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Projecto de um balnerio para banhos quentes, no Passeio Alegre (1918)

PROJECTO DE UM BALNERIO PARA BANHOS QUENTES

(1918)

O documento escolhido para este ms de Outubro um Projecto de Obra Particular * relativo construo de um

balnerio para banhos quentes no Passeio Alegre *, datado de 1918, e do qual era proprietrio Jos da Costa Marques.

O mar , e sempre foi, um elemento caracterstico da Pvoa. Ao longo de toda a sua extenso, o limite, a poente, da

cidade. Considerado uma fonte inesgotvel de bem-estar e com propriedades curativas inegveis, nesse pressuposto

que assenta o surgimento de casas de banhos quentes de gua salgada.

Nos incios do sc. XX surgem na Pvoa essas casas que banhistas e no s, mesmo turistas de Inverno, procuram para

curar os seus males e maleitas. O mar possuidor de uma riqueza incalculvel de matrias curativas. H mesmo quem

julgue que, atravs das substncias extradas do fundo do oceano, se possam curar algumas terrveis doenas que

afectam a humanidade. Para o poveiro no novidade, desde sempre que trata muitas doenas com gua do mar e

tambm acredita no poder curativo das algas.

Remdio para todos os males, sempre fez parte do manual dos primeiros socorros da comunidade poveira, sobretudo

da comunidade piscatria, que obviamente tem uma relao e um conhecimento mais profundo com esta fora da

natureza. A ttulo de exemplo, para se curar as doenas dos olhos, estes devem ser lavados com gua do mar, tendo a

cabea inclinada durante um quarto de hora; esta operao deve repetir-se sete ou oito vezes seguidas, pela manh

antes do nascer do sol e de tarde depois dele se esconder1. Bem patente aqui o poder curativo da gua do mar, bem

como as supersties poveiras. Tambm estas esto bem enraizadas nesta comunidade, onde o mar assume particular

relevncia. Outra crena curiosa sobre o poder curativo do mar nas tradies poveiras se uma criana se baba deve

ferrar um peixe vivo que isso passa, ou ainda, se nascem frieiras, escaldam-se com gua do mar quente, que elas vo

sua vida!2.

1 in O Comrcio da Pvoa de Varzim | 17 de Agosto de 2006 2 in O Comrcio da Pvoa de Varzim | 17 de Agosto de 2006

O documento escolhido para este ms, de resto, uma obra de beleza inegvel, precisamente uma prova de que a

gua do mar era um elemento de importncia inequvoca. A construo de balnerios prprios para aquecimento da

gua salgada, que proporcionavam banhos de imerso ou duches queles que os frequentavam, na esperana de verem

os seus males curados, desde reumatismos, problemas sseos, estimulao da circulao sangunea, a problemas de

pele ou respiratrias, foi uma iniciativa curiosa e com resultados prticos positivos. A sua construo era cuidada e

atendia a todas as comodidades exigidas. Da sua memria descritiva podemos destacar: o rez-do-cho () constitui

o balnerio propriamente dito e compreende a sala de espera, dois corredores lateraes, catorze cabines para banhos

de imerso, vrios compartimentos para servio de duches, rouparia e escritrio. O 1 andar destinado habitao

do proprietrio (). No rez-do-cho, as cabines de imerso e duches so iluminadas por amplas clarabias duplas3.

No fundo trata-se de uma forma de talassoterapia dos tempos modernos, tratamento fisioterapeutico pela gua do mar.

As estncias termais so a expresso mais clara deste tipo de tratamento, preparadas para a devida recolha, filtragem e

dosagem da gua do mar. Estes balnerios de banhos quentes que existiram na Pvoa, era o que faziam, teraputica

atravs da gua do mar.

Um outro estabelecimento balnerio4, para o efeito, que existiu na Pvoa era propriedade de Maria das Dores da

Conceio Lopes e situava-se na Rua Latino Coelho, e era j uma sucursal do denominado balnerio Ocenico. Um

outro, situado na Avenida dos Banhos, era propriedade de Eduardo Francisco Pinheiro.

Todos eles desaparecidos antes do final do sculo XX, eram espaos de sade bastante procurados por quem visitava a

Pvoa.

Os oceanos reservam imensas potencialidades, temos de saber aproveit-las. E tambm mistrios, segredos,

supersties, histrias e lendas, essas ficam para uma prxima abordagem.

* documentos que integram o esplio do Arquivo Municipal.

3 in Estabelecimento para duches e banhos quentes no Passeio Alegre | Projecto de Obra Particular | 1917 | CMPV/POP 74(09) 4 in Projecto de Obra Particular | 1913 | CMPV/POP 73(19)