psicopatologia - 2º semestre

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2 Semestre

2 Semestre

Referencial terico que permite ordenar e sistematizar os conhecimentos obtidos atravs de vrios mtodos de investigao, assim como colocar novas hipteses sobre a natureza dos factores causais que conduzem perturbao. Isto tem uma enorme importncia para o tratamento e para a preveno (evitar que pessoas saudveis desenvolvam perturbaes mentais, pela interveno precoce nos factores de risco, diferentes dos factores causais, embora por vezes coincidentes).

A grande variabilidade de factores existentes implica que no se possa estud-los todos da mesma forma. Como tal existem vrios mtodos e vrias teorias, sendo que estas ltimas assentam em trs grandes grupos:

Factores Biolgicos

Factores Psicolgicos

Factores Scio- familiares

Erros a evitar:

Absolutizao Acreditar que uma teoria explica tudo

Reducionismo Tentar explicar o comportamento patolgico, que complexo, se uma forma simplista, exclusivamente atravs de um elemento elementar

Reificao (concretizao) Pensar que as teorias so a prpria realidade, quando elas so apenas construes abstractas que se fazem sobre uma realidade que se pretende interpretar. Daqui se depreende que desejvel que elas estejam em permanente desenvolvimento.

Em relao a estas teorias necessrio saber:

Qual a tese principal

Quais as teorias parciais

Qual o modelo a que essas teorias do origem

Qual a sua aplicabilidade

1. Tese Central

Os fenmenos psicopatolgicos so consequncia directa de alteraes somticas da localizao cerebral. Estas alteraes podem ser

Estruturais (ex. tumor)

Funcionais (ex. Febre, variaes neuro-qumicas...)

De origem Intracraniana (ex. tumor)

De origem Extracraniana (ex. Febre, desidratao)

No entanto, no se demonstrou ainda uma relao linear entre a gravidade dos factores orgnicos e a gravidade da perturbao.

2. Teorias Parciais

a) Gentica

Bases hereditrias

Significado grande

Em relao maior parte das perturbaes v-se a influncia dos genes

Condio necessria, mas no suficiente

Hereditariamente polignica

A sua presena um factor de risco

Funciona como indutor de alteraes neurofisiolgicas ou neuroqumicas

b) Neurofisiolgica

Teoria da Desorganizao neuronal de Floor-Henry

Associa alteraes do hemisfrio dominante (processos cognitivos) com psicoses esquizofrnicas (paranides: perturbao de contedo do pensamento e percepo - delrio) e alteraes do hemisfrio no-dominante (processos afectivos) com psicoses afectivas (bipolares).

c) Neuroqumica

Teoria da Alterao dos Neurotransmissores Van Praag

Associa alteraes neuroqumicas com as perturbaes, por exemplo: depresso resulta de alteraes de seretonina e noradrenalina em determinadas reas do crebro; variaes de dopamina esto ligadas a Psicoses Alucinatrias; a doena de Alzeimer associada a oscilaes no sistema modular da acetilcolina.

3. Modelo

Biofsico ou Bio-mdico

A doena mental tem uma etiologia ou causa

A causa orgnica

A causa orgnica produz sintomas

Os sintomas formam o quadro clnico

4. Aplicabilidade

O modelo eficaz (tem grande aplicabilidade) na explicao do aparecimento de perturbaes mentais induzidas efectivamente por causas orgnicas

A aplicabilidade complementar no caso das psicoses afectivas (bipolar) e esquizofrnicas (desorganizada e catatnica, no paranide).

Este modelo no tem aplicabilidade para explicar a psicopatologia neurtica, as perturbaes da personalidade e as perturbaes de ajustamento

1. Tese central

Os fenmenos psicopatolgicos so determinados por factores familiares e sociais

Conclui-se que os factores ligados ao equilbrio social podiam estar relacionados com as causas (sociognese) das perturbaes mentais, porque, quando se agia sobre factores do contexto (suporte social, integrao familiar) em casos de doena mental prolongada, os sujeitos apresentavam melhoras.

2. Teorias Parciais

a) Patologia da Comunicao

Perturbao do Padro de Comunicao Intrafamiliar.

Verificou-se que os processos de comunicao so significativamente diferentes nas famlias com pessoas esquizofrnicas em relao quelas que no tm. Enquanto nas famlias normais, o padro de comunicao pais- filhos tem diferentes estilos, de acordo com os contextos, a maioria (90%) das comunicaes nas famlias com algum esquizofrnico assenta em apenas uma modalidade de comunicao. A modalidade privilegiada muito patolgica: paradoxal ou em duplo vnculo (2 significados opostos), tal muito perturbador para o receptor, j que este no entende o significado das comunicaes vindas de pessoas que avalia como importantes. A repetio destes padres conduz o receptor a uma posio insustentvel de impasse. De forma a que, para conseguir ficar em casa, tem trs sadas possveis: uma, fechar os canais de comunicao (introverso/ autismo esquizofrnico), uma segunda, que escolher ao acaso, o que torna tudo igual a tudo (perda do pensamento lgico- formal esquizofrenia tipo desorganizada) e uma ltima, que passa pela construo de uma nova realidade, que leva ao desenvolvimento das ideias delirantes da esquizofrenia paranide (o delrio no dfice, mas uma tentativa ltima de adaptao).

b) Sociogenia

Teoria do Stress Social O contexto social pode comportar pode comportar situaes em que certos indivduos esto mais vulnerveis. Estes sujeitos encontram-se, ento, em fragilidade social, j que a sua integrao social est routa, por exemplo, desemprego prolongado, pobreza...

3. Modelos

a) Modelo Familiar

A famlia que est perturbada

A perturbao ao nvel da comunicao

O comportamento patolgico a reaco do indivduo contra a m comunicao

Aplicabilidade

No de definiu se o factor causa ou consequncia, j que a presena de um indivduo perturbado modifica o sistema comunicacional.

b) Modelo Social

A perturbao resulta do impacto do stress social em sujeitos com fragilidade social

Aplicabilidade

Razoavelmente eficaz em relao a perturbaes (depresso, ajustamento, consumos...) de indivduos em fragilidade social

Teoria Comportamental

1. Tese central

Os fenmenos resultam de patologia da Aprendizagem

2. Teorias Parciais

a) Lacunas no comportamento Debilidade ausncia de aprendizagem

Comportamento Assertivo (verbal) aprendido na relao com os outros, ao nvel da comunicao. O indivduo no capaz de comunicar claramente o que quer e o quer no quer, por inibio depressiva ou ansiosa (tipo social).

Processo de Coping ou confronto com o stress os comportamentos de gesto do stress (diminuir, controlar) so aprendidos. Se houver aqui um dfice de aprendizagem, o indivduo em vez de se adaptar no confronto com o stress, perturba-se (ansiedade, depresso).

b) Comportamentos que so problemticos porque existem Trata-se de comportamentos inadequados, porque mal aprendidos.

Medos fbicos factores ligados aprendizagem conduzem sua gnese. Segundo o modelo do condicionamento, quando h contiguidade de estmulos entre um estmulo incondicionado aversivo e outro estmulo neutro presente na altura ocorre uma associao dos dois por condicionamento clssico, que mantida por reforo (Skinner: o evitamento proporciona bem estar, logo evitar o estmulo d um reforo positivo, neste caso, menos medo).

Disfunes Sexuais de natureza funcional condicionamento de medo/ ansiedade (com diferentes contedos: no agradar, ansiedade de desempenho...) actividade sexual, visto que ansiedade provoca inibio (sexual, inclusivamente). A cada novo fracasso mais ansiedade haver numa nova oportunidade.

3. Modelo Comportamental O sujeito aprende comportamentos patolgicos destinados a aliviar a ansiedade

O comportamento perturbado resulta da aprendizagem condicionada ou social desses comportamentos patolgicos, que se mantm por reforo

4. Aplicabilidade

Explica o aparecimento de certas perturbaes

Patologia fbica (simples, social e agorafobia)

Disfunes sexuais funcionais

Depresso (como factor ligado aprendizagem)

Modelo do Desespero Aprendido Processos de Aprendizagem Social

A criana nunca tem um reforo positivo dos pais, o que acarreta sentimentos de frustrao. No havendo controlo ambiental (nada promove reforos positivos), os nveis de insegurana aumenta, levando a desespero (abandono afectivo) e consequentemente depresso.O sujeito pode aprender que o comportamento depressivo um comportamento desejvel, j que o observa repetidamente na interaco com figuras significativas (o seu modelo um pai deprimido).

Seja qual for o factor causal, a perturbao pode manter-se por aprendizagem, desde que o sujeito atribua grande importncia a um comportamento que alivia a ansiedade (ex. Dependncia qumica) ou a uma aprovao tcita do grupo social (mantm-se por reforo).

Teoria Desenvolvimentista

(muito recente: 20 anos)

1. Tese Central

Os fenmenos Psicopatolgicos integram-se no desenvolvimento psicolgico normal

2. Teorias Parciais

a) A patologia normal pode alterar condies do desenvolvimento cognitivo e emocional-social (mais evidente na infncia e na adolescncia).

b) O desenvolvimento como factor causal da perturbao

1 dimenso- O sujeito no passa para a fase seguinte do desenvolvimento lacuna no processo do desenvolvimento falta de skills

2 dimenso- A presena numa determinada fase, com determinados comportamentos de uma fase anterior. Existe portanto uma desarmonia (ex. Jovens adultos)

c) Ciclo de Vida - Fases de vida do nascimento morte.

Tanto na adolescncia como na velhice veri