Project COR - the book

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This book contains the entire implementation process of project COR, all activities and milestones.

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<ul><li><p>A todos os Cagarus.</p></li><li><p>Abordagem</p><p>Poucas pessoas sabem envelhecer Franois La Rochefoucauld</p></li><li><p>Durante o sc. XX, a cincia soube dar resposta a uma das suas principais questes: pr um travo na mortalidade, aumentando a esperana mdia de vida das populaes. </p><p>Nos dias que correm, vivemos desses resultados, que acabaram por criar um novo problema, ao qual desta vez a cincia no pode responder. Este problema reside na tendncia de proporcionalidade inversa na relao entre o avano na idade e o decrscimo de qualidade de vida, provocado pelas barreiras arquitectnicas, o medo, a falta de recursos, o enfraquecimento das redes sociais e o idadismo.</p><p>Neste documento , iremos explicar a nossa resposta ao problema descrito, bem como a metodologia utlizada para chegar a uma proposta de soluo: o PROJECTO COR.</p><p>No projecto Action for Age, o design utilizado como uma ferramenta de resposta aos desafios deixados pelo fenmeno do envelhecimento generalizado da populao, sendo que o seu objectivo criar todo um conjunto de solues, nas mais variadas reas, que resultem no aumento geral das condies de vida, e num envelhecimento activo da populao.</p></li><li><p>Para algum mais velho, poder falar cinco minutos com um jovem uma maravilha </p><p>Abordagem</p></li><li><p>O principal mtodo de aboragem utilizado baseia-se no Co-design, ou seja, estar em contacto com as prprias pessoas, envolver a populao para que ela nos d respostas, atravs da colaborao mtua, tornando-a parte activa do projecto, e despertando o seu interesse em participar nele no futuro.</p><p>A pesquisa durou vrios dias, de forma a abranger todas as situaes: dia, noite, fins-de-semana e dias de trabalho.</p><p>Numa segunda fase, depois do contacto com uma zona alargada, foi feito um reconhecimento dos problemas e oportunidades de locais mais especficos e de potencialinteresse para o projecto.</p><p>Numa terceira fase, mediante a anlise dos locais apresentados, foram propostos em brainstorming uma srie de pr-projectos, que mais tarde foram sujeitos a uma seleco e debate, tendo sido escolhida a hiptesesegundo os critrios de viabilidade, auto sustentabilidade, benefcios para os intervenientes e promoo de relaes intergeracionais.</p><p>A estratgia adoptada foi recolher o mximo de testemunhos possveis por nesta zona da cidade, atravsde conversas com a populao, instituies e comerciantes, tentando perceber as relaes existentese os percursos que so efectuados. Foi tambm um factor importante ir seguindo pistas que nos eram dadas ao longo das conversas, implicando muitas vezes voltar aos stios onde j tnhamos estado.</p></li><li><p>Caracterizao da zona</p></li><li><p>O Beira-Mar, bairro mais tpico de Aveiro, mantm os traos originais, caracterizado pelas safras do sal, a pesca e a apanha do molio, com cerca de 100 anos. Nas suas ruas estreitas podemos encontrar uma populaes com histria, que vai desde antigos marnotos, pescadores, peixeiras, salineiras e confeiteiras, actividades em extino, excepo da ltima, que foi tendo continuidade ao longo das geraes graas popularidade da doaria conventual e ao turismo.</p><p> um bairro de partilha entre os vizinhos mais prximos, e sobretudo, de entreajuda, o que torna quase dispensvel os servios e estabelecimentos de carcter comercial.No entanto, a cada vez maior desertificao da rea, faz com que a populao perca os vizinhos, companheiros de conversas, ficando cada vez mais isolada.</p><p>Aqui sente-se o peso da idade de um povo que leva consigo os costumes de outros tempos e a sua perda deixa algumas casas ao abandono. Perdem-se histrias e ganha-se vazio.</p></li><li><p>As histrias do bairro</p><p>H muitas pessoas no bairro que saem de casa e vo-se sentar nas paragens de autocarro s para encontrar algum com quem conversar </p></li><li><p>Convvio janelaAs pessoas que no podem sair de casa, muitas por problemas de mobilidade reduzida e outras tantas, por terem carros estacionados em frente sua porta, impedindo a passagem, vivem do movimento da rua e das pessoas que passam pelas suas janelas e param para as cumprimentar.</p><p>Rede de favoresMora no bairro uma senhora que foi costureira durante toda a vida e, agora que est reformada recusa-se a ficar parada e, usando os seus dotes para ajudar os seus vizinhos, vai fazendo uns arranjinhos na roupa de quem precisa. As pessoas que mais ajuda so homens que, quando ficam vivos, deixam de ter quem para eles cozinhe, passe a ferro ou coza botes.</p><p>Remadores OlmpicosOs remadores so mitos vivos da Beira-Mar, so os homens que mudaram o nome do canal de S. Roque. Pescadores e salineiros de profisso, remadores exmios, juntaram-se e resolveram concorrer aos jogos Olmpicos, tendo conseguido uma medalha de Prata.</p><p>Taberna do canalDois amigos mantm h mais de 20 anos a tradio de passar pela taberna, beber um copo de vinho tinto antes do jantar e conversar sobre poltica, os jovens do bairro, a vida e os seus anos de juventude.</p></li><li><p>A relao entre as pessoas</p><p>Os vizinhos fazem recados uns aos outros, passam pelas casas de quem tem mais dificuldades para ver se no falta nada </p></li><li><p>A populao idosa do Beira-Mar caracterizada pela unio e entreajuda dos vizinhos, pela desconfiana com que chega de novo. Contudo, depois de conhecerem so extremamente prestveis e atenciosos. Gostam de ouvir e de contar histrias, esto sempre espera que passe um vizinho para conversarem.</p><p>Muitos dos moradores mais novos no se identificam com as tradies do bairro, e por isso, no frequentam os locais de convvio dos mais velhos. O facto de no existir um espao comum dificulta o encontro de diferentes geraes, que agravado pelo medo que os mais idosos tem dos estudantes e jovens que so responsveis por situaes de vandalismo no bairro durante a noite.</p><p>As visitas dos filhos e netos so frequentes, mas curtas. Vm s para trazer alimentos e medicamentos ou para os levar s consultas, o que no deixa muito tempo para conviver.</p><p>Se por um lado, os moradores mais antigos do Beira-Mar tem receio dos mais jovens, estes por seu lado, tambm evitam criar laos devido sua estadia temporria no bairro e ao preconceito e ignorncia relativamente sabedoria e interesse que pode ter quem tem mais experincia de vida</p></li><li><p>Argumento</p><p>Em Aveiro a populao idosa est esquecida </p></li><li><p>As caractersticas desta zona - o esprito bairrista, a localizao e os habitantes - levaram-nos a escolher-la por ser a mais necessitada de um projecto intergeracional. A nossa estratgia passou por aproveitar estas caractersticas como meio para resolver o problema do isolamento.</p><p>Esta iniciativa pretende encher este bairro de vida, reavivando a comunidade e incentivando a intergeracionalidade de uma forma espontnea.</p><p>No entanto estas caractersticas perdem-se por no existir um vizinho para conversar ou um espao de convvio e pouca gente a deslocar-se pelo bairro durante o dia.Para culmatar o isolamento da populao, tambm se podem encontrar no bairro muitos espaos vazios.</p><p>Assim, os principais objectivo deste projecto so potenciar este bairro e melhorar a qualidade de vida desta populao e das pessoas que para este bairro venham morar.</p></li><li><p>Argumento</p><p>As pessoas isolam-se em casa e no tem quem lhes faa companhia </p><p>Argumento</p></li><li><p>Durante o processo de reavivar o bairro da BEIRA-MAR, uma das principais preocupaes passou por aproveitar os recursos e potencial humano local, de forma a viabilizar o projecto, no s tornando-o auto sustentvel, mas tambm gerando a to desejada intergeracionalidade no processo.</p><p>Queremos criar vizinhos, e experincias atravs do contacto e compreenso mtua entre geraes, destruindo preconceitos e inserindo nas pessoas valores de auto descoberta e entreajuda.</p><p>A marca COR - CRIA, OCUPA e RECUPERA - ilustra a criao de novos projectos e ideias, a ocupao de espaos abandonados e , em troca, a sucessiva recuperao das casas no sentido de exprimir desde logo as trs fases mais importantes da participao no projecto. A escolha de verbos, e da terceira pessoa vem de encontro a esta ideia, de induzir a aco nos indivduos, mostrando uma proximidade da mesma e sugerir a oportunidade.</p></li><li><p>A ASAE fechou as tascas e agora no temos stio para jogar s cartas </p><p>Argumento</p></li><li><p>COMO?Trazendo pessoas para o bairro, dando-lhes uma das muitas casas abandonadas, que a cada dia que passa se degradam cada vez mais e perdem valor, para desenvolver novas actividades e projectos e assim partilharem experincias com a comunidade. </p><p>As casas deste bairro encontram-se desabitadas vrios anos, pela desvalorizao da zona e por ser um bairro envelhecido. Os senhorios destas casas muitas vezes no esto presentes e no assistem degradao e desvalorizao da propriedade e tentam vend-las a preos altssimos por se tratar de uma zona de patrimnio histrico . A isto junta-se o preconceito de ser uma comunidade tradicionalista e, aparentemente, pouco aberta a gente nova.</p><p>O PROJECTO COR uma incubadora social que pretende gerar actividades abertas comunidade, oferecendo um espao em troca da sua preservao e no desvalorizao.</p></li><li><p>Quando vo farmcia nunca compram os remdios todos de uma vez, para poderem voltar e conversar mais um bocadinho com quem os atende </p><p>Argumento</p></li><li><p>E A INTERGERACIONALIDADE?Esta nasce do Bom-dia! todas as manhs, dos dois dedos de conversa, e de todas estas pequenas coisas que acontecem de uma forma espontnea quando coabitamos numa mesma realidade. Novos e velhos partilham gostos semelhantes, como jogar s cartas, e podem faz-lo juntos! O que queremos proporcionar essas oportunidades, de modo a que diferentes geraes se conheam, atravs destas experincias.</p></li><li><p>A princpio as pessoas do bairro so muito desconfiadas, mas depois de ganharem confiana adoram conversar e contar histrias.</p><p>Implementao</p></li><li><p>Os habitantes da Beira-Mar mostraram-se desde o inicio bastante receosos ao partilhar informaes com pessoas de fora. Esse foi o factor que determinou a nossa abordagem e implementao do Projecto.</p><p>Um marco importante que determinou o futuro do projecto foi o momento em que ganhmos o apoio da Parquia local da Vera Cruz, que nos permitiu falar com a comunidade no fim de uma celebrao, dando-nos assim uma grande oportunidade para dirigir a mensagem a vrias pessoas e com o apoio de uma organizao credvel. Nessa altura tambm, Os Vicentinos, um grupo de voluntariado e de apoio a famlias desfavorecidas do Bairro Beira Mar, abriu as suas portas ao PROJECTO COR.</p><p>A partir deste ponto, a credibilidade do projecto aumentou bastante e os moradores tornaram-se mais receptveis e disponveis para colaborar.</p><p>Depois de muitas tentativas de conversar e descobrir informaes sobre os senhorios das casas abandonadas, o projecto mudou de parmetros e comeou ento uma campanha de interveno para ganhar a confiana dos moradores.</p></li><li><p>Todos os caminhos que nos endicavam e as informaes que nos davam revelavam-se um verdadeiro beco sem sada. </p><p>Implementao</p></li><li><p>A primeira actividade, ainda com pouca adeso, realizada no dia 21 de Junho, consistia na pintura de alguns mveis, com a ajuda de alguns moradores. </p><p>Mais tarde, a 6 de Julho, organiza-se o Ch dos Vizinhos, em conjunto com Os Vicentinos.</p><p>Por ltimo, realiza-se os Dias dos Vizinhos, a 29 e 30 de Julho, numa rua central do Bairro em que se demonstra populaoo que poderia acontecer dentro de uma casa piloto. </p><p>Considerado um sucesso, este ltimo evento provou que o projecto tem de facto pertinncia e que tendo uma casa piloto onde desenvolver actividades, estas teriam uma grande adeso por parte dos moradores, mas tambm por pessoas externas ao bairro.</p><p>Com o objectivo de fazer chegar o projecto ao maior nmero de pessoas foram produzidas e afixada algumas lonas que cobriam as portas e janelas de casas abandonadas e ilustravam projectos que poderiam ser desenvolvidos no seu interior, tais como, uma sede com jogos tradicionais, um estudio de dana ou de msica, um atelier de costura ou de pintura ou ainda uma pequena biblioteca. </p><p>Seguiram-se ento um conjunto de actividades culturais em vrios pontos do bairro, tendo como objectivo principal ganhar o apoio, respeito e confiana da populao.As actividades organizadas sempre tiveram como objectivo serem um pretexto para juntar vizinhos, reatar relaes e criar novas.</p></li><li><p>Primeira actividade</p><p>Remodelar e pintar mveis serviu de pretexto para ouvir algumas histrias sobre o bairro e as suas tradies. </p></li><li><p>Reconstruo e Remodelao de Mveis no canal de So Roque</p><p>Nesta actividade, as pessoas que passeavam no canal eram convidadas a pintar algumas cadeiras e uma mesa, que seriam usadas futuramente pelo projecto, enquanto conviviam e contavam histrias sobre as tradies dos marnotos e pescadores, e de como o bairro era antigamente.</p><p>Durante esta manh apenas 10 pessoas pararam para participar na actividade, o que reflectiu a desconfiana e a falta de empatia pelo projecto por parte das pessoas.</p><p>O primeiro evento do projecto realizou-se no dia 21 de Junho, decorreu junto a um canal da Ria de Aveiro e tinha como principal objectivo dar a conhecer a iniciativa implementada e aumentar o nvel de confiana com as pessoas do bairro.</p></li><li><p>A comida um catalizador de relaes e um incentivo caridade.</p><p>Segunda actividade</p></li><li><p>Ch dos Vizinhos na sede dos Vicentinos</p><p>A segunda actividade organizada realizou-se no dia 6 de Julho na sede dos vicentinos e tinha como principal objectivo promover o convvio entre os moradores e as pessoas externas ao bairro, mas sobretudo, angariar bens materiais e monetrios para os Vicentinos, associao que presta auxlio s pessoas mais pobres e necessitadas da Beira-Mar, dando mais credibilidade ao projecto. Para este fim, foi organizada uma quermesse, venderam-se fatias de bolos e foram disponibilizadas duas caixas para donativos.</p><p>Para promover esta actividade oferecemos ch e bolachas e passmos a palavra pelas pessoas do bairro. Esta iniciativa foi bastante importante para ganhar credibilidade e confiana das pessoas do bairro, uma vez que contmos com 26 participantes.</p></li><li><p>Podia haver uma casa onde se podesse jogar s cartas! Eu e os outros reformados gostamos muito de jogar e agora no temos stio! </p><p>Terceira actividade</p></li><li><p>Dias dos Vizinhos</p><p>O ltimo e grande evento organizado pelo Projecto COR teve a durao de 2 dias, 29 e 30 de Julho, e decorreu na Rua Joo Henriques, estando esta cortada ao trnsito. Para divulgar esta actividade foram distribudos alguns convites por centros de dia, lares e escolas, flyers pelas caixas de correio; foram ainda desenvolvidas algumas intervenes de rua, tais como montar estendais com flyers presos por molas e colocar almofadas com a identificao do projecto, a data e a hora da actividade nos bancos onde se costumam juntar os idosos do bairro.Tendo como objectivo demonstrar quais as actividades que poderiam decorrer dentro de uma casa ocupada no mbito do projecto, Os Dias dos Vizinhos estavam repletos de jogos variados remetentes ao imaginrio antigo, como por exemplo jogos de tabuleiro, torneios de Sueca, contos de histrias, workshops de pintura e LandArt, jogos cooperativos e a oferta de uma salada de fruta. </p></li><li><p>Podem fazer isto todos os Sbados deste Vero? </p><p>Terceira actividade</p></li><li><p>Recolhemos alguns testemunhos de moradores que estiveram presentes, como a Eva de 9 anos que nos pediu para repetirmos este evento todos os sbados, e a D. Emlia que adorou a iniciativa porque encontrou vizinhos que no via h bastante tempo.</p><p>Pode concluir-...</p></li></ul>