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  • 1

    FLORIPA SOCIAL

    Interveno Social no Norte da Ilha

    Quando as crianas so acolhidas, amadas,

    protegidas, tuteladas, a famlia sadia, a

    sociedade melhora, o mundo mais humano.

    Papa Francisco

    Florianpolis

    2018

  • 2

    1. IDENTIFICAO

    PROGRAMA FLORIPA SOCIAL

    PROJETO INTERVENO SOCIAL NO NORTE DA ILHA

    2. LOCAIS DE EXECUO

    - CRAS CANASVIEIRAS

    - CRAS INGLESES

    - CRAS SACO GRANDE

    - ACADEPOL

    - VILA UNIO

    - VILA CACHOEIRA

    - FACULDADE CESUSC

    - PONTO DE CULTURA BAIACU DE ALGUM

    3. PARCERIAS

    - Todas as Secretarias Municipais, em especial as de Assistncia Social, Educao,

    de Turismo, Tecnologia e Desenvolvimento Econmico, de Sade, de Cultura, Esporte

    e Juventude;

    - Coordenadorias Municipais, em especial da Juventude e da Igualdade Racial;

    - Secretaria de Estado da Habitao, Trabalho e Renda;

    - Secretaria de Estado da Segurana Pblica, atravs da Polcia Civil;

    - Brasil Atacadista;

    - Centro Cultural Escrava Anastcia;

    - CIEE;

    - Faculdade CESUSC;

    - Ponto de Cultura Baiacu de Algum

    4. JUSTIFICATIVA

    A violncia um fenmeno complexo e atual e a sua preveno deve

    ocorrer a partir de uma abordagem que exige articulao intersetorial, interdisciplinar

    e multiprofissional, com a participao do estado e da sociedade civil organizada.

  • 3

    Atualmente, de cada 100 pessoas assassinadas no Brasil, 71 so

    negras. De acordo com informaes do Atlas da Violncia (Instituto de Pesquisa

    Econmica Aplicada IPEA -2015), os negros possuem chances 23,5% maiores de

    serem assassinados em relao a brasileiros de outras etnias, j descontado o efeito

    da idade, escolaridade, do sexo, estado civil e bairro de residncia.

    O perfil das vtimas da mortalidade por causas externas delineia as

    seguintes caractersticas: jovens, do sexo masculino, com baixo nvel socioeconmico

    e da etnia negra, de acordo com o ndice de Vulnerabilidade Juvenil Violncia e

    Desigualdade apresentado no Frum Brasileiro de Segurana Pblica (2017).

    Em 2015, ocorreram 59.080 homicdios, uma taxa de 28,9 por 100 mil

    habitantes. Em apenas trs semanas, mais pessoas so assassinadas no Pas que o

    total de mortos nos ataques terroristas no mundo nos cinco primeiros meses de 2017.

    Ao olhar as estatsticas da faixa etria entre 15 e 29 anos, 318 mil jovens foram

    assassinados de 2005 a 2015 (IPEA,2015).

  • 4

    Dados do IBGE apontam para um aumento significativo no nmero de

    homicdios no Estado de Santa Catarina, conforme pesquisa realizada no perodo de

    1996 a 2015, demonstrada no grfico abaixo1:

    Fonte: IBGE/Diretoria de Pesquisas. Coordenao de Populao e Indicadores Sociais. Gerncia de Estudos e Anlises da Dinmica Demogrfica e Sim/Dasis/SVS/MS. Considera os cdigos CIDs 10: X85-Y09 (agresso) e Y35-Y36 (interveno legal) bitos por residncia. Elaborao Diest/Ipea.

    Em Florianpolis, 26% (vinte e seis por cento) da populao formada

    por crianas e adolescentes. Apesar da capital catarinense possuir o maior IDHM do

    Brasil, 1 em cada 7 de seus habitantes encontra-se vulnervel pobreza (IBGE,2010).

    Alm disso, Florianpolis apresenta ainda muitas desigualdades sociais e uma

    concentrao de bitos principalmente na regio continental, centro e norte da ilha.

    A Secretaria de Estado da Segurana Pblica (SSP) de Santa

    Catarina fez um levantamento dos bairros e regies da cidade que registraram mais

    mortes violentas em 2017, sendo que no norte da ilha onde os nmeros so mais

    significativos: contabilizadas 48 das 101 mortes violentas do perodo.

    0

    100

    200

    300

    400

    500

    600

    700

    800

    900

    1000

    Homicidios em SC

  • 5

    Regies com mais mortes violentas no municpio

    Regio N de mortes

    Norte 48

    Continente 26 Centro 22

    Sul 4

    Leste 1 Fonte: Secretaria de Estado da Segurana Pblica de Santa Catarina, 2017.

    Bairros com mais mortes violentas no municpio

    Bairro N de mortes

    Monte Cristo 13 homicdios

    Ingleses 11 homicdios e 1 morte por confronto policial

    Vargem do Bom Jesus 9 homicdios e 3 mortes por confronto policial

    Capoeiras 5 homicdios e 2 mortes por confronto policial

    Centro 3 homicdios e 3 leses seguidas de morte

    Rio Vermelho 5 homicdios e 1 morte por confronto policial

    Canasvieiras 3 homicdios, 1 latrocnio e 1 leso seguida de morte

    Vargem Grande 5 homicdios

    Fonte: Secretaria de Estado da Segurana Pblica de Santa Catarina, 2017.

    De acordo com a Secretaria de Estado da Segurana Pblica, O

    aumento das taxas de homicdios neste primeiro semestre de 2017 est relacionado

    a disputas e desavenas entre integrantes de faces criminosas, motivadas

    principalmente por questes ligadas a atividades do trfico de drogas.

    Ainda, foi afirmado que a capital somou, nos seis primeiros meses de

    2017, mais mortes do que historicamente havia registrado em anos inteiros. Na viso

    do comando da Polcia Militar, trata-se de desvio de curva nas estatsticas, um

    fenmeno que se reflete a partir da disputa territorial entre faces criminosas.

    Os nmeros da violncia tambm sugerem que a atuao policial no

    basta para conter a criminalidade. Apesar de concentrar o maior efetivo das tropas

    policiais e de executar o maior nmero de prises e de apreenses de armas,

    Florianpolis lidera as estatsticas de assassinatos, furtos, roubos e trfico. (SSP/SC,

    2017)

  • 6

    No ltimo ano, a Capital teve mais ocorrncias durante os seis

    primeiros meses do que as cidades de Joinville, Itaja e Cricima juntas, conforme

    pesquisa realizada pela Secretaria do Estado da Segurana Pblica.

    Percebe-se uma produo de polticas pblicas voltadas para a

    problemtica, mas ainda insuficientes para melhorar a qualidade de vida das pessoas

    afetadas pela exposio violncia. Os efeitos so prejudiciais, e podem gerar

    consequncias sociais e educacionais na infncia e na adolescncia. Outro dado

    alarmante em Florianpolis que mais da metade dos bitos que ocorreram entre

    2006 e 2015, na faixa etria dos 10 a 19 anos, foram por causas externas.

    (SSP/SC,2017)

    Identificando esta realidade dentro do territrio norte de Florianpolis,

    compreendemos a importncia deste tema, uma vez que as causas externas so

    passveis de preveno e, assim, entende-se que elencar este tema na agenda de

    prioridades no campo do Poder Pblico Municipal fundamental. Cabe aos gestores,

    em suas respectivas reas de abrangncia, estabelecer a indispensvel parceria com

    diferentes segmentos governamentais e no governamentais, e que estes possam

    estabelecer compromissos mtuos que resultem em medidas concretas.

    Sendo assim, tem-se que o Servio de Convivncia e Fortalecimento

    de Vnculos para Crianas e Adolescentes pode contribuir para a reduo da

    ocorrncia de riscos sociais, seu agravamento ou reincidncia, para o acesso a

    servios, a ampliao do acesso aos direitos, conscincia de seus deveres e a

    melhoria na qualidade de vida dos jovens do territrio, encarando a adolescncia, uma

    das fases mais ricas do ciclo vital, com inmeras possibilidades de aprendizagem, de

    experimentao, de inovao neste perodo de conquista de autonomia, liberdade,

    afirmao de identidade e descobertas. (UNICEF,2011).

    Alm disso, aes relacionadas cidadania so fundamentais para

    que as famlias dessas crianas e jovens atendidos nos servios de convivncia

    tambm passem a conviver com uma nova realidade, alinhada a princpios morais e

    exemplos de ordem pblica.

    Para isso, a interveno do poder pblico, em conjunto com a

    populao, para que se promova a adoo e transformao de espaos comunitrios

    essencial. Assim, as ruas, praas, escolas passaro a ser vistos pelos moradores e

  • 7

    frequentadores daquele determinado bairro como algo coletivo e que precisa ser

    preservado.

    Outra iniciativa que deve ocorrer de forma concomitante a

    realizao de eventos nas comunidades, que levem at eles os servios pblicos mais

    necessrios para cada realidade local. Os mais comuns so emisso de documentos,

    vacinao, apresentao das oportunidades para estudo, aperfeioamento

    profissional, de emprego e incentivo ao empreendedorismo.

    Por fim, h a necessidade de se alinhar estas iniciativas de assistncia

    social com aquelas j realizadas pelas demais pastas do Municpio, como esporte,

    cultura, educao, sade, desenvolvimento econmico.

    Nesse sentido, o trabalho que ora se prope criar um ambiente

    propcio construo e ao fortalecimento da identidade, resgate da autoestima,

    reconhecimento e valorizao das diferenas, das potencialidades e habilidades das

    crianas, jovens e suas famlias, possibilitando integrao dentro do territrio,

    promovendo partilhas e trocas interpessoais e sua insero na comunidade.

    As atividades propostas no projeto tm o intuito de integrar um

    processo que oportunizar alternativas de melhor enxergar seu espao, valorizando-

    se como pessoa e com possibilidades de realizar seu desenvolvimento, trazendo

    fortes referncias para formao de cidados conscientes.

    4.1. Dados da Populao de Florianpolis

    A regio Norte de Florianpolis, destacada em amarelo no grfico

    abaixo, tem 27,72% do total de domiclios com renda de at 3 salrios mnimos

    (atualmente R$ 2.811,00) da cidade.

    10.28310.960

    8.273

    10.027