Preveno de Acidentes com Tratores Agrcola e Florestais

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Organizado por Leonardo de Almeida Monteiro

PREVENO DE ACIDENTES COM TRATORES AGRCOLAS E FLORESTAIS

1a edio

Botucatu Editora Diagrama 2010

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Apoio Institucional

Tiragem 1000 exemplares Distribuio gratuita www.fepaf.org.br

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PREVENO DE ACIDENTES COM TRATORES AGRCOLAS E FLORESTAIS

1a edio

Botucatu 2010

5UNIVERSIDADE ESTADUALPAULISTA JLIO DE MESQUITAFILHO Faculdade de Cincias Agronmicas - Botucatu

Layout e Editorao: Leonardo de Almeida Monteiro Ilustraes: Leonardo de Almeida Monteiro Capa: Leonardo de Almeida Monteiro Editora: Rede Mais de Comunicao - Diagrama Diagramao: Grfica e Editora Diagrama Impresso: Grafilar Impresso no Brasil Edio : 2010

FICHA CATALOGRFICA ELABORADA PELA SEO TCNICA DE AQUISIO E TRATAMENTO DA INFORMAO SERVIO TCNICO DE BIBLIOTECA E DOCUMENTAO - UNESP - FCA - LAGEADO - BOTUCATU (SP)

Proibida a reproduo total ou parcial desta obra, de qualquer forma ou meio eletrnico, mecnico, inclusive atravs de processos xerogrficos, sem permisso expressa do autor. (Lei n 0 9.610/98).

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OS AUTORESLeonardo de Almeida MonteiroFaculdade de Agronomia e Engenharia Florestal de Gara.

Klber Pereira LanasFaculdade de Cincias Agronmicas da Unesp, campus de Botucatu.

Saulo Philipe Sebastio GuerraFaculdade de Cincias Agronmicas da Unesp, Campus de Botucatu.

Paulo Roberto Arbex SilvaFaculdade de Cincias Agronmicas da Unesp, Campus de Botucatu.

Joo Eduardo Guarnetti dos SantosFaculdade de Engenharia Mecnica da Unesp, Campus de Bauru.

Gilberto Jos Cao PereiraFaculdade de Medicina da Unesp, Campus de Botucatu.

Trajano SardenbergFaculdade de Medicina da Unesp, Campus de Botucatu.

Paulo Roberto de Almeida SilvaresFaculdade de Medicina da Unesp, Campus de Botucatu.

Mauro dos Santos VolpiFaculdade de Medicina da Unesp, Campus de Botucatu.

Emlio Carlos CurcelliFaculdade de Medicina da Unesp, Campus de Botucatu.

Daniel Innocenti DinhaneHospital da Faculdade de Medicina da Unesp, Campus de Botucatu.

Davi Nicoletti GumieiroHospital da Faculdade de Medicina da Unesp, Campus de Botucatu.

SUMRIOCAPTULO I

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INTRODUO ......................................................................................................... 09

Leonardo de Almeida Monteiro e Klber Pereira Lanas ....................................... 11 SEGURANA NA OPERAO DE TRATORES AGRCOLAS E FLORESTAIS .............................................................................. 12 Precaues de Segurana ............................................................................ 12 Precaues de Segurana na Operao do Trator ...................................... 12 Precaues Na Conduo do Trator ........................................................... 19 Operando a TDP ou PTO ............................................................................. 23 Precaues Durante a Manuteno ............................................................ 25

CAPTULO IIPaulo Roberto Arbex Silva ....................................................................................... 33 PRECAUES DE SEGURANA NA OPERAO COM EQUIPAMENTOS AGRCOLAS ................................................................... 34 Precaues na Hora de Operar o Trator ...................................................... 37 Precaues Antes de Iniciar o Trabalho ...................................................... 38 Assento do Operador .................................................................................. 38 Precaues na Utilizao dos Freios ........................................................... 39 Precaues com as Transmisses ............................................................... 39 Precaues no Acesso ao Posto do Operador ............................................ 40 Precaues na Utilizao da Trao do Trator ............................................ 40 Bloqueio do Diferencial ............................................................................... 41 Precaues na Utilizao da Barra de Trao .............................................. 41 Precaues na Utilizao do Sistema Hidrulico ......................................... 41 Precaues na Operao de Equipamentos................................................. 42 Operao Segura com Arados ..................................................................... 43 Operao Segura com a Grade ..................................................................... 44 Operao Segura com o Subsolador ........................................................... 45 Operao Segura com a Semeadora............................................................. 46 Recomendaes Finais ................................................................................ 48

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CAPTULO IIIJoo Eduardo Guarnetti dos Santos, Saulo P. Sebastio Guerra, Fernando Henrique Campos, Alison Augusto Barbieri Mota e Guilherme Oguri ................. 51 ERGONOMIAAPLICADAEM TRATORES AGRCOLAS E FLORESTAIS ................................................................................ 52 Conceitos Bsicos ....................................................................................... 52 Vibrao em Tratores Agrcolas................................................................... 56 Rudo em Tratores Agrcolas ....................................................................... 59 Movimentos Repetitivos ............................................................................. 61 Sobrecarga de Trabalho............................................................................... 62 Limites Fsicos do Operador ........................................................................ 63 Iluminao do Ambiente de Trabalho .......................................................... 63 Campo de Viso do Operador ...................................................................... 64 Postura Inadequada do Operador ............................................................... 65 Tratores com Cabines .................................................................................. 67 Estrutura de Proteo Contra Capotamento ................................................ 69 Falhas de Projeto ......................................................................................... 71 Dimenses do Posto de Operao .............................................. ................... 73

CAPTULO IVGilberto Jos Cao Pereira Trajano Sardenberg Paulo R. de Almeida Silvares Mauro dos Santos Volpi Emlio Carlos Curcelli Daniel Innocenti Dinhane Davi Nicoletti Gumieiro ................................................ 77 LESES OCASIONADAS POR ACIDENTES COM TRATORES .............................................................................. 78 Pontos Importantes . ................................................................................... 94 Leses de Membro Superior ....................................................................... 94 Leses da Coluna ........................................................................................ 95 Leses da Bacia ........................................................................................... 95 Fratura de Brao e Punho ............................................................................ 97 Amputaes de Membros ........................................................................... 98 REFERNCIAS BIBLIOGRAFICAS ......................................................................... 99

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INTRODUO

O

trator agrcola a fonte de potncia mais importante do meio rural, contribuindo para o desenvolvimento e avano tecnolgico dos

sistemas agrcolas de produo de alimentos e tambm de fontes alternativas de energias renovveis, tais como o lcool e o biodiesel. A utilizao correta do conjunto moto-mecanizado, tratorequipamento, pode gerar uma significativa economia de consumo de energia e, portanto, menor custo operacional e maior lucro para a empresa. Hoje em dia existe uma grande variedade de modelos de tratores com diferentes sistemas de rodados, diversos rgos com funes bastante especficas, alm de acessrios para fornecer maior conforto para o operador, que pode usufruir de banco com assento estofado e amortecedores pneumticos, cabines com ar condicionado, som ambiente e computadores de bordo e, mais importante que isso, dispondo de sistemas de segurana tais como: estrutura de proteo contra o capotamento (EPCC), cinto de segurana,

10proteo das partes mveis, alarmes, bloqueadores eletrnicos, dispositivos de segurana para partida do motor, sinalizadores de direo e de emergncia. O antigo conceito de tratorista, aquele operrio que somente dirigia o trator, est totalmente ultrapassado. Alguns anos atrs essa filosofia foi substituda pelo operador de mquinas, atribuindo a esse profissional no somente a funo de movimentar o trator, mas tambm faz-lo de forma correta, consciente e segura. Embora haja pouca informao e raros trabalhos de pesquisa nesta rea, no difcil se verificar na prtica a importncia dos acidentes de trabalho envolvendo tratores agrcolas, o que pode ser comprovado pela elevada frequncia e gravidade dos mesmos. A importncia dos acidentes de trabalho, que envolvem tratores agrcolas, pode ser expressa em funo de seu risco. No difcil comprovar, na prtica, que a frequncia de acidentes com conjuntos tratorizados bastante elevada, sendo que os prejuzos abrangem os operadores (geralmente esto na conduo da mquina), produtores agrcolas e a sociedade em geral. Esta obra traz conhecimentos bsicos necessrios aos operadores, tcnicos e todos os profissionais envolvidos no processo de mecanizao agrcola e florestal, para a preveno de acidentes no campo.

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CAPTULO I

SEGURANA NAOPERAO DE TRATORES AGRCOLAS E FLORESTAIS

Leonardo de Almeida Monteiro1 Klber Pereira Lanas21

Licenciado em Cincias Agrcolas, Mestre em Agronomia. Professor de Mecanizao Agrcola da Faculdade de Agronomia e Engenharia Florestal de Gara FAEF, Gara, SP.

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Engenheiro Mecnico, Professor Titular de Mecnica e Mecanizao Agrcola - Departamento de Engenharia Rural da Faculdade de Cincias Agronmicas UNESP/Campus de Botucatu, SP.

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SEGURANA NA OPERAO DE TRATORES AGRCOLAS E FLORESTAISPRECAUES DE SEGURANA O trator proporciona grandes benefcios ao homem, mas pode causar danos materiais e pessoais quando acontecem acidentes. Para preveni-los sugerem-se algumas orientaes apresentadas a seguir. PRECAUES DE SEGURANA NA OPERAO DO TRATORFonte: John Deere

!O operador deve estar familiarizado com todos os comandos e controles da mquina antes de oper-la e, para isso, ler atentamente o manual de operao do trator e observar as informaes escritas nos adesivos de segurana colados em vrias partes da mquina, principalmente aqueles com a indicao de perigo, aviso e cuidado.

Manual de Operao

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Indica uma situao de perigo imediato que, se no evitada, poder resultar em morte ou em ferimentos graves. A cor associada ao Perigo a VERMELHA.

Indica uma situao de perigo potencial que, se no evitada, poder resultar em ferimentos graves. A cor associada ao Aviso a LARANJA.

Indica uma situao de perigo potencial que, se no evitada, poder resultar em ferimentos leves ou moderados. Tambm pode ser usada para alertar contra prticas inseguras. A cor associada ao Cuidado a AMARELA. !Antes de trabalhar com os equipamentos agrcolas, faa uma leitura do manual de operao, fornecido pelo fabricante. Certos equipamentos requerem tcnicas especiais de operao. !Se o trator estiver equipado com Arco de Segurana ou estrutura de proteo contra capotamento (EPC), utilize o cinto de segurana.Fonte: John Deere

Cinto de Segurana

14 !Nunca use o cinto de segurana se o trator no possuir arco de segurana ou EPC, pois no tombamento da mquina o operador poder ser esmagado.Fonte: Monteiro

Ausncia de EPC no trator !Para o trator equipado com EPC e considerando que o operador esteja utilizando o cinto de segurana, caso ocorra o tombamento do mesmo, recomenda-se que o operador segure firme no volante e somente tente sair aps a parada total do trator; jamais tente pular da mquina.Fonte: Massey Ferguson

Segure firme no volante e espere o trator parar

15 !Ao realizar a manuteno na estrutura de proteo ao capotamento (EPC), utilize somente peas originais e JAMAIS FAA FUROS OU SOLDAS NA ESTRUTURA, este procedimento reduz a resistncia do material, perdendo a sua eficincia.Fonte: Massey Ferguson

Reparos na EPC

!A maioria dos tratores s permite o acesso dos operadores plataforma de operao pelo lado esquerdo, neste lado, esto dispostos os apoios para as mos e as escadas para apoio dos ps, permitindo ao operador subir no trator de forma segura.Fonte: Monteiro

Acesse o trator sempre pelo lado esquerdo

16 !Desa do trator sempre de costas colocando as mos nos apoios e os ps nos degraus, JAMAIS DESA DE FRENTE OU PULE DO TRATOR, muitos acidentes graves acontecem quando o operador no adota este procedimento.Fonte: Monteiro

Jamais desa de frente ou pule do trator !Mantenha a plataforma de operao e os degraus livres de graxa, lama, sujeira e objetos que atrapalhem o aceso do operador, isto evitar possveis escorreges e quedas de cima do trator.Fonte: John Deere

Plataforma de Operao

17 !Havendo necessidade de transportar pessoas, utilize carretas ou plataformas para o transporte, jamais transporte pessoas nos pra-lamas do trator, em p na barra de trao ou apoiado nos braos do sistema hidrulico do trator.Fonte: John Deere

Transporte de PessoasFonte: Monteiro

Transporte inseguro de pessoas no trator

18 !Antes de funcionar o trator e iniciar sua movimentao, verifique se no h pessoas ou animais ao seu redor. Este procedimento pode evitar possveis atropelamentos. !No sobrecarregue o trator ou opere com equipamentos fora das condies de segurana ou sem manuteno adequada. !Mantenha sempre os decalques de segurana limpos, legveis e troque-os quando se danificarem. !Somente coloque o motor em funcionamento quando estiver devidamente acomodado no assento do operador. !Ao parar o trator desligue o motor e aplique o freio de estacionamento antes de descer do mesmo. !Jamais permanea com o motor em funcionamento em locais fechados, os gases do escapamento podem causar srios riscos sade de quem estiver neste local, podendo lev-la a morte.Fonte: Massey Ferguson

Cuidados na Operao

19 !Utilize somente a barra de trao para os servios de reboque e nunca a viga C do terceiro ponto, assim, evita-se que o trator empine e tombe para trs.Fonte: Massey Ferguson

Utilizao do trator como reboque

PRECAUES AO CONDUZIR O TRATOR !No desloque com o trator em velocidades excessivas, utilize sempre velocidades que permitam um deslocamento seguro.Fonte: Monteiro

Perda de controle devido a velocidades elevadas

20 !Ao conduzir o trator em estradas, utilize os dois pedais de freios unidos e travados.Fonte: John Deere

Cuidados na Conduo do Trator.

!Ao descer ladeiras utilize o freio motor e os freios do trator; jamais pise na embreagem ou desa em ponto morto, evitando assim perder o controle do trator.Fonte: Massey Ferguson

Cuidados na Conduo do Trator

!No faa trocas de marcha no meio de subidas e/ou descidas, evitando perder o controle do trator.

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Fonte: Massey Ferguson

Cuidados na Conduo do Trator

!Nas manobras de cabeceira, recomenda-se reduzir a rotao do motor e utilizar os freios como auxiliar nas manobras; porm, sem exageros, evitando a perda de controle do trator.Fonte: Monteiro

Perda de controle nas manobras de cabeceira ! Recomenda-se manter uma distncia segura, quando estiver trabalhando prximo a barrancos e/ou valas. Este procedimento evita que haja desmoronamento e, consequentemente, o tombamento da mquina.

22Fonte: Monteiro

Evite operar prximo a valas e/ ou barrancos

!A RESOLUO N 281, DE 26 DE JUNHO DE 2008, que entraria em vigor em 1 de julho de 2010, estabelece critrios para registro de tratores destinados a puxar ou arrastar mquinas. Evite sempre que possvel deslocarse com o trator sobre essas vias, utilize caminhes para o transporte seguro do trator na carroceria.Fonte: Monteiro

Deslocamentos em rodovias

23Fonte: Massey Ferguson

Transporte correto do trator OPERANDO A TDP ou PTO A tomada de potncia responsvel pelo acionamento de equipamentos que necessitam da potncia do trator para girar seus rgos ativos, como exemplo pode-se citar as roadoras, pulverizadores, distribuidores de fertilizantes, etc. Ao trabalhar com equipamentos ligados na tomada de potncia (TDP ou PTO), o operador deve ter sua ateno redobrada, pois um pequeno descuido podese tornar fatal. Apesar de ser responsvel pelo maior nmero de mutilaes e bitos, um mecanismo seguro se for operado de forma correta e consciente. Sempre que estiver trabalhando com a TDP e necessitar verificar ou ajustar o equipamento, desligue-a e espere que o seu eixo pare de girar, antes de proceder a verificao ou acoplar e desacoplar o equipamento por ela acionado. Somente este procedimento eliminaria a possibilidade do operador sofrer qualquer tipo de leso manuseando a mesma. !No se aproxime da TDP utilizando roupas largas ou folgadas que possam se prender em qualquer uma das partes rotativas.Fonte: John Deere

Cuidados com a TDP

24 !Desligue sempre a tomada de potncia quando esta no estiver sendo utilizada. !Sempre utilize as capas protetoras da tomada de potncia e, em caso de avaria, providencie a sua reposio.Fonte: Monteiro

Capa protetora da tomada de potncia

!As improvisaes chamadas de gambiarras, muitas vezes acabam contribuindo para o aumento da ocorrncia de acidentes com tratores. Na operao com a tomada de potncia, no improvise pinos para unir o card, tais como pregos, vergalhes, etc; utilize sempre os pinos fusveis originais, pois alm de serem apropriados para este tipo de aplicao no apresentam rebarbas ou sobras. Fonte: Monteiro Utilizao de vergalhes na unio do card

25 Os acidentes envolvendo a tomada de potncia poderiam ser evitados se os operadores seguissem essas poucas recomendaes. As estatsticas mostram que a falta de conhecimento e ateno, alm da conscientizao dos operadores, contribuem para a ocorrncia do acidente e, como consequncia, muitos operadores so mutilados ou acabam vindo a bito.Fonte: Cao Pereira

Acidentes com Tomada de Potncia PRECAUES DURANTE A MANUTENO Muitos acidentes ocorrem durante a manuteno da mquina e algumas recomendaes esto apresentadas a seguir, com o intuito de tentar minimizar as ocorrncias. !Durante as operaes de manuteno do trator, desligue o motor, evitando os riscos de acidente com as partes mveis, tais como, as polias e correias. !Havendo necessidade de erguer o trator para trabalhar em baixo do mesmo, utilize equipamentos hidrulicos e use cavaletes reforados para suportar o peso da mquina, evitando assim que o trator caia sobre o mecnico, caso o cilindro hidrulico (macaco) no sustente o peso do trator.

26Fonte: Massey Ferguson

Utilize sempre cavalete para sustentar o trator erguido.

!Nunca faa reparos nas mangueiras ou conexes do sistema hidrulico quando estiverem sob presso ou com o motor do trator funcionando (um jato com presso pode perfurar a pele, provocar irritaes ou graves infeces).Fonte: John Deere

Conexes de Presso

!Cuidado ao remover a tampa do radiador com o motor quente. Espere que o motor esfrie para abri-la, cubra com um pano e gire-a at o primeiro estgio para aliviar a presso, em seguida gire-a para o segundo estgio e retire a tampa. Este procedimento evita que o lquido jorre e cause queimaduras no operador.

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Fonte: John Deere

Tampa do Radiador aberta inadequadamente

!Nunca fume quando estiver abastecendo o trator ou trabalhando no circuito de combustvel.Fonte: John Deere

Cuidados no Abastecimento

!Desligue sempre o motor do trator ao abastecer o tanque de combustvel. !Mantenha a tampa do tanque firmemente apertada e, em caso de perda, substitua-a por outra tampa original, no improvise.

28 ! Ao manusear a bateria, no provoque chamas ou fascas por perto, pois a reao qumica dentro da bateria libera gases que so inflamveis e podem entrar em combusto. Evite o contato da soluo com roupas e a pele, pode haver risco de queimaduras graves.Fonte: John Deere

Cuidados com a Bateria

!Ao remover os cabos da bateria retire primeiro o cabo negativo e depois o positivo e, ao conectar, proceda de forma inversa, evitando curto-circuito e fascas.Fonte: John Deere

Conexes da Bateria

29 IMPROVISAES Durante o trabalho o trator esta sujeito a quebras ou pequenas avarias, que muitas vezes prejudicam o seu funcionamento eficiente, necessitando sua parada para realizao de reparos. Na maioria dos casos em que isto acontece para no atrasar o trabalho os operadores acabam improvisando peas, fazendo ajustes inadequados gambiarras; muitas dessas improvisaes acabam contribuindo diretamente para a ocorrncia dos acidentes. Citamos aqui alguns exemplos de adaptaes que vemos no dia a dia no campo. Utilizao de pneus com tamanhos diferentes na carreta tracionada pelo trator, ocasionando o tombamento da mesma.Fonte : Monteiro

Utilizao de Pneus com tamanhos diferentes Adaptaes no tanque de combustvel, risco iminente de vazamentos e incndios.

30Fonte: Monteiro

Tanque de combustvel improvisado Muitas improvisaes acabam se tornando permanentes, pois os operadores aps solucionar o problema jamais substituem as peas defeituosas.Fonte: Monteiro

Provisrio permanente, adaptaes que jamais so substitudas

31 Algumas situaes apresentam risco imediato de morte ou leses graves.Fonte: Monteiro

Utilizao da caamba do trator como escada

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CAPTULO IIPRECAUES DE SEGURANA NAS OPERAES COM EQUIPAMENTOS AGRCOLASPaulo Roberto Arbex Silva3

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Engenheiro Agrnomo, Professor Doutor do Departamento de Engenharia Rural da Faculdade de Cincias Agronmicas FCA/UNESP, Campus de Botucatu, SP.

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PRECAUES DE SEGURANA NAS OPERAES COM EQUIPAMENTOS AGRCOLAS

O trator agrcola uma mquina importante, servindo de fonte de potncia a diversos tipos de equipamentos e, podendo por isto, ser utilizado na execuo de inmeras tarefas. Coincidindo com o incio da produo de tratores na dcada de 60, o trabalho manual no Brasil foi sendo progressivamente substitudo pelo trabalho mecanizado. O crescente emprego dos conjuntos tratorizados em substituio ao trabalho manual e trao animal pode ser caracterizado como um evento que trouxe vrias consequncias positivas e, entre elas, pode-se destacar que o trator agrcola colaborou para diminuir o esforo fsico necessrio para a execuo de determinadas tarefas. Por outro lado, essa mquina trouxe alguns aspectos negativos, entre os quais se destaca o surgimento de uma nova fonte de acidentes de trabalho, na maioria dos casos com risco superior aos que ocorriam anteriormente. A maioria dos acidentes acontece durante o deslocamento do trator em estradas, sendo que neste momento, o operador deve estar atento, pois a velocidade de deslocamento do conjunto, nestes casos, geralmente maior. Esta tendncia pode ser explicada em funo do uso do trator em outras atividades que no as de campo, principalmente como veculo de transporte de passageiros, em substituio aos meios convencionais de transporte, inacessveis maioria dos produtores.

35 Acidentes ocorrem tambm em atividades de campo nas diferentes fases do processo produtivo. Estes podem ocorrer durante as operaes de preparo do solo (arao, gradagem, subsolagem, etc.), nas operaes de semeadura, operaes de colheita e transporte e no armazenamento de gros, entre outras. Outros pontos em que o operador deve tomar os cuidados devidos so nas operaes de manuteno das mquinas e no acoplamento e desacoplamento dos equipamentos agrcolas nos tratores. As condies de segurana na operao de tratores agrcolas devem ser avaliadas mediante a anlise do operador, da mquina, e do meio de trabalho. Os operadores de tratores agrcolas tm limitaes humanas, as quais podem ser de natureza fsica, psicolgica ou tcnica. Quando h o rompimento destas limitaes, aumenta-se a probabilidade de ocorrncia dos acidentes envolvendo mquinas agrcolas. Como dito anteriormente, as limitaes humanas dependem de caractersticas prprias do operador. Alguns fatores relevantes para a conduo segura nas operaes com tratores e equipamentos so o peso, a idade, a fora fsica, a condio emocional em que se encontra o operador, a experincia adquirida, o conhecimento a respeito da atividade, entre outras; porm, alm disso, os fatores referentes s condies gerais das mquinas e o meio externo no podem ser esquecidos. Os operadores de tratores agrcolas, quando indagados, afirmam que conhecem a maioria das regras de segurana na operao; porm, poucos participaram de cursos de treinamento e capacitao referentes mquina que trabalham. Alm disso, na prtica, os prprios operadores confessam no adotarem sempre as referidas medidas de segurana. No que se referem s mquinas agrcolas, alguns pontos de segurana devem ser avaliados. Geralmente, para reduzir os custos, as empresas fabricantes de mquinas retiram alguns componentes relacionados segurana. Dentre estes itens podem ser includas as cabines, as estruturas de proteo contra capotamento, a proteo do eixo cardam, escadas de acesso, entre outros. Na maioria dos casos, os tratores em comercializao no Brasil no satisfazem plenamente os princpios de segurana, embora atualmente a situao esteja sendo mais bem analisada pelos fabricantes e consumidores. Ainda em relao s mquinas, as mais antigas so mais perigosas do que as mais modernas, levando-se em considerao o desgaste natural das peas, o que aumenta a possibilidade de ocorrncia de falhas mecnicas que podem culminar em acidente.

36 Baseados nestes dados so apresentados a seguir as principais causas de acidentes e avarias nos tratores e equipamentos agrcolas. - Operao em condies inadequadas: Refere-se ao uso do trator e implementos em situaes alm dos limites para os quais foi projetado. - Operao com tratores no dimensionados para o trabalho: Quando os tratores tm potncia no motor menor do que a requerida para tracionar determinado equipamento. - Operao em aclives e declives: Podem ocorrer acidentes devido mudana da marcha com o trator em movimento, bem como na trao de carretas agrcolas, com excesso de peso e em declives acentuados com o trator em ponto morto.

Fonte: New Holland

No Efetuar mudanas de marcha em Aclives ou declives

- Operador alcoolizado: A ingesto de bebida alcolica tanto no trabalho quanto no deslocamento do trator um grande fator de risco na segurana de mquinas agrcolas. - Operao com falta de proteo das partes mveis do trator: Devido a alta rotao dos rgos ativos do trator e do equipamento a ele conectado, ocorrem muitos acidentes, entre os quais, se destacam o eixo da TDP e dispositivos do tipo rosca sem-fim, muito comum em carretas graneleiras.

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Fonte: New Holland

Ausncia de proteo das partes mveis

- Operao com equipamentos acoplados inadequadamente: Refere-se ao acoplamento do equipamento em local inadequado ou de forma errada, como por exemplo, quando os equipamentos, que deveriam ser acoplados na barra de trao, so acoplados no terceiro ponto do sistema hidrulico do trator. Pode haver capotamento do trator para trs. PRECAUES NA HORA DE OPERAR O TRATOR Nas atividades rurais so utilizadas ferramentas, mquinas, veculos e equipamentos que, se no forem utilizados de maneira correta, comprometem a sade e a segurana do trabalhador. O trator, por exemplo, a mquina mais importante na agricultura moderna, tambm uma das que maior nmero de riscos de operao oferece. Por isso, de responsabilidade do empregador a capacitao dos operadores de mquinas e equipamentos, visando sua operao e manuseio seguros. Cuidados durante a operao do trator so fundamentais para prevenir acidentes, entretanto, o trator uma mquina naturalmente perigosa e, para minimizar estes riscos, h diversas recomendaes a serem seguidas. A seguir so listadas algumas medidas de segurana na operao de tratores agrcolas, divididas em relao aos pontos que devem ser analisados.

38 PRECAUES ANTES DE INICIAR O TRABALHO O operador deve planejar o seu trabalho, determinando quais so as condies para realizao do mesmo. Agindo assim estar economizando: a) Tempo b) Esforo c) E prevenindo acidentes, o que mais importante. Sinalize com estacas, os lugares considerados perigosos e que podero causar acidentes. Leia e releia atentamente o Manual de Instrues do Trator e do Equipamento que vai ser acoplado ao mesmo. Saiba quais as operaes o seu trator poder ou no realizar, aprenda a usar de maneira correta todos os controles e comandos do trator e, caso no saiba, consulte o manual. Leia as instrues contidas nas etiquetas adesivas do trator e sigaas corretamente. ASSENTO DO OPERADOR Antes de dar a partida, o operador deve ajustar o assento de maneira a realizar o trabalho de forma confortvel e colocar todos os controles de marcha e alavancas do hidrulico no ponto neutro. Quando se trata da comodidade em se trabalhar, o assento tem sido muito utilizado como palavra-chave. Constatado o surgimento de doenas e enfermidades vinculadas ao trabalho sedentrio, passou-se a considerar o fator ergonomia como essencial nos projetos de assentos, em conjunto com o ambiente de trabalho. Quanto s caractersticas que o assento do operador deve possuir, (De Biasi et al., 2004), a ISO 4253 (ISO, 1993) padronizou as dimenses para o projeto de assento do operador de tratores agrcolas, tais como a altura em relao plataforma de apoio para os ps, o comprimento do assento em relao ao ponto de indexao do assento (SIP), as larguras da almofada e do encosto lombar e o comprimento do encosto do assento. Schlosser et al. (2002) destacaram a importncia da possibilidade de o operador alcanar e acionar, com o mnimo esforo e de forma a

39 manter postura corporal correta, todos os comandos, o volante, os pedais dos freios e da embreagem, o acelerador, as chaves de comandos, entre outros, que devem estar dispostos e montados em torno do posto de operao do trator agrcola, de maneira a permitir o controle, com manuseio fcil e seguro pelo operador, na sua posio normal de trabalho. PRECAUES NA UTILIZAO DOS FREIOS Sempre que possvel, ao trafegar com o trator nas estradas, os pedais de freio devem ficar unidos para que, quando acionados, freiem as duas rodas traseiras por igual. Para o trabalho no campo, preciso destravar os freios para facilitar as manobras, permitindo a ao somente em uma das rodas. Nas manobras em campo de terra solta, os freios devem ser utilizados para auxiliar a direo, porm sem exageros. Ao final do trabalho, o trator deve ser estacionado com os pedais unidos e travados e com o estrangulador puxado. Alm disso, preciso calar o veculo, tanto em descidas como em subidas. PRECAUES COM A TRANSMISSO Em tratores que possuem transmisso do tipo no sincronizada, nunca faa trocas de marchas com o trator em movimento sob pena de danificar a transmisso. Nunca force a alavanca do cmbio batendo ou dando solavancos para completar um engate de marcha. Fique atento quanto folga do pedal de embreagem. Essa folga tende a diminuir com o desgaste do eixo. recomendvel utilizar a mesma marcha no declive a que seria empregada no aclive. Mantenha o trator engrenado ao descer rampas ou colinas e no acione a embreagem.

40Fonte: Jonh Deere

Em declives desa engrenado e no acione a embreagem

Utilize a embreagem com suavidade, especialmente ao transpor uma elevao, ou sair de uma vala. Empregue a marcha r ao sair de valas profundas, para evitar o capotamento do trator. Desloque o trator em velocidades reduzidas quando trafegar em terrenos acidentados ou nas proximidades de valas. Reduza a velocidade antes de fazer curvas ou quando for aplicar o freio em apenas em uma das rodas. PRECAUES NO ACESSO AO POSTO DO OPERADOR O acesso determinada mquina, bem como o conforto trmico, o campo visual, o esforo para acionamento dos comandos e as dimenses do posto do operador so aspectos importantes a serem observados, em uma avaliao ergonmica de mquinas, com vistas ao maior conforto, segurana e produtividade, durante a realizao da jornada de trabalho. Os degraus devem ser projetados e posicionados de forma a no serem atingidos e danificados, durante a operao da mquina. PRECAUES NA UTILIZAO DA TRAO DO TRATOR Evite engatar a trao dianteira com o trator em movimento, devido diferena entre a relao de transmisso dianteira e traseira (podero ocorrer danos no sistema). Use a trao dianteira somente em servios de campo. Quando estiver trafegando em estradas e rebocando cargas elevadas, use-as somente se for indispensvel.

41 Nunca use a trao dianteira auxiliar em velocidades acima de 15 km/h. BLOQUEIO DE DIFERENCIAL Evite manobras ou curvas com o bloqueio acionado. PRECAUES NA UTILIZAO DA BARRA DE TRAO Durante a operao com grades, nunca trave a barra de trao, a no ser durante o transporte. Quando tracionar carretas, o cabealho deve estar engatado na barra de trao do trator, nivelado e o pino travado. Nunca permanea entre o trator e o equipamento durante o acoplamento, sem que todos os comandos estejam em neutro e os freios aplicados. No permita que pessoas fiquem sobre a barra de trao ou sobre o equipamento, quando o trator estiver em movimento. PRECAUES NA UTILIZAO DO SISTEMA HIDRULICO As conexes de engate rpido devem ser limpas com pano umidecido em leo antes de fazer o acoplamento no trator. Manter sempre protegidas as sadas de engate rpido com os respectivos tampes para evitar a entrada de sujeiras. Alivie a presso do comando antes de desconectar os engates rpidos. Para o acoplamento escolha um local plano, inicie a aproximao com o trator em marcha-a-r reduzida, ao se aproximar utilize a alavanca de controle de posio do hidrulico, deixando o brao inferior esquerdo no nvel do pino de engate. (1) Engate o brao inferior esquerdo e coloque o pino de trava. (2) Engate o brao do terceiro ponto do trator na torre do equipamento e coloque as presilhas. (3) Engate agora o brao inferior direito que possui movimentos de subida e descida atravs da manivela niveladora. Neste momento a rosca extensvel do terceiro ponto do trator pode ser utilizada para aproximar ou afastar o equipamento; facilitando o engate do mesmo.

42Fonte: Marchesan

Acoplamento de equipamentos no sistema hidrulico

Nunca deixe o equipamento no sistema de trs pontos suspenso quando o trator estiver parado. PRECAUES NA OPERAO DE EQUIPAMENTOS A utilizao de equipamentos e ferramentas requer cuidados especiais. Um equipamento regulado e conservado sempre estar apto para realizar as tarefas dirias com pleno xito e de forma segura. Por isso, no adequado que pessoas subam no equipamento para servir de contrapeso. Quando se trabalha com equipamentos pesados, devem-se utilizar pesos na parte dianteira do trator, nas rodas ou no chassi, para evitar o empinamento e o galope.Fonte: Monteiro

Utilizao de contra peso humano

43 O equipamento poder danificar o pneu traseiro se o operador fizer curvas muito fechadas. Ao parar o trator acompanhado de equipamentos acoplados ao sistema de levante hidrulico, o operador deve abaixar o hidrulico. E, ao serem desengatados do trator, mquinas e equipamentos devero estar calados, principalmente em terreno em aclive. Havendo necessidade de fazer qualquer servio no equipamento acoplado ao engate de 3 pontos, colocar cavaletes para apoi-los, jamais confie no macaco para sustentar o peso do trator. No caso de se utilizar implementos movidos pela tomada de potncia do trator, o operador precisa colocar a tampa de proteo adequada. Antes de ligar a tomada de potncia, preciso verificar, com as mos, se a proteo gira livremente. Quando no for mais utilizar a tomada de potncia, o operador dever recolocar a sua tampa de proteo. Deve-se desligar o eixo da tomada de potncia quando este tiver de ser inspecionado, principalmente quando os implementos estiverem acoplados ao trator. As ferramentas tambm podem ocasionar acidentes, como cortes, contuses e doenas, como as Leses por Esforo Repetitivo (LER), se utilizadas de maneira inadequada. importante que as ferramentas sejam utilizadas apenas para os fins a que se destinam e estejam sempre em perfeito estado de uso e, por isso, guard-las de maneira organizada facilita sua localizao, reduz a perda de tempo e acidentes com quedas de outras ferramentas prximas. A organizao das ferramentas e seu correto acondicionamento acarretam tambm aumento do tempo de sua vida til, reduzindo os custos com a manuteno e com as substituies de peas e partes. OPERAO SEGURA COM O ARADOS Os arados mais modernos, principalmente os de aivecas, apresentam dispositivos de segurana que permitem ultrapassar obstculos que encontram durante o trabalho. Nos arados de discos estes dispositivos tm importncia relativa, pois o movimento de rotao dos discos faz com que estes girem por cima de algum obstculo que aparea na operao de campo, como por exemplo, pedras, tocos, razes, etc. Deve-se salientar que os pinos fusveis so projetados para romper com determinada carga empregada, portanto, no devem ser substitudos por outros de material diferente (vergalho de ferro, por exemplo), pois pode ocasionar acidentes mais graves pelo no rompimento do pino, inclusive danificando o

44 trator e o prprio equipamento. Depois de rompido, para se iniciar novamente o trabalho necessrio parar o equipamento e repor um novo pino fusvel. Existem alguns modelos com a presena de molas que ao serem distendidas permitem a rotao das colunas voltando as aivecas posio de trabalho logo que as foras de compresso das molas deixem de se fazer sentir. Existem alguns cuidados com a segurana que devem ser efetuados antes de se iniciar o trabalho, durante esse trabalho e quando o arado estiver parado. Assim, antes de se iniciar o trabalho deve-se verificar o aperto de todas as porcas e, se necessrio, reapert- las. Caso o equipamento seja novo, devese reapertar todas as porcas logo no fim do 1 dia de utilizao, e fazer esta operao semanalmente ou a cada 50 horas de trabalho. Observar o desgaste dos rgos ativos e de proteo procedendo, sempre que necessrio, sua substituio. Deve-se guardar o equipamento sobre uma superfcie dura e seca e lav-lo com gua sob presso, procedendo-se depois a limpeza das peas polidas e sua proteo com um produto anticorrosivo. A marcha do trator ser determinada pelas condies do solo e pelas regulagens do arado; devendo sempre manter uma reserva de torque, para no sobrecarregar o trator ao ocorrerem esforos alm do normal. A profundidade de arao controlada normalmente pelo sistema hidrulico de trs pontos do trator; porm, podendo variar com as diferentes regulagens do arado e o tipo de solo que esteja trabalhando, Deve-se caminhar com a roda dianteira direita sempre no meio do sulco deixado pela passada anterior, no devendo caminhar encostado na parede do sulco e nem muito prximo a terra arada. Esta variao altera a largura de corte do primeiro disco, devendo, portanto, ser bem observada. OPERAO SEGURA COM A GRADE Durante o trabalho ou transporte permitida somente a permanncia do operador no trator. No se permite que crianas brinquem prximo ou sobre a grade, estando mesma em operao, em transporte ou armazenada. Utilize equipamentos de proteo individual, principalmente o protetor auricular. Verifique se todas as peas esto apertadas, principalmente das sees dos discos. Use luvas de proteo para trabalhar prximo aos discos. Utilize roupas e calados adequados. Evite roupas largas, que podem se enroscar nas partes mveis.

45 Tenha o completo conhecimento do terreno antes de iniciar o gradagem, faa a demarcao de locais perigosos ou de obstculos. Utilize velocidade adequada com as condies do terreno ou dos caminhos a percorrer. Para o acoplamento correto da grade no trator, utilize o macaco que vem junto com a grade. O macaco possui regulagem para subir ou descer a barra de trao, facilitando o acoplamento. Ao colocar a grade em posio de transporte observe se no h pessoas ou animais prximos. Nunca tente alterar as regulagens, limpar ou lubrificar a grade em movimento. As manobras com a grade devem ser feitas sempre para a esquerda para evitar sobrecarga no equipamento. Com esta medida evita-se ainda a formao de grandes sulcos no solo nos locais de manobra. Antes de deixar o assento, desligue sempre o motor do trator. Tracione a grade somente com trator de potncia adequada, verifique com ateno a largura de transporte em locais estreitos. Toda vez que desengatar a grade, na lavoura ou galpo, faa-o em local plano e firme, certifique-se que a mesma esteja devidamente apoiada, retire paus, pedras e outros objetos que estiverem presos aos discos. A barra de trao deve normalmente trabalhar oscilante, somente em casos de baixa profundidade de penetrao pode-se trabalhar com a mesma travada, sem mobilidade lateral. O acionamento da grade para abrir e fechar as sees deve ser feito gradativamente com o trator em movimento. A grade projetada para trabalhar com o peso que sai de fbrica, portanto, no recomendado colocar sobrepesos. OPERAO SEGURA COM O SUBSOLADOR Tenha conhecimento do terreno antes de iniciar a subsolagem, faa a demarcao de locais que contenham obstculos que possam danificar o equipamento. No opere o equipamento com pessoas sobre o subsolador ou sobre o trator, nunca permanea entre o trator e o equipamento a ser acoplado, sem que todos os comandos do trator estejam em neutro e com os freios acionados. Nunca faa regulagens ou ajustes com o equipamento suspenso no levante hidrulico do trator, se necessrio, apie o equipamento sobre cavaletes. Utilize luvas durante qualquer servio de montagem ou desmontagem do equipamento.

46 No caso de parada temporria ou no final do trabalho, o equipamento dever ser desacoplado e devidamente apoiado no solo em terreno nivelado. A profundidade das hastes controlada pelo acionamento dos cilindros hidrulicos que atuam sobre os pneus. Para manter a profundidade de trabalho constante; utilize os anis que limitam o curso das hastes dos cilindros. Ao efetuar manobras acione o cilindro hidrulico, levantando totalmente o subsolador para evitar grande esforo no mesmo e sobrecarregar principalmente os componentes de trao. Em operao mantenha a barra de trao do trator fixa e o chassi nivelado em relao superfcie do solo. Cuidado ao retirar os anis de controle de profundidade do subsolador. O pisto pode prender a mo do operador descuidado. Ao perceber um desgaste acentuado nas ponteiras das hastes, dificultando a penetrao; faa a reverso ou substitua as mesmas. No retire o material aderido nas hastes com os ps ou mos. Os mesmos podem ficar presos ou o hidrulico abaixar repentinamente. Prefira uma lana ou pedao de ferro para fazer esta limpeza. OPERAO SEGURA DA SEMEADORA Antes de iniciar o plantio faa uma inspeo geral na mquina, reapertando todos os parafusos e porcas, verificando tambm as condies de todos os pinos e contra pinos, para evitar danos futuros. Repita esta operao aps o primeiro dia de trabalho. No transite com excesso de carga sobre a semeadora. Verifique tambm se no h qualquer objeto no interior dos depsitos, que possam danificar os conjuntos distribuidores. Caso a semeadora necessite ser elevada enquanto estiver trabalhando nela ou prximo a ela, certifique-se de que as travas de segurana dos cilindros hidrulicos estejam colocadas e coloque cavaletes de madeira ou ferro. Tome cuidado quando movimentar ou operar a semeadora prxima a redes eltricas, para evitar contato com os fios. Certifique-se de que os cilindros hidrulicos e mangueiras esto completamente cheias de leo antes de operar o sistema. Tome cuidado quando operar em ladeiras. O trator pode inclinar para os lados se passar sobre um buraco ou outra irregularidade, risco de tombamento. Permita somente uma pessoa no trator enquanto estiver em operao.

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Fonte: Jonh Deere

Evite a permanncia de pessoas sobre o equipamento em operao

Evite colocar as mos nos depsitos de sementes e adubo quando a semeadora estiver em movimento, bem como nas partes mveis da semeadora. Ao manusear sementes tratadas use sempre luvas para evitar o contato direto com a pele. Evite ficar andando de um lado a outro na plataforma da semeadora, quando esta estiver em movimento. Utilize o banco apropriado e as barras de segurana para se apoiar. Antes de acionar o marcador de linhas da semeadora observe se no h pessoas ou animais na rea de ao do mesmo.Fonte: Marchesan

Acionamento do marcador de linhas

48 Ao detectar algum funcionamento incorreto da semeadora, pare o trator imediatamente e solucione o problema. Abaixe completamente a semeadora ao solo antes de desacopl-la do trator. Mantenha a semeadora devidamente apoiada e evite o contato dos discos diretamente com o solo, certifique-se que a semeadora est em uma superfcie nivelada e firme.

RECOMENDAES FINAIS Pelo que foi visto, as mquinas e equipamentos, devem atender aos seguintes requisitos: a) Serem utilizados unicamente para os fins concebidos, segundo as especificaes tcnicas do fabricante; b) Serem operados somente por trabalhadores capacitados e qualificados para tais funes; c) Serem utilizados dentro dos limites operacionais e restries indicadas pelos fabricantes. Os manuais das mquinas e equipamentos devem ser mantidos no estabelecimento, devendo o empregador dar conhecimento aos operadores do seu contedo e disponibiliz-los sempre que necessrio. As mquinas e equipamentos que ofeream risco de ruptura de suas partes, projeo de peas ou de material em processamento s devem ser utilizadas se dispuserem de protees efetivas. Os protetores removveis s podem ser retirados para execuo de limpeza, lubrificao, reparo e ajuste, ao fim devem ser, obrigatoriamente, recolocados. S devem ser utilizadas mquinas que tenham estrutura de proteo do operador em caso de tombamento e dispor de cinto de segurana. vedada a execuo de servios de limpeza, de lubrificao, de abastecimento e de manuteno com as mquinas e equipamentos em funcionamento, salvo se o movimento for indispensvel realizao dessas operaes, quando devero ser tomadas medidas especiais de proteo e sinalizao contra acidentes de trabalho. As mquinas e equipamentos, estacionrios ou no, que possuem plataformas de trabalho, s devem ser utilizadas quando dotadas de escadas de acesso e dispositivos de proteo contra quedas.

49 Em qualquer circunstncia, no deve ser feito o transporte de pessoas em mquinas e equipamentos acoplados. As aberturas para alimentao de mquinas, que estiverem situadas ao nvel do solo ou abaixo deste, devem ter proteo que impea a queda de pessoas no interior das mesmas. O empregador rural deve substituir ou reparar equipamentos sempre que apresentem defeitos que impeam a operao de forma segura. O empregador rural se responsabilizar pela capacitao dos operadores de mquinas e equipamentos, visando o manuseio e a operao seguros. As mquinas e equipamentos devem possuir faris, luzes e sinais sonoros de r acoplados ao sistema de cmbio de marchas, buzina e espelho retrovisor, sinalizadores de direo. S devem ser utilizados mquinas e equipamentos que apresentem dispositivos de acionamento e parada localizados de modo que: a) possam ser acionados ou desligados pelo operador na sua posio de trabalho; b) possam ser acionados ou desligados, em caso de emergncia, por outra pessoa que no seja o operador; c) no possam ser acionados ou desligados involuntariamente pelo operador ou de qualquer outra forma acidental; d) no acarretem riscos adicionais. Nas paradas temporrias ou prolongadas o operador deve colocar os controles em posio neutra, acionar o freio de estacionamento e adotar todas as medidas necessrias para eliminar riscos provenientes de deslocamento ou movimentao de implementos. Nos locais de movimentao de mquinas, equipamentos e veculos, o empregador rural deve estabelecer medidas que complementem: a) regras de preferncia de movimentao; b) distncia mnima entre mquinas, equipamentos e veculos; c) velocidades mximas permitidas de acordo com as condies das pistas de rolamento. necessrio que sejam oferecidos com maior frequncia cursos de treinamento na operao de tratores agrcolas, que abordem tambm o tema segurana, dando nfase, sob este aspecto, conscientizao do operador. Outro aspecto de fundamental importncia a melhoria dos projetos dos

50 tratores no que se refere s condies de ergonomia e segurana, juntamente com a continuidade de programas que incentivem a renovao da frota, que no Brasil se encontra ultrapassada. Por fim, aplicao imediata de legislao especfica sobre o assunto, que cobre, tanto dos fabricantes quanto dos proprietrios e operadores, a observao de medidas que visem reduo da frequncia e gravidade dos acidentes.

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CAPTULO IIIERGONOMIA APLICADA EM TRATORES AGRCOLAS E FLORESTAISJoo Eduardo Guarnetti dos Santos4 Saulo Philipe Sebastio Guerra5 Fernando Henrique Campos6 Alison Augusto Barbieri Mota6 Guilherme Oguri64

Engenheiro Agrcola, Professor Livre Docente, Departamento de Engenharia Mecnica da Faculdade de Engenharia de Bauru FEB/ UNESP, Campus de Bauru, SP.

Engenheiro Florestal, Professor Assistente Doutor do Departamento de Gesto e Tecnologia Agroindustrial da Faculdade de Cincias Agronmicas FCA/UNESP, Campus de Botucatu, SP.6 Discentes do Curso de Ps Graduao - Energia na Agricultura da Faculdade de Cincias Agronmicas FCA/UNESP, Campus de Botucatu, SP.

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ERGONOMIA APLICADA EM TRATORES AGRCOLAS E FLORESTAISCONCEITOS BSICOS Na Inglaterra em 1949, a Ergonomics Research Society (Sociedade de Pesquisa em Ergonomia) definiu Ergonomia, como o estudo do relacionamento entre o homem e seu trabalho, equipamento e ambiente, e particularmente a aplicao dos conhecimentos de anatomia, fisiologia e psicologia na soluo de problemas surgidos desse relacionamento. Em 1961, a Associao Internacional de Ergonomia (IEA), que representa uma associao de 40 pases diferentes com 19 mil scios, definiu Ergonomia como uma disciplina cientfica que estuda as interaes do homem com elementos do sistema, fazendo aplicaes da teoria, princpios e mtodos de projeto, com o objetivo de melhorar o bem-estar humano e o desempenho global do sistema. Couto (1996), afirma que a ergonomia capaz de dar sustentao positiva s formas de administrar a produo e diminuir a incidncia de acidentes e traumas oriundos do trabalho. Ergonomia pode ser definida como a cincia que estuda as relaes entre

53 o homem, o seu trabalho e o ambiente que os circunda. Segundo Murrel (1965), a ergonomia consiste no estudo da adaptao do trabalho ao homem, em concordncia com diversos pesquisadores (WISNER, 1987; IIDA, 1990; PANERO & ZELNILK, 1991; GRANDJEAN, 1998). O pesquisador Wisner (1987) separou a Ergonomia em trs grandes reas. A Ergonomia de Concepo que permite agir na fase inicial da implantao de um produto ou de uma organizao. J a Ergonomia de Correo aplicada em situaes reais j existentes, para resolver problemas ligados segurana, fadiga, doenas relacionadas ao trabalho, acidentes ou na produtividade, implicando em correes ergonmicas. Quando os problemas no podem ser resolvidos pelas intervenes ergonmicas acima citadas, aplica-se a Ergonomia de Conscientizao, que se resume na capacitao dos recursos humanos frente s imposies ergonmicas presentes, se beneficiando das vantagens obtidas pelas outras intervenes ergonmicas. No sculo XVIII, poca da Revoluo Industrial, as fbricas eram sujas, barulhentas, perigosas e escuras, as jornadas de trabalho chegavam at dezesseis horas dirias, sendo o regime de trabalho de semi-escravido e sem direito a frias. Como ocorreu em muitas reas cientficas, a Ergonomia obteve um grande desenvolvimento no decorrer da Segunda Grande Guerra. A interdisciplinaridade desta rea permitiu que diversos pesquisadores se interagissem para obteno de melhores condies, em termos de conforto e segurana, nos campos de batalha. Foram utilizados conhecimentos cientficos e tecnolgicos disponveis, para construir instrumentos blicos complexos (submarinos, tanques, avies, etc.). O objetivo era adaptar os instrumentos blicos s caractersticas e capacidades do operador, melhorando o desempenho e reduzindo a fadiga e os acidentes. Para Santos & Fialho (2007), o trabalho interdisciplinar de profissionais na Segunda Guerra Mundial visava melhorar a eficincia dos armamentos e, com isso, diminuir erros humanos nos campos de batalha. Em 16 de fevereiro de 1950, foi proposto o nome ERGONOMIA por estes mesmos pesquisadores, que na ocasio fundaram a Ergonomics Research Society, na Inglaterra. A partir de ento a ergonomia se expandiu no mundo industrializado. Em 1961 foi fundada, na Europa, a Associao Internacional de Ergonomia IEA. A Associao Brasileira de Ergonomia ABERGO (www.abergo.org.br)

54 foi fundada em 1983, sendo filiada a IEA. No Brasil existe a Norma Regulamentadora NR 17 Ergonomia, Portaria n. 3.214 de 08.06.1978 do Ministrio do Trabalho, modificada pela Portaria n. 3.751 de 23.08.1990 do Ministrio do Trabalho. Hoje a ergonomia difundiu-se em praticamente todos os pases do mundo. Estudos epidemiolgicos demonstram que a atividade agrcola tem relao com muitos riscos ocupacionais, podendo ser considerada uma das profisses mais perigosas. Muitos so os acidentes fatais ou que deixam sequelas nos trabalhadores. Este quadro se torna mais agravante quando o trabalhador o operador de uma mquina (FARIA, 2005). Quando se trata de trabalho agrcola as tarefas dirias exigem muito esforo fsico do trabalhador em condies de trabalho muitas vezes no adequadas. Para Iida (1990) operar um trator agrcola pode ser uma tarefa rdua. O ambiente de trabalho de um operador agrcola sofre a interferncia de vrios fatores oriundos da prpria mquina e do ambiente, como rudos, vibraes, poeiras, temperatura, umidade, iluminao, dentre outros. A mecanizao do trabalho aliviou a sobrecarga fsica, porm em condies onde o trabalho descontnuo, como nas indstrias, criaram-se duas consequncias para a sade dos trabalhadores, sobrecarga dinmica na musculatura das mos braos e sobrecarga esttica na musculatura das regies da nuca, ombro e pescoo, por submeter os trabalhadores a uma situao montona e repetitiva de trabalho; a outra consequncia de fator psicolgico, como o estresse que ocorre devido ao ritmo intenso, a presso pela produo e a perda de controle sobre o prprio processo de trabalho (ASSUNO & ROCHA, 1994). Em relao ao trabalho manual, o uso do trator agrcola reduziu de forma significativa a carga fsica qual o trabalhador encontrava-se submetido. Entretanto, os operadores de tratores agrcolas continuam expostos a uma determinada carga fsica e, neste caso, tambm mental, pois a operao de um trator exige o controle simultneo de diversas variveis referentes ao trabalho, conforme explica (MRQUEZ, 1990). Segundo Mrquez (1990), a segurana na operao de tratores agrcolas deve ser uma das principais preocupaes dos administradores rurais. Todos os tratores devem ser equipados com dispositivos de segurana, assim como freio de estacionamento, cinto de segurana, estrutura de proteo contra capotamento, isolamento de peas mveis, cujo funcionamento pode causar acidentes.

55 Devido ao fato dos trabalhadores rurais terem pouco poder de organizao e reivindicao, a ergonomia, no to frequente na agricultura. Os tratores tem sido o principal objeto de estudo e pesquisa por empresas que produzem mquinas agrcolas devido a sua larga utilizao. Segundo Mrquez (1986), na Espanha e nos demais pases europeus, aproximadamente 40% do total de acidentes ocorridos no setor agrrio envolvem mquinas agrcolas e destes, metade so devidos ao mau uso do trator agrcola. Em uma pesquisa de caracterizao dos acidentes graves no trabalho rural, realizada no Estado de So Paulo, Silva & Furlani Neto (1999) concluram que o trator, a motosserra, as mquinas e os equipamentos agrcolas, encontramse, envolvidos na maior parte dos acidentes graves ocorridos. A gravidade dos acidentes com tratores agrcolas confirmada por Field (2000), que, em trabalho realizado no Estado de Indiana, nos Estados Unidos da Amrica, coletou dados que demonstram que, entre 500 e 600 pessoas morrem a cada ano naquele pas em funo de acidentes com tratores agrcolas e que a cada pessoa morta, outras 40, no mnimo, so feridas. A caracterizao dos acidentes com tratores agrcolas reveste-se de grande importncia, porque diferentes tipos de acidentes (capotamento, quedas, atropelamentos, entre outros) possuem causas e consequncias especficas (MRQUEZ, 1986). Segundo Zcchio (1971), Alono (1999) e Cardella (1999) existem dois grandes grupos de causas de acidentes de trabalho: atitudes inseguras e condies inseguras. O primeiro grupo relaciona-se diretamente s falhas humanas, enquanto o segundo engloba as limitaes inerentes a maquina. Em pesquisa desenvolvida na Espanha, Mrquez (1990) indica que, 84% dos acidentes com tratores agrcolas so causados por atitudes inseguras. O esforo fsico e mental leva fadiga, o que diminui a capacidade de concentrao do operador, aumentando, em consequncia, a ocorrncia de acidentes de trabalho, que podem resultar em erros (MRQUEZ, 1990). O operador trabalha num ambiente que pode ser afetado por uma srie de fatores oriundos da prpria mquina e do meio ambiente, como os rudos, as vibraes, as poeiras, a temperatura, a umidade, a iluminao, dentre outros, conforme (IIDA, 1990; MARQUEZ, 1990; SCHLOSSER et al, 2002). A preocupao com o conforto e a segurana do operador tem chamado a ateno de profissionais de diversas reas no sentido de considerar os fatores humanos (ergonomia) na concepo do projeto de tratores agrcolas, em razo das adversidades impostas pela natureza no meio agrcola e tambm,

56 periculosidade que essas mquinas apresentam e aos acidentes envolvidos nesse contexto. Operar um trator agrcola pode ser uma tarefa rdua, se forem consideradas todas as limitaes e adversidades presentes no ambiente de trabalho no meio agrcola (ROZIN, 2004). Silveira (2001) relata que o trator agrcola deve se adaptar s mais diversas condies oferecidas pelas mltiplas funes que exerce. Tambm, deve possuir boa manobrabilidade, proporcionar comodidade e segurana ao operador, visibilidade em todas as direes, acoplamento simples e rpido de equipamentos, alm de uma fcil manuteno. Debiasi et al. (2002) relatam que a presena de itens relacionados ao conforto e ergonomia menor quanto mais antigos forem os tratores agrcolas, implicando numa maior severidade dos efeitos dos fatores ambientais sobre operador, nessas condies. Segundo Liljedahl et al. (1996), quando os fatores humanos so corretamente incorporados ao projeto, permitem que o operador faa uma grande quantidade de tarefas complexas com eficincia, segurana e um mnimo de fadiga. Para que o posto de operao dos tratores agrcolas possa ser dimensionado corretamente, necessria a interveno de outra cincia, a antropometria que segundo Minette (1996), a parte da antropologia fsica que estuda as dimenses do corpo humano. As dimenses que caracterizam o posto de operao dos tratores agrcolas encontram-se normatizadas. Entre essas normas, destacam-se a norma ISO 3462 1979 (Tratores e Mquinas Agrcolas Ponto de Referncia do Assento Mtodo de Determinao), a ISO 4253 1977 (Tratores Agrcolas Banco do operador - dimenses) e a UNE 68 046 83 (Tratores Agrcolas Acessos, Sadas e Posto do Condutor Medidas). VIBRAO EM TRATORES Fernandes (2003) explica que os nveis de vibrao excessivos, em tratores agrcolas so bastante desconfortveis para o operador, que consequentemente aumenta sua fadiga fsica e mental. Para verificar o conforto do operador, podese fazer anlises subjetivas ou objetivas. A anlise subjetiva feita atravs de um ou mais trabalhadores que tenham experincia na rea. A anlise objetiva feita pela determinao das amplitudes, direes, frequncias e durao das vibraes.

57 A coluna vertebral dos operadores de maquinas um dos rgos mais afetados pelas doenas ocupacionais (SCHLOSSER & DEBIASI, 2002). Porm, os efeitos da vibrao dependem da frequncia do movimento em que o trabalhador exposto. Frequncias abaixo de 1 Hz causam enjos, frequncias entre 3 e 8 Hz afetam os intestinos e a coluna vertebral e frequncias na faixa de 15 a 24 Hz tem interferncia na viso (BERASATEGUI, 2000), ou seja, o tipo de dano que causado no operador depende diretamente da frequncia e do tempo de exposio vibrao. Fernandes (2003) em seu trabalho demonstra que um trator de 75 cv, acoplado a uma grade destorradora-niveladora, apresentou os maiores picos de vibrao vertical na faixa de 2 a 4 Hz e com nveis de acelerao ponderal em uma jornada de 4 horas de trabalho acima dos nveis estipulados pelas norma (ISO 2631, 1978). Resultados semelhantes tambm foram encontrados por (SANTOS FILHOS, 2003). Segundo a norma ISO 2631 (1978), os equipamentos necessrios para a medida de vibraes so: um transdutor ou pick-up, um dispositivo amplificador (eltrico, mecnico ou ptico) e um indicador de nvel ou registrador. E os principais fatores que devem ser determinados para uma resposta da vibrao so: Intensidade, frequncia, direo e durao (tempo de exposio) da vibrao. Para que a vibrao cause fadiga no operador, depender do tempo de exposio do operador a vibrao, da acelerao e da frequncia da vibrao. Os tempos de exposio de acordo com as aceleraes e frequncias para que ocorra a fadiga esto expressos nas Tabelas 1 e 2.

58Tabela 1. Valores numricos de fadiga nvel de eficincia reduzido para acelerao de vibrao na direo transversa a ou a (costas-peito ou lado a lado).Freqncia (centro da banda de 1/3 de oitava) 1,0 1,25 1,6 2,0 2,5 3,15 4,0 5,0 6,3 8,0 10,0 12,5 16,0 20,0 25,0 31,5 40,0 50,0 63,0 80,0

Acelerao (m/s2) Tempo de Exposio 24 h 16 h0,100 0,100 0,100 0,100 0,125 0,160 0,200 0,250 0,315 0,40 0,50 0,63 0,80 1,00 1,25 1,60 2,00 2,50 3,l5 4,00 0,150 0,150 0,150 0,150 0,190 0,236 0,300 0,375 0,475 0,60 0,75 0,95 1,18 1,50 1,90 2,36 3,00 3,75 4,75 6,00

8h0,224 0,224 0,224 0,224 0,280 0,355 0,450 0,560 0,710 0,900 1,12 1,40 1,80 2,24 2,80 3,55 4,50 5,60 7,10 9,00

4h0,355 0,355 0,355 0,355 0,450 0,560 0,710 0,900 1,12 1,40 1,80 2,24 2,80 3,55 4,50 5,60 7,10 9,00 11,2 14,0

2,5 h0,50 0,50 0,50 0,50 0,63 0,8 1,0 1,25 1,6 2,0 2,5 3,15 4,0 5,0 6,3 8,0 10,0 12,5 16,0 20

1h0,85 0,85 0,85 0,85 1,06 1,32 1,70 2,12 2,65 3,35 4,25 5,30 6,70 8,5 10,6 13,2 17,0 21,2 26,5 33,5

25 min1,25 1,25 1,25 1,25 1,6 2,0 2,5 3,15 4,0 5,0 6,3 8,0 10 12,5 16 20 25 31 ,5 40 50

16 min1,50 1,50 1,50 1,50 1,9 2,36 3,0 3,75 4,75 6,0 7,5 9,5 11,8 15 19 23,6 30 37,5 45,7 60

1 min2,0 2,0 2,0 2,0 2,5 3,15 4,0 5,0 6,3 8,0 10 12,5 16 20 25 31,5 40 50 63 80

Fonte: ISO 2631 (1978).

59Tabela 2. Valores numricos do nvel de eficincia reduzido (fadiga) para acelerao da vibrao na direo longitudinal a z (p - cabea).Freqncia (centro da banda de 1/3 de oitava) 1,0 1,25 1,6 2,0 2,5 3,15 4,0 5,0 6,3 8,0 10,0 12,5 16,0 20,0 25,0 31,5 40,0 50,0 63,0 80,0 Acelerao (m/s2) Tempo de Exposio 24 h 0,280 0,250 0,224 0,200 0,180 0,160 0,140 0,140 0,140 0,140 0,180 0,224 0,280 0,355 0,450 0,560 0,710 0,900 1,120 1,400 16 h 0,425 0,375 0,335 0,300 0,265 0,235 0,212 0,212 0,212 0,212 0,265 0,335 0,425 0,530 0,670 0,850 1,060 1,320 1,700 2,120 8h 0,63 0,56 0,50 0,45 0,40 0,355 0,315 0,315 0,315 0,315 0,40 0,50 0,63 0,80 1,0 1,25 1,60 2,0 2,5 3,15 4h 1,06 0,95 0,85 0,75 0,67 0,60 0,53 0,53 0,53 0,53 0,67 0,85 1,06 1,32 1,70 2,12 2,65 3,35 4,25 5,30 2,5 h 1,40 1,26 1,12 1,00 0,90 0,80 0,71 0,71 0,71 0,71 0,90 1,12 1,40 1,80 2,24 2,80 3,55 4,50 5,60 7,10 1h 2,36 2,12 1,90 1,70 1,50 1,32 1,18 1,18 1,18 1,18 1,50 1,90 2,36 3,00 3,75 4,75 6,00 7,50 9,50 11,8 25 min 3,55 3,15 2,80 2,50 2,24 2,00 1,80 1,80 1,80 1,80 2,24 2,80 3,55 4,50 5,60 7,10 9,00 11,2 14,0 18,0 16 min 4,25 3,75 3,35 3,00 2,65 2,35 2,12 2,12 2,12 2,12 2,65 3,35 4,25 5,30 6,70 8,50 10,6 13,2 17,0 21,2 1 min 5,60 5,00 4,50 4,00 3,55 3,15 2,80 2,80 2,80 2,80 3,55 4,50 5,60 7,10 9,00 11,2 14,0 18,0 22,4 28,0

Os valores acima definem o limite em termos de valor eficaz (RMS) da vibrao de frequncia simples (senoidal) ou valor eficaz na banda de um tero de oitava para a vibrao distribuda.Fonte: ISO 2631 (1978).

RUDO EM TRATORES AGRCOLAS Segundo Silveira (2008), o rudo produzido nas operaes agrcolas pode prejudicar a sensibilidade da audio no s do operador, mas tambm de pessoas que estejam ao alcance do rudo. Tibiri (1997) define rudo como uma onda sonora, ou um complexo de

60 ondas sonoras, que causa sensao de desconforto e a perda gradual da sensibilidade auditiva. Rudos que estejam no intervalo de 65 a 85 dB (A), surte efeitos psquicos e fsicos no trabalhador por intermdio do sistema nervoso, que se deve ao aumento da presso sangunea e de batimentos cardacos (DELGADO, 1991). A norma brasileira que trata de rudos em mquinas est descrita na ABNT, dentre elas as que dizem respeito ao meio agrcola so: NBR 9999 (ASSOCIAO BRASILEIRA DE NORMAS TCNICAS, 1987) Medio do Nvel de Rudo no posto de Operao de Tratores e Mquinas Agrcolas e a NBR 10400, NBR (1988) Tratores Agrcolas Determinao das Caractersticas Tcnicas e Desempenho. Alm desses a NR 15 Atividades e Operaes Insalubres. Altos ndices de rudo, excedendo as normas, so bastante comuns quando se trata de mquinas agrcolas. Santos (2004) realizou um trabalho onde se mediu os nveis de rudos em um trator agrcola acoplado a um equipamento, em seus resultados obteve nveis de rudo acima do permitido na NR 15 para uma jornada de oito horas de trabalho. Em outro trabalho realizado por Souza (2004) foram quantificados os nveis de rudo de uma recolhedora de feijo, assim como no trabalho anterior os nveis de rudo tambm estavam em desconformidade com a NR 15 para uma jornada de oito horas de trabalho, ou seja, acima dos 85 dB (A).

61Tabela 3. Limites de tolerncia para rudo contnuo ou intermitente. MXIMA EXPOSIO NVEL DE RUDO dB (A) DIRIA PERMISSVEL 85 8 horas 86 7 horas 87 6 horas 88 5 horas 89 4 horas e 30 minutos 90 4 horas 91 3 horas e 30 minutos 92 3 horas 93 2 horas e 40 minutos 94 2 horas e 15 minutos 95 2 horas 96 1 hora e 45 minutos 98 1 hora e 15 minutos 100 1 hora 102 45 minutos 104 35 minutos 105 30 minutos 106 25 minutos 108 20 minutos 110 15 minutos 112 10 minutos 114 8 minutos 115 7 minutosFonte: NR 15 (1978).

MOVIMENTOS REPETITIVOS Durante as operaes agrcolas, diversos movimentos repetitivos so observados no operador de mquinas agrcolas, como em tratores agrcolas, onde o operador olha diversas vezes para trs, para observar o desempenho do equipamento acoplado ao trator ou em diversas operaes no campo como exemplo, o corte manual de cana-de-acar. Existem aes ou um conjunto de movimentos repetitivos que causam esgotamento e desgaste nas articulaes, atrito e desgaste nos tendes e ligamentos e aumento da fadiga muscular (SMITH, 1996).

62 Ainda segundo Smith (1996), o risco de distrbios acumulativos so maiores quanto mais um indivduo exposto a um esforo fsico dividido em aes dirias de exposio como: longos perodos de aes semelhantes durante semanas, meses ou anos; exposies devidas profisso; exposies contnuas, dirias, sem pausas. Se a exposio for prolongada durante semanas ou meses pode levar a fadiga dos tecidos causando leses nos mesmos. Segundo o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, a principal consequncia da L.E.R. a perda da capacidade de realizar movimentos podendo esta perda ser temporria ou permanente da capacidade de trabalho. Segundo Oliveira (2003), atualmente h uma grande preocupao com a LER/DORT, pois j so consideradas doenas epidmicas no Brasil, que tem registrado a mdia de 30.000 casos por ano. Segundo Oliveira (2003), a sigla D.O.R.T. significa Distrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho, que se constituem em doenas ocupacionais que esto relacionadas leso por traumas repetitivos, enquanto a L.E.R. (Leso por Esforos Repetitivos) o nome dado por especialistas a sintomas dolorosos que atingem tendes, msculos, nervos, ligamentos e outras estruturas responsveis pelos movimentos de membros superiores e inferiores. Os casos mais comuns de L.E.R. so encontrados no pescoo, ombros, cotovelos, punhos e mos. A conduta mais efetiva em relao a L.E.R.,continua sendo a preveno, incluindo nessa preveno mudanas ergonmicas, organizacionais e comportamentais. SOBRECARGA DE TRABALHO Comumente trabalhadores rurais so expostos a uma carga excessiva de trabalho, na qual passam mais de 8 horas por dia trabalhando, excesso abusivo de horas extras em um s dia. Tambm encontram-se crianas realizando trabalhos de adultos e trabalhos que ultrapassam os limites humanos. A diminuio da capacidade funcional dos trabalhadores em se manterem ou permanecerem com o rendimento esperado, pode surgir em funo da sobrecarga fsica imposta pela prpria atividade, realizada de forma contnua (SILVA, 1984). Segundo Burgess (1995), as leses decorrentes de sobrecarga fsica ocorrem mais frequentemente quando se tem uso de cargas mximas, m projeo de equipamentos e m orientao quanto ao treinamento. Para proporcionar ao trabalhador rural um ambiente de trabalho seguro e prazeroso, de extrema importncia o conhecimento dos limites humanos

63 alm de sua correta aplicao no trabalho dirio. Ainda Burgess (1995), o trabalho nas atividades agrcolas depende da compreenso dos limites humanos, sendo eles, fsico, fisiolgico e mental, e da sua correta aplicao nas situaes reais encontradas. LIMITES FSICOS DO OPERADOR So aqueles que envolvem caractersticas do trabalhador, por exemplo: biotipo, idade, altura, peso, sexo etc. Quando o indivduo no consegue realizar determinada tarefa por causa de suas caractersticas corporais ele pode estar se expondo alm de seus limites fsicos. LIMITES FISIOLGICOS DO OPERADOR Estes limites referem-se a: aptido fsica, descanso, boa sade, correta nutrio e tambm o efeito de drogas no organismo. Esses limites podem variar diariamente, por exemplo, se o indivduo no descansou adequadamente ou no teve uma alimentao correta, pode apresentar problemas na execuo de alguma tarefa que exija fora ou concentrao. LIMITES MENTAIS E EMOCIONAIS DO OPERADOR Os limites mentais e emocionais tambm como os limites fisiolgicos podem variar diariamente, de acordo com o estresse mental do indivduo. O indivduo pode perder a capacidade de entender ou executar tarefas com a segurana necessria. A empresa contratante dos servios essencial a observao e identificao de condies e fatores que possam causar sobrecarga nos funcionrios, visando proporcionar ao colaborador um ambiente de trabalho em que este possa execut-lo de modo feliz, satisfeito e confortvel. ILUMINAO DO AMBINETE DE TRABALHO A iluminao correta do ambiente de trabalho infere diretamente nos resultados, no conforto e na produtividade do trabalho realizado. Um local de trabalho bem iluminado oferece ao indivduo um ambiente agradvel e amigvel, visto que, a falta de iluminao, assim como seu excesso pode ser prejudicial. Nas mquinas agrcolas, em perodo diurno, quando o equipamento no possui cabine, a nica maneira de se controlar o excesso de iluminao, atravs da utilizao de algum E.P.I. (Equipamento de Proteo Individual), contudo quando a mquina possui cabine, o excesso de iluminao, pode ser controlado,

64 atravs do tipo de vidro utilizado na composio fsica da cabine, podendo este absorver mais ou menos a luz do ambiente, proporcionando maior conforto para o operador durante o trabalho. Durante a noite, para a iluminao no campo so utilizadas as prprias iluminaes contidas em cada mquina, visando realizao de um trabalho noturno com rendimento semelhante ao perodo diurno independentemente da mquina possuir cabine ou no. Para a correta iluminao do ambiente de trabalho existe a NBR-5413 (Norma de Iluminao) NR-9 (Norma de Preveno de Riscos Ambientais), que normatiza a iluminao necessria do ambiente de trabalho levando em conta a tarefa que ser nele executada. Na Tabela 4, podem-se observar os nveis de luminncia para interiores necessrios h alguns ambientes e tarefas segundo a norma NBR 5413 expressados em LUX (unidade de medida de luz). Tabela 4. Nveis de iluminncia para interiores.AMBIENTE OU TRABALHO LUX Sala de espera Garagem, residncia, restaurante Depsito, indstria (comum) Sala de aula Lojas, laboratrios, escritrios Sala de desenho (alta preciso) Servios de muito alta precisoFonte: ABNT (1991).

LUX 100 150 200 300 500 1000 2000

CAMPO DE VISO DO OPERADOR Aliado a boa iluminao essencial que o operador possua um campo de viso limpo, ou seja, sem nenhuma obstruo para atrapalh-lo durante a realizao de sua atividade no campo. Comumente nos tratores agrcolas observado a posio do escapamento do trator no campo de viso do operador.

65Fonte: Guarnetti

Campo de viso de diferentes tratores agrcolas. O escapamento do trator no atrapalha significativamente a operao do trator, contudo este um fator que pode ser melhorado renovando-se o projeto do trator, projetando o escapamento em outro lugar que no comprometa o campo de viso do operador. POSTURA INADEQUADA DO OPERADOR A postura inadequada em qualquer tarefa a principal causa de lombalgia, dor nas costas ou dor na coluna, sendo esta uma das morbidades que mais causa incapacidade para o trabalho. A preocupao com a postura se estende aos operadores de mquinas agrcolas, que passam horas sentadas na operao do trator. necessria a

66 ateno posio da coluna, das pernas, a altura dos olhos, entre outros. Como exemplo aps certo tempo de operao se as pernas do operador no estiverem bem apoiadas, pode causar caimbras e outras morbidades em longo prazo, assim como o dimensionamento ergonmico correto do banco. Trabalhos de pesquisa desenvolvidos por Bonvezi & Betta (1996), Yadav & Tewari (1998) e Mehta & Tewari (2000) mostram que o trabalho esttico gera fadiga muscular, o que aumenta o risco de ocorrncia de acidentes de trabalho, alm de potencializar a ocorrncia de determinadas doenas ocupacionais no operador, como lombalgias e surgimento de hrnia de disco. Segundo Iida (1990), o operador de trator gasta de 40% a 60% do seu tempo olhando para trs, o qual gera um grande nmero de movimentos rotacionais da cabea do operador, chegando de 15 a 20 rotaes por minuto.Fonte: Guarnetti

Operador olhando para o equipamento durante a operao Esse fato faz com que o operador mantenha o pescoo torcido para trs, com o intuito de diminuir a quantidade de rotaes, porm aumenta a tenso dos msculos do pescoo, provocando fadiga prematura dos msculos do pescoo e da coluna vertebral. Iida (2000) prope um redesenho dos assentos, de modo a absorver as vibraes e facilitar as rotaes do tronco e da cabea, uma vez que a coluna

67 vertebral do operador sofre o impacto das vibraes e das tores do corpo. O operador deve manter-se em numa postura estvel apesar de vibrar e sacolejar o tempo todo. Em seu estudo da anlise de conforto do assento do trator Mehta & Tewari (2000), concluram que para a realizao de um estudo completo sobre o conforto, necessrio levar em conta informaes especficas como distribuies de peso no assento, nveis de vibrao, biomecnica, postura do operador e material do coxim. TRATORES COM CABINES A cabine do trator tem a funo de proporcionar ao operador, proteo do sol, chuva, frio, poeira, fumaa do escapamento, rudos, alm de tentar minimizar as vibraes que chegam ao operador e proporcionar conforto trmico ao mesmo. Pela cabine j fazer parte de seu projeto, os tratores cabinados de fbrica, oferecem maior conforto e maior proteo ao operador. Como podemos observar na Figura, o operador tem maior espao para a movimentao no interior da cabine, os comandos so projetados de maneira mais eficiente para seu conforto e existe uma vedao eficaz para a proteo do operador contra rudo, poeira e partculas de defensivos agrcolas.Fonte: Guarnetti

Tratores com cabines diretamente da fbrica.

68 O trator com cabine de fbrica, contudo no indica que o operador est totalmente seguro, pois mesmo com a presena da cabine os nveis de rudo, vibrao e de contaminao por partculas mesmo que menores, ainda podem estar acima dos recomendveis para a segurana do operador. Schlosser e Debiasi (2002) realizaram uma avaliao dos nveis de rudo, prximos ao ouvido do operador, considerando o mesmo trator com cabine e sem cabine. Na ausncia de cabines, os rudos obtidos foram os que causaram maior dano ao operador. Ao avaliar os nveis de rudo causado por um trator, sem cabine, em diferentes velocidades de trabalho, concluiu-se que os valores indicaram uma condio de trabalho extremamente desconfortvel para o operador, acarretando grande risco de perda de audio (SANTOS FILHO, 2002). Santos et al. (2004) avaliaram o conforto trmico em tratores agrcolas sem cabine, e concluiram que as atividades realizadas pelos operadores agrcolas sem cabine, insalubre em funo do calor sofrido e de serem executadas a cu aberto. A sada para os tratores que no vem equipado com cabine pode ser a adaptao de uma cabine ao trator, contudo esta adaptao deve ser estudada e avaliada, em relao ao nvel de proteo e conforto que oferecem ao operador. Uma cabine mal adaptada ao invs de oferecer conforto e proteo ao operador pode piorar as condies de trabalho e aumentar o risco de sade para o operador. Cabines mal planejadas podem aumentar o desconforto trmico, a intensidade dos rudos, assim como das vibraes e tambm a concentrao de partculas a que o operador exposto no caso da aplicao de defensivos agrcolas na cultura. Na figura abaixo, observa-se um exemplo de cabine mal adaptada, a adaptao desta cabine confinou o operador a um posto de operao muito limitado, tanto no acesso para a cabine quanto para a operao do trator. A cabine estreitou o posto de trabalho diminuindo a distancia entre os comandos gerando um ambiente desconfortvel para a operao do trator. Observa-se que os pedais dos freios do trator entram na cabine, atravs de um orifcio no cho, sem qualquer tipo de vedao. Este detalhe gera diversas condies inseguras para o operador, sendo que pela falta de vedao adequada, a cabine perde sua eficincia em proteger o operador de rudos, poeira, calor e de partculas de defensivos agrcolas.

69Fonte: Guarnetti

Trator com cabine adaptada. ESTRUTURA DE PROTEO AO CAPOTAMENTO (E.P.C.) Segundo Corra & Yamashita (2009), estrutura de proteo contra capotamento, (EPC) uma estrutura montada sobre o trator com a finalidade de proteger o condutor em caso de capotamento do trator durante a sua utilizao normal, garantindo um espao seguro para o operador. Assim, ela deve ser construda de maneira que resista ao impacto do tombamento sem sofrer deformaes que atinjam a zona de segurana destinada ao operador. Existem trs tipos de EPC: EPC de dois pontos, EPC de quatro pontos e cabine de segurana. EPC de dois pontos de fixao ou dois pilares tambm chamado de arco de segurana e constitui-se de um elemento estrutural fixo ao trator em dois pontos resistentes nos chassi, frente ou trs do operador (CORRA & YAMASHITA, 2009).

70Fonte: Guarnetti

EPC de quatro pontos de fixao ou quatro pilares Constitui-se de um conjunto de barras resistentes que se fixam frente e trs do operador em quatro pontos de apoio no trator (CORRA & YAMASHITA, 2009). Cabine de segurana Conjunto de elementos resistentes semelhantes EPC de 4 pontos, sobre os quais so feitos recobrimentos para proteger o operador do sol, poeira, chuva, calor e frio (CORRA & YAMASHITA, 2009).Fonte: Guarnetti

EPC de dois pontos de fixao

EPC de quatro pontos de fixao.

71Fonte: Guarnetti

Cabine de segurana FALHAS DE PROJETO A EPC deve fornecer um abrigo seguro ao operador em caso de capotamento ou tombamento do trator, contudo conforme abordado anteriormente a fixao dos pilares deve ser feita em pontos slidos do trator, caso contrrio perde-se a resistncia da EPC colocando em risco a vida do operador em caso de acidente. A Figura abaixo, apresenta um trator que possui o arco de segurana, que deveriam ser fixados em dois pontos resistentes no chassi, contudo como se pode observar, a fixao do arco foi feita erroneamente nos pra-lamas do trator, sendo que este no tem resistncia suficiente para suportar o peso do trator em caso de capotamento, podendo levar o operador a morte ou a se ferir gravemente.

72Fonte: Guarnetti

EPC de dois pontos fixados no pra-lamas do trator. A Figura abaixo exibe uma EPC de quatro pontos de fixao, cujos pilares traseiros, foram fixados no pra-lamas do trator comprometendo a eficcia da segurana da EPC.Fonte: Guarnetti

EPC de quatro apoios com os pontos traseiros fixados no pra-lama do trator.

73 DIMENSES DO POSTO DE OPERAO Os tratores em circulao no Pas, na sua grande maioria, apresentam problemas de conforto e segurana para os operadores, uma vez que estes ficam expostos a nveis de insalubridade acima do permitido pelas normas de segurana no trabalho. A utilizao de tratores agrcolas ergonomicamente bem projetados reduz a probabilidade de acidentes, doenas ocupacionais no operador alm de aumentar sua produtividade no trabalho (ROZIN, 2004). As normas ISO (International Organization for Standardization), ABNT (Associao Brasileira de Normas Tcnicas) e ASAE (American Society of Agricultural Engineers) determinam parmetros recomendados no projeto de mquinas, principalmente para tratores agrcolas. Apresentamos a seguir os postos de operaes de tratores de diferentes marcas e anos de fabricao.

Posto de operao de diversos tratores agrcolas.

74 Rozin (2009) avaliou a conformidade dos postos de operao de diversos tratores de diversas marcas com a norma ISO 15077 e apresentou os seguintes resultados na Tabela 5. Tabela 5. Conformidade dos tratores (%) com anorma ISO 15077.F ab rica nte John De ere* M a ssey Ferguson * N e w H ol land V altra N e w H ol land V altra M a ssey Fergu son N e w H ol land M a ssey Fergu son N e w H olland * V altra** Ca se IH * M a ssey Ferguson * N e w H ol land M a ssey Fergu son Ya mm ar Ya mm ar M a ssey Fergu son V altra N e w H ol land Joh n De ere N e w H ol land Ya mm ar A grale N e w H olland * N e w H ol land Joh n De ere V altra M a ssey Fergu son M a ssey Fergu son A grale A grale Joh n De ere Ya mm ar Ya mm ar Tra tore s Agrc ola s 7505, 6505, 66 05 M F 5310, M F5320 , MF 650, M F 660, M F680 T L70, T L80, T L90, TL 100 985, BM85, B M100, BM110, BM120 TM 135, T M15 0, TM 165 700, 800, 90 0 M F650 , MF660, M F680 TS100, T S110, TS120 MF5310, MF5320 TM 135, T M15 0, TM 165 12 80R, 1580, 1780, BH 140, BH 160, BH 180 MX M 135, M X M15 0, MX M 165 MF 275, M F283, M F29 0, M F292, M F 297, M F299 , MF5275, M F 5285, M F52 90 TS100, T S110, TS120 M F265 , MF275, M F283 1045, 104 5DT 1055D T M F5275 , MF 5285, M F5290 BF65, BF 75 7630, 803 0 7505, 6505, 66 05 TL55E , TL 65E, T L75E , TL85E , TL 95E 2060X T AG 4230, AG 4240 TS100, T S110, TS120 TM 135, T M15 0, TM 165 5403 685, 785 M F29 0, M F292, MF297, M F299 M F265 , MF275, M F283 5075.4, 508 5.4 BX 6150 5 605,5705 1145 1155 Ate nde (%) 47,1 46,7 44,4 44,4 42,1 41,2 40 38,9 36,8 36,8 35,3 33,3 33,3 33,3 31,3 31,3 31,3 29,4 29,4 27,8 25 25 25 23,1 22,2 22,2 18,8 18,8 16,7 13,3 12,5 12,5 12,5 12,5 12,5

* Tratores que possuem cabine - ** Tratores com e sem cabine Fonte: Rozin (2009).

75 Com base na Tabela apresentada por Rozin (2009), pode-se observar que os tratores que apresentaram melhores resultados em adequao a ISO 15077, apresentaram somente 47,1% de conformidade com a norma. Os tratores agrcolas das classes de maior magnitude de potncia do motor foram os que atenderam melhor norma ISO 15077, no que se refere disposio interna dos comandos no posto de operao (ROZIN, 2009). Desde seu incio a essncia da ergonomia a adequao do trabalho ao individuo proporcionando condies para realizar uma atividade segura sem prejuzo a sua sade seja a curto ou em longo prazo. Atravs dos estudos ergonmicos, possvel identificar condies inseguras que podem comprometer a sade do trabalhador com mais antecedncia, e paralelo a isso o desenvolvimento tecnolgico evolui e proporciona aos pesquisadores, equipamentos para mensurar e avaliar danos ao corpo humano em funo das condies inseguras. Contudo nada disso vlido se no houver um trabalho eficaz de conscientizao dos trabalhadores rurais sobre seus direitos e seus deveres, e uma forte fiscalizao por parte do governo nas empresas rurais, para que se faa cumprir o direito mnimo que a segurana do trabalhador em seu posto de trabalho.

76

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CAPTULO IVLESES OCASIONADAS POR ACIDENTES COM TRATORESGilberto Jos Cao Pereira7 Trajano Sardenberg7 Paulo Roberto de Almeida Silvares7 Mauro dos Santos Volpi7 Emlio Carlos Curcelli7 Daniel Innocenti Dinhane8 Davi Nicoletti Gumieiro87

Professor Doutor, Departamento de Cirurgia e Ortopedia da Faculdade de Medicina de Botucatu FMB UNESP, SP. 8 Mdico, Departamento de Cirurgia e Ortopedia da Faculdade de Medicina de Botucatu FMB UNESP, SP.

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LESES OCASIONADAS POR ACIDENTES COM TRATORESA busca constante em atenuar o rduo trabalho na terra e crescente demanda de produtos agrcolas exige uma intensa modernizao deste setor e, consequentemente uma crescente necessidade de utilizao de mquinas, visando facilitar o trabalho e obter maior produo. Nesse contexto, o trator uma mquina indispensvel para o setor, pois como define Schlosser (2001), o trator uma unidade mvel de potncia em que se acoplam implementos e mquinas com diversas funes, tendo suas caractersticas voltadas para o uso nas operaes agrcolas. No Brasil, nas ltimas dcadas, tem ocorrido um grande aumento do nmero de tratores agrcolas. Debiasi (2004), citando dados da ANFAVEA, refere que em 1960 existiam aproximadamente 60.000 tratores no Brasil, j em 2002, quase 500.000 unidades, demonstrando uma crescente utilizao dessas mquinas nas atividades rurais. Se por um lado o aumento constante de unidades dessa mquina fundamental para o setor agrcola pode facilitar o trabalho e melhorar a produo, por outro, certamente ir causar um aumento no nmero de acidentes relacionados funo, principalmente se no forem intensificadas campanhas de orientao sobre regras bsicas de operao, medidas de segurana e

79 preveno de acidentes. Existem referncias na literatura, afirmando que a utilizao intensa de mquinas agrcolas ampliou consideravelmente os riscos a que esto sujeitos os trabalhadores rurais, e mais de 60% das mortes ocorridas em acidentes de trabalho no setor agrrio so consequncias da mecanizao agrcola. Silva & Furlani (1999), em trabalho sobre acidentes rurais no Estado de So Paulo, afirmam que o trator um dos elementos envolvidos na maior parte dos acidentes graves ocorridos no setor. Em todo o mundo, vrios estudos reportam a incidncia de acidentes na agricultura, salientando dados como: envolvimento ou no das mquinas, tipo de trauma, idade dos acometidos e principalmente o modo de ocorrncia, objetivando basicamente analisar e estabelecer medidas de preveno das leses. Lubicky (2009), concluiu que o trabalho agrcola uma das ocupaes de maior risco nos Estados Unidos da Amrica, sendo que as mquinas esto envolvidas em grande parte dos acidentes. Quanto idade, refere o autor que 40% das mortes em crianas na zona rural so consequncias de acidentes com mquinas agrcolas. O autor, citando dados do Departamento de Agricultura (2008) daquele pas, afirma que acidentes com tratores, tm sido identificados como a principal causa de morte ou leso incapacitante em trabalhadores rurais. Douphrate et al. (2009), em trabalho semelhante, referem que na zona rural dos EUA, os tratores so responsveis por uma alta proporo de acidentes fatais ou no. Os autores ressaltam inclusive o modo de ocorrncia das leses, isto , um grande nmero de acidentes acontece quando o trabalhador sobe ou desce da mquina. Outros trabalhos (ETHERTON, MYERS, LORINGER), tambm relatam que dentreas mquinas agrcolas, o trator o responsvel pelo maior nmero de bitos (69%) e, o capotamento desse tipo de veculo, causa a morte de aproximadamente 100 trabalhadores por ano na zona rural. Os autores ressaltam que a falta da estrutura de proteo para o operador da mquina (Roll-Over Protective Strutures ROPS) estaria diretamente relacionada ao elevado ndice de mortes nesse tipo de acidente com tratores. Loringer (2008) relata que nos EUA, entre 1992-2005 ocorreram em mdia 200 acidentes fatais com tratores por ano, sendo que em 1.412 casos, a causa da morte foi o capotamento do trator. O autor afirma que a estrutura de proteo contra o capotamento (ROPS) foi desenvolvida para preservar a vida do operador da mquina ou evitar graves leses no momento do capotamento, mas essa estrutura mais efetiva quando usada em conjunto com o cinto de segurana, que ir manter o operador dentro da rea de proteo no momento

80 em que o trator tombar. O Instituto Nacional de Segurana e Sade Ocupacional Americana estima que a porcentagem de leses ocasionadas pelo capotamento de tratores poderia ser reduzida em aproximadamente 70%, se todos os tratores nos Estados Unidos da Amrica estivessem equipados com proteo contra esse tipo de acidente. Hartling et AL (1999), comentam os riscos do trabalho rural como um todo, referem que dados do Conselho Nacional de Segurana Norte-Americano, indicam que trabalhadores da agricultura tm maior chance de sofrer acidentes de trabalho que outras ocupaes, mesmo incluindo atividades tradicionalmente perigosas como nas reas de construo e trabalho em minas. Os autores afirmam que as leses provocadas por mquinas agrcolas, tm se mostrado uma importante causa de morbidade e mortalidade no Canad e nos Estados Unidos. Em Ontrio, os agentes mais frequentes causadores de leses e mortes na zona rural so os veculos agrcolas, principalmente o trator. Segundo Gassend et AL (2009), na Crocia, a agricultura um dos trabalhos mais perigosos e, em vrios estudos, o trator reportado como o agente mais comumente envolvido em acidentes fatais. Referem tambm que uma grande porcentagem dos tratores utilizados no seu pas, so modelos antigos, as cabines so raras, no possuem estrutura de proteo contra capotamento, (ROPS) e nem cinto de segurana, medidas que poderiam evitar muitos acidentes fatais. Os autores relatam que pases do norte europeu, implementando a instalao da estrutura de proteo contra capotamento, cabine prova de esmagamento e cinto de segurana, quase extinguiram os acidentes fatais por capotamento do trator. No Brasil, estudos sobre acidentes rurais ainda so bastante limitados. Debiasi (2004) cita que ainda existem poucos trabalhos sobre acidentes com conjuntos tratorizados, o que dificulta o estudo das causas especficas do acidente e, tambm restringe as bases de dados que poderiam auxiliar no controle da frequncia e gravidade dos acidentes. Schlosser (2004) tambm comenta que apesar da importncia dos acidentes com tratores agrcolas, ainda existe pouca pesquisa sobre o assunto. O autor, em trabalho sobre os tipos de acidentes na Regio da Depresso Central do Rio Grande do Sul, ressalta as principais causas dos acidentes, como por exemplo, desconhecimento de medidas de segurana, falta de ateno, etc. Alm disso, identifica que o capotamento da mquina uma causa muito importante das leses, pois correspondeu a 51,7% do total de acidentes graves na regio. Ainda segundo o autor os dispositivos de segurana e treinamento dos operadores dos tratores so fundamentais na preveno de

81 acidentes. Em estudos realizados sobre acidentes com tratores na zona rural da regio de Botucatu SP, atendidos no Servio de Ortopedia e Traumatologia da Faculdade de Medicina de Botucatu UNESP, no perodo de junho de 2007 a dezembro de 2009. Analisando-se algumas caractersticas desse tipo de acidente, tais como, tipo e mecanismo da leso, causa do acidente, orientao tcnica sobre atividade, funo do acidentado, com intuito de obter dados que possam auxiliar estudos relacionados preveno desses graves acidentes. Observou-se que dentre os acidentes com mquinas agrcolas em nossa regio, que esto includas, picadora de cana, misturador de rao, moto-serra, roadora e trator, sendo que, os mais frequentes foram com tratores (16 casos), representando 65% de todos esses acidentes.

Misturador de rao Picadora de cana

Roadora

Motoserra

Trator

Porcentagem dos acidentes com mquinas agrcolas.

Schlosser, (2004) afirma que dentre todos acidentes de trabalho na zona rural, merece destaque os que envolvem tratores agrcolas. Segundo Mrquez (1986) em pases europeus, aproximadamente 40% dos acidentes em zona rural envolve mquinas agrcolas e, desses 50% so causados pelo trator. Hartling et al (1997) estudaram os custos de acidentes com mquinas agrcolas na regio de Ontrio Canad, observaram que os acidentes com tratores foram os mais frequentes dentre todas as mquinas agrcolas, e tambm os que causaram o maior gasto hospitalar. Gassend et AL (2009) referem que numerosos estudos sobre acidentes rurais identificam o trator como o agente mais comum de acidentes na agricultura e, aproximadamente metade das leses fatais so associadas a tratores agrcolas. Douphrate et AL (2009) afirmam que alguns

82 trabalhos reportam de maneira geral leses provocadas por mquinas agrcolas, mas isto impede a identificao de fatores de risco especficos do trator. O autor ressalta que vrios estudos relatam que as mquinas agrcolas como um todo so as causas primrias das leses e morte na zona rural e, os tratores so identificados como a causa principal dessas leses. Hoy (2009) em estudo sobre estrutura de proteo contra capotamento, em caso de capotamento de trator, refere que nos Estados Unidos a agricultura uma das ocupaes mais perigosas e, de maneira geral, o trator agrcola o responsvel por aproximadamente 50% dos acidentes que ocorrem nesta rea. Quanto ao sexo dos acidentados, observamos que todos eram do sexo masculino.

Distribuio dos acidentados quanto ao sexo.

Supomos que o fato da totalidade dos acidentados da nossa regio ser do sexo masculino esteja relacionado ao hbito (costume-cultura) de no Brasil, trabalhos relacionados aos tratores e mquinas agrcolas em geral, serem realizados praticamente s por homens. J Carlson et AL (2005) em estudos sobre acidentes com tratores em zona rural de 5 estados norte- americanos, relatam menor porcentagem de envolvimento do sexo masculino, isto , 77% dos acidentados eram homens. Isso demonstra que naquele pas, as mulheres tambm esto envolvidas em atividades relacionadas s mquinas agrcolas. No entanto, o autor supe que a porcentagem mais elevada de acidentes no sexo masculino nos Estados Unidos esteja relacionada ao fato dos homens, dedicarem maior parte do tempo a este tipo de trabalho e executar as tarefas de maior risco. Gassend et AL (2009) em trabalho sobre acidentes com tratores em Zagreb (Crocia), observaram que 91% dos acidentados em zona rural eram do sexo masculino e somente 9% do sexo feminino. Os autores atribuem o fato de que naquele pas, a grande maioria dos operadores de mquinas agrcolas serem homens.

83 Quanto cor, houve predominncia de brancos e a idade variou de 17 a 58 anos com uma mdia de 29 anos, sendo que dois acidentados tinham 17 anos.

Distribuio dos acidentados quanto cor

Gassend et AL (2009) em trabalho sobre acidentes com tratores no registraram nenhum caso abaixo de 18 anos (o mais jovem 22 anos). No entanto a maioria dos seus casos (70%) apresentou uma faixa etria aproximadamente igual a observado por ns, isto , variou de 18 a 65 anos. Por outro lado, o seu trabalho apresenta dados de idade que diferem bastante do nosso, isto , 30% dos seus casos tinham mais de 65 anos e, a idade mdia foi 56 anos. Notamos que a mdia de idade apresentada pelo autor (56 anos) muito prxima da maior idade observada no nosso estudo (58 anos), podendo indicar que naquele pas, de maneira geral, os indivduos que executam trabalho relacionado s mquinas agrcolas so mais idosos. Lubicky & Feinberg (2009) em estudo sobre acidentes com crianas e adolescentes na zona rural, refere-se que por ano, aproximadamente 200 indivduos nessa faixa etria necessitam de internao por leses causadas por equipamentos agrcolas. O autor comenta que nos Estados Unidos da Amrica, os indivduos podem legalmente executar trabalhos agrcolas aps os 16 anos de idade e, no seu estudo (crianas adolescentes), a faixa mais acometida foi de 16 a 19 anos, pois nesta faixa etria os meninos j operam mquinas agrcolas. Em nosso trabalho, observamos que 2 (12,5%) acidentados tinham 17 anos e, supomos que aqui embora no seja legal, ocorra um fato semelhante, isto , provavelmente muitos trabalhadores envolvidos com mquinas agrcolas so menores de 18 anos. Myers et al (2009) referem que trabalhadores rurais de mais idade (acima de 55 anos) tendem a sofrer acidentes agrcolas mais graves e, o nmero de acidentes fatais com tratores aumenta

84 gradativamente com o aumento da idade, atingindo ndices bastante elevados em indivduos acima de 70 anos. No entanto, comentam que quanto porcentagem de acidentes, trabalhadores rurais mais idosos, (acima de 55 anos), tem menor risco de sofrerem acidentes do que os mais jovens. Em nosso estudo no observamos relao entre a gravidade da leso e a idade, mas notamos um dado semelhante quando a porcentagem de acidentes, pois 75% dos nossos pacientes tinham menos de 55 anos. Quanto funo que os acidentados exerciam no local, observamos que a maioria (56,2%) atuavam como ajudante do tratorista e 46,6% eram tratoristas. Alm disso, de todos os ajudantes de tratorista (9 indivduos), somente 2 trabalhavam constantemente na funo, isto , os outros 7, eram lavradores ou executavam servios gerais na propriedade rural e, esporadicamente atuavam como tal. 46,6%

Distribuio dos acidentados quanto funo A execuo espordica da atividade e a falta de experincia podem ter influenciado no elevado ndice de acidentes com os ajudantes de tratorista. No entanto, como veremos adiante, de maneira geral a falta de experincia no foi considerada um fator relevante pelos prprios acidentados. Na literatura no encontramos trabalhos que diferenciam a funo dos acidentados (operador de mquinas ajudantes). Springfeldt, (1996) em trabalho sobre a experincia internacional em relao a acidentes por capotamento de tratores, somente cita que os acidentes ocorreram com os operadores da mquina ou com ocupantes, mas no especifica a porcentagem nem discute fatores que poderiam estar influenciando nos acidentados. Schlosser et al. (2004) estudando a caracterizao dos acidentes com tratores atravs de um questionrio aplicado a operadores de mquinas no Rio Grande do Sul, citam que uma porcentagem elevada de

85 operadores (66,3%), permitem que pessoas andem de carona o que poderia resultar em acidentes com essas pessoas e no com o operador, mas no diferem a porcentagem de acidentes com ambos. A Tabela 6 apresenta a relao das cidades em que ocorreram os acidentes e na Figura abaixo observamos a relao entre o local da residncia e o local do trabalho. Tabela 6 Relao das cidades onde ocorreram os acidentes

Botucatu Ita Itatinga Manduri Tejup Itapeva

Taquarituba Paranapanema Conchas Anhembi So Manuel Areipolis

Distribuio dos pacientes quanto residncia e local de trabalho Observamos que na maioria dos casos (62,5%) os acidentados moravam na cidade e trabalhavam na zona rural. Notamos que em relao moradia e local de trabalho, os acidentados envolvidos em operaes com tratores tambm seguem um padro semelhante ao das outras atividades na agricultura, isto , predominncia de indivduos que residem na cidade e trabalham na zona rural. Com relao ao mecanismo da leso (como ocorreu o acidente), nota-

86 se que o mais frequente foi relacionado ao card do trator (37,5%). Nesses casos, o acidentado foi tracionado para a tomada de fora atravs da vestimenta que se enroscou no card, ou o indivduo escorregou e caiu sobre o mesmo. A segunda causa mais frequente dos acidentes foi capotamento, isto , o trator tombou sobre o operador (25%).Esmagamento de coluna Queda de roda Card Queda Esmagamento do polegar

Capotamento

Distribuio dos acidentados quanto ao mecanismo da leso Embora tenhamos identificado o card do trator como maior causador das leses no conseguimos relacionar exatamente o elemento que influenciou neste fato. Supomos que a inexistncia de proteo dessa pea (card), a falta de orientao sobre a atividade e a falta de ateno foram fatores importantes para a ocorrncia do acidente. Embora o capotamento do trator tenha sido a segunda causa das leses do nosso estudo, um grande nmero de publicaes a relacionam como a mais corriqueira. Acidentes no momento de subir ou descer da mquina, tambm so considerados frequentes (MRQUEZ, CARLSON), mas somente observamos um caso em nosso estudo. Schlosser (2004) observou que o mecanismo da leso mais comum de acidentes graves foi o capotamento do trator (51,7%). O autor refere tambm que o tipo mais frequente de leses leves foi escorrego, que correspondeu a mais de 40% dos seus casos. Em nosso estudo, os escorreges foram poucos frequentes, mas estiveram relacionados a traumas graves, queda sobre o card. Loringer, (2008) refere que nos EUA, as mortes por capotamento de tratores agrcolas tm sido um problema identificado desde 1920, e hoje ainda continua liderando as causas de morte na agricultura daquele pas.

87 Springfeldt afirma que srias leses causadas por capotamento do trator podem ser prevenidas pelo uso da estrutura de proteo contra o capotamento (ROPS). Em alguns pases, as autoridades j estabeleceram a obrigao do uso dessa medida de segurana h muitos anos e, em outros existe apenas recomendao. Na Sucia, a obrigatoriedade do uso dessa proteo em tratores novos foi estabelecida em 1959, na Dinamarca em 1967, Finlndia, 1969, Inglaterra e Nova Zelndia 1970 e Estados Unidos1972. O autor relata que na Sucia a frequncia de acidentes fatais por capotamento para cada 100.000 tratores, foi reduzida de 17 para 0,3/ano, desde que foi introduzida a obrigatoriedade do uso da proteo contra capotamento. Gassend, (2009) em trabalho sobre acidentes fatais com tratoristas em Zagreb (Crocia) refere que a grande maioria dos acidentes (79%) foi por capotamento de trator. Particularmente nesse trabalho foi realizado dosagem sangunea de lcool nos acidentados, identificando presena da substncia em 72% das amostras. J Carlson et al., (2005) em estudos sobre as leses envolvendo operaes agrcolas com tratores em 5 estados do Meio-Oeste dos Estados Unidos da Amrica, afirmam que 1/3 de todas as leses reportadas ocorrem no momento de subir ou descer do trator. Douphrat et at., (2009) em estudo sobre leses provocadas por tratores no Colorado (Estados Unidos da Amrica), no perodo de 1992 2004, reportam que uma grande porcentagem dos acidentes (21%), ocorreram no momento de subir ou descer da mquina, e acrescenta que o tornozelo foi o local mais envolvido nas leses. Os autores sugerem inclusive investigao no design relacionado segurana quanto ao ato de subir e descer dos tratores. Em seu trabalho, somente 21% dos acidentes foram por capotamento do trator. Lee et al., (1996) observaram que em mais de 40% das leses relacionadas ao trator ocorreram no momento de subir ou descer da mquina. Quanto formao tcnica do acidentado, isto , instrues sobre atividades de operao do trator constatamos que a grande maioria (87,5%) no havia feito nenhum curso ou recebido qualquer orientao. Os que responderam afirmativamente afirmaram que apenas receberam orientao de outros trabalhadores no prprio local. Schlosser ET al., (2004) concluram que 60,7% dos entrevistados no frequentaram curso de operao de tratores agrcolas. Os autores afirmam que a falta de treinamento adequado dos operadores um elemento que amplia os riscos de ocorrncia de acidentes.

88

Participao dos acidentados em cursos de treinamento.

A grande maioria dos acidentados (81,2%) no usava qualquer proteo no momento do acidente. O restante (3 pacientes 18,7%) consideraram como proteo as seguintes medidas: luvas, culos e bota de borracha. Tambm a maioria (75%) referiu que no existia qualquer proteo no trator ou local de trabalho. Os que consideravam as mesmas existentes relacionavam: culos, luvas, bota de borracha e apoio para troca de pneus. Se observarmos as causas mais frequentes das leses com tratores em nosso estudo, isto , acidentes com o card e capotamento da mquina, pensamos existir uma relao direta desses com a baixa porcentagem de medidas de proteo existentes no trator tais como: proteo do card, ausncia estruturas de proteo contra capotamento e cinto de segurana, alm de falta de cursos

Usavam ou no proteo no momento do acidente.

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Existncia ou no de proteo no trator ou no local de trabalho

ou treinamento sobre a atividade, que no nosso ponto de vista, poderiam diminuir a incidncia das leses. Debiasi et al., (2004) afirmam que 70% dos acidentes seriam evitados com medidas de preveno. No entanto, na opinio dos acidentados como veremos mais adiante, o item falta de orientao foi considerado como a causa do acidente por apenas 12,5% dos indivduos e o item falta de proteo, no foi citado pelos acidentados. Quanto ao dia da semana e perodo do dia em que ocorreram os acidentes notamos certa predominncia na segunda-feira (31,2%) sendo que 93,7% dos acidentes ocorreram durante a semana. A maioria (68,7%) ocorreu no perodo da tarde .

Distribuio dos acidentes quanto ao dia da semana

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Distribuio dos acidentes quanto ao perodo do dia

Lubicky & Feinberg, (2009) relatam que acidentes envolvendo crianas e adolescentes representam uma porcentagem elevada durante a semana, isto , 68% dos seus casos. Na opinio dos acidentados e/ou acompanhantes as causas mais frequentes dos acidentes foram a falta de ateno do prprio acidentado (25%), a falta de ateno do companheiro (25%) e o cansao ou excesso de trabalho (25%).

No soube dizer Fatalidade Falta de orientao Falta de ateno do acidentado

Cansao

Falta de ateno do companheiro

Causas do acidentes segundo opinio dos acidentados.

91 Schlosser et al., (2004) apontam a falta de ateno, como uma das principais causas dos acidentes. Os autores referem que as causas dos acidentes foram: o desconhecimento das medidas de segurana na operao de tratores (32,7%), a falta de ateno (32,2%), equipamento inadequado (22,2%). Os autores tambm afirmam que atos inseguros podem resultar da falta de ateno e cansao e, esses podem sofrer uma ao indireta do prprio trator, que por problemas em suas caractersticas ergonmicas, pode resultar em fadiga do operador e pr-disposio ao acidente. Assim, embora em nosso trabalho a falta de ateno (do acidentado e do companheiro) tenha sido apontado como a grande responsvel pelos acidentes, podemos supor tambm que em muitos casos, a causa final do acidente seja uma somatria, uma associao desses fatores, j que o cansao e o excesso de trabalho tambm foram citados. Debiase et al., (2004) afirmam que a falta de ateno foi considerada uma das principais responsveis pelos acidentes. Os autores citam tambm como causas principais, a perda de controle em atividades de declive, operao do trator em condies extremas, permisso de carona e a ausncia de proteo da partes ativas do operador. O grfico abaixo apresenta a porcentagem de pacientes que necessitaram ou no internao.

Distribuio dos acidentados quanto internao ou no.

A tabela 7 apresenta a relao dos vrios tipos de leses observadas em nosso estudo. Notamos que existe um maior nmero de leses do que acidentados, pois vrios pacientes apresentaram mais de uma leso. As leses graves no apresentaram um local de maior acometimento, e estiveram distribudos na bacia, membros superiores e inferiores.

92 Tabela 7 Relao dos tipos de leses observadas nos acidentadosFratura exposta rdio e cbito Fratura exposta tbia Fratura luxao tornozelo Fratura da coluna lombar Fratura do antebrao Fratura do mero Fratura do acetbulo Fratura do Ilaco Fratura da clavcula Luxao do Joelho Luxao radio-ulnar Luxao do cotovelo Leso anel plvico Amputao do antebrao Amputao do polegar Amputao da perna Leso da artria tibial anterior Leso artria braquial Leso tendo tibial anterior Pneumotrax hemotrax Leso do fgado Ruptura do bao Leso de uretra Fratura pbis-squio

A grande maioria dos pacientes (81,2%) foi internada devido gravidade das leses e a necessidade de tratamento cirrgico. O tempo de internao variou de 1 45 dias com uma mdia de 19 dias. O custo mdio por paciente internado foi 7.016,32 reais sem computar gastos com cirurgias e UTI Lembramos, no entanto que o clculo foi feito somente com pacientes internados, pois se fossem includos os no internados o gasto final seria maior. Hartling et al., (1999) em trabalho sobre custo mdio de pacientes hospitalizados por acidentes com mquinas agrcolas em geral, observaram um gasto mdio de aproximadamente 2.500 dlares, mas focalizando somente os pacientes que sofreram capotamento do trator afirmam um custo mdio de 3.065 dlares. Na tabela 8 podemos observar o perodo de afastamento do trabalho (temporrio e definitivo) em decorrncia dos acidentes. Notamos que o afastamento temporrio variou de 5 dias a 7 meses com uma mdia de 90 dias. Essa avaliao foi realizada em 12 casos do total de 16, pois 2 casos foram afastados definitivamente, 1 foi a bito e 1 no foi obtido informao. Tabela 8 Afastamento do trabalho

5 dias - 7 meses (mdia 90 dias) 2 Afastamento definitivo da funo 1 No se obteve informao 1 bito

93 Notamos que a grande maioria dos pacientes (80%) apresentou algum tipo de deformidade ou limitao de movimento. Um paciente foi a bito. Estes dados tambm reforam a evidencia da gravidade das leses.

Pacientes apresentaram ou no seqelas aps o acidente.

Entre as mquinas agrcolas, o trator considerado o maior causador de acidentes, o que tambm constatamos em nosso estudo, no entanto, apesar da gravidade das leses, no observamos um nmero elevado de casos. Esse fato pode refletir duas possveis situaes, isto , realmente o nmero de casos desse tipo de acidente limitado em nossa regio ou, o mais provvel, por sermos um hospital de referncia, somente foram encaminhados para o nosso servio, os casos de maior gravidade, sendo os de menor complexidade tratados nos hospitais da regio. Apesar de no termos registrado um nmero elevado de casos, podemos observar atravs dos itens referentes aos tipos de leses, necessidade de internao e pela alta porcentagem de sequelas (inclusive um bito), que em geral os traumas foram muitos graves. A falta de ateno do acidentado ou do companheiro foi referida pelos nossos pacientes como a grande responsvel pelos acidentes, sendo tambm citada na literatura como um fator muito importante, e assim, julgamos que este um elemento que realmente deve ser levado em considerao quando se busca prevenir este tipo de acidente. No entanto, em nosso trabalho, se compararmos o item mecanismo da leso com os referentes existncia ou no de proteo (trator local de trabalho), e instrues sobre as atividades de operao do trator, podemos afirmar que cursos sobre orientaes tcnicas e preveno de acidentes certamente devem ser intensificados e, dispositivos

94 efetivos de segurana na prpria mquina devem ser rigorosamente estabelecidos para diminuir a incidncia desses graves acidentes. PONTOS IMPORTANTES Dentre as mquinas agrcolas, os tratores foram os maiores causadores dos acidentes (65%); sendo que, a idade mdia dos acidentados foi 29 anos. A maioria dos acidentados (56,2%) atuavam como ajudante do tratorista e a grande maioria dos acidentados (87,5%) no haviam feito cursos e nem recebido instrues sobre atividade relacionada com o trator. O eixo Card foi responsvel por 37,5% dos acidentes com o trator e a maioria dos acidentados (75%) afirmou no existir qualquer proteo no trator ou no local de trabalho. 81,2% dos acidentados afirmaram que no usavam qualquer proteo no momento do acidente, tambm na opinio deles as causas mais frequentes dos acidentes foram falta de ateno deles ou do companheiro alm do cansao ou excesso de trabalho. As leses ocorreram mais frequentemente nos membros superiores, inferiores e bacia; a grande maioria dos pacientes (81,2%) necessitaram internao pela gravidade das leses, sendo, o perodo mdio de internao de 19 dias e o perodo mdio de afastamento do trabalho de 90 dias. A grande maioria dos pacientes (80%) apresentou algum tipo de deformidade ou limitao de movimento em decorrncia do acidente e um paciente foi a bito. Apresentamos fotos de casos para exemplificarmos alguns tipos de leses. Auxiliar de tratorista, vestimenta enroscou no card O paciente apresentou fratura exposta do mero e luxao do cotovelo, alm disso, tambm teve fratura do rdio e cbito (luxao radio-ulnar), conforme indicao das setas.

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Paciente sentado na plaina (frente do trator) plaina levantada repentinamente. Neste caso o paciente teve fratura (encunhamento) da vrtebra lombar, na primeira radiografia mostrando a leso, em seguida a Tomografia properatria destacando a fratura e a radiografia do ps-operatrio com a fixao do parafuso pedicular.

Queda do trator e o trator atropelou o paciente

96 O paciente teve fratura do pbis squio, disjuno do sacro ilaco e fratura do ilaco, todas leses graves e com um percentual de bito muito elevado.

Auxiliar do tratorista queda do trator trator passou sobre o paciente. Apresentou disjuno sacro ilaca, disjuno da snfise pbica e leso de uretra. A radiografia das leses e depois com a fixao com placa e parafusos. Leso grave com percentual elevado de sequelas permanentes.

Queda do trator trator passou sobre o paciente O paciente teve fratura do squio, disjuno da sfise pbica, fratura do acetbulo e do ilaco. As setas mostram as leses e fixao das placas com parafusos. E

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Vestimenta tracionada pelo card. O paciente teve fratura luxao exposta do tornozelo direito, alm, de fratura exposta cominutiva (vrios fragmentos) da tbia esquerda.

Queda da roda do trator sobre o antebrao Fratura exposta do antebrao, com graves leses de partes moles, estabilizadas com fixador externo.

98 Paciente de 17 anos teve amputao traumtica do polegar direito e antebrao esquerdo sem possibilidade de reinplante.

Tratorista escorregou e caiu sobre o card

Ps operatrio de 6 dias

Ps operatrio de 5 meses

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REFERNCIAS BIBLIOGRAFICAS

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