PRIMEIRA PROVA ESCRITA - OBJETIVA

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    ASSINATURA DO CANDIDATON do Documentoo

    Nome do Candidato

    INSTRUES

    VOC DEVE

    ATENO

    - Verifique se este caderno contm 88 questes, numeradas de 1 a 88.

    Caso contrrio, reclame ao fiscal da sala um outro caderno.

    No sero aceitas reclamaes posteriores.

    - Para cada questo existe apenas UMAresposta certa.

    - Voc deve ler cuidadosamente cada uma das questes e escolher a resposta certa.

    - Essa resposta deve ser marcada na FOLHADE RESPOSTAS que voc recebeu.

    - Procurar, na FOLHADE RESPOSTAS, o nmero da questo que voc est respondendo.

    - Verificar no caderno de prova qual a letra (A,B,C,D,E) da resposta que voc escolheu.

    - Marcar essa letra na FOLHADE RESPOSTAS, conforme o exemplo:

    - Marque as respostas com caneta esferogrfica de material transparente de tinta preta ou azul. No ser permitido o

    uso de lpis, lapiseira, marca-texto ou borracha.

    - Marque apenas uma letra para cada questo, mais de uma letra assinalada implicar anulao dessa questo.

    - Responda a todas as questes.

    -

    - Adurao da prova de 4 horas e 30 minutos, para responder a todas as questes e preencher a Folha de Respostas.

    - Ao trmino da prova, chame o fiscal da sala e devolva todo o material recebido.

    - Proibida a divulgao ou impresso parcial ou total da presente prova. Direitos Reservados.

    No ser permitido qualquer tipo de consulta.

    A C D E

    PRIMEIRA PROVA ESCRITA - OBJETIVA

    Defensor Pblico do Estado de So Paulo

    Setembro/2015

    DEFENSORIA PBLICA DO ESTADO DE SO PAULO

    Concurso Pblico para provimento de cargo de

    Caderno de Prova A01, Tipo 004 MODELO

    0000000000000000

    TIPO004

    0000100010001

  • 2 DPSPD-Defensor Pblico-Primeira Prova Escrita

    Direito Constitucional

    1. A Corte Constitucional deve entender a si mesma como protetora de um processo legislativo democrtico, isto , como

    protetora de um processo de criao democrtica do direito, e no como guardi de uma suposta ordem supra-positiva de valores substanciais. A funo da Corte velar para que se respeitem os procedimentos democrticos para uma formao da opinio e da vontade polticas de tipo inclusivo, ou seja, em que todos possam intervir, sem assumir a mesma o papel de legislador poltico. (Ms All del Estado Nacional. Madrid: Trotta, 1997, p. 99)

    O trecho acima citado, acerca da postura de um Tribunal Constitucional durante o seu processo de interpretao da Cons-tituio, corresponde obra e concepo

    (A) substancial de Ronald Dworkin de proteo dos direitos fundamentais. (B) procedimental de Robert Alexy da teoria da argumentao e princpios. (C) procedimental de Jrgen Habermas da teoria do discurso. (D) mista de John Hart Ely de democracia. (E) procedimental de John Rawls do frum pblico de princpios.

    2. A respeito da reclamao constitucional e sua jurisprudncia no Supremo Tribunal Federal STF, correto afirmar:

    (A) A reclamao constitucional cabvel nos casos de deciso de rgo fracionrio de tribunal que afasta a incidncia da

    clusula de reserva de plenrio na anlise de normas anteriores Constituio de 1988. (B) No julgamento da reclamao constitucional, o STF poder reapreciar, redefinir e atualizar o contedo de deciso

    paradigma proferida em ao direta de inconstitucionalidade. (C) Admite-se a reclamao constitucional a todos que comprovem prejuzo nos casos em que o precedente paradigma, cuja

    autoridade se reputa violado, tenha sido proferido em sede de recurso extraordinrio sob o regime da repercusso geral. (D) Perder o objeto a reclamao constitucional quando, durante o seu curso, transitar em julgado o processo onde se

    praticou o ato violador da competncia ou da autoridade das decises do STF. (E) Admite-se a reclamao constitucional quando houver desrespeito aos motivos determinantes de outra reclamao

    constitucional. 3. Sobre a pluralizao do debate constitucional, correto afirmar:

    (A) O processo constitucional objetivo admite dilao probatria para a apurao de questes fticas. (B) O rito do incidente de declarao de inconstitucionalidade, previsto no artigo 482 e seus pargrafos do Cdigo de Processo

    Civil, dispe expressamente que o relator, quando entender necessrio, poder admitir, por deciso irrecorrvel, a manifestao de outros rgos ou entidades.

    (C) Segundo entendimento do STF, a participao do amicus curiae abrange a entrega de memoriais, a sustentao oral e a

    interposio de qualquer recurso cabvel previsto na legislao processual e no Regimento Interno do STF. (D) O defensor pblico, no exerccio de suas atribuies constitucionais, no pode convocar audincia pblica por ausncia de

    previso legal, restando tal funo aos integrantes dos Poderes Legislativo, Executivo e Judicirio. (E) No recurso extraordinrio, no se admite o ingresso do amicus curiae, nem a convocao de audincia pblica, uma vez

    que esgotada a fase de instruo processual. 4. Em relao hermenutica e interpretao constitucional, considere as seguintes afirmaes abaixo: I. Segundo Mauro Cappelletti, as atividades legislativa e jurisdicional constituem processos de criao do direito, porm o

    legislador se depara com limites substanciais menos frequentes e menos precisos. Portanto, do ponto de vista substancial, a nica diferena entre essas atividades no de natureza, mas de grau.

    II. No processo de concretizao das normas constitucionais de Konrad Hesse, a tpica pura, ou seja, o intrprete s pode utilizar na tarefa de concretizao aqueles pontos de vista relacionados ao problema. Ao mesmo tempo, o intrprete est obrigado a incluir na interao do ciclo hermenutico, composto pelo programa normativo (anlise dos elementos lingusticos) e pelo mbito normativo (anlise da realidade concreta), os elementos de concretizao que lhe ministram a norma constitucional e as diretrizes contidas na Constituio.

    III. Nos casos difceis, a ideia de Dworkin a limitao da discricionariedade do juiz, impondo-lhe o dever de decidir conforme as exigncias morais da comunidade, evitando a arbitrariedade interpretativa do jusrealismo. O juiz obrigado a se separar do preceito legal quando estiver em contradio com o sentimento moral da maioria. Os princpios so criados para substituir o ingnuo silogismo e afastar a arbitrariedade, atendendo s exigncias da comunidade.

    IV. As consequncias prticas das decises remetem ao pragmatismo norte-americano, em que a justia medida pelas consequncias, e no pelo direito. A grande vantagem a percepo de que determinada interpretao pode gerar resultados indesejveis na prtica. Entretanto, a extrema flexibilizao do direito e o antiformalismo do pragmatismo conduzem insegurana jurdica.

    V. O originalismo norte-americano consagra a living Constitution, ou seja, a abertura das normas constitucionais realidade e s mutaes da sociedade para a contnua evoluo do texto constitucional.

    Est correto o que se afirma APENAS em (A) III, IV e V. (B) II e III. (C) I, II e V. (D) I, III e IV. (E) II, III e IV.

    Caderno de Prova A01, Tipo 004

  • DPSPD-Defensor Pblico-Primeira Prova Escrita 3

    5. Analise as assertivas abaixo acerca dos direitos funda-mentais:

    I. Segundo Ingo Wolfgang Sarlet, os direitos funda-mentais podem ter uma amplitude muito maior que a do universo dos direitos humanos.

    II. Na concorrncia de direitos fundamentais, o exerc-cio de um direito fundamental por um titular pode impedir, afetar ou restringir o exerccio de um direito fundamental de outro titular, sendo necessrio o critrio da proporcionalidade para a resoluo do caso concreto.

    III. No modelo do Sistema nico de Sade, as polticas pblicas de promoo do direito fundamental sa-de esto pautadas no federalismo assimtrico cen-trpeto.

    IV. A ideia de limites do sacrifcio tem relao direta com a jurisprudncia da crise e a proibio de re-trocesso.

    Est correto o que se afirma APENAS em

    (A) I e IV. (B) I e III. (C) I e II. (D) II e III. (E) II e IV.

    _________________________________________________________

    6. Quanto ao controle de constitucionalidade do direito esta-dual e municipal, correto afirmar:

    (A) No controle abstrato de constitucionalidade de leis ou atos normativos, estaduais ou municipais, em fa-ce da Constituio paulista, o Tribunal de Justia do Estado de So Paulo no pode modular os efeitos de suas decises, uma vez que o artigo 27 da Lei n

    o 9.868/99 restringe essa tcnica de deciso

    ao STF.

    (B) Segundo jurisprudncia do STF, cabe recurso ex-traordinrio por ofensa a direito local.

    (C) Em recente Emenda Constituio do Estado de So Paulo, o Defensor Pblico-Geral passou a figu-rar como parte legtima para a propositura de ao direta de inconstitucionalidade de lei ou ato norma-tivo, estadual ou municipal, em face da Constituio paulista, perante o Tribunal de Justia do Estado de So Paulo.

    (D) O texto da Constituio do Estado de So Paulo admite aos legitimados a propositura da ao decla-ratria de constitucionalidade, conforme autorizado pelo artigo 125, 2

    o da Constituio da Repblica

    Federativa do Brasil.

    (E) O STF, em controle incidental, declarou inconstitu-cional o dispositivo da Constituio do Estado de So Paulo que condiciona a deciso do Tribunal de Justia, em processo objetivo, prvia comunicao da Casa Legislativa interessada para suspender a execuo, no todo ou em parte, da lei ou ato nor-mativo.

    7. Sobre o Conselho Nacional de Justia CNJ, correto afirmar: (A) Segundo jurisprudncia do STF, o CNJ pode exercer

    o controle de constitucionalidade difuso de leis ou atos normativos no exerccio de suas competncias.

    (B) A Unio, inclusive no Distrito Federal e nos Territ-rios, criar ouvidorias de justia, competentes para receber reclamaes e denncias de qualquer inte-ressado contra membros ou rgos do Poder Judi-cirio, ou contra seus servios auxiliares, represen-tando diretamente ao CNJ.

    (C) Com o advento da Emenda Constitucional no 80/2014,

    um membro da Defensoria Pblica estadual, escolhi-do pelo Defensor Pblico-Geral federal dentre os no-mes indicados pelo rgo competente de cada insti-tuio estadual, passou a ser integrante da compo-sio do CNJ, com mandato de dois anos, admitida uma reconduo.

    (D) Segundo jurisprudncia do STF, o CNJ possui com-petncia subsidiria atuao das corregedorias lo-cais nos processos disciplinares contra os juzes. Ade-mais, esses processos disciplinares devem ser pbli-cos e seus julgamentos feitos em sesses abertas.

    (E) O CNJ no possui a competncia de desconstituir os atos administrativos praticados pelos magistrados que violem dispositivos de leis estaduais, incumbin-do tal competncia ao Tribunal de Justia local.

    _________________________________________________________

    8. Considere as seguintes afirmaes sobre a Defensoria Pblica e sua jurisprudncia no STF:

    I. Na ADI no 4270, o STF declarou inconstitucional a prestao de assistncia jurdica gratuita pela seccio-nal catarinense da Ordem dos Advogados do Bra-sil OAB e modulou os efeitos de sua deciso em um ano para criao, funcionamento e estruturao da Defensoria Pblica. No entanto, houve descum-primento parcial da deciso pelo Estado de Santa Catarina, j que ainda mantida a defensoria dativa da OAB e no estruturada adequadamente a Defensoria Pblica. Assim, o STF julgou procedente a Reclama-o n

    o 16034 para a imediata convocao de todos

    os aprovados no concurso de ingresso na carreira de defensor pblico do Estado de Santa Catarina.

    II. Na medida cautelar da ADPF no 307, o STF decidiu que o chefe do Executivo estadual no pode reduzir a proposta oramentria da Defensoria Pblica quando essa compatvel com a Lei de Diretrizes Oramen-trias, devendo submeter Assembleia Legislativa o pleito de reduo. Alm disso, o governador do Es-tado no pode incluir a Defensoria Pblica em cap-tulo destinado proposta oramentria do Poder Exe-cutivo, juntamente com as Secretarias de Estado.

    III. Na ADI no 2903, o STF julgou inconstitucional a lei orgnica estadual que estabelecia a livre nomeao do Defensor Pblico-Geral pelo governador do Es-tado e concedeu efeito repristinatrio aos dispositi-vos revogados da lei estadual anterior que observa-va as normas gerais da lei orgnica nacional.

    IV. Nos embargos de declarao do agravo de instru-mento n

    o 598.212, referente omisso estatal de

    cumprimento dos artigos 5o, LXXIV e 134 da Cons-

    tituio da Repblica, o STF restringiu o alcance do pedido do Ministrio Pblico do Estado do Paran, na ao civil pblica, apenas criao e implantao de Defensoria Pblica em determinada comarca.

    Est correto o que se afirma em (A) II e III, apenas. (B) I, II, III e IV. (C) I, II e III, apenas. (D) II, III e IV, apenas. (E) I e IV, apenas.

    Caderno de Prova A01, Tipo 004

  • 4 DPSPD-Defensor Pblico-Primeira Prova Escrita

    Direito Administrativo e Direito Tributrio

    9. Relativamente interveno do Estado na propriedade privada,

    (A) as limitaes administrativas se consubstanciam em atos administrativos de carter individual, mediante os quais o Poder Pblico impe posturas positivas, negativas ou, ainda, permissivas, com a finalidade de adequar o dado imvel sua funo social.

    (B) por no ensejar a perda da propriedade e em vista da supremacia do interesse pblico sobre o parti-cular, a servido administrativa no comporta a possibilidade de indenizao ao proprietrio do im-vel, mesmo no caso de esse suportar prejuzos.

    (C) o instituto da ocupao temporria recair sobre bem imvel com a finalidade de permitir ao poder pblico executar servios, existindo ou no perigo pblico iminente a ser confrontado. A exemplo da servido administrativa, a ocupao temporria di-reito real e, assim, dever ser levada a registro no cartrio de registro de imveis para gerar efeitos.

    (D) o ato de tombamento implica restries ao uso do bem mvel e imvel por seu proprietrio ou possui-dor, que dever conserv-lo segundo as caracters-ticas culturais que motivaram sua proteo. No caso de tombamento de bens imveis, o proprietrio que no possuir recursos financeiros suficientes para realizar obras de preservao ou de conservao dever informar tal fato autoridade competente, que dever proceder mencionada obra, vedada a desapropriao.

    (E) ao contestar ao de desapropriao, o Defensor Pblico somente poder versar sobre vcios do pro-cesso judicial ou impugnar o preo apresentado pelo expropriante, vedada a reconveno.

    _________________________________________________________

    10. O Supremo Tribunal Federal sumulou entendimento se-gundo o qual

    (A) a ausncia de defesa tcnica por profissional habili-tado no processo administrativo causa a nulidade absoluta do feito, por ferimento Constituio Fe-deral de 1988.

    (B) o funcionrio pblico em estgio probatrio poder ser demitido ou exonerado, a depender do caso, me-diante procedimento administrativo abreviado, ga-rantida a ampla defesa.

    (C) somente por lei poder ser exigido, para habilita- o do candidato a cargo pblico, o exame psi-cotcnico.

    (D) a Constituio Estadual poder criar rgo de con-trole administrativo do Poder Judicirio do qual parti-cipem representantes de outros poderes e entida-des.

    (E) o titular do cargo de Defensor Pblico est dis- pensado de apresentar procurao para atuar em juzo.

    11. Relativamente ao tema dos servios pblicos, correto afirmar que:

    (A) A prestao de servios pblicos essenciais pode

    ser delegada ao particular somente se o ente pblico continuar a fiscalizao e o controle de sua execu-o.

    (B) Caso o locatrio no quite o dbito a ele atribudo

    oriundo do servio de fornecimento de energia el-trica, o locador ser solidariamente responsvel e poder ser acionado judicialmente para regulariza-o. Enquanto no regularizada a dvida, o servio no poder ser restabelecido no imvel implicado.

    (C) Por se tratar de servio pblico essencial, o forne-

    cimento de energia eltrica, remunerado mediante taxa, no poder ser interrompido pela inadimplncia do usurio, mas poder ser interrompido por motivos de caso fortuito e de fora maior.

    (D) O Superior Tribunal de Justia posicionou-se no sen-

    tido de afastar a incidncia do artigo 6o, 3

    o, da Lei

    no 8.987/95, que permite o corte do fornecimento de

    gua em razo de inadimplncia do usurio, ao prestigiar a incidncia, no caso, do artigo 22, do C-digo de Defesa do Consumidor.

    (E) No existe solidariedade entre o Poder concedente e

    o concessionrio na prestao do servio ao usu-rio, sendo que esse dever exigir do concessionrio a realizao do servio pblico a seu cargo.

    _________________________________________________________

    12. Considere as assertivas abaixo acerca do tema Respon-sabilidade Civil do Estado.

    I. A Constituio Federal define, em seu artigo 37,

    6o, o instituto da responsabilidade extracontratual

    objetiva s pessoas jurdicas de direito pblico in-terno e, com relao s pessoas jurdicas de direito privado prestadoras de servios pblicos, a respon-sabilidade subjetiva, facultando, em ambos os ca-sos, ao de regresso em face do funcionrio res-ponsvel pela ocorrncia.

    II. Para configurar a hiptese de responsabilidade

    objetiva do Estado devero concorrer requisitos, quais sejam o fato administrativo, assim compreen-dido o comportamento de agente do Poder Pblico, independentemente de culpa ou dolo, ainda que fora de suas funes, mas a ttulo de realiz-las, o dano, patrimonial ou moral, que acarrete um preju-zo ao administrado e a relao de causalidade en-tre o fato e o dano percebido.

    III. Em princpio, os atos judiciais, aqueles praticados

    por membros do Poder Judicirio como exerccio t-pico da funo jurisdicional, no acarretam a res-ponsabilizao objetiva do Estado em indenizar o jurisdicionado, salvo nas hipteses de erro judici-rio, priso alm do perodo definido em sentena e em outros casos expressos em lei.

    Est correto o que se afirma APENAS em

    (A) I. (B) III. (C) I e III. (D) I e II. (E) II e III.

    Caderno de Prova A01, Tipo 004

  • DPSPD-Defensor Pblico-Primeira Prova Escrita 5

    13. A respeito da incidncia do imposto por transmisso causa mortis e doaes ITCMD, correto afirmar:

    (A) isento do ITCMD o herdeiro que levanta valores depositados em nome do de cujus a ttulo de fundo de garantia por tempo de servio e PIS-PASEP, no recebidos em vida pelo titular.

    (B) Em falecendo o cnjuge meeiro antes de ultimada a partilha do cnjuge pr-morto ambas as heranas devero ser inventariadas e partilhadas cumulativa-mente, desde que os herdeiros sejam os mesmos. Incidir-se- o ITCMD de uma nica vez, compreen-dendo o todo dos bens apurados no inventrio con-junto.

    (C) Realizar-se- o fato gerador do ITCMD quando se verificar cesso gratuita pura e simples de herdeiro na ao de arrolamento.

    (D) O herdeiro assistido pela Defensoria Pblica, que goza dos benefcios da justia gratuita, isento do recolhimento do ITCMD ao final da ao de inventrio, pois pessoa hipossuficiente na forma da lei.

    (E) Aps a promulgao da Constituio de 1988, a al-quota a ser aplicada, quando se fizer necessrio o recolhimento do ITCMD, aquela vigente no mo-mento em que se ultimar o inventrio.

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    14. No mbito da Administrao Tributria e da defesa dos direitos dos contribuintes em juzo, correto afirmar:

    (A) Consolidou-se na jurisprudncia do Supremo Tri-bunal Federal a tese segundo a qual cabvel o em-prego de ao civil pblica para impedir a cobrana de tributo, fundamentada na defesa de direitos indi-viduais homogneos dos contribuintes.

    (B) De acordo com deciso do Supremo Tribunal Fede-ral, legtima a postura do Estado em apreender mercadorias quando essas no estiverem acompa-nhadas de documentao fiscal idnea a provar sua origem e em ret-las at a comprovao de proce-dncia.

    (C) O termo sanes polticas engloba uma srie de exi-gncias apostas ao contribuinte pela Administrao Tributria com vistas a, de maneira indireta, impor quele o pagamento de tributo, sendo sinnimo de obrigaes acessrias.

    (D) O oferecimento de fiana bancria no ilide a in- cluso e no determina a excluso do nome do contribuinte no CADIN, uma vez que, segundo o artigo 151, do Cdigo Tributrio Nacional, no causa de suspenso da exigibilidade do crdito tributrio.

    (E) O Superior Tribunal de Justia admite a aplicao do instituto da denncia espontnea nos casos de im-posto sujeito ao lanamento por homologao.

    15. Os Tribunais Superiores se posicionaram em matria de defesa dos interesses dos contribuintes em face do poder pblico, no sentido de que (A) causa de iseno do imposto por transmisso

    causa mortis e doaes ITCMD quando se verifi-car, na ao de inventrio, declarao de morte presumida.

    (B) o mandado de segurana ao adequada para o

    contribuinte postular a declarao de compensao tributria, mas a compensao dos crditos no po-der ser deferida em medida liminar.

    (C) lcito ao Municpio criar alquotas progressivas do

    imposto predial e territorial urbano IPTU em razo do nmero de imveis pertencentes ao contribuinte.

    (D) possvel proceder interdio de estabelecimento

    comercial como mecanismo para pagamento de tri-butos estaduais.

    (E) inconstitucional o estabelecimento de multa, por lei

    de Estado-membro, em face do retardamento do in-cio ou do fim da ao de inventrio, somente sendo possvel Unio o estabelecimento de tal sano, uma vez que o nico ente federativo competente para legislar sobre Direito Processual Civil.

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    16. Sobre impostos municipais: (A) A apurao da base de clculo dos impostos predial

    territorial urbano IPTU e sobre a transmisso de bens imveis ITBI e de direitos a eles relativos, idntica em consonncia com a atual jurisprudncia do Superior Tribunal de Justia.

    (B) Como regra, a modalidade de lanamento direto ou

    de ofcio, previsto no artigo 149, do Cdigo Tributrio Nacional, a empregada tanto para o imposto pre-dial urbano IPTU quanto para o imposto sobre a transmisso de bens imveis ITBI e de direitos a eles relativos.

    (C) O imposto predial territorial urbano IPTU e o im-

    posto sobre transferncia de bens imveis ITBI compreendem alquotas progressivas por autoriza-o Constitucional.

    (D) Incide o imposto sobre transferncia de bens im-

    veis ITBI ao final da ao de usucapio, quando o pedido julgado procedente e o requerente obtm a propriedade imobiliria.

    (E) O Municpio poder majorar anualmente, mediante a

    edio de decreto, o valor venal dos imveis urbanos para fins de atualizao monetria da base de cl-culo do imposto predial territorial urbano IPTU, des-de que no exceda ao percentual da inflao oficial.

    _________________________________________________________

    Direito Penal 17. Sobre a pena de multa correto afirmar:

    (A) Na lei de drogas, sua previso proporcional con-

    dio econmica das pessoas concretamente sele-cionadas pela poltica criminal respectiva.

    (B) A frao de pena a ser cumprida como requisito

    objetivo para o indulto inclui a pena de multa aplica-da cumulativamente pena privativa de liberdade.

    (C) A comutao da pena restritiva de direitos no al-

    cana a pena de multa cumulativamente aplicada. (D) No possui carter estigmatizante, que prprio da

    pena privativa de liberdade. (E) possvel a extino da punibilidade independente-

    mente do pagamento da multa aplicada cumulativa-mente pena privativa de liberdade.

    Caderno de Prova A01, Tipo 004

  • 6 DPSPD-Defensor Pblico-Primeira Prova Escrita

    18. Sobre o regime disciplinar na execuo penal correto afirmar que (A) a jurisprudncia do STF no admite a relativizao

    da legalidade nas faltas disciplinares, como a aplica-o de falta grave pela posse de chip de telefone celular.

    (B) o cumprimento de sano disciplinar em cela escura

    deve ser comunicado pelo diretor ao juiz competente em at dez dias.

    (C) o descumprimento do dever de executar tarefas e

    ordens recebidas pelo preso configura falta discipli-nar de natureza grave, conforme a Lei de Execuo Penal.

    (D) destinado s penas privativas de liberdade, no

    existindo faltas graves na execuo de pena restri-tiva de direitos.

    (E) a condenao em falta disciplinar de natureza grave

    implica a revogao de um tero do tempo remido pelo trabalho ou estudo.

    _________________________________________________________

    19. Sobre a configurao do crime continuado, (A) a pluralidade de condutas com a unidade de resulta-

    do motivou a criao da fico legal para impedir pe-nas desproporcionais.

    (B) a exasperao da pena, de um sexto at dois ter-

    os, aplica-se igualmente s penas restritivas de di-reitos e pena de multa.

    (C) a jurisprudncia do STJ adota a teoria objetivo-

    subjetiva, prpria do sistema finalista, que busca afir-mar a pena em consonncia com a expresso exter-na da pretenso do agente.

    (D) a parte geral do Cdigo Penal de 1984 adotou ex-

    pressamente a teoria segundo a qual necessria a presena de unidade de desgnios e nexo subjetivo entre as condutas.

    (E) a partir das modernas concepes normativas do

    dolo, a presena das circunstncias de tempo, lugar, maneira de execuo e outras semelhantes, so in-capazes de presumir a favor do ru a existncia de unidade de propsitos.

    _________________________________________________________

    20. Sobre o iter criminis correto afirmar que (A) a jurisprudncia do STF, sobre a consumao do

    roubo seguido de morte sem subtrao da coisa, ul-trapassa os limites do conceito de consumao do Cdigo Penal.

    (B) a criminalizao de atos preparatrios como crimes

    de perigo abstrato autnomos no admita pela ju-risprudncia do STF, por violao do princpio da le-sividade.

    (C) em casos de acidente automobilstico sem a morte

    da vtima, provocado por ingesto de bebida alcoli-ca, no se pode presumir o dolo eventual, pois h casos em que a imputao subjetiva concreta verifi-ca a tentativa de homicdio culposo.

    (D) por razes de poltica criminal, o ordenamento jur-

    dico brasileiro tornou as tentativas de contraveno e falta disciplinar na execuo penal impunveis.

    (E) a correta imputao subjetiva do crime tentado re-

    quer o dolo de tentar o delito para no incorrer em excesso punitivo, comum no populismo penal con-temporneo.

    21. Sobre a relao entre sistema penal e pobreza correto afirmar que

    (A) a vertente criminolgica do conflito identifica a po-

    breza como principal causa da criminalidade e de-fende maior investimento social para reduzir as ta-xas de crimes.

    (B) tal qual o processo de criminalizao, a vitimizao

    tambm um processo seletivo que tem como alvo preferencial os mais pobres.

    (C) por se tratar de uma questo de sade, a internao

    das pessoas com transtorno mental pelas medidas de segurana no se d de maneira seletiva como no processo de criminalizao.

    (D) o surgimento da priso como forma de punio por

    excelncia nos sculos XVIII e XIX teve como ful-cro a substituio de penas cruis, mas somente nas ltimas duas dcadas passou a ser um mecanismo de controle social da pobreza.

    (E) o efetivo respeito ao garantismo penal capaz de

    reverter o carter seletivo do sistema penal brasileiro e sua consequente gesto autoritria da misria.

    _________________________________________________________

    22. Sobre o livramento condicional correto afirmar que (A) o preso no reincidente condenado a uma pena por

    crime comum e outra por crime hediondo deve cum-prir um sexto da primeira, mais metade da segunda como requisito objetivo para o livramento condicional.

    (B) a comutao de pena incompatvel com o cumpri-

    mento de pena em livramento condicional. (C) o sistema progressivo de cumprimento de pena im-

    pede a progresso por salto do regime fechado para o livramento condicional.

    (D) possvel a revogao do livramento condicional em

    virtude de condenao por crime cometido antes de sua vigncia.

    (E) o lapso temporal para o reincidente especfico em

    crime hediondo de mais de dois teros da pena. _________________________________________________________

    23. As provas indicam que a polcia decidiu partir para cima da populao de forma abusiva e indiscriminada, matando mais de 100 pessoas, grande parte em circunstncias que pouco tinha a ver com legtima defesa. Ademais, policiais encapuzados, integrantes de grupos de extermnio, mata-ram outras centenas de pessoas. Esses policiais realiza-ram caas aleatrias de homens jovens pobres, alguns em funo de seus antecedentes criminais ou de tatua-gens (tidas como sinais de ligao com a criminalidade) e muitos outros com base em mero preconceito. Identifica-mos 122 homicdios contendo indcios de terem sido exe-cues praticadas por policiais naquele perodo. (So Paulo sob achaque: corrupo, crime organizado e violncia institucional em maio de 2006. Human Rights Program at Harward University e Justia Global)

    O relato acima sobre os crimes de maio de 2006 em So

    Paulo exemplo de (A) criminalizao primria.

    (B) direito penal subterrneo.

    (C) criminalizao dos movimentos sociais.

    (D) direito penal do inimigo.

    (E) encarceramento em massa da pobreza.

    Caderno de Prova A01, Tipo 004

  • DPSPD-Defensor Pblico-Primeira Prova Escrita 7

    24. A teoria

    (A) da preveno especial negativa tem um papel deter-minante na doutrina do direito penal do inimigo de Gnther Jakobs.

    (B) materialista da pena, que remonta ao pensamento

    de Eugeny Pasukanis, confere priso um papel po-sitivo de integrao do preso nas relaes de produ-o das sociedades capitalistas contemporneas.

    (C) garantista da pena, de Luigi Ferrajoli, apresenta a

    pena como mecanismo de reduo do excesso de sofrimento causado pela priso, mas sem fins pre-ventivos.

    (D) agnstica da pena, elaborada por Eugenio Ral

    Zaffaroni, revelou que a pena no tem qualquer fun-o dentro do sistema de controle social forjado pelo direito penal.

    (E) unificadora da pena, desenvolvida por Claus Roxin,

    mescla as teorias preventivas e retributivistas com forte influncia nas categorias da teoria do delito.

    _________________________________________________________

    Direito Processual Penal 25. A colaborao premiada, prevista na Lei n

    o 12.850/13,

    (A) autoriza que o juiz profira sentena condenatria

    apenas com base nas declaraes do agente cola-borador.

    (B) prev que, para fazer jus aos benefcios da lei, seja

    indispensvel que o colaborador tenha revelado a estrutura hierrquica e a diviso de tarefas da or-ganizao criminosa.

    (C) um meio de obteno de prova permitido, apenas,

    na primeira fase da persecuo penal. (D) prev restries ao direito ao silncio. (E) prev que o juiz participe de todas as negociaes

    realizadas pelas partes para a formalizao do acor-do de colaborao.

    _________________________________________________________

    26. Paridade de armas no processo penal a igual distribui-o, durante o processo penal (...) aos envolvidos que de-fendem interesses contrapostos, de oportunidades para apresentao de argumentos orais ou escritos e de provas com vistas a fazer prevalecer suas respectivas teses pe-rante a autoridade judicial (Renato Stanziola Vieira, Paridade de armas no processo penal, Gazeta Jurdica, Braslia, 2014, p.

    236). Com base no texto acima, situao de NO violao ao

    princpio da paridade de armas: (A) Oferecimento de parecer do Ministrio Pblico em

    recurso decorrente de ao penal de iniciativa pblica. (B) Sustentao oral no Ministrio Pblico aps a defe-

    sa, em julgamento de recurso exclusivo da acusa-o.

    (C) Sigilo das medias cautelares em curso na investiga-

    o preliminar, cuja cincia ao investigado ou de-fensor possa prejudicar a eficcia do ato.

    (D) Abertura de vista ao Ministrio Pblico aps ofereci-

    mento de resposta acusao, onde se alega atipi-cidade pela incidncia do princpio da insignificncia.

    (E) Distribuio dos espaos fsicos entre as partes nos

    julgamentos populares.

    27. Na defesa de um ru acusado da prtica do crime de tr-fico de drogas, a Defensora Pblica, ao preparar os me-moriais, identificou no laudo toxicolgico juntado na data de audincia a meno ao fato de que a droga levada percia estava armazenada num saco transparente, fecha-do por grampos de papel, e com o lacre rompido. Em suas alegaes, a Defensora dever sustentar

    (A) a ilegitimidade da prova por conta da quebra da ca-

    deia de custdia. (B) a rejeio da denncia, j que ela no poderia ter

    sido recebida sem a juntada do laudo toxicolgico. (C) apenas a negativa de autoria, j que pacifico que a

    prova testemunhal poder suprir a deficincia da prova pericial.

    (D) a necessidade de realizao de nova percia. (E) a realizao de corpo de delito indireto.

    _________________________________________________________

    28. Considere a situao hipottica descrita a seguir. Adriano e Mrcio fazem parte do grupo Brigadas Mar-

    rons, movimento formado, em sua maioria, por estudan-tes universitrios que defendem o fim do Estado brasileiro e a implementao de uma comunidade estatal indita, alicerada sobre os ideais do movimento. As tticas do grupo se baseiam em depredao de nibus e metrs da cidade de So Paulo. Em certa data, Adriano e Mrcio foram presos em flagrante, e, aps, denunciados pela su-posta prtica dos crimes x, y e z, previstos no Cdigo Penal. Citados, Adriano e Mrcio no constituram defen-sor, tendo deixado de apresentar resposta acusao. Da priso, fizeram chegar imprensa a seguinte declarao: No reconhecemos nenhum rgo da justia. Seremos, ns mesmos, nossos defensores, mesmo sem sermos advogados.

    Conveno Americana de Direito Humanos: "Artigo 8. 2 (...) Durante o processo, toda pessoa tem di-

    reito, em plena igualdade, s seguintes garantias mnimas: (...)

    d) direito do acusado de defender-se pessoalmente ou de

    ser assistido por um defensor de sua escolha e de comu-nicar-se, livremente e em particular, com seu defensor;

    e) direito irrenuncivel de ser assistido por um defensor proporcionado pelo Estado, remunerado ou no, segundo a legislao interna, se o acusado no se defender ele prprio, nem nomear defensor dentro do prazo estabele-cido pela lei;".

    Diante da situao hipottica descrita, e com base no dis-

    positivo normativo previsto na Conveno Americana de Direito Humanos, citado acima,

    (A) a autodefesa de Adriano e Mrcio poderia ser exer-

    cida apenas na audincia de custdia. (B) a Defensoria Pblica atuar na defesa de Adriano e

    Mrcio por mandato constitucional. (C) o juiz nomear defensores ad hoc para cada ato do

    processo. (D) Adriano e Mrcio no sero defendidos por defen-

    sores custeados pelo mesmo Estado de que buscam a destruio.

    (E) a Conveno autoriza a dispensa da defesa tcnica,

    de modo que Adriano e Mrcio podero se defender sem constituir defensor tcnico.

    Caderno de Prova A01, Tipo 004

  • 8 DPSPD-Defensor Pblico-Primeira Prova Escrita

    29. Consta na denncia que Fernando da Silva teria, mediante ameaa, subtrado o celular da vtima Cludia Alencar, prximo a um ponto de nibus. Ainda segundo a inicial, Fernando teria praticado a conduta sozinho, e feito uso de arma de fogo. Consta, por fim, que fugira numa moto. Na audincia de instruo, uma testemunha fez chegar ao co-nhecimento das partes que a moto utilizada por Fernando era produto de furto. Encerrada a instruo, o Ministrio Pblico aditou a denncia, acrescentando a ela a impu-tao pela suposta prtica do delito de receptao. Diante disso, o Juiz abriu vista Defensoria Pblica para ela se manifestar em 5 dias. Nessa manifestao, o Defensor de-ver

    (A) requerer a absolvio sumria do ru, por falta de

    justa causa para o aditamento. (B) mencionar que aguarda a defesa final para se mani-

    festar, onde sustentar a continuidade delitiva entre as condutas.

    (C) arrolar 03 (trs) testemunhas, tal como autorizado

    pela art. 384, 4o.

    (D) aceitar o aditamento e requerer a designao de no-

    vo interrogatrio do ru, antes da apresentao de memoriais defensivos.

    (E) requerer a rejeio do aditamento, pois no se tra-

    ta de mutatio libeli, mas, sim, de imputao au-tnoma.

    _________________________________________________________

    30. Sobre o Jri, considere as afirmaes a seguir.

    I. , em tese, constitucional uma lei que atribua ao Jri a competncia para julgar os crimes contra o patrimnio, alm dos dolosos contra a vida.

    II. Se, aps instruo da primeira fase, o juiz entender pela desclassificao do homicdio tentado para le-so corporal consumada, poder julgar imediata-mente o feito.

    III. Se, em plenrio, a tese sustentada pela defesa con-sistir exclusivamente na negativa de autoria, a vota-o dos quesitos se encerrar se os jurados res-ponderem afirmativamente aos dois primeiros que-sitos.

    IV. A deciso sobre a incidncia ou no das agravan-tes e atenuantes alegadas nos debates ser do Juiz-presidente, no momento de prolao da sen-tena.

    Est correto o que se afirma APENAS em (A) III e IV.

    (B) I, III e IV.

    (C) I e IV.

    (D) II.

    (E) I.

    31. O arquivamento implcito do inqurito policial

    (A) consequncia lgica da rejeio parcial da denncia. (B) o fenmeno decorrente de o MP deixar de incluir na

    denncia algum fato investigado ou algum suspeito, sem expressa justificao.

    (C) o arquivamento promovido fundamentadamente pelo

    Procurador-Geral da Repblica dos inquritos que tratam de suposta prtica de crimes de competncia originria do Supremo Tribunal Federal.

    (D) o arquivamento operado de ofcio pelo delegado de

    polcia, quando este entende estarem ausentes pro-va da materialidade delitiva e indcios mnimos de autoria.

    (E) o arquivamento promovido pelo Procurador-Geral de

    Justia, aps a remessa dos autos pelo juiz de direito que discorda do pedido de arquivamento requerido pelo rgo do Ministrio Pblico em primeiro grau.

    _________________________________________________________

    32. O ru foi denunciado por furto simples. Aps a citao por edital, o processo foi suspenso, com fulcro no art. 366 do CPP. Sabendo que o furto possui pena de 01 (um) a 04 (quatro) anos, e que o prazo prescricional previsto para pena mnima de 04 (quatro) anos, enquanto para a mxima de 08 (oito) anos, o prazo prescricional ficar suspenso por

    (A) 8 (oito) anos. (B) 12 (doze) anos. (C) 3 (trs) anos. (D) 16 (dezesseis) anos. (E) 4 (quatro) anos.

    _________________________________________________________

    Direito Civil e Direito Comercial

    33. Joo, filho de Mrio (falecido em 01.01.2014) e neto de Raimundo por filiao paterna, comparece Defensoria Pblica informando que seu av, proprietrio de 2 (dois) imveis, realizou doao de uma de suas casas, em 05.05.2015, a suas duas nicas filhas vivas, Marta e Maura, sendo que o interessado, Joo, nico filho de Mrio, no anuiu com a doao, nada recebeu em virtude do ato de liberalidade e tampouco fora comunicado dela. Diante deste fato, (A) tendo em vista que a doao de ascendentes a des-

    cendentes importa adiantamento do que lhes cabe por herana, as filhas de Raimundo devero ser cha-madas colao caso verificado que a doao exce-deu a parte disponvel dos bens do doador, sujei-tando-se reduo a parte da doao feita que exceder a legtima e mais a quota disponvel.

    (B) verificando-se tratar de doao inoficiosa, o contrato

    restar eivado de nulidade que afetar o negcio ju-rdico como um todo.

    (C) caso Raimundo tivesse redigido testamento, ante-

    riormente morte de Mrio, atribuindo seu outro imvel a esse filho somente, ante a morte de Mrio, Joo herdaria o bem com base em seu direito de representao.

    (D) caso no momento da morte do doador se verifique

    que a doao realizada ultrapassou a legtima, nesta oportunidade aferida, a doao poder ser conside-rada nula quanto parte que exceder que o doa-dor poderia dispor em testamento.

    (E) a doao realizada anulvel, visto que no contou

    com a anuncia do descendente (neto) do doador, que representa o filho pr-morto.

    Caderno de Prova A01, Tipo 004

  • DPSPD-Defensor Pblico-Primeira Prova Escrita 9

    34. Considere os enunciados a seguir: I. O usufruto deducto possui natureza jurdica de direito real de fruio de carter temporrio, de origem voluntria, e, se

    incidente sobre bem imvel, torna-se eficaz com o registro do ttulo no cartrio de registro de imveis, retroagindo seus efeitos data da prenotao.

    II. O usufruto pode ser institudo por testamento ou por ato inter vivos, j o fideicomisso constitudo apenas por meio de

    testamento. Aproximam-se os institutos visto que em ambos preserva-se o direito sobre o bem a dois titulares. No entanto, uma das diferenas entre eles que, no usufruto, se morrer antes o nu-proprietrio, seus herdeiros herdaro apenas a nua-propriedade, permanecendo o usufruturio com seus direitos reais limitados; j no fideicomisso, falecendo o fideico-missrio, salvo disposio a respeito, seus herdeiros no lhe herdam o direito e o fiducirio torna-se pleno proprietrio.

    III. O direito real de habitao previsto nas normas que tratam da sucesso legtima, diferentemente do usufruto, decorre da

    lei e independe de registro, sendo atribuvel apenas ao cnjuge suprstite casado no regime da comunho parcial de bens e incidindo, por analogia, na unio estvel.

    IV. Constitudo o usufruto por ato inter vivos em favor de duas pessoas casadas, no caso de morte de uma delas, subsistir

    na totalidade o usufruto para o cnjuge sobrevivo, por fora de lei; o chamado direito de acrescer. V. A locao, diferentemente do usufruto, um direito de natureza obrigacional, o que explica a possibilidade de um

    adquirente de imvel locado exercer o direito de denncia da locao no prazo decadencial de 90 (noventa) dias a contar da aquisio da propriedade (em casos de locao por tempo indeterminado e inexistente clusula de vigncia averbada junto matrcula do imvel). J no caso de alienao da nua-propriedade, a situao do usufruturio permanecer inalterada, em face da oponibilidade do direito real.

    Est correto o que se afirma APENAS em

    (A) I, II e V. (B) III, IV e V. (C) I, III e V. (D) I, III e IV. (E) I, II e IV.

    35. Em relao ao direito ao nome,

    (A) a alterao judicial de prenome de pessoa transexual, que depende da realizao prvia de cirurgia de transgenitalizao, tem por base o princpio da dignidade da pessoa humana e o art. 55, pargrafo nico, da Lei n

    o 6.015/73, que impede o

    registro de prenomes suscetveis de expor ao ridculo seus portadores. (B) nome social o prenome que corresponde forma pela qual a pessoa se reconhece e identificada, reconhecida e

    denominada por sua comunidade e em sua insero social. Atualmente existem disposies legais que determinam o tratamento da pessoa pelo prenome indicado (nome social), porm, dos atos oficiais escritos dever constar somente o nome civil, sendo vedado o uso do nome social.

    (C) embora vigore em nosso ordenamento jurdico atual o princpio da imutabilidade do nome, este pode ser superado em certos casos, mesmo que no previstos expressamente na legislao, em observncia aos princpios da dignidade da pessoa humana, da identidade e da felicidade, adotando-se a tcnica da ponderao de interesses.

    (D) nos termos dos arts. 56 e 58 da Lei no 6.015/73 (lei de registros pblicos), possvel ao titular, no prazo prescricional de

    um ano aps atingir a maioridade civil, requerer ao juiz a mudana de seu prenome, independentemente de motivo justo, mas os apelidos de famlia no podem ser modificados nesta hiptese.

    (E) o enteado ou enteada poder, havendo motivo pondervel como, por exemplo, a comprovao de uma paternidade socioafetiva, requerer ao juiz competente que seja averbado em seu registro de nascimento o nome de famlia de seu padrasto ou madrasta, desde que haja concordncia destes e dos pais biolgicos, o que ocasionar prejuzo a seus apelidos de famlia originrios.

    36. Analise os seguintes enunciados a respeito da guarda: I. guarda alternada aquela que confere a cada genitor perodos de exclusividade com o filho, alternando-se os perodos

    de convvio, podendo ser entendida como uma modalidade de guarda compartilhada. II. na guarda nidal ou aninhamento, os filhos permanecem na residncia original e so os pais que realizam um reveza-

    mento, ou seja, a cada perodo um dos genitores ficar com os filhos na residncia original da famlia, modalidade vedada em nosso ordenamento atual.

    III. a guarda compartilhada, que constitui a regra geral e preferencial de nosso ordenamento atual, aquela exercida conjuntamente pelos pais, podendo ser deferida tambm em favor de pai (me) e av (av).

    IV. a guarda compartilhada tida como regra mesmo na hiptese de no haver consenso entre os pais, traduzindo-se em uma quebra da ideia de poder advinda da guarda unilateral e visando o melhor interesse dos filhos, de modo a funcionar como antdoto alienao parental.

    V. nas hipteses em que seja invivel a guarda compartilhada, a lei determina que a atribuio ou alterao da guarda dar-se- por preferncia ao genitor que viabiliza a efetiva convivncia da criana ou adolescente com o outro genitor.

    Est correto o que se afirma APENAS em (A) III, IV e V. (B) I, II e V. (C) I, III e V. (D) I e IV. (E) II e IV.

    Caderno de Prova A01, Tipo 004

  • 10 DPSPD-Defensor Pblico-Primeira Prova Escrita

    37. Acerca dos institutos da posse e da usucapio, (A) a usucapio especial urbana atinge imveis ocupa-

    dos por cinco anos ininterruptos e utilizados para moradia do ocupante ou de sua famlia, desde que no seja proprietrio de outro imvel. Ainda, o bem

    deve possuir no mximo 250 m2 e obedecer a frao mnima de parcelamento.

    (B) a usucapio ordinria ocorre quando o ocupante de

    boa-f possui o imvel por dez anos, de forma con-tnua e pacfica, e com justo ttulo, documentado por compromisso de compra e venda, ainda que recaia sobre o bem clusula de inalienabilidade, de cincia do possuidor.

    (C) a unio de posses pode se verificar inter vivos ou

    por meio de sucesso. Nesta ltima hiptese, caso os herdeiros ignorem eventuais vcios da posse, po-dero alegar tal desconhecimento em sua defesa, dando causa ao convalescimento da posse.

    (D) atualmente h previso legal da usucapio adminis-

    trativa no mbito da regularizao fundiria, nos ca-sos em que o ttulo de legitimao de posse con-vertido em propriedade.

    (E) o possuidor de boa-f tem direito aos frutos percebi-

    dos e, mesmo aps a citao em ao reivindica-tria, no responde pelos frutos colhidos.

    _________________________________________________________

    38. Joaquim comparece Defensoria Pblica alegando que recebeu notificao do tabelio de protestos relativa a cheque ao portador por ele emitido e no pago por falta de fundos. No entanto, alega que o notificante, Antnio da Silva, terceiro por ele desconhecido e que j realizou acordo com Luiz de Souza, pessoa com quem realizou a transao comercial que motivou a emisso do cheque. O acordo consistiu em uma compensao de dvidas, visto que Joaquim possua um crdito junto empresa de Luiz, uma sociedade empresria limitada.

    Ante o exposto, analise as assertivas a seguir. I. Dentre os princpios que regem os ttulos de crdito

    deve-se ressaltar o da autonomia ou indepen-dncia, que prev que o cheque, aps expedido, desliga-se da obrigao que lhe deu origem, tornando-se autnomo e exigvel por terceiro detentor do ttulo, em razo de sua circulao.

    II. O cheque ao portador permite sua circulao,

    sendo o titular do crdito quem porta o ttulo, no havendo limites sua emisso. J o cheque nominativo a ordem faz expressa meno do titular do crdito, o que impede sua circulao, s sendo transmissvel atravs da cesso civil de crditos.

    III. Tendo em vista a existncia de recusa de paga-

    mento comprovada pelo protesto, possvel ao portador do cheque cobrar o valor nele encartado do emitente e de todos os endossantes, de forma solidria, mesmo que algum deles alegue que a falta de fundos se deu por fato no imputvel a si.

    IV. No caso em tela no h que se falar em compen-

    sao de crditos. Joaquim emitiu o cheque em favor de Luiz, no podendo compensar crditos com a empresa deste, ante o requisito da reciprocidade exigido pelo instituto da compensao.

    Est correto o que se afirma APENAS em

    (A) III e IV. (B) I e III. (C) I e IV. (D) I, II e IV. (E) II e III.

    39. Sobre a teoria geral das obrigaes, correto afirmar:

    (A) No pode ser considerado em mora o credor que no quiser receber o pagamento no lugar estabele-cido contratualmente, mesmo que o devedor com-prove que o pagamento se faz reiteradamente em outro lugar.

    (B) Nas obrigaes alternativas, caso uma das presta-

    es torne-se inexequvel antes da concentrao, sem culpa do devedor, este poder escolher entre adimplir com a prestao restante ou pagar em di-nheiro o valor daquela que pereceu.

    (C) Quando uma obrigao indivisvel se converte em

    perdas e danos, ela se torna uma obrigao divis-vel. Pelo equivalente em dinheiro devido em razo do inadimplemento respondem todos os devedores, assim como pelas perdas e danos. No entanto, os devedores que no deram causa impossibilidade da prestao podem reaver do culpado o que paga-ram ao credor.

    (D) Ocorrendo a chamada novao subjetiva por expro-

    misso, mesmo sendo o novo devedor insolvente, no tem o credor ao regressiva contra o primeiro devedor.

    (E) A cesso de crdito um negcio jurdico bilateral

    pelo qual o credor transfere a outrem seus direitos na relao obrigacional, responsabilizando-se no s pela existncia da dvida como pela solvncia do cedido, por fora de lei.

    _________________________________________________________

    40. Marcos comparece Defensoria Pblica alegando que vi-via em unio estvel com Raquel e que, para moradia do casal, sua sogra Eunice cedeu-lhes de boca uma casa de sua propriedade. Durante o curso da unio, o casal construiu um quarto e banheiro na casa que j existia no terreno, alm da realizao de reformas aleatrias como encanamento e fiao. Ocorre que a unio estvel havida entre Marcos e Raquel foi dissolvida e Eunice notificou-o a deixar o imvel no prazo de 15 (quinze) dias. Informou Marcos, ainda, que sempre pagou o IPTU e taxas condo-miniais do imvel. Desse modo,

    (A) o comodatrio que se negar a restituir a coisa ven-

    cido o prazo contratual pratica esbulho, porm, con-tra ele no cabvel ao de reintegrao de posse, visto ser o comodato um contrato real.

    (B) tendo em vista que Marcos pagava os impostos e ta-

    xas gerados pelo imvel, no h que se falar em co-modato, visto ter este contrato natureza jurdica uni-lateral e gratuita. Configura-se, no caso em tela, um contrato de locao por prazo indeterminado. Assim, o prazo para ele deixar o imvel seria de 30 (trinta) dias, conforme previsto na lei de locao de imveis urbanos.

    (C) Marcos no ter direito indenizao pelas benfeito-

    rias necessrias realizadas no imvel, porm, ter di-reito de reteno do bem pela construo nele reali-zada, independentemente da comprovao de boa-f.

    (D) o negcio jurdico realizado quando da cesso da

    casa no pode ser tido como comodato, pois, envol-vendo bem imvel, o negcio deveria ter sido forma-lizado por instrumento pblico ou particular, levado a registro junto ao cartrio de registro de imveis.

    (E) aps a notificao emitida pela proprietria do bem,

    Marcos estar constitudo em mora e, alm de res-ponder pelo bem, dever pagar aluguel arbitrado por Eunice at restitu-la do imvel cedido.

    Caderno de Prova A01, Tipo 004

  • DPSPD-Defensor Pblico-Primeira Prova Escrita 11

    Direito Processual Civil

    41. Maria da Silveira comparece Defensoria Pblica bus-

    cando orientaes jurdicas e a adoo de providncias para o cumprimento da sentena que fixou os alimentos em favor seu filho, Eduardo, transitada em julgado h 3 anos. Ocorre que o devedor, genitor do alimentando, est inadimplente desde ento. Diante desta situao, ve-rifique as afirmaes abaixo.

    I. O Defensor dever ajuizar duas aes de execuo

    de alimentos, uma com fundamento no artigo 733, do Cdigo de Processo Civil (pleiteando o paga-mento das ltimas trs parcelas e daquelas que se vencerem no curso da demanda, sob pena de priso), e a outra com fundamento no artigo 475-J, do Cdigo de Processo Civil (pleiteando o paga-mento das anteriores, sob pena de penhora), em observncia Smula n

    o 309 do Superior Tribunal

    de Justia. II. O prazo mximo da priso civil de 60 (sessenta)

    dias, pois prevalece o disposto na Lei de Alimentos sobre a previso do Cdigo de Processo Civil.

    III. O decurso do prazo mximo da priso acarreta a

    expedio de alvar de soltura e a quitao do d-bito que ensejou a priso.

    IV. possvel a utilizao de outros instrumentos de

    coero, alm da priso civil, tal como o lanamen-to do nome do devedor nos cadastros de proteo ao crdito.

    V. Aps o cumprimento do prazo mximo de priso,

    no mais ser possvel decretar a priso civil do de-vedor em razo de novas parcelas vencidas no cur-so da mesma ao.

    Est correto o que se afirma APENAS em

    (A) III, IV e V.

    (B) I e IV.

    (C) I, II e IV.

    (D) I, IV e V.

    (E) II, III e IV.

    _________________________________________________________

    42. A respeito das provas no processo civil, correto afirmar que

    (A) o magistrado que no admite uma prova em razo

    de ter formado a sua convico age corretamente, pois ele o destinatrio da prova, tornando intil ou protelatria a produo de qualquer outra prova depois que j formou a sua convico.

    (B) diante da mxima jura novit curia (o juiz conhece o

    direito), a parte que alega a existncia e a vigncia de uma determinada lei no tem que produzir prova a este respeito, sendo vedado ao magistrado deter-minar que a parte o faa.

    (C) toda a prova documental deve ser apresentada pelo

    autor juntamente com a petio inicial, e pelo ru no momento da resposta sob pena de precluso.

    (D) o depoimento pessoal de uma parte pode ser deter-

    minado de ofcio pelo magistrado ou mediante re-querimento da parte adversa; a recusa ao depoi-mento pode ensejar a pena de confisso dos fatos contra ela alegados.

    (E) segundo a teoria da distribuio dinmica do nus

    da prova, a dinmica da relao processual, ou seja, o polo da demanda ocupado pela parte, que determinar sobre quais pontos recai o seu nus probandi.

    43. Diante de uma execuo de ttulo executivo extrajudicial: I. os embargos do devedor tm natureza jurdica de

    ao, mas no suspendem a execuo, uma vez que a lei condiciona o seu recebimento existncia de penhora.

    II. a objeo de pr-executividade tem carter endo-processual e pode ser apresentada mesmo aps o prazo para os embargos, mas apresenta restrio no mbito da cognio.

    III. a concesso de tutela antecipada em uma ao au-tnoma de impugnao pode suspender a ao executiva.

    IV. o devedor pode valer-se das defesas heterotpicas incidentalmente no processo executivo, indepen-dente de segurana do juzo.

    V. caso em embargos se alegue a inexistncia do cr-dito e o excesso de execuo, o embargante deve indicar a parcela incontroversa do dbito em memo-rial de clculo, sob pena de rejeio liminar dos em-bargos.

    Est correto o que se afirma APENAS em (A) II, III, IV e V. (B) II, III e IV. (C) I, III e IV. (D) I, II e III. (E) III, IV e V.

    _________________________________________________________

    44. Roberto ajuizou ao visando indenizao por danos mate-riais e morais. Em primeiro grau, o magistrado julgou par-cialmente procedente a demanda, para o fim de condenar o requerido a pagar pelos danos materiais, mas negou a existncia de danos morais. O requerido resignou-se com a deciso e no recorreu. Roberto, por seu turno, recorreu visando a total procedncia do pedido inicial. Cinco anos depois, o Tribunal de Justia, por maioria de votos, manteve integralmente a deciso de primeiro grau. Diante desta situao, correto que (A) caso no haja recurso contra esse Acrdo, no pra-

    zo de dois anos contados do seu trnsito em julga-do, o requerido ainda poder ajuizar ao rescisria questionando inclusive o captulo da sentena que no foi impugnado na apelao, pois o prazo para a rescisria s teve incio aps o trnsito em julgado do ltimo provimento judicial; alm disso, caso o prazo se encerre em dia no til, prorroga-se para o primeiro dia til sequente.

    (B) caso uma das partes apresente recurso especial des-conhecendo que a outra ops embargos de decla-rao, sendo este ltimo desprovido, mantido inte-gralmente o Acrdo recorrido, aps a intimao das partes do julgamento dos embargos, automatica-mente ser processado o recurso especial, conforme entendimento atual do Superior Tribunal de Justia.

    (C) caso o Acrdo tenha contrariado expressamente o disposto em Smula dos Tribunais Superiores, ser cabvel a interposio de recurso especial com fun-damento no artigo 105, inciso III, alnea a, da Constituio Federal, alegando a violao ao enun-ciado da Smula.

    (D) este Acrdo desafia embargos infringentes, pois a deciso no foi unnime, razo pela qual antes de interpor recurso especial ou extraordinrio os inte-ressados devem esgotar as vias de impugnao ordinria neste caso, com embargos infringentes.

    (E) caso o Acrdo no tenha analisado a aplicao de um dispositivo da lei federal expressamente suscita-do nas razes de apelao, possvel a interposio de recurso especial, sendo desnecessrio opor embargos de declarao nesta hiptese, pois houve prequestionamento nas razes recursais.

    Caderno de Prova A01, Tipo 004

  • 12 DPSPD-Defensor Pblico-Primeira Prova Escrita

    45. De acordo com as disposies da Lei no 9.099/95 e os

    Enunciados do FONAJE, INCORRETO afirmar que, nos Juizados Especiais Cveis (A) contra as decises do Colgio Recursal, possvel a

    interposio de embargos de declarao ou recurso extraordinrio ao Supremo Tribunal Federal, se hou-ver violao Constituio Federal, mas incabvel a interposio de recurso especial ao Superior Tribu-nal de Justia, ainda que haja violao a lei federal ou controvrsia jurisprudencial.

    (B) ainda que o requerido apresente resposta, oral ou

    escrita, no est dispensado do comparecimento pessoal, sob pena de incidncia dos efeitos da re-velia.

    (C) admitem-se apenas causas que no sejam comple-

    xas, razo pela qual as aes nas quais se discutem a ilegalidade de juros so incompatveis com os princ-pios da informalidade e da simplicidade que vige nos Juizados Especiais, uma vez que elas inexoravel-mente demandam prova complexa (percia contbil).

    (D) em causas cujo valor no supere vinte salrios m-

    nimos, as partes comparecero pessoalmente, po-dendo ser assistidas por advogado; nas de valor su-perior, a assistncia obrigatria; neste ltimo caso, a obrigatoriedade s se aplica instruo, pois o pe-dido inicial e a conciliao no necessitam de assis-tncia obrigatria.

    (E) pessoa jurdica que no seja microempresa ou em-

    presa de pequeno porte no pode figurar como au-tora, mas pode apresentar pedido contraposto; nas causas cujo valor seja inferior a 20 salrios mnimos, o acolhimento do pedido contraposto poder superar o valor do pedido inicial, desde que observado o teto de 40 salrios mnimos.

    _________________________________________________________

    46. Em um processo eletrnico, foi disponibilizada intimao eletrnica no Portal do Tribunal de Justia do Estado de So Paulo, destinada ao Defensor Pblico responsvel. A intimao se referia a deciso que deferia ao Defensor o prazo de 05 (cinco) dias para manifestao. Diante desta situao, e levando-se em considerao o disposto na Lei n

    o 11.419/06 (Lei do Processo Eletrnico), o prazo de

    05 (cinco) dias para a manifestao ter incio (A) somente aps o Defensor Pblico efetivar consulta

    eletrnica do teor da intimao eletrnica, sendo irrelevante a data em que esta foi enviada ao Portal Eletrnico do Tribunal de Justia.

    (B) depois de 10 (dez) dias, contados a partir da data do

    envio da intimao ao Portal Eletrnico do Tribunal de Justia, sendo irrelevante a data em que o Defen-sor Pblico efetivou consulta eletrnica do teor da intimao.

    (C) a partir do primeiro dia til aps a publicao da in-

    timao no Dirio de Justia Eletrnico com a ne-cessria indicao do nome do Defensor Pblico responsvel, o que vale como intimao pessoal, por disposio expressa da lei.

    (D) somente aps a intimao pessoal do Defensor P-

    blico responsvel por meio de Oficial de Justia, uma vez que no se aplica a sistemtica da intima-o eletrnica queles que tm a prerrogativa da in-timao pessoal por previso legal.

    (E) quando o Defensor Pblico efetivar consulta eletr-

    nica do teor da intimao ou, caso no o faa no prazo de 10 (dez) dias a partir do envio da intimao eletrnica, a intimao ser considerada automatica-mente realizada aps este prazo.

    47. Sobre sentena e coisa julgada: (A) Uma sentena proferida por juiz absolutamente in-

    competente nula, razo pela qual no faz coisa jul-gada material.

    (B) A coisa soberanamente julgada ocorre aps o de-curso do prazo para a querela nullitatis insanabilis.

    (C) A deciso que homologa um acordo entre as partes tem natureza jurdica de sentena terminativa.

    (D) A deciso que indefere a inicial em razo do reco-nhecimento da prescrio tem natureza jurdica de sentena definitiva.

    (E) A sentena que extingue o processo sem resoluo do mrito, embora no faa coisa julgada material, pode impedir a repropositura de ao idntica.

    _________________________________________________________

    48. Intimado de uma sentena contrria aos interesses do au-tor por ele representado, o Defensor Pblico observou que o magistrado de primeiro grau invocou a aplicao de uma Smula do Superior Tribunal de Justia para afastar a sua pretenso. Pesquisando os precedentes que deram en-sejo Smula, concluiu que as hipteses fticas que gera-ram o precedente eram substancialmente diferentes do caso julgado. Inconformado, apela desta deciso. Utilizan-do a tcnica correta, o Defensor dever (A) alegar a nulidade da sentena em razo de error in

    judicando. (B) pedir o afastamento do binding effect que decorre

    das Smulas do Superior Tribunal de Justia. (C) pedir a superao do precedente, mediante overhulling. (D) pedir o afastamento do precedente, mediante

    distinguishing. (E) ajuizar reclamao junto ao Superior Tribunal de

    Justia, pelo descumprimento da Smula. _________________________________________________________

    Direitos Difusos e Coletivos

    49. Comunidade com populao predominantemente hipossu-ficiente, em processo de regularizao fundiria, nos termos da Lei n

    o 11.977/2009, teve concluda a etapa de

    demarcao urbanstica e entrega de ttulos de legiti-mao da posse pelo Poder Pblico local. Aps a entrega dos ttulos, os moradores constituem uma associao que, em assembleia geral, decide, por maioria absoluta, instalar um porto na nica entrada da comunidade. Decidem ainda instituir uma contribuio mensal a ser paga por todos os moradores, visando o custeio de alguns servios comunitrios, tais como a manuteno e limpeza das partes comuns, pagamento do salrio de um porteiro e a distribuio individualizada de correspondncias. Um grupo de moradores da comunidade, discordando da co-brana aprovada pela assembleia, procura a Defensoria Pblica, para obter orientao jurdica sobre a possibili-dade de tal cobrana. Considerando o posicionamento consolidado do Superior Tribunal de Justia sobre o tema, a cobrana seria possvel, (A) pois trata-se de um condomnio anlogo ao previsto

    na ao de usucapio coletivo, obrigando todos os condminos, independente de concordarem ou no com a cobrana.

    (B) desde que restrita aos associados, uma vez que, com a realizao da assembleia, constituram um condomnio de fato, havendo obrigao legal de suportar o nus.

    (C) pois trata-se de condomnio sui generis lastreado na composse, obrigando a todos, independente do fato de pertencerem ou no aos quadros da associao.

    (D) independente da espcie de composse ou condo-mnio institudo ou, ainda, do fato de pertencerem ou no aos quadros da associao, considerando a ve-dao ao enriquecimento sem causa.

    (E) desde que restrita aos moradores que se associa-ram e que anuram com a cobrana, no obrigando os demais moradores.

    Caderno de Prova A01, Tipo 004

  • DPSPD-Defensor Pblico-Primeira Prova Escrita 13

    50. Com grande frequncia, acorrem s portas da Defensoria Pblica pessoas pobres buscando ajuda estatal para trata-mento de familiares com problemas relacionados ao uso compulsivo de drogas. Em muitos casos, por mais evi-dente que seja a gravidade dos sintomas, h recusa do dependente em submeter-se ao tratamento indicado. Em determinado municpio, localizado no interior do Estado, os familiares dos dependentes, j com indicao mdica para internao teraputica, ao procurarem os equipamen-tos pblicos de sade e relatarem a situao de recusa do dependente em comparecer voluntariamente rede, para que seja iniciado o tratamento, recebem a informao dos tcnicos municipais que, diante da recusa do dependente em buscar a rede, nenhuma medida poderia ser efetivada sem ordem judicial, e que os servios de sade s pode-riam agir em um cenrio de urgncia concreta (surtos, overdose etc). Como consequncia deste entendimento, providenciam encaminhamento formal dos familiares De-fensoria Pblica, para que o rgo de atuao respons-vel proponha medida judicial visando a internao dos pacientes para incio do tratamento.

    A orientao fornecida pelos tcnicos municipais, no caso hipottico acima narrado, (A) incorreta, j que seria o caso de internao invo-

    luntria, que pode ser efetivada pelo prprio munic-pio, a pedido dos familiares, desde que precedida do necessrio laudo mdico circunstanciado, indepen-dente de ordem judicial.

    (B) incorreta, j que seria o caso de internao com-

    pulsria, considerando que a pessoa no tem dom-nio sobre a sua condio psicolgica e fsica, poden-do ser efetivada pelo prprio municpio, a pedido dos familiares, desde que precedida do necessrio laudo mdico circunstanciado, independente de ordem ju-dicial.

    (C) correta, uma vez que deve prevalecer o princpio

    constitucional estampado no art. 5o, inciso II da

    Constituio Federal, de que ningum ser obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa seno em virtude de lei, no sendo possvel o tratamento e, ou, a internao do dependente sem ordem judicial.

    (D) incorreta, j que seria o caso de internao volun-

    tria, que pode ser efetivada pelo prprio municpio, a pedido dos familiares, desde que precedida de laudo mdico circunstanciado, independente de or-dem judicial.

    (E) correta, j que seria o caso de internao com-

    pulsria, considerando que a pessoa no tem dom-nio sobre a sua condio fsica ou psicolgica e, ainda, o risco sua integridade fsica e de terceiros, somente podendo ser efetivada por ordem judicial.

    _________________________________________________________

    51. A reparao fluida (fluid recovery) em ao coletiva consu-merista, (A) exige o transcurso do lapso anual, cujo termo inicial

    deve ser contado a partir da data da deciso conde-natria.

    (B) tem sua avaliao de cabimento como resultado da

    ponderao entre a gravidade do dano e o nmero de vtimas efetivamente habilitadas.

    (C) deve ter o resultado financeiro obtido partilhado pro-

    porcionalmente entre as vtimas habilitadas no pro-cesso, de acordo com os danos suportados por cada um.

    (D) configura hiptese de execuo individual plrima. (E) pode ser manejada pelas vtimas do dano ou pelos

    legitimados extraordinrios.

    52. A Lei de Diretrizes e Bases da Educao, Lei no 9.394 de

    20 de dezembro de 1996 (LDB), estabelece que o acesso educao bsica obrigatria constitui direito pblico subjetivo, sendo exigvel, inclusive pela via judicial, em caso de no-oferecimento ou de oferta irregular do ensino obrigatrio pelo Poder Pblico. Dentre os instrumentos ju-rdicos previstos na LDB, para efetivao de tal direito, en-contramos os abaixo listados, EXCETO:

    (A) Gratuidade de justia. (B) Possibilidade de imputao de crime de responsabi-

    lidade autoridade competente, em caso de negli-gncia.

    (C) Rito sumrio para trmite da ao.

    (D) Legitimidade concorrente e disjuntiva de associa-es comunitrias, organizaes sindicais, cidados ou grupos de cidados, dentre outros legitimados, para exigir do Poder Pblico a sua efetivao.

    (E) Competncia das Varas da Infncia e Juventude, on-de houver, para processar e julgar as causas.

    _________________________________________________________

    53. Atravs da Resoluo no 545, de 08 de janeiro de 2015, a

    ARSESP Agncia Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de So Paulo autorizou a Sabesp a instituir o mecanismo tarifrio de contingncia, no Programa de In-centivo Reduo de Consumo de gua, estabelecendo acrscimo de at 100% sobre o valor da tarifa para aque-les usurios que ultrapassassem a mdia do consumo mensal apurada, no perodo de fevereiro de 2013 a janeiro de 2014. Sobre tal mecanismo tarifrio, implementado por Resoluo da agncia reguladora, em cotejo com a Lei n

    o 11.445, de 11 de janeiro de 2007, que instituiu as diretri-

    zes nacionais para o saneamento bsico e para a poltica federal de saneamento bsico, correto afirmar: (A) A Lei omissa em relao possibilidade de im-

    plantao do mecanismo tarifrio de fomento mo-derao do consumo. Entretanto, interpretao siste-mtica do ordenamento jurdico, autoriza a adoo do mecanismo atravs de Resoluo, considerando a primazia do interesse coletivo sobre o interesse in-dividual.

    (B) A implantao do mecanismo tarifrio de contingn-

    cia atravs de Resoluo, com vis nitidamente pu-nitivo, contraria a Lei, pois esta probe expressa-mente a utilizao de acrscimo tarifrio como forma de punio ao consumidor, mesmo que objetive o fomento moderao do consumo de gua.

    (C) A Resoluo no se coaduna com os princpios fun-

    damentais para a prestao de servios pblicos de saneamento bsico, eis que a Lei silente em rela-o possibilidade de implantao de mecanismos de fomento moderao do consumo.

    (D) A Lei contempla expressamente a possibilidade de

    utilizao do mecanismo previsto na Resoluo, condicionando sua instituio, entretanto, ao prvio reconhecimento de situao de escassez ou de con-taminao dos recursos hdricos que obrigue a ado-o do racionamento.

    (E) A utilizao do mecanismo previsto pela Resoluo

    permitida pela Lei, prescindindo da adoo do ra-cionamento. Entretanto, os recursos arrecadados devem ser aplicados exclusivamente na cobertura dos custos adicionais decorrentes da crise por es-cassez ou contaminao dos recursos hdricos.

    Caderno de Prova A01, Tipo 004

  • 14 DPSPD-Defensor Pblico-Primeira Prova Escrita

    54. [...] Esse conjunto de entidades envolvido no debate ambiental brasileiro esteve sempre atravessado por uma questo central: a de como engajar-se em campanhas que evocam a proteo ao meio ambiente sem desconsiderar as evidentes prioridades da luta contra a pobreza e a desigualdade social ou mostrando-se capaz de responder aos propsitos desenvolvimentistas cor-rentes que almejam a rentabilizao de capitais em nome da gerao de emprego e renda. Em outros termos, como conquistar legitimidade para as questes ambientais, quando, com frequncia, a preocupao com o ambiente apresentada como um obstculo ao enfrentamento do desemprego e superao da pobreza? Como dar um tratamento lgico e socialmente aceitvel s implicaes ambientais das lutas contra a desigualdade social e pelo desenvolvimento econmico?

    (ACSELRAD, Henri. Ambientalizao das lutas sociais o caso do movimento por justia ambiental. Estudos avanados, So Paulo, v. 24, n. 68, p. 103-119, 2010. Disponvel em: . Acesso em 10 de agosto 2015. http://dx.doi.org/10.1590/S0103-40142010000100010)

    O trecho acima reproduzido alude a uma das questes centrais em matria de justia ambiental: o conflito entre o

    desenvolvimento econmico e a preservao ambiental. O tema justia ambiental

    I. incorpora a lgica do princpio administrativo da distribuio equitativa dos nus e encargos, considerando que os riscos ambientais e a poluio atingiriam a todos indistintamente e na mesma proporo.

    II. tem sua origem associada, segundo parte da doutrina, s lutas raciais desenvolvidas pelos negros nos Estados Unidos,

    na dcada de 1980.

    III. defende a ponderao quantitativa entre os especficos direitos das comunidades afetadas pelos empreendimentos e o direito coletivo ao desenvolvimento econmico.

    IV. sustenta a necessidade de considerao da dimenso histrica e social na anlise da questo ambiental.

    V. tem dentre seus princpios o fomento gesto democrtica e o acesso informao.

    VI. prioriza, como estratgia de efetivao de justia ambiental, a realizao de estudos tcnicos divergentes como suporte

    s comunidades afetadas por empreendimentos que gerem riscos, em contraposio aos Estudos de Impacto Ambiental elaborados pelos empreendedores-poluidores.

    Est correto o que se afirma APENAS em

    (A) II, V e VI. (B) II, IV e V. (C) III, IV e V. (D) I, IV e VI. (E) I, III e V.

    55. Sobre o posicionamento dos tribunais superiores em tema de processo coletivo e aes constitucionais, INCORRETO afirmar:

    (A) O Supremo Tribunal Federal firmou entendimento de que, em aes coletivas propostas por associaes, apenas os

    associados que tenham dado autorizao expressa para a propositura da ao podero executar o ttulo judicial ali engendrado, sendo que tal autorizao pode ser dada por ato individual ou em assembleia geral.

    (B) Em julgamento de recurso representativo de controvrsia, o Superior Tribunal de Justia assentou que a liquidao e a

    execuo individual de sentena genrica proferida em ao civil coletiva pode ser ajuizada no foro do domiclio do beneficirio. (C) De acordo com posio consolidada do Supremo Tribunal Federal, a desistncia da ao de mandado de segurana, aps

    prestadas as informaes, independe de aquiescncia da autoridade apontada como coatora ou da entidade estatal interessada ou, ainda, da anuncia de eventuais litisconsortes passivos necessrios, mas deve ser manifestada at a prolao da sentena concessiva do writ.

    (D) O Superior Tribunal de Justia vem admitindo o ingresso de assistentes litisconsorciais na ao popular a qualquer tempo,

    mesmo depois de prolatada a sentena de mrito, desde que comprovado o requisito da cidadania, contido no art. 1o, 3

    o

    da Lei de Ao Popular. (E) Em aes civis pblicas ambientais, o Superior Tribunal de Justia vem prestigiando o princpio in dubio pro natura,

    admitindo a inverso do nus da prova, para determinar ao empreendedor da atividade potencialmente perigosa que demonstre a inexistncia de dano e, ou, a segurana do empreendimento.

    56. A partir da anlise comparativa do tratamento jurdico dispensado pelas Leis Federais n

    o 12.587, de 3 de janeiro de 2012, que

    instituiu as diretrizes da Poltica Nacional de Mobilidade Urbana PMNU (Lei da PMNU), e Lei Federal no 8.987, de 13 de fevereiro de 1995, que dispe sobre o regime de concesso e permisso da prestao de servios pblicos, conforme previso do artigo 175 da Constituio Federal (Lei de Concesses), acerca da poltica tarifria, da adequao dos servios e dos direitos dos usurios dos servios pblicos de transporte coletivo, INCORRETO afirmar: (A) A Lei da PMNU restringiu a possibilidade de aferio do equilbrio econmico e financeiro da concesso ou da permisso

    s revises ordinrias da tarifa, enquanto a Lei de Concesses permite tal aferio tambm por reviso extraordinria. (B) A Lei da PMNU adotou o conceito de servio adequado contido na Lei de Concesses, que o define como sendo aquele

    que satisfaz as condies de regularidade, continuidade, eficincia, segurana, atualidade, generalidade, cortesia na sua prestao e modicidade das tarifas.

    (C) Ambos os diplomas normativos preveem a possibilidade de utilizao de receitas extratarifrias complementares, que

    contribuam para a modicidade das tarifas ou possibilitem a cobertura de eventual dficit tarifrio. (D) Nos termos da Lei da PNMU, inserem-se no rol de direitos dos usurios, dentre outros, o direito a ser informado nos locais

    de embarque e desembarque sobre os horrios, itinerrios, tarifas e, se o caso, sobre as formas de interao com outros modais de transporte.

    (E) Enquanto a Lei de Concesses fixa um prazo mximo de resposta s reclamaes dos usurios de at trinta dias, a Lei da

    PMNU no contm dispositivo expresso fixando prazo certo para resposta ao usurio sobre eventual reclamao, ga-rantindo, entretanto, o direito de o usurio ser informado sobre os meios para reclamaes e respectivos prazos de resposta.

    Caderno de Prova A01, Tipo 004

  • DPSPD-Defensor Pblico-Primeira Prova Escrita 15

    Direito da Criana e do Adolescente

    57. Um adolescente primrio acusado da prtica de um ato infracional equiparado ao crime de uso de drogas (arti-go 28 da Lei n

    o 11.343/06). Na sentena, o magistrado

    aps afastar a inconstitucionalidade do dispositivo e as teses defensivas, e, comprovada a autoria e a materiali-dade, poder, sem que ocorra qualquer ilegalidade, con-denar o adolescente

    (A) concedendo a ele remisso cumulada ou no com medida socioeducativa.

    (B) aplicando medida protetiva de acolhimento institucio-

    nal em virtude do estado de vulnerabilidade causado pelo envolvimento com drogas.

    (C) aplicando quaisquer das medidas socioeducativas

    em meio aberto. (D) aplicando quaisquer das medidas socioeducati-

    vas. (E) no aplicando nenhuma medida socioeducativa ou

    protetiva. _________________________________________________________

    58. Um adolescente primrio e morador da cidade de Franca cumpre medida socioeducativa de internao na cidade de So Paulo, h 50 (cinquenta) dias, em virtude de condena-o na cidade de Franca, pela prtica de ato infracional equiparado ao crime de trfico de drogas (artigo 33 da Lei n

    o 11.343/2006), estando na capital do estado por falta de

    vagas na sua cidade de origem. Como Defensor Pblico atuante na cidade de So Paulo, a defesa primordial a ser realizada no processo de execuo dever ser

    (A) questionar a ilegalidade da manuteno da interna-o em virtude do esgotamento do prazo de 45 dias previsto no artigo 108 do ECA.

    (B) questionar a ilegalidade da manuteno da interna-

    o, devendo ser o adolescente imediatamente pos-to em medida de semiliberdade em Franca, j que no h vagas na medida de internao naquela lo-calidade.

    (C) questionar a ilegalidade da medida de internao aplicada, por ferir a smula 492 do Superior Tribunal de Justia.

    (D) questionar a ilegalidade da manuteno da interna-

    o, uma vez que o artigo 49, inciso II, do SINASE no permite a internao deste adolescente fora da sua comarca de residncia por ausncia de vagas, devendo ser inserido em medida em meio aberto.

    (E) a anlise dos relatrios apresentados, inclusive o plano individual de atendimento, aguardando-se o cumprimento da finalidade da medida nos termos do artigo 46, inciso II, do SINASE.

    59. O Ministrio Pblico do Rio Grande do Sul prope ao de destituio do poder familiar cumulada com pedido de apli-cao de medida de proteo para uma criana que se encontra na cidade de Porto Alegre temporariamente com o genitor, usurio de drogas e impossibilitado momenta-neamente de assumir os cuidados da criana. Sua guarda provisria , ento, conferida ao irmo do genitor, tambm residente em Porto Alegre. Ocorre que, em questo de dias, a criana retorna aos cuidados da genitora na cidade de So Paulo, pessoa que sempre foi a responsvel pelos seus cuidados. Diante do caso apresentado, para o julga-mento da referida ao, competente a comarca de

    (A) So Paulo por ser o lugar de permanncia habitual da criana, por interpretao do artigo 147 do ECA atravs dos princpios do juzo imediato e do melhor interesse da criana.

    (B) Porto Alegre, por ser o local onde a criana encon-trava-se em situao de risco e, portanto, onde ocorreu o dano.

    (C) So Paulo, pois sempre ser competente a comarca onde encontrar-se a criana, nos termos do arti-go 147, inciso II do ECA.

    (D) Porto Alegre, diante da perpetuao da jurisdio aps a propositura da ao, sendo certo que a crian-a ali residia na data da propositura da ao, no podendo haver mudana de competncia a cada mudana da criana.

    (E) Porto Alegre, uma vez que a guarda legal, ainda que provisria, do tio da criana que reside nesta cida-de aplicando-se assim o artigo 147, inciso I doECA.

    _________________________________________________________

    60. Analise as assertivas quanto ao direito convivncia fa-miliar de crianas e adolescentes em casos de privao de liberdade de seus familiares.

    I. As visitas de crianas e adolescentes ao pai ou

    me privados de liberdade independem de autoriza-o judicial, seja do juzo da infncia, seja do juzo corregedor da unidade prisional.

    II. A criana dever estar acompanhada de seu res-

    ponsvel legal para realizar a visita na unidade pri-sional.

    III. Em caso de acolhimento institucional de respon-

    sabilidade da entidade responsvel pelo servio acompanhar a criana ou o adolescente nessas vi-sitas.

    IV. So vedadas as visitas de crianas e adolescentes

    aos membros da famlia extensa que encontrarem-se privados da liberdade.

    Est correto o que se afirma APENAS em

    (A) II e III.

    (B) I e III.

    (C) I, II e III.

    (D) III e IV.

    (E) I e II.

    Caderno de Prova A01, Tipo 004

  • 16 DPSPD-Defensor Pblico-Primeira Prova Escrita

    61. Enquanto etapa fundamental para o desenvolvimento da criana, a primeira infncia demanda ateno especial por parte do poder pblico na elaborao de polticas que garantam sua proteo integral. Analise as assertivas abaixo quanto rede de atendimento primeira infncia.

    I. O servio de convivncia e fortalecimento de vnculos desenvolve atividades com crianas, seus grupos familiares, gestantes e nutrizes, tendo como objetivo especifico para esse pblico a reflexo sobre o papel da famlia no processo de desenvolvimento infantil.

    II. possvel a concesso de benefcio eventual subsidirio de at 25% (vinte e cinco por cento) do salrio-mnimo para

    cada criana de at 6 anos.

    III. A educao infantil ser oferecida em creches para crianas de at 5 (cinco) anos de idade.

    IV. Nos termos da tipificao nacional de servios socioassistencias (Resoluo CNAS 109/2009), o acolhimento de crianas menores de 6 anos no pode se dar em famlia acolhedora para se evitar burlas ao Cadastro Nacional de Adoo.

    Est correto o que se afirma APENAS em

    (A) I e II. (B) II e III. (C) I e III. (D) I, II e III. (E) III e IV.

    62. Em relao medida socioeducativa de internao, prevista no inciso III do artigo 122 do ECA, sua aplicao s ser possvel

    diante do descumprimento reiterado e injustificvel de medida socioeducativa (A) que pode ter sido aplicada em sede de remisso judicial desde que o adolescente estivesse acompanhado de defesa

    tcnica, podendo ser aplicada quando o adolescente, apesar de devidamente intimado, deixa de comparecer audincia de justificao, desde que respeitado o devido processo legal e fundamentada em parecer tcnico.

    (B) que pode ter sido aplicada em sede de remisso judicial ou ministerial desde que o adolescente estivesse acompanhado

    de defesa tcnica, sendo obrigatoriamente precedida da oitiva do adolescente, do devido processo legal, bem como fundamentada em parecer tcnico.

    (C) aplicada em sede de condenao pela prtica de ato infracional, podendo ser aplicada quando o adolescente, apesar de

    devidamente intimado, deixa de comparecer audincia de justificao, desde que respeitado o devido processo legal e fundamentada em parecer tcnico.

    (D) aplicada em sede de condenao pela prtica de ato infracional, sendo obrigatoriamente precedida da oitiva do

    adolescente, do devido processo legal, bem como fundamentada em parecer tcnico. (E) que pode ter sido aplicada em sede de remisso judicial desde que o adolescente estivesse acompanhado de defesa

    tcnica, sendo obrigatoriamente precedida da oitiva do adolescente, do devido processo legal, bem como fundamentada em parecer tcnico.

    63. Quanto sistemtica recursal prevista no Estatuto da Criana e do Adolescente, correto afirmar:

    (A) A apelao interposta em face de sentena que defere qualquer modalidade de adoo somente ter efeitos devolutivos,

    salvo se comprovado perigo de dano irreparvel ou de difcil reparao. (B) O relator dever colocar o processo em mesa para julgamento no prazo mximo de 90 (noventa) dias, contado da sua

    concluso, podendo o Ministrio Pblico requerer instaurao de procedimento para apurao de responsabilidades se constatar o descumprimento deste prazo.

    (C) O preparo dispensado para interposio de recursos independentemente do sujeito processual beneficiado. (D) O prazo para interposio de todos os recursos, salvo nos embargos de declarao, ser de 10 (dez) dias sempre que a

    Vara da Infncia e Juventude for a competente para o julgamento da demanda. (E) Antes de determinar a remessa dos autos superior instncia no caso de apelao, a autoridade judiciria ter prazo de

    5 (cinco) dias para, em despacho fundamentado, realizar juzo de retratao.

    64. Quanto s medidas de proteo previstas no Estatuto da Criana e do Adolescente,

    (A) em respeito ao princpio da interveno precoce, observada situao de vulnerabilidade, a criana dever ser imedia-

    tamente inserida em acolhimento institucional ou familiar, devendo a entidade comunicar ao Juzo da Infncia e Juventude o acolhimento em at 24 (vinte e quatro) horas.

    (B) pode o Conselho Tutelar e o Magistrado de ofcio determinarem ao ente pblico responsvel a insero de crianas

    especficas no sistema de ensino, mesmo sem postulao prvia do interessado. (C) cabe ao Conselho Tutelar executar as medidas protetivas por ele aplicadas, nos termos da Resoluo n

    o 113 do

    CONANDA. (D) crianas ou adolescentes em situao de drogadio podero ser includos em programa oficial ou comunitrio de auxlio,

    orientao e tratamento, inclusive com internao em hospital psiquitrico, sem a necessidade de laudo mdico, desde que comprovado o uso de drogas e verificado o melhor interesse da criana ou do adolescente.

    (E) a colocao em famlia substituta depender sempre de procedimento de jurisdio contenciosa.

    Caderno de Prova A01, Tipo 004

  • DPSPD-Defensor Pblico-Primeira Prova Escrita 17

    Direitos Humanos 65. Considere as letras de msica abaixo.

    Pai, afasta de mim esse clice

    Pai, afasta de mim esse clice

    Pai, afasta de mim esse clice

    De vinho tinto de sangue Como beber dessa bebida amarga

    Tragar a dor, engolir a labuta

    Mesmo calada a boca, resta o peito

    Silncio na cidade no se escuta

    De que me vale ser filho da santa

    Melhor seria ser filho da outra

    Outra realidade menos morta

    Tanta mentira, tanta fora bruta Como difcil acordar calado

    Se na calada da noite eu me dano

    Quero lanar um grito desumano

    Que uma maneira de ser escutado

    Esse silncio todo me atordoa

    Atordoado eu permaneo atento

    Na arquibancada pra a qualquer momento

    Ver emergir o monstro da lagoa De muito gorda a porca j no anda

    De muito usada a faca j no corta

    Como difcil, pai, abrir a porta

    Essa palavra presa na garganta

    Esse pileque homrico no mundo

    De que adianta ter boa vontade

    Mesmo calado o peito, resta a cuca

    Dos bbados do centro da cidade Talvez o mundo no seja pequeno

    Nem seja a vida um fato consumado

    Quero inventar o meu prprio pecado

    Quero morrer do meu prprio veneno

    Quero perder de vez tua cabea

    Minha cabea perder teu juzo

    Quero cheirar fumaa de leo diesel

    Me embriagar at que algum me esquea

    (Clice. Chico Buarque e Gilberto Gil. 1973)

    Como ir pro trabalho sem levar um tiro

    Voltar pra casa sem levar um tiro

    Se as trs da matina tem algum que frita

    E capaz de tudo pra manter sua brisa

    Os saraus tiveram que invadir os botecos

    Pois biblioteca no era lugar de poesia

    Biblioteca tinha que ter silncio,

    E uma gente que se acha assim muito sabida H preconceito com o nordestino

    H preconceito com o homem negro

    H preconceito com o analfabeto

    Mas no h preconceito se um dos trs for rico, pai. A ditadura segue meu amigo Milton

    A represso segue meu amigo Chico

    Me chamam Criolo e o meu bero o rap Mas no existe fronteira pra minha poesia, pai.

    Afasta de mim a biqueira, pai

    Afasta de mim as biate, pai

    Afasta de mim a cocaine, pai

    Pois na quebrada escorre sangue, pai. Pai

    Afasta de mim a biqueira, pai

    Afasta de mim as biate, pai

    Afasta de mim a coqueine, pai.

    Pois na quebrada escorre sangue

    (Clice. Criolo Doido. 2010)

    A partir das letras de msica acima, INCORRETO afirmar:

    (A) Criolo alerta para a persistncia da brbarie da violncia e das execues sumrias nas periferias brasileiras em pleno re-gime democrtico, sobretudo em razo da guerra contra as drogas.

    (B) Chico Buarque e Gilberto Gil denunciam as violaes de direitos de que eram vtimas os opositores polticos do regime

    ditatorial, enquanto Criolo demonstra que essas violaes perduram ao vitimizarem os excludos sociais. (C) Clice, composta por Chico Buarque e Giberto Gil, realiza uma crtica ausncia de liberdade de expresso, tortura e

    aos assassinatos perpetrados pela ditadura civil-militar. (D) Ambas as canes retratam um cotidiano de violao aos direitos civis e polticos, ainda que versem sobre momentos

    histricos distintos. (E) Criolo denuncia a sonegao de direitos sociais, econmicos e culturais para a periferia e no vislumbra a possibilidade de

    realizao de quaisquer desses direitos pela sociedade civil organizada. 66. Analise as assertivas a seguir. I. Os droits de lhomme, os direitos humanos, so diferenciados como tais dos droits du citoyen, dos direitos do cidado.

    Quem esse homme que diferenciado do citoyen? Ningum mais ningum menos que o membro da sociedade burguesa. II. Mulher, desperta. A fora da razo se faz escutar em todo o Universo. Reconhece teus direitos. O poderoso imprio da

    natureza no est mais envolto de preconceitos, de fanatismos, de supersties e de mentiras. A bandeira da verdade dissipou todas as nuvens da ignorncia e da usurpao. O homem escravo multiplicou suas foras e teve necessidade de recorrer s tuas, para romper os seus ferros. Tornando-se livre, tornou-se injusto em relao sua companheira.

    So autores, respectivamente, dos excertos crticos Declarao dos Direitos do Homem e do Cidado: (A) Karl Marx e Simone de Beauvoir. (B) Jean-Jacques Rosseau e Olympe de Gouges. (C) Karl Marx e Olympe de Gouges. (D) Jean-Jacques Rosseau e Simone de Beauvoir. (E) Robespierre e Hannah Arendt.

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  • 18 DPSPD-Defensor Pblico-Primeira Prova Escrita

    67. Considere a notcia a seguir.

    Seis haitianos foram baleados em dois ataques diferentes

    na Baixada do Glicrio, no centro de So Paulo, na tarde

    de sbado 1o [de agosto]. () A suspeita que o crime

    tenha sido motivado por xenofobia. () De acordo com as

    vtimas que estavam na escadaria, o atentado partiu de

    um carro cinza, com quatro ocupantes. Antes de atirar, um

    deles teria gritado: "Haitianos, vocs roubam nossos

    empregos!" (http://www.cartacapital.com.br/blogs/parlatorio/seis-imigran-tes-haitianos-sao-baleados-em-sao-paulo-9027.html)

    Sobre as violaes aos direitos humanos narradas,

    correto afirmar: (A) Se os imigrantes procurassem a Defensoria Pblica,

    o Defensor Pblico responsvel pelos casos poderia propor aes de reparao de danos e, em caso de insucesso, peticionar ao Comit para a Proteo dos Direitos de Todos os Trabalhadores Migrantes e dos Membros das suas Famlias.

    (B) A Conveno Internacional sobre a Proteo dos

    Direitos de Todos os Trabalhadores Migrantes e dos Membros das suas Famlias, tratado de direitos humanos com menos ratificaes, entrou em vigor em 1

    o de julho de 2003, mas no se aplicaria aos

    casos, porque ainda no foi ratificada pelo Brasil, encontrando-se na fase de aprovao congressual.

    (C) Se os imigrantes haitianos procurassem a Defensoria

    Pblica, somente poderiam ser atendidos se fossem considerados documentados ou em situao regular.

    (D) De acordo com a Conveno Internacional sobre a

    Proteo dos Direitos de Todos os Trabalhadores Migrantes e dos Membros das suas Famlias, os imi-grantes tm o direito de receber os cuidados mdicos urgentes que sejam necessrios para evitar danos irreparveis sua sade e no podem ter negado o acesso a estabelecimentos pblicos de ensino escolar e universitrio por motivo de situao irregular.

    (E) A Conveno Internacional sobre a Proteo dos

    Direitos de Todos os Trabalhadores Migrantes e dos Membros das suas Famlias se aplica aos aptridas e refugiados com a simples ratificao do tratado.

    _________________________________________________________

    68. Se h um direito humano vida e integridade fsica, como se pode aceitar ento, com anuncia, que as inter-venes militares ocidentais matem mais pessoas ino-centes que as atrocidades dos ditadores e dos terroris-tas? Os EUA, o que se diz, utilizam os direitos humanos apenas como pretexto para os interesses totalmente profanos do poder e da economia; no lhes interessa a situao jurdica da populao, mas apenas o petrleo. E por isso, assim prossegue o argumento, h dois pesos e duas medidas: em toda parte onde os detentores do poder se destacam pelo bom comportamento, deixando por exemplo que os bombardeiros norte-americanos estacio-nem em seus territrios (como na Turquia, provavelmente, ou na Arbia Saudita), a autonomeada polcia mundial ocidental no h de objetar nada contra a pilhagem, a perseguio e a chacina de grupos inteiros da populao ou contra as condies ditatoriais. (KURZ, Robert. Parado-xos dos direitos humanos. Folha de So Paulo, So Paulo, 16 mar. 2003. Caderno Mais!, p. 9-11)

    O excerto acima relacionado ao (A) Multiculturalismo dos direitos humanos. (B) Universalismo de confluncia dos direitos humanos. (C) Imperialismo dos direitos humanos. (D) Relativismo dos direitos humanos. (E) Universalismo dos direitos humanos.

    69. A impunidade ainda paira sobre as mortes de 493 pessoas, ocorridas em maio de 2006, a maioria pobres, negros e moradores da periferia. Todos os indcios apon-tam para uma ao efetiva de grupos de extermnio da po-lcia como forma de retaliao aos ataques do PCC na-quele ano. As mes e familiares dessas vtimas de vio-lncia policial se uniram em um movimento chamado Mes de Maio. So mulheres que transformaram a dor da perda na luta por justia e hoje buscam um reconheci-mento da sua causa para que o Estado no tire mais vidas em vo. A dor de centenas de famlias, que at hoje espe-ram respostas, se transformou em luta por meio do Mo-vimento Mes de Maio

    (http://www.maesdemaio.com/#!justica/c786).

    Em atendimento a uma me de maio, o Defensor P-

    blico, aps constatar que o inqurito policial para elucida-o do crime foi arquivado, poderia

    (A) peticionar Comisso Interamericana de Direitos

    Humanos. (B) peticionar ao Comit contra os Desaparecimentos

    Forados. (C) representar ao Defensor Pblico Interamericano pa-

    ra que peticionasse Corte Interamericana de Direi-tos Humanos.

    (D) peticionar ao Superior Tribunal de Justia pleiteando

    o deslocamento da competncia para a Justia Fe-deral.

    (E) peticionar ao Supremo Tribunal Federal pleiteando o

    deslocamento da competncia para a Justia Fede-ral.

    _________________________________________________________

    70. Sobre a proteo dos direitos humanos no Brasil pelo sis-tema interamericano, considere as assertivas abaixo.

    I. Durante a ditadura civil-militar, a maior parte das

    denncias Comisso Interamericana foi realizada por indivduos ou grupo de indivduos e fundamen-tada na Declarao Americana dos Direitos e Deve-res do Homem.

    II. A primeira condenao do Estado brasileiro pela

    Corte Interamericana ocorreu no caso Damio Ximenes Lopes, advogado assassinado por grupo de extermnio no Rio Grande do Norte.

    III. Nos casos sob sua anlise, a Corte Interamericana

    pode tomar medidas provisrias para evitar danos irreparveis agindo de ofcio, como fizera nos casos Presdio Urso Branco e dos adolescentes privados de liberdade no Complexo Tatuap da FEBEM.

    IV. A Corte Interamaricana condenou o Estado brasilei-

    ro no caso Escher por violao aos direitos priva-cidade, honra e reputao, em virtude de inter-ceptao e monitoramento ilegal de linhas telefni-cas de integrantes do Movimento dos Trabalhado-res Rurais Sem-Terra (MST).

    Est correto o que se afirma APENAS em

    (A) I, III e IV.

    (B) III e IV.

    (C) II e III.

    (D) I e IV.

    (E) I, II e III.

    Caderno de Prova A01, Tipo 004

  • DPSPD-Defensor Pblico-Primeira Prova Escrita 19

    71. Sobre os direitos da populao LGBT (lsbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgneros), considere as assertivas: I. No caso Atala Riffo, a Corte Interamericana afirmou, pela primeira vez, que orientao sexual e identidade de gnero so

    categorias protegidas pela Conveno Americana de Direitos Humanos, aps considerar discriminatria deciso da Suprema Corte do Chile que retirou da me a guarda das filhas em virtude de convivncia homoafetiva.

    II. A ONU aprovou, recentemente, a Declarao sobre orientao sexual e identidade de gnero, que enuncia

    especificadamente direitos da populao LGBT. III. De acordo com a jurisprudncia brasileira, o pedido de transexual para modificar a designao do sexo e do nome no

    registro civil somente pode ser feito aps a realizao de cirurgia de redesignao de gnero. Est correto o que se afirma APENAS em

    (A) I e II. (B) II e III. (C) III. (D) II. (E) I.

    72. Sobre a compatibilidade do crime de desacato, tipificado no artigo 331 do Cdigo Penal brasileiro, com os tratados internacionais

    de direitos humanos, correto afirmar:

    (A) A Comisso Interamericana j entendeu que as leis que punem a manifestao ofensiva dirigida a funcionrios pblicos, geralmente conhecidas como leis de desacato, atentam contra a liberdade de expresso e o direito informao.

    (B) Por se tratar de crime de menor potencial ofensivo, aps condenao em Turma Recursal do Juizado Especial Criminal, o

    Defensor Pblico pode interpor Recurso Extraordinrio ao Supremo Tribunal Federal em razo de precedente (RE 466.343) que consagrou a natureza constitucional dos tratados de direitos humanos.

    (C) O Protocolo Facultativo ao Pacto Internacional de Direitos Civis e Polticos estabelece que o delito de desacato viola o

    direito liberdade de expresso e recomenda aos Estados sua excluso das legislaes internas. (D) A Defensoria Pblica do Estado de So Paulo solicitou parecer consultivo Corte Interamericana acerca da

    compatibilidade entre o dispositivo normativo e a Conveno Americana de Direitos Humanos. (E) A Defensoria Pblica do Estado de So Paulo solicitou parecer consultivo Comisso Interamericana acerca da

    compatibilidade entre o dispositivo normativo e a Conveno Americana de Direitos Humanos.

    Princpios e Atribuies Institucionais da Defensoria Pblica do Estado

    73. O Conselho Superior da Defensoria Pblica do Estado, no exerccio de seu poder normativo, editou a Deliberao CSDP

    no 63/2008, que versa sobre autonomia funcional, independncia funcional, parmetros mnimos de qualidade, teses insti-

    tucionais, recomendaes e rotinas administrativas. A respeito destes institutos, a legislao paulista infralegal disciplina que: (A) Recomendaes so orientaes sobre o exerccio das atribuies dos rgos da Defensoria Pblica do Estado, visando

    ao aprimoramento dos servios, aprovadas pelo Conselho Superior da Defensoria Pblica do Estado, podendo se originar de sugesto emanada do Defensor Pblico-Geral, a partir de proposta feita por qualquer membro ou rgo da Defensoria Pblica do Estado, dotadas de efeito vinculativo, exceto quando dispuserem sobre a atividade-fim e se destinarem aos rgos de atuao e execuo Defensores Pblicos e Ncleos Especializados em virtude da independncia funcional.

    (B) Rotinas so regulamentaes concernentes a procedimentos administrativos a serem observadas apenas pelos Servidores

    da Defensoria Pblica do Estado, fixadas pelo Conselho Superior, ouvida a Escola da Defensoria Pblica do Estado. (C) Teses institucionais so modelos e orientaes para atuao dos Defensores Pblicos e dos Ncleos Especializados, de-

    finidas nos encontros anuais de Defensores Pblicos e sujeitas a aprovao pela Escola da Defensoria Pblica do Estado, e constituiro parmetros mnimos de qualidade, devendo ser observadas pelos Defensores Pblicos sempre que forem a melhor soluo para o usurio.

    (D) Parmetros mnimos de qualidade so modelos e orientaes sobre a prestao do servio de assistncia jurdica, visando

    sua melhoria contnua, mediante a orientao de todos os rgos da Defensoria Pblica do Estado, fixados pelo Con-selho Superior, auxiliado pela Escola da Defensoria Pblica do Estado, dotados de efeito vinculativo, no ferindo, contudo, a independncia funcional dos Defensores Pblicos, que podem, justificadamente, deixar de adot-los no caso concreto.

    (E) Autonomia funcional a garantia afeta instituio para sua plena atuao e consecuo de suas atribuies legais, sem

    subordinao ou ingerncia de terceiros, nos estritos limites da legalidade, diferindo-se, portanto, da independncia funcional, que a liberdade ampla do Defensor Pblico, desprovida de limites legais, no exerccio das suas funes, para a adequada realizao das atribuies inerentes ao cargo.

    Caderno de Prova A01, Tipo 004

  • 20 DPSPD-Defensor Pblico-Primeira Prova Escrita

    74. A legislao vigente confere Defensoria Pblica, como expresso e instrumento do regime democrtico, a atribuio de prestar orientao jurdica, difundir e conscientizar os necessitados dos direitos humanos, da cidadania e do ordenamento jurdico. Em relao educao em direitos humanos, cidadania e democracia, analise as afirmaes abaixo.

    I. A educao em direitos extrapola o espectro da educao escolar, consistindo em mtodo de formao e evoluo humanstica que perpassa por toda a vida e integra todas as esferas de convivncia humana para o desenvolvimento, propiciando uma verdadeira revoluo tica, divorciada de qualquer estrutura preestabelecida de poder.

    II. A proposta emancipatria tem como desafio desenvolver subjetividades conformistas, apoiadas no paternalismo, a fim de

    que a mo estendida transforme os esfarrapados do mundo.

    III. O conceito de cidadania que se coaduna com o modelo de Defensoria Pblica vigente rompe com a cidadania passiva, caracterizada pelo poder circundado s instituies estatais que instituam uma democracia pregada. A cidadania deve propiciar a criao de uma micropoltica dentro de espaos sociais de lutas que utilize do local de proliferao de conflitos para construes coletivas de cidadania.

    IV. Os oprimidos tm como caracterstica o sofrimento com injustias histricas, econmicas, polticas e sociais. Essa

    desumanizao deve ser vencida mediante uma prtica de liberdade, que enseja ousadia coletiva transformadora, colocando-se contra qualquer obstculo emancipao dos homens ou contra qualquer aprisionamento dos direitos das pessoas. Nesta linha, a prtica da liberdade obtida pela educao em direitos que colide com interesses de pessoas que buscam manter privilgios injustias socais existentes no mundo contemporneo levando a uma postura de desmoralizao da prpria expresso direitos humanos.

    V. A pedagogia do educador deve ser com os oprimidos e no para os oprimidos, partindo do cenrio de opresso e das

    necessidades populares, levando ao engajamento que conduza libertao, dentro de um processo dialtico. No se reduz simplesmente transmisso de um conjunto de preceitos tericos, mas almeja ainda e sobretudo um compromisso a ser traduzido em aes educativas. A pedagogia deve despertar a justa ira, ou seja, transformar aspiraes improferveis em liberdade conquistada. Essa metodologia que transforma o silncio em autonomia especfica cr na alma de filsofo existente em cada cidado deixando de reconhecer a multiculturalidade com o fim maior de alcanar a igualdade entre todos.

    Est correto o que se afirma APENAS em

    (A) II, III e IV. (B) I, IV e V. (C) I, II e V. (D) I, III e IV. (E) II, III e V.

    75. As hipteses de denegao de atendimento pela Defensoria Pblica do Estado de So Paulo, concernentes a interesses

    individuais, esto regulamentadas por intermdio da Deliberao CSDP no 89/2008, segundo a qual

    (A) a identificao dos critrios objetivos que ensejam a denegao do atendimento em razo da no caracterizao da

    hipossuficincia impede o prosseguimento da assistncia jurdica. Na hiptese de haver elementos que permitam concluir o usurio no ter acesso aos recursos financeiros prprios ou da famlia, o atendimento dever aguardar a cessao desta situao.

    (B) cabvel recurso escrito contra a deciso de denegao de atendimento pelo Interessado, podendo ser tomado a termo

    quando se tratar de pessoa no alfabetizada, dirigido ao Defensor Pblico-Geral, no prazo de 15 (quinze) dias, e, sobre-vindo deciso que reconhea o direito do interessado ser atendido, o Defensor Pblico-Geral designar Defensor Pblico para atuar no caso, sendo que na hiptese de denegao em razo da situao econmico-financeira, a designao po-der recair sobre o prprio Defensor Pblico que procedeu denegao.

    (C) considera-se necessitada a pessoa jurdica de direito privado, regularmente constituda, com ou sem fins lucrativos, desde

    que no disponha de recursos financeiros para a contratao de advogados que a representem judicialmente. (D) a denegao de atendimento pela Defensoria Pblica, ocorre nas hipteses de no caracterizao da hipossuficincia; ma-

    nifesta reduzida chance de xito na medida pretendida ou inconvenincia aos interesses da parte e quebra na relao de confiana.

    (E) caracterizada a denegao do atendimento, o Defensor Pblico deve encerrar o atendimento, vedado o fornecimento de

    informao. 76. Ao avaliar o tema Defensoria Pblica, o Supremo Tribunal Federal, no exerccio jurisdicional do controle concentrado de consti-

    tucionalidade, decidiu que:

    (A) So inconstitucionais as Leis que colocam a Defensoria Pblica estadual dentro da estrutura do Poder Executivo, como pertencente Administrao Pblica Direta, no obstante ser o Defensor Pblico-Geral Secretrio de Estado, uma vez que a legislao orgnica atribui ao Governador a sua nomeao no cargo.

    (B) A contagem do prazo para interposio do recurso pela Defensoria Pbica comea a fluir a partir da prolatao da deciso na

    presena do Defensor Pblico natural em audincia, tornando-se prescindvel a posterior remessa dos autos para esta finalidade.

    (C) inconstitucional norma estadual que atribui Defensoria Pblica do Estado a defesa judicial de servidores pblicos

    estaduais processados civil ou criminalmente em razo do regular exerccio do cargo. (D) constitucional a legitimao, concorrente, autnoma e exclusiva da Defensoria Pblica para ajuizar ao civil pblica,

    juntamente com o Ministrio Pblico, incumbindo a elas a tutela de interesses transindividuais (coletivos stricto sensu e difusos) e individuais homogneos.

    (E) A previso de obrigatoriedade de celebrao de convnio exclusivo entre a Defensoria Pblica do Estado de So Paulo e a

    seccional local da Ordem dos Advogados do Brasil OAB-SP compatvel com a autonomia funcional, administrativa e financeira daquela, na medida em que esta entidade somente poder prestar a assistncia jurdica aos necessitados atravs da parceria firmada com a Defensoria Pblica.

    Caderno de Prova A01, Tipo 004

  • DPSPD-Defensor Pblico-Primeira Prova Escrita 21

    77. A Defensoria Pblica do Estado de So Paulo dispe de mecanismos de participao popular, com o intuito de tornar a institui-o plural e democrtica, assim como para nortear a atuao condizente com as necessidades sociais dos seus prprios desti-natrios. Sobre estes mecanismos, analise as afirmaes abaixo:

    I. A Ouvidoria-Geral rgo externo e integra a Administrao Superior, conforme previsto na Lei Complementar estadual, n

    o 988/06. O Ouvidor-Geral conselheiro-nato e, em razo de possuir assento no Conselho Superior, possui direito voz,

    porm lhe vedado o voto. Em caso de impedimento ou afastamento, o Ouvidor-Geral ser substitudo no Conselho Superior pelo Subouvidor, por ele indicado.

    II. O Ouvidor-Geral do Estado poder designar Subouvidores externos, que auxiliaro o Ouvidor-Geral nos assuntos rela-cionados s unidades da Defensoria Pblica, constituindo um canal de comunicao mais prximo com os usurios re-sidentes no Interior do Estado.

    III. A participao na definio das diretrizes institucionais da Defensoria Pblica e no acompanhamento da fiscalizao das aes e projetos desenvolvidos pela Instituio, da atividade funcional e da conduta pblica dos membros e servidores direito das pessoas que buscam atendimento na Defensoria Pblica.

    IV. A participao popular na Defensoria Pblica ser efetivada, dentre outras formas, atravs da Conferncia Estadual, das Pr-Conferncias Regionais e do Plano Anual de Atuao da Defensoria Pblica, elaborado pela Ouvidoria-Geral e aprovado pelo Defensor Pblico-Geral do Estado.

    V. O direito voz em sesses pblicas do Conselho Superior a qualquer pessoa um dos mecanismos de participao po-pular da Defensoria Pblica do Estado de So Paulo, vedada a manifestao em julgamento de processo administrativo disciplinar, salvo, em relao ao Defensor Pblico interessado e seu advogado legalmente constitudo.

    Est correto o que se afirma APENAS em (A) II, III e IV.

    (B) I, II e III. (C) I, IV e V.

    (D) I, III e V.

    (E) II, IV e V.

    78. Em relao ao estudo de mtodos alternativos de soluo de conflitos, correto afirmar:

    (A) A importncia da conciliao remonta Constituio do Imprio, 1824, sculo XIX, que j dispunha no seguinte sentido: sem se fazer constar que se tem intentado o meio da reconciliao, no se comear processo algum. Este tema passou a se destacar na dcada de 70, a partir do movimento da mediao que surgiu como resposta a uma situao de crise nas instituies promotoras de socializao, tais como a famlia e a escola, na interao delas com outros setores da comunidade, como a igreja, bairro, vizinhana, dentre outros. Assim, a mediao surge como um desses novos modelos ps-modernos, que acredita na interconexo de diferentes linguagens, pautadas pela criatividade e pela aptido de desenvolver solues inditas.

    (B) So princpios da mediao, segundo a doutrina: liberdade das partes; no-competividade; poder de deciso das partes; participao de terceiro imparcial; formalidade procedimental; confidencialidade do processo.

    (C) vedada a mediao que recaia sobre direitos da personalidade, diante das caractersticas da irrenunciabilidade e da in-disponibilidade, protegendo-se o patrimnio jurdico mnimo do ser humano, o que inclui todos os aspectos, inclusive a ne-gociao da questo patrimonial que decorra deles. Por sua vez, na mediao que verse sobre obrigao alimentar re-ferendada pela Defensoria Pblica, ainda que no homologada judicialmente, no h limitao aplicao da execuo mediante coao pessoal.

    (D) A formao acadmica tradicional considerada um dos obstculos para a implementao de formas alternativas de resoluo de conflitos (ADRs alternative dispute resolutions), j que aquela voltada para a soluo contenciosa e adjudicada dos conflitos de interesses instituindo uma verdadeira cultura da justia adversarial. Nesse sentido, as ADRs objetivam substituir a atividade jurisdicional clssica, para que se configure um sistema eficiente e adequado relao de substitutividade entre as formas de composio de conflitos.

    (E) As tcnicas de conciliao e mediao integram a segunda onda renovatria de acesso justia, inseridas enquanto alternativa morosidade processual agravada a partir da democratizao dos tribunais, assim como aos custos do processo e o baixo grau de pacificao social de decises imperativas, propiciando a restaurao de um relacionamento complexo e prolongado.

    Caderno de Prova A01, Tipo 004

  • 22 DPSPD-Defensor Pblico-Primeira Prova Escrita

    79. Integra o rol de prerrogativas institucionais do Defensor Pblico previstas na legislao orgnica federal e estadual, que regem a Defensoria Pblica do Estado de So Paulo: (A) Requisitar, a quaisquer rgos pblicos estaduais, exames, certides, cpias reprogrficas, percias, vistorias, diligncias,

    processos, documentos, informaes, esclarecimentos e demais providncias necessrias ao exerccio de suas atribui-es, vedado acompanhar as diligncias requeridas.

    (B) Requisitar, quando necessrio, o auxlio e a colaborao das autoridades pblicas para o desempenho de suas funes. (C) Comunicar-se, pessoal e reservadamente, com seus assistidos, ainda quando estes se acharem presos ou detidos, mes-

    mo se incomunicveis, tendo livre ingresso em estabelecimentos policiais, prisionais e de internao coletiva, mediante prvio agendamento.

    (D) No ser preso, seno por ordem judicial escrita, salvo em flagrante, caso em que a autoridade far comunicao ao De-

    fensor Pblico-Geral no prazo de 15 (quinze) dias. (E) Ser ouvido como testemunha, em qualquer processo ou procedimento, em dia, hora e local, previamente ajustados com a

    autoridade competente.

    80. A partir da EC no 80/2014, o legislador parece ter decidido transformar em passado a clebre frase de Ovdio (43 a.C. a 18 d.C.) cura pauberibus clausa est (o tribunal est fechado para os pobres). Partindo dos avanos trazidos pela recente reforma constitucional Defensoria Pblica, analise as assertivas abaixo.

    I. Criou seo autnoma A Defensoria Pblica sai da Seo III (Da Advocacia e da Defensoria Pblica) e passa a ter uma seo prpria, a Seo IV, assim como j havia para a Advocacia Pblica.

    II. Conferiu status constitucional aos princpios institucionais da unidade, indivisibilidade e da independncia funcional, s autonomias funcional, administrativa e oramentria e ao conceito amplo de Defensoria Pblica previsto no artigo 1

    o da

    LC no 80/1994, com redao dada pela Lei Complementar n

    o 132, de 2009.

    III. Previu foro por prerrogativa de funo e porte de arma.

    IV. Estipulou prazo de 8 (oito) anos para Unio, Estados e Distrito Federal possurem defensores pblicos em todas as unida-des jurisdicionais, observadas, prioritariamente, regies com maiores ndices de excluso social, adensamento popula-cional e o menor PIB per capita.

    V. Atribuiu iniciativa de projetos de Lei que versem sobre alterao do nmero de membros, criao e extino de cargos, remunerao dos seus servios auxiliares, fixao do subsdio de seus membros, criao ou extino de rgos e alterao de sua organizao e diviso.

    Est correto o que se afirma APENAS em

    (A) I, III e V. (B) II e IV. (C) I e V. (D) I, II e V. (E) III e IV.

    Filosofia do Direito e Sociologia Jurdica

    81. De acordo com o entendimento de Max Weber, expresso na obra Cincia e Poltica: duas vocaes, a significao de que est revestido todo o trabalho cientfico a de que toda obra cientfica acabada (A) no tem outro sentido seno o de fazer surgirem novos paradigmas.

    (B) somente tem sentido ao fazer surgirem novos paradigmas.

    (C) somente tem sentido se no permitir que surjam novas indagaes.

    (D) no tem outro sentido seno o de fazer surgirem novas verdades.

    (E) no tem outro sentido seno o de fazer surgirem novas indagaes.

    Caderno de Prova A01, Tipo 004

  • DPSPD-Defensor Pblico-Primeira Prova Escrita 23

    82. Apoiando-se na doutrina de Adolfo Rav, Norberto Bobbio, em seu livro Teoria da norma jurdica, apresenta a con-cepo que compreende o direito como norma tcnica. Segundo esta concepo, que se inspira na distino kantiana entre imperativos categricos e imperativos hipo-tticos, as normas jurdicas so imperativos (A) hipotticos e podem ser expressas pelo esquema:

    Se voc quiser Y, deve X. (B) categricos e podem ser expressas pelo esquema:

    Se voc quiser Y, deve X ou Z. (C) categricos e podem ser expressas pelo esquema:

    Voc deve X. (D) categricos e podem ser expressas pelo esquema:

    Se voc quiser Y, deve X. (E) hipotticos e podem ser expressas pelo esquema:

    Voc deve X. _________________________________________________________

    83. Segundo as anlises de Michel Foucault em seu livro Vi-giar e punir, a necessidade de uma classificao paralela dos crimes e dos castigos, assim como a necessidade de uma individualizao das penas em conformidade com as caractersticas singulares de cada criminoso so elemen-tos que se referem (A) reforma do modelo prisional, no sculo XIX. (B) ao suplcio corporal, do sculo XVIII. (C) reforma humanista do Direito penal, no scu-

    lo XVIII. (D) reforma judiciria do Direito, no sculo XX. (E) s penas fsicas, no sculo XVII.

    _________________________________________________________

    84. No panorama histrico da Cincia do Direito, realizado por Trcio Sampaio Ferraz Jnior, na obra A Cincia do Direi-to, o autor caracteriza a prtica dos glosadores da seguinte forma: Tomando como base assentada os textos de Justi-niano, os juristas da poca passaram a dar-lhes um trata-mento metdico, cujas razes estavam nas tcnicas expli-cativas usadas em aulas, sobretudo no chamado Trivium, composto de gramtica, retrica e dialtica, que compu-nham as artes liberales de ento. Com isto, eles desen-volveram uma tcnica especial de abordagem de textos pr-fabricados e aceitos por sua autoridade, caracterizada pela glosa gramatical e filolgica, pela exegese ou explicao do sentido, pela concordncia, pela distino.

    Neste sentido, o autor considera que neste confronto do texto estabelecido e do seu tratamento explicativo, pre-sente na prtica dos glosadores, que nasce a (A) Jurisprudncia medieval com seu carter eminente-

    mente dialtico. (B) Cincia do Direito com seu carter eminentemente

    dogmtico. (C) Cincia do Direito com seu carter eminentemente

    zettico. (D) Cincia do Direito com seu carter exclusivamente

    interpretativo. (E) Jurisprudncia romana com seu carter prioritaria-

    mente comparativo. _________________________________________________________

    85. Segundo a explicao de H. Kelsen, na obra O que jus-tia?, a doutrina do Direito natural pressupe que o valor (A) imanente realidade e contingente. (B) imanente realidade e relativo. (C) consequente da conduta e contingente. (D) consequente da conduta e relativo. (E) imanente realidade e absoluto.

    86. A exigncia de uma sistematizao do Direito acabou por

    impor aos juristas a valorizao do preceito legal no julga-

    mento de fatos vitais decisivos. Da surgiu, na Frana, j

    no sculo XIX, a poderosa cole de lExgse, de gran-de influncia nos pases em que o esprito napolenico

    predominou, correspondendo, no mundo germnico,

    doutrina dos pandectistas. A tarefa do jurista circunscre-

    veu-se, a partir da, cada vez mais teorizao e siste-

    matizao da experincia jurdica, em termos de uma uni-

    ficao construtiva dos juzos normativos e do esclareci-

    mento dos seus fundamentos (...).

    No trecho acima, extrado de seu livro A Cincia do Direito, Trcio Sampaio Ferraz Jnior refere-se a caractersticas do (A) Jusnaturalismo jurdico. (B) Historicismo jurdico. (C) Positivismo jurdico. (D) Realismo jurdico. (E) Neopositivismo jurdico.

    _________________________________________________________

    87. Considerando as anlises de Max Weber acerca do papel da cincia, presentes na obra Cincia e Poltica: duas vo-caes, correto afirmar que, segundo o autor:

    (A) Alicerada atualmente na generalizao, a cincia

    permite o conhecimento das relaes objetivas. (B) Alicerada atualmente na generalizao, a cincia

    permite o conhecimento de ns mesmos. (C) A cincia , atualmente, uma vocao alicerada na

    generalizao. (D) A cincia fornece mtodos de pensamento, isto , os

    instrumentos e uma disciplina. (E) O papel da cincia a verificao da verdade conti-

    da nos juzos de valor. _________________________________________________________

    88. O atestado de que a priso fracassa em reduzir os crimes deve talvez ser substitudo pela hiptese de que a priso conseguiu muito bem produzir a delinquncia, tipo espe-cificado, forma poltica ou economicamente menos perigo-sa talvez at utilizvel de ilegalidade; produzir delin-quentes, meio aparentemente marginalizado mas central-mente controlado; produzir o delinquente como sujeito patologizado.

    O trecho acima, extrado de Vigiar e punir, sintetiza uma importante concluso de Michel Foucault decorrente de suas anlises sobre a priso como uma instituio discipli-nar moderna. Para o autor, a priso permite

    (A) objetivar a delinquncia por trs da infrao e conso-

    lidar a delinquncia no movimento das ilegalidades. (B) classificar a delinquncia em suas categorias e erra-

    dicar a delinquncia do meio social. (C) reduzir a delinquncia atravs do controle e contro-

    lar a delinquncia por meio da represso. (D) combater a delinquncia por meio da punio e erra-

    dicar a delinquncia do meio social. (E) controlar a delinquncia por meio da represso e di-

    ferenciar a delinquncia da periculosidade.

    Caderno de Prova A01, Tipo 004

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