pt - historia do pt

Download PT - Historia Do PT

Post on 07-Dec-2015

12 views

Category:

Documents

2 download

Embed Size (px)

DESCRIPTION

PT - Historia Do PT

TRANSCRIPT

  • Histria do Partidodos Trabalhadores PT

    Setembro de 2015

    Volume 3

    CADERNOS DE FORMAOCADERNOS DE FORMAOCADERNOS DE FORMAOCADERNOS DE FORMAOCADERNOS DE FORMAO

  • Cadernos de formao

    Volume 3

    Histria do Partidos dos Trabalhadores PT

    1 edio: setembro de 2015

    Diagramao

    Sandra Luiz Alves

    ISBN

    Este texto pode ser copiado livremente, desde que citada a fonte.

  • ndice

    Apresentao .................................................................................... 5

    Captulo I

    Surgimento dos partidos na histria ............................................... 8

    Carter de classe dos partidos operrios ........................................ 13

    Caractersticas da construo do PCB ............................................ 16

    Caractersticas da construo de outros partidos de esquerda .... 22

    Caractersticas da construo do PT ............................................. 24

    Noes de partido e de estratgia do PT ....................................... 27

    Noes de estratgia: programa .................................................... 33

    Noes de estratgia: formas de luta e de organizao ................. 40

    Noes de estratgia:

    formas de organizao e atuao no Estado ................................. 44

    Noes de estratgia: as tticas ..................................................... 49

    Possvel necessidade de uma retirada estratgica ......................... 55

    Captulo II

    Bibliografia ...................................................................................... 61

  • 4

  • 5Neste Livro 3 trataremos em particular da Histria do Partido

    dos Trabalhadores - PT, como parte da trajetria do socialismo no

    Brasil. Esse partido surgiu no contexto do declnio da ditadura mili-

    tar e de seu milagre econmico. Esse declnio trouxe tona a pro-

    funda derrota e fragmentao dos partidos comunistas e socialistas

    diante da represso policial-militar movida contra eles. Declnio

    acompanhado do incremento das contradies entre as principais

    correntes militares, com o aumento significativo e conflitante das

    aes terroristas dos setores militares duros e, em sentido oposto,

    das lutas pela democratizao do Brasil. Lutas que ganharam vulto

    com a emergncia das lutas econmicas e sociais de uma nova classe

    operria, concentrada principalmente no ABC paulista.

    A classe operria que se levantou em luta, a partir de 1978, foi

    formada no processo de industrializao subordinada levado avante

    pela ditadura militar a partir de 1964. Sua origem se encontrava

    nas grandes massas camponesas expulsas dos campos pela moder-

    nizao capitalista dos latifndios para atender demanda de for-

    as de trabalho das obras de infraestrutura industrial e das novas

    indstrias instaladas no Brasil.

    Seu aprendizado como nova classe social, assalariada, teve incio

    com a crescente resistncia ao arrocho salarial e s condies de tra-

    balho impostos pela burguesia, que contava com a complacncia e o

    apoio do sistema ditatorial. E suas formas de luta e de organizao

    preliminares restringiram-se s demandas pela formao de comis-

    ses de preveno contra acidentes de trabalho e s operaes tarta-

    ruga relacionadas com uma diversidade de reivindicaes. Numa po-

    Apresentao

  • 6ca em que os sindicatos eram vigiados pelas foras policiais, muitos

    deles sendo dirigidos por pelegos, esses instrumentos de organizao

    permaneciam tolhidos, funcionando mais como entidades de assis-

    tncia social do que como ferramentas de luta dos trabalhadores.

    Essa situao comeou a mudar quando a reivindicao de re-

    posio salarial, sustentada por uma srie de novos dirigentes sin-

    dicais, unificou todas as demais demandas dos trabalhadores e se

    tornou o gatilho das grandes greves que tiveram incio com as m-

    quinas paradas da Volvo, em 1978. E, num processo histrico idn-

    tico ao da nascente classe operria francesa, em 1832, e gerao

    operria dos anos 1910, no Brasil, a nova classe operria dos anos

    1960 e 1970 demonstrou sua independncia de classe, fundando seu

    prprio partido poltico, o PT, no processo de luta pelo fim da dita-

    dura e pela democratizao do pas.

    Para entender melhor o papel desse partido em sua curta hist-

    ria de pouco mais de 30 anos, relembramos as condies em que os

    partidos surgiram na histria, tanto amorfos quanto de forma es-

    truturada, como uma necessidade da burguesia em sua luta

    anticolonial ou antifeudal. A classe trabalhadora assalariada deve

    burguesia no s seu nascimento e crescimento como classe par-

    te, desprovida da propriedade de meios de produo, mas tambm

    o aprendizado de se organizar em partidos para a conquista do po-

    der poltico.

    Relembramos, tambm como aprendizado da burguesia, que os

    partidos de trabalhadores precisam ter um carter de classe oper-

    rio, seja porque precisam se opor ao carter de classe dos partidos

    burgueses, seja porque nem todos os trabalhadores so assalaria-

    dos, operrios, proletrios. Sem um firme carter de classe, os par-

    tidos operrios podem resvalar para o campo da pequena-burgue-

    sia, cujo sonho consiste em se tornar burguesia, e abdicar da luta

    pela conquista do poder.

    A seguir, traamos um breve histrico da construo do PCB e

    de outros partidos que tentaram representar os interesses da classe

    trabalhadora assalariada. Eles chegaram a ter uma forte influncia

  • 7(hegemonia) sobre os trabalhadores e as correntes de esquerda do

    Brasil. Sucumbiram, porm, diante dos novos desafios da luta de

    classes da segunda metade do sculo XX no Brasil, especialmente

    daqueles relacionados com a implantao da ditadura militar entre

    1964 e 1985.

    A partir dai tratamos das caractersticas da construo do PT,

    incluindo o papel dos sindicalistas e de outros militantes, socialis-

    tas ou no, que influram nas concepes iniciais sobre os patres,

    sobre a construo do socialismo como democracia, e outras con-

    cepes prevalecentes nos primeiros anos de vida do partido. Tra-

    tamos tambm das noes a respeito do papel do PT como partido

    poltico e das dificuldades encontradas para traar uma estratgia

    mais clara a respeito do socialismo proclamado como lema. E dis-

    cutimos as noes estratgicas relacionadas com as formas de luta e

    de organizao, com as formas de organizao que dizem respeito

    atuao do Estado, e com as tticas, com as quais o PT tem se con-

    frontado, nem sempre com sucesso.

    Finalmente, diante da presente crise econmica com que se de-

    bate o governo Dilma, formalmente dirigido pelo PT, e com os pro-

    blemas que enredaram o partido em casos de corrupo, e o leva-

    ram a um profundo desgaste diante das camadas intermedirias e

    populares da populao, introduzimos o debate sobre a possvel

    necessidade de uma retirada estratgica a ser empreendida pelo PT.

    Isto, com vistas a reestrutur-lo, torn-lo capaz de enfrentar a pre-

    sente ofensiva conservadora e reacionria dos setores financeiro e

    monopolista da burguesia, e evitar que sofra o mesmo destino dos

    partidos de representao trabalhadora que o precederam na hist-

    ria do Brasil.

  • 8Os partidos polticos surgiram, inicialmente, tanto na revoluode independncia dos Estados Unidos (1776) quanto na revoluoburguesa na Frana (1779), como uma necessidade das nascentesburguesias dessas naes, medida que desenvolveram seu podereconmico. Na primeira, para lutar contra o colonizador britnico econquistar o espao territorial, social e poltico indispensvel a seudesenvolvimento econmico. Na segunda, para lutar contra o feu-dalismo, revolucionar as relaes sociais e conquistar o poder pol-tico que seu poder econmico j permitia.

    O carter de classe burgus dos primitivos partidos polticos foiparticularmente notado por Rousseau, ao entender que essas asso-ciaes partidrias no podiam representar os interesses de todo opovo, mas apenas de uma parte dele. No caso francs, o que entravaem contradio com as promessas revolucionrias burguesas de li-berdade, igualdade e fraternidade. Contradio que se acentuou medida que, revolucionada a base produtiva da sociedade francesa,a burguesia se transformava de uma classe revolucionria numa clas-se conservadora.

    E foi contra esse estreitamento das promessas democrticas bur-guesas que a classe operria teve que seguir o mesmo caminho re-volucionrio das burguesias na luta contra o feudalismo, exigindo odireito universal do voto e de constituio de seu prprio partido.Foi essa luta que levou a burguesia inglesa a promulgar, em 1832,seu Reform Act, atravs do qual ficou assegurado o direito de voto atodos os cidados e o direito de formao dos partidos polticos. NaFrana, o proletariado teve que realizar revolues em 1832, 1834 e

    1848, para que a burguesia conquistasse definitivamente o poder,

    Surgimento dos partidos na histria

    Captulo I

  • 9mas restringisse a democracia a seus prprios interesses de classe,

    opondo obstculos constituio de partidos operrios.

    De qualquer modo, a constituio de partidos polticos de traba-

    lhadores s se materializou medida que os proletrios aumenta-

    vam seu nmero e obrigavam a burguesia a avanar no processo de

    ampliao da democracia que prometia como sistema ideal. Num

    primeiro momento, a burguesia teve que ceder o direito poltico do

    voto universal, criando a democracia representativa, na qual os par-

    tidos, inclusive os partidos operrios, podiam eleger seus represen-

    tantes ao parlamento ou a cargos execut