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TEXTO PARA DISCUSSO N 582

PROGRAMAS DE RENDA MNIMA LINHASGERAIS DE UMA METODOLOGIA DE

AVALIAO A PARTIR DA EXPERINCIAPIONEIRA DO PARANO, NO

DISTRITO FEDERAL

Joo Sabia*

Sonia Rocha**

Rio de Janeiro, agosto de 1998

* Professor do Instituto de Economia da UFRJ.** Economista.

O IPEA uma fundao pblicavinculada ao Ministrio doPlanejamento e Oramento, cujasfinalidades so: auxiliar o ministro naelaborao e no acompanhamento dapoltica econmica e prover atividadesde pesquisa econmica aplicada nasreas fiscal, financeira, externa e dedesenvolvimento setorial.

PresidenteFernando Rezende

DiretoriaClaudio Monteiro ConsideraLus Fernando TironiGustavo Maia GomesMariano de Matos MacedoLuiz Antonio de Souza CordeiroMurilo Lbo

TEXTO PARA DISCUSSO tem o objetivo de divulgar resultadosde estudos desenvolvidos direta ou indiretamente pelo IPEA,bem como trabalhos considerados de relevncia para disseminaopelo Instituto, para informar profissionais especializados ecolher sugestes.

ISSN 1415-4765

SERVIO EDITORIAL

Rio de Janeiro RJAv. Presidente Antnio Carlos, 51 14 andar CEP 20020-010Telefax: (021) 220-5533E-mail: editrj@ipea.gov.br

Braslia DFSBS Q. 1 Bl. J, Ed. BNDES 10 andar CEP 70076-900Telefax: (061) 315-5314E-mail: editbsb@ipea.gov.br

IPEA, 1998 permitida a reproduo deste texto, desde que obrigatoriamente citada a fonte.Reprodues para fins comerciais so rigorosamente proibidas.

SUMRIO

RESUMO

ABSTRACT

1 - INTRODUO......................................................................................1

2 - LINHAS GERAIS DE UMA METODOLOGIA DE AVALIAO DE PROGRAMAS DE RENDA MNIMA................................................4

3 - SISTEMA DE SELEO DAS FAMLIAS TABELAS DE PONTUAO .......................................................................................8

4 - FAMLIAS SELECIONADAS x NO-SELECIONADAS NO PARANO...........................................................................................11

4.1 - As Famlias Selecionadas................................................................114.2 - As Famlias No-Selecionadas ........................................................23

5 - AVALIAO DA FOCALIZAO DO PROGRAMA ...........................25

6 - OUTROS ELEMENTOS DA METODOLOGIA DE AVALIAO.........32

7 - CONCLUSES E RECOMENDAES .............................................34

BIBLIOGRAFIA ........................................................................................37

RESUMO

O objetivo deste texto avaliar o programa de renda mnima implantado noDistrito Federal em maio de 1995 a partir da experincia do Parano. O programa avaliado em relao a trs aspectos. O primeiro consiste no exame do sistema depontuao, responsvel pela seleo das famlias beneficirias. O segundo aspectoconcerne ao resultado do processo de seleo, comparando-se as caractersticasdas famlias selecionadas e no-selecionadas no conjunto das famlias inscritas.Utilizando-se dados cadastrais, constata-se que o processo de seleo funcionou acontento e que a pontuao permitiu corrigir inadequaes que teriam ocorrido,caso a renda fosse utilizada como varivel de seleo. O terceiro aspecto refere-se comparao entre as famlias selecionadas pelo Programa e o subconjunto defamlias pobres definidas segundo os mesmos critrios na PNAD para o DistritoFederal. Verificou-se que a focalizao era excelente em face da correspondnciadas caractersticas das famlias selecionadas e as das famlias na PNAD.

ABSTRACT

This article evaluates, based on the experience in the Parano area, the minimumincome program implemented by the Federal District government since May 1995.The evaluation concerns three aspects. Firstly, an analysis of the means-testapplied, that is, the system of scores used for the selection of the families amongthose who have registered as candidates. Secondly, an exam of the results of theselection process, through the comparison of characteristics of families selectedand not-selected. Data from the program files show that the selection process wassucessful and that the use of scores prevented an inadequate selection of familiesthat would have certainly been derived from the use of income as the onlyselection variable. Thirdly, the comparison of the pool of selected poor familiesand those defined according to the same characteristics in PNAD for the FederalDistrict. The fair correspondance of characteristics of the two populationsevidences excellent targeting.

PROGRAMAS DE RENDA MNIMA LINHAS GERAIS DE UMA METODOLOGIA DE AVALIAO A PARTIR DAEXPERINCIA PIONEIRA DO PARANO, NO DISTRITO FEDERAL

1

1 - INTRODUO

Programas de complementao de renda tm sido propostos para amenizar ascondies de pobreza no Brasil a partir de trs motivaes bsicas. Em primeirolugar, considerando a sua abrangncia, a complementao de renda dos pobresdemanda, por si mesma, um montante de recursos relativamente modesto quandocomparada a outros programas que visam atender a mesma populao-alvo.Estimativas elaboradas com base no montante de recursos necessrios parapreencher o hiato da renda, isto , trazer a renda familiar per capita ao nvel dalinha de pobreza para todos os 30,4 milhes de brasileiros pobres em 1995, situar-se-iam em 1,15% do PIB daquele ano [Rocha (1997)], ou enfocando a questo deoutra forma, o equivalente a 2,15% da renda dos no-pobres. A segundamotivao consiste na pouca eficcia reconhecida dos programas de governobaseados na distribuio gratuita de alimentos (programa do leite, distribuio decestas bsicas, programa de alimentao do trabalhador), que visam atender anecessidades nutricionais, baseando-se na premissa de que so as mais essenciaisno mbito do consumo privado. Esses programas custam muito mais que o valordos bens que transferem e/ou so mal focalizados. A terceira motivao estassociada ao pressuposto de que a um dado custo o valor da complementaode renda o bem-estar do beneficiado maximizado quando ele prprio decidecomo dispor da renda adicional.

No caso do Distrito Federal, devido a suas especificidades de renda e incidnciade pobreza, h argumentos adicionais a considerar a favor da adoo de umprograma de renda mnima. A proporo de pobres relativamente baixa parapadres brasileiros 16,7% contra 20,6% para o pas como um todo, em 1995 e a intensidade da pobreza medida pelo hiato da renda prxima mdiabrasileira (respectivamente 42% e 43%). Em contrapartida, a renda mdia dasmais altas do pas.1 Como resultado dessa conjuno de fatores, estabelecer umesquema de transferncias diretas de modo a eliminar a pobreza sob o aspecto deinsuficincia de renda demandaria, em 1995, 1,2% da renda dos no-pobresresidentes no Distrito Federal.2 Cabe salientar que este valor se refere aoatendimento de todas as pessoas que se situam abaixo da linha de pobreza,independente de critrios outros que o da renda. Ademais, considerando otamanho da populao envolvida estima-se em 278 mil o nmero de pobres emsetembro de 19953 e o fato de que essencialmente urbana, a implantao deum programa de renda mnima operacionalmente vivel para enfrentar a questoda pobreza no Distrito Federal.

1 Dentre as unidades da Federao, o Distrito Federal apresentava a renda mdia mais elevada dopas em 1995.2 guisa de comparao, garantir a complementao de renda para os pobres na rea rural doNordeste demandaria um montante equivalente a 6,2% da renda dos no-pobres residentes na rearural daquela regio, o que evidencia as importantes diferenas regionais no que concerne incidncia de pobreza e ao grau de dificuldade de mobilizar recursos para remedi-la.3 Trata-se do nmero de pessoas que, com base nas informaes de rendimentos da PNAD, teriamtido em setembro de 1995 renda familiar per capita inferior a R$ 62,92 [Rocha (1997)].

PROGRAMAS DE RENDA MNIMA LINHAS GERAIS DE UMA METODOLOGIA DE AVALIAO A PARTIR DAEXPERINCIA PIONEIRA DO PARANO, NO DISTRITO FEDERAL

2

Criado pelo Decreto 16.270, de 11/1/95, o Programa Bolsa Familiar para aEducao foi uma das primeiras medidas do governo Cristvam Buarque, cabendosua gesto Secretaria de Educao do Distrito Federal. Embora procurediferenciar-se de outros programas similares institudos no pas nos ltimos doisanos, at mesmo pela denominao, trata-se na realidade de um programa de rendamnima enfocado na questo educacional das crianas beneficiadas.

Para ter direito ao benefcio, fixado em um salrio mnimo por famlia, todos osfilhos entre sete e 14 anos devem estar matriculados em escola pblica; a famliadeve residir no Distrito Federal h cinco anos consecutivos; ter renda familiar percapita at meio salrio mnimo4 e comprovar inscrio nos Programas deEmprego e Renda da Secretaria de Trabalho do Distrito Federal caso hajadesempregados ou autnomos na famlia.5

O auxlio concedido por um prazo de 12 meses, passvel de renovao por igualperodo. A importncia que se d educao das crianas comprovada pelasuspenso da bolsa sempre que houver mais de duas faltas mensais escola semjustificativa. A realizao das inscries nas prprias escolas onde os filhosestudam e a centralizao do Programa na Secretaria de Educao corroboram oenfoque educacional dado ao Programa criado no Distrito Federal.

A implementao da Bolsa Familiar para a Educao ocorreu a partir de maio de1995 na regio do Parano. Seguiram-se, Varjo e Brazlndia em setembro; SoSebastio, Recanto das Emas e Projetos Especiais6 em novembro; e Ceilndia eSamambaia em maro de 1996. Nesse perodo, o Programa cresceusubstancialmente, beneficiando 14.786 famlias, o que corresponde a 28.672alunos-bolsistas entre sete e 14 anos. Apesar da dimenso j atingida peloPrograma, o custo total das bolsas concedida

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