2005) estudaram diferentes nveis de arraoamento para alevinos de

    lambari-do-rabo-amarelo (Astyanax bimaculatus), testando 1, 4, 7, 10, 13 e

    16% de rao em relao ao peso vivo dos animais, usando uma rao com

    30% protena digestvel e 3.000 kcal/kg de energia digestvel. Os autores

    concluram que o melhor nvel de arraoamento, dentre os testados

    temperatura mdia de 25oC, foi de 11,5% do peso vivo.

    b) Freqncia de alimentao

    O conhecimento da taxa de consumo dirio em peixes importante para

    estimar a relao entre alimentao e crescimento, presso de p

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