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Pedidos implicitos

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Como se sabe, pelas concluses com que o recorrente remata a sua alegao (a indicando, de forma sintctica, os fundamentos por que pede a alterao ou anulao da deciso recorrida: art. 690, n 1, do C.P.C.) que se determina o mbito de interveno do tribunal ad quem(1)(2). Efectivamente, muito embora, na falta de especificao logo no requerimento de interposio, o recurso abranja tudo o que na parte dispositiva da sentena for desfavorvel ao recorrente (art. 684, n 2, do C.P.C.), esse objecto, assim delimitado, pode vir a ser restringido (expressa ou tacitamente) nas concluses da alegao (n 3 do mesmo art. 684) (3) (4). Por isso, todas as questes de mrito que tenham sido objecto de julgamento na sentena recorrida e que no sejam abordadas nas concluses da alegao do recorrente, mostrando-se objectiva e materialmente excludas dessas concluses, tm de se considerar decididas e arrumadas, no podendo delas conhecer o tribunal de recurso. No caso sub judice, emerge das concluses da alegao de recurso apresentada pelo Agravante que o objecto do presente recurso est circunscrito s questes de saber:

H litisconsrcio necessrio, sempre que a lei ou o negcio jurdico exijam a interveno de todos os interessados, seja para o exerccio do direito, seja para reclamao do dever correlativo (5). Alm dos casos em que seja directamente imposto por lei ou por negcio jurdico, o litisconsrcio torna-se ainda necessrio, sempre que, pela natureza da relao material controvertida, a interveno de todos os interessados seja essencial para que a deciso produza o seu efeito til normal (6). O efeito til normal da deciso, quando transitada em julgado, consiste na ordenao definitiva da situao concreta debatida entre as partes(7).A pedra de toque do litisconsrcio necessrio () a impossibilidade de, tido em conta o pedido formulado, compor definitivamente o litgio, declarando o direito ou realizando-o, ou ainda, nas aces de simples apreciao de facto, apreciando a existncia deste, sem a presena de todos os interessados, por o interesse em causa no comportar uma definio ou realizao parcelar(8) . No se trata de impor o litisconsrcio para evitar decises contraditrias nos seus fundamentos, mas de evitar sentenas ou outras providncias inteis por, por um lado, no vincularem os terceiros interessados e, por outro, no poderem produzir o seu efeito tpico em face apenas das partes processuais9.Entre os exemplos paradigmticos, recolhidos da jurisprudncia, de litisconsrcio natural (por contraposio ao litisconsrcio legal [o que imposto por lei: art. 28, n 1, do CPC] e ao litisconsrcio convencional [o que imposto pela estipulao das partes de um negcio jurdico: cit. art. 28, n 1, do CPC], figuram, precisamente, a anulao do contrato-promessa de compra e venda, que deve ser requerida por todos os promitentes compradores (Ac. do S.T.J. de 18/2/1988 in BMJ n 374, p. 410) e a aco na qual se pede a declarao de nulidade de um contrato de compra e venda, em que necessrio demandar todos os intervenientes nesse negcio (Ac. da Rel. de Coimbra de 17/4/1990, sumariado in BMJ n 396, p. 447).

A legitimidade traduz-se no interesse directo da parte em demandar ou contradizer, e resulta concretamente para o autor, da utilidade derivada da procedncia da aco (ns. 1 e 2 do artigo 26 do C.P.C.).

Mas o interesse, que assenta, em princpio na titularidade da relao material controvertida, (n. 3 do citado artigo) pode dizer respeito a vrias pessoas. Se respeitar a uma pluralidade de partes principais que se unam no mesmo processo para discutirem uma s relao jurdica material, configura um litisconsrcio (Adelino da Palma Carlos,

certo que a recorrente cita os artigos 1405 n. 1, 1407 e 985 do C.Civil.Mas o facto de o primeiro mencionar que os comproprietrios exercem em conjunto todos os direitos que pertencem ao proprietrio singular no tem o sentido da necessidade do consentimento de todos para o exerccio de quaisquer poderes relativamente coisa, mas sim o de que, actuando todos em conjunto nenhuma razo h para se recusar ao conjunto, os poderes prprios do proprietrio singular (A. Varela, Cd. Civ. Anot. III, 1984, p. 351 e 352). Com isto no se impede que em certas circunstncias cada titular possa actuar autonomamente; ou que noutras, o exerccio do direito esteja sujeito deliberao da maioria, como referem os 1407 e 985 quanto administrao da coisa; e noutras, ainda, se torne indispensvel a interveno de todos (ibid.).Mas estas situaes de interveno colectiva no se v que estejam legalmente impostas para o exerccio do direito de indemnizao por danos.Resta considerar a terceira hiptese em que o artigo 28 exige o litisconsrcio necessrio, ou seja, quando pela prpria natureza da relao jurdica a interveno de todos os interessados seja necessria para que a deciso a obter produza o seu efeito til normal; e a deciso produz esse efeito, continua o citado artigo, sempre que, no vinculando embora os restantes interessados, possa regular definitivamente a situao concreta das partes relativamente ao pedido formulado.

Esclarece o Professor Anselmo de Castro nas lies indicadas, que esta concepo de "efeito til normal", condizente com um entendimento mais restrito dos dois que se debatiam, e introduzida pela reforma de 1961, a consagrao explcita da doutrina de Manuel de Andrade, e tem o sentido de que s haver litisconsrcio necessrio quando a deciso que vier a ser proferida no possa persistir inalterada quando no vincule todos os interessados. Acrescenta: "o que se pretende que no sejam proferidas decises que praticamente venham a ser inutilizadas por outras proferidas em face dos restantes interessados, por virtude de a relao jurdica ser de tal ordem que no possam regular-se inatacavelmente as posies de alguns sem se regularem as dos outros. Por maior, portanto, que possa eventualmente, vir a ser a contrariedade lgica entre as decises, desde que sejam susceptveis de aplicao sem inconciliabilidade prtica, a deciso produz o seu efeito til normal e o litisconsrcio no se impe pela naturaza da relao jurdica".Tambm o Professor Antunes Varela, designadamente na R.L.J 117, p. 380 e segs., num esforo de clarificao digno de realce, fixa os contornos do litisconsrcio voluntrio e do necessrio incluindo neste as relaes indivisveis por natureza, que tm de ser resolvidas de modo unitrio para todos os interessados, sem a presena dos quais, a deciso no conduziria a nenhum efeito til, como nas aces constitutivas em que a falta de alguns deles poria em causa a globalidade da prpria relao jurdica; e bem assim aquelas em que s a interveno de todos produzir, no apenas algum efeito til, mas ainda o considerado normal, definindo a situao concreta entre as partes, de tal modo que no possa vir a ser inutilizada por outros interessados a quem a deciso no seja oponvel, como em casos de limitao de indemnizao por responsabilidade objectiva.Trata-se de critrios, antes de tudo, prtico mas no menos admissveis, visto o direito se destinar a regulamentar a vida real e no dever ser dela divorciado.

Com tudo isto, encontra-se acautelado o caso julgado na sua eficcia relativa no atinente s partes, porque fica definitivamente definida a sua situao concreta, sem prejuzo de se poderem vir a obter decises teoricamente divergentes no que respeita a outros interessados, o que a lei aceitou face s razes acima apontadas, tanto que instituiu como regra o litisconsrcio voluntrio.Em resumo, desde que fique salvaguardado o efeito til normal da deciso, isto , que seja regulada em definitivo a situao concreta entre as partes, sem que ela venha a ser subvertida ou a sofrer perturbao intolervel na hiptese de outra deciso vir a ser eventualmente proferida relativamente aos demais sujeitos da relao, a aco pode ser proposta s por algum ou alguns dos interessados.Ora, a sentena que nestes autos se pronunciar sobre a responsabilidade por danos, uma vez transitada, fixa em definitivo a situao concreta das partes, e no ser necessariamente alterada na hiptese de outra deciso vir a ser oportunamente proferida relativamente aos demais comproprietrios.Trata-se pois de litisconsrcio voluntrio, sendo os autores partes legtimas, embora s se deva conhecer do direito deles na medida da sua quota-parte na compropriedade no prdio urbano.

XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX

O autor comproprietrio da nua propriedade de 1/7 do mesmo prdio, pertencendo os restantes 5/7 da raiz aos irmos do demandante e do 1. ru, e o usufruto vitalcio a seu pai, sendo o adquirente, por seu lado, totalmente alheio comunho. No obstante a sua posio de comproprietrio, e de titular do direito de preferncia na venda da quota do 1. ru, luz do artigo 1409. do Cdigo Civil, o alienante no lhe deu qualquer conhecimento, e bem assim aos demais comproprietrios, dos termos essenciais do negcio, e o autor s teve conhecimento destes nos ltimos dias de Janeiro de 2001. Pede, nos termos do artigo 1410, n. 1, lhe seja reconhecido o direito de haver para si a quota alienada, nas mesmas condies da venda, substituindo-se ao 2. ru na posio de adquirente, uma vez depositados no prazo legal os valores do preo, da sisa e da escritura, com o cancelamento dos registos efectuados na base da alienao. 2. Regularmente citados os rus no contestaram, e foi proferido despacho considerando confessados os factos articulados pelo autor, conforme o n. 1 do artigo 484. do Cdigo de Processo Civil. Em cumprimento no disposto no n. 2 do citado artigo, o 2. ru apresentou alegao excepcionando, por um lado, a ilegitimidade plural do autor por agir desacompanhado dos demais comproprietrios sem provar a renncia destes; por outro lado, a caducidade da aco de preferncia pelo facto de o depsito do preo ter sido efectuado fora do prazo legal. A sentena, proferida nos termos do mesmo normativo, em 16 de Julho de 2002, julgou improcedente a ilegitimidade, considerando que a titularidade da relao jurdica controvertid