publ pesquisa trab remunerado e trab domestico dez12

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1. Trabalho remunerado e trabalho domstico:uma tenso permanentePesquisa SOS Corpo/ Data Popular 2. PESQUISATrabalho remuneradoe trabalho domstico: uma tenso permanenteRealizao: SOS CORPO/DATA POPULARPlanejamento e superviso: Instituto Patrcia Galvo Projeto Mais Direitos e Mais Poder, desenvolvido porColetivo Leila Diniz Cfemea Centro Feminista de Estudos e Assessoria Cunh Coletivo Feminista Geleds Instituto da Mulher NegraInstituto Patrcia Galvo Mdia e Direitos Redeh Rede de Desenvolvimento Humano SOS Corpo Instituto Feminista para a Democracia Com o apoio daONU MulheresRealizao Planejamento e superviso Apoio 3. sumrio 6 Apresentao14 Dia a dia19 Trabalho remunerado27 Trabalho domstico e cuidados com a casa e a famlia38 Demandas e Preocupaes 4. 6 Trabalho remunerado e trabalho domstico uma tenso permanenteSOS Corpo/ Data Popular7Trabalho produtivo e reprodutivo nocotidiano das mulheres brasileirasA vida cotidiana, muitas vezesemprica e prtica, dos dados e da gia naturalista. A autora acrescentade maneira estrita, e reco-BA, SP, RJ, MG, RS e PA) e DF. sidiar os movimentos de mulheres descrita como restrita vida conscincia (LEFEBVRE, 1972, p. 21).que isso isso no quer dizer ... quenhecer a diviso sexual e em suas lutas pela superao das de- privada e/ou como relativa a diviso sexual do trabalho seja um hierrquica que as presideAs alteraes ocorridas no mun- sigualdades no mundo do trabalho, apenas ao corriqueiro e ao No sistema social capitalista e pa- dado imutvel. Ao contrrio, essas (TORNS, 2002, p. 135). do do trabalho, como demonstra a como tambm para oferecer subs-que se repete, est em oposio atriarcal, o trabalho produtivo uma modalidades concretas variam forte- pesquisa, no levaram a mudanas dios ao poder pblico na elaboraouma noo de vida cotidiana como dimenso central na organizaomente no tempo e no espao, como A pesquisa realizada pelo Data significativas na diviso sexual dode polticas que respondam a essasuma dimenso da vida social cons-da vida cotidiana. Este trabalho a o demonstraram abundantemen-Popular, SOS Corpo e Instituto Pa-trabalho. O que se observa que demandas. E, ainda, uma contribui-truda historicamente e marcada pe-base a partir da qual as/os trabalha-te etnlogos/as e historiadores/as trcia Galvo, buscou justamenteessa diviso do trabalho permane-o ao debate e ao desenvolvimentolas estruturas e relaes sociais. doras/es, a grande maioria da po-(KERGOAT, 2001, p. 89). conhecer como as mulheres brasi-ce, produzindo consequncias que das pesquisas e estudos no campo pulao, tm acesso aos recursos e leiras enfrentam as demandas do afetam diretamente as mulheres,do trabalho e, em particular, sobre A pesquisa que toma como pontoaos meios para viver. Na hierarquiaAs desigualdades entre homens trabalho produtivo e reprodutivo -que continuam como as principais a relao entre trabalho produtivo ede partida o cotidiano pode revelarque rege a organizao do tempoe mulheres a partir de uma anliseas tenses, dificuldades, arranjos eresponsveis pelos afazeres doms- trabalho reprodutivo.a inextricabilidade entre as vriassocial, o tempo do trabalho produ- que considera o trabalho produtivodemandas tomando como base as ticos e cuidados com os filhos. Fal-esferas sociais, em geral tratadas tivo e remunerado tem precednciae o trabalho reprodutivo revelarampercepes e descries das mulhe-ta de tempo e grande sobrecarga Esta pesquisa foi realizada no m-como autnomas, ou fragmenta-sobre os outros tempos. So as mu- res sobre as dinmicas do trabalhomarcam seu cotidiano. Os homensbito de um projeto coletivo, formadodas, como o caso da relao en-lheres, nessa forma de organizao... a necessidade de con-no cotidiano. Com base em uma me- e o Estado, segundo os resulta-por sete organizaes feministas tre trabalho remunerado e trabalho social, marcada pela diviso sexual templar um cenrio maistodologia qualitativa e quantitativa, dos da pesquisa aqui apresentada,SOS Corpo - Instituto Feminista paradomstico gratuito, entre o lazer, o do trabalho, que enfrentam, em ge-amplo do que o mercado entre os meses de maro e julho depouco contribuem para a mediao a Democracia, Centro Feminista de Es-trabalho, o descanso e o desenvol- ral, as tenses e os conflitos geradosde trabalho e a famlia: a 2012, foram realizados 08 grupos de das jornadas. Segundo a pesquisa,tudos e Assessoria - Cfemea, Coletivovimento pessoal. pela dinmica e pelas exigncias do vida cotidiana. Um territ-discusso com mulheres e homens,na percepo das mulheres brasi- Leila Diniz, Rede de Desenvolvimento trabalho produtivo e do trabalho re-rio analtico no qual temem So Paulo e Recife; em seguida,leiras, as demandas principais paraHumano - Redeh, Cunh Coletivo Fe- A pesquisa sobre vida cotidiana,produtivo.sido possvel delimitar as foram entrevistadas 800 trabalha- a atuao do poder pblico para ominista, Geleds Instituto da Mulherde acordo com Lefebvre, foi umA diviso sexual do trabalho tem presenas e as ausncias doras (18 a 64 anos) de regies me- enfrentamento das tenses geradasNegra e Instituto Patrcia Galvo-, commtodo para se estabelecer anali-como princpios organizadores a hie-masculinas e femininas,tropolitanas de oito estados (PE, CE, pela dupla jornada de trabalho noapoio do Fundo para a Igualdade deticamente um recorte da realidaderarquizao e separao entre traba- cotidiano so creches, transporteGnero da ONU Mulheres.social, que se constri como pos-lho produtivo/homens e trabalho re-pblico de qualidade e escolas emsibilidade sociolgica a partir do produtivo/mulheres, princpios esses tempo integral. Maria Betnia vilasculo XIX, quando o centro da re-que, segundo Kergoat, se encon- e Vernica Ferreiraflexo se desloca; abandona a espe-tram em todas as sociedades conhe- A realizao desta pesquisa tem SOS Corpo Instituto Feministaculao para acercar-se da realidade cidas e so legitimados pela ideolo- como finalidade contribuir para sub- para a Democraciaapresentao apresentao 5. 8 Trabalho remunerado e trabalho domstico uma tenso permanente SOS Corpo/ Data Popular 9 Brasil de verdade, mulher de verdadeD iante de um histrico de lu- Tive a oportunidade de conversarativa e autonomia para tomar de- tas promovidas por diversos com vrias destas mulheres. Nocises que antes ficavam apenas a movimentos feministas brasi-foi difcil identificar mulheres que cargo dos maridos. Em outros ca-leiros, so inegveis as conquistasainda preservam a alegria de viver,sos, o aumento do nmero de mu-das mulheres nas ltimas dcadas.mesmo tendo de acordar muito lheres na condio de chefes deEntre elas, o ingresso de um grandecedo, preparar as refeies para a famlia tornou-as socialmente maiscontingente feminino no mercadofamlia e enfrentar transportes p-influentes, embora a grande maio-de trabalho e a leve tendncia deblicos abarrotados para chegar aoria em condies socioeconmicasreduo da diferena de salrios.trabalho. E dentro deste caos dirio desfavorveis. Porm, com a ida aoMas a to almejada situao deigualdade de gneros ainda estlonge de ser atingida. H um cami- tm que se desdobrar para arrumar quem tome conta dos filhos, sendo que as creches quase sempre somercado de trabalho e com rendaprpria, ela s vezes encontra apossibilidade, inclusive, de se des- Objetivos do estudonho extenso a ser percorrido.escassas ou fecham antes que con-prender de um casamento no qual sigam retornar para casa. Na volta,no se realiza.Examinar a rotina das mulheres brasileiras para compreender Nesta pesquisa, constatamos em noite, mais uma vez passam pe-as tenses que existem em relao:nmeros o que j sabamos na pr-los inconvenientes das conduesAo confrontarmos o espao con-tica, nas conversas do dia a dia com lotadas, que trafegam lentamente quistado pelas mulheres e as ne- forma como lidam com a jornada de trabalho remunera-centenas de mulheres do nosso con- pelas vias de grandes cidades, tor-cessidades ainda existentes para do e o trabalho domstico;vvio. Sim, as mulheres ainda acumu- nando a jornada ainda mais exaus-atingirmos uma sociedade justa,lam mais funes cotidianas que os tiva. E depois de passar por tudoconclumos que no Brasil de Ver-homens. Alm de trabalhar fora, tmisso, mal chegam em casa e preci-dade, palco da classe mdia que j s representaes sobre os papis da mulher e do homem.que tomar para si, muitas vezes in-sam retomar as atividades domsti- desponta, devemos intensificar otegralmente, a responsabilidade doscas, como limpar a casa, lavar roupa debate por polticas pblicas e porcuidados com a casa e com os filhos. e preparar o jantar. Quase sempremudanas culturais que promovamEmbora a nova gerao de mulheressem ajuda de maridos e filhos. a igualdade de gnero.seja mais escolarizada e tenhamosidentificado a ampliao do nmero Essa uma realidade frequenteRenato Meirellesde internautas, o que ajuda a trazer na vida das mulheres que precisa Scio-diretor do Data Popularmais informao para aquelas deser mudada. Entretanto, no po-classes mais baixas, a maior parte demos nos esquecer de seus ga-delas continua atarefada e cada veznhos neste longo perodo de lutas.mais sobrecarregada. E esse acmuloNos ltimos anos, a renda delasde atividades est atrelado ao fardo tem crescido mais do que a dosda cultura machista que elas tm que homens. Isso faz toda a diferena.lidar em sua realidade.Uma renda maior possibilitou vozapresentao apresentao 6. 10 Trabalho remunerado e trabalho domstico uma tenso permanenteSOS Corpo/ Data Popular 11Fases do estudoCombinao de metodologiasQualitativa - Grupos Focais Perfil Faixa etria 26 e 27/03 So Paulo 11 e 12/04 Recife Cidade Grupos Critrio de Classe Econmica Trabalhadoras domsticas mensalistas/diaristas com e semCalculado a partir da renda domiciliar per capita mensal de todas as fontes25 45 anos So Paulo/ Recife2 registro em carteira profissional Mulheres Classe C que sejam responsveis pelo trabalho25 45 anos So Paulo/ Recife2Classes Valor per capita / ms domstico e que tenham trabalho remunerado Mulheres Classe D que sejam responsveis pelo trabalhoClasse A Acima de R$ 2.