PROJETO PB RURAL SUSTENTÁVEL MARCOS CONCEITUAIS PARA ... ?· ... Cadastro Ambiental Rural ... Políticas…

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  • Marcos Conceituais para Gesto Socioambiental

    (Manejo e Controle de Pragas; Habitats Naturais e Florestas; Patrimnio Cultural Fsico; Segurana e Barragens; Economia Solidria)

    Volume III A

    PROJETO PB RURAL SUSTENTVEL

    MARCOS CONCEITUAIS PARA GESTO SOCIOAMBIENTAL

    (Manejo e Controle de Pragas; Habitats Naturais e Florestas; Patrimnio Cultural

    Fsico; Segurana e Barragens; Economia Solidria)

    VOLUME III A

    MARO

    2016

    SFG1200 REVP

    ublic

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  • Marcos Conceituais para Gesto Socioambiental

    (Manejo e Controle de Pragas; Habitats Naturais e Florestas; Patrimnio Cultural Fsico; Segurana e Barragens; Economia Solidria)

    Volume III A

    APRESENTAO

    O desenvolvimento econmico e social um dos objetivos principais da Gesto

    Pblica e requer polticas capazes de melhorar o bem-estar social, garantindo a

    liberdade e respeito s capacidades individuais e ao conhecimento popular, integrando

    economia e tica. Nesse sentido o Projeto PB Rural Sustentvel procurar ser um dos

    alicerces do Governo Estadual para promoo deste desenvolvimento no estado da

    Paraba.

    O Projeto PB Rural Sustentvel tem como objetivo principal melhorar o acesso a

    gua, reduzir a vulnerabilidade agroclimtica e aumentar o acesso a mercados da

    populao rural pobre da Paraba. Os subprojetos apoiaro a gerao de renda, insero

    em cadeias produtivas e, consequentemente, a elevao econmica desta populao

    vulnervel do estado da Paraba. O perodo de realizao do projeto ser de seis anos,

    iniciando em 2015, sendo que neste perodo sero investidos US$ 80 milhes que sero

    destinados ao fortalecimento institucional, a reduo da vulnerabilidade, as alianas

    produtivas e a gesto, monitoramento e avaliao.

    Estes documentos, Marco de Gesto e Avaliao Socioambiental, atendem as

    polticas de salvaguardas do Banco Mundial, sendo acionadas as OPs/BPs de

    avaliao ambiental, habitats naturais, recursos culturais fsicos, segurana de

    barragens, florestas e controle de pragas. Alm disso, estes documentos tambm esto

    subordinados a toda legislao federal e estadual.

    Os documentos que compe a Avaliao de Impactos Socioambientais (AISA)

    esto subdivididos em: Arcabouo Legal e Institucional e descrio do projeto (Volume

    I), Avaliao de Impactos Socioambientais (Volume II), Marco Conceitual para Gesto

    Socioambiental - Manejo e Controle de Pragas; Habitats Naturais e Florestas;

    Patrimnio Cultural Fsico; Segurana e Barragens; Economia Solidria (Volume III

    A), Marco Conceitual para Reassentamento Involuntrio (Volume III B); Marco

    Conceitual para Povos Indgenas e Quilombolas (Volume III C); Plano de Gesto

    Socioambiental (Volume IV) e Consulta Pblica (Volume V). Os volumes estabelecem

    referenciais tericos, reviso de aspectos legais, detalhamento de arranjos institucionais

    de gesto, identificam os aspectos potencialmente causadores de impactos ambientais e

    sociais adversos e definem procedimentos para identificar, gerir e potencializar os

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    impactos socioambientais, econmicos e culturais positivos e prevenir e mitigar os

    impactos negativos dos subprojetos financiados.

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    GOVERNO DO ESTADO DA PARABA

    Ricardo Vieira Coutinho

    Governador

    Ana Lgia Costa Feliciano

    Vice-Governadora

    PROJETO COOPERAR

    Roberto da Costa Vital

    Secretrio Executivo

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    Volume III A

    Equipe Tcnica Cooperar

    Mnica Alexandra Tavares de Melo

    Gerente Operacional

    Rita Mrcia de Moura Duarte Marinho

    Coordenadora do Setor de Engenharia

    Angela Carolina de Medeiros

    Coordenadora de Salvaguardas Socioambientais

    Equipe Tcnica Consultoria (FUNETEC)

    Pedro Rogrio Rocha

    Coordenador Geral

    Anselmo Guedes de Castilho

    Coordenador de Arcabouo Legal e Institucional

    Maurcio Sard de Faria

    Coordenador de Avaliao Social e Marco de Economia Solidria

    Diego Rodrigo dos Santos Machado

    Coordenador de Avaliao Ambiental

    Diego Albert Brito de Melo

    Coordenador Tcnico

    Cludia Coutinho Nbrega

    Consultora Tcnica Saneamento Rural

    Hric Cavalcanti Mascarenhas dos Santos

    Consultor Tcnico Avaliao Social e Marco Indgena

    Roberto Mendoza

    Consultor Tcnico Avaliao Social e Marco Quilombola

    Jos Francisco de Melo Neto

    Consultor Tcnico Avaliao Social e Questionrio de Avaliao Socioeconmica

    Wellington Dantas Silva

    Consultor Tcnico Marco de Reassentamento Involuntrio

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    Ysa Helena Diniz Morais de Luna

    Consultora Tcnica Diagnstico Scio Ambiental

    Samara Gonalves Fernandes da Costa

    Consultora Tcnica Avaliao Ambiental dos Subprojetos

    Las Helena Medeiros Moura

    Consultora Tcnica Avaliao Ambiental dos Subprojetos

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    LISTA DE SIGLAS

    AACADE Associao de Apoio aos Assentamentos e Comunidades Afrodescendentes

    AESA Agncia Executiva de Gesto das guas do Estado da Paraba

    ANA Agncia Nacional de guas

    ADS-CUT Agncia de Desenvolvimento Solidrio da Central nica dos

    Trabalhadores

    ANTEAG Associao Nacional de Trabalhadores em Empresas de Autogesto e de

    Participao Acionria

    ANVISA - Agncia Nacional de Vigilncia Sanitria

    APP rea de Preservao Permanente-

    ATER - Assistncia Tcnica e Extenso Rural

    BCD - Bancos Comunitrios de Desenvolvimento

    CAR Cadastro Ambiental Rural

    CEDA - Conselho Estadual de Defesa Agropecuria

    CFO - Certificado Fitossanitrio de Origem

    CONCRAB Confederao Nacional das Cooperativas de Reforma Agrria do Brasil

    DER Departamento de Estradas e Rodagens

    EMBRAPA Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuria

    EMPASA Empresa Paraibana de Abastecimento e Servios

    EPI Equipamento de Proteo Individual

    ES Economia Solidria

    FASE - Federao de rgos para Assistncia Social e Educacional

    FUNETEC - Fundao de Educao Tecnolgica e Cultural da Paraba

    IBASE Instituto Brasileiro de Anlises Socioeconmicas

    IMS Instituto Marista de Solidariedade

    IPHAEP Instituto do Patrimnio Histrico e Artstico do Estado da Paraba

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    IPHAN - Instituto de Patrimnio Histrico e Artstico Nacional

    FBES Frum Brasileiro de Economia Solidria

    MIP - Manejo Integrado de Pragas

    MTE Ministrio do Trabalho e Emprego

    OP Polticas Operacionais

    PAA - Programa de Aquisio de Alimentos

    PACS - Polticas Alternativas para o Cone Sul

    PARA - Programa de Anlise de Resduos de Agrotxicos em Alimentos

    PB - Paraba

    PNAE - Programa Nacional de Alimentao Escolar

    PNF - Programa Nacional de Florestas

    PNSB - Pesquisa nacional de saneamento bsico

    PRONACOOP Programa Nacional de Fomento ao Cooperativismo de Trabalho

    PTV - Permisso de Trnsito de Vegetais

    SAF - Secretaria da Agricultura Familiar

    SEDH Secretaria Estadual de Desenvolvimento Humano

    SEDAP - Secretaria de Estado do Desenvolvimento da Agropecuria e da Pesca

    SENAES Secretaria Nacional de Economia Solidria

    SIES Sistema de Informaes em Economia Solidria

    SINDEC Sistema Nacional de Defesa Civil

    SISNAMA - Sistema Nacional do Meio Ambiente

    SUASA Sistema nico de Ateno a Sanidade Agropecuria no Estado da Paraba

    SUDEMA Superintendncia de Administrao do Meio Ambiente

    OMS Organizao Mundial da Sade

    ONGs Organizaes No Governamentais

    UGP Unidade de Gerenciamento do Projeto

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    LISTA DE FIGURAS

    Figura 1 - Fluxo de aplicao do marco de habitats naturais e florestas. ....................... 32

    Figura 2 - Fluxo de aplicao do marco de patrimnio cultural fsico. .......................... 38

    Figura 3 - Rede de ao em economia solidria. ............................................................ 49

    Figura 4 - Distribuio de empreendimentos econmicos solidrios por regio. .......... 50

    LISTA DE QUADROS

    Quadro 1 - Situao dos mananciais do estado. ............................................................. 41

    Quadro 2 - Levantamento de empreendimentos econmicos solidrios por municpio. 54

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    SUMRIO

    1. Marco Conceitual de Manejo e Controle de Pragas ................................. 12

    1.1. Introduo ............................................................................................. 12

    1.2. O uso de agrotxicos nos cultivos agrcolas no estado da Paraba ....... 14

    1.3. Abrangncia .......................................................................................... 15

    1.4. Legislao Aplicvel ............................................................................. 16

    1.4.1. Legislao Federal ......................................................................... 16

    1.4.2. Legislao Estadual ........................................................................ 17

    1.5. Diretrizes ............................................................................................... 19

    2. Marco Conceitual de Habitats Naturais e Florestas.................................. 21

    2.1. Introduo ............................................................................................. 21

    2.2. A Vegetao Paraibana ......................................................................... 22

    2.3. Abrangncia .......................................................................................... 24

    2.4. Legislao Aplicvel a Florestas .......................................................... 24

    2.4.1. Legislao Federal ......................................................................... 25

    2.4.2. Legislao Estadual ........................................................................ 28

    2.5. Legislao Aplicvel aos Habitats Naturais ......................................... 28

    2.5.1. Legislao Federal ......................................................................... 29

    2.5.2. Legislao Estadual ........................................................................ 31

    2.6. Diretrizes ............................................................................................... 31

    2.6.1. Plano de Manejo ............................................................................. 33

    3. Marco Conceitual de Patrimnio Cultural Fsico ..................................... 35

    3.1. Introduo ............................................................................................. 35

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    3.2. Legislao Aplicvel ............................................................................. 36

    3.2.1. Legislao Federal ......................................................................... 36

    3.2.2. Legislao Estadual ........................................................................ 37

    3.3. Diretrizes ............................................................................................... 38

    4. Marco Conceitual de Segurana de Barragens ......................................... 40

    4.1. Introduo ............................................................................................. 40

    4.2. Situao dos recursos hdricos na Paraba ............................................ 40

    4.3. Abrangncia .......................................................................................... 41

    4.4. Legislao Aplicvel ............................................................................. 43

    4.4.1. Legislao Federal ......................................................................... 43

    4.4.2. Legislao Estadual ........................................................................ 47

    4.5. Diretrizes ............................................................................................... 47

    5. Marco de Economia Solidria .................................................................. 49

    5.1. Introduo ............................................................................................. 49

    5.2. Dados da Economia Solidria no Brasil e na Paraba. .......................... 51

    5.3. Arcabouo Legal ................................................................................... 54

    5.4. Desafios para o Desenvolvimento da Economia Solidria ................... 58

    6. Referncias Bibliogrficas ........................................................................ 61

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    1. Marco Conceitual de Manejo e Controle de Pragas

    1.1. Introduo

    Este Marco busca atender estratgias de controle de pragas e parasitas por meio

    de mtodos biolgicos ou ambientais que diminuam a dependncia de pesticidas dos

    tipos qumicos sintticos.

    As propostas de subprojetos submetidas ao Projeto PB Rural Sustentvel sero

    avaliadas levando em considerao as legislaes vigentes no pas e no estado para o

    manejo de pragas e parasitas, bem como os princpios de sustentabilidade ambiental e

    segurana do trabalhador estipulados na Poltica Operacional 4.09 do Banco Mundial.

    Desta forma, este Marco apresenta as diretrizes do PB Rural Sustentvel quando

    do financiamento de subprojetos que necessitem utilizar alguma forma de controle de

    pragas e parasitas na agricultura ou em outra atividade (por exemplo, controle de

    vetores de doenas), orientando sobre as escolhas preferenciais de mtodos a serem

    aplicados e a utilizao adequada e responsvel de insumos agrcolas, particularmente

    agrotxicos, nos casos em que esse uso for justificvel.

    Os seguintes passos devem ser seguidos na avaliao ambiental e tomada de

    decises de subprojetos que necessitem do controle de pragas e parasitas:

    Em primeiro lugar, o PB Rural Sustentvel sempre dar preferncia s

    alternativas menos danosas ao meio ambiente e aos produtores (aplicadores das

    prticas), considerando mtodos de manejo integrado de pragas, controle biolgico, uso

    de produtos aprovados para a agricultura orgnica, produtos baseados em extratos

    vegetais, consorciamento de cultivos, SAF e outros mtodos agroecolgicos.

    Os servios de assistncia tcnica fornecidos por meio do PB Rural Sustentvel

    aos produtores rurais devem ser capazes de prestar orientaes adequadas para o uso

    desses mtodos, bem como para possibilitar a transio de mtodos agrcolas

    convencionais para mtodos agroecolgicos, sempre que os produtores mostrarem essa

    disposio. Os tcnicos de ATER devem sempre oferecer aos produtores essa opo em

    primeiro lugar, observando as vantagens dos mtodos agroecolgicos para a

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    produtividade, meio ambiente, custo financeiro da produo e sade do produtor e do

    consumidor.

    A adoo de mtodos agroecolgicos de manejo de pragas e parasitas deve ser

    promovida da melhor forma possvel em todos os subprojetos que envolvam a produo

    agrcola, mesmo que o financiamento no seja diretamente voltado para o cultivo. Por

    exemplo, subprojetos de irrigao, compra de equipamentos agrcolas, insumos,

    construo de viveiros ou estufas, processamento de produtos agrcolas, feiras e outros

    investimentos similares.

    Em segundo lugar, em casos excepcionais e quando seu uso for justificvel, o

    PB Rural Sustentvel pode apoiar subprojetos que utilizem pesticidas e agrotxicos,

    desde que sejam respeitadas as diretrizes especificadas a seguir.

    O financiamento ocorrer aps avaliao da natureza e grau dos riscos

    associados ao uso dos produtos qumicos, considerando o uso proposto e os usurios, o

    que deve estar especificado em um Plano de Manejo de Pragas resumido para o

    subprojeto. Como critrio para seleo e uso de pesticidas, deve ser fortemente

    recomendado que nunca sejam utilizados produtos das classes IA, IB e II da

    Classificao Recomendada de Pesticidas em Funo do Perigo e Normas para

    Classificao (Genebra: WHO 1994-95) da Organizao Mundial de Sade (ver

    abaixo), sendo que est vedada a compra de tais produtos com recursos do PB Rural

    Sustentvel. A Organizao Mundial da Sade - OMS classifica os pesticidas nas

    seguintes classes:

    Classe IA Extremamente perigosos;

    Classe IB Altamente perigosos;

    Classe II Moderadamente perigosos;

    Classe III Levemente perigosos;

    Classe U Risco agudo improvvel at o presente.

    Os seguintes critrios devem ser obedecidos para a escolha de pesticidas e

    agrotxicos a serem utilizados em subprojetos (Classes III ou U):

    Devem ter efeitos adversos mnimos na sade humana;

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    Devem ter sua eficcia comprovada no combate s espcies alvo;

    Devem ter um efeito mnimo nas espcies que no so o alvo da sua aplicao e

    no ambiente natural. Os mtodos, momento e frequncia da aplicao de

    pesticidas devem minimizar os danos aos inimigos naturais das espcies alvo.

    Os pesticidas usados em programas de sade pblica tm de ter demonstrado

    serem incuos para os habitantes e animais domsticos nas reas tratadas, bem

    como para as pessoas que os aplicam;

    O seu uso tem de levar em conta a necessidade de se evitar o desenvolvimento

    de resistncia nos parasitas.

    Este Marco determina ainda que todos os pesticidas usados nos projetos

    financiados sejam fabricados, embalados, rotulados, manuseados, armazenados,

    aplicados e tenham uma destinao final nos padres estabelecidos, seguindo as

    orientaes de um tcnico capacitado e com o uso adequado de equipamento de

    proteo individual (EPI).

    Caso o PB Rural Sustentvel venha a financiar alguma atividade de controle de

    vetores ou pragas relacionadas sade pblica, ou outro tipo de atividade que necessite

    de controle de pragas e parasitas, os mesmos princpios devem ser observados.

    importante mencionar que, para o PB Rural Sustentvel, a demanda desse tipo

    de controle e do uso de produtos qumicos ser verificada na avaliao ambiental prvia.

    1.2. O uso de agrotxicos nos cultivos agrcolas no estado da Paraba

    Desde 2008, o Brasil foi consagrado como maior consumidor mundial de

    agrotxicos, ultrapassando os Estados Unidos. Mais de 1 bilho de toneladas desses

    insumos so despejados nas lavouras brasileiras, sem contabilizar o uso domstico e

    fitossanitrio. Na Paraba, a utilizao de agrotxico fora das especificaes legais

    ganhou ampla discusso e vem sendo combatida por meio do Plano Estadual de

    Monitoramento de Agrotxicos, executado de forma conjunta por entidades e rgos

    federais, estaduais e municipais.

    A Empresa Paraibana de Abastecimento e Servios (EMPASA) um dos rgos

    do Governo do Estado que realiza um trabalho de fiscalizao permanente dos produtos

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    ali comercializados. O objetivo promover a sade e segurana dos consumidores,

    educao dos agricultores e combater a venda clandestina de agrotxicos no Estado.

    Segundo dados do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos

    Naturais Renovveis - IBAMA, a comercializao de agrotxicos cresceu a nvel

    nacional e estadual entre 2010 e 2012. Na Paraba, o aumento da comercializao dos

    insumos foi superior a 86%, o que corresponde ao terceiro maior percentual do pas.

    Resultados do monitoramento do Programa de Anlise de Resduos de Agrotxicos em

    Alimentos (PARA) realizado Agncia Nacional de Vigilncia Sanitria (ANVISA)

    2011/2012 mostram que, na Paraba, o abacaxi, a cenoura e o mamo so as frutas com

    teor de agrotxico considerado insatisfatrio.

    No caso do abacaxi, o tratamento feito pela imerso das mudas em tonis de

    fungicidas e acaricidas a base de organofosforados.

    No caso da cenoura, agrotxicos a base do ativo Prochloraz so muito utilizados

    no controle de pragas. Essa substncia aumenta a incidncia de cncer de mama,

    testculo e prstata, provoca danos ao meio ambiente, causa alteraes no feto e provoca

    distrbios hormonais, sendo proibido em vrios pases.

    No caso do mamo, a Abamectina um tipo de inseticida e acaricida que

    pertence a classe toxicolgica I, bastante utilizado neste tipo de plantao. A ingesto

    diria considerada aceitvel de 0,002 mg.

    1.3. Abrangncia

    Assim, este Marco ser aplicado nos subprojetos que apresentem potenciais

    riscos ambientais por utilizarem mtodos que envolvam produtos qumicos no controle

    de pragas e parasitas, como por exemplo, agricultura e pecuria.

    Entre os subprojetos que devem seguir as diretrizes desse Marco, esto a mini-

    indstria de gneros alimentcios; usinas de beneficiamento de leite e derivados;

    unidades de produo de queijo, apoio agricultura de sequeiros; apoio agricultura

    irrigada; apoio fruticultura; apoio Piscicultura; apoio Carcinicultura, Filetagem de

    Tilpia e Piscicultura em Sistemas Alternativos, entre outros.

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    1.4. Legislao Aplicvel

    O Banco Mundial (financiador do PB Rural Sustentvel), por meio de sua

    Poltica Operacional OP 4.09, apoia uma estratgia que promove o uso de mtodos de

    controle biolgicos ou ambientais e reduz a dependncia de pesticidas qumicos e

    sintticos.

    1.4.1. Legislao Federal

    O Decreto-Lei n 209, de 27 de fevereiro de 1967, alterado pelo Decreto-Lei n

    986, de 21 de outubro de 1969, institui o Cdigo Brasileiro de Alimentos, no qual

    regula em todo territrio brasileiro, as normas bsicas sobre mantimentos e define a

    defesa e a proteo da sade individual e coletiva, no tocante a alimentos, desde a sua

    obteno at o seu consumo.

    A Lei n 7.802, de 11 de julho de 1989, alterada pela Lei n 9.974, de 6 de

    junho de 2000, dispe sobre a pesquisa, a experimentao, a produo, a embalagem e

    rotulagem, o transporte, o armazenamento, a comercializao, a propaganda comercial,

    a utilizao, a importao, a exportao, o destino final dos resduos e embalagens, o

    registro, a classificao, o controle, a inspeo e a fiscalizao de agrotxicos, seus

    componentes e afins. Tal legislao trata da obrigatoriedade de registro dos agrotxicos

    em rgo federal, em caso de produo, importao, exportao e comercializao do

    defensivo.

    Cabe a Unio, atravs dos rgos competentes, prestar o apoio necessrio s

    aes de controle e fiscalizao, Unidade da Federao que no dispuser dos meios

    necessrios. competncia dos Estados e do Distrito Federal, legislar e fiscalizar o uso,

    a produo, o consumo, o comrcio e o armazenamento dos agrotxicos, seus

    componentes e afins, bem como fiscalizar transporte interno. Cabendo ao Municpio

    legislar supletivamente sobre o uso e o armazenamento dos agrotxicos, seus

    componentes e afins. No tocante a venda de agrotxicos h necessidade de receiturio

    prprio, prescrito por profissionais legalmente habilitados.

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    Quanto as responsabilidades administrativa, civil e penal sobre a sade dos

    envolvidos com os defensivos agrcolas, define competncias para cada uma das classes

    envolvidas, a saber das principais ao tema:

    O usurio deve proceder em acordo com o receiturio ou as recomendaes do

    fabricante e rgos registrantes e sanitrio-ambientais.

    Aquele que produzir, comercializar, transportar, aplicar, prestar servio, der

    destinao a resduos e embalagens vazias de agrotxicos, seus componentes e

    afins, em descumprimento s exigncias estabelecidas na legislao pertinente

    estar sujeito pena de recluso, de dois a quatro anos, alm de multa, conforme

    Artigo 15 da legislao.

    O empregador, profissional responsvel ou o prestador de servio, que deixar de

    promover as medidas necessrias de proteo sade e ao meio ambiente, estar

    sujeito pena de recluso e multa como preconiza a lei.

    1.4.2. Legislao Estadual

    A Lei n 9.926, de 05 de dezembro de 2012, instituiu o Sistema nico de

    Ateno a Sanidade Agropecuria no Estado da Paraba (SUASA) que possui finalidade

    de tipificar infraes defesa agropecuria e estabelecer procedimentos para apurao

    das condutas infrativas.

    O dever da SUASA promover a sade dos plantis animal e vegetal, unificar as

    aes respectivas de vigilncia e defesa sanitria, inclusive derivados, subprodutos,

    resduos de valor econmico, insumos, bem como a classificao dos produtos

    agropecurios.

    Para o correto cumprimento de tais deveres, o poder pblico, com a participao

    da sociedade organizada, desenvolver atividades de vigilncia, fiscalizao dos

    insumos e servios utilizados nas atividades agropecurias e inspeo e classificao de

    produtos de origem animal e vegetal, alm de seus derivados.

    Caber Secretaria de Estado do Desenvolvimento da Agropecuria e da Pesca -

    SEDAP do Estado da Paraba planejar, coordenar, supervisionar, disciplinar, avaliar,

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    18

    executar e fazer executar a implantao desta lei, com a assistncia do Conselho

    Estadual de Defesa Agropecuria (CEDA).

    Quanto a Lei n 9.926/2012, no que diz respeito ao transporte de animais e seus

    subprodutos, define que o rgo fiscalizador tem autonomia para proibir ou estabelecer

    condies para o trnsito de animais, bem como dos respectivos produtos e

    subprodutos, que deve ser realizado em veculos apropriados para tal finalidade com a

    devida documentao zoosanitria expedida pelo proprietrio dos animais ou de

    produtos e subprodutos de origem animal. Constatado indcios da existncia de doena

    infectocontagiosa ou infecciosa em animais em trnsito, ainda que o seu transporte

    esteja acobertado de documento zoossanitrio, a defesa sanitria animal do Estado

    poder determinar o seu retorno origem e adotar as medidas tcnicas preconizadas

    para se evitar a disseminao da doena, correndo as despesas por conta do

    transportador.

    Quanto ao trnsito de vegetais e outros produtos, fica definido que seu trnsito

    livre no Estado, desde que no exista restrio fitossanitria e a nota fiscal que

    acompanhar o vegetal contenha origem e destino do produto. Para o ingresso de

    vegetais no estado, necessria a apresentao da Permisso de Trnsito de Vegetais -

    PTV, o Certificado Fitossanitrio de Origem - CFO e o documento que demonstre a

    anlise ou exame laboratorial. Vegetais com restries fitossanitrias ou oriundos de

    rea interditada que sejam provenientes de outros estados somente podero transitar

    mediante PTV, emitida pelo respectivo rgo de defesa sanitria vegetal.

    As infraes previstas em lei, podem ser aplicadas isolada ou cumulativamente,

    atingir quem cometer a infrao, incentivar ou auxiliar na sua prtica ou dela se

    beneficiar, seja em caso de infraes em relao ao plantel animal, vegetal ou em

    relao aos subprodutos de ambas.

    Quanto a infrao relativa a falta de comunicao de doenas e pragas, o Artigo

    66 da lei em anlise define que deixar de comunicar, ainda que s seja suspeita,

    imediatamente, autoridade de Defesa Agropecuria a ocorrncia de caso ou de foco de

    doena ou praga, inclusive a extica punvel com multa de 50 (cinquenta) UFRPB.

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    19

    A fiscalizao ser efetuada por agentes autuantes, oficialmente designados pela

    SEDAP ou rgo responsvel pela defesa agropecuria, devidamente credenciados

    mediante Cdula de Identificao Fiscal, admitida a delegao mediante convnio,

    como ditado pelo Artigo 80.

    1.5. Diretrizes

    1. A preferncia sempre ser dada ao mtodo menos danoso ao meio ambiente e

    sade humana.

    2. Quando o uso de produtos qumicos no puder ser substitudo e for justificvel,

    deve-se manter estrita observncia s leis federais e estaduais quanto ao uso dos

    produtos;

    3. Caso seja comprovada a necessidade de utilizao de pesticida ou fertilizantes,

    deve-se elaborar um plano de controle e manejo destes compostos (Plano de

    Manejo de Pragas PMP) e submet-lo a aprovao do PB Rural Sustentvel e

    dos rgos competentes. Estes planos de controle devem incluir produtos e

    tcnicas de mnimo impacto, definidas pela legislao vigente e pelas

    instituies a cargo de pesquisa e suporte sade pblica e aos produtos

    agrcolas;

    4. O objetivo principal do PMP garantir que pesticidas sejam usados apenas no

    mbito de um programa de Manejo Integrado de Pragas (MIP).

    5. O contedo mnimo da estratgia do Plano de Manejo de Pragas deve abordar a

    escolha do produto, sua adequao ao organismo a ser controlado, o uso seguro,

    efetivo e ambientalmente benigno de pesticidas. O objetivo disso minimizar os

    efeitos adversos em organismos benficos, em seres humanos e no meio

    ambiente;

    6. O PB Rural Sustentvel deve promover aes para manter e aprimorar relaes

    slidas e eficientes com a comunidade, refletidas por clara expresso dos

    objetivos sociais envolvidos, contendo as informaes sobre os benefcios da

    adoo de prticas agroecolgicas e dos procedimentos a serem adotados no uso

    e aplicao de produtos qumicos, quando justificvel, conforme Plano de

    Interao e Comunicao Social.

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    7. Deve-se aplicar ao subprojeto e a todos atores os envolvidos, por meio dos

    tcnicos de ATER e equipe tcnica do PB Rural Sustentvel, o Programa de

    Capacitao em Prticas Agrcolas Sustentveis e Manejo de Fertilizantes e

    Pesticidas Naturais, constante no Plano de Gesto Social e Ambiental da

    Avaliao Ambiental do PB Rural Sustentvel. Os treinamentos fornecidos aos

    tcnicos de ATER e equipe do PB Rural Sustentvel devem ser registrados para

    monitoramento do projeto.

    8. Monitorar e avaliar continuamente os impactos adversos decorrentes da

    aplicao de pesticidas no controle de pragas e parasitas atravs das fichas de

    avaliao ambiental da operao, bem como os impactos positivos e lies

    aprendidas da aplicao de prticas agroecolgicas;

    9. Caso impactos adversos ocorram, a equipe do PB Rural Sustentvel deve

    orientar e supervisionar as aes de adequao das aes do subprojeto e

    mitigao e/ou compensao dos impactos.

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    2. Marco Conceitual de Habitats Naturais e Florestas

    2.1. Introduo

    Este Marco estabelece o princpio de que a preservao dos habitats naturais

    associada a outras medidas protetoras essencial para o desenvolvimento sustentvel.

    Para tanto, necessrio que aes de proteo, manuteno e reabilitao dos habitats

    naturais sejam pautadas sempre no dilogo com as autoridades polticas e populao

    envolvidas. Estas diretrizes buscam que os investimentos do PB Rural Sustentvel

    tenham uma abordagem preventiva em relao aos recursos naturais, garantindo o

    desenvolvimento ambientalmente sustentvel.

    Dentro desses princpios, o PB Rural Sustentvel promove e apoia a conservao

    dos habitats naturais e o correto uso da terra atravs do financiamento de subprojetos

    destinados a integrar o desenvolvimento econmico e social preservao ambiental e

    manuteno das funes ecolgicas. No apoia, portanto, subprojetos que envolvem a

    degradao significativa de florestas e habitats crticos, e objetiva ajudar os

    beneficirios em atividades de restaurao florestal, promovendo a recuperao e

    plantio que contribuam para reestabelecer ou promover a funcionalidade dos

    ecossistemas.

    Este Marco Conceitual de Habitats Naturais e Florestas se aplica aos seguintes

    tipos de subprojetos financiados pelo PB Rural Sustentvel:

    Aqueles que tm ou podem ter impactos sobre a sade e qualidade das florestas;

    Os que se destinam a gerar mudanas na gesto, proteo e utilizao florestas

    naturais ou plantadas, sejam elas pblicas, privadas ou propriedade comunal.

    Por exemplo, subprojetos que envolvam o uso de recursos florestais no

    madeireiros, ou o uso de recursos madeireiros1 em escala comunitria e sustentvel;

    subprojetos de manejo florestal; subprojetos de recuperao de reservas legais e reas de

    preservao permanente; subprojetos que necessitem de supresso vegetal; entre outros.

    1 O uso de recursos madeireiros no foi previsto dentro do PPRS poca de sua preparao. Entretanto, caso esse uso passe a ser do interesse do PPRS, o mesmo no deve ter escala maior do que a comunitria, deve ser licenciado pelo rgo competente e estar dentro de padres ambientalmente sustentveis, e deve seguir as diretrizes deste Marco.

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    O PB Rural Sustentvel no financiar subprojetos que, em sua opinio, podem

    envolver a converso significativa ou degradao de reas florestais crticas ou habitats

    naturais crticos nem subprojetos que violem acordos ambientais internacionais

    relevantes.

    Entre os objetivos gerais deste Marco Conceitual, podemos citar:

    Integrar o desenvolvimento econmico e social da Paraba conservao dos

    habitats naturais;

    Assegurar a manuteno de suas funes ecolgicas;

    Utilizar o potencial das florestas e integr-las nas estratgias para a reduo da

    pobreza de forma sustentvel;

    Proteger os valores e servios ambientais das florestas no mbito local e

    regional.

    2.2. A Vegetao Paraibana

    Na Paraba ocorrem dois biomas: a Caatinga e a Mata Atlntica, os quais devem

    ser protegidos e recuperados devido a sua enorme importncia ecolgica.

    Dentre os biomas brasileiros, a Caatinga , provavelmente, o mais

    desvalorizado e mal conhecido botanicamente. Este bioma contm uma grande

    variedade de tipos vegetacionais, com elevado nmero de espcies e tambm

    remanescentes de vegetao ainda bem preservada, que incluem um nmero expressivo

    de txons raros e endmicos (EMBRAPA, 2006).

    Apresentam como caractersticas, as formas comuns de resistncia carncia

    d'gua como: reduo da superfcie foliar, transformao das folhas em espinhos,

    cutculas serosas nas folhas, rgos subterrneos de reserva, sendo porm a mais

    importante e comum a quase todas as espcies apresentarem caducidade foliar. O Bioma

    Caatinga se estende por 92% do territrio da Paraba, sendo nessas reas predominantes

    os cultivos de milho, feijo e algodo, alm de outras poucas espcies que possuem uma

    certa importncia econmica, como a mandioca, mamona e agave. A vegetao do

    bioma Caatinga tem diretrizes prprias para o seu manejo, estabelecidas pela Lei n

    9.857, de 06 de julho de 2012.

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    A Mata Atlntica formada por um conjunto de formaes florestais e

    ecossistemas associados como as restingas, manguezais e campos de altitude, que teve

    elevado grau de destruio e atualmente seus remanescentes esto reduzidos a cerca de

    22% de sua cobertura original, e destes, apenas cerca de 7% esto bem conservados em

    fragmentos acima de 100 hectares em todo o pas. Cabe enfatizar que um importante

    instrumento para a conservao e recuperao ambiental na Mata Atlntica foi a

    aprovao da Lei 11.428, de 2006 e do Decreto 6.660/2008, que regulamentou a

    referida lei.

    A Mata Atlntica na Paraba abrange duas grandes reas, perfazendo um total de

    657.851,21 ha (6.578,51 km), que correspondem a 11,66% do territrio do estado e

    ocupam total ou parcialmente 63 municpios, incluindo os ecossistemas de florestas

    ombrfila densa, aberta, estacional semidecidual, reas de tenso ecolgica, alm de

    formaes pioneiras (restingas e manguezais). A populao que vive nestas reas de

    1.692.369 pessoas. As atividades que mais impactam a Mata Atlntica no estado so a

    expanso da rea de cultivo da cana-de-acar e o desenvolvimento de atividades

    voltadas para a carcinicultura em reas de manguezais.

    O Ministrio do Meio Ambiente identificou, no estado, a necessidade de

    intervenes em 279.361,30 hectares, considerados prioridade para aes como a

    criao de reas protegidas, incluindo unidades de conservao de proteo integral e

    uso sustentvel, alm do fomento para o uso sustentvel, a realizao de inventrios,

    criao de mosaicos e corredores de biodiversidade, alm da definio de rea de

    excluso de pesca. A Paraba conta com 2,44% do territrio com Mata Atlntica

    protegido por unidades de conservao federais e estaduais.

    No que tange identificao de reas com maior concentrao de mata, destaque

    deve ser dado aos municpios de Cruz do Esprito Santo, Santa Rita, Rio Tinto e

    Mamanguape. A disposio dessas manchas de fragmentos florestais tem potencial para

    a formao de um corredor ecolgico. Outra rea de destaque corresponde aos

    remanescentes encontrados nos municpios de Areias e Alagoa Grande, conjunto de

    grande interesse ecolgico e social, por tratar-se de fragmentos de mata serrana, tambm

    conhecida como brejo de altitude. O Pico do Jabre, localizado no municpio de

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    Maturia, por se constituir num encrave florestal de Mata Atlntica em rea de

    Caatinga, merece ateno especial tendo em vista os decrscimos de rea nos ltimos

    anos. Convm salientar que essas trs reas constituem reas Prioritrias para a

    Conservao da Mata Atlntica na Paraba, segundo o Ministrio do Meio Ambiente

    (BRASIL, 2010).

    2.3. Abrangncia

    Este Marco Conceitual de Habitats Naturais e Florestas foi preparado para

    garantir que o Projeto PB Rural Sustentvel tenha como alvo o financiamento de

    subprojetos que no causem impactos negativos aos habitats naturais. No caso de

    subprojetos que causem impactos potenciais inevitveis ao ambiente natural, o muturio

    dever implantar medidas criteriosas de preveno, reduo e mitigao dos impactos.

    As atividades que causem forte degradao aos habitats naturais essenciais ou

    protegidos pelo Sistema Nacional de Unidades de Conservao (SNUC) no sero

    elegveis pelo PB Rural Sustentvel.

    Todos os produtores rurais a serem beneficiados pelo projeto sero obrigados a

    cumprir a legislao ambiental, principalmente relacionada a manuteno de florestas

    nativas no interior de suas propriedades. O PB Rural Sustentvel pode fornecer apoio

    tcnico, ou por meio de subprojetos, para registro no Cadastro Ambiental Rural CAR,

    preparao de plano de recuperao ambiental e adequao ambiental das propriedades.

    2.4. Legislao Aplicvel a Florestas

    O Banco Mundial (financiador do PB Rural Sustentvel), por meio da Poltica

    Operacional (OP 4.36), adota procedimentos para reconhecer o potencial das florestas,

    integrando seu uso ao desenvolvimento sustentvel, mas visando reduo da pobreza.

    No esto previstos o financiamento de subprojetos que envolvem degradao

    de reas crticas de florestas ou habitats crticos, porm, podero ser financiados

    subprojetos em florestas e habitats considerados no crticos (projetos que envolvam

    plantio e colheita) ou que no apresentem alternativas e onde se possam adotar medidas

    de compensao e mitigao devidas, bem como um plano de manejo e uso florestal

    responsvel.

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    Devero ser assegurados, segundo a poltica do Banco Mundial, projetos que

    recuperem e aumentem a biodiversidade, garantam o equilbrio do ecossistema, e que

    sejam ambientalmente adequados, alm de ter benefcios sociais e ser economicamente

    viveis. Alm disso, a OP 4.36 impe a divulgao de todos os planos de ao

    referentes aos projetos que observam a poltica operacional das florestas e a utilizao

    de sistemas de certificao que requerem:

    Cumprimento da legislao relevante;

    Reconhecimento e respeito por quaisquer direitos de uso de rea legalmente

    documentada ou de uso consuetudinrio, bem como os direitos dos povos

    indgenas ou de trabalhadores;

    Aes para manter ou aprimorar relaes comunitrias slidas e efetivas;

    Preservao da diversidade biolgica e das funes ecolgicas;

    Aes para manter ou aprimorar os benefcios mltiplos ambientalmente

    consoantes acumulados da floresta;

    Preveno ou minimizao de impactos ambientalmente adversos utilizao da

    floresta;

    Planejamento efetivo de manejo florestal;

    Monitoramento ativo e avaliao de reas de manejo florestal relevantes;

    A manuteno de reas de floresta crticas e outros habitats naturais crticos

    afetados pela operao.

    2.4.1. Legislao Federal

    O Cdigo Florestal, Lei n 12.651, de 25 de maio de 2012, alterado pela Lei n

    12.727, de 17 de outubro de 2012, estabelece normas gerais sobre a proteo da

    vegetao, reas de Preservao Permanente e as reas de Reserva Legal, a explorao

    florestal, o suprimento de matria-prima florestal, o controle da origem dos produtos

    florestais e o controle e preveno dos incndios florestais, e prev instrumentos

    econmicos e financeiros para o alcance de seus objetivos. Ainda limita o direito de uso

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    26

    da propriedade privada, considerando as florestas e as demais formas de vegetao

    natural bens de interesse comum.

    Os incisos contidos no Artigo 3 do Cdigo Florestal estabelecem as definies

    de alguns itens de relevante valor para o tema tratado, os quais:

    Amaznia Legal: os Estados do Acre, Par, Amazonas, Roraima, Rondnia,

    Amap e Mato Grosso e as regies situadas ao norte do paralelo 13 S, dos

    Estados de Tocantins e Gois, e ao oeste do meridiano de 44 W, do Estado do

    Maranho;

    rea de Preservao Permanente- APP: rea protegida, coberta ou no por

    vegetao nativa, com a funo ambiental de preservar os recursos hdricos, a

    paisagem, a estabilidade geolgica e a biodiversidade, facilitar o fluxo gnico de

    fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bem-estar das populaes humanas;

    Reserva Legal: rea localizada no interior de uma propriedade ou posse rural,

    delimitada nos termos do art. 12, com a funo de assegurar o uso econmico de

    modo sustentvel dos recursos naturais do imvel rural, auxiliar a conservao e

    a reabilitao dos processos ecolgicos e promover a conservao da

    biodiversidade, bem como o abrigo e a proteo de fauna silvestre e da flora

    nativa;

    rea rural consolidada: rea de imvel rural com ocupao antrpica

    preexistente a 22 de julho de 2008, com edificaes, benfeitorias ou atividades

    agrossilvipastoris, admitida, neste ltimo caso, a adoo do regime de pousio;

    Pequena propriedade ou posse rural familiar: aquela explorada mediante o

    trabalho pessoal do agricultor familiar e empreendedor familiar rural, incluindo

    os assentamentos e projetos de reforma agrria, e que atenda ao disposto no art.

    3 da Lei n 11.326, de 24 de julho de 2006;

    Uso alternativo do solo: substituio de vegetao nativa e formaes

    sucessoras por outras coberturas do solo, como atividades agropecurias,

    industriais, de gerao e transmisso de energia, de minerao e de transporte,

    assentamentos urbanos ou outras formas de ocupao humana;

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    Manejo sustentvel: administrao da vegetao natural para a obteno de

    benefcios econmicos, sociais e ambientais, respeitando-se os mecanismos de

    sustentao do ecossistema objeto do manejo e considerando-se, cumulativa ou

    alternativamente, a utilizao de mltiplas espcies madeireiras ou no, de

    mltiplos produtos e subprodutos da flora, bem como a utilizao de outros bens

    e servios.

    A concesso para explorao das florestas pblicas foi normatizada pela Lei n

    11.284 de 02 de maro de 2006 e regulamentada pelo Decreto Presidencial n 6.063

    de 20 de maro de 2007, que disps as regras para gesto de florestas para produo

    sustentvel, instituiu o Servio Florestal Brasileiro e criou o Fundo Nacional de

    Desenvolvimento Florestal.

    O Decreto n 3.420, de 20 de abril de 2000 dispe sobre a criao do Programa

    Nacional de Florestas (PNF) atribui a este o fomento das atividades de reflorestamento,

    notadamente em pequenas propriedades rurais, e a recuperao de florestas de

    preservao permanente, de reserva legal e de reas alteradas. Tambm trata do

    desenvolvimento de projetos de estmulo e apoio ao reflorestamento e ao manejo

    sustentvel de florestas nativas, com vistas expanso da oferta de matria-prima

    madeireira e de outros produtos no madeireiros.

    Na esfera federal, a poltica de apoio regularizao ambiental executada de

    acordo com a Lei n 12.651, de 25 de maio de 2012, que criou o Cadastro Ambiental

    Rural (CAR) em mbito nacional, e de sua regulamentao por meio do Decreto n

    7.830, de 17 de outubro de 2012, que criou o Sistema de Cadastro Ambiental Rural -

    SICAR, que integrar o CAR de todas as Unidades da Federao.

    O CAR um instrumento relevante e fundamental no processo de regularizao

    ambiental de propriedades e posses rurais. Consiste no levantamento de informaes

    georreferenciadas do imvel, com delimitao das reas de Proteo Permanente,

    Reserva Legal, remanescentes de vegetao nativa, rea rural consolidada, reas de

    interesse social e de utilidade pblica, de modo a traar um mapa digital a partir do qual

    so calculados os valores das reas para diagnstico ambiental. Caso o CAR no seja

    preenchido ou seu prazo descumprido, trar uma srie de penalidades a quem tem

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    obrigao, inclusive a perda do direito ao crdito rural oferecido pelo Governo Federal.

    O produtor que aderir ao Programa de Regularizao Ambiental PRA tem at 2017

    para apresentar o projeto de recuperao, que pode ser executado em at 20 (vinte) anos.

    As multas por infrao e crimes cometidos antes de 22 de junho de 2008 ficam

    suspensas para quem fizer o CAR at a concluso da recuperao do passivo.

    2.4.2. Legislao Estadual

    O Cdigo Florestal do Estado da Paraba, Lei n 6.002 de 1994, a partir de seu

    Artigo 2, consubstancia a finalidade de garantir o uso adequado e racional dos recursos

    florestais com base nos conhecimentos ecolgicos, visando melhoria da qualidade de

    vida da populao e a compatibilizao do desenvolvimento socioeconmico com a

    preservao do ambiente e do equilbrio ecolgico.

    Garante, a legislao estadual que, em caso de explorao florestal, essa

    submeter-se- autorizao da SUDEMA. Na Paraba, h a obrigatoriedade, junto a

    SUDEMA, do cadastramento e registro das pessoas fsicas e jurdicas consumidoras de

    produtos e subprodutos florestais, como impe o Decreto n 24.415, de 27 de setembro

    de 2003.

    Pelo Artigo 5, do citado decreto, ficam isentas do registro as pessoas fsicas,

    que utilizem lenha para o uso domstico ou produtos e subprodutos florestais destinados

    a trabalho artesanal e aqueles que tenham por atividade a apicultura, bem como aqueles

    que desenvolvam em regime individual, atividades artesanais na fabricao e reforma de

    objetos de madeira que no empreguem mo de obra auxiliar, tais como, carpinteiros,

    marceneiros, artesos, autnomos e assemelhados, desde que os produtos e subprodutos

    utilizados sejam originrios de pessoas que tenham cumprido a reposio florestal

    obrigatria.

    2.5. Legislao Aplicvel aos Habitats Naturais

    O Banco Mundial (financiador do PB Rural Sustentvel), pela Poltica

    Operacional (BP 4.04), apoia a proteo, manuteno e reabilitao dos habitats

    naturais e as suas funes nos seus estudos econmicos e setoriais. Tem em sua poltica

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    a necessidade de que se trate com cuidado a gesto dos recursos naturais, assegurando

    oportunidades para o desenvolvimento ambientalmente sustentvel.

    A Poltica de Salvaguardas do Banco no admite o financiamento de projetos

    que degradem os habitats crticos: os protegidos legalmente; os propostos oficialmente

    para serem protegidos; e, os desprotegidos, mas com alto valor ambiental. Ressalvando,

    quando no h alternativas disponveis ou se houver alguma medida mitigadora.

    Orienta a necessidade de consultas comunidade local sobre planejamento,

    concepo e monitoramento dos projetos.

    2.5.1. Legislao Federal

    Dentre as principais referncias legais, relacionadas proteo e conservao

    dos habitats naturais, esto descritas na Lei n 9.985 de 18 de Julho de 2000, que

    institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservao da Natureza, que tem como

    objetivo (artigo 4):

    Contribuir para a manuteno da diversidade biolgica e dos recursos genticos

    no territrio nacional e nas guas jurisdicionais; (I)

    Proteger as espcies ameaadas de extino no mbito regional e nacional; (II)

    Contribuir para a preservao e a restaurao da diversidade de ecossistemas

    naturais; (III)

    Promover o desenvolvimento sustentvel a partir dos recursos naturais; (IV)

    Promover a utilizao dos princpios e prticas de conservao da natureza no

    processo de desenvolvimento; (V)

    Proteger paisagens naturais e pouco alteradas de notvel beleza cnica; (VI)

    Proteger as caractersticas relevantes de natureza geolgica, geomorfolgica,

    espeleolgica, arqueolgica, paleontolgica e cultural; (VII)

    Proteger e recuperar recursos hdricos e edficos; (VIII)

    Recuperar ou restaurar ecossistemas degradados; (IX)

    Proporcionar meios e incentivos para atividades de pesquisa cientfica, estudos e

    monitoramento ambiental; (X)

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    Valorizar econmica e socialmente a diversidade biolgica; (XI)

    Favorecer condies e promover a educao e interpretao ambiental, a

    recreao em contato com a natureza e o turismo ecolgico; (XII)

    Proteger os recursos naturais necessrios subsistncia de populaes

    tradicionais, respeitando e valorizando seu conhecimento e sua cultura e

    promovendo-as social e economicamente. (XIII)

    O Cdigo Florestal, Lei n 12.651, de 25 de Maio de 2012, compatibiliza a

    regularizao fundiria de propriedades de agricultura familiar com a proteo de reas

    de conservao de biodiversidade, reas de maior fragilidade ambiental, corredores

    ecolgicos e unidades de conservao, em concordncia com a orientao da OP 4.04

    do Banco Mundial, com o objetivo de obter o desenvolvimento sustentvel das referidas

    reas, por meio da promoo de sua proteo, conservao, manuteno e reabilitao.

    Dentre as medidas de conservao e mitigao que podem ser adotadas para

    reduzir ou evitar impactos nesses habitats, podemos citar: proteo plena do stio, por

    meio da reformulao de projetos; reteno estratgica do habitat; converso ou

    modificao restrita; reintroduo de espcies; medidas de mitigao para minimizar o

    dano ecolgico; obras de restaurao ps-construo; restaurao de habitats

    degradados; estabelecimento e manuteno de rea ecologicamente semelhante em

    tamanho e contiguidade adequados; e elaborao e divulgao de planos de

    monitoramento.

    considerado crime, previsto na Lei n 9.605, de 12 de fevereiro de 1998,

    matar, perseguir, caar, apanhar, utilizar espcies da fauna silvestre, nativos ou em rota

    migratria, sem a devida permisso, licena ou autorizao da autoridade competente,

    ou em desacordo com a obtida e destruir ou danificar floresta considerada de

    preservao permanente, mesmo que em formao, ou utiliz-la infringindo as normas

    de proteo.

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    2.5.2. Legislao Estadual

    O Artigo 227, da Constituio Estadual, trata da proteo do meio ambiente e

    do solo, sendo o meio ambiente bem de uso comum do povo e essencial qualidade de

    vida, e cabe ao Estado defend-lo e preserv-lo para as presentes e futuras geraes.

    Considerando que a Unidade de Conservao o principal e mais efetivo

    instrumento de conservao da Biodiversidade, no Estado da Paraba, incumbe ao Poder

    Pblico:

    Preservar a Diversidade Biolgica dos Ecossistemas no estado de evoluo livre,

    com um mnimo de interferncia direta ou indireta do homem;

    Incentivar a obteno de conhecimentos, mediante pesquisas e estudos de carter

    biolgico ou ecolgico;

    Designar os mangues, esturios, dunas, restingas, recifes, cordes litorneos,

    falsias e praias, como reas de preservao permanente;

    Proteger espcies raras, endmicas, vulnerveis ou em perigo de extino

    Preservar os recursos da biota;

    Contribuir para o monitoramento ambiental, fornecendo parmetros relativos a

    uma rea pouco ou nada afetada por aes antrpicas

    Proteger a bacia e os recursos hdricos da rea

    Promover a educao ambiental da comunidade local, a fim de compatibilizar o

    manejo com as finalidades da reserva.

    2.6. Diretrizes

    Os subprojetos no devem promover impactos negativos nos habitats naturais ou

    florestas nativas. Caso sejam identificados previamente possveis impactos sobre esses

    ambientes durante o processo de avaliao ambiental, o subprojeto deve seguir o fluxo

    exposto na Figura 1.

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    Figura 1 - Fluxo de aplicao do marco de habitats naturais e florestas.

    Destaca-se que se entende por habitats crticos, alm daqueles protegidos pela

    legislao ambiental, aquelas reas especficas dentro da rea geogrfica ocupada por

    uma espcie ameaada na qual encontram-se as caractersticas fsicas ou biolgicas

    essenciais para a conservao da espcie e que pode exigir consideraes especiais de

    gesto ou proteo, orientando assim a classificao da rea citada na figura acima.

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    33

    Alm da avaliao ambiental prvia, durante a carta proposta os proponentes do

    subprojeto precisam explicar se o projeto envolve, ou pode vir a causar, impactos para

    habitats naturais. Esta informao ser utilizada determinar se o Marco Conceitual de

    Habitats Naturais e Florestas deve ou no ser utilizado.

    Ao analisar um subprojeto que envolva habitats naturais e florestas, a equipe da

    UGP deve considerar, tambm, a capacidade da associao em atender o marco

    regulatrio e a capacidade tcnica de anlise das instituies envolvidas no subprojeto,

    em promover e apoiar a concepo de um subprojeto seguro, eficaz e ambientalmente

    saudvel.

    Caso a avaliao ambiental indique que o subprojeto est em rea de habitats

    naturais no-crticos ou crticos onde a legislao permita a atividade, necessrio que

    todos os impactos ambientais sejam descritos e, novamente, classificados durante a

    elaborao do subprojeto, com a definio de medidas preventivas e de reduo,

    mitigao e monitoramento dos impactos. Tais medidas devem ser includas nos custos

    do subprojeto.

    Os potenciais impactos identificados na avaliao ambiental e social, os

    contedos dos planos de mitigao exigidos, bem como requisitos legais de gesto para

    os habitats naturais, juntamente com a documentao necessria, devem estar facilmente

    acessveis, em forma e linguagem apropriadas, para todos os envolvidos, direta ou

    indiretamente, antes da avaliao do subprojeto.

    2.6.1. Plano de Manejo

    Caso exista algum subprojeto que demande extrao de produtos florestais ou

    supresso significativa de vegetao deve-se elaborar plano de manejo florestal ou

    inventrio florestal para atender as necessidades de recuperao ou mitigao de um

    eventual impacto adverso nos habitats naturais e florestas, em consequncia das anlises

    na fase de planejamento, construo e operao das tipologias.

    Caso ao longo de sua implementao o PB Rural Sustentvel venha a incluir

    dentre suas atividades financiveis o manejo florestal comunitrio, o plano de manejo

    florestal a ser preparado (e aprovado pelo rgo governamental competente) deve conter

    informaes sobre a rea e caractersticas da floresta (fauna, flora, topografia, solo);

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    34

    tcnicas de explorao, regenerao e crescimento das espcies comerciais; medidas de

    proteo das espcies no comerciais, nascentes e cursos dgua cronograma da

    explorao anual; forma de monitoramento e uma projeo dos custos e benefcios do

    empreendimento.

    Tal plano de manejo pode ser organizado em trs etapas.

    1. Primeira etapa: Zoneamento ou diviso da propriedade florestal em reas

    explorveis; reas de preservao permanente e reas inacessveis

    explorao.

    2. Segunda etapa: Consiste no planejamento dos acessos secundrios que

    conectam a rea de explorao s estradas primrias.

    3. Terceira etapa: Diviso da rea alocada para explorao em blocos ou

    talhes de explorao anual.

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    3. Marco Conceitual de Patrimnio Cultural Fsico

    3.1. Introduo

    Patrimnio cultural fsico considerado como sendo os recursos culturais

    fsicos, tangveis, que podem ser representados por objetos, stios, estruturas, aspectos e

    paisagens naturais, mveis ou imveis que tenham importncia arqueolgica,

    paleontolgica, histrica, arquitetnica, religiosa, esttica ou qualquer outro significado

    histrico. Estes, podem estar localizados em ambientes urbanos ou rurais, acima ou

    abaixo do solo e submersos, e representam importantes fontes de informao cientfica e

    histrica, como ativos para o desenvolvimento econmico e social e como parte

    integrante da identidade e das prticas culturais de um povo.

    Este Marco Conceitual deve ser utilizado em eventuais intervenes ocasionadas

    pelas fases de planejamento, construo e operao das obras do Projeto PB Rural

    Sustentvel, com o objetivo de proteger, preservar e conservar os valores dos recursos

    culturais fsicos, locais, regionais ou nacionais, de valor para as atuais e futuras

    geraes, sendo amparada pela legislao pertinente.

    Em caso de intervenes nessas reas como escavaes significativas,

    demolio, movimentao de terra, inundao ou outras alteraes ambientais, deve-se

    realizar uma anlise, de acordo com os procedimentos exigidos pelo Instituto de

    Patrimnio Histrico e Artstico Nacional (IPHAN), da possibilidade de ocorrncia de

    patrimnio cultural (arqueolgico ou paleontolgico), visando identificar se h

    necessidade de resgate prvio ou de implementao de procedimentos para proteo

    durante a execuo das obras, com vistas s seguintes diretrizes:

    Preservao e conservao do patrimnio fsico e cultural;

    Adequao dos critrios construtivos s condies ambientais;

    Procedimentos de descoberta ocasional;

    Plano de Comunicao e Interao Social;

    Articulao com os rgos Estaduais e Municipais competentes e com o IPHAN.

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    3.2. Legislao Aplicvel

    O Banco Mundial (financiador do PB Rural Sustentvel), por meio de sua

    Poltica Operacional (OP 4.11) Patrimnio Cultural Fsico, objetiva essencialmente

    auxiliar na preservao deste patrimnio, evitando a destruio ou danos ao mesmo.

    Nesse sentido, necessrio que haja avaliao das alternativas viveis aos

    projetos, visando evitar ou minimizar impactos negativos sobre patrimnios culturais e,

    incrementar impactos positivos. Alm disso, quando se tratar de patrimnios

    eventualmente atingidos, prev a avaliao, elaborao e implementao de planos de

    mitigao de impactos, devidamente divulgados aos interessados.

    So considerados recursos culturais fsicos os objetos, stios, estruturas, grupos

    de estruturas, aspectos e paisagens naturais, mveis ou imveis, de importncia

    histrica, arquitetnica, religiosa, arqueolgica, paleontolgica, ou outro significado

    histrico de mbito local, provincial, nacional ou internacional.

    3.2.1. Legislao Federal

    A Lei n 9.985, de 18 de Julho de 2000, em regulamentao ao Artigo. 225,

    1o, incisos I, II, III e VII da Constituio Federal, institui o Sistema Nacional de

    Unidades de Conservao da Natureza, em seu Artigo 12, prescreve que o Monumento

    Natural tem como objetivo bsico preservar stios naturais raros, singulares ou de

    grande beleza cnica.

    O Monumento Natural pode ser constitudo por reas particulares, desde que

    seja possvel compatibilizar os objetivos da unidade com a utilizao da terra e dos

    recursos naturais do local pelos proprietrios. E, caso haja incompatibilidade entre os

    objetivos da rea e as atividades privadas ou no havendo consentimento do proprietrio

    s condies propostas pelo rgo responsvel pela administrao da unidade para a

    coexistncia do Monumento Natural com o uso da propriedade, a rea deve ser

    desapropriada.

    A Lei 3.924, de 26 de julho de 1961, dispe sobre os monumentos

    arqueolgicos e pr-histricos, consideram-se monumentos arqueolgicos ou pr-

    histricos (Artigo 2):

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    37

    As jazidas de qualquer natureza, origem ou finalidade, que representem

    testemunhos de cultura dos paleoamerndios do Brasil;

    Os stios nos quais se encontram vestgios positivos de ocupao pelos

    paleoamerndios;

    Os stios identificados como cemitrios, sepulturas ou locais de pouso

    prolongado ou de aldeiamento, "estaes" e "cermios", nos quais se encontram

    vestgios humanos de interesse arqueolgico ou paleoetnogrfico;

    As inscries rupestres ou locais como sulcos de polimentos de utenslios e

    outros vestgios de atividade de paleoamerndios.

    Registro importante, esta lei determina que qualquer ato que importe na

    destruio ou mutilao dos monumentos arqueolgicos e pr-histricos, ser

    considerado crime contra o Patrimnio Nacional e, como tal, punvel de acordo com o

    disposto nas leis penais.

    3.2.2. Legislao Estadual

    A Lei Estadual n 5.357, de 16 de janeiro de 1991, incumbe ao Instituto do

    Patrimnio Histrico e Artstico do Estado da Paraba - IPHAEP a responsabilidade

    pela preservao, cadastramento e tombamento dos bens culturais, artsticos, histricos

    e ecolgicos do Estado da Paraba.

    O IPHAEP tem por objetivo:

    Planejar, coordenar e supervisionar a execuo e o controle das atividades

    relacionadas com a preservao e restaurao dos bens histricos, artsticos e

    culturais do Estado;

    Revitalizar os bens mveis e imveis de interesse histrico, artstico e cultural;

    Classificar, inventariar, cadastrar, estabelecer normas, tombar, restaurar,

    preservar e conservar os monumentos obras, documentos, objetos, bem como

    stios e locais de interesse turstico, ecolgico e paisagstico do Estado;

    Proceder catalogao sistemtica e proteo dos museus e arquivos estaduais,

    municipais e particulares, cujos acervos sejam do interesse do Estado;

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    38

    Manter entrosamento com entidades municipais, estaduais, regionais, federais,

    paraestatais e internacionais, com vista conservao, restaurao, preservao,

    cadastramento e tombamento de bens mveis e imveis.

    Havendo necessidade de interveno na propriedade, deve constar

    obrigatoriamente o parecer do rgo tcnico cultural, a notificao ao proprietrio, a

    deciso do Conselho Consultivo e a possibilidade de interposio de recurso do

    proprietrio, este direcionado ao chefe do poder executivo, contra o ato de tombamento.

    H, ainda, a nvel estadual, o Decreto n7.819, de 24 de outubro de 1979, que

    dispe sobre o Cadastramento e Tombamento dos bens culturais, artsticos e histricos

    no Estado da Paraba, ressaltando que poder se utilizar bem tombado, para fins

    comerciais e tursticos, desde que haja o consentimento do IPHAEP, e que sem o

    consentimento deste, no se poder, na vizinhana do objeto tombada, fazer construo

    que lhe impea ou reduza a visibilidade, nem nela colocar anncios ou cartazes, sob

    pena de ser destruda a obra ou retirado o objeto;

    3.3. Diretrizes

    O Projeto PB Rural Sustentvel no prev obras que devero causar impactos

    sobre patrimnios culturais fsicos, porm mesmo na ausncia de evidncias de

    ocorrncia de objetos ou mesmo stios do patrimnio histrico-cultural-arqueolgico ou

    paleontolgico, sabido que existem tais patrimnios no Estado da Paraba. Portanto,

    caso alguma atividade do projeto, particularmente aquelas que envolvem movimentao

    de terra, encontre ao acaso algum exemplo desse patrimnio, necessrio comunicar ao

    IPHAN e IPHAEP, suspendendo ao mesmo tempo as atividades at que as medidas

    recomendadas por esses rgos sejam cumpridas. Locais alternativos para a execuo

    das aes do projeto devem ser identificados, de forma a preservar o patrimnio

    encontrado.

    Em caso de identificao de stio de patrimnios culturais fsicos, necessrio

    elaborar um plano de proteo do patrimnio cultural fsico onde deve conter as etapas

    de contedo mnimo, e seguir os manuais do IPHAN e IPHAEP, constando:

    Triagem;

    Desenvolvimento de termo de referncia;

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    39

    Coleta de dados bsicos;

    Avaliao do impacto e formulao de medidas atenuantes; e

    Elaborao de um Plano de Gesto.

    O proponente do subprojeto deve parar imediatamente os trabalhos que esto

    sendo conduzidos, em seguida o tcnico da Gerncia Regional responsvel pelo

    subprojeto dever notificar a Coordenao de Salvaguardas, que por sua vez informar

    IPHAN ou IPHAEP que fornecer as instrues cabveis para dada situao.

    Se necessrio, o PB Rural Sustentvel dever preparar e executar atividades de

    salvamento e documentao. O proponente do subprojeto deve aguardar a resposta do

    IPHAN ou IPHAEP no sentido de dar prosseguimento ao subprojeto ou ter que fazer as

    modificaes necessrias. Somente aps a manifestao do IPHAN ou IPHAEP que o

    proponente poder preparar uma nova avaliao dos impactos do projeto, incluindo

    qualquer ajuste exigido (por exemplo, realocao do subprojeto, ou ajuste das atividades

    planejadas).

    Portanto, caso sejam encontrados casualmente elementos de patrimnio histrico

    ou cultural do estado, o subprojeto deve seguir as instrues contidas na Figura 2.

    Figura 2 - Fluxo de aplicao do marco de patrimnio cultural fsico.

    O SUBPROJETO AFETA PATRIMNIOS CULTURAIS FSICOS?

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    40

    4. Marco Conceitual de Segurana de Barragens

    4.1. Introduo

    A aplicao deste marco se justifica pela preocupao com a segurana das

    barragens a serem financiadas ou barragens necessrias execuo de subprojetos

    financiados pelo PB Rural Sustentvel, dadas as graves consequncias que podem

    resultar do no funcionamento adequado ou rompimento da barragem. Cabe ao

    proprietrio da barragem a adoo de medidas adequadas e o uso de recursos

    necessrios a segurana da barragem durante toda sua vida til.

    A Lei n 12.334, de 20 de setembro de 2010, que estabelece a Poltica Nacional

    de Segurana de Barragens, tem como objetivo garantir a observncia de padres de

    segurana de barragens de maneira a reduzir a possibilidade de acidente e suas

    consequncias; regulamentar as aes de segurana a serem adotadas; fomentar a

    cultura de segurana de barragens e gesto de riscos. A Lei estabelece os responsveis

    pela fiscalizao da segurana de barragens e a Poltica Nacional de Segurana de

    Barragens (PNSB).

    4.2. Situao dos recursos hdricos na Paraba

    O Estado apresenta uma quantidade razovel de audes que podem armazenar

    volumes prximos a 2,5 bilhes de metros cbicos de gua. Destacam-se o sistema

    Coremas-Me dgua, Boqueiro, Acau e o Engenheiro vidos, dentre outros que

    podem ser observados no

    Quadro 1, onde se observa principalmente a caracterstica dos audes das

    mesorregies do Agreste e Serto, vrios dos quais atualmente (em 2015) apresentam

    condies consideradas crticas (volume abaixo de 5% de sua capacidade) e outros em

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    41

    observao (volume abaixo de 20% de sua capacidade) demonstrando escassez de gua

    (Quadro 1).

    Quadro 1 - Situao dos mananciais do estado.

    AUDE MUNICPIO MESORREGIO Situao

    Atual

    VOLUME

    ATUAL

    (M3)

    %

    VOLUME

    TOTAL

    DATA

    Gramame /

    Mamuaba Conde Zona da mata OK 46.889.640 82,4 22/03/15

    Mars Joo Pessoa Zona da mata OK 1.989.381 93,1 22/03/15

    Acau

    (Argemiro de

    Figueiredo)

    Itatuba Agreste em

    Observao 47.218.861 18,7 23/03/15

    Araagi Araagi Agreste OK 55.125.137 87,1 02/03/15

    Boqueiro do

    Cais Cuit Agreste Crtica 194.336 1,6 01/02/15

    Emdio Montadas Agreste Crtica 3.000 0,6 01/02/15

    Jandaia Bananeiras Agreste Crtica 0 0 13/03/15

    Soledade Soledade Agreste Crtica 1.224.350 4,5 20/03/15

    Camala Camala Borborema OK 10.589.248 22 19/02/15

    Epitcio Pessoa Boqueiro Borborema OK 85.789.938 20,8 23/03/15

    Bom Jesus Carrapateira Serto Crtica 182 0 08/01/15

    Carneiro Jeric Serto Crtica 793.880 2,5 18/03/15

    Coremas Coremas Serto em

    Observao 99.641.318 16,8 23/03/15

    Engenheiro

    Arcoverde Condado Serto

    em

    Observao 2.980.795 8,1 20/03/15

    Engenheiro

    vidos Cajazeiras Serto

    em

    Observao 23.958.373 9,4 23/03/15

    Farinha Patos Serto Crtica 185.240 0,7 16/03/15

    Me dgua Coremas Serto em

    Observao 110.231.724 19,4 23/03/15

    Riacho dos

    Cavalos

    Riacho dos

    Cavalos Serto Crtica 324.590 1,8 18/03/15

    Santa Ins Santa Ins Serto em

    Observao 2.115.708 8,1 20/03/15

    So Gonalo Sousa Serto em

    Observao 3.718.920 8,3 20/03/15

    Fonte: AESA (2015).

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    Legenda:

    Reservatrios OK: volume superior a 20% do seu Volume Total

    Reservatrios em Observao: volume menor que 20% do seu Volume Total

    Reservatrios em Situao Crtica: volume menor que 5% do seu Volume Total

    4.3. Abrangncia

    O PB Rural Sustentvel no prev a construo de grandes barragens. No

    entanto, como o projeto pode apoiar a construo de pequenos barreiros ou utilizar a

    gua de barragens existentes para projetos de irrigao, este Marco Conceitual foi

    preparado para assegurar a segurana de estruturas construdas pelo projeto, bem como

    dos investimentos que dependam de barragens existentes.

    Este marco est baseado na legislao brasileira e na Poltica Operacional OP

    4.37 Segurana de Barragens do Banco Mundial. Desta forma, este Marco distingue

    entre barragens grandes e pequenas.

    As barragens pequenas tm normalmente menos de 15 metros de altura e

    incluem, por exemplo, barreiros para dessedentao animal, barragens para acmulo de

    gua da chuva, barragens para reteno de sedimentos e outras similares. Espera-se que

    todas as barragens cuja construo seja apoiada pelo PB Rural Sustentvel estejam nesta

    categoria.

    Para a construo ou utilizao de uma barragem pequena por um subprojeto do

    PB Rural Sustentvel, alm dos procedimentos de licenciamento ambiental pelo rgo

    competente, necessrio que um engenheiro qualificado avalie o projeto (ou a barragem

    existente) para desenhar as medidas cabveis de segurana, que devem ser

    implementadas pelo projeto.

    Os impactos ambientais a jusante e a montante da barragem devem ser avaliados

    previamente, e medidas de correo, reduo, mitigao e/ou compensao dos

    impactos devem ser planejadas e includas no oramento do subprojeto, e sua

    implementao deve ser supervisionada pela equipe do PB Rural Sustentvel.

    As barragens grandes so aquelas com altura igual ou maior que 15 metros.

    Barragens com altura entre 10 e 15 metros devem ser tratadas da mesma forma que as

    grandes caso tenham complexidades especiais em seu desenho, como, por exemplo,

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    43

    fundaes que so complexas e difceis de preparar, ou que inundem uma rea de

    tamanho significativo. Embora a construo de grandes barragens no ser apoiada pelo

    PB Rural Sustentvel, quando algum subprojeto apoiado depender do bom

    funcionamento e da segurana de uma grande barragem existente, a mesma dever ser

    inspecionada por um painel de especialistas em segurana de barragens composto por

    trs ou mais especialistas.

    O painel de especialistas deve verificar as condies de operao da barragem e,

    caso necessrio, fazer recomendaes para corrigir deficincias, indicando os tipos de

    ao e a ordem de urgncia dos reparos. O PB Rural Sustentvel deve negociar com o

    rgo gestor da barragem para que as correes sejam implementadas em tempo hbil

    para no prejudicar a segurana e sustentabilidade dos investimentos do projeto.

    4.4. Legislao Aplicvel

    O Banco Mundial (financiador do PB Rural Sustentvel), por meio de sua

    Poltica Operacional 4.37 Segurana de Barragens, exige o acompanhamento de

    engenheiros qualificados para a construo e/ou uso de barragens em projetos

    financiados por ele. As exigncias especficas quanto segurana das barragens esto

    resumidas acima neste Marco Conceitual.

    4.4.1. Legislao Federal

    A Lei n 12.334, de 20 de setembro de 2010, estabelece a Poltica Nacional de

    Segurana de Barragens destinadas acumulao de gua para quaisquer usos,

    disposio final ou temporria de rejeitos e acumulao de resduos industriais e cria o

    Sistema Nacional de Informaes sobre Segurana de Barragens. Aplica-se, no entanto,

    s barragens que apresentem pelo menos uma das seguintes caractersticas:

    Altura, contada do ponto mais baixo da fundao crista, maior ou igual a 15m

    (quinze metros);

    Capacidade total do reservatrio maior ou igual a 3.000.000 m3 (trs milhes de

    metros cbicos);

    Reservatrio que contenha resduos perigosos conforme normas tcnicas

    aplicveis;

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    (Manejo e Controle de Pragas; Habitats Naturais e Florestas; Patrimnio Cultural Fsico; Segurana e Barragens; Economia Solidria)

    Volume III A

    44

    Categoria de dano potencial associado, mdio ou alto, em termos econmicos,

    sociais, ambientais ou de perda de vidas humanas.

    So objetivos da Poltica Nacional de Segurana de Barragens (PNSB):

    Garantir a observncia de padres de segurana de barragens de maneira a

    reduzir a possibilidade de acidente e suas consequncias;

    Regulamentar as aes de segurana a serem adotadas nas fases de

    planejamento, projeto, construo, primeiro enchimento e primeiro vertimento,

    operao, desativao e de usos futuros de barragens em todo o territrio

    nacional;

    Promover o monitoramento e o acompanhamento das aes de segurana

    empregadas pelos responsveis por barragens;

    Criar condies para que se amplie o universo de controle de barragens pelo

    poder pblico, com base na fiscalizao, orientao e correo das aes de

    segurana;

    Coligir informaes que subsidiem o gerenciamento da segurana de barragens

    pelos governos;

    Estabelecer conformidades de natureza tcnica que permitam a avaliao da

    adequao aos parmetros estabelecidos pelo poder pblico;

    Fomentar a cultura de segurana de barragens e gesto de riscos.

    A fiscalizao da segurana de barragens caber:

    A entidade que outorgou o direito de uso dos recursos hdricos, observado o

    domnio do corpo hdrico, quando o objeto for de acumulao de gua, exceto

    para fins de aproveitamento hidreltrico;

    A entidade que concedeu ou autorizou o uso do potencial hidrulico, quando se

    tratar de uso preponderante para fins de gerao hidreltrica;

    A entidade outorgante de direitos minerrios para fins de disposio final ou

    temporria de rejeitos;

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    Volume III A

    45

    A entidade que forneceu a licena ambiental de instalao e operao para fins

    de disposio de resduos industriais, sem prejuzo das aes fiscalizatrias dos

    rgos ambientais integrantes do SISNAMA.

    Cabendo ao rgo fiscalizador, a periodicidade de atualizao, a qualificao do

    responsvel tcnico, o contedo mnimo e o nvel de detalhamento dos planos de

    segurana. O rgo fiscalizador, deve informar imediatamente Agncia Nacional de

    guas (ANA) e ao Sistema Nacional de Defesa Civil (SINDEC) qualquer no

    conformidade que implique risco imediato segurana ou qualquer acidente ocorrido

    nas barragens sob sua jurisdio.

    Alguns instrumentos da PNSB so utilizados pelo sistema de classificao de

    barragens, sendo as barragens: Classificadas em risco alto, mdio ou baixo pelos

    agentes fiscalizadores, por categoria de risco; classificadas por dano potencial associado

    e pelo seu volume, com base em critrios gerais estabelecidos pelo Conselho Nacional

    de Recursos Hdricos, respeitando as caractersticas tcnicas, o estado de conservao

    do empreendimento e o atendimento ao Plano de Segurana da Barragem.

    O Plano de Segurana da Barragem, que deve ser elaborado pelo empreendedor,

    como prescreve o Artigo 8, deve compreender, no mnimo, as seguintes informaes

    (Inciso X do Artigo 17): identificao do empreendedor (I); dados referentes

    implantao do empreendimento (II); estrutura organizacional e qualificao tcnica dos

    profissionais da equipe de segurana da barragem (III); manuais de procedimentos dos

    roteiros de inspees de segurana e de monitoramento e relatrios de segurana da

    barragem; regra operacional dos dispositivos de descarga da barragem (V); indicao

    da rea do entorno das instalaes e seus respectivos acessos (VI); Plano de Ao de

    Emergncia - PAE, quando exigido (VII); relatrios das inspees de segurana

    (VIII); revises peridicas de segurana (IX), com o objetivo de verificar o estado geral

    de segurana da barragem, considerando o atual estado da arte para os critrios de

    projeto, a atualizao dos dados hidrolgicos e as alteraes das condies a montante e

    a jusante da barragem, conforme Artigo 10.

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    46

    A Agncia Nacional de guas, em seu Artigo 4, da Resoluo n 742, de 17 de

    outubro de 2011, estabelece a periodicidade das inspees de segurana, que podem ser

    vistoriadas:

    Semestralmente, barragens de dano potencial alto, independente do risco; e

    barragens de dano potencial mdio e risco alto (I);

    Anualmente, barragens classificadas como de dano potencial mdio e risco

    mdio; barragens classificadas como de dano potencial mdio e risco baixo;

    barragens classificadas como de dano potencial baixo e risco alto; barragens

    classificadas como de dano potencial baixo e risco mdio (II);

    Bianualmente, barragens classificadas como de dano potencial baixo e risco

    baixo (III).

    O Plano de Ao de Emergncia deve estar disponvel no empreendimento e nas

    prefeituras envolvidas, bem como ser encaminhado s autoridades competentes e aos

    organismos de defesa civil e precisa contemplar algumas aes a serem executadas pelo

    empreendedor, dentre elas: identificao e anlise das possveis situaes de emergncia

    (I); procedimentos para identificao e notificao de mau funcionamento ou de

    condies potenciais de ruptura da barragem (II); procedimentos preventivos e

    corretivos a serem adotados em situaes de emergncia, com indicao do responsvel

    pela ao (III); estratgia e meio de divulgao e alerta para as comunidades

    potencialmente afetadas em situao de emergncia (IV), conforme Artigo 12.

    O empreendedor da barragem obrigado (Artigo 17):

    A prover os recursos necessrios garantia da segurana da barragem (I);

    Providenciar, para novos empreendimentos, a elaborao do projeto final como

    construdo (II);

    Organizar e manter em bom estado de conservao as informaes e a

    documentao referentes ao projeto, construo, operao, manuteno,

    segurana e, quando couber, desativao da barragem (III);

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    47

    Informar ao respectivo rgo fiscalizador qualquer alterao que possa acarretar

    reduo da capacidade de descarga da barragem ou que possa comprometer a

    sua segurana (IV);

    Manter servio especializado em segurana de barragem, conforme estabelecido

    no Plano de Segurana da Barragem (V);

    Permitir o acesso irrestrito do rgo fiscalizador e dos rgos integrantes do

    SINDEC ao local da barragem e sua documentao de segurana (VI);

    Providenciar a elaborao e a atualizao do Plano de Segurana da Barragem

    (VII);

    Manter registros dos nveis dos reservatrios, com a respectiva correspondncia

    em volume armazenado, bem como das caractersticas qumicas e fsicas do

    fluido armazenado (XI);

    Manter registros dos nveis de contaminao do solo e do lenol fretico na

    rea de influncia do reservatrio (XII);

    Cadastrar e manter atualizadas as informaes relativas barragem no SNISB

    (XIII).

    4.4.2. Legislao Estadual

    Na Paraba, no existe legislao que dispe sobre segurana ou monitoramento

    de barragens. O Projeto de Lei n 01/2011 props a realizao de percias, anuais e

    obrigatrias, em todas as barragens, pontes e edifcios pblicos de domnio do Governo

    do Estado, este vetado pelo governador do Estado, publicado no Dirio Oficial do

    Estado no dia 05 de maio de 2011, com a justificativa de que o Estado no possui

    nmero suficiente de especialistas para realizar a fiscalizao, haja vista que a Paraba

    possui mais de dois mil prdios pblicos, mais de trezentas barragens, bem como

    incontveis pontes e pontilhes, o que geraria custo aos cofres pblicos com o qual o

    governo no poderia arcar.

    Em seu veto, o governador reiterou que a Secretaria dos Recursos Hdricos e a

    Aesa monitoram e cuidam permanentemente das barragens e audes do Estado, bem

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    48

    como a Secretria da Infraestrutura, atravs da Suplan, tem a responsabilidade de

    preservar os prdios pblicos e o DER cuida das pontes e rodovias.

    4.5. Diretrizes

    Em relao a barragens em construo ou existentes, o Banco pode financiar os

    seguintes tipos de projetos que iro depender do desempenho de uma barragem

    existente ou em construo (DUC):

    Sistemas de abastecimento de gua que captem gua diretamente de um

    reservatrio controlado por uma barragem existente ou por uma DUC;

    Barragem de derivao ou estruturas hidrulicas a jusante de uma barragem

    existente ou de uma DUC, onde a falha de uma barragem a montante poderia

    causar danos considerveis ou at comprometer a nova estrutura financiada pelo

    Banco; e

    Projetos de irrigao ou de abastecimento de gua que dependam da reservao

    e operao de uma barragem existente ou de uma em construo (DUC), para o

    fornecimento de gua e que no possam funcionar se a barragem falhar.

    Projetos que incluem tambm operaes que precisem do aumento de

    capacidade de uma barragem existente, ou alteraes de caractersticas dos

    materiais represados, onde a falha de uma barragem existente poderia causar

    danos considerveis ou at comprometer as instalaes financiadas pelo Banco.

    Caso o algum subprojeto do PB Rural Sustentvel se integre a uma barragem

    existente ou uma em construo, por conseguinte, na fase de preparao deste

    subprojeto o Muturio, em parceria com a UGP, dever preparar uma estrutura

    conceitual de procedimentos a serem adotados durante a fase de implementao.

    A UGP disponibilizar um ou mais especialista (s) independente (s) em

    barragens para:

    a) Inspecionar e avaliar a segurana da barragem existente, sua estrutura e histrico

    de desempenho;

    b) Revisar e avaliar os procedimentos de operao e manuteno do proprietrio; e

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    49

    c) Elaborar um relatrio por escrito com as constataes e recomendaes para

    qualquer obra corretiva ou medidas de segurana necessrias para elevar o nvel

    de segurana da barragem existente para um patamar aceitvel.

    Avaliaes anteriores sobre a segurana da barragem em questo ou

    recomendaes de melhorias necessrias tambm podero ser aceitas pelo Banco, desde

    que o Muturio e a UGP forneam comprovao de que:

    a) J h um programa de segurana de barragens em vigor; e

    b) J foram realizadas e documentadas inspees completas e avaliaes de

    segurana na barragem existente, tendo sido consideradas satisfatrias para o

    Banco.

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    50

    5. Marco de Economia Solidria

    5.1. Introduo

    A economia solidria representa uma forma de organizao da produo, da

    comercializao, das finanas e do consumo que privilegia o trabalho associado, a

    autogesto, a cooperao e a sustentabilidade, considerando o ser humano na sua

    integralidade, como sujeito e finalidade da atividade econmica. Alm disso, as

    iniciativas econmicas solidrias vm sendo valorizadas e incentivadas como estratgias

    de dinamizao socioeconmica no mbito de processos de desenvolvimento local ou

    territorial sustentvel, promovendo a coeso social, a preservao da diversidade

    cultural e do meio ambiente e a melhoria das condies de vida da populao.

    No Brasil, o campo da Economia Solidria conquista um espao social

    significativo a partir dos anos 1990 com o grande nmero de experincias associativas

    organizadas pelos trabalhadores, no meio urbano e rural, junto a experincias em

    empresas falidas ou em crise, recuperadas pelos trabalhadores; grupos e associaes

    comunitrias de carter formal ou informal; associaes e cooperativas constitudas por

    agricultores familiares e assentados da reforma agrria; cooperativas urbanas (de

    trabalho, consumo e servios); grupos de finanas solidrias, dentre outros.

    As experincias de Economia Solidria formaram um campo de articulao

    social e poltica, reunindo diversos agentes, como: organizaes sindicais, ONGs,

    acadmicos de diversas reas, religiosos, gestores pblicos, entre outros. Ademais, esse

    campo congrega um grupo abrangente de organizaes de apoio e de articulao, como

    as Incubadoras Universitrias Tecnolgicas de Cooperativas Populares; a Associao

    Nacional de Trabalhadores em Empresas de Autogesto e de Participao Acionria

    (ANTEAG); a Confederao Nacional das Cooperativas de Reforma Agrria do Brasil

    (CONCRAB); a Agncia de Desenvolvimento Solidrio da Central nica dos

    Trabalhadores (ADS-CUT); organizaes ligadas Igreja Catlica como a Critas

    Brasileira e o Instituto Marista de Solidariedade (IMS); alm de ONGs como o Instituto

    Brasileiro de Anlises Socioeconmicas (IBASE), a Federao de rgos para

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    Volume III A

    51

    Assistncia Social e Educacional (FASE) e o Instituto de Polticas Alternativas para o

    Cone Sul (PACS), dentre outras.

    A partir de 2003, com a criao da Secretaria Nacional de Economia Solidria

    SENAES, no mbito do Ministrio do Trabalho e Emprego - MTE, verificou-se uma

    significativa ampliao no campo da Economia Solidria no Brasil. Desde ento, e com

    o apoio de rgos semelhantes criados nos estados e municpios, diversas aes foram

    realizadas para atender as principais demandas dos empreendimentos econmicos

    solidrios, dentre as quais se destacam aquelas voltadas a ampliar o acesso aos servios

    financeiros, infraestrutura, a conhecimentos e a espaos e instrumentos de

    comercializao. Essas aes contriburam para ampliar a capacidade da economia

    solidria em gerar oportunidades de trabalho e renda para setores excludos do mercado

    formal de trabalho, estruturados a partir do trabalho associado, coletivo e

    autogestionrios, formando assim uma rede expressa na Figura 3.

    Figura 3 - Rede de ao em economia solidria.

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    5.2. Dados da Economia Solidria no Brasil e na Paraba.

    Dentre as aes realizadas pela Secretaria Nacional de Economia Solidria do

    Ministrio do Trabalho e Emprego (SENAES/MTE) encontra-se o Sistema de

    Informaes em Economia Solidria (SIES) que se constitui numa iniciativa pioneira

    para identificao e caracterizao de Empreendimentos Econmicos Solidrios, as

    Entidades de Apoio e Fomento e as Polticas Pblicas existentes que atuam com

    Economia Solidria. Essa iniciativa iniciou em 2003, quando a SENAES e o Frum

    Brasileiro de Economia Solidria (FBES) assumiram conjuntamente a tarefa de realizar

    o mapeamento da Economia Solidria no Brasil.

    Entre 2004 e 2007 o SIES permitiu que 21.859 empreendimentos econmicos

    solidrios fossem identificados e caracterizados em todo o Brasil, com a pesquisa

    abrangendo apenas 53% dos municpios brasileiros (Figura 4). O Sistema veio preencher

    uma lacuna em termos de conhecimento sobre essa realidade, tornando-se importante

    instrumento para o planejamento de polticas pblicas, o reconhecimento e

    dimensionamento de uma realidade do mundo do trabalho at ento no captada nas

    pesquisas oficiais no Brasil.

    Figura 4 - Distribuio de empreendimentos econmicos solidrios por regio.

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    53

    Um dos desafios encontrados no incio do processo de mapeamento da economia

    solidria no Brasil foi sua definio conceitual e dos atributos que a caracterizam. Os

    acmulos do SIES, construdos desde 2003, resultaram na definio conceitual da

    Economia Solidria como o conjunto de atividades econmicas de produo,

    distribuio, consumo, poupana e crdito organizadas e realizadas solidariamente

    por trabalhadores e trabalhadoras sob a forma coletiva e autogestionria.

    Este conceito geral explicita os valores e princpios fundamentais da Economia

    Solidria: cooperao, autogesto, solidariedade e ao econmica.

    A cooperao significa a existncia de interesses e objetivos comuns, a unio

    dos esforos e capacidades, a propriedade coletiva de bens, a partilha dos

    resultados e a responsabilidade solidria sobre os possveis nus. Envolve

    diversos tipos de organizao coletiva que podem agregar um conjunto grande

    de atividades individuais e familiares;

    A autogesto a orientao para um conjunto de prticas democrticas

    participativas nas decises estratgicas e cotidianas dos empreendimentos,

    sobretudo no que se refere escolha de dirigentes e de coordenao das aes

    nos seus diversos graus e interesses, nas definies dos processos de trabalho,

    nas decises sobre a aplicao e distribuio dos resultados e excedentes, alm

    da propriedade coletiva de parte dos bens e meios de produo do

    empreendimento;

    A solidariedade expressa em diferentes dimenses, desde a congregao de

    esforos mtuos dos participantes para alcance de objetivos comuns; nos valores

    que expressam a justa distribuio dos resultados alcanados; nas oportunidades

    que levam ao desenvolvimento de capacidades e da melhoria das condies de

    vida dos participantes; nas relaes que se estabelecem com o meio ambiente,

    expressando o compromisso com um meio ambiente saudvel; nas relaes que

    se estabelecem com a comunidade local; na participao ativa nos processos de

    desenvolvimento sustentvel de base territorial, regional e nacional; nas relaes

    com os outros movimentos sociais e populares de carter emancipatrio; na

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    54

    preocupao com o bem estar dos trabalhadores e consumidores; e no respeito

    aos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras; e

    A ao econmica uma das bases de motivao da agregao de esforos e

    recursos pessoais e de outras organizaes para produo, beneficiamento,

    crdito, comercializao e consumo, o que envolve elementos de viabilidade

    econmica, permeados por critrios de eficcia e efetividade, ao lado dos

    aspectos culturais, ambientais e sociais.

    Ao mesmo tempo, o SIES contribuiu fornecendo as caractersticas da unidade

    mnima da Economia Solidria, representada pelo conceito de Empreendimento

    Econmico Solidrios, que so as organizaes:

    Coletivas- sero consideradas as organizaes suprafamiliares, singulares e

    complexas, tais como: associaes, cooperativas, empresas autogestionrias,

    grupos de produo, clubes de trocas, redes etc.;

    Cujos participantes ou scios (as) so trabalhadores (as) dos meios urbano e

    rural que exercem coletivamente a gesto das atividades, assim como a alocao

    dos resultados;

    Permanentes, incluindo os empreendimentos que esto em funcionamento e

    aqueles que esto em processo de implantao, com o grupo de participantes

    constitudo e as atividades econmicas definidas;

    Que disponham ou no de registro legal, prevalecendo a existncia real e;

    Que realizam atividades econmicas de produo de bens, de prestao de

    servios, de fundos de crdito (cooperativas de crdito e os fundos rotativos

    populares), de comercializao (compra, venda e troca de insumos, produtos e

    servios) e de consumo solidrio.

    Na Paraba, o Mapeamento da Economia Solidria identificou 670

    empreendimentos econmicos solidrios, sendo a pesquisa realizada em 129 municpios

    do estado, 58,7% do total. Destacamos no Quadro 3 os municpios que apresentaram o

    maior nmero de empreendimentos (Quadro 2).

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    55

    Quadro 2 - Levantamento de empreendimentos econmicos solidrios por municpio.

    Nome do Municpio Quantidade de EES

    Joo Pessoa 46

    Campina Grande 18

    Areia 26

    Alagoa Nova 17

    Esperana 19

    Ing 14

    Juripiranga 13

    Pitimbu 17

    Santa Rita 13

    Serra Redonda 13

    So Jos de Piranhas 12

    Pirpirituba 13

    A maioria dos empreendimentos identificados na Paraba encontravam-se

    organizados sob a forma de Associao (57,8%), sendo tambm significativo o nmero

    de grupos informais no estado (31,2%). A forma cooperativa estava presente em apenas

    7,8% dos empreendimentos mapeados pelo Mapeamento da Economia Solidria em

    2007.

    Cabe destacar, ainda, que 45,2% dos empreendimentos mapeados esto

    associados diretamente a atividades da agricultura familiar, especialmente produo

    de feijo, milho, mandioca, inhame e leite. Menos de 10% desses empreendimentos

    atingia um faturamento mensal acima de R$ 50.000,00, e a maioria dos

    empreendimentos (69%) remunerava os scios com at 1 (um) salrio mnimo.

    5.3. Arcabouo Legal

    A economia solidria tornou-se nas ltimas dcadas, uma realidade social,

    envolvendo milhes de trabalhadores e trabalhadoras em suas atividades. Apresenta-se

    tambm como uma realidade econmica, gerando riqueza e renda para inmeras

    comunidades e territrios, rurais e urbanos. E conformou-se igualmente como uma

    realidade poltica, com a constituio de movimentos e a criao de organizaes que

    levaro a incidncia cada vez maior do tema ao espao pblico.

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    56

    Apesar de se constituir como uma nova configurao social na realidade

    brasileira, o fenmeno do crescimento e fortalecimento da Economia Solidria, que

    envolve uma diversidade de relaes e instituies, ainda no possui um correspondente

    jurdico adequado para dar conta de sua complexidade e realidade. Por um lado, os

    empreendimentos econmicos solidrios, caracterizados pela autogesto, cooperao e

    solidariedade, encontram dificuldades para se formalizarem numa forma jurdica

    apropriada e desenvolverem suas atividades econmicas, como tambm, por outro lado,

    os prprios trabalhadores da economia solidria esto margem de qualquer

    conceituao jurdica, encontrando-se, quando reconhecidos, no conceito jurdico

    insuficiente e incorreto de trabalhador autnomo. Assim, muitas das iniciativas do

    campo da ES se utilizam da forma jurdica da cooperativa para se regularizar. Contudo,

    a legislao cooperativista existente hoje, a Lei n 5.764, de 1971, limitada para dar

    conta da realidade de todas estas experincias.

    Lembramos que, de acordo com o Mapeamento Nacional da Economia

    Solidria, mais de 50% dos empreendimentos econmicos solidrios esto formalizados

    como associao. Como, desde 2002, o Cdigo Civil, em seu art. 53, define associao

    como a unio de pessoas que se organizam para fins no econmicos, esses

    empreendimentos passam a ter uma srie de restries para o desenvolvimento de suas

    atividades como, por exemplo, dificuldade ou impossibilidade de emisso de notas

    fiscais.

    Outros 36% dos empreendimentos so informais e apenas aproximadamente

    10% deles esto formalizados como cooperativas que, supostamente, seria a forma

    jurdica apropriada para a grande maioria dos EES devido suas caractersticas

    organizacionais e polticas. Desta forma, ao observarmos o mapeamento da Economia

    Solidria constatamos o que poderamos chamar de um alto grau de informalidade

    econmica da Economia Solidria no Brasil.

    As consequncias dessa realidade de informalidade econmica so significativas

    para os empreendimentos econmicos solidrios e seus trabalhadores e trabalhadoras.

    Podemos citar, entre elas, a impossibilidade de emitir notas fiscais, fazendo com que a

    circulao de seus servios e produtos fique restrita a circuitos curtos de consumo,

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    dificultando a comercializao. A falta de CNPJ torna impossvel acessar as j difceis

    linhas de financiamento e crdito, dificultando ainda mais o acesso a investimento nos

    empreendimentos. E a informalidade dificulta at mesmo, em alguns casos, o acesso as

    polticas pblicas.

    Por isso, a questo do Marco legal da ES um dos eixos que constitui a

    plataforma do Movimento de Economia Solidria. Nesse caso, especial ateno tem

    sido dada questo das atuais formas jurdicas pelas quais os empreendimentos de

    Economia Solidria e as empresas de autogesto vem se organizando juridicamente. As

    associaes so reguladas pelos artigos 53 a 61 da Lei n 10.406, de dez de janeiro de

    2002, Cdigo Civil Brasileiro, e em carter geral pelos artigos 44 a 52 da mesma lei,

    que tratam das pessoas jurdicas de direito privado; e as sociedades cooperativas so

    disciplinadas pelos artigos 1.093 a 1.096 da lei n 10.406 de dez de janeiro de 2002,

    Cdigo Civil Brasileiro; e pela legislao especial, Lei n 5.764/1971. No que os

    dispositivos acima forem omissos sero aplicadas s Sociedades Cooperativas as

    disposies das Sociedades Simples, artigos 997 a 1.038, do Cdigo Civil Brasileiro,

    resguardadas as caractersticas peculiares da cooperativa estabelecidas no artigo 1.094

    do mesmo cdigo.

    Em julho de 2004, foi criado, pelo Presidente da Repblica, o GT

    Interministerial do Cooperativismo com o objetivo de apresentar um Plano Nacional de

    Desenvolvimento do Cooperativismo. O GT tratou da questo do marco legal do

    cooperativismo e apresentou um conjunto de sugestes para encaminhamento pelo

    Poder Executivo, considerando os projetos de lei que tramitam, ainda hoje, no

    Congresso Nacional. Fruto desse processo, a SENAES participou da formulao e do

    acompanhamento de projetos de Lei das Cooperativas de Trabalho e da Lei Geral do

    Cooperativismo, que se encontram tramitando no Congresso Nacional.

    Em relao s cooperativas de trabalho, o Poder Executivo, por meio do MTE,

    encaminhou ao Congresso Nacional o PL n 7.009/2006, que tem como objetivo

    impedir a utilizao da forma jurdica das cooperativas para burlar a legislao

    trabalhista e ao mesmo tempo, fomentar o verdadeiro cooperativismo. Para isto, o

    projeto de lei proposto pelo executivo buscou definir e conceituar juridicamente as

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    cooperativas de trabalho e com isto dar segurana jurdica s mesmas, definindo a sua

    forma de organizao. O ncleo essencial do PL garantir que as cooperativas

    assegurem aos seus cooperados direitos bsicos que garantam condies de trabalho

    decente e, em contrapartida, prev a criao de um Programa Nacional de Fomento ao

    Cooperativismo de Trabalho (PRONACOOP), intentando dar condies econmicas s

    cooperativas para propiciar condies de trabalho decente aos seus cooperados.

    Em relao Lei Geral do Cooperativismo, importante frisar que o atual marco

    regulatrio do cooperativismo, a Lei 5764/1971, est amplamente superada, por um

    lado pela Constituio Federal de 1988 e pelo Novo Cdigo Civil e, por outro, pelo

    prprio desenvolvimento das experincias cooperativas nas ltimas dcadas que se

    espalharam e se fortaleceram em outros setores e cresceram em nmero e

    complexidade. Diante dessa constatao, desde a dcada de 90, projetos de leis

    tramitam no Congresso Nacional, propondo um novo marco jurdico para o

    cooperativismo no Brasil. Mais recente, em 2007, foram apresentados dois projetos no

    Senado, o PLS 03/2007, de autoria do Senador Osmar Dias; e o PLS 153/2007, de

    autoria do Senador Eduardo Suplicy, ambos com o objetivo de atualizar a legislao do

    cooperativismo no Brasil, oferecendo condies para que se cumpra o art. 5o, XVIII, da

    Constituio Federal, de que a criao de associaes e, na forma da lei, a de

    cooperativas, independem de autorizao, sendo vedada a interferncia estatal em seu

    funcionamento.

    Dessa forma, premente e urgente a votao de um novo marco regulatrio para

    o cooperativismo no Brasil de modo a contemplar a atual realidade e trazer para a

    formalidade milhares de empreendimentos econmicos que so cooperativas de fato,

    mas no cooperativas de direito, devido justamente a defasagem entre o marco

    regulatrio vigente (lei 5764/1971) e a realidade concreta. Podemos listas, brevemente,

    os principais entraves existentes para a formalizao dos empreendimentos econmicos

    solidrios como cooperativas:

    Exigncia de um nmero mnimo de 20 associados;

    Dificuldades e excesso de burocracia no registro de cooperativas;

    Questes tributrias decorrentes da formalizao como cooperativa;

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    Carncia de adequada definio de Ato Cooperativo;

    Confuso reinante sobre a vigncia da unicidade de representao;

    5.4. Desafios para o Desenvolvimento da Economia Solidria

    No incio de 2015, o Governo do Estado da Paraba criou a Secretaria Executiva

    de Segurana Alimentar e Economia Solidria (SENAES), no mbito da Secretaria

    Estadual de Desenvolvimento Humano (SEDH). Trata-se do reconhecimento da

    importncia que a Economia Solidria apresenta atualmente e do papel social que

    desempenha na organizao dos trabalhadores associados tendo em vista a construo

    de um outro modelo de desenvolvimento para o estado.

    Est em curso, neste ano, a criao de um Centro Pblico de Economia Solidria

    e trs Casas de Economia Solidria, que procuraro abranger as principais regies da

    Paraba e induzir os demais municpios para a criao de equipamentos pblicos

    especficos para o apoio e fomento s iniciativas de economia solidria nos territrios.

    No campo das finanas solidrias, alm de ser referncia nacional com as

    experincias de Fundos Rotativos Solidrios, a Paraba deu incio construo de

    Bancos Comunitrios de Desenvolvimento, com duas experincias em andamento na

    capital Joo Pessoa e outras trs experincias esto em construo nas cidades de

    Remgio, Lagoa de Dentro e Pombal. Os Bancos Comunitrios de Desenvolvimento

    (BCDs), alm de significarem uma estratgia inovadora e efetiva para o enfrentamento

    questo da misria no meio urbano, promovendo processos de desenvolvimento

    endgenos de territrios em situao de vulnerabilidade e risco social, representa

    tambm um campo de possibilidades para a potencializao econmica de territrios

    rurais, na medida em que promove e facilita as relaes de proximidade e prticas

    comerciais entre campo e cidade.

    Outra ao que merece destaque a construo de Redes de Economia Solidria

    nos setores da Reciclagem, Agricultura Familiar e Artesanato.

    No caso da Reciclagem, uma Central de Comercializao foi constituda em

    Campina Grande visando aglutinar cooperativas e associaes de catadores em

    processos unificados de comercializao dos produtos. As primeiras experincias de

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    comercializao unificada dos catadores j demonstram a importncia de conferir maior

    escala na negociao com as empresas que escoam o material reciclado, auferindo-se

    melhor preo e maior renda para os catadores e suas famlias.

    A Rede de Comercializao da Agricultura Familiar busca organizar diferentes

    assentamentos de reforma agrria em torno de uma Central de Comercializao que est

    sendo implantada em Sap, cujo foco principal ser ampliar e consolidar a venda de

    produtos dos assentamentos para o mercado institucional (PAA, PNAE etc.),

    especialmente para o atendimento aos grandes equipamentos estaduais nas reas da

    sade (hospitais), educao (escolas e creches) e segurana pblica (presdios).

    Por fim, no campo do artesanato, o desafio a construo coletiva de uma

    modalidade de rede que respeite a cultura organizativa dos artesos e faa avanar a

    cultura coletiva do setor nos espaos de comercializao dos produtos, o que pressupe

    a existncia de pontos fixos e feiras permanentes nas principais cidades do estado.

    Como desafios para o campo da economia solidria da Paraba, destacamos:

    A criao de mecanismos de financiamento para os empreendimentos

    econmicos solidrios, que garantam acesso capital de giro e investimento em

    condies adequadas;

    A estruturao de uma rede permanente de assessoria tcnica para os

    empreendimentos, que envolva educao dos trabalhadores e melhoria do

    processo produtivo e dos produtos;

    A construo de mecanismos de comercializao que garantam o escoamento da

    produo da economia solidria;

    Avanos na institucionalidade da economia solidria no poder pblico, com o

    incremento no oramento da SESAES e a institucionalizao do Conselho

    Estadual de Economia Solidria e de espaos apropriados para as polticas

    pblicas municipais de Economia Solidria;

    Apoio pblico para a organizao de cadeias produtivas solidrias,

    especialmente no setor do algodo orgnico, da pesca artesanal, da pequena

    minerao, da agricultura familiar e da reciclagem;

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    Implementao uma poltica de etnodesenvolvimento da Paraba, abrangendo os

    povos indgenas, as comunidades quilombolas, os terreiros, os ciganos,

    pescadores e marisqueiros etc., que reconhea e promova as respectivas

    identidades na construo de processos endgenos de desenvolvimento

    territorial.

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