Projeto desenho completo

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Este documento visa o estudo e a anlise do desenvolvimento do desenho na adolescncia, procurando identificar o momento em que este hbito abandonado ou sufocado no intrincado processo de alfabetizao. O projeto apresentar questionamentos quanto aos mtodos utilizados em sala de aula para aplicao do desenho e reflexes sobre o papel da arte no desenvolvimento cognitivo para formao integral do indivduo.

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<ul><li> 1. 1Rose Aparecida da SilvaDesenho Infantil: Desvios e Alteraes no Processo CriativoBauru 2012</li></ul><p> 2. 2Este documento visa o estudo e a anlise do desenvolvimento do desenho na adolescncia, procurando identificar o momento em que este hbito abandonado ou sufocado no intrincado processo de alfabetizao. O projeto apresentar questionamentos quanto aos mtodos utilizados em sala de aula para aplicao do desenho e reflexes sobre o papel da arte no desenvolvimento cognitivo para formao integral do indivduo.Palavras-chave: Desenho como Linguagem, Processo Criativo, Desenvolvimento Cognitivo 3. 3INTRODUODe presena marcante nas artes visuais, o desenho uma manifestao conceitual fundamental para a formao humana, a arte de correr o risco sobre o papel, a arte de pensar por meio de traos. importante democratizar o desenho, pois desenhar fazer pensante, mesmo que envolva corpo, expresso, gestualidade; ainda assim puro conceito. No entanto, muitos que desenhavam, perderam o vnculo com essa linguagem, foram educados por meios que contradizem o ato criativo do desenho. A linguagem grfica foi no decorrer dos tempos, sendo substituda por outras atividades, por outras reas do conhecimento. A sociedade aos poucos dilacera as ferramentas de reflexo e sensibilidade. medida que a criana amadurece, quando no incentivado seu desenvolvimento na linguagem do desenho, ou quando passa por processos de adestramento motor grfico, ela tende a parar de desenhar. Como os velhos brinquedos empoeirados guardados no fundo dos bas, os desenhos, vo sendo deixados para trs, no so mais objetos de prazer ou de desejo para esses adolescentes. Embora possua menor vivncia, e consequentemente menor repertrio, a criana, diferentemente do adolescente ou do adulto, possui maior liberdade de fantasiar e de criar. Quando nas fases mais amadurecidas do desenvolvimento, tornam-se endurecidos, j no se encantam mais pelos contos fantsticos, j no brincam mais, e j no sentem necessidade de se comunicar pelos desenhos que produzem. Esse abandono da capacidade de figurar se d segundo Dworecki, porque esta linguagem est impregnada dos hbitos da escrita, desenham como se escrevessem, da esquerda para a direita e de cima para baixo, hbitos adquiridos no perodo da alfabetizao. No entanto para Edwards (2002), as pessoas no desenvolvem a linguagem grfica por estareminseridas em um sistema educacional que segrega o hemisfrio direito docrebro, que recompensa o no ver. Acredita tambm que circula nas instituies de ensino a idia conformista que deflagra a aceitao pacata, de no se ter talento para o desenho. Como se as habilidades artsticas fossem algo que no pudesse ser ensinadas ou dispensveis para a sociedade moderna, tecnolgica e para a formao intelectual das pessoas. 4. 4O PERCURSO DO PROJETOO projeto de pesquisa aconteceu na Escola Estadual Prof. Francisco Alves Brizola, no decorrer do ano letivo de 2010, com adolescentes da 8 srie/9 Ano do Ciclo Fundamental II, sempre tendo como enfoque o reaver grfico particular de cada aluno. Nesse perodo o adolescente, passa a ser mais crtico com o que produz e pretende dominar as tcnicas de representao realistas, com domnio de tcnicas de luz e sombra, perspectiva, combinao de cores. O que a princpio seria um agente cultivador, de ampliao de horizontes, aos poucos, vai se apresentando como limitador medida que essas habilidades no so dominadas. Contemporaneamente compreende-se que a Educao Infantil a base do desenvolvimento psquico superior, sendo assim alicera a educao em sua totalidade, portanto, falhas, restries, poucas experincias e vivncias nesse perodo refletem dificuldades em todo o processo educacional e na formao integral do indivduo. Apresentamos o seguinte problema de pesquisa: seria possvel reverter o processo de abandono do desenho caso haja falhas, restries, poucas experincias e vivncias na infncia? Acreditamos que sim, desde que se aprenda a observar e ver as formas, e a desenvolver a percepo, que se trabalhe o hbito de desenhar dentro de um processo investigativo, sensvel com o mundo que privilegia a liberdade do trao. Segundo o professor Dworecki (1998, p.16) desenhar na fase adolescente ou adulta, para quem o abandonou permitir-se a recuperao[...] Complementamos o sentido da frase, pois se trata de recuperao da identidade pessoal, do trao singular de cada um e da autonomia. O que se pretende no ensinar a desenhar corretamente, mas proporcionar a investigao de um trao que se perdeu em algum momento no intricado processo educacional, viabilizando tambm o acesso a essas habilidades que os alunos j possuem, e que apenas esto espera de serem liberadas, via o olhar atencioso e pela liberdade de desenhar enquanto instrumento de reflexo e apreciao da vida. 5. 5O presente projeto denominado: Desenho Infantil: desvios e alteraes no processo criativo vem no sentido de apresentar um novo olhar sobre o desenho, sendo entendido como habilidade passvel de ser adquirida em sala de aula, por meio da busca incessante do aprimoramento do olhar, da forma e da descoberta gestual de cada educando. Para tal, o projeto foi apresentado em quatro momentos, com quatro aes respectivas a cada momento, de forma a ilustrar o que se prope. Num primeiro momento, cujo tema ser: O que desenho? Apresentamos as definies do termo e seu entendimento como sendo um dos instrumentos da linguagem. No momento seguinte, que denominamos: Desenho e Educao, o desenho foi visualizado no contexto da educao, como vem sendo aplicado e sua funcionalidade na formao integral do indivduo. No terceiro momento, do qual intitulamos Explorando o Olhar fizemos alguns apontamentos da realidade a qual foi desenvolvida o projeto, as expectativas de desenvolver o projeto e alguns resultados alcanados. Para finalizar, o quinto momento nomeado de Reencontrando o Trao Perdido, traamos alguns entendimentos do reaver grfico e sua aplicabilidade na sala de aula e na vida. 6. 6A Realidade EncontradaAcontecem nas escolas, via de regra, aulas de arte nas formas estereotipadas, cuja avaliao versa segundo critrios de semelhana. Os alunos so nivelados, desconsiderando seu processo de desenvolvimento particular. A nota apresentada sempre comparativa entre os alunos, criando-se uma expectativa e uma ansiedade que acaba por bloquear o processo criativo dos que no conseguem alcanar as maiores notas, geralmente associadas s similaridades com o objeto real. Ouras vezes as aulas de Arte pautam-se no laissez-faire, aulas pelo qual os alunos desenham livremente sem propostas que provoquem a descoberta. Baseiam seus ensinamentos na livre expresso, so atitudes que condenam a interveno do professor no processo de aquisio do conhecimento grfico. Nessa perspectiva, prevalece o medo de deturpar a expresso natural da criana, entendem o desenvolvimento grfico como uma consequncia da evoluo natural. Condena-se a oferta de imagens que possam de alguma forma corromper o que entendem como arte pura. A realidade que encontramos no foi diferente, alunos que afirmavam que no sabiam desenhar, que no tinham o 1dom para desenhos, que no gostavam de suas produes por a acharem feias. Muitos alunos no tinham o hbito de levar o caderno de desenho porque no o utilizavam nas aulas de artes, de modo que a nossa primeira iniciativa foi a de solicitar que o trouxessem para que o projeto pudesse ser desenvolvido. Iniciamos o trabalho tendo como preocupao, oferecer um leque de materiais que despertasse o interesse dos alunos. Conseguimos uma doao de materiais o que viabilizou trabalharmos com diversidade de suportes e riscadores. Visto que, por meio de determinados suportes: papis, cartolinas, lousa, muro, cho, areia, madeira, pano, utilizando os mais inusitados e diversificados: lpis, cera, giz de lousa, caneta esferogrfica e hidrogrfica, carvo, at mesmo com a sombra possvel desenhar, comunicar uma ideia. .1habilidades inatas das pessoas, ou capacidade natural para realizar determinadas atividades. Habilidade extraordinria que algumas pessoas tm ao ponto de merecerem honra especial. (http://pt.wikipedia.org/wiki/Talento_(aptid%C3%A3o) acesso em 14/14/2011 7. 71 Momento: O que o desenho?Geralmente o desenho entendido como sendo formas que nascem da ao do lpis sobre o papel, sendo tambm associado a esboos que serviro de base para ilustrar outras atividades, tais como: pintura, arquitetura, designer, dentre outras. O desenho visto como um fazer manual, desprovido de intelectualidade ou de intencionalidade, muitas vezes est associado ideia de dom, predestinado a um nmero limitado de pessoas privilegiadas que conseguem faz-lo, e fruto de antipatia pela sociedade, por ser associado ao cio e ao fazer vagabundo. O desenho a primeira forma do ser humano manifestar seu entendimento do mundo, porm a nossa cultura ocidental muito pouco o valoriza ao mesmo tempo em que, depende cada vez mais dele. Afinal, tudo parte de desenhos, vivemos a sua cultura. O desenho reclama sua autonomia, a mais ancestral relao que uma pessoa possa ter com a representao. Nosso projeto revela o desenho, como um fazer pensante que envolve um entendimento intelectual, e no apenas habilidades manuais desconectadas de um pensamento. Desenho linguagem, desgnio, inteno, meta, propsito, um plano que se concretiza. No coordenao motora, mas fruto do aprimoramento da percepo e da inteligncia. Pois bem, chegamos a um conceito, desenho linguagem! A linguagem a capacidade humana de articular significados coletivos em sistemas arbitrrios de representao, que so compartilhados e que variam de acordo com as necessidades e experincias da vida em sociedade, sendo sua razo principal, a produo de sentido. (Currculo do Estado de So Paulo, 2010, p.25,caput PCN 2006)As linguagens so os cdigos pelos quais se comunicam a cultura e o conhecimento de um povo. Esses cdigos so organizados dentro de uma logicidade prpria de cada cultura proporcionando a interao na sociedade. Quanto maior a possibilidade de interpretao dessas informaes, maior a comunicao. Desse modo, o desenho a composio de vrios elementos plsticos que organizados transmitem uma produo de sentido, que permite ao indivduo comunicar um pensamento, uma ideia, um conceito. 8. 8Cada elemento plstico, cada signo utilizado em um desenho tem sua narrativa singular, resultante dos meandros mais profundos do saber particular e social do indivduo. medida que a criana se desenvolve, ela se apropria do mundo que a cerca, e esse saber acumulado vai sendo refletido no ato de desenhar. O raciocnio grfico que se sugere, o de entender o desenho como sendo reflexo de um processo 2sinestsico, em que integrando a performance como prtica potica, entrelaa a arte e a vida, fundindo-a de forma multisensorial e intelectual. Impossvel alcanar com inteligncia a linguagem do desenho sem perceber as conexes, que abrangem formas, cores, volumes, texturas, perspectivas, jogos de luz e sombra; que vo se desencadeando, no complexo processo da percepo visual. preciso ver de uma forma diferente, preciso entender as formas como enigmas a serem decifrados.2Diz respeito capacidade de traduo inter-percepes num grau indicial ( plano semitico), estabelecendo relaes entre uma percepo de um domnio do sentido e um domnio evocado. ( Noronha, Marcio Pizarro. Sensibilidades e Sociabilidades: Perspectivas de Pesquisa. Ed. UGG.2008. p. 107) 9. 91 Ao: Vasos e Rostos - Um Exerccio Para o Crebro DuploO seguinte exerccio foi planejado especificamente para ajud-los a passar de sua modalidade dominante, em que impera o hemisfrio esquerdo do crebro, para a modalidade subordinada do hemisfrio direito. O objetivo proporcionar-lhe os meios de liberar esse potencial, de ter acesso, a um nvel consciente, sua capacidade inventiva, intuitiva e imaginativa. A atividade aconteceu da seguinte maneira: Os alunos dispostos em duplas , tem em mo um folha de sulfite, num canto da folha o aluno X desenha o perfil do aluno Y, terminado o desenho a folha passada para Y que repete a ao. Quando terminados ambos os perfis, unem-se as bases inferiores e superiores, formando uma nova imagem. A seguinte pergunta orienta o olhar: O que voc v nesta imagem? Dois rostos ou um vaso?RESULTADO OBTIDO:Figura 1- desenhos de rostos e vasos (princpio do desenho como 3Gestalt") 3- relao figura fundo, oras o fundo se faz imagem, ora o contorno a imagem, numa relao de interdependncia entre as formas. 10. 10O resultado final, foi uma grande surpresa, quando os alunos conseguiam enxergar duas formas que se fundiam num jogo imagtico de formas que confundiam o olhar, e provocavam o olhar investigativo de formas que se assemelhassem a algo conhecido. um jogo entre as lateralidades hemisfricas do crebro que ensinar a ver e a conhecer, ensinar a explorar o mundo pelo olhar, apreender e compreend-lo; criando novas possibilidades, inventando novas sadas, percebendo o mundo de forma global. O saber vai se desenhando num apropriamento sistmico das mltiplas habilidades do indivduo.2 Momento: Desenho e EducaoNo retrato que me fao - trao a trao s vezes me pinto nuvem s vezes me pinto rvore... s vezes me pinto coisas de que nem h mais lembrana... Ou coisas que no existem Mas que um dia existiro E, desta lida em que busco - pouco a pouco Minha eterna semelhana, No final, que restar? Um desenho de criana... Corrigido por um louco! (O Autorretrato, Mario Quintana) comum presenciarmos nas aulas de artes desenhos sendo corrigidos, categorizados a partir de um direcionamento que no privilegia a identidade e o desenvolvimento pessoal, o trao peculiar de cada aluno. Cada trao fruto da descoberta da gestualidade individual de cada indivduo, dentro de um processo cclico de aquisio grfica. O Arte-educador no um profissional que possui a propriedade da correo, que delega o que o certo ou errado em que so vlidos apenas pontos de vista de sua semntica, mas sim um provocador, medida que prope indagaes que fazem com que o aluno venha a conscientizar-se do olhar, a pensar de forma diferente, buscando novos ngulos que estimulem a descoberta de novas possibilidades; viabilize a construo de conhecimento, deve 11. 11ter bem esclarecido que no trata-se de um momento de lazer ou de pura ludicidade, mas de um fazer intelectual. As aulas de Arte devem proporcionar a mudana de hbitos que debilitam a percepo; e desconstruir pr-conceitos estereotipados que atravancam o gesto de figurar, visto que, so muito poucos os alunos que conseguem, depois de abandonado o hbito de desenhar, recuperar a linguagem do desenho, por seus prprios meios, sem a interveno de professores. No processo de aprendizagem convencional os alunos compreendem o desenho de forma fragmentada, quando na verdade desenhar uma atividade paradoxal, assim como a prpria criatividade. como se de alguma forma, houvesse um obscurantismo do desenho nas escolas. Essa ausncia de conhecimento sobre a natureza do desenho condiciona a prconceitos e a vises que tendem a diminuir a sua importncia mediante as demais atividades intelectuais. Desenhar...</p>