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  • PROJETO DE ATENDIMENTO

    PSICOTERAPUTICO-JURDICO-FAMILIAR A FAMLIAS EM PROCESSO DE DIVRCIO

    Ana Maria Cremasco Salvador

  • II Congresso Consad de Gesto Pblica Painel 53: Estratgias inovadoras de contratao, organizao e servios

    PROJETO DE ATENDIMENTO PSICOTERAPUTICO-JURDICO-FAMILIAR A FAMLIAS

    EM PROCESSO DE DIVRCIO

    Ana Maria Cremasco Salvador

    RESUMO Introduo: Na sociedade moderna o divrcio j aceito com naturalidade, porm, considerado um fato acidental no ciclo familiar, e provoca sofrimento nos membros familiares, visto que no soluo, e sim interrupo de um projeto de unio permanente entre os cnjuges. Interrupo esta, gerada pelo no enfrentamento dos problemas e conseqente aumento progressivo dos conflitos relacionais. Nesse rompimento, os filhos permanecem um elo entre os pais. A terapia familiar (TF) proporciona ajuda reestruturao da vida de cada indivduo evitando o aparecimento de sintomas e/ou doenas com repercusses sociais indesejadas, oferecendo meios de interveno, com estratgias que diminuem o sofrimento dos membros familiares, ao mesmo tempo em que proporcionam a liberao de seus recursos e habilidades, num aprendizado de utilizao destes, na retomada do desenvolvimento confortvel e saudvel. Justificativa: Aps a separao observa-se com freqncia: abandono material e afetivo dos pais em relao aos filhos; esses e outros conflitos tambm gravssimos como filhos cuja guarda e responsabilidade os pais no assumem, deixando crianas e adolescentes em estado de total desamparo, gerando problemas de difcil resoluo, que podem culminar em criminalidade. A TF contribui com o Poder Judicirio (PJ), pois este pode obrigar um pai a pagar penso, mas no a dar o devido afeto, o que torna de suma importncia essa parceria permitindo um trabalho articulado. Objetivo: Oferecer ao PJ meios de lidar com conflitos ps-separao, que levam ao alcoolismo, uso de drogas e outros desajustes que repercutem no mbito social. Infiltrar na essncia familiar intervindo na crise, oferecendo meios de superar as dificuldades do divrcio, pois temos a famlia como nosso porto seguro, e nos sentimos desintegrados quando nos deparamos com a realidade que este porto seguro formado por ns mesmos, isto , por seres humanos compostos por qualidades, mas tambm muitas fragilidades e defeitos, fato este que vem a tona, na separao do casal. Metodologia: Sendo iniciada a separao judicial elaborado relatrio do nvel de conflito e da necessidade da famlia ser encaminhada para TF, devendo comparecer todos os membros. Durante as sesses avaliado o relacionamento entre pais e filhos, a relao entre os ex-cnjuges e de todos com a famlia extensa. Promove-se: melhora da afetividade, um novo tipo de dinmica familiar, reforo do papel permanente de pai e me, valorizao da instituio familiar acima da relao conjugal e vrias intervenes conforme a necessidade. Ao final da TF enviado relatrio ao PJ.

  • SUMRIO

    1 INTRODUO........................................................................................................ 03

    2 JUSTIFICATIVA...................................................................................................... 04

    3 OBJETIVOS............................................................................................................ 07

    4 METODOLOGIA..................................................................................................... 08

    5 RECURSOS HUMANOS NECESSRIOS............................................................. 10

    6 INVESTIMENTO NECESSRIO PARA IMPLANTAO DO PAP........................ 11

    7 POSSVEIS DIFICULDADES PARA IMPLANTAO............................................ 12

    8 RESULTADOS ALCANADOS.............................................................................. 13

    9 REFERNCIAS....................................................................................................... 16

    10 ANEXOS Laudos de casos atendidos no PAP/Viana........................................ 17

  • 3

    1 INTRODUO

    O pedido de separao de um casal pode ser o nico e/ou ltimo meio de

    resoluo de um sistema adoecido, no caso, o familiar, onde muitas so as razes

    que podem gerar conflitos.

    Atualmente o divrcio visto como moderno natural e aceitvel

    socialmente, mas na realidade um processo muito doloroso, tanto para o casal

    como para os filhos desse casamento, pois o divrcio a morte de certa condio de

    convivncia; morte de uma famlia, cujos integrantes continuam vivos, porm com

    inmeras interrogaes que assombram e assustam a todos os envolvidos, tanto da

    famlia nuclear como das famlias de origem. Emocionalmente, neste perodo, todos

    os membros esto abalados, pesando em parte, a fase do ciclo de vida particular da

    famlia, como gravidez, faixa etria dos filhos, perdas etc.

    Visto que o divrcio no soluo e sim interrupo de um projeto de

    unio permanente, uma ocorrncia acidental do ciclo de vida familiar, onde os

    problemas no resolvidos, por no terem sido encarados, analisados etc., geram

    outros problemas e dificuldades a ponto que os pais tomam a deciso de se separar,

    e os filhos ficam de algum modo ligando aquele pai e aquela me; torna-se visvel a

    necessidade de ajuda, para que seus membros ultrapassem esse ciclo vital

    acidental, o divrcio, remanejando as prprias vidas, alcanando um novo nvel de

    estruturao, evitando assim o aparecimento de sintomas-doenas e permitindo aos

    mesmos que abracem novamente seu processo de desenvolvimento.

    O PAP atravs da terapia familiar oferece meios que possibilitam a

    renovao e o redimensionamento dos veculos intrafamiliares, considerando que o

    divrcio traz consigo uma proposta de mudana, pois a separao ao mesmo tempo

    em que desejada temida. Torna-se evidente a necessidade de desenvolver junto

    s famlias em processo de separao, estratgias para amenizar o sofrimento

    decorrente do rompimento do sistema, intervindo na estimulao e redistribuio da

    responsabilidade de cada membro e conscientizando-os da vital importncia de se

    comprometer em mobilizar seus recursos, tornando-os co-autores de seu prprio

    bem estar e desenvolvimento, a fim de que o movimento interrompido seja retomado

    de um modo confortvel, favorecendo diretamente toda a sociedade, pois a famlia

    a clula da mesma.

    Os casais vm ao consultrio na expectativa de encontrar algum que

    possa ouvir o que eles prprios no conseguem mais ouvir: seus prprios sons, suas

    esperanas e seus medos. (Beatriz Coutinho)

  • 4

    2 JUSTIFICATIVA

    Quando a famlia no cumpre o seu papel de socializar, educar, instituir a

    lei e proteger, o nus do individuo desagregado e marginalizado recai sobre os

    rgos pblicos, Municipais, Estaduais e Federais, em forma de problemas onerosos

    e de difcil resolutividade na rea social. Fatores que levam a criminalidade alm da

    falta de capacitao profissional, assistncia, educacional e outros. Na maioria dos

    casos, o assunto comum Vara de Famlia versa sobre abandono material,

    emocional, e afetivo praticado, principalmente, pelos pais em relao aos filhos aps

    a separao do casal. um problema comum em nosso cotidiano, que causa

    prejuzos enormes ao desenvolvimento saudvel da criana e do adolescente que

    infelizmente o PJ no tem recursos para enfrentar, conforme VIANA. Oficio/PMVI/no

    36/07, de 05 de julho de 2007. Protocolo no 3742/2007. Corra, Jane Maria Vello.

    A Justia pode obrigar um pai, sob pena de priso, a pagar alimentos a

    seu filho, mas no dispe de dispositivos legais que possa obrig-lo a dar o devido

    acompanhamento afetivo ao mesmo, o que gera problemas que demandam

    interveno judicial com a colaborao de profissionais da rea da terapia familiar

    sistmica, pois o Poder Judicirio e os demais rgos pblicos no tm condies

    de atuarem isoladamente frente a esses conflitos, sendo assim de suma

    importncia a elaborao de um convnio que permita um trabalho articulado e em

    parceria.

    Compete ressaltar que a equipe de trabalho, no deve ser colocada como

    peritos dotados de um saber, mas como profissionais que procuram junto com a

    famlia, compreender e significar a situao que esto vivenciando, cujo incio deu-

    se por muito antes do momento atual e que se configura em mais um captulo no

    desenrolar de sua histria de vida. fato comprovado que a maioria dos

    adolescentes em conflito com a lei ou dependentes de substncias qumicas tem um

    histrico de abandono familiar, principalmente, o paterno. Todos esses problemas

    demandam acompanhamento e interveno judicial com a colaborao de

    profissionais da rea da terapia familiar e da assistncia social.

    Alm desses graves problemas existem outros tais como, dificuldades da

    me permitir a convivncia de seus filhos com o pai e a nova companheira por

    mgoas decorrentes da separao e outros, tambm gravssimos, como filhos cuja

    guarda e responsabilidade nenhum dos genitores quer assumir aps a separao,

  • 5

    ficando crianas e adolescentes em estado de total desamparo. Esses casos, em

    sua maioria, podem ser revertidos com interveno da Terapia Familiar Sistmica,

    pois esta pode infiltrar de forma intensa, porm rpida, na essncia familiar

    interferindo na sua crise, oferecendo maneiras de resgatar ou encontrar meios para

    enfrentar suas dificuldades, superar seu ciclo vital acidental (o divrcio), munida de

    recursos confortveis que j se encontravam neles, como a capacidade de amar, de

    compreender, de perdoar, de ser fiel, de valorizar o outro etc., e ao que parec