Processo Civil Aula 01

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Direito Processo Civil Teoria e Exerccios para TRF 5 Regio AJAJ e AJEM. Prof(a). Elisa Pinheiro Aula 01

AULA 01: Princpios do Direito Processual Civil. Partes e procuradores: capacidade processual e postulatria; deveres e substituio das partes e procuradores. Litisconsrcio. Interveno de terceiros.

SUMRIO 1. Saudaes. 2. Princpios do Direito Processual Civil 3. Partes e procuradores: capacidade processual e postulatria; deveres e substituio das partes e procuradores 4. Litisconsrcio e assistncia. 5. Interveno de terceiros 6. Questes sem Comentrios 7. Questes com Comentrios 1. Saudaes.

PGINA 01 a 02 03 a 14 15 a 26

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Ol meus amigos, como passaram a semana? Espero que bem e que tenham conseguido aproveitar estes ltimos dias para estudar bastante, porque pode parecer que temos muito tempo, mas se formos parar para contar, temos menos de 03 meses para que chegue o dia de aplicao da prova (23.09.12), por isto no percam tempo. Agora o momento da objetividade, de foco. Sei que o cansao por muitas vezes toma conta do

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Direito Processo Civil Teoria e Exerccios para TRF 5 Regio AJAJ e AJEM. Prof(a). Elisa Pinheiro Aula 01 nosso corpo e por que no dizer da nossa mente, no mesmo? Mas a recompensa chegar ao final. Bom, como vocs percebero, no decorrer de nossas aulas, seja na parte terica, seja nos exerccios, estarei citando e transcrevendo os dispositivos legais pertinentes ao contedo. No deixem, mas no deixem mesmo, de sempre estar relendo tais normas, pois como eu disse na aula anterior: a FCC tem a tradio de cobrar letra da lei. Por muitas vezes, vocs percebero que muitas questes se limitam literalidade de um artigo, inciso, pargrafo... Enfim, se for possvel, tenham em mos um vademecum ou salvem em seu computador o CPC e sempre grifem as palavras chaves de cada artigo, aquelas expresses como: e, ou, pode, deve, porque so estas palavrinhas que por muitas das vezes podero lhe proporcionar ou no o acerto em uma determinada questo. Para quem desejar baixar o CPC para o computador, basta acessar o site do Planalto e podero usufrui do texto devidamente atualizado. Segue o link que contm o CPC no site do Planalto: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l5869compilada.htm Ainda, ao ler os enunciados das questes, fiquem atentos com as palavras correto, incorreto, errado, certo. Enfim, minha gente, o importante ter ateno! No mais, vamos seguindo em frente porque hoje temos muito contedo para estudar. Avencemos!

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Direito Processo Civil Teoria e Exerccios para TRF 5 Regio AJAJ e AJEM. Prof(a). Elisa Pinheiro Aula 01 2. Princpios do Direito Processual Civil.

2.1. Aspectos Introdutrios. Bem, inicialmente cumpre esclarecer que os princpios so mandamentos de otimizao, normas que ordenam que algo seja cumprido na maior medida possvel, dentro das possibilidades jurdicas e fticas de cada caso concreto (Curso Didtico de Direito Processual Civil, 13 Ed., Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2010, p. 74). Desta forma, os princpios servem como premissas, diretrizes gerais que orientam as cincias. At por uma questo didtica, vamos subdividir aqui os princpios em duas categorias: a) Princpios constitucionais; e b) Princpios infraconstitucionais. 2.2. Princpios gerais do processo civil na Constituio Federal. Bem, vivemos atualmente uma constante mutao no estudo do Direito Constitucional e tais modificaes repercutem de forma drstica no Direito Processual (aqui englobando o Processual Civil, como o Processual do Trabalho, Processual Penal, etc.) e como bem explica Elpdio Donizetti: (...) a Constituio tem fora normativa e que, portanto, os direito e garantias fundamentais tm aplicao imediata. Nesse contexto, o processo volta a ser estudado sob uma tica constitucionalista, devendose adequar tutela efetiva dos direito fundamentais e, alm disso, ele prprio deve ser estruturado de acordo com os direitos fundamentais (Curso Didtico de Direito Processual Civil, 13 Ed., Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2010, p. 74).

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Direito Processo Civil Teoria e Exerccios para TRF 5 Regio AJAJ e AJEM. Prof(a). Elisa Pinheiro Aula 01 Seguindo esta linha constitucional, so princpios aplicveis ao Direito Processual Civil que se encontram previsto na Constituio da Repblica Federativa do Brasil de 1988 (CRFB/88): a) Principio do devido processo legal; b) Princpio do acesso justia; c) Princpio do contraditrio; d) Princpio da durao razovel do processo; e) Princpio da isonomia; f) Principio da imparcialidade do juiz ou princpio do juiz natural; g) Princpio do duplo grau de jurisdio; h) Princpio da publicidade dos atos processuais; e i) Princpio da motivao das decises judiciais. 2.2.1. Principio do devido processo legal. O princpio do devido processo legal, tambm chamado de princpio da legalidade, encontra-se agasalhado no art. 5, inciso LIV da CF que aduz: "ningum ser privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal". Desta forma, o princpio do devido processo legal ou princpio da legalidade, constitui postulado fundamental do processo e dele se originam e convergem todos os demais princpios e garantias fundamentais processuais. Tal princpio est associado (...) ideia democrtica que deve prevalecer na ordem processual (Cndido Rangel Dinamarco, Instituies de direito processual civil, Editora Malheiros, 2002, p.245), (grifei). Desta forma, deve o Estado respeitar as garantias que permeiam o Estado de Direito, respeitando assim a lei de forma que assegure a cada uma das partes o que lhe conferido por lei.

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Direito Processo Civil Teoria e Exerccios para TRF 5 Regio AJAJ e AJEM. Prof(a). Elisa Pinheiro Aula 01 Ainda, o devido processo legal apresenta duas dimenses: a) Material ou Substancial e b) Formal. O devido processo legal formal nada mais do que o direito de processar e ser processado em conformidade com as normas pr-existentes. E de acordo com a concepo substancial, o devido processo legal substancial consiste na exigncia e garantia de que as normas sejam razoveis, proporcionais e adequadas, no afrontando o regime democrtico de direito. 2.2.2. Princpio do acesso justia. O princpio do acesso justia ou princpio da inafastabilidade da jurisdio encontra-se respaldado no art. 5, inciso XXXV da CF que aduz: a lei no excluir da apreciao do Poder Judicirio leso ou ameaa a direito". O que percebemos ento da leitura do texto constitucional acima que o princpio da inafastabilidade da jurisdio remete garantia de ingresso em juzo e como consequncia, a anlise pelo Poder Judicirio da pretenso formulada. De acordo com este princpio, quando o rgo jurisdicional for provocado, no poder se recursar a exercer a funo de dirimir os conflitos a ele apresentado e to pouco delegar to atribuio.

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Direito Processo Civil Teoria e Exerccios para TRF 5 Regio AJAJ e AJEM. Prof(a). Elisa Pinheiro Aula 01 At nos casos em que no exista norma quando de geral esta e abstrata for o sobre o direito material em discusso ou obscura, seu Estado-Juzo no poder se abster cumprir papel jurisdicional. Enfim, o princpio da inafastabilidade do controle jurisdicional manda que as pretenses sejam aceitas em juzo, sejam processadas e julgadas, que a tutela seja oferecida por ato do juiz quele que tiver direito a ela e, sobretudo, que ela seja efetiva como resultado prtico do processo (Cndido Rangel Dinamarco, Instituies de direito processual civil, Editora Malheiros, 2002, p.199). 2.2.3. Princpio do contraditrio. O princpio do contraditrio, como corolrio do devido processo legal vem informado no art. 5, inciso LV que estabelece: aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral so assegurados o contraditrio e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes". Desta forma, do contraditrio extramos duas obrigatoriedades: a) A de dar cincia ao ru da existncia do processo e aos litigantes de tomar cincia de tudo o que se passar no decorrer dele e b) O de permitir que as partes se manifestem nos autos, apresentando assim suas razes, se opondo pretenso do adversrio. Todavia, o princpio do contraditrio no absoluto, comportando algumas excees:

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Direito Processo Civil Teoria e Exerccios para TRF 5 Regio AJAJ e AJEM. Prof(a). Elisa Pinheiro Aula 01 a) O juiz poder conhecer de ofcio e levar em considerao quando do julgamento de uma causa, as circunstncias fticas no alegadas pelas partes, conforme entendimento dos artigos 131 e 462 do CPC e b) O juiz poder conhecer de ofcio das questes de ordem pblica, conforme entendimento do art. 267, 3 do CPC. 2.2.4. Princpio da durao razovel do processo. O princpio da durao razovel do processo ou princpio da celeridade foi introduzido na CRFB/88 atravs da Emenda Constitucional n 45/2004, que acrescentou ao art. 5 o inc. LXXVIII que aduz: "a todos, no mbito judicial e administrativo, so assegurados a razovel durao do processo e os meios que garantem a celeridade de sua tramitao". Desta forma, conforme estabelece Elpdio Donizetti processo devido o processo tempestivo, capaz de oferecer, a tempo e modo, a tutela jurisdicional (Curso Didtico de Direito Processual Civil, 13 Ed., Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2010, p. 88). Desta forma, seguindo os preceitos contidos no princpio da durao razovel do processo, deve-se buscar os melhores resultados possveis, com a maior economia de esforos, despesas e tempo possvel. 2.2.5. Princpio da isonomia. O princpio da isonomia ou igualdade vem Consagrado entre os ideais da revoluo francesa e encontra-se estabelecido no caput do art. 5 que aduz que todos so iguais perante a lei, sem distino de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no

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Direito Processo Civil Teoria e Exerccios para TRF 5 Regio AJAJ e AJEM. Prof(a). Elisa Pinheiro Aula 01 Pas a inviolabilidade do direito vida, liberdade, igualdade, segurana e propriedade, nos termos seguintes:. Tambm encontramos tal princpio consagrado no art. 125, inciso I do CPC: Art. 125. O juiz dirigir o processo conforme as disposies deste Cdigo, competindo-lhe: I - assegurar s partes igualdade de tratamento. Entendam: o princpio da igualdade est relacionado ideia de processo justo e isto somente acontecer quando for dispensado s partes e procuradores tratamento idntico, para que assim, possam ter iguais oportunidades de fazer valer seus ideais perante o Juzo. Agora, devemos entender a expresso isonomia no a par da literalidade do texto da lei, isto porque com o decorrer do tempo constatou-se que, a pretexto de dar tratamento igualitrio a todos, a isonomia formal perpetuava diferenas e eternizava privilgios, uma vez que as pessoas no so iguais, at mesmo porque h homens e mulheres, h os mais fortes e os mais fracos, os economicamente mais poderosos e os menos e caso tais diferenciais no sejam levados em considerao, a lei, mesmo que seja formalmente justa, acabar por criar reais injustias. E a partir desta situao surgiu a isonomia (igualdade) real, que aquela em que o legislador, quando da criao das normas e o magistrado quando da aplicao destas, deve levar em conta todas as peculiaridades de cada sujeito.

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Direito Processo Civil Teoria e Exerccios para TRF 5 Regio AJAJ e AJEM. Prof(a). Elisa Pinheiro Aula 01 A igualdade objeto de garantia constitucional, portanto, a igualdade substancial, material, e no a meramente formal. Assegurar a igualdade, j dizia Rui Barbosa, tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais, na medida da desigualdade deles (Elpdio Donizetti, Curso Didtico de Direito Processual Civil, 13 Ed., Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2010, p. 88). 2.2.6. Principio da imparcialidade do juiz natural. O princpio da imparcialidade do juiz natural encontra agasalho

constitucional no art. 5, incisos XXXVII e LIII da CF, que aduzem: XXXVII - no haver juzo ou tribunal de exceo. LIII - ningum ser processado nem sentenciado seno pela autoridade competente. Neste caso em especfico, o constituinte teve a preocupao em limitar o arbtrio do poder estatal e tambm em assegurar a imparcialidade do juiz. Desta forma, para que o exerccio da jurisdio possa ser considerado legtimo, extremamente necessrio que os agentes (juiz, promotor, escrivo, etc.) que atuem em nome do Estado, o faam com total imparcialidade, sem que possuam qualquer tipo de interesse prprio na causa discutida em Juzo. Ademais, a imparcialidade do Juzo pressuposto de validade da relao jurdico processual (tema que estudaremos posteriormente). J juiz natural aquele em que sua competncia vem prevista nas regras existentes no ordenamento jurdico e que no pode (salvo algumas

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Direito Processo Civil Teoria e Exerccios para TRF 5 Regio AJAJ e AJEM. Prof(a). Elisa Pinheiro Aula 01 excees e que tambm sero estudadas mais para frente) ser modificada posteriormente. 2.2.7. Princpio do duplo grau de jurisdio. O princpio do duplo grau de jurisdio a possibilidade que as partes possuem de submeterem suas demandas que j foram apreciadas e decididas pelo juzo originrio a novo julgamento por rgo hierarquicamente superior. De acordo com Dinamarco, vrias so as razes que do ensejo ao cabimento do duplo grau de jurisdio e entre ele podemos citar: a) Convenincia de se uniformizar a jurisprudncia nacional, evitando decises dspares sobre uma mesma matria, o que seria praticamente impossvel se cada juzo de primeiro grau decidisse em carter de definitividade; b) Necessidade de se controlar as atividades dos juzes inferiores, legitimando a atuao do Judicirio; e c) A convenincia psicolgica de se assegurar ao perdedor mais uma chance de xito. Contundo, e prestem muita ateno, porque isto cai e muito em provas (tanto de Direito Processual Civil quanto de Direito Constitucional), a CF mitiga a incidncia do duplo grau de jurisdio, ou seja, as situaes legais que no admitem que uma deciso judicial seja revista no podem ser consideradas inconstitucionais. Desta forma, inmeros so os exemplos em que no h o duplo grau de jurisdio e que nem por isto padecem do vcio da inconstitucionalidade, como o caso das causas de competncia originria do Supremo Tribunal Federal (STF) ou nas situaes previstas no art. 519 do CPC que prev a

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Direito Processo Civil Teoria e Exerccios para TRF 5 Regio AJAJ e AJEM. Prof(a). Elisa Pinheiro Aula 01 irrecorribilidade da deciso que releva pena de desero caso seja provado o justo impedimen...