provas direito constitucional 2 fase oab

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PROVAS DIREITO CONSTITUCIONAL 2 FASE DO EXAME DA ORDEM

XIV EXAME DE ORDEM UNIFICADO (2014.2)FGV - Prova aplicada em 14/09/2014

Pea Profissional

Joo e Jos so pessoas com deficincia fsica, tendo concludo curso de nvel superior. Diante da abertura de vagas para preenchimento de cargos vinculados ao Ministrio da Agricultura, postularam a sua inscrio no nmero que deveria ser reservado, por fora de disposio em lei federal, aos deficientes fsicos com o grau de deficincia de Joo e Jos, o que restou indeferido por ato do prprio Ministro de Estado, aduzindo que a citada lei, apesar de vigente h 2 (dois) anos e com plena eficcia, no se aplicaria quele concurso, pois no houve previso no seu edital. Irresignados, os candidatos apresentaram Mandado de Segurana originariamente no mbito do Superior Tribunal de Justia, tendo a seo competente, por maioria de votos, denegado a segurana, dando razo ao Ministro de Estado. Houve embargos de declarao, improvidos. Ainda inconformados, apresentaram o recurso cabvel contra a deciso do colendo Superior Tribunal de Justia. Redigir o recurso cabvel contra a deciso da Corte Especial. (Valor: 5,0)

Padro de Resposta / Espelho de Correo

O enunciado indica a competncia originria do Superior Tribunal de Justia para julgamento dos Mandados de Segurana impetrados contra atos de Ministro de Estado, a teor do Art. 105, I, b) da CRFB (Art. 105. Compete ao Superior Tribunal de Justia: I - processar e julgar, originariamente: b) os mandados de segurana e os habeas data contra ato de Ministro de Estado, dos Comandantes da Marinha, do Exrcito e da Aeronutica ou do prprio Tribunal; (Redao dada pela Emenda Constitucional n. 23, de 1999). Ocorrendo a denegao da segurana, como afirmado, por unanimidade ou por maioria, cabe a apresentao de recurso ordinrio ao Supremo Tribunal Federal, consoante o Art. 102, II, a), da CRFB (II - julgar, em recurso ordinrio: a) o habeas-corpus, o mandado de segurana, o habeas-data e o mandado de injuno decididos em nica instncia pelos Tribunais Superiores, se denegatria a deciso;) Essa regra replicada no Art. 539, do CPC. O recurso deve ser dirigido ao Presidente do STJ para encaminhamento ao STF para julgamento. Os fundamentos do recurso devem ser: a) reserva de vagas para os portadores de deficincia Art. 37, VIII, da CRFB (VIII - a lei reservar percentual dos cargos e empregos pblicos para as pessoas portadoras de deficincia e definir os critrios de sua admisso); ou Art. 2, III, c, da Lei 7.853/1989 ou Art. 5, 2 da Lei 8.112/1990 ou Conveno Internacional sobre os direitos das pessoas com deficincia, Art. 27, 1, g. b) preservao do principio da legalidade, CRFB, Art. 5, II: ningum ser obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa seno em virtude de lei; c) principio da isonomia, CRFB, Art. 5, caput (Todos so iguais perante a lei, sem distino de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no Pas a inviolabilidade do direito vida, liberdade, igualdade, segurana e propriedade, ...). Aplicam-se ao Recurso Ordinrio as regras de procedimento previstas no CPC. Assim, devem ser apresentadas razes. Os recorrentes so os impetrantes, no caso os portadores de necessidades especiais e o recorrido o Ministro de Estado. Deve haver pedido de reforma da deciso atacada. Deve ser requerida a interveno do Ministrio Pblico e a remessa do autos ao STF. Situao-Problema

Questo 1

A Imprensa Oficial do Estado X publicou, em 23.10.2013, a Lei n 1.234, de iniciativa do Governador, que veda a utilizao de qualquer smbolo religioso nas reparties pblicas estaduais. Pressionado por associaes religiosas e pela opinio pblica, o Governador ajuza Ao Direta de Inconstitucionalidade tendo por objeto aquela lei, alegando violao ao prembulo da Constituio da Repblica, que afirma a proteo de Deus sobre os representantes na Assembleia Constituinte. Diante do exposto, responda, fundamentadamente, aos itens a seguir. A) possvel o ajuizamento de uma Ao Direta de Inconstitucionalidade tendo por parmetro preceito inscrito no prembulo da Constituio da Repblica? (Valor: 0,65)B) possvel o ajuizamento de uma Ao Direta de Inconstitucionalidade pelo Governador do Estado, tendo por objeto lei de sua iniciativa? (Valor: 0,60)

Padro de Resposta / Espelho de Correo

A) No possvel preceito inscrito no Prembulo da Constituio da Repblica atuar como parmetro ao controle concentrado de constitucionalidade (ajuizamento de Ao Direta de Inconstitucionalidade), uma vez que o prembulo da Constituio no tem valor normativo, apresentando-se desvestido de fora cogente. B) Por se tratar de processo objetivo, a Ao Direta de Inconstitucionalidade pode ser proposta pelo Governador do Estado mesmo se o objeto da ao for uma lei de sua iniciativa. O objetivo da ADIn a preservao da higidez do ordenamento jurdico, desvinculado, portanto, de interesses individuais.Situao-Problema

Questo 2

Sob forte influncia de grandes produtores rurais, numerosos parlamentares do Congresso Nacional se mobilizam para a edio de uma Emenda Constituio, a fim de retirar do texto constitucional a referncia funo social da propriedade. Como resposta, a sociedade civil comeou uma campanha de coleta de assinaturas para deflagrar a edio, por iniciativa popular, de uma Emenda para tornar crime a manuteno de propriedades improdutivas. Com base no fragmento acima, responda aos itens a seguir, fundamentadamente. A) Um parlamentar tem iniciativa no processo legislativo de Emenda Constituio? E a sociedade civil? (Valor: 0,60)B) possvel a edio de Emenda com o contedo pretendido pelos produtores rurais? (Valor: 0,65)

Padro de Resposta / Espelho de Correo

A) A resposta negativa. O Art. 60 da Constituio estabelece a iniciativa para a proposta de Emenda Constituio: (I) um tero, no mnimo, dos membros da Cmara dos Deputados ou do Senado Federal; (II) o Presidente da Repblica; e (III) mais da metade das Assemblias Legislativas das unidades da Federao. Desse modo, um parlamentar, isoladamente, no pode deflagrar processo legislativo de Emenda Constitucional. Do mesmo modo, a sociedade tambm no pode deflagrar tal processo. No se h de confundir a iniciativa popular para a edio de leis, prevista no Art. 61, 2, da Constituio Federal, com a iniciativa para a edio de Emendas Constituio.B) A resposta tambm negativa. Trata-se do tema das clusulas ptreas, limitaes materiais possibilidade de reforma Constituio. O Art. 60, 4, da Constituio de 1988, em relao ao contedo das Emendas Constituio, afasta a possibilidade de supresso dos direitos e garantias individuais. E a funo social positivada na Constituio como inerente ao prprio direito propriedade (Art. 5, XXIII, da CRFB). Isto , ela faz parte do prprio contedo do direito propriedade, que deixa de ser considerado em uma lgica puramente individual. A funo social incide sobre a estrutura e o contedo da propriedade, sobre a prpria configurao do direito, e constitui elemento que qualifica sua situao jurdica. Desse modo, no pode ser alterada por Emenda Constituio.

Situao-Problema

Questo 3

Tcio ajuizou demanda em face do Estado X, postulando determinada prestao estatal. A sentena proferida pelo Juzo da 1 Vara de Fazenda Pblica da Comarca da Capital, entretanto, julgou improcedente o pedido, apontando, no fundamento da deciso, os diferentes graus de eficcia das normas constitucionais, que impedem todos os efeitos pretendidos por Tcio. Com base no fragmento acima, responda, fundamentadamente, aos itens a seguir. A) Em que medida as normas constitucionais de eficcia plena se diferenciam das normas de eficcia contida? (Valor: 0,65)B) As normas constitucionais de eficcia limitada de princpio programtico, antes da intermediao legislativa, geram algum efeito jurdico? (Valor: 0,60)

Padro de Resposta / Espelho de Correo

A) O examinando deve identificar que, apesar de ambas possurem aplicabilidade imediata, se diferenciam pela possibilidade de futura restrio em seu mbito de eficcia. As normas de eficcia plena so aquelas que produzem a plenitude dos seus efeitos, independentemente de complementao por norma infraconstitucional. So revestidas de todos os elementos necessrios sua executoriedade, tornando possvel sua aplicao de maneira direta, imediata e integral. De outro lado, as normas de eficcia contida so aquelas que, de incio, produzem a plenitude dos seus efeitos, mas podem ter o seu alcance restringido pela legislao infraconstitucional. Tais normas tambm possuem aplicabilidade direta, imediata e integral, mas o seu alcance poder ser reduzido, em razo da existncia, na prpria norma, de uma clusula expressa de redutibilidade. B) O examinando deve identificar que as normas constitucionais de eficcia limitada de princpio programtico, apesar de dependerem da integrao da lei para a produo da plenitude de seus efeitos, geram de imediato, efeitos jurdicos. Assim, apesar de no se poder extrair de imediato, da norma, a plenitude de seus efeitos, em especial a eficcia positiva, capaz de amparar a pretenso de produo da consequncia jurdica prevista na norma, possvel extrair, da norma, uma eficcia interpretativa, capaz de reger a interpretao das normas de hierarquia inferior, bem como uma eficcia negativa, isto , a capacidade de servir de parmetro ao controle de constitucionalidade das normas de hierarquia inferior que vierem a lhe contrariar ou ao controle de constitucionalidade das omisses do Poder Pblico.Situao-Problema

Questo 4

A circulao no Brasil do subtipo 4 do vrus da dengue e o retorno do subtipo 1 podem aumentar o nmero de casos graves da doena no perodo que, historicamente, j registra o maior contingente de infectados. Para tentar conter a epidemia, o Estado com maior ndice de contgio elabora lei que obriga os mdicos pblicos e particulares que atuam em seu territrio a notificarem os casos de dengue Secretaria de Sade. A mesma lei, mediante