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Promoo e vigilncia em sade: guia Para as aes no setor Pblico federal

universidade federal de minas geraisFaculdade de Medicina Departamento de Medicina Preventiva e Social (DMPS)

Promoo e vigilncia em sade: guia Para as aes no setor Pblico federalada vila assuno (org.)

Belo Horizonte, maro de 2012

1 Edio

UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS Reitor Prof. cllio campolina diniz Vice-Reitora Prof. rocksane de carvalho norton Pr-Reitor de Recursos Humanos Prof. roberto do nascimento rodrigues

FACULDADE DE MEDICINA UFMG Diretor Prof. francisco Jos Penna Chefe do Departamento de Medicina Preventiva e Social Prof. antnio leite alves radicchi Coordenao Geral ada vila assuno (ufmg)

BIBLIOTECA UNIVERSITRIA BU - DITTI Setor de Tratamento da Informao TEL. 3409-4618 Ficha N 05/2012

Ficha catalogrfica P965 Promoo e vigilncia em sade : guia para as aes no setor pblico federal / Ada vila Assuno (organizadora). 1. ed. -- Belo Horizonte : [s.n.], 2012. 96 f. : il.

ISBN 978-85-60914-08-1

1. Promoo da sade. 2. Servio pblico. 3. Servidores pblicos. I. Assuno, Ada vila.

CDD:658.38 CDU:613.6.02-057.34 Elaborada pelo DITTI Setor de Tratamento da Informao Biblioteca Universitria da UFMG

Coordenao Editorial ada vila assuno Superviso Editorial Janaina de souza silva Projeto Grfico smara de souza mendona

isbn 978-85-60914-08-1

sumrioA Promoo da Sade nos Servios Pblicos Federais Readaptao no mbito das U-Siass Organizao do Processo de Trabalho nos Servios das U-Siass Roteiro para Buscas de Literatura Cientfica na Internet 08 29 59 80

ApresentaoNeste Caderno apresenta-se um conjunto de produes que problematizam o atual mundo do trabalho, em particular as questes de promoo sade e vigilncia aos ambientes e processos no servio pblico. Destacam-se ao longo das pginas seguintes o conceito de capacidade laboral e o papel da informao a partir de uma srie de pesquisas; indicam-se aes e projetos, alm de caminhos a serem trilhados a fim de dar continuidade ao desenvolvimento dos sistemas. A leitura dos textos aqui reunidos possibilitar ao profissional entender melhor o substrato terico que baseia a construo dos conceitos, princpios e diretrizes norteadores do atual processo de institucionalizao da Poltica de Ateno Sade e Segurana (Pass) no trabalho pblico federal, integrando todos os rgos que compem o Sistema de Pessoal Civil do Executivo. Aos poucos, possvel perceber porque e a quem serve os esforos despendidos na estruturao do Subsistema Integrado de Ateno Sade do Servidor (Siass) e do seu Comit Gestor na busca de uma base legal atualizada com garantia de recursos oramentrios especficos. Cabe ao Departamento de Polticas de Sade, Previdncia e Benefcios do Servidor, da Secretaria de Gesto Pblica, do Ministrio do Planejamento (Desap/ Segep/MP) a responsabilidade pela coordenao da Poltica, tendo como suporte um Sistema Nacional de Informaes em Sade e Segurana e uma Rede Nacional de Unidades. Ressalta-se o papel dos gestores e servidores, em especial dos tcnicos dos servios de sade e segurana e dos pensadores das universidades brasileiras, como protagonistas desse processo de construo coletiva. A formao de tcnicos e gestores uma iniciativa que conta com diversos parceiros, dentre os quais destacamos a equipe da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Por fim, agradecemos a todos aqueles que aceitaram o desafio de fazer diferente, em especial aos professores-alunos e aos alunos-professores que entendem o papel da formao no desenvolvimento das pessoas.

srgio carneiroDiretor do Departamento de Polticas de Sade, Previdncia e Benefcios do Servidor (Desap) da Secretaria de Gesto Pblica do Ministrio do Planejamento

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IntroduoEste caderno fruto das oficinas que foram realizadas em Belo Horizonte, Braslia e Recife em 2010 e 2011. O desafio foi proposto Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) pelo Departamento de Polticas de Sade, Previdncia e Benefcios do Servidor (Desap) da Secretaria de Gesto Pblica do Ministrio do Planejamento. Foi possvel conhecer os antecedentes organizativos e as aes dos servidores pblicos federais em seus ncleos, oficinas, encontros etc articulados em um movimento que expressou flego para transformar os marcos regulatrios quanto proteo da sade do trabalhador para o servio pblico. Tais negociaes sociais e as remodelagens institucionais resultaram na publicao da Portaria Normativa n. 03 de 7 de maio de 2010, que instituiu a Norma Operacional de Sade do Servidor (Noss). Construmos os textos que este caderno rene junto aos profissionais do Subsistema Integrado de Sade do Servidor Pblico Federal (Siass) inscritos nas referidas oficinas que a UFMG organizou em cooperao com o Desap. Para fazlo, coube aos autores dos captulos rever e atualizar as ferramentas de abordagem terico-metodolgicas na rea da sade do trabalhador. No primeiro captulo, apresentamos as bases das polticas de promoo e vigilncia da sade dos trabalhadores, enfatizando as arenas de trabalho no setor pblico. O segundo captulo se destina a apresentar questes e desafios que se colocam para as novas equipes cuja misso construir um modelo de ateno em readaptao. O objeto do terceiro captulo o trabalho nas unidades Siass e a maneira como ele se organiza tendo em vista o modelo Siass em implantao. Salientamos que o captulo quarto organiza os materiais produzidos em face das demandas dos participantes das oficinas por autonomia na busca de literatura cientfica e institucional. Sabemos que o problema da eficcia administrativa questo central no atual estgio de desenvolvimento social e que a presena do Estado imprescindvel. Nessa dinmica, trabalho e sade do servidor pblico se tornam desafios cruciais pelas razes que sero aqui apresentadas. Justifica-se assim o processo formativo e a produo de materiais a fim apoiar o trabalho e proteger a sade dos servidores pblicos federais. Aguardaremos as crticas de sua leitura atenta.Profa Ada vila Assuno adavila@medicina.ufmg.br

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Captulo I

A Promoo da Sade nos Servios Pblicos FederaisAda vila Assuno

trabalhador nos servios pblicos federais?O trabalho dos servidores pblicos faz parte do cotidiano dos cidados e tem importncia na economia das sociedades atuais, apesar da tendncia de reduo do papel do Estado e das recentes privatizaes concedidas pelos governos. Atualmente, assiste-se a uma efetiva mudana no significado e na interpretao de servio pblico relacionada, sobretudo, ao papel exercido pela administrao e s expectativas dos cidados no mbito do desenvolvimento socioeconmico. A reinveno ou a reforma do Estado nasce da constatao de que, no capitalismo global, a presena do Estado imprescindvel (Carvalho, 2009). A relao entre o pblico e a administrao influenciada pelos novos objetivos. A responsabilidade poltica para o funcionamento adequado da ao pblica alvo de debates, plataformas eleitorais, movimentos sociais, entre outros (Rodrguez & Garca-Ins, 2008). O servio pblico possui trs caractersticas: apresenta-se como um servio prestado ao cliente e ao cidado, objetiva o interesse geral e se apoia em um regime jurdico especial. O cliente seria o consumidor das empresas privadas;

1.1 Por que sade do

portanto aceita-se a lgica do mercado que estabelece a circulao de mercadorias, onde predominam as leis da livre escolha e da relao demanda/oferta. Cidado diz respeito ao indivduo detentor de direitos e beneficirio dos servios pblicos governamentais, particularmente no campo das polticas sociais (Ceclio, 2000). Usurio um termo que pode ser cunhado de ambas as acepes (cliente e cidado). A remodelao da estrutura de poder e as novas formas de organizao e gesto, tanto no setor privado quanto no pblico, tm origem na crise enfrentada pelo capitalismo mundial no final da dcada de 1970. Tal crise foi derivada do esgotamento do modelo de acumulao taylorista/fordista, da administrao keynesiana e do Estado de bem-estar social. Para Carvalho (2009), as diferentes formas de enfrent-la resultaram em um novo estgio do capitalismo mundial, cujas caractersticas so a mundializao ou transnacionalizao do capital, a crescente fora do capital financeiro na economia, a reorganizao produtiva de bases flexveis e as novas formas de gesto tanto no setor publico quanto no privado. No atual estgio de desenvolvimento social, a presena do Estado imprescindvel, e o problema da eficcia administrativa torna-se questo central. Nessa

Captulo 1 A Promoo da Sade nos Servios Pblicos Federais

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dinmica, trabalho e sade do servidor pblico se tornam desafios cruciais pelas razes que sero apresentadas a seguir.

em sade e o trabalho no setor pblico

1.2 desigualdades sociais

O declnio do consumo [de tabaco] no ocorre de maneira uniforme entre os diferentes grupos sociais. Os estudos sugerem gradiente inverso entre indicadores de posio socioeconmica e prevalncia de tabagismo. Ser fumante crescentemente associado a diferentes marcadores de privao, como escolaridade, renda e ocupao dos indivduos, condies materiais do domiclio e fatores contextuais relativos vizinhana (Giatti & Barreto, 2011). Os servidores pblicos esto duplamente envolvidos na problemtica das desigualdades em sade: como cidados, esto mais ou menos vulnerveis, a depender de sua insero ocupacional e da situao socioeconmica que o emprego lhes confere (Smith, Leggat & Araki, 2007); como trabalhadores, as condies que encontram para trabalhar coincidem com a qualidade dos servios prestados s populaes (OMS, 2008; DAvila et al., 2010; Tarnow-Mordi et al., 2000). Estudos recentes indicam aumento da proporo de servidores pblicos insatisfeitos, independentemente do setor onde trabalham (Kaur et al., 2009; Wada, 2009). H convergncia na fala dos trabalhadores quando so indagados a propsito da insatisfao relatada. So citadas diminuio da autonomia profissional, aumento da pres