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Revista Obras on Line / Junho de 2006Revista Obras on Line / Setembro de 2006Jornal O Kennedyano

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  • Revista Obras on Line / Junho de 2006 Revista Obras on Line / Setembro de 2006

    Jornal O Kennedyano

  • 16Agosto de 2006 Revista Obras on Line

    Mecanismos de formaode trincas segunda parte

    Nas duas ltimas edies da Re-vista Obras On Line, observa-mos diversas caractersticas re-lacionadas formao das trincas, como as movimentaes trmicas da laje do ltimo pavimento; as movimentaes higroscpicas grandes causadoras de fissuras na parte inferior das alvenarias; e os recalques nas fundaes, que tm como conseqncia trincas inclinadas na direo do pilar que sofreu maior recal-que em relao a seus vizinhos. No artigo deste ms, iremos abordar mais mecanismos de formao das trincas, como alteraes qumicas nos materiais de construo, em que a corroso nas arma-duras uma das principais causas de seu aparecimento, e a retrao de produtos base de cimento.

    O envelhecimento e a degradao dos ma-teriais de construo podem ser afetados pela presena de agentes agressivos, mas nem sempre so necessrios meios muito agressivos para provocar alteraes nos ma-teriais de construo. Observem um exem-plo natural na nossa atmosfera que contm o CO

    2 (gs carbnico), um dos elementos

    causadores da carbonatao, uma das mais graves doenas do concreto armado. A carbonatao ocorre quando h contato entre cimento (cal), CO

    2 e umidade. Cria-

    se, ento, carbonato de clcio, popular-mente conhecido como eflorescncia, que aparece freqentemente quando a gua atravessa uma parede ou pea de concreto (que tem sais solveis), fato muito comum em pilotis, mas com conseqncias desas-trosas nas garagens imediatamente abaixo.

    Fotos: Recu

    perao - Servios E

    speciais de E

    ngen

    haria

    Corroso de armaduras em pilar de edifcio

    Artigo tcnico

  • 17 Agosto de 2006 Revista Obras on Line

    Elas causam mau aspecto, manchas esbran-quiadas, descoloramento da pintura, entre outros. As eflorescncias aparecem entre os tijolos e o reboco (massa fina), levando es-ses a se descolarem e danificar o reboco.

    A situao piora quando a carbonatao ocorre nos concretos, especialmente os mais porosos, provocando a reduo do pH naturalmente alcalino, favorecendo o aparecimento de corroso das arma-duras (formao de xido ou hidrxido de ferro) que sustentam a pea. Com o tempo, h progresso na corroso, ocu-pando volumes bem maiores do que o inicial da armadura, causando presses de expanso superiores a 15 MPa (150 kgf/cm2). Aparecem manchas de colo-rao vermelho-marrom-acastanhado que, por serem relativamente solveis, afloram na superfcie, indicando o avano da corroso. Num prximo pas-so, ocorrem fissuras na direo paralela armadura e, em mais algum tempo, h desplacamento do concreto. Desse modo, fica facilitada a penetrao dos agentes agressivos, chegando a provocar,

    ao longo do tempo, um comprometi-mento total da estrutura afetada. As corroses podem ser provocadas ainda pela presena de agentes agressivos no am-biente, como os enxofres (chuva cida); dos ons cloreto (muito comuns em reas ma-rinhas), que popularmente chamamos de maresia; e ainda pela incorporao desses agentes nos materiais de construo, como os aceleradores de pega base de cloreto de clcio, verdadeiro veneno s armaduras, principal responsvel pela degradao da estrutura do estdio Maracan, recente-mente recuperado.

    Retrao de produtos base de cimentoPortland

    Sem a pretenso de ensinar o padre a re-zar, a reao qumica de endurecimento do cimento utilizado na confeco de ar-gamassas e concretos consome gua. Apos-to que todos sabiam disso! Mas tem mais: utilizando-me dos ensinamentos da pro-fessora Denise Dal Molin, da UFRGS, em

    mdia, uma relao gua/cimento em tor-no de 0,35 a 0,40 mais do que suficiente para promover a molhagem completa de todos os gros de cimento. Toda gua ex-cedente fica incorporada ao concreto ou evapora-se ao longo do tempo, contribuin-do para retrao de secagem do concreto e formao de fissuras.

    Dissemos contribuindo no pargrafo anterior, pois existem outros dois meca-nismos que contribuem com a retrao do concreto: a retrao qumica, quando as foras de coeso entre os gros de cimento, no processo de hidratao, diminuem o vo-lume de gua em cerca de 25%; e a retrao pela carbonatao, em que os componentes geradores do carbonato de clcio, to cita-do neste artigo, possuem volumes maiores que o produto final da reao. O conjunto dessas retraes provoca vrias configura-es de trincas e fissuras.

    Normalmente, o excesso da gua de amas-samento provoca uma superfcie esbran-quiada e fissuras mapeadas, comuns nos revestimentos das alvenarias. J a perda

  • 18Agosto de 2006 Revista Obras on Line

    Artigo tcnico

    Eng. Clmenceau Chiabi Saliba JniorCoordenador de cursos de

    ps-graduao do IEC/PUC MinasDiretor do Instituto Mineiro de Avaliaes

    e Percias de Engenharia (Ibape-MG)Conselheiro do Crea-MG e da SME

    E-mail: bbceng@bbceng.com.br

    muito rpida da gua excedente em um concreto, como falta de cura ou concreta-gens em altas temperaturas, provoca trin-cas paralelas e eqidistantes, facilmente vistas em uma viga de concreto armado. Uma outra fissura muito comum, confi-gurada como um descolamento entre viga superior e alvenaria, proporcionada pelo encunhamento precoce da alvenaria (viga superior concretada h pouco tempo).

    Fissurmetro

    Recebemos algumas mensagens solicitan-do mais informaes sobre o fissurmetro, citado em artigo anterior. O fissurmetro um dos equipamentos utilizados na men-surao das fissuras. Os mais simples me-dem apenas sua abertura, enquanto os mais sofisticados so capazes de medir tambm a profundidade, alm da direo e inten-

    sidade da movimentao. Habitualmente, so efetua-das medidas freqentes, em certas situaes at de hora em hora, sendo anotadas as leituras, individualmente, em cada local medido. Pela comparao entre tais lei-turas possvel monitorar a evoluo, ou no, da fissura.

    No prximo ms encerra-remos o tema, mostrando algumas tcnicas de recu-perao e recomposio das trincas. Se voc tem alguma

    dvida ou sugesto para novos temas a se-rem abordados por este colunista, envie seu e-mail para redacao@obrasonline.com.br.

    Exemplo de monitoramento de fissura

  • Setembro de 2006 Revista Obras on Line

    Trincas: como combat-las

    Aps quatro meses abordando o tema das trincas, fissuras e afins, imagino que todos j estejam fa-miliarizados com as suas origens, configu-

    raes e conseqncias. Faltava informar

    como evit-las e como consert-las. Ento,

    aproveitem o assunto, pois, por hora, en-

    cerraremos o tema, agradecendo os vrios

    e-mails recebidos no perodo.

    Uma relao de medidas corretas para pre-

    veno do aparecimento de trincas nas edi-

    ficaes, como j disse nosso mestre Ercio

    Thomaz: muito extensa e nos faltam es-

    pao e competncia para relacion-las. En-

    tretanto, aproveitaremos o espao que temos

    para mostrar de maneira simplificada e,

    principalmente, sem muito onerar o custo da

    construo, como evitar e consertar os pro-

    blemas mais comuns que temos verificado.

    No caso das fissuras provocadas pelas movi-

    mentaes higroscpicas, na maioria das ve-

    zes provocadas pelas infiltraes no primeiro

    piso, por ascenso capilar, basta, preliminar-

    mente execuo das alvenarias, proceder

    impermeabilizao dos topos das fundaes

    e aproximadamente 15cm das laterais de to-

    das as vigas, baldrames, sapatas, blocos etc.,

    Artigo tcnico

    colocando um revestimento de massa pre-

    parada com impermeabilizante hidrfugo,

    manta asfltica ou pintura com emulso

    asfltica. Ao assentar a primeira, a segunda

    e a terceira fiadas das paredes, utiliza-se o

    mesmo procedimento, impedindo-se que

    a umidade suba, caso ocorra alguma pe-

    quena falha no procedimento anterior. Se

    ocorrer algum problema aps a concluso

    da obra, ser necessrio retirar toda a pin-

    tura da rea afetada, recompor o reboco

    danificado e, em seguida, realizar pintura

    com argamassa polimrica (a mesma uti-

    lizada no revestimento de caixas dgua),

    em pelo menos 1,2m de altura, com no

    mnimo trs demos cruzadas, esperan-

    do o tempo de secagem informado pelo

    fabricante entre cada demo. Para tijolos

    macios, podem ser efetuadas injees

    com produtos base de silicatos ou hi-

    drorrepelentes base gua.

    As fissuras causadas pelas movimentaes

    trmicas podero ser evitadas, criando-se

    juntas de dilatao adequadas, que numa

    estrutura de concreto armado variam de

    30m a 60m. No caso das fissuras entre a

    estrutura e as paredes de vedao, o ide-

    al retardar ao mximo a construo das

    Colmatao de fissuras com argamassa fluida tipo grout

  • Setembro de 2006 Revista Obras on Line

    paredes, esperando que toda deformao

    da estrutura de concreto ocorra. No caso

    de estruturas muito flexveis, no topo,

    base ou nos locais de acmulo de tenses,

    podero ser preenchidos com materiais

    flexveis. Na maioria dos casos, os poliu-

    retanos, tanto em espuma quanto em for-

    ma de mastiques, so uma tima opo,

    devendo o construtor ficar sempre atento

    s conseqncias desse procedimento em

    relao ao contraventamento das paredes.

    Trincas e fissuras j estabilizadas, como em

    algumas fissuras causadas pelo recalque das

    fundaes ou movimentaes higrotrmi-

    cas, podem ser facilmente recuperadas,

    removendo-se de 10cm a 15cm da largura

    e 2cm a 3cm de profundidade do revesti-

    mento da parede ao seu redor. Aps limpar

    a rea com a trinca, fixar bandagem (tela-