principais pragas iniciais para as culturas de soja .plantas menores, podem alimentar-se tamb©m

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PRINCIPAIS PRAGAS INICIAIS PARAAS CULTURAS DE SOJA E MILHO

INFORMATIVO DEDESENVOLVIMENTOTECNOLGICOANO 3 NMERO 10OUTUBRO 2014

IntroduoOs insetos de hbito subterrneo que se alimentam de plantas

frequentemente causam prejuzos econmicos agricultura. Nos ltimos anos, esse grupo de artrpodes vem aumentando significativamente em importncia para as culturas anuais no Brasil.

Vrios insetos atacam as sementes, razes e plntulas (plantas jovens) do milho e da soja aps a semeadura. O tipo de ataque reduz o nmero de plantas na rea cultivada e o potencial produtivo da lavoura. Esses insetos so de hbito subterrneo ou superficial e na maioria das vezes passam despercebidos pelo agricultor, dificultando o emprego de medidas para o seu controle. A importncia desses insetos varia de acordo com o local, ano e sistema de cultivo (VIANA et al., 2002)

Segundo Oliveira et al. (1992), o ataque geralmente ocorre em reboleiras. Em geral, as larvas so encontradas prximo s razes, alimentando-se principalmente das razes secundrias; entretanto, nas plantas menores, podem alimentar-se tambm da raiz principal. Quando o ataque ocorre na fase inicial da cultura, h amarelecimento, murcha e morte das plantas. Quando o ataque mais tardio, as plantas sobrevivem, mas pode ocorrer atraso no desenvolvimento e diminuio do tamanho de vagens e sementes.

O controle qumico de pragas de solo mais complicado, muitas vezes pelo fato de a poca de plantio no coincidir com o perodo em que o inseto est em atividade alimentar, ou mesmo pelas condies climticas favorecerem o desenvolvimento das populaes e desfavorecerem a pulverizao (GALLO et al., 2002; OLIVEIRA et al., 1992).

Cors da soja (Phyllophaga cuyabana e Liogenys sp.)

Os cors constituem-se em importantes pragas das culturas anuais no Brasil. Os gneros mais comuns so Phyllophaga, Cyclocephala, Diloboderus e Liogenys e existem poucas informaes sobre a quantificao de seus danos em milho e soja. Eles apresentam ciclo biolgico relativamente longo, que envolve as fases de ovo, larva (cor), pupa e adulto (besouro). Somente as larvas so polfagas e responsveis pelos potenciais danos s culturas.

Em geral, a infestao ocorre em reboleiras na lavoura. A alimentao das larvas provoca enfraquecimento do sistema radicular e, consequentemente, tombamento e morte das plntulas (GALLO et al., 2002).

Descrio - P. cuyabana um inseto que possui uma nica gerao por ano e cujo desenvolvimento completo ocorre no solo. Os adultos saem noite a partir das primeiras chuvas da primavera, em revoadas destinadas ao acasalamento, aps as quais retornam ao solo, permanecendo geralmente entre 5 cm e 15 cm de profundidade. polfago, alimentando-se de plantas de diversas famlias, e muito atrado por focos luminosos, como as lmpadas das fazendas. Os adultos so besouros castanho-escuros, com comprimento entre 1,5 cm e 2,0 cm. Os ovos so brancos e depositados isoladamente no solo, na camada superficial (de 3 cm a 10 cm de profundidade). As larvas so brancas e robustas, atingindo at 3,5 cm de comprimento (DEGRANDE & VIVAN, 2009) (Figura 1).

Ciclo de vida - O perodo mdio de incubao dos ovos de aproximadamente 14 dias; a fase larval de 256 dias, em mdia (sendo o perodo de atividade de 130 dias e o restante em diapausa); a fase de pr-pupa de 8 dias, a de pupa de 25 dias e a de adulto de 33 dias (DEGRANDE & VIVAN, 2009).

Danos - As larvas danificam as razes, principalmente a partir do segundo estdio. Os sintomas do ataque se caracterizam pelo amarelecimento das folhas e desenvolvimento retardado, podendo causar at a morte das plantas, geralmente em reboleiras. O nmero de plantas mortas por metro linear pode variar com a poca de semeadura, com a populao e com o tamanho de larvas na rea. Geralmente, a morte de plantas ocorre quando elas so atacadas no incio do desenvolvimento. Em muitos casos, as larvas j esto presentes na rea por ocasio da semeadura. Os adultos no causam prejuzos, pois ingerem pequenas quantidades de folhas (DEGRANDE & VIVAN, 2009; GALLO et al., 2002).

Perodo de ataque - Pode ocorrer em todos os estdios de desenvolvimento, porm seus danos so mais visveis nos estdios iniciais da cultura, pois a planta est pouco desenvolvida (GALLO et al., 2002).

Mtodos de controle - Os agentes de controle biolgico natural de larvas de cors so nematoides, bactrias, fungos (principalmente Metarhizium e Beauveria sp.) e parasitoides da ordem Diptera (GALLO et al., 2002).

O preparo do solo com implementos de disco uma alternativa de controle cultural da larva. Com essa prtica, ocorre o efeito mecnico do implemento sobre as larvas, que possuem corpo mole e so expostas radiao solar e aos inimigos naturais, especialmente pssaros. O controle qumico pode ser utilizado via tratamento de sementes. Experimentalmente, a pulverizao de inseticidas no sulco de semeadura tem se mostrado vivel para o controle dessa larva.

Pragas que atacam sementes e razes

FIGURA 1. Larvas de cor.

Percevejo-castanho-da-raiz (Scaptocoris castanea e S. carvalhoi)

Essa uma praga que preocupa os agricultores, pois tem causado srios danos em soja, algodo, milho, arroz e pastagens, entre outras culturas. Atravs da alimentao, injetam uma toxina que impede o crescimento das plantas, que, quando atacadas, tornam-se amareladas, definham e algumas podem at morrer se o ataque ocorrer no incio de seu desenvolvimento (DEGRANDE & VIVAN, 2009).

Ainda segundo os mesmos autores, nos perodos de estiagem prolongada os insetos se aprofundam no solo em busca de umidade e nas pocas chuvosas retornam superfcie do solo. Portanto, em anos mais chuvosos, o percevejo-castanho-da-raiz mais problemtico.

Descrio - As ninfas so de colorao branca e os adultos possuem colorao castanha, com aproximadamente 8 mm de comprimento (Figura 2). Possuem pernas anteriores adaptadas escavao, podendo se enterrar no solo com facilidade. Os ovos tm colorao creme, forma ovalada e superfcie lisa e brilhante. As fmeas so maiores do que os machos e os insetos exalam um cheiro desagradvel quando molestados (DEGRANDE & VIVAN, 2009; EMBRAPA, 2008).

Ciclo de vida - O perodo mdio de incubao dos ovos de aproximadamente 14 dias, a fase de ninfa varia entre 91 e 134 dias e a longevidade dos adultos de 250 a 330 dias. Cada fmea produz em mdia 250 ovos. O ataque pode acontecer durante todos os estdios de desenvolvimento da soja, porm seus danos so mais visveis nos estdios iniciais (DEGRANDE & VIVAN, 2009; EMBRAPA 2000).

Danos - As ninfas e os adultos (Figura 2) alimentam-se das razes e sugam a seiva. O ataque severo causa o definhamento e morte da planta. Os sintomas de ataques variam com a intensidade e a poca, sendo que muitas vezes so confundidos com deficincia nutricional ou doena da planta (PINTO et al., 2004; GALLO et al. 2002; CORRA-FERREIRA & PANIZZI, 1999).

Mtodos de controle - O mtodo cultural pode ser empregado para o manejo desse inseto. A arao e a gradagem expem os insetos aos predadores e causam o esmagamento das ninfas e adultos. A arao com arado de aiveca a que apresenta maior eficincia no

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FIGURA 2. Percevejo-castanho.

controle do percevejo-castanho. O fungo Metarhizium anisopliae um agente de controle biolgico da praga. Devido ao hbito subterrneo do percevejo, o controle qumico difcil de ser realizado e recomenda-se o uso, de forma paliativa, de inseticidas via tratamento de sementes e/ou sulco de plantio (FERREIRA & BARRIGOSSI, 2006; GALLO et al. 2002).

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Cochonilha-da-raiz (Dysmicoccus brevipes)

Tipicamente, a cochonilha-da-raiz encontrada sugando razes de plantas de soja (Figura 3). Eventualmente, esse inseto pode ser visto na parte area das plantas. As fmeas so rosadas e apresentam longos filamentos laterais esbranquiados de cera, o que confere ao inseto outro nome comum, cochonilha-farinhosa. Os machos tm asas e vida livre (DEGRANDE & VIVAN, 2009).

Danos - Os sintomas dos ataques so observados em reboleiras, s vezes no sentido da linha de semeadura. Surtos do inseto tm sido observados em alguns anos e regies especficas, principalmente sob cultivo de semeadura direta. As plantas atacadas apresentam amarelecimento das folhas e reduo do crescimento, em funo da extrao de seiva e introduo de toxinas, atravs da alimentao pelas razes (DEGRANDE & VIVAN, 2009; GALLO et al., 2002). A sua ocorrncia est relacionada a reas de semeadura direta (com muita palhada), com deficincia no controle de plantas daninhas e estiagem prolongada.

Mtodos de controle - Os reais danos causados por essa praga ainda so desconhecidos, mas o revolvimento do solo infestado, o tratamento de sementes com carbamatos e adubaes de cobertura com cloreto de potssio tm amenizado o problema (DEGRANDE & VIVAN, 2009; GALLO et al., 2002).

FIGURA 3. Cochonilha-da-raiz.

Pragas que atacam as plntulas (plantas jovens)

Lagarta-elasmo (Elasmopalpuas lignosellus)

Essa espcie possui hbito polfago, alimentando-se de diversas espcies de plantas, como gramneas e leguminosas, por exemplo. A lagarta (Figura 4) apresenta colorao que varia do verde-azulado ao rseo, com listras transversais marrons e cabea pequena tambm marrom. Pode atingir no mximo 15 mm e se caracteriza por formar um abrigo feito de seda, detritos e partculas do solo (DEGRANDE & VIVAN, 2009; GALLO et al., 2002).

A pupa apresenta colorao inicial amarelada ou verde, passando a marrom e, logo antes da emergncia do adulto, assumindo a colorao preta. O adulto uma micromariposa cinza que tem de 15 mm a 23 mm de envergadura e muito atrada por focos luminosos. uma praga tpica de perodos de estiagem, e o seu estabelecimento na lavoura se d no solo ou nos restos vegetais da rea, como