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    PROPOSTA PARA REATIVAR A

    CACAUICULTURA NACIONAL

    (verso 1)

    DOCUMENTO, COMO CONTRIBUIO. AO DEBATE OBJETIVO,

    PRAGMTICO E PROFICIENTE URGENTEMENTE REQUERIDO.

    (Foto: Paulo Cortizo Falcon)

    Luiz Ferreira da Silva

    Pesquisador aposentado e ex-diretor do CEPEC

    e

    Jos Carlos Castro de Macedo

    Empreendedor Rural e ex-Coordenador Regional da

    CEPLAC

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    POR QUE ESCREVEMOS ESTE DOCUMENTO?

    Construmos toda a nossa vida profissional a expensas do cacau, atravs da ESCOLA-CEPLAC, que nos ensinou o valor do trabalho, eivado de dedicao e tica.

    Neste momento de dbcle da regio cacaueira, no poderamos deixar de expressar a nossa gratido atravs de proposituras que possam revitalizar o trip do cacau o cacaueiro, o agricultor e a instituio.

    Isso na expectativa de termos sido teis, resgatando a nossa divida com a sociedade cacaueira, alm da admirao pelos pioneiros do cacau, de tempos passados, verdadeiros heris construtores desse grandioso patrimnio agrcola.

    Macei/AL e Itabuna/BA, 15 de Novembro de 2016.

    Luiz Ferreira da Silva, 79.

    Jos Carlos Castro de Macedo, 71.

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    I. INTRODUO

    O cacaueiro foi introduzido na Bahia em 1746, com sementes trazidas do

    Par pelo colono francs Frederico Warneaux, plantadas por Antnio Dias Ribeiro na Fazenda Cubculo, margem direita do Rio Pardo, hoje Municpio de Canavieiras.

    Em 1971, com sementes hbridas trazidas da Bahia, pelo Engenheiro Agrnomo, Frederico Monteiro lvares-Afonso, da CEPLAC, plantadas no Projeto Integrado de Colonizao Ouro Preto, do Incra, no hoje Municpio de Ouro Preto do Oeste, Rondnia.

    Voltou tambm para as terras paraenses, do Municpio de Tom-Au, atravs de sementes hbridas da CEPLAC, trazidas da Bahia, pelo agricultor Tanio Oshikiri, da Camta, Cooperativa Agrcola Mixta deTom-Au, em 1971.

    A Bahia sempre manteve a supremacia da produo de cacau brasileiro, cuja implantao pelos pioneiros, bravos empreendedores rurais, construram no sul da Bahia, uma economia importante para o pas, advindo uma histria, que emoldurou uma civilizao.

    Pois bem; novo milnio ameaa de desaparecimento de todo esse patrimnio agrcola.

    II. ASPECTOS DA CACAUICULTURA SUL-BAIANA

    1. ANTES E DEPOIS DA INTRODUO DA VASSOURA DE BRUXA

    . A produo de cacau sempre foi considerada uma agricultura de fcil

    manejo, com a utilizao de baixos nveis de tecnologia, e manejada por proprietrios na maioria das vezes ausentistas.

    As fazendas de cacau eram tocadas por intermedirios, os administradores de fazendas de cacau. Uma regio indene s enfermidades de grande poder destrutivo, tais como: a monilase, o mal-do-faco, o virus swolen shoot ou a enfermidade vassoura-de-bruxa.

    Eis que, em maio 1989, o cacau baiano foi contaminado com o fungo Moniliophtora perniciosa causador da doena denominada vulgarmente de vassoura-de-bruxa, que se expandiu rapidamente para todos os quadrantes da regio do cacau, no sul da Bahia.

    A rpida disseminao deveu-se a fatores altamente favorveis para a propagao do fungo, tais como: reas contnuas de extensas plantaes envelhecidas; topografia fortemente ondulada, com altitude relativa de mais de 300 metros; temperatura declinante no inverno ( a zona de cacau mais fria do mundo) e rica densidade da rede hidrogrfica. A distribuio regular das chuvas ao longo do ano, sem perodos secos bem definidos, propicia os lanamentos

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    contnuos de ramos e folhagem novos (flushing), o que de excepcional favorecimento para a vassoura-de-bruxa.

    A doena chegou ao sul da Bahia, numa hora desvantajosa, crtica mesmo, quando a cacauicultura se encontrava quebrada, debilitada e mergulhada em grave crise de produo. Os cacauais envelhecidos, sem condies de competitividade.

    No horizonte do PROCACAU- 1975-1986, nem depois dele, se conseguiu renovar os projetados 150 mil hectares de cacauais. A meta inicial de 110 mil hectares de novos plantios foi ampliada para 145 mil hectares. Graas aos altos preos, estas reas cresceram sem controle e a renovao dos velhos cacauais foi adiada. Se tal meta de replantao tivesse sido efetuada, possivelmente os novos cacauais estariam menos vulnerveis ou em melhores condies de serem manejados para tal convivncia.

    . A produo recorde de 457 mil toneladas, no ano de 1984, no parou de cair e hoje est ao redor das 200 mil toneladas de cacau/ano. De segundo maior exportador de cacau passou o Brasil a pas importador.

    Nos ltimos 15 anos, um esforo muito grande tem sido feito, no sentido de se tentar conviver com essa doena. O que se observa atualmente um grupo de cacauicultores abnegados, que a qualquer custo, tenta recuperar as suas lavouras, renovando-as com materiais clonais, em contraposio a um nmero bem maior de lavradores que, desesperanados e descapitalizados, abandonaram o cultivo, transformando as suas roas em vassoureiros (repositrios de fungos disseminadores da doena), porque no tiveram apoio necessrio e oportuno e, impotentes, no encontraram alternativas.

    Tal circunstncia dificultar ou at inviabilizar (quem sabe?) as reas replantadas com tanto esforo e desprendimento.

    Vale a pena ressaltar que os atuais clones, que possuem tolerncia vassoura-de-bruxa, devem ser eficazes sob certas condies de presso de inculo, significando dizer que fundamental a eliminao dos vassoureiros, para se ter uma relativa garantia de conviver com a enfermidade.

    Nesse contexto, h duas crenas que no devem ser consideradas: (a) poder haver um equilbrio biolgico, reduzindo a fonte de inculo; (b) as roas abandonadas se acabaro por si s. No primeiro caso, no h lgica e, tampouco, embasamento cientfico; e, no segundo, sabido que a vassoura-de-bruxa no mata o cacaueiro, mas, ao invs de produzir frutos, prioriza a produo de esporos e outras formas contaminantes, expandindo-se exponencialmente a doena para alm de seus limites.

    Outra observao se refere inexistncia de grandes plantaes de cacau convivendo com o Monoliophtora perniciosa, nas mesmas condies do Sul da Bahia, sobretudo em relao ao clima, mido, chuvoso e sem perodo seco intermedirio. Isso tem que ser levado em considerao e balizar o plantio do cacau na Bahia.

    Em razo do que foi explicado, possvel se fazer alguns prognsticos sobre a Cacauicultura Tradicional da Bahia. Haver um novo redimensionamento, no devendo ultrapassar os 300 mil hectares de novas lavouras clonadas, bem manejadas, eliminando-se o restante para evitar a contaminao, processando-se a substituio do cacau por outras lavouras, sobretudo de natureza agroflorestal.

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    Dessa forma a reestruturao da economia cacaueira sul-baiana diz respeito a busca de concentrar a atividade produtora de cacau nas reas que se apresentem menos favorveis virulncia do fungo, mapeando-se polos em diferentes agrossistemas.

    2. UMA NOVA LAVOURA CACAUEIRA

    Como se pde concluir, a cacauicutura do Sudeste da Bahia pode ser dividida em duas fases: antes e depois da contaminao com a vassoura-de-bruxa (Moniliophtora perniciosa). Antigamente, uma lavoura privilegiada, sem maiores problemas de manejo, facilmente administrvel e sem muitos desafios, considerando o contexto da agricultura brasileira. Hoje, tudo mudou com a presena dessa doena. So novos paradigmas, pois!

    Pelos conhecimentos biolgicos e epidemiolgicos dessa doena, conjuminados configurao das roas de cacau e condies climticas e fisiogrficas da regio, era de se prever, como j se explicitou, um alastramento rpido do fungo, bem como as dificuldades do seu controle, sobretudo porque a lavoura no fora plantada visando tal convivncia e, tampouco, o lavrador de cacau conhecia os efeitos devastadores do mal insidioso.

    Dessa maneira, depara-se a cacauicultura baiana/capixaba com um grande desafio - a convivncia com o novo inimigo - tendo que queimar etapas, mudar mtodos e ser competente, contemplando desde os novos enfoques tcnicos especializao gerencial.

    Consubstanciados nos novos paradigmas, destacam-se, dentre outros, os aspectos discriminados resumidamente, a seguir.

    2.1. REDIMENSIONAMENTO DO PLO CACAUEIRO BAIANO

    O polgono do cacau contempla diversos agrossistemas, cuja lavoura do cacau se comporta diferentemente haja vista nuanas ecolgicas, pedolgicas e topogrficas. Assi, desde solos frteis a pobres; desde relevo montanhoso a pouco movimentado; desde posio de covoados a topos de morros; desde suprimento de gua satisfatrio a dficit hdrico, desde excesso de sombra a falta dela; desde macios de cacauais velhos a dispersos.

    Com o atual complicador, a vassoura-de-bruxa (VB), mais evidente se torna redimensionar o polgono cacaueiro, eliminando as reas com certas limitaes que possam ser favorveis ao fungo e no planta.

    Dessa forma, urgente se proceder a um levantamento a esse respeito, acreditando numa possvel reduo do atual polgono do cacau em 25%, fundamental no planejamento das zonas afins, disciplinamento da aplicao dos recursos financeiros e liberao de reas, dentro dos imveis cacaueiros, com respectivos indicadores de aptido para outras culturas associadas ao agrossistema do cacau.

    2.2. NOVA CONFIGURAO DO PLANTIO DO CACAU

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    Os fatores altamente favorveis disseminao da VB, aqui relatados, condicionam alteraes nas novas roas de cacau, com o redimensionamento dos novos plantios. No mais reas extensas e contnuas, mas mdulos menores como nos ensina a os pequenos produtores da Amaznia.

    Assim explicitado, h que se dimensionar os novos plantios, subdividindo-o em reas menores.

    Como exemplo, uma ideia seria: um produtor de cacau de 100 ha teria que ter a mesma rea em 10 mdulos de 10 ha, podendo ser plantados em quadras (boxes) de glir