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PROCESSO CIVIL AULA 01 22/02/2011 www.menna@mdpadvogados.adv.br

I. Jurisdio

1. Conceito atividade do Estado, cujo objetivo a soluo de conflitos ou a administrao de interesses.

2. Princpios.

a. Princpio da inrcia este princpio estabelece que o Estado s exercer a atividade jurisdicional se for devidamente provocado. Esta provocao ocorre atravs de uma ao judicial (artigo 02 do CPC[footnoteRef:2]). Todavia, o juiz poder, excepcionalmente, determinar de ofcio (sem requerimento das partes) a abertura de um inventrio. [2: Art.2oNenhum juiz prestar a tutela jurisdicional seno quando a parte ou o interessado a requerer, nos casos e forma legais.]

b. Princpio do acesso justia este princpio estabelece que todas as pessoas fsicas ou jurdicas tem amplo acesso ao poder judicirio.

3. Classificao a jurisdio pode ser contenciosa e voluntria.

a. Contenciosa caracteriza-se pela existncia de um conflito. Nesse caso, o Estado atua na soluo dos litgios (Exemplos: ao de indenizao) a si apresentado pelas partes. Portanto, tem como fato gerador a pr-existncia de uma lide. Nesta modalidade de jurisdio, os componentes da relao jurdica so denominados partes. Nesse caso, a atividade jurisdicional chamada de substitutiva, isso porque a vontade do Estado substitui a vontade das partes. A sentena proferida no processo em sede de jurisdio contenciosa poder ser de qualquer modalidade. Nesse caso, aps a resoluo do litgio por manifestao judicial de cunho decisrio, essa deciso apta a formalizar coisa julgada. A ao rescisria a competente para rescindir sentena proferida em jurisdio voluntria.

b. Voluntria nessa modalidade jurisdicional, no h conflito de interesses, no h litgio. Com efeito, o Estado atuar apenas na administrao dos interesses (Exemplo: ao de divrcio consensual, pedido de alvar judicial). O elemento essencial da jurisdio voluntria ajuste comum entre as partes. Nesta modalidade de jurisdio, os componentes da relao jurdica so denominados interessados. Nesse caso, a atividade jurisdicional chamada de integrativa, isso porque, nesse caso, no h substituio da vontade das partes pela deciso do Estado, uma vez que no h conflito. O estado, nesse nterim, apenas integraliza a vontade dos interessados, que no surtir efeitos seno por integralizao do Estado. A sentena proferida em face de uma jurisdio voluntria denominada sentena homologatria. Nesse caso, no se vislumbra a existncia de coisa julgada. A ao para reincidir a sentena proferida em jurisdio voluntria a anulatria.

OBS o inventrio um procedimento de jurisdio contenciosa, mesmo havendo consenso entre os herdeiros, haja vista que essa ao no depende apenas de mera composio entre os herdeiros.Fazer relao dos procedimentos de jurisdio voluntria, a partir do artigo 1.103 do CPC.

4. Mecanismos alternativos jurisdio nesse caso, no h necessidade de recorrer-se ao Estado para soluo do conflito, havendo vias diversas para esse fim, as quais so:

a. Arbitragem Lei 9.307/96 nada mais que a soluo privada de um conflito, ou seja, no h atuao do Estado na soluo do litgio. Essa modalidade de soluo de conflito sempre opo das partes (no obrigatria). Aqui, no existe a figura do juiz, mas sim, do arbitro, que pode ser qualquer pessoa, que atuar como uma espcie de mediador. O arbitro exerce as mesmas funes do juiz, salvo a determinao de medidas coercitivas. Para que possa submeter o conflito arbitragem, necessria a presena de 02 (dois) requisitos cumulativos, seno vejamos: As partes do conflito tm que ser pessoas capazes; O conflito s pode versar sobre direitos disponveis; Pode-se optar pela arbitragem as pessoas que: tentam fugir da burocracia do processo, buscam celeridade. A arbitragem considerada mais tcnica que o processo judicial, pois solucionada por especialistas no conflito posto composio. A arbitragem no acordo, mais sim mtodo de soluo de conflitos alheios atividade jurisdicional.As partes podem expressar a sua opo pela arbitragem pelo mecanismo da conveno de arbitragem. Existem duas modalidades de conveno de arbitragem, quais sejam, clusula compromissria e compromisso arbitral.A clusula compromissria uma clusula inserida no contrato, onde as partes optam pela arbitragem antes mesmo da ocorrncia de um conflito. O compromisso arbitral um termo pactuado pelas partes aps a ocorrncia do conflito.O resultado da arbitragem uma sentena, que a sentena arbitral, a qual possui as seguintes caractersticas: Autnoma, ou seja, no necessita da homologao do poder judicirio; irrecorrvel, ou seja, no passvel de ser atacada por recurso judicial; faz coisa julgada, ou seja, imutvel aps sua prolao; constitui ttulo executivo judicial, sendo passvel de ser objeto de execuo apenas no poder judicirio.b. Justia desportiva artigo 217, CF[footnoteRef:3] a justia desportiva totalmente privada, no estatal. Essa justia competente para solucionar conflitos relativos ao desporto, tais como: regras e doping. [3: Art. 217, CF dever do Estado fomentar prticas desportivas formais e no-formais, como direito de cada um [...]]

c. Inventrio extrajudicial e divrcio extrajudicial, ambos introduzidos pela lei 11.441/07. Esses procedimentos so realizados em um cartrio de notas, mediante a confeco de uma escritura pblica, que detm presuno de veracidade. Para tanto, necessrio a observncia de alguns requisitos:

Necessidade de agente capaz; No pode existir conflito;

II. CompetnciaConceito limite da atividade jurisdicional. O legislador criou critrios para a fixao da competncia.

Formula para identificao do juzo competente (competncia material), devendo ser observados obrigatoriamente os seguintes passos: Verificar se caso de competncia internacional (artigo 88 e 89 do CPC). Busca-se averiguar se a lide de competncia da jurisdio brasileira.

Se de competncia brasileira, verificar, aps, se caso de competncia originria, ou seja, se so promovidas diretamente em um tribunal (exemplo: ao rescisria, que promovida no tribunal de justia do respectivo estado).

Se no for caso de competncia originria, identificar o tipo de justia adequado ao caso concreto, que podem ser:

1. Justia especial, que se subdivide em:

a. Eleitoral;b. Penal militar;c. Trabalho;

2. Justia comum, que se subdivide em:

a. Federal, que tem sua competncia estabelecida pelo artigo 109 da CF; Com efeito, bem se sabe que a justia federal competente para julgar causa de interesses da Unio Federal, das Autarquias Federais e, das empresas Pblicas Federais.b. Estadual se a causa no for de competncia da justia federal, ela ser estadual, pelo que, a considerada como sendo de competncia residual.

Competncia Territorial Artigo 94 do CPC[footnoteRef:4] regra geral de competncia a ao dever ser proposta no domiclio do ru. Tendo o ru vrios domiclios, cabe ao autor escolher o foro competente (4, artigo 94, CPC[footnoteRef:5]). [4: Art. 94, CPC - A ao fundada em direito pessoal e a ao fundada em direito real sobre bens mveis sero propostas, em regra, no foro do domiclio do ru.] [5: Art. 94, 4, CPC -Havendo dois ou mais rus, com diferentes domiclios, sero demandados no foro de qualquer deles, escolha do autor.]

Artigo 95 do CPC[footnoteRef:6] as aes fundadas em direitos reais sobre direito imveis sero promovidas no local do imvel. Exemplo: aes possessrias. [6: Art. 95, CPC - Nas aes fundadas em direito real sobre imveis competente o foro da situao da coisa. Pode o autor, entretanto, optar pelo foro do domiclio ou de eleio, no recaindo o litgio sobre direito de propriedade, vizinhana, servido, posse, diviso e demarcao de terras e nunciao de obra nova.]

Artigo 98 do CPC[footnoteRef:7] a ao em que o ru for incapaz ser promovida no domiclio do seu representante. Se o autor for incapaz, regra de domiclio geral. [7: Art. 98, CPC - A ao em que o incapaz for ru se processar no foro do domiclio de seu representante.]

QUADRO DISTINTIVO ENTRE COMPETNCIA ABSOLUTA E RELATIVA

Competncia AbsolutaCompetncia relativa

de interesse pblico. de interesse das partes.

Pode ser declarada de ofcio (sem requerimento das partes) pelo juiz.O juiz no poder declin-la de ofcio, pois se trata de interesse privado, nos termos da smula 33 do STJ[footnoteRef:8]. [8: se a parte no opuser exceo de incompetncia ocorre a prorrogao da competncia, nos termos do artigo 114 do CPC. EXCEO ART. 114, PARGRAFO NICO DO CPC.]

As partes (autor e ru) podero suscit-la a qualquer momento no processo (sem prazo fixo), por meio de simples petio nos autos, sem forma especfica (por objeo). A objeo pode ser alegada a qualquer momento, at em ao rescisria. Tambm pode ser alegada em preliminar de contestao. Somente poder ser suscitada pelo ru, no prazo da contestao (artigo 297, CPC), ou seja, no prazo de 15 dias, por meio de incidente processual de exceo de incompetncia.

Os atos decisrios proferidos por juiz absolutamente incompetentes so nulos.Os atos decisrios proferidos por juiz relativamente competentes so vlidos.

Nesse caso, as partes no podem derrogar (abrir mo), ou seja, no pode haver alterao de competncia por vontade das partes.Nesse caso, a competncia relativa pode ser alterada pelas partes, ou seja, admite derrogao.

OBS: as caractersticas da competncia absolutas so opostas s da competncia reativa.

Competncia relativa aquela fixada em razo do territrio ou do valor da causa.Competncia Absoluta os demais critrios so todos de competncia absoluta.

Reconhecida a incompetncia, tanto absoluta como relativa, o juiz remeter os autos imediatamente ao juzo competente.

Conflito negativo de competncia quando dois ou mais juzes se dizem incompetentes para julgamento de determinada ao. Conflito positivo quando dois ou mais juzes se dizem competente para julgar determinada ao.

Se o conflito se