Principais pragas do abacaxi e seu controle

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DocumentosNmero, 62ISSN 0104-9046Setembro, 2001Repblica Federativa do BrasilFernando Henrique CardosoPresidenteMinistrio da Agricultura, Pecuria e AbastecimentoMarcus Vinicius Pratini de MoraesMinistroEmpresa Brasileira de Pesquisa Agropecuria EmbrapaConselho de AdministraoMrcio Fortes de AlmeidaPresidenteAlberto Duque PortugalVice-PresidenteDietrich Gerhard QuastJos Honrio AccariniSrgio FaustoUrbano Campos RibeiralMembrosDiretoria-Executiva da EmbrapaAlberto Duque PortugalDiretor-PresidenteBonifcio Hideyuki NakasuDante Daniel Giacomelli ScolariJos Roberto Rodrigues PeresDiretores-ExecutivosEmbrapa AcreIvandir Soares CamposChefe -GeralMilcades Heitor de Abreu PardoChefe-Adjunto de AdministraoJoo Batista Martiniano PereiraChefe-Adjunto de Pesquisa e DesenvolvimentoEvandro Orfan FigueiredoChefe-Adjunto de Comunicao, Negcios e ApoioISSN 0104-9046Documentos No 62 Setembro, 2001Reconhecimento e Manejo Integrado das Principais Pragas da Cultura do Abacaxi no Estado do AcreMurilo FazolinEmpresa Brasileira de Pesquisa AgropecuriaEmbrapa AcreMinistrio da Agricultura, Pecuria e AbastecimentoExemplares desta publicao podem ser adquiridos na:Embrapa AcreRodovia BR-364, km 14, sentido Rio Branco/Porto VelhoCaixa Postal, 321Rio Branco-AC, CEP 69908-970Fone: (68) 212-3200Fax: (68) 212-3284http://www.cpafac.embrapa.brsac@cpafac.embrapa.brComit de PublicaesPresidente: Murilo FazolinSecretria-Executiva: Suely Moreira de MeloMembros: Claudenor Pinho de S, Edson Patto Pacheco, Elias Melo de Miranda,Flvio Arajo Pimentel, Joo Alencar de Sousa, Jos Tadeu de Souza Marinho,Judson Ferreira Valentim, Lcia Helena de Oliveira Wadt, Lus Cludio de Oliveira,Marclio Jos Thomazini*, Tarcsio Marcos de Souza Gondim*.* Revisores deste trabalhoSuperviso editorial: Claudia Carvalho Sena / Suely Moreira de MeloReviso de texto: Claudia Carvalho Sena / Suely Moreira de MeloNormalizao bibliogrfica: Orlane da Silva MaiaEditorao eletrnica: Suelmo de Oliveira Lima1 edio1 impresso (2001): 300 exemplaresTodos os direitos reservados.A reproduo no-autorizada desta publicao, no todo ou em parte,constitui violao dos direitos autorais (Lei n 9.610).CIP-Brasil. Catalogao-na-Publicao.Embrapa Acre.Fazolin, Murilo.Reconhecimento e manejo integrado das principais pragas da cultura doabacaxi no Estado do Acre / Murilo Fazolin. Rio Branco : Embrapa Acre, 2001.26 p. : il. ; 21 cm. (Documentos / Embrapa Acre. ISSN 0104-9046 ; 62).1. Abacaxizeiro Praga Manejo. I. Ttulo. II. Srie. CDD 634.774 97 21. ed. Embrapa 2001ApresentaoEste trabalho tem por finalidade orientar, em linguagem acessvel, os produtoresrurais e tcnicos agrcolas, quanto ao reconhecimento prtico e tomada de decisoutilizando o manejo integrado das principais pragas da cultura do abacaxi noAcre. A internalizao do conceito de manejo de pragas fundamental nosentido de que, atualmente, a preocupao da maioria dos agricultores do Acre controlar a praga, eliminando os insetos da lavoura, sem considerar os critriosde sustentabilidade e preservao da sade humana e ambiental.Esta contribuio foi uma demanda apresentada por esse pblico-alvo em vrioscursos ministrados sobre pragas da cultura do abacaxi, nos ltimos cinco anos.As informaes contidas neste documento, se utilizadas dentro da filosofia dapreservao do meio ambiente, atingiro o objetivo maior que a prtica de umaagricultura para produzir alimentos saudveis.SumrioPrincipais Pragas e seus Danos ............................................... 7Manejo das Pragas do Abacaxi .................................................. 21Utilizao de Controle Qumico ................................................ 25Bibliografia Consultada .............................................................. 267 Murilo Fazolin1Percevejo-do-abacaxi: Thlastocoris laetus Mayr, 1866 (Hemiptera:Coreidae)O percevejo-do-abacaxi uma praga que ocorre somente na Regio Amaznica,com exceo do sul do Estado do Mato Grosso, sendo encontrado tambm nospases vizinhos: Venezuela, Guianas, Suriname e Peru (Fig. 1).Fig. 1. Distribuio do percevejo-do-abacaxi na Regio Amaznica.Fonte: Couturier, 1993.____________1Eng. agrn., D.Sc., Embrapa Acre, Caixa Postal 321, 69908-970, Rio Branco, AC, murilo@cpafac.embrapa.brReconhecimento e Manejo Integrado das Principais Pragas da Culturado Abacaxi no Estado do AcrePrincipais Pragas e seus Danos8A BNo Acre, constatou-se o percevejo-do-abacaxi pela primeira vez em 1986, emreas experimentais e culturas comerciais de abacaxi em sete municpios,distribudos de norte a sul do Estado.As fmeas do percevejo-do-abacaxi colocam seus ovos em vrias partes daplanta, dando origem s formas jovens chamadas de ninfas (Fig. 2 A), que trocamde pele cinco vezes antes de se transformarem em adultos. Estes so decolorao amarelada com um tringulo escuro nas costas e um losngulo nofinal das asas (Fig. 2 B).Fig. 2. Percevejo-do-abacaxi: A) ninfa e B) adulto.Os adultos e as ninfas atacam os frutos, a coroa, o pednculo da infrutescncia(talo) e tambm sugam as folhas. Os insetos, ao se alimentarem das folhas,inoculam um tipo de saliva tornando-as amareladas (Fig. 3 A e B) e a planta,quando sobrevive, apresenta frutos de tamanho reduzido (Fig. 4).Foto: Murilo FazolinFoto: Murilo Fazolin9Fig. 3. Sintomas de ataque do percevejo-do-abacaxi: A) pontos deamarelecimento causados pela saliva txica do percevejo e B) aspecto da plantacom ataque de 20 insetos de T. laetus, em mdia.Estima-se que o nvel de dano econmico desta praga (quando o controle j nocompensa) encontra-se entre 12 e 15 insetos por planta, em mdia, e no estbem definido para as cultivares recomendadas pela Embrapa.Os adultos e as ninfas ficam aglomerados na planta, constituindo-se umacaracterstica da famlia deste inseto. Assim, sua presena pode ser confirmadapelos excrementos e peles das formas jovens que se acumulam nas folhas dasplantas (Fig. 5).Foto: Murilo FazolinAFoto: Murilo FazolinB10A ocorrncia desta praga est relacionada s fases de desenvolvimento dacultura. Estudos demonstraram que o incio do crescimento da populao (mdia/planta) ocorre no final do desenvolvimento vegetativo das plantas e que a partirdo florescimento a populao cresce consideravelmente, apresentando nveispopulacionais mximos durante a frutificao (Fig. 6).Fig. 5. Excrementos de ninfas e adultos do percevejo-do-abacaxi em plantaseveramente atacada.Fig. 4. Aspecto dos frutos produzidos por plantas com ataque intenso dopercevejo.Foto: Murilo FazolinFoto: Murilo Fazolin11Onde: DV: desenvolvimento vegetativo; FL: florescimento; FR: frutificao; FC: frutificao/colheita e CO: colheita.Fig. 6. Dinmica populacional de T. laetus em funo das fases fenolgicas dacultura do abacaxi, no perodo de fevereiro de 1994 a dezembro de 1997. RioBranco, AC, 2000.Quando se compararam as partes das plantas que o inseto prefere atacar emfuno das variedades Rio Branco, Senador Guiomard, Cabea-de-ona e Quinari,lanadas pela Embrapa Acre, observou-se que a cultivar Rio Branco apresentoupopulao acima dos valores adotados provisoriamente como Nvel de Ao(NA) nas folhas, frutos e coroa dos frutos, destacando-se como preferida pelapraga. A cultivar Senador Guiomard foi a que apresentou menores infestaesnas folhas e maiores nos frutos, ao contrrio do que ocorreu com a Cabea-de-ona.Quanto s infestaes da coroa dos frutos, as cultivares Quinari, Cabea-de-ona e Senador Guiomard no diferiram entre si, apresentando os menoresnveis populacionais em comparao cultivar Rio Branco, apesar desta estruturano ser muito utilizada para a propagao como muda de abacaxi, por apresentarpoucas reservas nutritivas, crescimento lento, frutificao tardia e ser susceptvela podrides. Na prtica, os danos causados pelas altas populaes do insetona coroa somente comprometem o aspecto do fruto para a comercializaoporque as folhas tornam-se amareladas. O mesmo no se pode dizer com relaos mudas do tipo filhote, consideradas estruturas preferenciais para a propagao0510152025303540 MDVADVMDVJDV JDVADVSDVODVNDVDDVJDVFDVMDVADVMFLJ FLJ FLAFLSFROFRNFRDCOMESES E FASES DO DESENVOLVIMENTO FENOLGICO DA CULTURAN MDIO DE INDIVDUOS / 10 PLANTAS NINFASADULTOSNIVEL DE AO12do abacaxi, que apresentaram os menores nveis de infestao da praga, dentreas estruturas da planta estudada. Tal fato importante, no que diz respeito qualidade das mudas produzidas, pois sabe-se que a reduo do tamanho oupeso por causa do ataque da praga estaria diretamente relacionada reduodo tamanho do fruto produzido pelas plantas.Broca-do-fruto: Thecla basalides (Geyer, 1837) (Lepidoptera: Lycaenidae)A broca-do-fruto do abacaxi tem sido relatada como praga, principalmente paraa cultivar Prola e outras sem procedncia determinada. Ocorre do Mxico Argentina, sendo encontrada em todas as regies produtoras do Brasil, e possuicomo hospedeiras plantas na floresta da mesma famlia do abacaxi. Quando serealiza o desmatamento para o plantio de monocultura desta fruta, observa-se oaumento populacional da broca-do-fruto, por causa do desequilbrio ambiental.O adulto uma borboleta cinza (Fig. 7 A e B) que coloca seus ovos no incio doflorescimento at a formao do fruto do abacaxi. Desses ovos, num perodo de3 a 5 dias, saem as lagartas (Fig. 8 A) que rapidamente procuram penetrar nasflores (Fig. 8 B) o que acontece em 87% dos casos, completando o ciclo de 13a 16 dias. Aps este ciclo, demoram um dia penetrando no pednculo, pordentro da planta, at prximo ao solo, procurando um lugar seguro para setransformarem em crislida, permanecendo imvel nesta fase (Fig. 9). Depoisde 7 a 11 dias, as borboletas se tornam adultas novamente.13Fig. 7. Adulto da broca-do-fruto do abacaxi: A) visto pousado e B) visto deventre.AFoto: Nilton F. SanchesBFoto: Nilton F. Sanches14Fig. 8. Broca-do-fruto do abacaxi: A) lagarta e B) penetrao da lagarta entreos frutilhos do abacaxi.Foto: Nilton F. SanchesAA inflorescncia atacada solta uma goma de cor marrom-escura entre os gomos(frutilhos) que ficam misturados com as fezes da lagarta e restos de alimento. Ofruto, quando se desenvolve, apodrece, apresentando um sabor desagradvel,causado pela infestao de fungos e insetos (Fig. 10).BFoto: Nilton F. Sanches15Foto: Nilton F. SanchesFoto: Nilton F. SanchesFig. 9. Pupa da broca-do-fruto normal (acima) e atacada por parasitide (abaixo).Fig. 10. Danos ao fruto atacado pela broca do abacaxi.Broca-do-talo: Castnia icarus (Cramer, 1775) (Lepidoptera: Castiniidae)Os adultos deste inseto so borboletas que tm atividade com a luz do sol,possuindo o corpo marrom-esverdeado, com as asas traseiras de cor vermelhacom manchas pretas e brancas (Fig. 11 A).A broca-do-talo ocorre na Regio Norte e Nordeste do Brasil e o abacaxi no a nica cultura em que ela causa prejuzos. As bananeiras tambm podem seratacadas por esta praga.16As borboletas colocam seus ovos entre as folhas e o talo das plantas. Aps 7 a14 dias as lagartas (Fig. 11 B) eclodem e penetram no talo, fabricando umagaleria (Fig. 12). s vezes penetram no pednculo at atingir o fruto, causandodanos considerveis. So lagartas grandes e demoram de 2 a 10 meses paracompletar o ciclo, quando ento tecem um casulo de fibra dentro da planta(Fig. 11 C) e transformam-se em crislida (Fig. 11 D), emergindo novamentedepois de 30 a 45 dias como borboletas adultas.Com a abertura das galerias, as plantas enfraquecem, apresentando folhas decolorao amarela, secam e morrem. Quando essas folhas so puxadas, soltam-se facilmente. A goma no talo e as fezes da lagarta denunciam a existncia dabroca.s vezes, como defesa, a planta ainda emite uma brotao (Fig. 13), masgeralmente no tem mais reservas para se recuperar.A broca-do-talo bastante nociva, podendo uma s lagarta matar uma planta deabacaxi.AFoto: Nilton F. SanchesFoto: Nilton F. SanchesB C DFig. 11. Broca-do-talo do abacaxi: A) adulto, B) lagarta, C) casulo de fibra eD) crislida.17Moleque-do-abacaxi: Paradiophorus crenatus (Bilberg, 1820) (Coleoptera:Curculionidae)Embora este besouro seja citado como de ocorrncia temporria em todas asregies produtoras de abacaxi no Brasil, em Rio Branco no incio dos anos 90,relatou-se sua presena com ataques localizados em culturas da variedade Prolae outras de origem indeterminada.Fig. 12. Galerias construdas pela broca-do-talo em planta jovem.Fig. 13. Brotao lateral da planta atacada pela broca-do-talo.Foto: Nilton F. SanchesFonte: Nilton F. Sanches18O adulto desta praga um besouro de colorao negra que possui um bico(Fig. 14 B), utilizado pelas fmeas para cavar um pequeno orifcio no colo daplanta (perto do solo), onde colocam seus ovos. Posteriormente, eclodem deuma a seis larvas por planta. As larvas penetram nas plantas formando galerias(Fig. 14 A), mas no se sabe o tempo que levam para se transformarem empupas. Antes de atingir este estgio de desenvolvimento, cortam a planta logoabaixo do solo, onde tecem um casulo de proteo.Os sintomas de dano nas folhas e a facilidade de arranc-las podem serconfundidos com o ataque da broca-do-talo.Fig. 14. Moleque-do-abacaxi: A) larva e seus danos e B) adulto.Fonte: Santa-Ceclia & Chalfoun (1998).ABFonte: Santa-Ceclia & Chalfoun (1998).19Cochonilha Dysmicoccus brevipes (Cockerell, 1893) considerada a praga mais importante do abacaxi em todo o mundo. No Acre,recentemente, foram constatados ataques em todas as variedades recomendadaspela Embrapa Acre. Possui vrias plantas hospedeiras, sendo o arroz, milho,sorgo, bananeira, amendoim bravo, cana-de-acar, caf, coqueiro e mangueiraas principais da regio.A maneira mais fcil de se observar esta praga por meio das formas jovens efmeas, que no se movem, permanecendo agrupadas em colnias, parecendouma farinha branca. Os machos so completamente diferentes e possuem asas,sendo dificilmente observados nas plantas de abacaxi. As cochonilhas soencontradas sugando seiva das razes e axilas das folhas (parte da folha que sefixa no talo), sendo difcil descobri-las (Fig. 15 A e B). Porm, quando a populaodeste inseto muito alta, pode atacar os frutos e a parte visvel das folhas(Fig. 16).AFonte: Cunha et al. (1994).Fig. 15. Infestao da cochonilha D. brevipes prxima s razes (A) e no talo(B) aps a retirada da bainha das folhas.BFonte: Cunha et al. (1994).20As cochonilhas reduzem o crescimento nas razes mais velhas, que apodreceme morrem, dando uma colorao avermelhada planta, no incio do ataque. Asfolhas se enrolam para baixo e ficam amareladas (Fig. 17). As plantas atacadasno produzem frutos e, quando o fazem, so pequenos e defeituosos. uma praga importante no perodo da seca, podendo os sintomas ser confundidoscom a falta de gua. Para diferenci-los, observa-se que no caso do ataque dacochonilha as plantas so afetadas em reboleiras e no da falta de gua todasso atingidas de maneira uniforme. Quando chove, as plantas voltam ao normalse o problema for falta de gua, j no ataque da cochonilha continuamapresentando os sintomas, embora a praga seja controlada naturalmente pelagua.Fig. 16. Infestao do fruto pela cochonilha D. brevipes.Fonte: Santa-Cecilia & Chalfoun (1998).Fig. 17. Sintoma de infestao por vrus transmitido pela cochonilha D. brevipes.Fonte: Santa-Cecilia & Chalfoun (1998).21Os danos s plantas ocorrem no somente por causa da suco da seiva peloinseto. A cochonilha injeta saliva txica na planta que danifica os tecidos deconduo de gua e nutrientes, havendo evidncias de que tambm transmiteum vrus o qual aumenta a produo de toxinas.A cochonilha do abacaxi vive associada s formigas-de-fogo que, em troca deum lquido aucarado produzido pela cochonilha, protegem-na contra inimigosnaturais. Esta proteo ocorre por meio de ferroadas venenosas e camuflagempelo desenvolvimento de fungos no lquido espalhado na planta (fumagina), ouainda por partculas de terra que ficam grudadas nesse lquido. As formigastambm contribuem para disseminar a praga na lavoura levando os ovos e asninfas pequenas para outras plantas e construindo seus ninhos embaixo derestos de vegetais na rea de produo, ou fora dela, em locais protegidos,capoeiras e mata. Manejo das Pragas do AbacaxiExistem muitas definies para manejo integrado de pragas, mas a que mais seaproxima da realidade do produtor acreano a busca da melhor maneira decontrolar uma praga, utilizando vrios mtodos, que visam manter as populaesdesses insetos abaixo do nvel de dano econmico, protegendo no somente asplantas, como tambm o homem, os animais e principalmente o meio ambiente.Por esta definio, ressalta-se a vantagem que os defensivos agrcolasapresentam, em relao a outros mtodos, para ser utilizados no manejo daspragas do abacaxi, uma vez que se constituem no meio mais fcil e maiseconmico para o controle dos insetos nocivos cultura. No entanto, devem-seutiliz-los dentro da maior segurana possvel, por causa dos efeitos negativosque podem causar ao meio ambiente e ao homem. Alm disso, deve-se iniciar ocontrole de uma praga quando o prejuzo esperado for maior que o custo docontrole. Para isso, faz-se necessrio a avaliao de um tcnico do servio deextenso, caso o produtor no se sinta seguro.Algumas medidas gerais contribuem para que as pragas no aumentem suapopulao dentro da lavoura de abacaxi:a) Excesso ou carncia de adubao pode favorecer o aumento de pragas.Portanto, adubao equilibrada e realizada com base na anlise de solos um bom comeo, visto que a cultura do abacaxi necessita, geralmente, deadubao qumica. Neste aspecto, a adubao verde tem papel importantepois melhora a fertilidade dos solos e, quando utilizada como rotao deculturas, pode desfavorecer as pragas (broca-do-fruto, moleque-do-abacaxi e22cochonilhas) que se alojam no solo ou na sua superfcie. No Acre, a culturado abacaxi implantada, na sua grande maioria, em reas recm-desmatadas,favorecendo o equilbrio das plantas pela fertilidade natural do solo.b) Existem estudos comprovando que a aplicao de defensivos agrcolas emexcesso causa desequilbrio nas plantas, no entanto necessita-se de dosescada vez maiores para controlar as pragas. Alm disso, ocorre o desequilbriodo meio ambiente que resulta na morte de inimigos naturais das pragas.Mesmo no sendo visveis, as pragas possuem inimigos naturais que diminuem,at certo ponto, sua populao. Quando se utiliza defensivo agrcola de maneiraindiscriminada, eliminam-se muitos desses insetos benficos, agravando maisainda a situao. Como exemplo, citam-se as microvespas (pequenascabas), da espcie Metadontia curvidentata, que so um importanteparasitide de pupas da broca-do-fruto (Fig. 18). As microvespas colocamseus ovos na pupa, e destes eclodem as larvas da vespinha que se alimentamda pupa, causando a sua morte. O aspecto da pupa parasitada pode serobservado na Fig. 9. Para diminuir a populao de pragas como a broca-do-fruto do abacaxi, importante eliminar os hospedeiros, ou seja, as plantas damesma famlia do abacaxi prximas rea de cultivo. Por outro lado, deve-seevitar tambm o cultivo de plantas teis, como a bananeira, prximas ouconsorciadas com a cultura do abacaxi, pois a broca-do-talo e as cochonilhasse favorecem dessa unio para permanecer mais tempo na rea atacando asduas culturas ao mesmo tempo. Com relao s cochonilhas, outras culturascomo a do arroz, milho, sorgo, Arachis spp., cana-de-acar, caf, coqueiroe mangueira devero receber a mesma ateno na hora de se decidir peloconsrcio ou implantao em reas prximas.Fig. 18. Microvespa controladora das pupas da broca-do-fruto do abacaxi.Fonte: Nilton F. Sanches23c) H casos em que a eliminao das plantas atacadas torna-se o mtodo maiseconmico e seguro para controlar pragas como a broca-do-talo, poisnormalmente encontra-se uma larva por planta e tratando-se de uma broca,as pulverizaes qumicas so ineficientes. Em outros casos, eliminar parteda planta, como por exemplo a inflorescncia atacada pela broca-do-fruto, asoluo mais vivel para o controle da praga.d) Outros mtodos culturais podem ser adotados principalmente para o controleda cochonilha: a destruio dos restos da cultura depois da colheita (formadireta); e o preparo de solo e manuteno da cultura no limpo, desfavorecendoo ambiente para construo de ninhos das formigas-de-fogo (forma indireta).e) Utilizar barreiras fsicas, para impedir a infestao do inseto, pode ser umaalternativa interessante em pequenas reas com disponibilidade de mo-de-obra familiar. A inflorescncia do abacaxi pode ser protegida com uma latacom o fundo perfurado, para evitar a infestao da broca-do-fruto. Assim queo fruto comear a se desenvolver, ela dever ser retirada, caso contrriocomprometer o seu crescimento. Pode-se desviar o caminho das formigas-de-fogo, que vem da mata ou da capoeira para dentro da cultura, rodeando-sea rea de abacaxi com uma fileira de plantas, pois as formigas quandoencontram esta fileira tendem a ficar dando voltas sem entrar na lavoura.f) Na hora de escolher as mudas de abacaxi que sero plantadas, deve-seconhecer a variedade a que pertencem e se esto livres de pragas, para noiniciar a cultura trazendo insetos nocivos junto s mudas, principalmentecochonilhas. Uma prtica que ajuda a combater essas pragas a exposiodas mudas ao sol por 8 a 15 dias. O conhecimento do tipo de variedade queser plantada poder indicar com antecedncia quais as pragas que teromaiores chances de ocorrer. A variedade Prola e outras que no se conhecea procedncia tendem a ser mais atacadas pelo moleque-do-abacaxi, broca-do-fruto e em alguns casos pelo percevejo-do-abacaxi. J as variedades RioBranco e Quinari apresentam frutos e folhas mais atacadas pelo percevejo-do-abacaxi do que as variedades Senador Guiomard e Cabea-de-ona. Nestasduas ltimas o percevejo ataca partes diferentes da planta, influenciando aescolha da variedade a ser plantada. A Senador Guiomard mais atacadanos frutos. Neste caso, a aplicao de defensivos dever ocorrer em menornmero por causa do perodo de frutificao que de quatro meses, quandocomparada variedade Cabea-de-ona. Esta, por apresentar maiores nveispopulacionais da praga nas folhas, durante o perodo vegetativo que longo(14 meses), necessita de maior nmero de aplicaes das medidas de24controle, aumentando, conseqentemente, os custos de produo. Prticascomo a induo floral com carbureto podem facilitar ainda mais o controle dopercevejo-do-abacaxi e da broca-do-fruto na variedade Senador Guiomard,devido uniformizao do florescimento e frutificao das plantas.g) O controle da broca-do-fruto pode ser feito com um produto comercial basede bactrias Bacillus thuringiensis, cujo nome encontrado nas revendas podevariar (AGREE, Thuricide, Bac-control, Bactospeine e Dipel), dependendo dofabricante. Este produto provoca uma doena apenas na lagarta (praga), nodesequilibrando o meio ambiente e nem provocando intoxicaes no homeme nos animais domsticos. A dosagem recomendada para o controle da broca 600 g/ha e o modo de ao pode ser observado na Fig. 19.Fig. 19. Esquema das etapas do efeito do Bacilus thuringiensis quandoconsumido pela broca-do-fruto do abacaxi.25Utilizao de Controle QumicoSe todas as alternativas descritas no item anterior no forem suficientes para ocontrole das pragas do abacaxi, podem-se utilizar inseticidas, tomando-se oscuidados necessrios com o produto.Basicamente, apenas o percevejo-do-abacaxi, a broca-do-fruto e a cochonilhapodem ser controlados quimicamente. Para o controle da broca-dos-frutos,recomendam-se os inseticidas da Tabela 1.Tabela 1. Inseticidas recomendados para o controle da broca-do-frutoThecla basalides.O controle do percevejo-do-abacaxi foi satisfatrio com a aplicao de Carbaryle Parathion Methyl, nas mesmas dosagens recomendadas para a broca, quandoa cultura apresentava em mdia 10 insetos/planta, numa amostragem de 15%do total de plantas da lavoura.Caso as mudas a ser plantadas necessitem de tratamento, principalmentepara controlar cochonilhas, devero ser mergulhadas de trs a cinco minutosem soluo de um destes inseticidas: Parathion Methyl, Ethion ou Diazinon,nas concentraes descritas na Tabela 1.Na cultura j implantada, o Parathion Methyl dever ser aplicado em pulverizaono segundo, quinto e oitavo ms aps o plantio, na dosagem de 0,9 ml/litro,molhando-se muito bem da roseta das plantas at a base das folhas.Nome tcnico Grupo qumico Concentraes g ou ml/litro de guaCarbaryl Carbamato 2,0 gBetacyflutrin Piretride 0,8 mlDeltametrhrin Piretride 2,0 mlDiazinon Fosforado 3,0 mlFenitrothion Fosforado 2,0 gEthion Fosforado 1,2 mlParathion Methyl Fosforado 1,3 mlTrichorfon Fosforado 3,0 ml26 Bibliografia ConsultadaABBOTT LABORATRIOS DO BRASIL. Diviso Agroqumica. Dipel: inseticidabiolgico. So Paulo, [19--]. 1 folder.BRASIL. Ministrio da Agricultura e do Abastecimento. Coordenadoria deFiscalizao de Agrotxicos. Agrofit 98: uso adequado de agrotxicos. Braslia,1998. 1 CD-ROM. Consulta por cultura.CHABOUSSOU, F. Plantas doentes pelo uso de agrotxicos : a teoria datrofobiose. Porto Alegre: L & PM, 1987. 253 p.CHOAIRY, S. A. O abacaxizeiro: conhecimentos bsicos, prticas de cultivo euso. Joo Pessoa: EMEPA-PB ; Fortaleza: BNB, 1992. 140 p. (EMEPAPB.Documentos, 16).COUTURIER, G.; BRAILOVSKY, H.; ZUCCHI, R. A. Thlastocoris laetus Mayr,1866 (Hemiptera: Coreidae: Acanthocerini) nueva plaga de la pia. ScientiaAgricola, Piracicaba, v. 50, n. 3, p. 517-520, out./dez.1993.CUNHA, G. A. P. da; MATOS, A. P. de; CABRAL, J. R. S.; SOUZA, L. F. da S.;SANCHES, N. F.; REINHARDT, D. H. R. C. Abacaxi para exportao: aspectostcnicos da produo. Braslia: EMBRAPA-SPI, 1994. 41 p. (FRUPEX.Publicaes Tcnicas, 11).GAILLARD, G. P. 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