processo civil - intensivo

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Intensivo I Processo Civil: Professor Fredie Diddier www.frediediddier.com.br

Aula 01:

Referncias bibliogrficas indicadas para o curso: 1 Curso de Processo Civil Guilherme Marinoni: Editora RT So cinco volumes. Caractersticas: um curso aprofundado. Para quem tem dificuldade com o processo no indicado. Indicado para Juiz Federal e Procurador da Repblica. No intensivo I sero vistos os dois primeiros volumes. O volume dois indicado para qualquer concurso. O volume I indicado apenas para procurador da repblica e juiz federal. 2 Lies de Processo Civil Alexandre Cmara Editora Lumen Juris: So trs volumes. Neste intensivo ser analisado o primeiro volume. Caracteriza-se por ser um curso mais simples, mais bsico. 3 Curso sistematizado Cssio Scarpinella Editora Saraiva: Indicado para concursos. 4 Curso de Direito Processual Civil Fredie Diddier Editora Jus Podivm - So cinco volumes Indicado para qualquer concurso. Neste intensivo sero analisados os dois primeiros volumes do curso. 5 Manual de Processo Civil Daniel Assuno Mtodo um volume s. Leitura indicada Teoria dos princpios Humberto vila Editora Malheiros.

INTRODUO AO DIREITO PROCESSUAL CIVIL:

Conceito de processo: A palavra processo pode ser compreendida em trs sentidos: 1 acepo: Processo na teoria da norma jurdica: Na teoria da norma jurdica, processo o modo de produo de uma norma jurdica. Toda norma jurdica resultado de um processo que lhe antecede. A norma jurdica no nasce do nada, pois ela resultado de um processo anterior. Exemplo: Para uma lei surgir preciso que haja um processo. A lei o ato final de um processo legislativo; Processo administrativo: Uma norma administrativa produto de um processo administrativo; Processo jurisdicional: A sentena1

uma norma. Para que se produza essa norma/sentena, preciso que haja um processo que lhe anteceda. A grande dificuldade que utilizamos a expresso processo apenas no caso jurisdicional, esquecendo do processo administrativo e do processo na teoria da norma jurdica. Observao importante: Atualmente, fala-se no chamado processo privado, ou seja, um modo de produo de normas pelo exerccio da autonomia da vontade. Exemplo: O condomnio quer punir o condmino. Neste caso, ter que ser respeitado o processo privado para que se possa punir o condmino. No campo das obrigaes (Direito Civil) h tambm entendimento que a obrigao tambm um processo (Um faz a proposta e o outro aceita, a parte executa, a outra parte paga).

2 acepo: Processo visto na perspectiva dos fatos jurdicos: Nesta segunda acepo, processo uma espcie de ato jurdico complexo, ou seja, processo um conjunto de atos organizados entre si para a produo de um ato final. O processo visto como uma corrente, sendo que cada elo da corrente um ato. Assim, os atos processuais se ligam entre si para que se chegue a um provimento final. Cada ato do processo tem sua vida prpria. Quando eles se juntam e se organizam, o conjunto destes atos gera um ato, que um ato complexo. Em um comparativo, cada peixe tem sua existncia, mas vrios peixes formam um cardume. Assim, UM processo o conjunto de atos jurdicos organizados entre si para produo de um ato final. E este processo tambm um ato. um ato complexo. Nesta acepo, processo = procedimento.

3 acepo: Processo como relao jurdica: Estes diversos atos jurdicos que se organizam e que formam um processo geram vrias relaes jurdicas entre os sujeitos do processo. Exemplo: Autor e juiz; juiz e ru; testemunha e juiz; advogado e juiz, escrivo e advogado, perito e autor etc. So vrios os sujeitos do processo que passam a se relacionar juridicamente em relao dos atos processuais. Estas relaes so relaes jurdicas processuais. Processo jurdico o feixe dessas relaes jurdicas (formadas pelos sujeitos processuais). Processo o nome que se d totalidade dessas relaes jurdicas.2

Assim, processo um conjunto de atos e tambm um feixe de relaes jurdicas. Por isso nos livros aparece a seguinte expresso: processo procedimento + relao jurdica.

Conceito de processoModo de criao de normas Conjunto organizado de atos. Feixe das relaes jurdicas que se organizam para a produo de um ato final.

OS TRS VETORES METODOLGICOS PARA COMPREENDER O DIREITO PROCESSUAL: Para compreender o direito processual civil, deve-se partir da anlise sob o mbito de trs perspectivas. O exame do direito processual deve ser sempre o resultado de uma abordagem em trs dimenses. Este o modo atual de compreenso do direito processual.

PRIMEIRO VETOR: Relao entre processo e direito material. Deve-se saber que todo o processo serve para a soluo de um problema. O processo existe para isso, ou seja, para resolver um caso concreto. Todo processo tem um problema que deve ser resolvido, do mais simples ao mais complexo. Lembrar da frase: No existe processo oco. Todo processo tem um problema que deve ser solucionado. E este problema que ir indicar como o processo ir se organizar. O problema que levado a judicirio define como o processo vai se organizar. Assim como no caso de uma determinada pessoa que acometida por uma doena. Ao chegar ao hospital, a pessoa ir ser atendida pelo mdico especialista no caso. Assim tambm no judicirio. Ao ajuizar uma ao de despejo, o processo seguir o rito do despejo, sendo julgado por um juiz de uma vara cvel. O problema levado ao judicirio o direito material afirmado pela parte, e este direito material afirmado que vai definir como o processo se organiza. O direito material afirmado em juzo d sentido ao processo, pois este se estrutura para resolv-lo.3

Alm disso, somente pode-se estudar o processo partindo-se da considerao do direito material discutido. Todos os institutos processuais so estruturados para a soluo do problema posto em questo. Exemplo: Estudo de interveno de terceiros: Os alunos pretendem estudar a interveno de terceiros abstratamente, mas no h como, uma vez que somente pode ser estudado sabendo-se do direito material discutido para saber qual tipo de interveno. Isso no significa que o processo est em uma posio inferior ao direito material, pois o processo que concretiza o direito material; o direito material precisa do processo para ser concretizado. A relao entre direito material e processo semelhante do arquiteto e engenheiro: o arquiteto imagina, desenha. O engenheiro concretiza. De igual modo, o direito material imagina, diz como as coisas devem ser. E o processo concretiza isso. O direto processual regula como produzir aquilo que o direito material determina. Essa relao entre processo e direito material (de complementariedade) aquilo que se chama de instrumentalidade do processo. A instrumentalidade do processo nada mais do que compreender o processo a partir do direito material. Dito de outra forma a maneira de compreender o processo a partir do direito material.

Pergunta da prova do MP. Explique a relao circular entre o processo e o direito material. Direito material

Direito processual

A explicao exatamente a dada acima. O processo serve ao direito material ao tempo em que servido por ele. Um serve ao outro.

SEGUNDO VETOR: Relao entre processo e teoria do Direito: A teoria do Direito passou por profundas modificaes nos ltimos 50 anos. No se pode achar que o processo vai ser entendido ignorando as noes da teoria do direito. O direito processual no uma ilha.4

Atualmente, a abordagem deve ser realizada a partir da cincia da teoria do direito. Vale dizer que a teoria do direito sofreu nos ltimos anos profundas modificaes. E estas mudanas impactaram o processo. Diante disso, precisamos estudar o que estas mudanas acarretaram no processo. Seis mudanas relevantes havidas na teoria do direito que impactaram no processo, conforme diviso no quadro abaixo:

MUDANAS HAVIDAS NA TEORIA DAS FONTES DO DIREITO: 1 mudana: Reconhecimento da eficcia normativa dos princpios: Atualmente indiscutvel no Brasil que o princpio uma espcie de norma jurdica. Isso significa dizer que possvel pedir com base em um princpio, ou decidir com base em um princpio etc. O princpio deixa de ser uma tcnica para integrar lacuna apenas, e passa a ser uma norma. Antes disso, os princpios eram entendidos como apenas uma tcnica para preencher lacunas. Cite-se o art. 126 do Cdigo de Processo Civil. Hoje no se pode conceber que o princpio sirva para preencher lacunas, pois se h princpio no h lacuna. Princpio diferente de regra: Para ser princpio, deve ser uma determinao que preveja um estado de coisas Exemplo: princpio da igualdade. Segundo o entendimento do professor, a motivao das decises judiciais no um princpio, mas sim uma regra clara. De igual forma, a proibio de provas ilcitas no princpio, mas sim uma regra. Tambm no se pode permitir que o princpio seja somente aquele previsto na Constituio. Existe princpio previsto em norma infraconstitucional: Exemplo: princpio da menor onerosidade da execuo, que est previsto no art. 620 do CPC, um princpio legal e no um princpio constitucional. Outro erro muito comum achar que os princpios so implcitos. Deve-se lembrar de que h princpios implcitos e princpios explcitos. Em suma, nem toda norma constitucional um princpio e nem todo princpio uma norma constitucional. De igual modo, no se pode achar que sempre o princpio se sobressair em relao regra. Todos os argumentos acima se tratam de uma revoluo terica.

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2 mudana: O reconhecimento da eficcia normativa da jurisprudncia: A jurisprudncia encarada como uma fonte do direito, ao lado da lei, e no como uma fonte auxiliar. preciso reconhecer a fora normativa da jurisprudncia. Cite-se como exemplo a smula vinculante. Portanto, as decises judiciais geram norma jurdica. O projeto do novo CPP vem com um captulo chamado Da eficcia da jurisprudncia. O processo civil passa a ser encarado como um processo para produzir normas individuais, mas tambm para produzir jurisprudncia.

3 mudana: O de