Programa de Iniciação Científica da UESC – PROIC/UESC ... ?· mesma época, foi criada a imprensa…

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<ul><li><p>Programa de Iniciao Cientfica da UESC PROIC/UESC 2011-2012 </p><p>Projeto de Pesquisa do Orientador </p><p>INFORMAES GERAIS DO PROJETO Orientador: Inara de Oliveira Rodrigues Ttulo do Projeto: Identidade e resistncia Estudos Culturais e Literaturas Lusfonas Financiamento: (X) sim ( ) no Agncia: FAPESB/CNPq Nmero de planos de trabalho envolvidos: 3 Dados do(s) discente(s): 1 Nome: Karine Xavier Curso: Letras BOLSISTA CNPq/UESC Plano de Trabalho: Construes identitrias, processos de resistncia - o conto contemporneo nas Literaturas Africanas de Lngua Portuguesa (2005/2011) 2 Nome: Bianca Magalhes Wolff Curso: Letras BOLSISTA UESC Plano de Trabalho: Literatura angolana: identidade e resistncia em romances contemporneos (2005-2011) 3 Nome: Ingrid Meira Mendes Curso: Letras VOLUNTRIA Plano de Trabalho: Identidade e resistncia nos romances contemporneos de So Tom e Prncipe, Guin-Bissau e Cabo Verde (2005/2011) </p><p> Resumo Por meio desta proposta de pesquisa intenta-se investigar as construes/representaes identitrias atravessadas por processos de resistncia e negociao, no mbito das literaturas africanas de lngua portuguesa. Para tanto, o projeto tem como base a crtica materialista, assentada nos Estudos Culturais e nas problematizaes da Teoria Ps-Colonial, voltando-se para as margens dos sistemas, para os elementos excludos, para as contra-hegemonias. Reafirma-se, como pressuposto, que o rumo das reflexes organizadas em torno da literatura no pura aventura de linguagem, mas consiste em um jogo de prticas histricas de dominao, dependente do locus cultural de produo/recepo do objeto literrio, por sua vez entendido como multivetorial e instvel, mas capaz de atingir o campo extraliterrio e nele operar transformaes. O corpus da proposta ser formado por fices narrativas publicadas nos PALOP (Pases Africanos de Lingua Oficial Portuguesa) a partir de 2005, entendendo-se que esse recorte temtico e temporal permite um mapeamento, na instabilidade desafiadora do presente, de parte relevante das literaturas em questo. </p><p>Palavras Chave (mximo 4): Histria/fico Identidade Literatura Lusfona Narrativa ficcional </p><p>DADOS COMPLEMENTARES DO PROJETO </p><p>Justificativa Com as alteraes das noes de nao e identidade diante das novas presses sociais advindas dos </p><p>processos de globalizao econmica, a literatura contempornea tem-se desdobrado em gneros hbridos, nos quais as fronteiras tradicionais so transgredidas. Nesse processo, os modelos clssicos so retomados e refundidos, os estilos se particularizam, recusando-se assumir os lugares estticos consagrados pelos diversos modernismos do sculo XX, mas tambm repensando as estratgias textuais associadas ao chamado ps-modernismo. </p><p>A premissa dominante do projeto , portanto, que o estudo das produes simblicas representadas nas produes recentes das literaturas portuguesa e africanas de lngua portuguesa, por meio de uma abordagem interdisciplinar em que se entrecruzam as categorias da cultura e da identidade, permite revigorar o possvel dilogo entre os de l e os de c; de identidades que se constituem no entrecruzamento do imaginrio e da realidade, do que foi e do que poderia ter sido, cuja captura a fico, enquanto discurso eminentemente simblico, pode realizar. </p><p>Se a obra literria hoje no pode ser pensada fora de um contexto mvel e instvel, os estudos que a ela se dedicam devem consider-la como evento histrico-cultural e no um universo fechado, bastante a si mesmo. Para tanto, revela-se imprescindvel articular a diferena que funda a especialidade das produes simblicas e as dependncias que as inscrevem no mundo social no cruzamento de enfoques que foram, durante muito tempo, alheios uns aos outros. Da que as relaes entre fico e histria, como objeto de interpretao, apontam para o imperativo da ultrapassagem de fronteiras do conhecimento, enquanto limitao, e abertura para possibilidades tericas entrecruzadas, capaz de capturar, no literrio, as formaes imaginrias constitutivas das identidades. </p></li><li><p>Inter-relacionam-se, assim, nesse plano de anlise, os movimentos de interao entre mundo real e mundos possveis ficcionais, assim como os inerentes procedimentos de modelizao narrativa. Por essa lgica, possvel afirmar que a literatura, enquanto fora de representao discursiva, captura, no vis imaginativo, as margens dos discursos hegemnicos, entalhados nos interstcios das instituies e nas brechas dos aparelhos de poder. </p><p>Entende-se, assim, que a relevncia desta proposta de pesquisa consiste em propiciar o aprofundamento do quadro terico mais atual no mbito das agendas crticas para o desenvolvimento de significativas abordagens da literatura e cultura dos pases africanos de lngua portuguesa. De igual modo, com o desenvolvimento desta investigao, torna-se possvel apresentar um mapeamento das produes literrias mais recentes no quadro dessas literaturas no que concerne a problematizaes relacionadas aos tpicos da identidade, sobretudo quanto aos processos de resistncia e negociao. </p><p>Deve-se ressaltar ainda que, levando-se em conta a Lei Federal n 10.639, que modificou a Lei de Diretrizes e Bases da Educao Nacional (LDB), estabelecendo a obrigatoriedade do ensino de cultura africana e afro-brasileira nas escolas pblicas e privadas brasileiras, a divulgao dos resultados a serem alcanados pela pesquisa, permite qualificar a prtica docente dos participantes do projeto que, consequentemente, ser desdobrada em trabalhos acadmicos, integrando ensino e pesquisa de forma imbricada e multidisciplinar. </p><p>Objetivo Geral </p><p>O objetivo central desta proposta de pesquisa consiste em investigar, nas malhas da tessitura ficcional das produes literrias contemporneas africanas de lngua portuguesa, a constituio de identidades entrecruzadas que se inscrevem no imaginrio discursivo como resultantes das igualdades e das diferenas sociais, culturais e polticas, enquanto processos de resistncia/negociao. </p><p>Objetivos Especficos So objetivos especficos da pesquisa: - aprofundar estudos sobre os atuais quadros tericos relacionados s categorias/conceitos-chave da pesquisa, bem como os dedicados anlise de narrativas literrias, sobretudo em relao aos gneros conto e romance; - efetivar o levantamento de narrativas literrias africanas de lngua portuguesa publicadas nos ltimos cinco anos que permitem, por sua proposio temtico-formal, problematizar o entrecruzamento entre o discurso ficcional e a temporalidade histrica em que se inscrevem, a partir da anlise das estratgias narrativas que constroem os diferentes discursos identitrios no plano da diegese; - estabelecer um dilogo crtico entre as narrativas ficcionais analisadas para a composio de um quadro atual, baseado na crtica materialista da cultura, sobre processos de construo/afirmao identitria. </p><p>Reviso de Literatura No campo terico em que se sustenta a pesquisa, se reconhece a identidade como movimento/processo </p><p>desencadeado historicamente pelas relaes sociais (HALLl, 2004) e a literatura como campo privilegiado de interpretao da cultura, especialmente, no que diz respeito s identidades da diferena. Para Bhabha (1998, p. 33), o estudo da literatura mundial poderia ser o modo pelo qual as culturas se reconhecem atravs de suas projees de alteridade. </p><p>Sobre esse ltimo aspecto, a questo da alteridade em relao formao identitria, Paul Ricoeur (1997), considerando que o indivduo est profundamente inscrito na dimenso da histria, afirma que a tomada de conscincia da sua prpria identidade se fundamenta na elaborao de narrativas sobre si-mesmo, o que implica a descoberta, por parte do indivduo, de que a sua histria faz parte da histria dos outros. Nesse processo, entretanto, a formulao narrativa se constitui em elemento fundamental. Para o filsofo francs (1997), s um ser capaz de reunir a sua vida sob forma de uma narrativa e de se reconhecer uma identidade narrativa suscetvel de aceder a essa outra identidade superior, que a identidade de uma promessa mantida. </p><p>O conceito de identidade revela-se, desse modo, evidentemente incontornvel e pe em relevo a problemtica da tica do sujeito nesse incio do terceiro milnio, que se constri, paulatinamente, no entrecruzamento de vrias vozes: a do homem falante, do homem agente e sofredor, do homem narrador e protagonista da sua prpria vida, do homem da responsabilidade tica. Para cada um desses nveis, segundo Ricoeur (1997), pode-se encontrar uma dimenso institucional que encerra implicaes polticas. </p><p>Em tempos de globalizao, e questionando-se a ideia de homogeneizao da cultura que esse processo engendra, necessrio refletir sobre tais implicaes polticas. Na tenso entre o local e o global, cada vez mais torna-se imprescindvel ao pensamento crtico discutir as formulaes discursivas que articulam essas mediaes (ABDALA JNIOR, 2002, p. 125). </p><p>Olhar essa problemtica em produes literrias dos PALOP (Pases Africanos de Lngua Oficial </p></li><li><p>Portuguesa) exige abertura terica e reflexo crtica, acreditando-se na literatura como artefato privilegiado da cultura pela sua capacidade de capturar os afetos, os conflitos e os desejos humanos. </p><p>Em Estrias africanas: histria e antologia (1985), Maria Aparecida Santilli apresenta o trajeto inaugural da Literatura Africana em Moambique, Cabo Verde e Angola, pases que conquistaram sua independncia em 1975, um ano depois da redemocratizao de Portugal com a Revoluo dos Cravos (25/04/1974), e que solidificaram mais cedo, em relao aos outros pases africanos de lngua portuguesa, o seu sistema literrio. Como resultado de um processo de luta que durou mais de uma dcada, nasceu uma literatura marginal, produzida em situaes extremas (guerras coloniais, memrias do crcere e exlio), que teve como alternativa de sobrevivncia, durante muito tempo as antologias, publicadas em revistas. </p><p>A autora classifica a literatura desses pases africanos de lngua portuguesa com base no estudo do missionrio suo Hel Chatelain que, em 1885, dedicou-se a estudar e reconhecer a literatura africana oral, tendo em vista que esses povos eram grafos. Tal diviso literria est apresentada da seguinte forma: MI-SOSO - histrias que pendem para o maravilhoso, o fantstico e o excepcional, incluindo tambm as fbulas; MAKA - histrias verdadeiras, ou conhecidas como tal, tinham finalidade de instruir ou uma aplicao ldica; MALUNDA ou MI-SENDU - nessa literatura, as conquistas das tribos ou de toda a nao eram transmitidas em forma de segredo de estado entre velhos e ancies e de uma gerao para outra; JI-SABU - so os provrbios que geralmente sintetizam uma histria, ou ainda, so a representao de uma filosofia da tribo ou de toda nao, no que se refere aos costumes e tradies. Ainda com respeito s divises, encontram-se mais duas: MI-EMBU, poesias e msicas, abrangendo do estilo pico ao dramtico; e JI-NON-GONGO, que eram as advinhas, destinadas tanto a entreter quanto a incitar a memria e inteligncia das pessoas (SANTILLI, 1985, p. 7-8). </p><p>Todas as impresses dessa frica grafa, porm rica culturalmente, ficou fadada, durante muito tempo, a ser descrita pelo olhar externo dos colonizadores portugueses. Como explicao da alfabetizao tardia em lngua portuguesa, Santilli (1985) aponta que a rota martima de Portugal na frica aconteceu no sculo XV, mas o interesse do governo lusitano sobre o ensino e aprendizagem da lngua portuguesa s se concretizou no sculo XIX, e a partir desse momento que a influncia portuguesa foi sentida consideravelmente. </p><p>Mesmo com esses percalos, segundo Manuel Ferreira (1977 apud SANTILLI, 1985) fundaram-se, desde 1858, treze associaes recreativas e culturais, dentre elas a Sociedade de Gabinete de Literatura, em 1860, e a Associao Literria Grmio Cabo-Verdiano, em 1880. Ferreira ressalta ainda que, nessa mesma poca, foi criada a imprensa de Angola, Moambique e Cabo Verde, com o aparecimento dos primeiros peridicos. Destacaram-se os jornalistas Pedro Flix Machado e o portugus Alfredo Troni, ambos escritores, que tiveram grande contribuio para a prosa de fico africana. Troni marca presena na prosa moderna angolana com a novela Nga Muturi (1882). Em Cabo Verde desponta Jos Evaristo de Almeida com a obra O escravo, de 1856 (Ibidem, p. 10). </p><p>De acordo com Santilli (1985), a grande virada do sculo XX foi marcada pelos movimentos de Negritude, que passaram a discutir os problemas africanos nos foros internacionais. A partir disso, so muitas as datas importantes: 1905 - Proclamao da liberdade absoluta entre brancos e negros; 1910 - surge a NACP (Associao Nacional para o Progresso das Pessoas de Cor; 1912 - sob o reflexo do Pan-africanismo em Portugal, nasce a Junta de Defesa dos Direitos de frica, que tem continuidade mais tarde na Liga Africana; em 1919, realiza-se, em Paris, o I Congresso do Pan-africanismo, quando acontece a Conferncia da Paz, uma oportunidade de reivindicao de decises sobre o destino da frica para os africanos (ibidem, p. 12). </p><p>Deve-se reconhecer que o Pan-africanismo, na literatura, representou a busca de identidade coletiva do africano, marcado pela disperso pelo mundo; surgem ento, obras de afirmao da personalidade negra, dentre elas Batoula (1921), de Ren Maron. Mas, mesmo com o surgimento de condies para a criao de uma literatura moderna, os resultados no foram muito alm de publicaes esparsas em jornais e revistas (SANTILLI, 1985, p. 12). </p><p>Por isso ganha destaque, na histria literria de Angola, a obra O segredo da morta (1929), de Assis Junior, romance de costumes angolanos, que se tornou representativo na caminhada dessa literatura para a consolidao de uma identidade nacional. Outro escritor que marcou o cenrio da literatura angolana foi Fernando de Castro Soromenho, com os romances Noites de angstia, Homens sem caminho, Terra Morta, Viragem, A chaga, publicados ao longo dos anos de 1930-1940. Para Maria Aparecida Santilli (1985), contudo, na obra de Soromenho, encontra-se uma frica inocente que vai se tornando a representao das experincias de cativeiro como um inferno na existncia do homem negro. </p><p>Somente a partir de 1940, ainda de acordo com Estrias Africanas.., (1985), os escritores angolanos, que ainda divulgam seus trabalhos principalmente em revistas, como Mensagem e Cultura (1957-1961), passam a refletir sobre as ideias de Negritude, transpostas nas vozes de Senghor e Csaire, dos escritores negros americanos Richard Wright, Countee Cullen e Langston Hughes, do cubano Nicolas Guilln, que ganham espao e fazem eco entre os escritores da frica de lngua portuguesa, incluindo nomes como o angolano Mrio de </p></li><li><p>Andrade e do so-tomense Francisco Jos Tenreiro. A represso do governo ditatorial do primeiro ministro portugus Antonio de Oliveira Salazar teve seu pice </p><p>na dcada de 1960, e passam a fazer parte dessa gerao de escritores contestadores do regime nomes como Ernesto Lara Filho, Henrique Guerra (Andiki), Artur Maurcio Pestana dos Santos (Pepetela), Jofre Rocha, Jorge Macedo, Arnaldo Santos, Manuel dos Santos Lima, Agostinho Mendes de Carvalho (Uanhenga Xitu), Manuel P...</p></li></ul>